Repositório RCAAP
Práticas de professores do ensino regular com alunos surdos inseridos: entre a democratização do acesso e a permanência qualificada e a reiteração da incapacidade de aprender
Esta pesquisa teve como questão norteadora a preocupação em saber como estão atuando os professores de classes regulares que recebem alunos oriundos de classes especiais ou com deficiências. O objetivo central foi o de investigar as ações efetivadas e as manifestações dos professores de classes comuns, ciclo II, de uma escola pública estadual com alunos surdos inseridos em suas classes. Partiu-se do pressuposto que a atuação docente, mesmo com as ações desenvolvidas em favor da inserção de alunos surdos nas classes comuns assim como suas manifestações está submetida à cultura da marca diferenciadora e separação desses alunos. A fonte da pesquisa foram os professores do ciclo II, professores de Educação Especial e o Plano de Gestão da Escola. Os dados foram obtidos no ano de 2003 junto a 10 professores em uma escola do Vale do Paraíba, estado de São Paulo, por meio de observações das aulas, de entrevistas realizadas com esses professores e de atividades desenvolvidas na escola. A análise dos dados foi realizada com auxílio de estudos de Pierre Bourdieu, de Viñao Frago, de Gimeno Sacristán, de Pérez Gómez e de Hargreaves. Os resultados da pesquisa apontaram que a atuação e manifestações dos professores ainda são baseadas na crença expressa pelas expectativas de que os surdos são incapazes de aprender e agir como jovens normais, constituindo práticas sedimentadas ao longo do século dentro e fora das escolas: há duas modalidades de inserção (parcial e total); diversidade de atuação dos professores, mistura de ação de professores das classes regulares e classe especial; enormes dificuldades na organização para o atendimento de alunos surdos e ouvintes.
2022-12-06T12:56:55Z
OLIVEIRA, Mércia Aparecida da Cunha
Consultoria colaborativa na escola: contribuições da psicologia para inclusão escolar do aluno surdo
Neste estudo, buscou-se investigar sobre práticas psicológicas no ambiente escolar que possam favorecer a inclusão a partir da consultoria colaborativa. Participaram da pesquisa seis professoras de três classes comuns dos primeiros anos do Ensino Fundamental de uma escola pública, três efetivas e três substitutas. As professoras autorizaram a observação quinzenal de suas aulas e atividade de consultoria na semana que intercalava as observações. As três salas contavam com alunos surdos, num total de seis alunos(G1). A consultora solicitou às docentes indicações de seis outros alunos com indicativos de comportamento socialmente aceito (G2) e outros seis com problemas de comportamento (G3), todos identificados a partir de duas escalas comportamentais, respondidas pelas professoras. Como medida de desempenho escolar, os alunos ouvintes e surdos participaram de um teste de desempenho escolar (TDE). Tanto as escalas comportamentais como o TDE foram reaplicados no final do ano letivo. No período de maio a dezembro de 2006, a consultora realizou quinzenalmente, observação sistemática das aulas, nas três classes envolvidas, registrando dados no diário de campo. O conteúdo registrado era discutido na semana seguinte, com cada docente, para avaliação e planejamento de práticas inclusivas. Ao final do processo, a atividade de consultoria foi avaliada como uma possibilidade de formação tanto para o consultor como para os docentes envolvidos. As escalas comportamentais possibilitaram a discriminação de comportamentos socialmente aceitos e orientações de manejos comportamentais que contribuíram para o aumento de oportunidades para que os mesmos ocorressem. A avaliação de desempenho acadêmico apontou para uma correlação entre problemas de comportamento e dificuldades de aprendizagem, além de indicar que práticas vigentes têm contribuído para o ensino de aritmética aos surdos, mas ainda não lhe garantiam, pelo menos nesta escola, a alfabetização, requisito este essencial para acessibilidade ao conhecimento escolar.
