RCAAP Repository
Avaliação do impacto assistencial e financeiro da genotipagem RHD fetal no plasma materno como ferramenta não-invasiva na conduta de atendimento a gestantes RhD negativo
A genotipagem RHD fetal não-invasiva tem sido amplamente utilizada como rotina no acompanhamento de gestantes RhD negativo nos países desenvolvidos. Entretanto, no Brasil, esse teste ainda não é bem conhecido e nem se sabe qual o impacto a adoção desta ferramenta poderia causar na rotina de atendimento a gestantes RhD negativo sensibilizadas e não-sensibilizadas. O presente estudo tem como objetivo avaliar o impacto da introdução do teste de genotipagem RHD fetal na rotina de atendimento de gestantes RhD negativo não-sensibilizadas e sensibilizadas. Material e métodos: 248 amostras de sangue de gestantes RhD negativo foram processadas para purificação do DNA fetal. PCR em tempo real foi realizada para amplificar segmentos dos exons 5 e 7 do gene RHD. Os resultados da genotipagem fetal no plasma materno foram comparados com a fenotipagem RhD dos recém-nascidos. Foi ainda levantado o custo do teste e o impacto de sua adoção na rotina de atendimento de gestantes RhD negativo sensibilizadas e não-sensibilizadas. Resultados: Os resultados da genotipagem RHD fetal puderam ser comparados com 217 fenótipos RhD dos recém-nascidos. Houve 9 resultados inconclusivos, quatro falso negativos e 12 falso positivos. A sensibilidade do teste foi de 97,3%, a especificidade foi de 82,1% e a concordância dos resultados moleculares com os sorológicos foi de 93,1%. O custo da genotipagem RHD fetal não-invasiva foi de R$74,47. A economia estimada para a introdução do teste molecular não-invasivo para gestantes não-sensibilizadas foi de cerca de R$4.000,00 e para as sensibilizadas foi de cerca de R$45.000.000,00. Conclusão: O teste de genotipagem RHD fetal se mostrou sensível e de baixo custo. A análise do impacto da introdução do teste na rotina de atendimento a gestantes RhD negativo, não-sensibilizadas e sensibilizadas, demonstrou que sua introdução seria muito vantajosa do ponto de vista econômico e assistencial. Para gestantes sensibilizadas, o impacto financeiro foi bem maior que para as não-sensibilizadas. Entretanto, para gestantes não-sensibilizadas a possibilidade de administração da imunoprofilaxia antenatal geraria uma substancial redução da sensibilização materna com consequente redução no custo do acompanhamento dessas gestantes numa próxima gestação.
Análise de desempenho de instituições bancárias brasileiras frente ao aumento da participação do capital estrangeiro no mercado brasileiro
A segunda metade dos anos noventa do século passado presenciou uma expansão sem precedentes nos investimentos diretos no exterior feitos por instituições financeiras. Trata-se de uma nova onda de internacionalização da atividade bancária que reflete uma atitude defensiva diante da possibilidade de perda de espaço no provimento de serviços bancários às multinacionais. Esse movimento também podeser explicado a partir da concepção de que uma firma não produz apenas mercadorias, mas também produtos intermediários comercializados dentro de uma rede multinacional. Ou seja, para superar imperfeições de mercado, a firma passa a conduzir transações internamente que antes eram realizadas no mercado, tornandoas vantagens específicas desse mercado em vantagens específicas da firma, e essas vantagens só podem ser exploradas mais amplamente mediante internacionalização, configurando o que é conhecido como vantagem global. Além disso, diante das dificuldades em obter vantagens monopolísticas no setor, as firmas bancárias procuram mitigar o risco de apropriação pelos concorrentes do fluxo deinformações existente na relação banco-cliente. Do ponto de vista dos países receptores dos investimentos, justificou-se a abertura ao capital estrangeiro pela expectativa de que os bancos estrangeiros iriam proporcionar benefícios para as economias receptoras do investimento devido às conseqüências do incremento na competição. Dessa forma, este trabalhou procurou identificar se os bancos com controle estrangeiro apresentaram um desempenho econômico-financeiro superior ao dos bancos com controle nacional no período compreendido entre 2001 e 2005 mediante aplicação simultânea de Análise Envoltória de Dados e Análise de Fronteira Estocástica. A perspectiva de comportamento da firma bancária adotada foi a de Recursos Reais sob a ótica da intermediação. Pode-se concluir, a partir das estimativas realizadas com as duas técnicas, que o desempenho dos bancos comcontrole estrangeiro não foi sistematicamente superior ao dos bancos com controle nacional bem como os resultados mostraram ter havido pouco progresso técnico na atividade bancária no Brasil. Adicionalmente, foi possível identificar que, apesar de as estimativas feitas por Fronteira Estocástica estabelecerem maior diferenciaçãoentre as firmas analisadas, o ordenamento das mesmas quanto à eficiência não foi estatisticamente diferente daquele obtido com a utilização da Análise Envoltória de Dados.
