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O desenho da arquitetura e o caráter da cidade: dez casas de Joaquim Guedes
Nestes dias da República, partimos do entendimento que o projeto não pode ser simplesmente um exame objetivo dos dados e um cálculo das resistências dos materiais ou do preço dos materiais em relação à disponibilidade financeira, mas um fator de intervenção ativa na realidade para resolver as contradições. Não se pode conceber o projeto sem uma concepção teleológica da existência. Estudamos o desenho como técnica de ideação e operação da arquitetura, considerando a história como um produto do agir humano. Procuramos trazer luz a alguns pontos do mistério que se constitui o ato de projetar. Buscamos distinguir algumas operações concretas que, ao fim, se configura um espaço, por meio de um corpo de conhecimento, proporcionando a fruição da vida complexa. A volumetria deve aflorar dos estudos dos seguintes fundamentos: programa de necessidades; análises da regio, area, partitio, tectum, apertio (os seis axiomas de L. B. Alberti) e a construção. Limitamo-nos ao tipo básico de edificação, a casa, tão presente na produção da arquitetura moderna desde os CIAM, com a proposta de Le Corbusier \"a casa de todos\", como função fundamental do arquiteto contemporâneo. Analisamos dez casas selecionadas na obra do arquiteto Joaquim Guedes por meio de uma taxonomia destas edificações. Guedes é o arquiteto-cidadão, acredita que o desenho da arquitetura fundamenta o caráter da cidade. Ele inventa elementos da construção, por meio de uma rigorosa e intensa imaginação, os quais configuram os volumes da geometria habitada.
2022-12-06T14:53:25Z
Carlos Costa Amaral Junior
Curam-se cidades uma proposta urbanística da década de 70
Este trabalho trata do Programa Cura, proposta urbanística desenvolvida pelo Arquiteto carioca Harry James Cole em 1972, que visava propiciar a qualificação de bairros claramente delimitados, através da implantação de redes de infra-estrutura, equipamentos públicos - escolas, creches, hospitais, postos de saúde, terminais de ônibus, etc., e \"equipamentos comunitários\" - atividades comerciais e de prestação de serviços diversificadas. Foi transformada em linha de financiamento pelo Governo Brasileiro, sendo operada pelo grande agente implementador da política urbana do período, o Banco Nacional da Habitação - BNH, a partir de 1973. O Cura atendeu a mais de uma centena de municípios até 1985, quando o Banco foi formalmente extinto. A proposta pode ser considerada avançada para a época, seja por representar uma proposta de transição entre o \"planejamento urbano\" e o \"urbanismo pós-moderno\" que se consolidaria na década seguinte, seja por propor a participação da iniciativa privada no planejamento da cidade ou seja por propor como mecanismo para conter a valorização imobiliária das áreas \"curadas\", o aumento progressivo no tempo do imposto territorial urbano para os lotes vagos. Nosso trabalho procura mostrar essas várias facetas do Programa Cura, além de se preocupar em entender as possíveis conseqüências para as cidades e para os seus moradores da implantação de Projetos Cura. Para isso, estudamos várias análises do Programa, inclusive estudos de caso de Projetos Cura implantados em São Paulo (SP), Presidente Prudente (SP), Londrina (PR) e João Pessoa (PB). Nos preocupamos em realizar uma análise abrangente dessa proposta urbanística, que por sua qualidade e inovação, merece, em nossa opinião, o olhar atento dos estudiosos do urbanismo brasileiro.