2022-12-06T17:47:52Z
PEREIRA, Veronica Aparecida
Mesmidade ouvinte & alteridade surda: invenções do outro surdo no Curso de Educação Especial da Universidade Federal de Santa Maria
Esta tese, “Mesmidade Ouvinte & Alteridade Surda: invenções do outro surdo no Curso de Educação Especial da Universidade Federal de Santa Maria”, deseja problematizar algumas questões que estão engendradas nesse curso e que, de uma certa forma, estão produzindo o outro surdo. O objetivo da pesquisa é buscar e analisar, nas formas de se narrar e de narrar, como é inventado o outro surdo pelas professoras que formam professores para a educação desse outro. Minhas questões de investigação estão relacionadas ao processo de formação de professores de surdos da UFSM que, legitimados pelos discursos e saberes da universidade, são inventados e inventam uma outra forma de ser professor. Para análise, trago como material de investigação as narrativas das professoras que formam no Curso de Educação Especial de Santa Maria ‐ RS. Utilizo como instrumento a entrevista – documento que registra a experiência de ser professora de professores em formação, na área da educação de surdos. É possível perceber, com a análise dos fragmentos das narrativas, que todas as professoras falam da experiência que se faz, que se dá, que se oferece, mas elas não falam de si. Parece, então, que o problema da experiência na formação é só da experiência do próprio professor. Ela não diz nada a respeito da experiência do outro.
2022-12-06T17:39:57Z
RAMPELOTTO, Elisane Maria
A alteridade como fundamento ético para a tradução e interpretação da língua de sinais na sala de aula
O presente trabalho insere-se na discussão sobre ética no fazer tradutório do intérprete de língua de sinais. Esta tese investiga como o tradutor e intérprete de língua de sinais faz suas escolhas linguísticas durante o ato interpretativo e como resolve as questões éticas que emergem na sala de aula. O presente trabalho consta de um conjunto de três vídeos de tradução da língua de sinais em sala de aula e três entrevistas com os intérpretes que realizaram a tradução. As interpretações analisadas ocorrem em diferentes níveis de ensino: médio, especialização e mestrado. Como suporte teórico, utilizo as concepções pós-estruturalistas sobre tradução e a concepção de ética em Enrique Dussel e Bakhtin.
2022-12-06T13:00:57Z
ROSA, Andréa da Silva
Admirável mundo novo: a ciência e o surdo
A língua brasileira de sinais (Libras) foi designada como a língua oficial da comunidade surda Brasileira. Entretanto, nesta língua há uma limitação dos termos científicos existentes, criando assim uma barreira linguística para a comunicação e compreensão da ciência.O objetivo deste trabalho foi o de criar essa aproximação com o mundo científico.Para tal torna-se necessário um glossário científico em Libras. O presente trabalho envolve o desenvolvimento de um fascículo em Libras com a temática “Fertilização e Embriogênese”, além de iniciarmos outro fascículo em Ecologia. Para o desenvolvimento do glossário de Fertilização e Embriogênese, foram listadas 92 palavras, das quais 30 já existiam em Libras, 43 existiam no glossário do ScottishSensory Center (SSC) em BSL (British Sign Language), 51 em diferentes línguas de sinais distribuídas pelo mundo listadas no site Spread the Sign. Isso significa que foram desenvolvidos 62 sinais para a Libras, sendo que 22 desses sinais não existiam em nenhuma das fontes consultadas e foram inteiramente desenvolvidos pelo nosso grupo. A aceitação desses sinais foi verificada durante cursos experimentais. Com a intenção de uma internacionalização dos sinais científicos, estabelecemos uma metodologia para testar a aceitação, por surdos brasileiros, de sinais científicos desenvolvidos em outras línguas de sinais. Levamos em consideração os possíveis regionalismos, e a avaliação dos sinais foi realizada em cidades de três regiões brasileiras: nordeste, sudeste e sul. Os resultados obtidos com os testes de avaliação sugerem que alguns sinais em BSL poderiam encontrar aceitação, permitindo empréstimos linguísticos. O desenvolvimento de novos sinais também é importante na divulgação não formal de ciências. Em uma alternativa à educação apenas em sala de aula ou laboratório, os surdos deste projeto puderam também vivenciar a ciência em ambientes como museus e reservas ecológicas. Como resultado dessas iniciativas expandiu-se o conhecimento e a acessibilidade para outras áreas culturais. Vivendo em uma sociedade científica/tecnológica, a inclusão científica do indivíduo surdo permitirá ao mesmo não só o desenvolvimento de senso crítico com relação ao ambiente que o cerca, mas também, no futuro, a abertura de novas oportunidades no mercado de trabalho.