Fatores que estimulam a notificação de eventos adversos a medicamentos:uma revisão sistemática
A subnotificação de eventos adversos ao medicamento é a principal limitação para promover avaliação do risco/benefício da utilização de medicamentos,causando grandes impactos na saúde pública, tais como gastos desnecessários para as instituições e diminuição da segurança do paciente. O objetivo deste estudo foi identificar os fatores que estimulam a notificação de eventos adversos por profissionais da saúde. Para isso, foi realizada uma revisão sistemática nas bases de dados LILACS, SciELO e PubMed no período até junho de 2015. A estratégia de busca foi baseada na diretriz The PRISMA Statement por meio da utilização de descritores científicos, buscando identificar os estudos originais publicados que avaliaram os fatores que estimularam a notificação dos eventos. Após a leitura flutuante dos estudos pré-selecionados,identificou e analisou as variáveis de interesse. Foram identificados 193 potenciais artigos relevantes nas bases de dados. Após a leitura dos títulos e dos resumos foram eliminados 159 artigos por não se adequarem ao critério de inclusão. Depois da leitura na íntegra foram incluídos no estudo 24artigos. Foram observados que a maior parte dos estudos contemplando principalmente farmacêuticos (n=15) e médicos (n=13). Os principais fatores de estímulo para notificação foram: feedback (n=9); gravidade da RAM (n=6) e treinamento e educação permanente (n=8). As intervenções educativas como treinamento e educação permanente, juntamente com estímulos de outras ações e feedback individual estimulam a notificação de EAM pelos profissionais de saúde
Avaliação da proliferação do parênquima pancreático no implante de matriz sintética de poliéter-poliuretano em camundongos
A habilidade de regeneração do pâncreas já foi demonstrada em alguns estudos, porém muitas vezes não é suficiente para reparar lesões decorrentes de pancreatite e diabetes. Assim, modelos animais de lesão são utilizados para estudos de regeneração, afim de encontrar novas estratégias para induzir a proliferação de células do pâncreas. Abordagens alternativas na área de biomateriais e terapia celular têm sido estudadas. Porém, uma plataforma que recrie um microambiente biológico com precisão ainda não foi desenvolvida, dificultando a aplicação clínica na terapêutica da pancreatite e no diabetes tipo 1. Implantamos uma matriz sintética de poliéter-poliuretano em interface com o pâncreas de camundongo para avaliarmos a cinética de indução do novo parênquima pancreático intra-implante. Na matriz removida cirurgicamente 15, 30 e 45 dias pós implante, os componentes do pâncreas (ácinos, ductos e ilhotas), vasos sanguíneos e marcadores inflamatórios foram analisados. O número de ilhotas e ácinos foram similares, e o número de ductos e vasos foram maiores no interior da matriz comparando com o pâncreas nativo. Células positivas para insulina mostraram-se organizadas em estruturas como ilhotas e observou-se células ductais também positivas para insulina. Além disso, parâmetros inflamatórios (atividade de MPO e NAG e níveis de TNF- e CCL2) foram maiores no dia 15 comparando com os dias 30 e 45 pós implante. Para verificar se este parênquima pancreático proliferado no implante apresentava funções metabólicas, implantamos a plataforma em animais diabéticos e posteriormente inoculamos com células tronco mesenquimais derivadas de tecido adiposo humano (hASCs), para melhorar a resposta. Avaliamos parâmetros locais (inflamação, angiogênese e proliferação de células endócrinas intra-implante) e parâmetros metabólicos de animais diabéticos. No contexto sistêmico, observamos que animais diabéticos que receberam hASCs intra-implante melhoraram o metabolismo glicêmico, produção de peptídeo C e peso corporal. Localmente, os implantes de animais diabéticos que receberam o inóculo de hASCs, mostraram menor conteúdo de citocinas inflamatórias, aumento da vascularização e melhor proliferação de células endócrinas. Nossos resultados mostraram que a matriz foi capaz de atuar como plataforma biológica para crescimento de um novo parênquima pancreático. Além disso, por ser facilmente acessível, pode ser explorado como modelo de proliferação de parênquima pancreático, sendo relevante no entendimento de processos celulares que ocorrem na formação do novo tecido.
Urbe melancólica: espectros de Eros na metrópole
O objetivo deste estudo é analisar alguns aspectos do termo melancolia na contemporaneidade. Essa palavra que possui uma tradição histórica desde a Grécia no campo da medicina e da filosofia sobreviveu por séculos como o principal diagnóstico de perturbação mental, quando no século XX, com a ascensão da psiquiatria, passou a designar certos sintomas mais específicos. Na filosofia ela foi parcialmente suplantada pela noção de angústia. Acreditamos, no entanto, que essas especificações e substituições representam uma perda da dimensão que o termo continha historicamente. E que apontava na direção do que falha na hora da representação. Ao que tudo indica, onde o termo melancolia melhor sobrevive hodiernamente como prática reflexiva parece ser na inflexão da história da arte rumo ao tipo de ciência sem nome pensada por Aby Warburg. Isso significa que pensar a melancolia é um pensar sobre as imagens. Tendo como efeito o fazer falar dos fantasmas em um tempo de fantasmagoria absoluta, no qual, frente às inúmeras fraturas do que se apresenta como realidade, o risco de desabamento generalizado das estruturas se apresenta como uma ameaça real.
Contribuições de diferentes modalidades de atividades experimentais ao ensino e aprendizagem de Física
Este trabalho apresenta as interações discursivas que ocorreram entre alunos, e destes com o professor, em decorrência da aplicação de atividades experimentais formatadas por três abordagens diferentes: Laboratório Físico em pequenos grupos; Laboratório Virtual em dupla e Demonstração Experimental Dialogada avaliadas no que diz respeito ao papel do professor, ao grau de direcionamento, às práticas epistêmicas incentivadas e às contribuições formativas para o ensino e aprendizagem de Física dos educandos. As atividades foram desenvolvidas e aplicadas em uma turma do 2º ano do ensino médio de uma escola da rede privada. A análise das interações foi realizada por meio das categorias enquadradas como práticas epistêmicas e suas instâncias sociais Produção, Comunicação e Avaliação (KELLY, 2008; SASSERON e DUSCHL, 2016; SANDOVAL, 2004; SILVA, 2015). Verificamos que o uso das atividades com diferentes enfoques e finalidades gerou uma maior gama de possibilidades que enriqueceram o momento de aprendizagem dos alunos. Também pudemos perceber a incidência das diversas contribuições aos educandos, apresentadas por Oliveira (2010) no transcorrer das três abordagens de atividades experimentais realizadas, que foram então, sintetizadas em um quadro comparativo neste trabalho. Acreditamos que a principal contribuição deste trabalho é a possibilidade de utilizar e avaliar as atividades experimentais em contexto de sala de aula e, a partir dessa avaliação, incentivar mudanças na prática docente, pelo uso das diversas modalidades no cotidiano da sala de aula.
