Repositório RCAAP
Liberdade de gênero: promovendo algumas fissuras na lógica heteronormativa
Esse artigo resulta de uma pesquisa desenvolvida a partir de referenciais e produções decorrentes das contribuições do GEERGE, especialmente as da fundadora e pesquisadora Guacira Louro. A pesquisa teve como corpus de análise a série Liberdade de Gênero, exibida no canal GNT e teve como objetivo analisar as falas dos/as entrevistados/as na série acerca de suas vivências trans, problematizando sobre os atributos de gênero, o entrelaçamento existente entre gênero e sexualidade e as mídias como espaço de encontro e pertencimento. A série mostra em 10 episódios como se organizam as vidas de 14 pessoas trans que assumem a experiência de ter um gênero diferente do sexo anatômico, trazendo exemplos em que essas pessoas se inserem de forma bem-sucedida e feliz dentro da sociedade.
2019
Oliveira de Aguiar, Thais Geraldo Quadrado, Raquel Pereira
EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS: uma abordagem das políticas públicas de inclusão social
O presente artigo objetivou investigar as políticas públicas educacionais direcionadas a Educação de Jovens e Adultos (EJA), averiguando a inclusão de tal modalidade de ensino no contexto educativo brasileiro. Para tanto, buscou levantar elementos sobre a trajetória histórica da EJA, enfocando os aspectos sociais, econômicos e históricos do público da EJA, bem como suas especificidades de vida e o contexto social em que estão inseridos. A construção do trabalho deu-se por meio da pesquisa qualitativa de cunho bibliográfico. As análises tiveram como suporte o método dialético que permitiu a realização dos estudos a partir de uma visão dialética sob as relações sociais, os conflitos e as lutas de classe existentes em nossa sociedade capitalista, sobretudo, no âmbito educacional.
2020
Rodrigues, Vanessa Elisabete Raue Moreira, Jandira Bregonde
Pedagogías feministas: estrategias una educación emancipadora y decolonial
Qué lugar ocupa la educación en la reproducción de desigualdades de género? ¿Nuestras prácticas educadoras transforman los contextos de desigualdad y violencia? ¿Es posible impulsar una educación transgresora del sistema dominante patriarcal? Este artículo busca construir respuestas en torno a las pedagogías feministas. Se realiza un estudio bibliográfico descriptivo y reflexivo que toma como referencia los diversos espacios de acción del feminismo y la educación. Este artículo pone en diálogo perspectivas epistemológicas diversas, buscando establecer conexiones entre: feminismos, pedagogía, diversidad y cultura. De esta manera, se concluye con la propuesta de unas líneas estratégicas que, por un lado interpelan a los agentes educativos en su toma de posición ante las desigualdad de género y, por el otro, construye acciones para subvertir las prácticas y teorías educativas tradicionales prestando especial atención a la interseccionalidad, las diversidades, los lenguajes, los curriculums y la pedagogía crítica.
Las marcas de las resistencias
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Expediente
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A alegria subversiva de devir-criança
Resumo: O presente trabalho pretendeu discutir o conceito de devir-criança, como proposto por Gilles Deleuze e Félix Guattari, e sua relação com a imagem da criança que é apresentada na Bíblia cristã, especificamente nos Evangelhos do Novo Testamento. Nesse sentido, este trabalho se inicia debatendo sobre a alegria e de como esta é encarnada na expressividade ingênua das crianças. Contudo, a partir da apresentação do conceito de devir-criança, a discussão abandona a perspectiva social e biologicamente definida sobre a criança, para passar a compreendê-la como força inventiva em processo de criação-destruição de mundos. Nesse sentido, é defendido que o entendimento da criança nos Evangelhos não se restringe a uma imagem moralizada de pureza e castidade, sendo também potência criadora, alegre, que comunga com a abertura de mundos a agenciamentos criativos. Palavras-chave: Criança, devir-criança, Bíblia. LA ALEGRÍA SUBVERSIVA DE DEVENIR-NIÑO Resumen: El presente trabajo pretendió discutir el concepto de devenir-niño, como propuso Gilles Deleuze y Félix Guattari, y su relación con la imagen del niño que se presenta en la Biblia cristiana, específicamente en los Evangelios del Nuevo Testamento. En ese sentido, este trabajo se inicia debatiendo sobre la alegría y de cómo ésta es encarnada en la expresividad ingenua de los niños. Sin embargo, a partir de la presentación del concepto de devenir-niño, la discusión abandona la perspectiva social y biológicamente definida sobre el niño, para pasar a comprenderla como fuerza inventiva en proceso de creación-destrucción de mundos. En este sentido, se defiende que el entendimiento del niño en los Evangelios no se restringe a una imagen moralizada de pureza y castidad, siendo también potencia creadora, alegre, que conversa con la apertura de mundos a agenciamientos creativos. Palabras-clave: Niño, devenir-niño, Biblia.