2022-12-06T17:46:01Z
RUMJANEK, Julia Barral Dodd
Limites e possibilidades da educação bilíngue para surdos no contexto das políticas de inclusão (1990-2017): implicações à formação de professores
Esta pesquisa teve como objeto os limites e possibilidades da educação bilíngue para surdos no contexto das políticas de inclusão e as implicações para a formação de professores no período de 1990 a 2017. Interrogamos quais são os limites e possibilidades presentes nas políticas de inclusão para que a educação bilíngue se efetive e de que modo podem contribuir com a formação de professores para a educação básica de surdos. Justificamos a pesquisa nas dificuldades históricas que os surdos enfrentam para que a Língua de Sinais seja reconhecida como necessária à sua educação e inserção social. O objetivo geral esteve em desvelar se há ou não presença de bilinguismo nas políticas de inclusão, que possibilite formação de professores para surdos e efetivação da educação bilíngue em Libras-Língua portuguesa. Os objetivos específicos para a consecução desta pesquisa foram: 1) perquirir se o bilinguismo se faz presente nas políticas de inclusão para a formação de professores; 2) interpelar os cursos de formação de professores, nomeadamente os de Pedagogia em Curitiba e Região Metropolitana no Estado do Paraná, quanto à presença do componente curricular Libras e educação bilíngue; 3) analisar a realidade de professores que trabalham com surdos, para constatar se há consonância com as políticas e se o bilinguismo para surdos está na formação continuada e nas práticas em sala de aula, suas condições, limites e possibilidades. Para alcançar os objetivos realizamos análise de documentos nacionais, internacionais e documentos produzidos a partir dos movimentos sociais dos surdos sobre educação e inclusão. Realizamos entrevistas e questionários com gestores, professores surdos e ouvintes que trabalham com surdos na educação básica e ensino superior, além de pesquisa de campo em instituições com matrículas de surdos. Elegemos para subsidiar a pesquisa o Método da Economia Política, destacamos as categorias de método: totalidade, contradição e mediação e as categorias do objeto: política, inclusão, colonialismo e bilinguismo as quais possibilitaram com a contribuição da literatura pertinente, a análise dos dados empíricos e chegar à tese ora apontada e defendida de que os limites e possibilidades do bilinguismo e por consequência da educação bilíngue, estão no bojo das políticas para a inclusão e que cada avanço no sentido da formação bilíngue se encontra no escopo da formulação e implementação dessas políticas. As políticas de inclusão favoreceram os debates sobre o bilinguismo na educação e formação de professores, mas ainda não garantiram a Libras como língua materna ou língua de referência para os surdos brasileiros e quando defendida desse modo, é tensionada pela hegemonia da língua do oral do país. A língua de sinais é predominantemente apresentada na formação de professores como instrumento de acesso à Língua Portuguesa, mas não como primeira língua para as mediações educacionais dos surdos. Todavia já há cursos de formação bilíngue, no que se destaca o trabalho do INES (Instituto Nacional de Educação de Surdos). Apesar dessas iniciativas, estamos longe de superar práticas colonialistas. Constatamos que a Libras é essencial mas exige a presença do bilinguismo e educação bilíngue, direitos historicamente negados às gerações de surdos, mesmo sendo apresentados nos documentos referentes à inclusão. Esta tese constitui-se junto com outros estudos sobre o tema, uma contribuição para que se revejam as políticas inclusivas e aponta à necessidade de se somarem lutas nesse sentido.