O circuito financeiro imobiliário no Brasil: aspectos recentes do processo de financeirização
Durantes as três últimas décadas, emergiu-se no meio acadêmico o interesse por um novo fenômeno global: a financeirização, sobretudo a financeirização do imobiliário. Manifesta-se principalmente através da criação e proliferação de uma série de instrumentos financeiros que conectam os sistemas financeiros internacionais com os mercados imobiliários ao redor do mundo. No Brasil, a financeirização do imobiliário tomou múltiplos contornos, sendo, durante a última década, marcada pelo o aumento expressivo de recursos mobilizados através dos instrumentos financeiros criados no âmbito do Sistema Financeiro Imobiliário (SFI). Formulado enquanto um contraponto ao Sistema Financeiro da Habitação (SFH), considerado insuficiente e ineficiente enquanto estrutura de funding imobiliário, o SFI e a criação dos novos instrumentos financeiros prometiam irrigar o mercado imobiliário, particularmente o residencial, com recursos do mercado de capitais. Este trabalho procurou caracterizar as dinâmicas recentes do circuito financeiro imobiliário no Brasil, particularmente após os anos 2000, sob a perspectiva da tensão entre esses dois sistemas de financiamento, buscando destacar o papel das operações no âmbito do SFI, especificamente os Fundos de Investimento Imobiliário (FII) e os Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI), este último considerado a pedra angular do processo de financeirização do imobiliário em escala global. Para isso, foram coletados dados primários e secundários disponíveis nos sites das principais instituições que atuam no SFH e do SFI. O conjunto de informações foi expandido através da construção de uma base de dados por meio de WebScraping sobre as informações de CRI contidas no site da ANBIMA. A análise destes dados privilegiou a categorização dos CRI por agentes cedentes de crédito imobiliário de modo a identificar o papel das instituições na securitização no país. Foi possível perceber que o financiamento da habitação através do SFI permaneceu limitado à empreendimentos de alto padrão e aos estímulos por parte do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). Na prática, os instrumentos financeiros promovidos na esfera do SFI foram absorvidos pelas empresas imobiliárias e pelos FII no segmento corporativo, atendendo à finalidades distintas daquelas levantadas no momento de sua criação, haja vista a absorção crescente da riqueza imobiliária enquanto patrimônio sob gestão e a intensificação do processo de extração da renda da terra. Em última instância, esse processo reforça a tendência no tratamento da terra enquanto um ativo financeiro puro e intensifica a especulação característica dos mercados financeiros no mercado de propriedades imobiliárias..
Avaliação da esclerose hipocampal e de aspectos inflamatórios, apoptóticos e cognitivos em pacientes portadores de epilepsia do lobo temporal
CNPq - Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico
Risco fisiológico de quedas, funcionalidade e dor lombar aguda em idosos: um estudo transversal: dados da subamostra do estudo Back Complaints in the Elders- BACE Brasil
A dor lombar (DL) é uma desordem musculoesquelética comum em idosos, sendo a mais encontrada naqueles com mais de 75 anos. A DL em idosos é uma condição de saúde incapacitante, que impacta negativamente na capacidade física dessas pessoas e é associada com consequências negativas, tais como o aumento do número de quedas. Há uma lacuna na literatura em relação aos estudos sobre a DL em idosos, principalmente sobre desfechos incapacitantes, como as quedas. A DL aguda envolve mecanismos que podem estar relacionados com maior risco de quedas em idosos, como o mecanismo de inibição da dor que levará a alterações no equilíbrio corporal. A avaliação do risco de queda em idosos é complexa devido à natureza multifatorial dos fatores de risco subjacentes. O Physiological Profile Assessment (PPA) é uma ferramenta validada de avaliação do risco de queda que envolve a avaliação direta de habilidades sensório-motoras. O PPA contém cinco testes: sensibilidade visual ao contraste, tempo de reação da mão, força muscular do quadríceps, propriocepção dos membros inferiores e oscilação postural. O objetivo principal da tese foi comparar o risco de quedas e a funcionalidade em idosos comunitários com e sem dor lombar aguda e investigar a associação entre os fatores clínicos e funcionais com o risco de quedas em idosos da comunidade com DL aguda. Foi realizado um estudo transversal, com um total de 192 indivíduos: 140 idosos com DL (69,9 ± 5,2 anos) participantes do estudo epidemiológico Back Complaints in the Elders (BACE)-Brasil e mais 52 idosos sem DL. O risco de quedas foi avaliado pelo PPA versão curta; a DL foi avaliada pela escala numérica de dor e pelo questionário McGill de dor; a capacidade física foi avaliada pelos testes Timed Up and Go (TUG), velocidade de marcha usual (VM) e teste de sentar e levantar (TSL) por cinco vezes; o desempenho funcional foi avaliado pelo Questionário Rolland Morris. A autoeficácia em quedas foi avaliada pela Falls Efficacy Scale-International-Brasil (FES-I-BRASIL). A Escala de Depressão Geriátrica foi usada para rastreamento de sintomas depressivos e o nível de atividade física foi verificado pelo Questionário internacional de atividade física (IPAQ)-Short. Os