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Italianos, espanhóis e portugueses no quadro da grande imigração no Brasil

<p>Conforme o primeiro censo geral do império do Brasil de 1872, o total da população do país era de 9.930.478 indivíduos, dos quais 382.041 eram estrangeiros. Pouco mais de três décadas depois, já em tempos republicanos, esse número elevou-se à soma de 1 7.318.556, dos quais 16.159.371 brasileiros e 1.279.063 estrangeiros.</p> <p>Tal crescimento evidencia, pela primeira vez, a entrada maciça de imigrantes no Brasil, inserindo o país na rota da grande emigração europeia que ganhou corpo e atingiu seu limite máximo no período entre 1880 -1914.</p>

Inquisição e imigração: a trajetória de Familiares do Santo Ofício no Grão-Pará e Maranhão e na Capitania do Ceará (século XVIII)

<p>O presente ensaio tem como objetivo comparar a trajetória de vida de dois imigrantes portugueses. Além do fato de serem lusitanos, ambos pleitearam a nomeação como Familiar do Santo Ofício, no século XVIII. E mais, aqui desse lado do Atlântico, enriqueceram. Assim, discutiremos as trajetórias de imigrantes que apartaram na América Portuguesa. Mas, não o faremos apresentando um grande contingente populacional ou números que passeiem na casa dos milhares. O esforço é de trabalhar com dois migrantes, "fazendo perguntas gerais para casos específicos" - como tão bem nos ensinou Giovanni Levi.</p>

Em torno da emigração açoriana para o Brasil: diferentes leituras e problemáticas

<p>A grande vaga de emigração espontânea de gentes dos Açores com destino ao Brasil, ocorrida ao longo do século XIX, suscitou diversas posições por parte das autoridades locais e de alguma opinião pública.</p> <p>Se determinadas perspetivas eram mais pessimistas, entendendo a emigração insular como um mal, potencialmente causador de escassez de mão-de-obra; outros olhares encaravam este fenómeno como natural e necessário ao equilíbrio social do arquipélago e, acima de tudo, como um direito inalienável do cidadão livre. No entanto, a prevalência destas posições dependia da conjuntura socioeconómica dominante.</p>

A emigração do distrito de Bragança para o Brasil e o discurso da imprensa regional (1891-1904)

<p>O artigo que apresentamos, intitulado A emigração do distrito de Bragança para o Brasil e o discurso da imprensa regional (1891-1904), realiza-se no âmbito da tese de doutoramento da autora, com o tema A emigração para o Brasil no distrito de Bragança e as relações Portugal-Brasil (1844-1910), e constitui um contributo para o estudo da emigração do distrito de Bragança p ara o Brasil, neste período, dando continuidade ao trabalho que vimos desenvolvendo no âmbito do projeto de investigação do CEPESE, subordinado ao tema A emigração de Portugal para o Brasil. Dinâmicas demográficas e discurso político.</p>

Açores: condições, possibilidades e divergências que levaram ao processo de emigração

<p>Os acontecimentos históricos que fizeram das ilhas açorianas um palco para grande número de saídas do país em diversas ondas emigratórias rumo à melhores condições de sobrevivência, advém de diversos fatores preponderantes, incluindo a geografia, o clima, as condições políticas e estruturais das ilhas e de sua organização, conforme apontam as pesquisas sobre as causas da emigração, pois, é um "facto generalizadamente reconhecido já que nele actuam estratégias de ordem individual e familiar balizadas em contextos geográficos, económicos, sociais, políticos e culturais específicos';' não podendo generalizar suas causas em tempos distintos, mas entendendo que algumas são particularmente recidivas.</p>

Negociantes portugueses e comércio em Santos no período de 1862 a 1892

<p>O presente artigo, parte de uma pesquisa em andamento, tem como objetivo um estudo sobre a economia santista no século XIX. O período em foco é o de 1862 a 1892. Procura estabelecer a participação dos negociantes portugueses e aqueles em atividade de comércio no desenvolvimento econômico da cidade de Santos e n a ocupação do espaço urbano, através dos locais de residência e das casas comerciais, quase sempre no mesmo endereço. A principal fonte consultada para esta investigação foi o Livro de Registro de Sócios da Sociedade Portuguesa de Beneficência de Santos, que permitiu verificar quem eram esses homens e suas atividades profissionais. Informações sobre, origem geográfica, idade, estado civil, endereço, data em que se associou, óbitos, e em diversos casos a escalada econômica e social de alguns associados e seu status na Instituição. Foram incorporados dados anteriormente pesquisados, mas o maior enfoque ficou p ara os anos de 1890-1892, e nos permitiu formar um quadro da participação dos portugueses na vida da cidade.</p>