2022-12-06T17:45:06Z
SCHUBERT, Silvana Elisa de Morais
As (im)possibilidades do bilinguísmo para o ensino de língua portuguesa escrita a escolares surdos
O objetivo desta tese consiste em investigar as (im) possibilidades do bilinguismo para o ensino da escrita em Língua Portuguesa a surdos do Ensino Fundamental por meio da compreensão dos níveis de textualidade desses escolares. O referencial teórico-metodológico adotado é a Teoria Histórico Cultural que concebe ser a aprendizagem potencializada pelo ensino, por mediações intencionais e sistemáticas. Para atingir os objetivos propostos, a pesquisa está organizada em dois grandes momentos: 1º) pesquisa bibliográfica apoiada nos estudos de autores da Teoria Histórico Cultural; da Linguística, do Ensino de Língua Portuguesa como língua estrangeira e nos documentos nacionais e estaduais sobre o ensino da Língua Portuguesa; 2º) pesquisa de campo, também dividida em dois momentos: A) coleta e análise de 200 gêneros textuais elaborados por 30 escolares surdos. B) Em outro momento, por oito intervenções com dois escolares surdos em um Centro de Atendimento Especializado, com o auxílio da professora fluente em Libras, utilizando metodologias afetas ao ensino de Língua Portuguesa como língua estrangeira. Os resultados da pesquisa bibliográfica apontam para o fato de que a função social deve ser a referência para as metodologias de ensino da escrita, pautada na concepção de trabalho, na dialogicidade e na negociação de sentidos, pelo texto traduzido da língua estrangeira para a língua materna, com base na contrastividade entre as línguas envolvidas, requerendo uma formação docente apoiada na Linguística. Somente o letramento não é suficiente para garantir essa aquisição. Os resultados das análises dos documentos mostram contradições na exposição do ensino da escrita aos surdos. Encontramos divergências teóricas e metodológicas como a não condução para uma perspectiva bilíngue ou de língua estrangeira. Os resultados das análises dos textos coletados apontam para o fato de que a escrita precisa ser apreendida conscientemente, uma vez que somente dessa forma possibilita a abstração conceitual, o desenvolvimento intelectual e social. Os resultados do processo de intervenção indicam a necessidade da mediação dialética com base em uma organização de ensino pautada no texto como unidade da língua, trabalhado na totalidade e em partes significativas menores, destacadas e nominadas, a fim de que o auxílio externo dessa cisão seja gradualmente substituído por marcadores simbólicos, com vistas à generalização. Nesse caso, os processos de análise e síntese funcionam como operações do pensamento. Por meio do conjunto das análises, verificamos que com o trabalho proposto, os surdos têm a possibilidade de aprender a escrita de forma consciente, aproximando suas expressões grafadas da norma culta.
2022-12-06T12:58:56Z
SILVA, Márcia Cristina Amaral da
Inclusão escolar e processos de resiliência em adolescentes e jovens da Educação Especial
Este estudo está vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Estadual Paulista, campus de Presidente Prudente, mais especificamente à linha de pesquisa Desenvolvimento Humano, Diferença e Valores. O objetivo da pesquisa foi analisar como as ações de inclusão se articulam com processos de resiliência em adolescentes e jovens da Educação Especial, a partir da perspectiva dos alunos e professores. O referencial teórico adotado se refere à abordagem socioecológica, cujos pressupostos dos estudos da resiliência se pautam, principalmente, numa abordagem cultural. Com relação à temática da inclusão, é entendida neste trabalho como um processo que valoriza as diferenças. A pesquisa de abordagem qualitativa foi realizada por meio de dois estudos. O Estudo I consistiu em uma pesquisa documental, no qual se analisou os documentos do IFPR (local em que se desenvolveu a pesquisa), verificando as políticas, princípios e ações constantes sobre a inclusão de alunos da Educação Especial. Esse estudo possibilitou o entendimento e posicionamento da instituição sobre a inclusão e buscou-se, a partir dos dados levantados nos documentos, relacioná-los com as sete tensões da abordagem socioecológica, analisando como as propostas de inclusão poderiam contribuir para o processo de resiliência de alunos da Educação Especial. Baseados nos resultados desse estudo, o Estudo II consistiu em pesquisa de campo, mais precisamente num estudo de caso múltiplo, que se realizou em seis campi do IFPR. Buscou-se analisar a percepção dos professores que davam aula aos alunos da Educação Especial e destes alunos considerados em processo de resiliência sobre as ações de inclusão desenvolvidas no IFPR, como contribuindo para o processo de inclusão e para o bom crescimento dos alunos. As ações de inclusão citadas foram relacionadas com as sete tensões da abordagem socioecológica, verificando de que forma contribuíam para o processo de resiliência. Participaram desse estudo 14 professores, de ambos os sexos e com diversas formações, cujo critério principal foi que ministrassem aula ou desenvolvessem atividades com os alunos da Educação Especial de seu campus. Participaram 12 alunos, sendo quatro surdos, dois com