resultados foram apresentados em três estudos. O primeiro estudo avaliou o risco de queda usando o PPA em idosos com (n=52) e sem DL (n=52). Os idosos com DL aguda apresentaram significativamente maior risco global de queda (p < 0,001). Além disso, os idosos com DL apresentaram maior oscilação postural (p < 0,001), tempo de reação mais longo (p < 0,001) e menor força muscular de quadríceps (p = 0,02) em comparação aos idosos do grupo controle. Não houve diferença significativa para os testes de visão e propriocepção. Outro achado relevante foi que os idosos com DL apresentaram maior número de quedas nos últimos 12 meses (p = 0,01) em comparação ao GC. Os resultados sugerem que uma triagem do risco de quedas pode ser prudente em idosos com DL. O segundo estudo comparou a capacidade física usando uma bateria de testes funcionais em idosos comunitários com e sem dor lombar (DL) aguda: o TUG, o TSL e VM usual. O grupo DL (n=52) apresentou pior desempenho nos testes TUG (p < 0,001), TSL (p < 0,001) e VM (p = 0,002), do que o grupo sem DL (n=52). Os resultados demonstraram o impacto negativo da DL aguda na capacidade física em idosos. O terceiro estudo investigou a associação de fatores clínicos e funcionais com o risco de quedas em idosos com DL aguda (n=133 participantes). As variáveis que se correlacionaram com o risco de quedas foram capacidade física, número de comorbidades, idade, sintomas depressivos, número de medicamentos, uso de medicamentos psicotrópicos, qualidade da dor, incapacidade e autoeficácia em quedas. As variáveis capacidade física (avaliada pelo TUG) e número de comorbidades explicaram 23,3% da variação no risco de quedas nos idosos com DL aguda, e, portanto, são importantes na avaliação do idoso com DL. Os resultados dessa tese demonstraram que há relação entre o risco de quedas, a DL e a funcionalidade. Assim, torna-se importante que os profissionais envolvidos na assistência aos idosos estejam atentos para avaliar e interpretar as condições clínicas relativas à DL para prevenir impactos negativos sobre a função física e o risco de quedas.
Avaliação das atividades da metformina em modelos experimentais de dores nociceptiva, inflamatória e neuropática e inflamação
A metformina é um fármaco hipoglicemiante indicado para o tratamento de pacientes com diabetes mellitus tipo 2. Embora alguns estudos tenham demonstrado que esse fármaco possui atividade anti-inflamatória, provavelmente relacionada à inibição da produção de mediadores inflamatórios, tais como TNF-, IL-6, IL-1, IL-17 e NO, pouco se sabe sobre os efeitos induzidos pela metformina em modelos experimentais de dor. Assim, o objetivo do presente estudo foi avaliar a atividade da metformina em modelos experimentais de dores nociceptiva, inflamatória e neuropática em camundongos, bem como os possíveis mecanismos que mediariam essa atividade, de forma a contribuir para a ampliação do conhecimento sobre o seu perfil farmacológico e proporcionar evidências que permitam avaliar a possibilidade de seu reposicionamento no tratamento de pacientes com condições inflamatórias e dolorosas diversas. A administração de metformina (250, 500 ou 1000 mg/kg, p.o, -1 h) reduziu a respostas nociceptivas induzidas por calor no modelo de placa quente (50 oC) e por formaldeído (1%, 20 L, s.c.). Esse fármaco também reduziu a alodínia mecânica e o edema de pata induzidos por carragenina (600 g, 30 L, i.pl.), bem como a pleurisia induzida por esse estímulo inflamatório (200 g, intrapleural). Nos modelos de alodínia e edema de pata induzidos por carragenina, a metformina também apresentou eficácia quando administrada após a indução da inflamação. A metformina também apresentou atividade no modelo de dor neuropática induzida por constrição de nervo. O tratamento com esse fármaco (1000 mg/kg) durante três dias, a partir do 7º dia após o procedimento cirúrgico, reverteu a alodínia mecânica e não induziu tolerância. A metformina não alterou o tempo de permanência dos camundongos na haste girante, indicando que a inibição do comportamento nociceptivo é resultado de uma atividade antinociceptiva genuína. Embora estudos anteriores levem à sugestão de que a ativação de AMPK e a interação com receptores imidazolínicos, bem como a inibição da produção de mediadores inflamatórios, possam mediar a atividade antinociceptiva da metformina, no presente estudo foi demonstrado que outros mecanismos podem estar envolvidos. A atividade da metformina em modelo de dor nociceptiva induzida por calor foi atenuada pela administração prévia de naltrexona (5 ou 10 mg/kg, i.p) ou ciproheptadina (5 ou 10 mg/kg, p.o). Em contrapartida, a atividade antinociceptiva desse fármaco em modelo de dor inflamatória foi totalmente revertida pela administração prévia de glibenclamida (20 ou 40 mg/kg, p.o). Concluindo, os resultados demonstram a atividade da metformina em modelos de dores nociceptiva, inflamatória e neuropática, bem como em modelos de edema inflamatório e pleurisia. Além disso, os resultados indicam que a atividade antinociceptiva desse fármaco pode ser mediada pela ativação de vias opioidérgicas e serotoninérgicas, bem como de canais para potássio ATP-dependentes. A demonstração da atividade da metformina em vários modelos de dor e inflamação pode estimular a realização de estudos visando o reposicionamento desse fármaco no tratamento de pacientes com condições dolorosas e inflamatórias.
