Repositório RCAAP
Homoparentalidade: uma entre outras formas de ser família
A família impõe hoje, àqueles que se dedicam a estudá-la, um grande desafio. Suas transformações são cada vez mais visíveis, tanto do ponto de vista das relações intragrupo como daquelas mantidas com outras instituições sociais. Neste trabalho, procuramos examinar a homoparentalidade, acreditando que essa modalidade de família apresenta as mais significativas mudanças nas relações conjugais e parentais, uma vez que nega o paradigma do qual se origina a família: a diferenciação sexual. O desejo do casal de ter um filho, o luto pela impossibilidade biológica de concebê-lo, a escolha de uma forma, dentre várias, para realizar esse desejo, a relação com um terceiro sujeito que viabiliza a vinda do filho são algumas das questões que enfrentaremos aqui.
2005
Passos,Maria Consuêlo
Diferença e igualdade nas relações de gênero: revisitando o debate
Este artigo retoma o histórico debate sobre a diferença e a igualdade e as mudanças ocorridas nas relações de gênero sob o impacto do feminismo, da crise da masculinidade e demais transformações econômicas, sociais e culturais em curso. Toma como referência os estudos de gênero que buscam compreender os processos de produção de novas formas de subjetividade masculina e feminina, distanciadas dos tradicionais estereótipos de gênero. Conclui que tais mudanças apontam para a possibilidade concreta da construção de relações de gênero mais democráticas, ideal perseguido desde a modernidade, no casamento e na família, em que o direito à igualdade e o respeito à diferença são as pedras angulares.
2005
Araújo,Maria de Fátima
Família e conjugalidade: o sintoma dos filhos frente à imaturidade do casal parental
O artigo trata das inter-relações entre a imaturidade dos pais e o processo de criação dos filhos. Baseia-se no relato de uma experiência clínica onde a formação de sintomas nas crianças era decorrente da dificuldade do casal parental na constituição da conjugalidade e no estabelecimento dos papéis de cada um no interior da família, além de forte interferência das famílias de origem. O referencial teórico winnicottiano é utilizado, traçando-se um paralelo entre o desenvolvimento da criança e o da família e buscando uma articulação com as características da sociedade atual.
2005
Cicco,Marina Fibe de Paiva,Maria Lucia S. C. Gomes,Isabel Cristina
Gênero e corpo na cultura brasileira
Este trabalho analisa a construção social do corpo a partir dos dados de uma pesquisa realizada com 1279 homens e mulheres das camadas médias brasileiras e da análise de matérias de jornais e revistas nacionais. Pretende-se discutir a construção dos corpos feminino e masculino em uma cultura que transforma corpos "naturais" em corpos aprisionados por modelos inalcançáveis de masculinidade e feminilidade.
2005
Goldenberg,Mirian
Concepções sobre relações amorosas / conjugais e sobre seus protagonistas: um estudo com provérbios
Os provérbios contêm informações culturalmente importantes sobre temas como casamento e relações de gênero, uma vez que constituem discurso autoritário e estereotipado aceito e memorizado pelas pessoas desde a infância. O presente estudo envolveu seleção e categorização de provérbios sobre relações amorosas, casamento, descasamento, bem como sobre as condições socioculturais que caracterizam a vida masculina e feminina com o objetivo de analisar singularidades e regularidades reveladoras das concepções presentes em tal modalidade de produção cultural. A seleção dos 569 provérbios examinados foi feita a partir de fontes documentais. Os provérbios foram classificados em 4 grandes temas (Amor, Casamento e Relações Conjugais, Homem, Mulher) que comportaram 104 subcategorias de análise. Os resultados revelaram um universo cultural construído a partir da perspectiva masculina, no qual estão presentes concepções sobre a natureza feminina e sobre as relações amorosas que justificam o desequilíbrio de poder nas relações conjugais que se constata ainda hoje.
2005
Menandro,Paulo Rogério Meira Rölke,Rafaela Kerckhoff Bertollo,Milena
Resiliência familiar e conjugal numa perspectiva psicanalítica dos laços
Neste texto abordamos a questão do dilaceramento traumático como a expressão de um desmalhe dos continentes psíquicos individuais, familiares e comunitários. Consideramos a resiliência familiar como a capacidade da própria família de reconstruir os laços psíquicos. Para ilustrar a conceituação teórica da malhagem numa perspectiva psicanalítica do laço, tomamos a rede como objeto metafórico. Na clínica, propomo-nos lançar mão de dispositivos que permitam trabalhar a capacidade da família e consideramos que uma psicoterapia unicamente individual conduz a uma evolução clínica limitada.