Síndrome de Asperger, um cego, um deficiente visual, um com Síndrome de Down, um com amputação do braço, um com raquitismo, um com mielomeningocele, de ambos os sexos, com idade entre 14 e 28 anos, e considerados em processo de resiliência. Nessa etapa, os professores participantes contribuíram de duas formas. Primeiramente, realizou-se uma conversa coletiva com os professores participantes de cada campus sobre a concepção que estes possuíam sobre "crescer bem", e de acordo com essa concepção, definiu-se quais alunos da Educação Especial do seu campus apresentavam esse "crescer bem". A outra etapa consistiu em entrevista semiestruturada realizada individualmente com os professores, em que se buscou levantar as ações de inclusão percebidas pelos professores que contribuíam para o bom crescimento dos alunos da Educação Especial. Com estes alunos, realizou-se a entrevista semiestruturada de forma individual, em que se buscou levantar as ações de inclusão percebidas pelos alunos que contribuíam para o seu crescer bem. Seis dos doze alunos continuaram a pesquisa, por meio do uso dos métodos visuais, em que tiraram de 15 a 20 fotos de momentos, lugares, pessoas no IFPR que representavam algo bom como também algo ruim para eles. As fotos foram analisadas e explicadas pelos próprios alunos para a pesquisadora. A partir das ações de inclusão citadas pelos professores e alunos, por meio das entrevistas e das fotos, estas foram analisadas à luz das sete tensões, verificando por meio de suas resoluções ou não, o favorecimento de processos de resiliência. Os resultados apontaram que poucas ações de inclusão eram desenvolvidas institucionalmente, pois a maioria das ações era realizada por iniciativa própria dos professores e da equipe pedagógica. Porém, por meio dessas ações, a maioria dos alunos da Educação Especial se sentiam incluídos, indicando que tais ações estavam favorecendo processos de resiliência, atuando como ações protetivas, situação que não acontecia com os alunos surdos que, apesar de gostarem de estudar no IFPR, estavam expostos a mais situações de risco, pois nem todas as ações de inclusão os estavam protegendo. E dentro das ações de inclusão citadas, considerou-se que estas não conseguiam favorecer a resolução das tensões Justiça Social e Poder e Controle. Apresentou-se, como meio de favorecer a resolução das tensões e com isso promover ações de inclusão mais protetivas aos alunos da Educação Especial, a consolidação do NAPNE e do AEE pelo IFPR. Espera-se que este estudo colabore para a prática dos membros de instituições escolares que trabalhem com alunos da Educação Especial e suscite novas reflexões no campo educacional, garantindo práticas mais eficazes.
2022-12-06T12:58:10Z
YANAGA, Thais Watakabe
Uma investigação com alunos surdos do Ensino Fundamental: o cálculo mental em questão
Esta pesquisa objetivou identificar as possibilidades didático-pedagógicas de um trabalho sistematizado com cálculo mental, de forma dialógica, em Libras, com alunos surdos fluentes, aqui considerados como sujeitos que compreendem e interagem com o mundo por meio de experiências visuais, sendo a língua de sinais, a Libras, a mais importante dessas experiências. O trabalho partiu da seguinte questão investigativa: Quais as estratégias utilizadas pelos alunos surdos em situações didáticas de cálculo mental? A pesquisa foi sustentada teoricamente na Teoria dos Campos Conceituais de Vergnaud; em pesquisas que trataram da especificidade referente à Libras e que abordam o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH); em pesquisas realizadas sobre cálculo mental e sobre o Sistema de Numeração Decimal (SND) e as operações elementares do Campo Conceitual Aditivo. A opção metodológica foi a Engenharia Didática, com a aplicação de uma sequência didática composta por dois blocos: o do SND e o Aditivo. Os sujeitos de pesquisa foram três alunos surdos que cursavam o final do 6° ano no início da pesquisa. As principais constatações foram: os sujeitos surdos ainda estavam em processo de construção do SND; a noção dos números ―ad infinitum‖ relacionada não apenas à extensão da sequência numérica, mas, principalmente, à consolidação das regras deste sistema; a indiferenciação da numeração falada para a numeração escrita constituiu um desafio a ser vencido no bloco do SND; que o surdo, ao realizar a contagem, exige a combinação de diversos elementos, como o gesto da mão para indicar, o olhar e novamente a mão para sinalizar os números e isso, em certos casos, pode dificultar a contagem. As principais estratégias utilizadas se concentraram nisto: identificação da contagem a partir do primeiro número anunciado (não realizando uma sobrecontagem); realização da sobrecontagem com e sem o auxílio dos dedos; o uso da contagem regressiva com e sem auxílio dos dedos; a recorrência a cálculos incorporados no seu repertório numérico; a reprodução mental do algoritmo; a mobilização de regras automatizadas; a aplicação das propriedades dos números e das operações e a realização do cálculo com base na percepção de algumas regularidades dos números anunciados. A dinâmica instaurada favoreceu a atenção, o autocontrole e autoconfiança dos sujeitos surdos diagnosticados com TDAH.