Consumo de frutas e hortaliças: o indivíduo e o ambiente
As escolhas alimentares são complexas e mais bem compreendidas quando reconhecidos os fatores que a influenciam em diferentes níveis, como o indivíduo e o ambiente. Apesar do crescente interesse sobre a contribuição do ambiente para o consumo de alimentos, os estudos ainda são pontuais, os resultados inconsistentes e as evidências restritas aos países de renda alta. Objetivo: Identificar o consumo de frutas e hortaliças (FH) e os fatores individuais e ambientais associados a este consumo entre usuários do Programa Academia da Saúde (PAS) de Belo Horizonte, Minas Gerais. Métodos: Este trabalho será apresentado em três artigos, um estudo ecológico e dois transversais. No estudo ecológico objetivou-se realizar análise exploratória das características do ambiente e a sua relação com o consumo de FH. Nos estudos transversais objetivou-se identificar a associação entre habilidades individuais e o ambiente alimentar percebido com o consumo de FH; e investigar os fatores individuais, familiares e ambientais associados a este consumo. O estudo foi realizado com todos os usuários com 20 anos ou mais, em 18 polos do PAS amostrados por amostragem de conglomerado simples, estratificada pelas nove regiões administrativas do município. A coleta de dados constituiu de entrevistas com os usuários dos polos do PAS (domínio individual e familiar) e auditoria em estabelecimentos de FH contidos em buffers com raios de 1.600 metros ao redor dos polos amostrados (domínio ambiental). Os dados individuais investigados foram: variáveis biológicas, socioeconômicas (sexo, idade, estado civil, renda, ocupação e educação) e comportamentais (estágio de mudança, autoeficácia, equilíbrio decisão; e habilidades individuais - respostas a frases, em escala likert, relacionadas a tempo, custo/acessibilidade e habilidade de preparar FH). Para avaliar o ambiente alimentar, contemplou-se variáveis do ambiente alimentar familiar (segurança alimentar do domicilio), da comunidade (proximidade, densidade, acesso e tipo dos estabelecimentos de FH) e do consumidor (condição higiênico-sanitária dos estabelecimentos e qualidade do acesso às FH avaliada pelo Índice de acesso a alimentos em estabelecimentos - HFSI, o qual é composto por variáveis de disponibilidade, variedade e propaganda de FH e alimentos ultraprocessados). As técnicas de análise espacial constaram do Índice de Moran Local, cálculo do estimador de kernel, avaliação da proximidade, além da construção de mapas temáticos. A associação entre fatores individuais e ambientais e o consumo de FH foi testada a partir dos testes estatísticos t de Student para amostras independentes; one-way Análise de variância e testes post hoc; regressões lineares múltiplas; e regressão linear multinível. Resultados: Nos 18 polos do PAS avaliados foram entrevistados 3.414 indivíduos e analisados 336 estabelecimentos em seus territórios. O estudo ecológico encontrou uma inadequação de consumo de FH de 65,8% (<400 gramas diárias), sendo identificadas importantes variações geográficas, como: maior consumo médio em áreas com maior renda e concentração de estabelecimentos comerciais e, melhor acesso a alimentos saudáveis (área 2A: 410,5±185,7 g vs. área 4B: 311,2±159,9 g). Áreas com pior consumo de FH, por sua vez, possuíam estabelecimentos, em sua maioria, com pior acesso a alimentos saudáveis (mediana de HFSI no primeiro tercil = 10). Na mesma direção, identificou-se que a maioria dos participantes (52,0%) não era confiante sobre a disponibilidade de FH em seu território. Após ajustes, a habilidade individual foi mais fortemente associada ao consumo de FH (p<0,001), em comparação com o ambiente alimentar percebido, sendo que o aumento de um desvio padrão da pontuação da habilidade individual poderia aumentar a ingestão de FH em 35,10g. As análises multiníveis corroboraram estes resultados. O consumo de FH variou entre os contextos, sendo maior em áreas com melhores condições socioeconômicas e estabelecimentos comerciais com maiores valores de índice de acesso, como sacolões. Fatores individuais significativamente associados à ingestão de FH incluíram idade, renda, situação de insegurança alimentar do domicílio, estágio de mudança, autoeficácia e equilíbrio de decisão. Após controlar pelas características individuais, um maior consumo de FH também foi associado ao melhor índice de acesso a alimentos saudáveis. Conclusão: Este é um dos primeiros trabalhos a realizar uma avaliação abrangente do ambiente alimentar em um país em desenvolvimento, ampliando a compreensão da complexa relação entre os fatores ambientais e individuais e o consumo de FH. Verificou-se consumo inadequado de FH, influenciado por fatores individuais (comportamentais e socioeconômicos), familiar (insegurança alimentar) e ambientais. O ambiente alimentar do consumidor, aparentemente, foi mais importante para se ter uma alimentação saudável do que o ambiente alimentar da comunidade, o que aponta para novas possibilidades de intervenções voltadas para o incentivo do consumo de FH.