2022-12-06T14:53:25Z
Maria Cecilia Lucchese
Proteção da paisagem ferroviária: memória e identidade do bairro Estação São Bernardo (atual Santo André, SP)
Desde os anos 1980, tem sido freqüente a adoção de práticas de valorização e recuperação do patrimônio cultural como meio de reabilitação de espaços urbanos degradados, visando a revitalização dos centros urbanos, através da reinserção de edifícios e conjuntos de valor histórico no cotidiano da cidade por meio de novos usos, adotando um novo paradigma de desenvolvimento que se contrapõe às práticas de renovação urbana. Também no município de Santo André a gestão pública tem buscado alternativas de valorização da memória e do patrimônio cultural desde os primeiros anos da década de 1990, parte de um processo que dez anos atrás havia se iniciado por meio de debates públicos sobre a salvaguarda do patrimônio, amplamente registrados pela imprensa escrita local. No entanto, embora as diretrizes de desenvolvimento econômico e social da administração local enfatizem a importância do resgate da memória como afirmação da identidade local, os elementos urbanos remanescentes da paisagem do antigo Bairro da Estação de São Bernardo não têm recebido atenção adequada das políticas de desenvolvimento urbano pelo desconhecimento do valor de inúmeros edifícios e logradouros espalhados na cidade ou mesmo por falta de instrumentos legais para a preservação. Esta tese propõe como hipótese de trabalho afirmar que há permanência de remanescentes da memória fundadora da paisagem do 'povoado-estação' que se formou ao redor da estação Santo André que merecem ser identificados, valorizados e protegidos, conforme estabelecem as cartas e resoluções de congressos e seminários internacionais de proteção do patrimônio cultural. A partir da identificação dos elementos urbanos que se identificam com remanescentes da paisagem ferroviária, este trabalho propõe a realização de uma reflexão sobre as práticas de valorização e preservação do patrimônio ambiental urbano experimentado no município de Santo André e propõe alternativas para a salvaguarda do patrimônio cultural local.
2022-12-06T14:53:25Z
Silvia Helena Facciolla Passarelli
Arquitetura de baixo impacto humano e ambiental
Diante de um cenário de degradação ambiental global, escassez de matéria prima, água, energia, aumento da poluição, crise social e econômica, é feita a proposição de uma Arquitetura de Baixo Impacto Humano e Ambiental - ABIHA.Todas estas variáveis trazem novos elementos à Arquitetura aumentando a sua complexidade e fazendo com que haja necessidade de adaptação.Apesar de todas as incertezas e contradições envolvendo as questões de sustentabilidade, seus conceitos e sua aplicação na Arquitetura são abordados neste contexto.Além das questões conceituais, são apresentadas aplicações práticas da ABIHA, no Jardim Sustentável, na Reciclagem do Galpão da POLI e no MINI labiratório de Conforto e Eficiência Energética.Estas aplicações seriram de base para a proposta de Sistematização que é apresentada no final deste trabalho como parte das conclusões finais. Esta proposta é apenas início de muitas pesquisas que ainda devem ser feiras rumo a uma Arquitetura mais Sustentável.
2022-12-06T14:53:25Z
Roberta Consentino Kronka Mülfarth
Elementos para uma leitura da obra de Aparício Torelly, o Barão de Itararé: humor, projeto & design gráfico
Esta dissertação é uma monografia sobre a obra do humorista Aparício Torelly, o Barão de Itararé. A idéia principal foi levantar um escopo de elementos analíticos: históricos, documentais, metodológicos e teóricos, necessários à formulação de hipóteses futuras. A dissertação foi concebida em três partes distintas. A primeira é dedicada aos antecedentes: aspectos da História do Brasil relevantes para o tema; sumário biográfico de autor e obra; levantamentos, inventário e comentário das fontes de pesquisa, e futuros desdobramentos. A segunda parte é dedicada às questões metodológicas e aponta para discussões: da Filosofia da Ciência e da Epistemologia; sobre as contribuições da nova historiografia relacionadas aos aspectos formais do discurso das artes visuais e, por último, sobre o debate a respeito do Humor . A terceira parte é dedicada à questão do processo criativo e produtivo nas Artes Gráficas vis-a-vis o resumo da história destas artes; apresentação de novos dados inéditos coletados a partir da pesquisa de campo; e descrição e comentário analítico sobre os elementos formais do discurso da obra estudada.
2022-12-06T14:53:25Z
José Carlos Mendes André
Santos a relação entre o porto e a cidade e sua (re)valorização no território macrometropolitano de São Paulo.
Enfatizando os aspectos que dizem respeito à relação física e funcional que a cidade de Santos estabelece com seu porto, este estudo tem como objetivo discutir sua (re)valorização no território macrometropolitano de São Paulo. O estudo teórico das transformações urbanas decorrentes do fenômeno de passagem da aglomeração (espaço circunscrito e contínuo) à rede (espaço descontínuo e não homogêneo) evidencia a importância da relação trans-escalar e serve para verificar as respostas que o urbanismo contemporâneo oferece a este novo quadro. O exame das condições, fatores, modelos e tendências do desenvolvimento territorial do eixo Santos-São Paulo-Campinas procura problematizar o processo de desenvolvimento urbano santista. Pelo confronto entre as tipologias da expansão portuária e a configuração dos sistemas de lugares que definem a estrutura urbana de Santos a cada etapa de seu crescimento busca-se identificar as contradições e conflitos resultantes. A partir das compatibilidades e incompatibilidades, das pendências e potencialidades que se possa flagrar entre as lógicas portuárias, territoriais e urbanas, traça-se diretrizes para uma nova relação cidade/porto, entendida como infra-estrutura necessária para suportar processos de (re)ativação econômica e social da cidade de Santos.