2022-12-06T17:47:06Z
ZANQUETTA, Maria Emilia Melo Tamanini
Trajetórias de resistência em escolas municipais com propostas de educação bilíngue inclusiva para surdos
Não foi de forma repentina que os enunciados relativos aos projetos bilíngues para a educação de surdos surgiram ativamente em escolas inclusivas. Houve um deslocamento de saber, configurando um novo paradigma educacional para surdos, possivelmente influenciado por relações de poder, manifestadas através de leis, decretos, movimentos sociais, lutas das comunidades e de pesquisadores que contribuíram para a implementação de iniciativas bilíngues em ambiente escolar inclusivos. São precisamente esses processos emergenciais que foram pesquisados, através de análise documental e de entrevistas com gestores escolares, com o objetivo de analisar a trajetória histórica e as composições de saberes que ativaram um novo cenário educacional inclusivo bilíngue para surdos, distintos das propostas inclusivas em consonância com o modelo referendado pelas diretrizes que sustentam discursos e, práticas na educação especial. São apresentadas propostas e com elas algumas ações que tentam romper com esse novo paradigma em direção à manutenção de uma escola centrada na língua portuguesa. Para tal, credita-se nas regulamentações para as mudanças de escolas regulares inclusivas para o formato de escolas-polo inclusivas bilíngues. O método arqueogenealógico, desenvolvido por Michel Foucault, contribuiu para a historicização dos fatores que possibilitaram a emergência de projetos bilíngues como um campo de investigação. São analisadas as conjunturas de deslocamentos operados de um saber para outro, os quais efetivaram projetos educacionais bilíngues para educação de surdos. Nesse sentido, a relevância desta pesquisa consiste em contribuir com as discussões existentes sobre os deslocamentos de saber para procedimentos educacionais, realizados em municípios que adotam métodos inclusivos bilíngues, a fim de demarcar a história dos movimentos sociais em direção a propostas de escolas-polo bilíngues.
2022-12-06T12:53:56Z
MORAIS, Mariana Peres de
O ensino da Matemática e os alunos surdos: as possibilidades da Linguagem Logo
Este trabalho objetiva descrever e analisar as atividades de programação em Linguagem de Programação Logo para surdos, como elemento facilitador no processo ensinoaprendizagem de conceitos matemáticos, especificamente nos planos da subjetividade e da cognição. Fundamenta-se na perspectiva sócio-antropológica de Carlos Skliar e Nídia Regina Limeira de Sá, na compreensão do surdo; e de José Armando Valente e Lucila Maria Costi Santarosa, para desenvolver a Linguagem Logo. Usou-se a pesquisa de campo na coleta dos dados e observações sistemáticas para as análises quantitativas e qualitativas, descrevendo o acompanhamento longitudinal nas unidades do programa estabelecido, que teve como problematização como desenvolver o ensino da Matemática entre os surdos, utilizando-se da Linguagem Logo. Participaram do estudo dois alunos surdos matriculados no Ensino Fundamental da escola pública e uma intérprete de Libras. Inferiu-se que a Linguagem Logo, em interação da criança surda com o computador, pode ser uma ferramenta eficaz no processo de aprendizagem de conceitos matemáticos, possibilitando melhorar a reflexão e o relacionamento professor-aluno. Além disso, foi importante a presença da intérprete para garantir o acesso dos alunos surdos às instruções e interações necessárias ao desenvolvimento do programa.
