Repositório RCAAP
De perto, de longe, de fora e de dentro: a formação do observador a partir de uma experiência com o método Bick
Este relato de experiência teve por objetivo analisar o processo de formação do estagiário de Psicologia como observador da relação mãe-bebê-família, seguindo o método Bick de observação. A perspectiva fenomenológica foi utilizada como marco teórico para a análise dos dados. Foram analisados extratos do diário de campo, que continha os registros das observações sistematizadas pelo estagiário. A análise temática dos relatos escritos focalizou as vicissitudes da atividade de observação notadamente em dois momentos de realização do estágio: na 1ª e na 20ª observação. Desses momentos, descreveram-se os movimentos de aproximação, distanciamento, reaproximação e finalização do estágio. Isto possibilitou a emergência de questionamentos acerca do fazer profissional e do estabelecimento dos vínculos com a família e seus membros, bem como do impacto dessas experiências para a vivência do observador em formação. A observação foi destacada nesta experiência como um instrumento que expande as potencialidades do futuro profissional clínico, ampliando a capacidade de continência do estagiário para fazer frente às adversidades da vida, inclusive em situações de intenso impacto psíquico.
2022-12-06T14:20:14Z
Scorsolini-Comin,Fabio Nedel,Angelita Zamberlan Santos,Manoel Antônio dos
Medos infantis, cidade e violência: expressões em diferentes classes sociais
O objetivo deste trabalho é ilustrar manifestações do medo infantil, considerando a classe social como um possível balizador. Tomando como eixo condutor uma pesquisa realizada em três escolas na zona sul do Rio de Janeiro, buscamos mostrar o efeito da violência nas produções subjetivas infantis, mais especificamente o medo, em crianças de diferentes classes sociais. Para isto, foi utilizado o desenho como ferramenta de análise. Evidenciaram-se diferentes produções de crianças pertencentes a diferentes classes sociais. Por fim, buscamos, igualmente, ressaltar o papel da mídia como um potente agenciador de subjetividade no tocante ao estímulo a uma cultura do medo.
2022-12-06T14:20:14Z
Vilhena,Junia de Bittencourt,Maria Inês Garcia de Freitas Zamora,Maria Helena Novaes,Joana de Vilhena Bonato,Maira de Carvalho Rosa
Torna tua a herança de teu pai: o Nome-do-Pai na psicanálise lacaniana
Este artigo percorre alguns momentos no desenvolvimento do conceito lacaniano do Nome-do-Pai. Toma como ponto de partida os escritos de Freud sobre o recalque e demonstra a importância do pensamento freudiano para a elaboração deste conceito. Três períodos deste trajeto teórico são abordados: o Nome-do-Pai como interdição simbólica ao incesto; o Nome-do-Pai pluralizado como instaurador do inconsciente estruturado como uma linguagem; finalmente, seu papel na teoria dos nós borromeanos. Para tanto, faremos uma breve passagem pela matemática transfinita, cuja lógica perpassa algumas das elaborações lacanianas. O fio condutor deste percurso será a própria possibilidade do inconsciente, seja ele tomado como o material recalcado, seja como a articulação entre os significantes.
2022-12-06T14:20:14Z
Andrade Júnior,Moisés de
Reflexões sobre a clínica-escola, a psicanálise e sua transmissão
Muitas são as questões que surgem a partir da experiência de iniciação à escuta clínica nos ambulatórios universitários. O que esta clínica ensina? E de que maneira ela pode participar do processo de transmissão da psicanálise que se dá na universidade? Esta parece ser a questão primeira, com a qual nos defrontamos, quando buscamos pensar as relações entre a clínica e a universidade. Delimitamos nosso artigo em torno da possibilidade de transmissão da clínica psicanalítica na clínica-escola e das incidências desta prática naquele que a exerce. Trata-se de nos interrogarmos sobre a possibilidade de transmissão da clínica psicanalítica, da sua ética e do seu ato, em uma clínica-escola.