Ao fim de uma bela época: migração ibérica, trabalho e redes sociais em Belém no limiar do século XX

<p>Pensar a Amazônia da passagem do Oitocentos ao século XX remete-nos a um período em que a região ocupava grande atenção internacional, em razão dos excelentes resultados que a exportação da borracha trazia à economia regional. Um complexo económico dedicado à exportação da goma elástica, conformado ainda nos meados do século XIX, acarretou em profundas transformações na estrutura demo-económica de Belém, em particular, e do Pará, em geral. Nesse bojo, pensar a região naquele período também p ode nos remeter à presença de indivíduos migrados de outro lado do Atlântico ou do nordeste brasileiro que aportavam em Belém e em Manaus, na busca da melhoria de sua condição social, fruto do trabalho na lavoura ou nos seringais.</p>

Imigração italiana no Rio Grande do Sul: colonização, urbanização e historiografia

<p>Pretende-se discutir abordagens historiografias relacionadas à Imigração, considerada como fenômeno amplo e abrangente, envolvendo processos de Colonização. Comenta-se brevemente o desenvolvimento de uma historiografia da imigração, destacando-se nomes de pesquisadores que acompanham tendências historiográficas atuais. O texto enfatiza a imigração italiana no sul do Brasil que pode ser urbana ou rural; através do breve comentário de autores, sugere que esse fenômeno pode ocorrer em grandes levas, em pequenos grupos ou até mesmo individual; pode ser decorrência de iniciativas oficiais ou da organização de grupos parentais, com ênfase nas correntes e redes, entre outras categorias.</p>

“Novo Orbe Serafico Basilico”: o legado de Frei Jaboatão para a História da Arte Luso-Brasileira dos séculos XVI e XVII

<p>O presente artigo tem como objetivo abordar as contribuições das realizações literárias do Frei franciscano Antonio de Santa Maria Jaboatam (1695- 1779) para o estudo da História da Arte Luso-brasileira. Em sua principal obra, “Novo Orbe Seráfico Brasílico” ou “Crônica dos Frades Menores do Brasil”, referência obrigatória sobre a Ordem Franciscana no Brasil Colonial, Frei Jaboatam reúne informações sobre praticamente todas as atividades franciscanas no período, as quais são valorizadas no sentido de afirmar a primazia da Ordem franciscana em relação às demais Ordens religiosas que missionaram em terras brasileiras. Mas, embora comprometido com o registro da historiografia e dos empreendimentos da Ordem franciscana, o autor interessou- se por outros temas, ligados às realizações artísticas destes religiosos no país. Desse modo, sua obra também se tornou referência fundamental para o campo da História da Arte, mais especificamente para o estudo da História da Arte Luso-brasileira.</p>

Beneditinos e Franciscanos: convivência de invocações no espaço monástico beneditino português (Séculos XVII-XVIII)

<p>A instituição da Congregação dos Monges Negros de S. Bento (1566) implementou um novo sistema administrativo que permitiu a estabilidade económica da Congregação e o início do processo de renovação artística, que estendeu-se pelos séculos XVII e XVIII. Além das intervenções a nível arquitectónico, este processo contemplou importantes alterações no património móvel, nomeadamente na pintura e imaginária.</p> <p>O levantamento das invocações nos conjuntos monásticos beneditinos deixou patente a vontade dos monges negros em ter presentes santos franciscanos, representados sobretudo em escultura e localizados fundamentalmente em retábulos no corpo das igrejas. Esta presença, sem fundamento normativo, terá resultado de um conjunto de motivações e revela um diálogo invocativo que deixa transparecer a reverência dos beneditinos por alguns exemplos da espiritualidade franciscana e a sua preocupação em inspirar monges e fiéis no caminho da perfeição.</p>

Perspectiva e arquitetura do engano: a decoração da nave da Igreja do Convento franciscano na cidade da Paraíba entre os séculos XVIII e XIX