2022-12-06T12:58:10Z
NASSIM JÚNIOR, Oswaldo Elias
O perfil pedagógico do intérprete de língua de sinais no contexto educacional
Quando se pensa no sujeito surdo, fica complicado não questionar quão difícil deve ser para ele estar na escola, sentir-se dentro dela, comunicar-se usando outra via, entender e ser entendido, aprender e ser feliz. Este deve ser um estudo interessante, principalmente quando se der dentro do espaço pedagógico. “O Perfil do Intérprete de Língua de Sinais no Contexto Educacional”, aborda a questão da falta de formação pedagógica do intérprete, tratando-se de uma investigação direta do exercício desse profissional dentro de sala de aula, ao mediar a relação entre alunos surdos e seus professores ouvintes. Baseia-se no fato de que a tarefa de interpretação/tradução tem como fundamento principal a necessidade que todos os seres humanos têm de se comunicarem e do poder desse canal na educação inclusiva. Parte do pressuposto de que o intérprete de língua de sinais não se encontra preparado de acordo com as demandas acadêmicas de sua tarefa. Isto torna comprometidos os resultados de seu trabalho na escola, fazendo-se urgente o retrato da real situação que esse profissional vive na sua tarefa educacional. A ação proposta a partir da possibilidade de interação pedagógica, favorecerá a futura habilitação deste sujeito e, conseqüentemente, a inclusão social dos alunos que dependem de sua atividade de tradutor dentro da sala de aula como membro instrumental da cultura surda. Realizar um estudo sobre o trabalho pedagógico do intérprete de língua de sinais, além de ser um desafio, vem de encontro aos atuais interesses daqueles que atuam na educação dos surdos, por motivo de ampliação das atividades profissionais oferecidas aos sujeitos portadores de necessidades especiais de comunicação.
2022-12-06T13:01:23Z
FERREIRA, Geralda Eustáquia
Estratégias pedagógicas para a permanência de estudantes surdos na Educação Superior
Esta pesquisa traz como objeto de investigação as percepções de estudantes surdos acerca das estratégias pedagógicas que favorecem o seu processo de permanência na Educação Superior. Tal investigação foi desenvolvida junto a estudantes surdos (usuários da Língua Brasileira de Sinais- Libras e da Língua Portuguesa Oral) da UFRB, matriculados no Curso de Licenciatura em Letras-Libras-Língua Estrangeira. A escolha metodológica, de natureza qualitativa, define o caminho do estudo de caso com uso da entrevista semiestruturada como instrumento de investigação, por permitir captar as percepções dos estudantes surdos sobre a eficiência das estratégias pedagógicas para o seu processo de permanência no ambiente acadêmico. O embasamento que subsidiou a análise dos dados levantados fundamentou-se nos normativos legais brasileiros e institucionais da UFRB, e em autores como: Vygotsky (1991, 1995); Pimentel (2007, 2012); Silva e Matos (2015); Skliar (2013); Quadros (2006), dentre outros. Os resultados demonstraram que a UFRB tem desenvolvido ações visando à garantia de direitos dos estudantes surdos, envolvendo: aprovação de normativos institucionais, realização de concurso para profissionais intérpretes de Libras e oferta de curso de Libras para formação de servidores. Concernente às estratégias pedagógicas, evidenciou-se, a partir das percepções dos estudantes surdos, que os docentes, em sua maioria, utilizam estratégias que atendem as suas especificidades. Tais estratégias envolvem: o uso de recursos didáticos de natureza visual; interlocução pausada do professor para favorecer a compreensão do surdo oralizado e a interpretação do conteúdo da aula para Libras; a utilização de dicionário na aula e a disponibilização de tempo para busca de novos vocabulários; a ênfase de trabalhos em grupos; estratégias metodológicas diferenciadas, a exemplo de dar aulas em Libras. Tais estratégias foram reconhecidas pelos surdos participantes da pesquisa como favorecedoras do processo de aprendizagem e, portanto, de sua permanência, embora essa seja uma prática adotada por parte dos docentes.
2022-12-06T17:47:52Z
RIBEIRO, Sátila Souza
A aritmética na escola primária do Espírito Santo na década de 1870: percepções a partir da obra de Miguel Maria Jardim
FEITOSA, Rosiane Morais Dos Santos. A aritmética na escola primária do espírito santo na década de 1870: percepções a partir da obra de Miguel Maria Jardim. 2018. 160 fl. Dissertação (Mestrado Em Ensino Na Educação Básica). Programa De Pós-Graduação. Universidade Federal Do Espírito Santo – CEUNES, 2018, Orientador: Prof. Dr. Moysés Gonçalves Siqueira Filho. 1. Aritmética 2. Livro didático 3. Ensino Primário I. Siqueira Filho, Moysés Gonçalves. II. Universidade Federal do Espírito Santo, Centro Universitário Norte do Espírito Santo. III. Título.