2022-12-06T14:53:25Z
Pedro Manuel Rivaben de Sales
São Paulo cidade / memória e projeto
Este trabalho resulta da procura de relações entre arquitetura e cidade a partir da experiência de realizar projetos na cidade de São Paulo. Nesta organização desta experiência monta-se um panorama da evolução das linhas mais gerais da estruturação urbana em construção na intenção de criar sentidos para probabilidades de evolução destas linhas mais gerais onde essas intervenções pontuais como estudos, se apresentam como partes.
2022-12-06T14:53:25Z
José Paulo de Bem
\"Novos modos de vida, novos espaços de morar. Paris, São Paulo, Tokyo. Uma reflexão sobre a habitação contemporânea\".
Diante de similaridades de modos de vida, de indicadores sociais e da própria organização do espaço da habitação contemporânea em três metrópoles do mundo ocidentalizado - Paris, São Paulo e Tokyo -, dois exercícios principais são aqui propostos. O primeiro consiste em entender o processo através do qual áreas urbanas tão distantes umas das outras vão apresentar estas tendências convergentes, iniciado, visivelmente, a partir da chegada a cada uma delas dos efeitos da revolução industrial inglesa. O segundo, em analisar a habitação daí resultante, esboçando critérios de intervenção e delineando mecanismos projetuais que possam auxiliar o seu, conclui-se, necessário redesenho, levando em conta os novos modos de vida de seus habitantes. Trata-se, portanto, de registrar ideias e pensamentos ainda introdutórios, preliminares, mas que rejeitam a comodidade da tábula rasa e a das soluções arquetípicas, preferindo ir esmiuçar o universo infinito e variado da Diversidade.
2022-12-06T14:53:25Z
Marcelo Claudio Tramontano
Estudo sobre a história dos modelos arquitetônicos na antigüidade: origens e características das primeiras maquetes de arquiteto
Este estudo se propõe a identificar dentre os diversos exemplos de modelos arquitetônicos da Antigüidade atualmente conhecidos pela arqueologia e descritos na literatura aqueles que podem ser caracterizados como as primeiras maquetes de arquiteto, isto é, objetos diretamente relacionados ao conhecimento, planejamento e comunicação de conteúdos arquitetônicos. O recuo à Antigüidade se faz necessário na medida em que essa dissertação se propõe a estudar as origens da relação entre modelos tridimensionais e a atividade de arquitetos na cultura ocidental. Em termos cronológicos, este estudo inicia-se cerca de 6.000 anos antes de Cristo e encerra-se no Mundo Romano (séc. V d.C.). Em termos geográficos, este estudo aborda objetos produzidos por culturas do sudeste da Europa neolítica, conjuntos de objetos de culturas do Oriente-Próximo, objetos egípcios, egeanos (cretenses e cicládicos), cipriotas, gregos, villanovianos e romanos. Essa pesquisa conclui que as evidências materiais da existência de maquetes de arquiteto na Antigüidade Clássica são raras e pouco precisas. Alguns objetos no entanto se aproximam dessa caracterização e merecem estudos futuros mais aprofundados, são eles: o conjunto de tijolos miniatura de Tepe Gawra (c. 3500 a.C.); o modelo egípcio de Dashour (1990-1730 a.C.); o modelo minóico de Arkhanes (1.700-1.630 a.C.); os modelos romanos de Óstia (séc. I a.C.), o modelo de templo de Niha (séc. II d.C.), o modelo de teatro de Baalbek (séc. II d.C.), e o modelo de stadium de Villa Adriana (séc. II d.C.).