<p>A pintura do teto da nave da igreja do Convento Franciscano, na cidade da Paraíba, ainda se encontra sem uma autoria confirmada, seja por documentação, seja por considerações estilísticas. Suas características estilísticas ou estéticas vêm sempre referidas em estudos historiográficos, sem, contudo, avançar sobre uma possível autoria ou uma datação. Esse teto apresenta uma estrutura perspéctica de grande sopro e deve ser associado a uma das mais significativas pinturas ilusionistas produzidas no Brasil setecentista. Este estudo tem como propósito evidenciar esses aspectos a partir da construção das arquiteturas pintadas.</p>

“No Coro assentados ou em pé” – polémica comum a franciscanos e beneditinos na 2.ª metade do séc. XVIII

<p>No final do séc. XVIII, as questões ligadas à prática da reza e à prática das cerimónias, à uniformidade no culto, à conformidade com a matriz romana, ao respeito pelos privilégios das igrejas particulares, encontram-se bem documentadas, sendo aqui transcritos dois documentos reveladores, de Franciscanos e Beneditinos.</p> <p>As atitudes corporais a respeitar na oração pública e vocal, e as polémicas em torno de decisões que implicam uma alteração das práticas usuais, são elementos importantes para quem estuda o papel simbólico do mobiliário do culto, nomeadamente as cadeiras de coro nas igrejas dos Religiosos, apesar das diversas aspirações, estruturas, preocupações dominantes e cerimónias que distinguem Monges e Frades.</p>

Em busca da perfeição e da harmonia construtiva: considerações a respeito dos contratos das Igrejas de São Francisco de Assis e de Nossa Senhora do Carmo, Ouro Preto, Minas Gerais

<p>Diversos investigadores – ao tratar da arquitetura religiosa em Minas Gerais, do período colonial brasileiro – consideraram que o apuro alcançado em determinados edifícios resultou da rivalidade entre as associações religiosas de leigos. Em seus estudos, eles não destacaram o desempenho dessas associações na regulação de suas próprias construções. Ao lidar com esta lacuna de conhecimento, temos a convicção de que é possível avançar no estudo da arquitetura, principalmente por meio da análise dos contratos de obras ou serviços; assunto pouco divulgado em publicações científicas. Diante desse desafio, escolhemos duas construções emblemáticas para o nosso estudo: as Igrejas de São Francisco de Assis e de Nossa Senhora do Carmo de Ouro Preto. Buscamos compreender a atuação de duas Ordens Terceiras influentes na Capitania de Minas Gerais: a de São Francisco e a do Carmo. As citadas congregações, por meio de suas Mesas Administrativas, souberam nivelar a qualidade construtiva em suas obras, com o apoio de artistas e/ou artífices experientes.</p>

Ordens Terceiras Franciscanas Setecentistas: três casos de emancipação espacial na arquitetura brasileira

<p>Entre 1585 e 1660 os franciscanos fundaram treze conventos no nordeste do Brasil. Tais edifícios compreendiam diferentes ambientes dispostos segundo uma lógica espacial definida a partir das atribuições das comunidades que ali residiam. Entre os espaços que integraram o conjunto, a capela da Ordem Terceira da Penitência teve papel de destaque, sendo construída em posição perpendicular à nave da igreja, e acessada por grande arco aberto na parede lateral no lado do Evangelho. Essa disposição da capela tornou-se emblemática na arquitetura produzida pelos franciscanos à época, sendo modificada em alguns casos a partir da segunda metade do século XVIII, quando, para atender a uma Ordem terceira marcada pelo prestígio social, assumiu nova configuração e layout, definidos pela independência gradativa da comunidade que a acolhera dentro da cerca conventual. O objetivo deste trabalho é discorrer sobre essa intervenção espacial que se verificou nos conventos de Salvador, Recife e Marechal Deodoro, procurando explorar os fatores sócio-culturais e institucionais que contribuíram para sua execução, bem como o impacto arquitetônico gerado pela mesma nos complexos conventuais em questão.</p>

Un franciscano catalán en Potosí: influencias vernáculas en la nueva Catedral

<p>El presente artículo intenta dilucidar las influencias de la arquitectura religiosa del siglo XVIII, generada en los territorios de la antigua Corona de Aragón, en la catedral de Potosí (Bolivia). Esta catedral, iniciada ya en el siglo XIX por el fraile franciscano Manuel Sanahuja, originario de la localidad tarraconense de Les Voltes, constituye un ejemplo retardatario de reminiscencias barrocas, presente en las iglesias que se construyen a mediados de siglo en la zona de Lleida y Tarragona. Dichas iglesias presentan a su vez influencias de la Colegiata de Alcañiz, que sigue el modelo de planta de salón de la basílica del Pilar de Zaragoza.</p>