2022-12-06T14:20:14Z
Marcos,Cristina Moreira
Contratransferência e enquadre psicanalítico em Pierre Fédida
Objetivamos sublinhar o fecundo e complexo pensamento de Fédida sobre a técnica psicanalítica, tratando da articulação das noções de contratransferência e de enquadre no dispositivo clínico psicanalítico. Sua concepção de contratransferência tem como modelo implícito a relação fictícia mãe-bebê, na qual a mãe é uma receptora capaz de ressonância com o estado psíquico da criança para ativação da linguagem e consequente alívio de seu sofrimento. Ele identifica na contratransferência uma função que regula a "experiência intersubjetiva" analista-paciente e tem a função de para-excitação, que se rege em nível pré-consciente capaz de nomeação. Isso é o que sustenta o enquadre analítico como espaço de potência, que engendra a situação analítica. Destacamos o estilo evocativo da escrita de Fédida, que mobiliza o pensar e o insigth, próprio da metapsicologia freudiana. Desse modo, suas elaborações contribuem, significativamente, para maior compreensão da psicoterapia psicanalítica.
2022-12-06T14:20:14Z
Dias,Helena Maria Melo Berlinck,Manoel Tosta
Freud e a transferência dos psicóticos
O objetivo deste artigo é mapear os escritos de Freud sobre a transferência dos pacientes psicóticos demarcando quatro etapas. A particularidade deste trabalho consiste exatamente na divisão da experiência freudiana das psicoses em quatro períodos que salientam a questão da transferência com caráter central na experiência com psicóticos. No primeiro período veremos que Freud utiliza a prática do diagnóstico de maneira bastante flexível, no entanto é a partir deles que a noção de transferência aparece. Num segundo momento, Freud duvida que seja possível o tratamento psicanalítico das psicoses. No momento seguinte, Freud manifesta significativo interesse pela clínica das psicoses. Na quarta e última etapa, Freud analisa as relações entre normalidade e anormalidade e avalia as possibilidades da análise de psicóticos. Apresentamos ainda um caso pouco assinalado de um paciente de Freud, pois acreditamos que compreender o pensamento de Freud a partir da experiência clínica é importante para que se compreenda o conjunto de sua obra.
2022-12-06T14:20:14Z
Bocchi,Josiane Menendez,Jimena Garcia Oliveira,Luiz Eduardo Prado de
Sexualidade infanto-adolescente e seu reconhecimento como direitos humanos: a necessidade de mais reflexão e teorizações
Este artigo parte do reconhecimento da importância de colóquios científicos para a reflexão sobre os direitos humanos de crianças e adolescentes, criticando a dicotomia entre teoria e prática. Aborda a sexualidade infanto-adolescente no contexto geral da sexualidade humana, situando-a no marco internacional dos direitos humanos, do direito constitucional brasileiro e da sua dogmática vigente. Analisa tal dogmática à luz dos paradigmas ético-políticos e dos princípios jurídicos, submetendo aquela a estes.
2022-12-06T14:20:14Z
Nogueira Neto,Wanderlino
Os direitos sexuais e o enfrentamento da violência sexual
O artigo tem como temática a problematização acerca da emergência dos direitos sexuais como direitos humanos e dos processos de criminalização contemporâneos que se materializam na violência sexual, colocando em análise suas múltiplas formas de entendimento e delimitações. Busca-se visibilizar produções de saberes - sempre articulados a relações de poder - para pôr em questão processos de subjetivação, a partir da análise do funcionamento do poder biopolítico e seus efeitos na contemporaneidade.
2022-12-06T14:20:14Z
Bicalho,Pedro Paulo Gastalho de Geraldini,Janaina Rodrigues Magalhães,Kely Cristina Cassal,Luan Carpes Barros
Direitos da criança e do adolescente: um debate necessário
Para dar força de lei aos direitos da criança, a Organização das Nações Unidas constituiu, em 1979, um Grupo de Trabalho que deu início à elaboração do texto da Convenção sobre os Direitos da Criança, debatido durante 10 anos. Adotada por unanimidade, a Convenção é considerada um dos mais importantes instrumentos de direitos humanos jamais adotado pela comunidade internacional. No entanto, e sem que isto implique desconsiderar a sua importância, a Convenção deve ser problematizada, levando-se em conta os dez anos em que o pré-texto foi debatido, a complexidade de suas afirmações e as dificuldades existentes para sua efetivação.
2022-12-06T14:20:14Z
Arantes,Esther Maria de Magalhães
Por uma agenda positiva dos direitos sexuais da adolescência
O artigo busca esclarecer as dimensões dos chamados direitos sexuais de adolescentes com base em perspectivas empíricas, tanto qualitativas quanto quantitativas. A partir de entrevistas em profundidade e um inquérito domiciliar com jovens sobre conhecimento, experiências e valores associados à sexualidade, o artigo procura demonstrar que a "conversa sobre sexo" é limitada no âmbito da família, da escola e nos serviços de saúde. O acesso à informação e familiaridade com a temática da sexualidade constitui-se em um direito sexual de primeira linha para adolescentes e jovens, a despeito das convicções morais do entorno social.