Horrocks-Mumford holomorphic distributions
CAPES - Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior
Fragilidade, carga de comorbidades, intensidade de dor, incapacidade e qualidade de vida em idosos comunitários com dor lombar aguda: dados do estudo Back Complaints in the Elders (BACE)
Introdução: A fragilidade é uma manifestação prevalente no envelhecimento. A dor lombar (DL) também é prevalente em idosos, mas a relação entre fragilidade e desfechos clínicos relacionados à dor em indivíduos com DL aguda ainda não estão bem estudados. Neste sentido, conforme a população envelhece indivíduos com múltiplas comorbidades se tornam cada vez mais frequentes na prática clínica. No entanto, os efeitos da carga de comorbidades acumulada em idosos com DL aguda, também não foram adequadamente investigados. Objetivos: Estabelecer se a fragilidade está associada à intensidade da dor, incapacidade e qualidade de vida (QV), e investigar a associação entre a carga de comorbidades e o prognóstico da DL aguda em relação à intensidade da dor e incapacidade após três meses de seguimento, em idosos que procuram serviços de saúde com DL aguda. Método: Para alcançar os objetivos propostos foram delineados dois estudos. A amostra de ambos os estudos foi composta por 602 idosos comunitários (55 anos) com DL aguda, integrantes do estudo Back Complaints in the Elders (BACE-Brasil). O primeiro estudo envolveu uma análise transversal da linha de base do BACE-Brasil, onde os participantes foram classificados como robustos, pré-frágeis ou frágeis, usando o Fenótipo de Fragilidade. A intensidade da dor foi avaliada pela Escala Numérica de Dor (END 0-10), a incapacidade pelo Roland-Morris Questionnaire (RMDQ 0-24) e a QV por meio do Medical Outcome Study (MOS) Short Form 36 sumarizado em componentes física e mental. A análise de regressão linear foi utilizada para avaliar a relação entre fragilidade e intensidade da dor, incapacidade e QV. As covariáveis deste estudo incluíram idade, sexo, estado civil, escolaridade, renda, índice de massa corporal (IMC), sintomas depressivos e comorbidades. O segundo estudo foi uma análise longitudinal dos dados do BACE-Brasil no período de três meses de seguimento. A carga de comorbidade foi avaliada pelo Self-administered Comorbidities Questionnaire (SCQ) e a intensidade da dor e incapacidade pelos mesmos instrumentos do primeiro estudo. Fatores sociodemográficos, IMC, nível de fragilidade e presença de sintomas depressivos (Center for Epidemiological Studies Drepression CES-D>16) foram considerados fatores de confusão. Coeficientes, p-valores e um intervalo de confiança de 95% (95%IC) foram calculados em análises univariadas e multivariadas. O pacote estatístico STATA 13 (Stata Corp LP, College Station, Texas) foi usado para todas as análises. Para todos os testes foi adotado um nível de significância de 0,05. Resultados: A média de idade da amostra foi de 67,7±7,0 anos (84,9% mulheres). Usando o fenótipo de fragilidade, 21,3% da amostra foi identificada como robusta, 59,2% como pré-frágeis e 19,5% frágil. Em comparação com o grupo robusto, os grupos pré-frágeis e frágeis tinham significativamente maior intensidade de dor e nível de incapacidade e pior QV. Após o ajuste para as características demográficas e clínicas, a fragilidade permaneceu associada à incapacidade e QV (domínio físico). Em relação ao segundo estudo, os níveis de dor e incapacidade foram menores no seguimento de três meses comparados a linha de base (p<0,001). Na análise longitudinal, o coeficiente de regressão mostrou associação significativa entre a carga de comorbidade e o grau de incapacidade medido pelo RMDQ, mesmo após ajuste pelos fatores de confusão (0,25; IC95% 0,13-0,38; p<0,001). Não houve associação entre carga de comorbidade e a evolução da dor (0,06; IC 95% -0,01-0,14; p=0,110). Conclusão: Estes resultados demonstram a importância da avaliação do fenótipo de fragilidade em idosos com DL na prática clínica, pois trata-se de um método simples, de baixo custo e eficaz associado a desfechos adversos à saúde. Os resultados também mostraram que o impacto da DL em idosos frágeis é ainda mais significativo. Indiscutivelmente, abordagens de tratamento destinadas especificamente para este grupo clínico precisam ser desenvolvidas. Por fim, nos idosos com DL aguda, a carga de comorbidades foi associada com pior prognóstico em relação à incapacidade relacionada à DL, mas não em relação à intensidade da dor.
Desenvolvimento de um método de screening para anfetaminas em urina empregando ESI-MS com confirmação por GC-MS.
Todas as vezes em que duas pessoas se encontram em uma disputa, cada uma sempre pensará em sair em vantagem contra o seu adversário. Isso acontece em qualquer situação: na escola, no trabalho, na política, nos negócios, nas guerras. No esporte, não é diferente. Hoje o esporte tornou-se uma verdadeira indústria, com premiações na maioria das vezes bastante valiosas, além de grandes investimentos por parte de patrocinadores. Na corrida pela superação ao adversário, atletas recorrem a meios ilegais para melhorar o próprio desempenho. Com o avanço da ciência, esses meios estão cada vez mais sofisticados. Por causa disso, também há uma exigência de que os métodos para a triagem de tais fraudes evoluam com igual ou maior velocidade. Os métodos utilizados com essa finalidade são chamados métodos de screening e fornecem uma resposta do tipo "sim" ou "não". Devem apresentar como características principais a rapidez na análise, baixo custo, fácil operação e acima de tudo, confiabilidade. Os métodos mais utilizados, principalmente para estimulantes são os imunoensaios, as cromatografias em camada delgada, líquida ou a gás, e a eletroforese capilar, esses últimos acoplados ou não à espectrometria de massas. Na prática, nenhuma técnica analítica consegue atender a todos os requisitos acima. Por isso, todo método de screening é acompanhado de um método confirmatório. Como tal, são utilizadas as cromatografias à gás e líquidas acoplada à espectrometria de massas. Nesse trabalho foram desenvolvidos um método de screening utilizando espectrometria de massas com injeção direta e um método confirmatório utilizando cromatografia a gás acoplada à espectrometria de massas. O primeiro, inédito, apresentou excelente confiabilidade, alta seletividade, boa sensibilidade, além da rapidez nas análises e na preparação das amostras. O segundo apresentou alta sensibilidade, ampla linearidade e bons índices de precisão e recuperação. No entanto, o seu diferencial está na preparação das amostras. Utilizando extração em fase sólida e derivatização com anidrido acético em piridina (ambos reagentes de grau analítico), foi possível obter resultados tão bons quantos os alcançados por métodos descritos na literatura mais recente que utilizam os reagentes específicos para derivatização.