A Capela Interna do Convento do Desterro da Bahia: Legado Artístico das Clarissas Franciscanas

<p>O Convento de Nossa Senhora do Desterro da Bahia, ou Convento das Clarissas, constitui-se no primeiro cenóbio na Bahia, Brasil, vocacionado a acolher religiosas da Ordem Segunda de São Francisco de Assis. A atual configuração do conjunto monástico é resultante de diversas adaptações realizadas ao longo do tempo, responsáveis pela incorporação de elementos artísticos que perpetuaram o papel das Clarissas no âmbito temporal e espiritual. Dispondo de rendimentos de diversa índole, decorrentes da sua procedência ou pecúlio próprio, as freiras devotaram-se na doação daqueles para os empreendimentos artísticos, sendo os realizados entre os séculos XVIII e XIX os de maior repercussão. Trata-se do período em que notáveis figuras do fazer artístico, procedentes de Portugal ou nascidos na Bahia, atuaram em diferentes serviços especializados, criando espaços como o da Capela Interna, recinto que representa o centro de interesse do presente estudo, cujo objetivo é desvelar sua exuberância decorativa através da qual o ouro da talha, a policromia das imagens, as pinturas e azulejos compõem um ambiente sacro participante do critério ideológico-estético coevo à época e às tendências decorativas predominantes.</p>

Instituciones franciscanas, imanes periféricos de desarrollo urbano en Extremadura

<p>Las fundaciones franciscanas son abundantes en Extremadura. Habitualmente se localizan extramuros, junto a ermitas y lugares con dotación de agua. A su vez generan una memoria sacra, una toponimia urbana o periurbana y hacia ellos se desarrollan alamedas y paseos. Su análisis parte de la cartografía, la documentación y las descripciones de cronistas y viajeros.</p>

The First Global War: The Dutch versus Iberia in Asia, Africa and the New World, 1590-1609

<p>Are the beginnings of the Dutch expansion outside Europe to be viewed as war or commerce? In assessing the damage done by the Dutch to the various Iberian trade circuits in Asia and the Atlantic during the period between 1585 and 1609, this contribution shows that the Dutch actions against Spain and Portugal had virtually no effect. The Dutch - as well as the other Northwest European powers - could not seriously harm the Iberian expansion system. After 1620 this situation changed, but it remains remarkable that between 1500 and 1800 two expansion systems continued to co-exist in Asia, Africa and the New World.</p>

17th and 18th century Portuguese Nobilities in the European Context: A historiographical overview

<p>As a result of a genuine explosion in historiographical studies on the subject over the last two decades, the various European nobilities can now be considered to have been studied in some depth. A general tendency to be noted in the above-mentioned works relates to the idea highlighted by various researchers seeking to attenuate the early modernisation of noble values, who have taken the French case, in particular, as their benchmark. It should be stressed immediately that none of the descriptions just quoted can be applied to the kingdom of Portugal, to which almost no reference is made in these texts. On the one hand, the noble groups were constantly increasing in number, which seems to have run contrary to the general trend in eighteenth-century Europe. On the other hand, the high nobility of the Portuguese court did not grow, instead remaining extremely stable and crystallising from the mid-seventeenth century to the end of the eighteenth century, contrary to what was happening in the neighbouring monarchies. Finally, the central core of family values, expressed in the discipline of the aristocratic house, an essential secular aspect of the “ethos” of the fidalgo (nobleman), was maintained until the end of the eighteenth century. The extremely closed society of the court of the new Portuguese dynasty of the Braganças only promoted a very limited spread of a cosmopolitan culture within its circles.</p>

The Political History of Nineteenth Century Portugal

<p>The political history of nineteenth-century Portugal was, for a long time, a neglected subject. Under Salazar's New State it was passed over in favour of earlier periods from which that nationalist regime sought to draw inspiration; subsequent historians preferred to concentrate on social and economic developments to the detriment of the difficult evolution of Portuguese liberalism. This picture is changing, thanks to an awakening of interest in both contemporary topics and political history (although there is no consensus when it comes to defining political history). The aim of this article is to summarise these recent developments in Portuguese historiography for the benefit of an English-language audience.</p>