2022-12-06T14:53:25Z
Artur Simões Rozestraten
Lupa e telescópio: o mutirão em foco. São Paulo, anos 90 e atualidade
Esta dissertação trata do programa de construção de moradias em regime de mutirão com autogestão, em São Paulo na década de 90 e nos dias atuais. Parte de uma reconstituição histórica da institucionalização da autoconstrução ocorrida em meados da década de 70, para analisar a instituição e consolidação do programa em suas várias gerações até os dias atuais. Aprofunda-se nas práticas do trabalho das Assessorias Técnicas, apresentando métodos, mitos e justificando uma relativa \"crise de identidade\". A cena dos anos 90 é apresentada em notas sobre as mudanças na sociedade civil, que ganha decisiva aparência no espaço público, e no Estado, sob o regime democrático e mais permeável a interlocuções. Essas notas cumprem também o objetivo de embasar as críticas ao programa. Quatro conjuntos habitacionais construídos ou em construção foram estudados visando ilustrar os argumentos que, por fim são sistematizados em possibilidades e limites contidos em análises de micro e macro escalas.
2022-12-06T14:53:25Z
Caio Santo Amore
Desenho urbano e revitalização na área portuária do Rio de Janeiro: a contribuição do estudo da percepção ambiental
Contribuição sobre a importância e a aplicabilidade dos estudos da percepção ambiental na revitalização da area portuaria do Rio de Janeiro. A primeira parte conceitua e discute o desenho urbano. A segunda parte caracteriza a area de projeto. A terceira parte desenvolve a pesquisa que inclui levantamentos de dados indiretos e diretos, atraves de extensa pesquisa de campo com aplicação de questionarios. A conclusão discute a validade dos resultados e desenvolve propostas gerais para a area de projeto.
2022-12-06T14:53:25Z
Vicente Eduardo Del Rio
Ambientes para educação infantil: um quebra-cabeça? Contribuição metodológica na avaliação pós-ocupação de edificações e na elaboração de diretrizes para projetos arquitetônicos na área
Numa época na qual meio ambiente e qualidade de vida são temas em evidência, parte do controle sobre as práticas sócioambientais exige regulamentação e fiscalização das iniciativas (públicas e privadas) em áreas que abrangem da medicina à construção civil, passando por alimentação, hábitos individuais, energia, etc. Nesse contexto é necessária especial atenção com a infância, pois a criança representa o próprio futuro/continuidade da sociedade. Assim, sendo a escola um dos principais locais de vivência infantil, a preocupação com sua qualidade ambiental precisa ser redobrada, sobretudo em se tratando de instituições que lidam com menores de 7 anos. No Brasil, a Constituição de 1988 reconheceu a educação infantil como direito da criança entre 0 e 6 anos, tornando-a uma obrigação do Estado delegada ao âmbito municipal, e exigindo que os municípios criem instrumentos de controle adequados. Isso gerou a oportunidade de olhar-se criticamente cada realidade a fim de delimitar-se propostas social e ambientalmente coerentes, tarefa na qual essa tese opta por utilizar a APO. Partindo de um roteiro básico de pesquisa, foram visitadas 41 pré-escolas em Natal-RN e vistoriadas 16. Em 5 destas o trabalho foi aprofundado, envolvendo multi-métodos: entrevistas, análise de behavior settings, observação de comportamento, mapeamento comportamental simplificado, questionários (adultos) e elaboração de desenho-temático (crianças). Os resultados obtidos proporcionaram uma análise acurada do ambiente dessas instituições sob o ponto de vista técnico e a partir da percepção dos usuários. Os dados serviram de base à discussão sobre os espaços educativos para aquela faixa etária, e subsidiaram a indicação de algumas diretrizes visando a futura criação de normas que fiscalizem os empreendimentos existentes em Natal-RN e orientem a elaboração de propostas arquitetônicas adequadas às necessidades da população local.
2022-12-06T14:53:25Z
Gleice Virginia Medeiros de Azambuja Elali
Um olhar pedestre sobre o mobiliário urbano paulistano: Itaim Bibi de 1995 a 2001
Sob o enfoque da percepção ambiental, pretendemos tratar do sistema físico de objetos que pertencem ao entorno do cidadão-pedestre paulistano com suficiente intensidade para sinalizar seu ideário. Nosso intuito foi procurar explicações para as diversas manifestações visíveis nos objetos urbanos banais e próximos à população, mais especificamente em equipamentos e mobiliário urbanos. Escolheu-se o bairro paulistano Itaim Bibi para servir de substrato à pesquisa, com a intenção de verificar o impacto da Operação Urbana Faria Lima. Este pedaço da cidade teve uma formação comum a muitos outros lugares onde processos de reurbanização contribuem com a redução significativa de moradores e conseqüente reflexo nos usos dos espaços públicos de pedestres. Um grupo de perceptores, estudantes de arquitetura, visitou o local; seus registros foram quantificados e analisados quanto à qualidade do ambiente urbano. Tal método, além de conscientizar futuros urbanistas para as necessidades de pedestres, poderá subsidiar ações em prol de melhorias nas vias públicas de circulação, se for de interesse da comunidade local. No empenho de responder à questão até onde a compreensão do pedestre se estende no mundo visual, apresentamos aspectos técnicos (disposições normativas), econômicos, estéticos e culturais (design), sociais (ações de usuários da cidade) e subjetivos (percepção visual).