A MULHER E A ATUAÇÃO PROFISSIONAL, RELAÇÕES DE GÊNERO E DIVISÃO SEXUAL DO TRABALHO: uma revisão sistemática em bases de dados nacionais
Este estudo caracteriza-se como uma revisão sistemática da produção acadêmica realizada a partir de levantamento em base de dados, sendo priorizadas as publicações divulgadas pela Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação (ANPED), no GT23 intitulado “Gênero, Sexualidade e Educação”; banco de teses e dissertações da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) e na biblioteca eletrônica de periódicos científicos Scientific Electronic Library Online (SciELO). Mediante investigação de natureza bibliográfica, foram analisadas as produções acadêmicas sobre os seguintes descritores: “mulher” + “teto de vidro”; “mulher” + “relações de gênero”; “mulher” + “divisão sexual do trabalho”; “mulher” + ”atuação profissional”. Este estudo justifica-se como relevante no sentido de reunir informações que possam contribuir para um maior aprofundamento sobre questões inerentes à relações de gênero, carreira e atuação profissional.
2020
Correa Silva, Ana Maria Peres Gonçalves, Josiane
Sobre a eficácia de anjos evanescentes: teologia e política em Walter Benjamin
No presente artigo, nos propomos a indicar, em parte da obra de Walter Benjamin, o que chamamos de uma angeologia, relacionando-a com a experiência da infância, o que se configura como a possibilidade de defesa de uma relação entre infância e religião. Apoiando-se na mística judaica, Benjamin faz uma conexão singular entre materialismo histórico e teologia, defendendo uma compreensão política da infância e uma aliança crítica entre a teologia e o materialismo histórico. O pensador sugere caminhos férteis para a crítica da noção de ingenuidade infantil e garante uma posição privilegiada aos profanos usos infantis da tradição nas brincadeiras.
2019
Ferreira, Marcelo Santana Pamplona, Marina Harter
Interrogando a branquitude: experiências formadoras em raça, etnia, religião e sexualidade de um garoto branco, cristão e gay
Uma das questões pouco investigadas nos estudos pós-coloniais e decoloniais é a constituição da branquitude e seu papel na manutenção das estruturas de dominação e exploração. Nesse artigo analisa-se como raça e etnia se constituem em relação à religião e como se articulam com questões de gênero e sexualidade a partir de um relato autobiográfico que se concentra na infância. A construção do relato está fundamentada na metodologia de “pesquisa-formação” de Marie-Christine Josso e apresenta “experiências formadoras” que evidenciam de que forma as questões enunciadas vão se materializando na formação do sujeito que narra em forma de pedagogias. O objetivo dessa abordagem e das informações apresentadas é oferecer subsídios para a construção de processos educativos que questionem a colonialidade e favoreçam perspectivas libertadoras e emancipatórias.
A escola como território de circulação das diferenças: práticas e saberes religiosos em pauta
Este artigo discute os desafios do trabalho com o currículo escolar a partir do conceito de tradução cultural de Homi Bhabha e dos modos de proceder no cotidiano segundo Michel de Certeau. Problematiza ordenamentos legais no que tange ao ensino religioso e os embates políticos em torno de sua elaboração, apontando para um projeto hegemônico que cria mecanismos para se manter no contexto atual de recrudescimento do conservadorismo. Utiliza como metodologia a pesquisa bibliográfica e documental e a análise da discursividade como forma de compreender esses embates e propor formas/forças que rompam com a ideia da diferença como monstro. Aponta que monstros são o mau encontro, a falta de riso, de afeto, de pensar diferente e de ter um espaçotempo para ser o que quiser, para acreditar no que quiser acreditar, para ser criança, para viver como criança.