História e memória: o enfrentamento entre Paul Ricoeur e Michel Foucault
A presente dissertação tem o objetivo de investigar, em diálogo com as filosofias de Paul Ricoeur e Michel Foucault, a problemática entre os conceitos de história e memória na historiografia contemporânea. As duas noções tiveram uma relação conflituosa, sobretudo, na historiografia francesa, a partir da segunda metade do século XX. Analisaremos esta relação tensa entre as categorias, em que se engajam historiadores, sociólogos e filósofos, para empreender um debate sobre o papel da história e da memória na constituição da sociedade contemporânea.
Relação com o saber matemático de alunos em risco de fracasso escolar
Nesta dissertação relatamos uma pesquisa que trata de conhecer as relações com o saber de um grupo específico de alunos de duas escolas do Ensino Fundamental, uma pública e uma particular. Esse grupo (denominado GRUPO K) é composto por alunos da oitava série que se encontram em situação de risco de fracasso em matemática. O objetivo principal do estudo foi compreender as relações com o saber dos alunos desse grupo, frente às de alunos pertencentes a outro grupo (denominado GRUPO R) na mesma sala de aula, sendo este último composto por aqueles considerados bem sucedidos em matemática. Os instrumentos de coleta de dados foram entrevistas com os alunos dos dois grupos e suas famílias, aplicação de questionários e testes de conhecimento matemático. Os resultados mostram que há diferenças significativas entre os alunos dos grupos K e R, não apenas no conhecimento matemático, mas em todos os seis aspectos pesquisados da relação com o saber.
Aproveitamento de biogás e lodo excedente de reatores UASB como fonte de energia renovável em estações de tratamento de esgoto
A pesquisa teve como objetivo avaliar o aproveitamento dos subprodutos biogás e lodo excedente de reatores UASB como fonte de energia renovável em estações de tratamento de esgoto. O objetivo 1 foi desenvolvido a partir de uma ampla revisão de literatura e visitas a ETEs que promovem a recuperação energética na Europa. No âmbito do objetivo 2, os trabalhos foram desenvolvidos na ETE Laboreaux, Itabira-MG através da caracterização do potencial energético do lodo e do biogás e a proposta de determinação de balanços de massa e energia, além do cálculo das reduções nas emissões de gases de efeito estufa por metodologia proposta pela UNFCCC para dois cenários (i): uso prioritário do biogás em câmara de combustão e o uso do excedente para a geração de eletricidade em motor de combustão interna (MCI) e (ii) uso prioritário do biogás em MCI visando a geração de eletricidade e o aproveitamento do calor dos gases de exaustão do motor para a secagem térmica de lodo. Por fim, o último objetivo fez uso de modelagem matemática para a estimativa do balanço energético em ETEs com o uso dos subprodutos do tratamento anaeróbio como fonte de energia. Dentre os principais resultados, pode-se apontar que o lodo de esgoto apresenta viabilidades técnica e ambiental de seu emprego como fonte de energia, além de sua aplicação conjunta com o biogás gerado em reatores UASB, o uso dos processos térmicos (pirólise, gaseificação e combustão) são alternativas potencialmente mais vantajosas em ETEs de maior porte que possuem elevados gastos de transporte e destinação final. Em adição, o aproveitamento energético do lodo de forma individual, ou até mesmo em combinação com outros subprodutos gerados em ETEs, a exemplo do biogás, pode garantir a secagem do próprio lodo e favorecer o desenvolvimento e expansão do uso dos processos térmicos para a realidade brasileira. Para a ETE Laboreaux foi verificado que o potencial energético proveniente do biogás e lodo gerado em reatores UASB foi de 10.962 MJ.d-1,e 7.518 MJ.d-1, respectivamente. O suprimento de eletricidade foi de 22,2 e 57,6 % do consumo da estação para os cenários (i) e (ii), respectivamente. O cenário (i) se destacou pela eliminação do envio do lodo ao aterro sanitário, enquanto que o cenário (ii) apresentou elevado potencial energético de geração de eletricidade em benefício da ETE. Para o cenário (i) a redução das emissões de créditos de carbono com o aproveitamento do lodo até então enviado ao aterro sanitário (1.372 t.ano-1 a 10% de umidade) foi de 12.691 t.CO2e. No que se refere ao desenvolvimento do modelo matemático, os resultados indicam que o modelo permitiu uma estimativa mais realista da produção de lodo e do potencial energético total nas ETEs.