2022-12-06T14:53:25Z
Agata Tinoco
A obra de Abelardo de Souza
Abelardo Riedy de Souza, arquiteto formado pela E.N.B.A, no Rio de Janeiro em 1932, pertence à geração que transformou os rumos da moderna arquitetura brasileira. Sua vinda à São Paulo na década de 1940, coincide com a acentuação do crescimento da cidade e sua contribuição somada a de outros pioneiros ajudou a provinciana capital paulistana a ingressar no âmbito do modelo moderno e da metropolização. Apresentar uma seleção de projetos, mais ou menos conhecidos, inseridos nos eventos que marcaram cada período e o percurso do arquiteto, de forma a constituir uma coleção representativa de sua obra é o que se pretende no presente trabalho.
2022-12-06T14:53:25Z
Regina Adorno Constantino
Integração das artes no Paraná - 1950 - 1970: a conquista do espaço público
A partir da segunda metade da década de 1940,a arte moderna deixa o confinamento das galerias e ganha as ruas através de sua integração com a arquitetura. Esta pesquisa estuda a relação entre arquitetura moderna e arte no Paraná , no período compreendido entre os anos 1950 e 1970, e sua ação conjunta no sentido de consolidar o projeto moderno no Estado, através do estudo de murais concebidos integrados a obras de arquitetura.
2022-12-06T14:53:25Z
Josilena Maria Zanello Gonçalves
A rede urbana das minas coloniais: na urdidura do tempo e do espaço
A rede urbana das Minas coloniais, se entendida apenas sob a lógica administrativa e política da Coroa Portuguesa, expressa as estratégias com as quais se intentou conduzir processos ora de centralização ora descentralização do poder, o que se evidencia no contexto em que foram forjados seus principais pólos, basicamente sua cidade e suas vilas. No entanto, ela se revela muito mais complexa e dinâmica na imbricada dialética entre urbano e sertão, na qual ganham importância outros núcleos, pela sua localização estratégica; outras atividades produtivas que não a mineração; os espaços produzidos na subversão da ordem vigente - os dos motins, dos quilombos, do contrabando - e, até, as práticas de gestão das questões cotidianas, que não podiam aguardar a intervenção de uma administração ou justiça muitas vezes geograficamente tão distantes. E, nesse sentido, no complexo mundo colonial, onde ora as ações do Estado, da Igreja e de particulares confluíam em interesses comuns, ora se opunham em acirrados conflitos, seria reducionismo relacionar o fenômeno da urbanização em Minas apenas ao papel de alguns pólos mais destacados. Exige, ao contrário, considerar uma série de articulações expressas na organização dos espaços macro e microrregionais e nas relações de dependência, hierarquia, função e especialização de seus assentamentos humanos e que conformam um sistema integrado de maior amplitude que é a rede urbana. Se o que distinguiu e conferiu um caráter especial ao processo de urbanização em Minas foi, por um lado, o seu impacto na estrutura económica e territorial da América Portuguesa, com o deslocamento do eixo económico-administrativo para o centro-sul e o desenvolvimento de articulações com regiões distantes, integrando mercados, ampliando fronteiras e fortalecendo a unidade territorial interna; por outro lado, no interior da capitania, as peculiaridades dessa urbanização revelavam-se nas formas como a população ocupou um território de vasta extensão, distribuindo-se em aglomerações de características diversas, articuladas segundo uma estrutura hierárquica dinâmica e complexa. A expressão espacial desses processos é evidenciada no amplo corpus documental constituído pela cartografia produzida no século XVIII e nas primeiras décadas do XIX que, comparada, cotejada e confrontada com outros registros documentais e estudos diversos, possibilitou-nos reconstruir uma geografia do que foi a rede urbana das Minas coloniais, abordando tanto suas articulações macrorregionais, quanto os processos que caracterizaram a formação de seus assentamentos humanos e de sua rede urbana, o que buscamos expressar no título desta tese: A rede urbana das Minas coloniais. Já no sub-título - na urdidura do tempo e do espaço - buscamos sintetizar o caminho trilhado no processo de recomposição de suas expressões espaciais, explorando os sentidos diversos do termo urdidura, esse conjunto de fios a partir dos quais se constrói a trama. Além da intenção de entrelaçar os fios do tempo no espaço - aspectos que a análise da cartografia da América Portuguesa e das Minas Gerais no período colonial buscou privilegiar - expressa ainda a marcha da constituição de sua rede urbana, em suas dimensões micro e macrorregionais, com