2019
da Silva, Sandra Kretli Schuchter, Teresinha Maria
Infância, religião e colonialidade: trajetórias de homens gays
A colonização do ser e do saber passaram pela imposição de um regime de verdade que construiu na América Latina a subalternização e o aniquilamento das cosmologias indígenas e dos negros escravizados. O saber de matriz cristã eurocêntrica foi progressivamente incorporado por meio de um tropo performativo pelo discurso científico a partir do final do século XVIII na Europa disseminando-se nas colônias do novo mundo. Os traços desse esquadrinhamento e hierarquização dos sujeitos pela passagem/acoplamento da religião-ciência construíram a cisheteronormatividade que atravessa os modos de subjetivação. Este ensaio toma narrativas de trajetórias de vida de sujeitos homossexuais identificados com a teologia cristã e relatos de membros da Igreja Cristã Contemporânea publicados na seção de “Testemunhos” da página virtual da instituição. A perspectiva teórica utilizada hibridiza conceitos da teoria descolonial, da genealogia foucaultiana e dos estudos queer.
2019
Nardi, Henrique Caetano Gonçalves, Robson Antônio da Silva
Apostas crianceiras na contramão do discurso colonizador nas religiões: o conto de Kiriku e a filosofia Ubuntu
O presente artigo objetiva apontar, a partir de epistemologias africanas, uma alternativa aos discursos e práticas, nomeados como intolerância religiosa, que possui números expressivos no Brasil. Partindo das análises históricas de investidas cristãs no Brasil colônia, entendemos que as lógicas coloniais encontram-se ainda imbricadas nos modos de viver religião no país. Consideramos, ainda, o adultocentrismo também como uma marca de colonização por um ideal de homem branco, adulto e cristão, um modelo europeu de existência. Desse modo, buscamos junto ao conto africano de Kiriku e à filosofia africana Ubuntu pautar o debate sobre outra forma de existência que nos permita coabitar na diferença, onde o desejo de domínio ou destruição que se encontram nas ações de violência de cunho religioso, dariam lugar a um modo crianceiro de abertura ao outro e a seus possíveis.
2019
Braga, Laíra Assunção Silveira, Luiz Henrique Lemos
Literatura infantil e ancestralidade africana: o que nos contam as crianças?
Imiscuída nas tendências da literatura infantil de temática da cultura africana e afro-brasileira está a ligação entre as crianças e a ancestralidade, talvez porque a criança seja diretamente afetada pelo encantamento do mundo a sua volta. É seguindo essa pista que este texto analisa como personagens negras da literatura infantil brasileira e africana lidam com os seres viventes e não viventes e como aprendem e apreendem o mundo a partir do contato com o sagrado. Nessa busca, dois elementos se destacam: a comunidade e o espírito ancestral. São eles que evidenciam o quanto a criança é protagonista do vínculo que mantemos com nossas origens e forças espirituais.
Entre o sagrado e o profano: as crianças contam outras histórias de caxambu, flechas, água e escola
O artigo tem por objetivo colocar em cena, imagens de crianças em seus entrecruzamentos com o sagrado e o profano, adulto e criança, privado e público. Nesses cruzamentos, vivendo heterotopias de si, as crianças não reivindicam as políticas de inclusão com saberes colonizadores que buscam capturar a raridade da vida. As crianças, o sagrado e o profano em encontro, produzem neste trabalho deslocamentos epistemológicos e fazem como força-convite em seu aparecimento que possamos acolher sua raridade. O artigo se vale de experiências em viagem cruzada pela academia e práticas religiosas que desconfiam da norma e do poder colonizador retroalimentado. Em deslizes teóricos e metodológicos, como aposta política fazemos a convocação para que deixemos que as crianças possam viver uma vida no deslizamento entre o sagrado e o profano. Abstract: This paper aims to put on scene, children’s images between their crosslinks with the sacred and the profane, adult and child, private and public. At these crossing, living their own heterotopias, children don't claim inclusion policies with colonizing knowledge that seek to capture the rarity of life. The children, the sacred and the profane in encounter, produce at this work(paper) epistemological displacement and make as inviting force in their appearance so that we can welcome their rarity. The paper is based on cross-travel experiences by the academy and religious practices that distrust the norm and the colonizer power.In theoretical and methodological sliding as a political bet, we call children to live a life sliding between the sacred and the profane. Keywords: children; sacred, profane Keywords: children; sacred, profane
2019
Hautequestt Filho, Genildo Coelho Rodrigues, Alexsandro Oliveira, Kiusam Regina
O rei está nu: desaprendendo e entendendo os tempos em que eu vivo
No presente ensaio, os autores tentam se livrar de algumas tecnologias textuais impostas à academia e lançam-nos em uma incursão epistêmica pautada na articulação entre uma dimensão contra-pedagógica e queer-decolonial para pensarmos como os a[r]tivismos e a própria arte pautam algumas implicações de pensar o decolonial. Seu intuito é investigar como a aposta decolonizadora, baseada na problemática de violência de gênero e a permanente colonialidade do poder e do saber como forma de dominação, podem gerar saberes de desaprendizagens insurgentes que fraturam o modelo colonial tornando possível outras formas de produção subjetiva.