2022-12-06T17:48:18Z
Feitosa, Rosiane Morais Dos Santos
Alunos com surdez de escola pública em um contexto inclusivo
O surdo durante sua trajetória de vida sempre enfrentou dificuldades, e, muito mais devido a uma sociedade excludente e preconceituosa do que pela limitação decorrente da surdez. Por isso, é importante promover ações afirmativas que possam dar um novo rumo na história da educação dos surdos. Dentro dessa perspectiva, esta pesquisa tem por objetivos, descrever e analisar como os alunos surdos, que estão em processo de inclusão, percebem a escola de ouvintes e as salas de recursos multifuncionais em uma escola de surdos. Nessa sala acontece o atendimento educacional especializado (AEE) com a presença de um professor que faz uso da Língua Brasileira de Sinais (Libras). Participaram desta pesquisa sete alunos com surdez (dois com surdez profunda e cinco com deficiência auditiva leve a moderada) que frequentam a escola regular, no período da manhã e, no período oposto frequentam a sala de recursos na escola para surdos de um município do interior paulista. A metodologia utilizada foi a pesquisa qualitativa, a partir de um roteiro semi-estruturado contendo de 24 perguntas abertas. A entrevista deu-se em duas etapas a destacar: na primeira etapa foram entrevistados três alunos (S1, S2 e S3), sendo S2 surdo profundo e S1 e S3 deficientes auditivos oralizados, Nesta fase, as entrevistas foram realizadas em língua de sinais e língua portuguesa oral. As respostas obtidas pelo pesquisador, por ocasião da entrevista em língua de sinais, foram traduzidas para o português e anotadas em um caderno de campo. Na segunda etapa, os surdos S4, S5, S6 e S7 também responderam, em língua de sinais, as 24 perguntas da entrevista. Nessa fase de pesquisa, a entrevista foi filmada. Os resultados obtidos mostraram que os surdos não estão tendo acesso ao currículo das escolas regulares, pois eles não têm a presença da sua língua na sala de aula; também, dos sete alunos entrevistados somente dois contam com a ajuda do professor interlocutor de Libras. Nas salas de aula comum, o professor regente da classe não sabe Libras, por isso, os alunos com surdez não entendem o que está sendo ministrado na sala de aula, ou seja, eles apenas “copiam”. Mesmo assim, os surdos entendem a importância de se frequentar essa escola porque eles aprendem a conviver com os ouvintes e as disciplinas que são fundamentais às suas vidas. No relacionamento com os ouvintes, os surdos destacaram a dificuldade na comunicação por causa da língua de sinais, o que torna difícil a relação surdo-ouvinte. Na sala de recursos multifuncionais o que se verificou foi um atendimento específico às atividades escolares e a repetição dos conteúdos que não foram entendidos na escola regular, o que descaracteriza a funcionalidade dessa sala. Concluiu-se que a escola comum, onde os surdos estão matriculados, não aproveita a diversidade, a multiculturalidade para o enriquecimento do currículo e que a proposta de uma educação inclusiva continua sendo um desafio social, político e cultural e que para ser efetivada faz-se necessário o atendimento dos direitos desses alunos ao conhecimento e à acessibilidade.
2022-12-06T17:47:21Z
PAZINI, Maria Rita Cotillo
Estudo de Metodologia para Modelagem Eletromagnética Simplificada de Material Compósito de Fibra de Carbono Contínua Reforçada
TCC (graduação) - Universidade Federal de Santa Catarina. Centro Tecnológico. Engenharia Elétrica.
2022-12-06T17:47:52Z
Philippi, Janaína Januário
A aplicabilidade da teoria da "cegueira deliberada" ao delito de lavagem de capitais no Brasil
TCC(graduação) - Universidade Federal de Santa Catarina. Centro de Ciências Jurídicas. Direito.
2022-12-06T12:51:15Z
Freitas, Rafael Sbeghen
A (in)validade da Resolução CONAMA n. 303/2002 com o advento do novo Código Florestal
TCC(graduação) - Universidade Federal de Santa Catarina. Centro de Ciências Jurídicas. Direito.
2022-12-06T17:50:24Z
Gregório, Paulo Remus
A missão constitucional da Polícia Militar de Santa Catarina na perspectiva dos Direitos Humanos
TCC(graduação) - Universidade Federal de Santa Catarina. Centro de Ciências Jurídicas. Direito.
2022-12-06T17:39:57Z
Fernandes, Caroline
Alinhamento estratégico da tecnologia da informação e comunicação no poder judiciário
TCC(graduação) - Universidade Federal de Santa Catarina. Centro de Ciências Jurídicas. Direito.
2022-12-06T17:40:11Z
Silva, Francisco Robson da