a abertura e expansão dos caminhos, no ponto e alinhave da constituição dos assentamentos humanos. O sentido de trama também nos remeteu aos conluios e ardis, aos descaminhos do ouro, enfim, às expressões de uma subversão da ordem vigente, que conferiram complexidade e dinâmica às formas diversas do processo de construção da rede urbana colonial mineira. O delineamento de tais questões se refletiu na definição dos recortes temporal e espacial adotados. O recorte temporal de referência - de fins do século XVII, quando das primeiras notícias da descoberta do ouro nas Minas, até a Independência - apresenta as conveniências de abarcar tanto os primórdios da constituição da rede urbana mineira quanto os processos que resultaram em suas diversas reestruturações. Quanto ao recorte espacial, a tarefa de recomposição das expressões espaciais da rede urbana colonial mineira impôs a consideração de todo o território da Capitania de Minas Gerais, tendo como referências suas delineações presentes em fins do período em tela, cujos limites ainda não eram de todo precisos e inequívocos e, tal como avançamos e retroagimos no tempo, analogamente também o fizemos com relação ao espaço. Buscando, assim, compreender o processo de urbanização nas Minas coloniais, por meio da especialização das narrativas históricas, esta tese conjuga duas linguagens em estreita articulação, a escrita e a cartográfica, o que nos permitiu melhor espacializar não só as diacronias como as sincronias.
2022-12-06T14:53:25Z
Fernanda Borges de Moraes
Os rios e o desenho urbano da cidade: proposta de projeto para a orla fluvial da Grande São Paulo
Essa é uma proposta de Reestruturação do ambiente da orla fluvial da Metrópole de São Paulo que apresenta idéias de projeto para integração, urbanística, entre os rios e o desenho da cidade. A idéia essencial desse projeto é a de uma cidade desenhada pelas águas dos canais e lagos dos rios. A pintura de Benedito Calixto, de 1892, Inundação da Várzea do Carmo, mostra um largo espelho dágua, no pé da colina histórica da cidade, que é o rio Tamanduateí ocupando seu leito maior. Esse desenho de observação dos lagos, dos aterrados que ligavam as duas margens, do mercado, do porto e de um arvoredo beira-rio surge a cidade imaginada: porto e parque fluvial. Aterrados, barragens, diques, eclusas e canais navegáveis constróem essa geografia inventada. Uma Amsterdã na Várzea do Carmo. Uma Holanda projetada ao longo da orla fluvial da bacia do Alto Tietê. Idéias opostas prevaleceram. Em apenas cem anos, durante o processo acelerado e descontrolado de industrialização e expansão urbana, os leitos maiores dos rios foram aterrados e ocupados pela cidade. Os argumentos sanitaristas e hidráulicos fundamentaram o verdadeiro objetivo que era lotear e vender as várzeas. O imenso logradouro público, espaço ideal para o Parque Linear Metropolitano foi privatizado e os rios canalizados desprezando-se a navegação fluvial. A metrópole construída pela especulação imobiliária e a precariedade da infra-estrutura urbana transformaram os rios da cidade em canais de esgoto, confinados entre avenidas que têm o caráter de rodovias urbanas. Esse conceito de canalização de rios e construção de avenidas de fundo de vale, iniciado com a proposta de um Plano de Avenidas, apresentada em 1930 por Prestes Maia, se espalho e está impregnada, ainda hoje, nas administrações públicas, agora com a justificativa, contraditória, de controle das enchentes e circulação de automóveis. Idéias de um urbanísmo rodoviário contrário aos ideais de um urbanismo humanista, preocupado com a qualidade da estrutura ambiental urbana. Para esse urbanismo rodoviarista, pedestres e ciclistas não existem; metrô, parques e áreas verdes, equipamentos sociais e habitação social não são prioritários. Três idéias orientam o desenho proposto para reestruturar a orla fluvial: portos, parques e habitação. Cidade-Porto fluvial: sistema hidroviário da Grande São Paulo; Cidade-Parque fluvial: parques beira-rio densamente arborizados; Bulevar-habitacional fluvial: avenidas densamente arborizadas com largos conjuntos de edifícios de apartamentos, implantados ao longo da orla, com calçadas cobertas, comércio e serviços no térreo; e pontes-estação, porto, estação de metrô e praça de equipamentos sociais, modulando a orla com pontes de equipamentos públicos e torres de escritórios. Cidade das várzeas, Cidade-Parque/Porto Fluvial imaginada a partir de uma idéia de cidade desenhada, estruturada, pelo contorno dos espelhos dágua da rede de lagos e canais navegáveis dos rios da bacia Alto Tietê na Grande São Paulo.