Criança pessoal de um caso oblíquo: des-Colonização e Resistência na Escola
Atenta-se nesses escritos para descrições e levantamentos sobre como; transpassado por delimitações curriculares como a prescrição, o currículo oculto, o currículo nulo e outras conformações; a infância é colonizada instrumentalmente, no Sistema Escolar, e de qual maneira os pontos de resistência, docente e discente, podem contribuir com a des-Colonização das infâncias categorizadas ao longo do tempo, principalmente no que tange à apropriação religiosa.
2019
Porto, João Magro, Adriana Pinel, Hiran
Criança e religião no cinema brasileiro: educação contemporânea
Ao relacionar criança e religião no cinema brasileiro, o presente texto articula um posicionamento crítico-reflexivo a respeito da educação atual. Isso levanta uma pergunta: qual seria a diversidade que aproxima criança e religião no cinema nacional? Para exemplificar, os filmes selecionados foram Central do Brasil (1998) e Abril Despedaçado (2001), ambos de Walter Salles; Cidade de Deus (2002), de Fernando Meirelles e Kátia Lund; e Capitães da Areia (2011), de Cecília Amado. No formato ensaio, o percurso metodológico elege a pesquisa empírica, qualitativa, de observar, descrever e discutir sobre essas películas, a partir dos estudos contemporâneos. O resultado demonstra a potencialidade desses filmes para a produção de conhecimento atrelada à produção de subjetividade na educação contemporânea.
A criança e o candomblé: considerações acerca de uma educação decolonial
As considerações deste artigo problematizam as perspectivas educacionais para a infância, tomando o Candomblé como fonte de aprendizagem. Se a ideia iluminista de “formação humana” continua sendo importante para a educação da criança, então propomos neste artigo ampliar o significado de “formação” para o envolvimento da espiritualidade na materialidade infantil. Com isso, há uma breve retomada das filosofias de Descartes e Rousseau para ilustrar a concepção ocidental e em seguida discutimos, no contexto de diáspora africana, noções de aprendizagem e educação para a infância no Candomblé. Tal proposta consiste na decolonização, caracterizada pelo envolvimento, acolhimento e africanidade. Uma decolonização que problematiza a noção de idade a partir da dinamicidade entre o tempo iniciático e o físico. Portanto, defendemos a ideia de “formação” pela aprendizagem contínua entre o adulto e a criança, o físico e o espiritual.
2019
Iyagunã, Dalzira Maria Aparecida Dantas, Luis Thiago Freire
Homossexualidade e identidade trans no Islã
Resumo: Muitas vezes me deparo com indivíduos, que estão pessoalmente preocupados ou não com esta questão, que ouviram tanto sobre o assunto, e seus opostos, que querem ter uma ideia ao mesmo tempo sintética. e global desta questão, do ponto de vista da chamada tradição árabe-muçulmana. Eu proponho resumir aqui as fontes das escrituras islâmicas relacionadas à questão da diversidade de naturezas, gêneros, sexualidades humanas. Assim, em uma abordagem certamente mais comprometida politicamente do que a da maioria dos intelectuais de nosso tempo, posso ao mesmo tempo esclarecer certas noções teológicas que podem parecer herméticas para os não iniciados.
Aprendizagem/desaprendizagem de gênero das crianças da educação infantil
Os estudos articulados sobre as infâncias e relações de gênero que se desenvolveram numa perspectiva histórica sociocultural e existencial questionaram o determinismo biológico, ou qualquer outra espécie de determinismo. Nesta rota vimos que as crianças são compreendidas como sujeitos que se agenciam em situações específicas, embora, existam regras prescritas estruturalmente que se materializam nas relações de classe, raça, gênero, religiosidade, regionalidades, nacionalidades. Tendo como marco tais estudos esculpiremos (através do olhar, ouvir, falar, ludicizar e escrever) quatro cenas desenroladas no Centro Municipal de Educação Infantil na cidade do Salvador, onde as crianças (3 a 5 anos) nos ajudam a construir reflexões sobre as famosas dicotomias de gênero, suas ambiguidades e seus desdobramentos sem os embaraços e mal-estar promovido pelos preconceitos existentes no mundo adultocêntrico.
2019
Miranda, Amanaiara Conceição de Santana Messeder, Suely Aldir