2022-12-06T14:20:14Z
Heilborn,Maria Luiza
Direitos sexuais de crianças e adolescentes: avanços e entraves
O tenso encontro entre infância/adolescência e sexualidade é questão fundamental do presente trabalho. Neste sentido, pretende-se analisar de que modo instituições de atendimento que lidam com o público infanto-juvenil se posicionam frente à garantia dos direitos sexuais e reprodutivos destes sujeitos. As reflexões apresentadas foram construídas a partir de um recorte de situações vivenciadas em duas pesquisas de campo, realizadas em instituições de educação e saúde. Os excertos analisados sugerem que há uma dificuldade em se garantir, nas práticas institucionais, os direitos sexuais de crianças e adolescentes (e reprodutivos destes últimos), visto que há uma indiferenciação entre sexualidade e genitalidade, representação esta que afeta a compreensão dos limites entre autonomia e proteção. Compreende-se que para que se possa efetivar a garantia destes direitos é necessário que crianças e adolescentes participem desta construção teórico-prática.
2022-12-06T14:20:14Z
Carvalho,Cíntia de Sousa Silva,Elisângela Ribeiro da Jobim e Souza,Solange Salgado,Raquel Gonçalves
A sexualidade adolescente a partir de percepções de formuladores de políticas públicas: refletindo o ideário dos adolescentes sujeitos de direitos
Este artigo tem como objetivo debater a possibilidade de afirmação da sexualidade como um direito dos adolescentes, explorando como diferentes perspectivas em relação à sexualidade adolescente se articulam no discurso e atuação de atores do campo de garantia de direitos de crianças e adolescentes. A construção do ideário dos direitos sexuais e do paradigma das crianças e adolescentes como sujeitos de direitos, trazido pela mudança no marco legal brasileiro com a promulgação do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), serve de base para um debate acerca da possibilidade de os adolescentes serem titulares de direitos sexuais. O trabalho se propõe contribuir para uma reflexão mais geral sobre o quanto a sexualidade adolescente coloca em xeque tanto o ideário dos adolescentes sujeitos de direitos como o processo de universalização dos chamados direitos sexuais.
2022-12-06T14:20:14Z
Leite,Vanessa
Adolescências, autonomia e direitos sexuais: fragmentos de histórias de meninas abrigadas
A relação entre autonomia, adolescência e direitos sexuais levanta questões importantes para o cotidiano de instituições de acolhimento institucional. Adolescentes abrigadas que possuem vida sexual ativa nos interpelam sobre nossos valores morais no campo da sexualidade. Este artigo discute perspectivas de sexualidade e de exercício dos direitos sexuais entre meninas adolescentes em situação de acolhimento institucional a partir da noção de autonomia, desenvolvida nas instituições do Estado como estratégia de proteção.
2022-12-06T14:20:14Z
Uziel,Anna Paula Berzins,Felix Augusto Jacobson
Violência e exploração sexual infanto-juvenil: uma análise conceitual
A criminalização de condutas afetas a situações em que crianças e adolescentes são vítimas de abusos, violências ou explorações de natureza sexual não se exaurem no Código Penal, visto que o Estatuto da Criança e do Adolescente tem, em suas contínuas reformulações, se ocupado do tema. A compreensão de humanidade passa pela compreensão e respeito à infância/adolescência em todas as suas etapas. Neste sentido, a violência sexual constitui uma forma extrema de agressão, de desconstituição desta humanidade.
2022-12-06T14:20:14Z
Veronese,Josiane Rose Petry
A clínica psicológica e o público LGBT
Tendo como base os estudos recentes sobre as sexualidades e os gêneros e, em especial, os relativos à diversidade sexual, este artigo promove uma discussão ética sobre as vicissitudes da clínica psicológica com a população LGBT (lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais). Para tanto, problematizamos a construção sócio-histórica-cultural da homossexualidade e da heterossexualidade, as hierarquias das sexualidades e algumas ações terapêuticas na clínica direcionada ao público não-heterossexual, tendo em vista a Resolução do Conselho Federal de Psicologia nº 1/99 que estabelece normas de atuação para os psicólogos em relação à questão da orientação sexual. Desse modo, matizamos o discurso da clínica usualmente orientada para o trabalho com pessoas heterossexuais, pensando de modo crítico o trabalho desenvolvido com sujeitos que transitam entre a vulnerabilidade e a invisibilidade devido a sua dissidência dos preceitos heteronormativos.