2022-12-06T14:53:25Z
Alexandre Carlos Penha Delijaicov
Duas tipologias habitacionais: o Conjunto Ana Rosa e o Edifício Copan: contexto e análise de dois projetos realizados em São Paulo na década de 1950
Essa dissertação tem como tema dois projetos para habitação coletiva desenvolvidos em São Paulo durante a década de 1950. A análise de cada experiência buscou responder à questão habitacional da cidade, num contexto de decisivas transformações urbanas ocorridas na metrópole paulista. A primeira análise refere-se ao Conjunto Ana Rosa, localizado na Vila Mariana e projetado entre 1950 e 1960, por diversos arquitetos (Abelardo de Souza, Plínio Croce, Roberto Aflalo, Eduardo Kneese de Mello e Salvador Cândia, entre outros). O segundo projeto analisado é o Edifício Copan, localizado na região central da cidade e projetado pelo arquiteto Oscar Niemeyer em 1951. À situação urbana bastante distinta dos dois projetos, corresponde o desenvolvimento de tipologias habitacionais também diversas, o que contribuiu para a reflexão sobre as propostas de ocupação urbana contidas em cada projeto. Os exemplos se inserem num importante conjunto de obras produzidas pela arquitetura moderna brasileira nesse período. A análise possibilitou ainda estabelecer um contraponto entre essas propostas e o padrão de edificação habitacional determinada pela Legislação de Uso e Ocupação do Solo vigente em São Paulo há três décadas (aprovada em 1972, tendo sofrido alterações significativas em 1973).
2022-12-06T14:53:25Z
Fernanda Barbara
John Ruskin e o desenho no Brasil
O assunto principal do critico de arte inglês do século XIX John Ruskin foi uma teoria da percepção cujo objetivo era o ensino do desenho para a sociedade industrial. No século XIX o ensino do desenho era considerado uma politica industrial, e no Brasil não foi diferente. A vinda da família real ao país deflagrou o nosso primeiro projeto de industrialização com base no ensino do desenho. A Missão Francesa veio fundar aqui duas escolas, uma para as artes liberais e outra para as artes Mecânicas. O Liceu de Artes e Ofícios do Rio de Janeiro foi fundado em 1886 pelo arquiteto Joaquim Bethencourt da Silva. Rui Barbosa foi sócio honorário do Liceu e leitor de John Ruskin. Muitas das idéias de Ruskin estão presentes no método de ensino do desenho no Liceu de Artes e Ofícios do Rio de Janeiro.
2022-12-06T14:53:25Z
Claudio Silveira Amaral
MAM: museu para a metrópole
Este estudo examina as atividades iniciais do Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM) em face das questões culturais paulistanas no segundo pós-guerra, trazendo à tona a contribuição de personagens normalmente colocados num segundo plano quando da descrição freqüente do perído auroreal da entidade: os arquitetos e intelectuais envolvidos em tal tarefa. A escolha busca tirar do foco a análise do Museu como uma entidade única e estelar, para inserí-lo numa trama de vários acontecimentos e instituições, propiciadas pelos agentes participantes e pela possibilidade de diálogo motivada por sua localização física: o centro da Paulicéia no final dos anos 1940 e em grande parte da década seguinte, investigando as relações entre o espaço cultural da cidade e o MAM construção de um projeto moderno pela via institucional.
2022-12-06T14:53:25Z
Ana Paula Nascimento