Hipocalcemia pós-tireoidectomia e evolução do cálcio iônico
OBJETIVOS: avaliar, de forma prospectiva, a incidência de hipocalcemia pósoperatória precoce e no seguimento de 6 meses, dos pacientes submetidos à tireoidectomia pelo Grupo de Cirurgia de Cabeça e Pescoço do Instituto Alfa de Gastroenterologia (CCP-IAG) do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais (HC-UFMG); estudar os possíveis fatores envolvidos com a hipocalcemia pós-operatória; identificar os pacientes com hipocalcemia pós-operatória que necessitaram de reposição de cálcio e, desses, quais evoluíram para hipoparatireoidismo definitivo; estudar a evolução da hipocalcemia assintomática; avaliar a importância das alterações dos íons magnésio e fósforo nos pacientes com hipocalcemia pós-operatória, com ou sem manifestações clínicas, e correlacioná-las às alterações do cálcio; tentar sugerir rotina de conduta pós-tireoidectomia (exames pós-operatórios, tempo de internação, administração de cálcio venoso e oral), confrontando-a com a atualmente empregada pelo CCP-IAG. CASUÍSTICA E MÉTODO: foram estudados, prospectivamente, 304 pacientes submetidos a 333 tireoidectomias no HC-UFMG, no período de 2000 a 2005. Os pacientes foram agrupados considerando-se a presença ou não de hipocalcemialaboratorial pós-operatória, e essa variável foi relacionada com: idade e sexo; cálcio iônico, cálcio total, fósforo e magnésio pré-operatórios; função tireoidiana préoperatória; volume tireoidiano pré-operatório; presença e período de ocorrência de manifestações clínicas de hipocalcemia (primeiro ou segundo dia de pós-operatório); número de glândulas paratireóides identificadas no intra-operatório; necessidade de implante das glândulas paratireóides; tipo de operação; tempo operatório; tipo histológico; concentração sérica dos íons cálcio total e iônico, magnésio e fósforo pósoperatórios dosadas no primeiro e no segundo dia pós-tireoidectomia; dosagem de cálcio iônico com 30 dias e com seis meses de pós-operatório; outras complicações relacionadas ao procedimento cirúrgico e hipoparatireoidismo definitivo. RESULTADOS: houve queda estatisticamente significativa da média do cálcio iônico no pós-operatório de todos os pacientes, sendo ela também significativamente maior nos pacientes com manifestações clínicas de hipocalcemia em relação àqueles com queda do cálcio mas sem sintomas. Cálcio iônico abaixo de 1,03 mmol/l no primeirodia de pós-operatório e abaixo de 1,05 mmol/l no segundo dia predisseram manifestações clínicas em 95% dos pacientes. Pacientes com idade acima de 50 anos apresentaram 1,9 vezes mais chance de evoluir com hipocalcemia que aqueles abaixo de 50 anos. Identificação e implante de glândulas paratireóides não exerceram influência sobre a hipocalcemia pós-operatória. Os íons fósforo e magnésio, embora alterados em relação ao pré-operatório, não influenciaram a hipocalcemia pósoperatória. Outras variáveis que estiveram associadas a maior incidência de hipocalcemia foram tipos de operação, tempo operatório, doença de base, esvaziamento cervical e paralisia de prega vocal. O fator que mais influenciou a hipocalcemia pósoperatóriafoi a extensão da operação (quanto maior o porte, maior a incidência dehipocalcemia). CONCLUSÕES: a incidência de hipocalcemia pós-tireoidectomia é elevada. Os fatores envolvidos com hipocalcemia pós-tireoidectomia são idade (> 50 anos), tipo de operação, tempo operatório, esvaziamento cervical, tipo histológico e paralisia de pregavocal. Inferiu-se também que 95% dos pacientes tireoidectomizados com cálcio iônico abaixo de 1,03 mmol/l no primeiro e de 1,05 mmol/l no segundo dia de pós-operatório apresentam sintomas, com necessidade de reposição de cálcio oral. Pacientes com cálcio iônico acima de 1,07 mmol/l não têm sintomas e apenas os pacientes com sintomas evoluem para hipoparatireoidismo definitivo. Os íons magnésio e fósforo não exercem influência na hipocalcemia pós-operatória. No primeiro dia após a tireoidectomia, pacientes sem fatores de risco para hipocalcemia e com níveis de cálcio iônico normais podem receber alta hospitalar com segurança.
O Problema do Ladrão Viajante: propriedades e heurística
Muitos problemas clássicos são estudados em otimização devido à suas capacidades de modelar algumas classes de problemas do mundo real, além de sua própria complexidade. Mas problemas clássicos de referência como o Problema da Mochila e o Problema doCaixeiro Viajante são os mesmos há algumas décadas, com algumas variantes sendo desenvolvidas ao longo deste período. Em 2013 foi proposto um problema que é baseado nestes dois, e foi chamado de Problema do Ladrão Viajante. Este problema não é apenas uma variação destes dois problemas clássicos, mas interconecta diversas características destes dois problemas sendo mais complexo e assim, possibilita uma melhor modelagem de problemas reais modernos.Foi feito um algoritmo genético com operadores personalizados, e este foi comparado a um método de resolução proposto que se baseia na divisão do problema em clusters. Esta divisão busca simplificar o problema e reduzir o espaço de busca com o fim de se obter um melhor desempenho do algoritmo genético original. Para esta comparação são feitas simulações de problemas onde os clusters se tornam cada vez mais próximos espacialmente, de modo que estes agrupamentos se tornam cada vez menos evidentes.
Asma não controlada em crianças e adolescentes e sua relação com osdistúrbios psicoafetivos: escutando o paciente
Neste trabalho discute-se a questão do método clínico no campo da Medicina contemporânea, suas conquistas e seus impasses, à luz da psicanálise. Baseando-se na discussão de casos clínicos de crianças e adolescentes portadores de asma não controlada associada a distúrbios psicoafetivos, procurou-se comentar o atual modelo biotecnológico de atendimento, que exclui a subjetividade do paciente. A partir dos casos apresentados, ressaltam-se as possíveis contribuições de uma escuta de orientação psicanalítica realizada por um médico advertido pela clínica do sujeito na condução de casos de pacientes não controlados. Não se visando elaborar um julgamento sobre a prática médica normativa ou sugerir um modelo de humanização da clínica médica, discute-se os impasses da medicina contemporânea no atendimento desses pacientes. Servindo-se de pontuações,anteparos e pontos de estofo da obra de Freud e Lacan, o autor apóia-se na consideração de que a linguagem, via significantes, se inscreve como uma rede simbólica com efeitos constitutivos sobre o sintoma do sujeito e que, a partir do manejo transferencial e dodeslocamento nas posições discursivas, é possível abrir uma janela de escuta ao paciente com efeitos de ressignificação de sua queixa. Ao transmitir algo da experiência enquanto médico advertido pela Psicanálise, este estudo testemunha as transformações que sefizeram observar tanto na prática clínica do autor quanto na construção sintomática dos pacientes