2022-12-06T14:20:14Z
Toledo,Lívia Gonsalves Pinafi,Tânia
Leptina e anorexia nervosa
Estudos recentes comprovam a importância da leptina no comportamento alimentar. A diminuição das concentrações séricas desse hormônio está diretamente relacionada com a variação da taxa de gordura corporal e provoca alterações em eixos neuroendócrinos, levando à amenorreia e à hiperatividade, entre outras consequências. Neste trabalho estamos apresentando uma revisão bibliográfica dos principais focos de estudo que relacionam a LEP com a ANN, bem como dos efeitos do excesso e da deficiência desse hormônio sobre o comportamento alimentar. Trata-se de um esforço para converter uma grande gama de conhecimentos obtidos da literatura em um texto, objetivando prover uma visão de como a LEP, funcionando como um sinal periférico de disponibilidade de energia, pode influenciar a atividade de circuitos neuronais que controlam mecanismos associados à regulação da homeostasia energética.
2022-12-06T14:20:14Z
Corrêa,Roberta de Oliveira Pimentel,Silvia Cristina da Silva Cortez,Célia Martins
O masoquismo através da transferência
Este trabalho propõe uma leitura psicanalítica do termo "masoquismo" partindo dos traços da obra de Léopold Sacher Masoch cuja notoriedade foi assegurada pelo sucesso desse termo cunhado pelo seu contemporâneo Richard Von Krafft Ebing. Apresentamos hipóteses relacionadas à problemática do masoquismo tal como ela pode se apresentar no contexto da transferência e da contratransferência. Identificar em uma cura o que pode se opor ao seu sucesso e perceber as causas e o que está em jogo na relação terapêutica negativa fazem parte de momentos críticos que podem estar relacionados ao masoquismo e seus efeitos. Para desenvolvermos tais reflexões, baseamo-nos em um caso clínico de negação da gravidez.
2022-12-06T14:20:14Z
Christaki,Angélique
O uso das cartas terapêuticas na prática clínica
Considerando a escassez de estudos sobre o uso de cartas terapêuticas na literatura nacional, este artigo busca promover o debate sobre as suas potencialidades. Assim, apresentamos as cartas terapêuticas como um recurso para a prática clínica, sendo entendidas, ao mesmo tempo, como uma forma de documentação e de intervenção terapêutica. A partir de uma revisão da literatura, contextualizamos o desenvolvimento das cartas terapêuticas na clínica, explicitando sua história, usos e funções. Seguindo uma perspectiva narrativa, descrevemos as definições, tipos, princípios gerais e recomendações práticas para a redação de cartas pelos terapeutas. Finalizando, enfatizamos a importância de uma prática epistemologicamente orientada e a necessidade de uma análise das implicações do uso das cartas no contexto brasileiro.
2022-12-06T14:20:14Z
Paiva,Ludoana Pousa Corrêa de Rasera,Emerson Fernando
Considerações sobre violência e verdade no mundo contemporâneo
Freud associa ao supereu a palavra, que se impõe feroz, sem sentido, instituindo com sua lei insensata o campo da cultura. Nessa concepção, alguma forma de violência estaria na gênese do sujeito e da verdade que o constitui. Se para Lacan a palavra é a morte da coisa, rompendo na criança qualquer possibilidade de reencontro com aquilo que a satisfaria, é esta mesma palavra que estabiliza, ou fixa, a errância disruptiva do real, tornando-nos seres de cultura. A democracia capitalista ocidental, segundo Alain Badiou, se propõe um mundo átono, sem pontos de tensão em que uma decisão tenha que se colocar na forma da palavra. Se esse poder instaurador veiculado pela palavra nos constitui como sujeito de uma verdade, ao rejeitar a existência de sujeitos nossa contemporaneidade se condena à fruição de um gozo sem sentido, que se reatualiza continuamente sob as mais variadas formas.
2022-12-06T14:20:14Z
França Neto,Oswaldo