2005
Benghozi,Pierre
Adolescência: efeitos da ciência no campo do sujeito
Este artigo apresenta a análise das manifestações da crise adolescência na correlação que estas mantêm com o funcionamento social contemporâneo como indicador privilegiado para pensar a operação da ciência e seus efeitos no campo do sujeito. A análise parte do exame da incidência da ciência sobre a linguagem como domínio a partir do qual o sujeito se constitui. Aborda questões próprias da clínica psicanalítica com adolescentes - tais como a dificuldade de elaboração de uma referência à alteridade e seus impasses diante do sexo e a morte -, refletindo sobre a vinculação destas dificuldades com o que é desencadeado pelas transformações do discurso e do laço social constitutivas da prática da ciência.
2005
Moura,Fernanda Costa
A técnica da entrevista motivacional na adolescência
O uso de drogas na adolescência vem crescendo drasticamente nos últimos 15 anos, a ponto de tornar-se reconhecido problema de saúde pública. Certo é que, quanto antes forem aplicados alguns tipos de tratamento a este problema, menores serão as conseqüências negativas do uso de drogas. Este artigo busca expor os tratamentos existentes para a dependência química na adolescência e tem como foco a Entrevista Motivacional, espécie de tratamento ambulatorial, caracterizada como uma técnica breve realizada em de 1 a 5 sessões e que é empregada, principalmente, para comportamentos de uso de drogas ilícitas, tabaco e álcool. Apresenta características positivas para aplicabilidade na adolescência, tais como a busca pela motivação intrínseca do paciente, a não-confrontação, não-hostilidade e uso de técnicas cognitivas para auxiliar o processo terapêutico.
2005
Andretta,Ilana Oliveira,Margareth da Silva
Contratransferência do psicólogo coordenador de grupos
O objetivo do artigo é estudar a contratransferência do psicólogo coordenador de grupo, como ele trabalha com a mesma, que eventuais dificuldades encontra para tal. O método de análise do material foi o qualitativo, coletado através de uma entrevista semi-estruturada respondida por quatro psicólogas que trabalham com grupos abertos apoiadas no referencial psicanalítico. As entrevistas foram gravadas e transcritas e, posteriormente, submetidas à análise de conteúdo. Pôde-se identificar sentimentos do psicólogo despertados na situação de grupo e como ele maneja os mesmos. Também foram discutidas as particularidades da contratransferência na situação de grupo, aspectos referentes à formação do psicólogo e à questão dos grupos na psicanálise.
2005
Corrêa,Juliano Seminoti,Nedio
Psicanálise é o nome de um trabalho
Este texto é parte integrante de uma investigação em busca do sentido da psicanálise, ou dos sentidos que ela possa apresentar. Busca-se justificar e apreender o sentido originário e fundamental da psicanálise. Enfoca-se a compreensão freudiana que a entende inicialmente como uma intencionalidade puramente terapêutica, mostrando-se que, antes de constituir-se como conhecimento, a psicanálise é assumida como ato, isto é, trabalho de tratamento da neurose. "Psicanálise" foi o nome dado por Freud a esse trabalho. Em conclusão, discute-se o sentido desse trabalho, cujo nome permite circunscrever, apontando-se o seu método e o seu objeto.
2005
Celes,Luiz Augusto
Terrorismo, barbárie e desordem: parte II
A partir de uma interrogação sobre as representações dos atos terroristas na imprensa e na televisão, examinaremos as noções de barbárie, de crueldade e de sadismo de um ponto de vista simultaneamente individual e coletivo. As novas formas do conflito e da destrutividade que marcam quotidianamente a atualidade incitam a uma reflexão ampla sobre a natureza, as relações e mesmo os paradoxos da oposição entre ordem e desordem. A ordem responde a uma necessidade de domínio sobre o mundo e constitui uma parte inerente à busca do sentido da vida própria a cada um. Entretanto, longe de atingir uma harmonia, ela produz contestações, revoltas e, necessita ser "mantida", confundindo-se, por sua vez, com uma violência "legítima".
2005
Mijolla-Mellor,Sophie de
Do sensível ao inteligível: é possível representar o impronunciável?
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2005
Machado,Rebeca Nonato Winograd,Monah
Neurociências e psicanálise: há possibilidade de articulação?
Existe uma proposta contemporânea de promover o trabalho interdisciplinar entre os campos da psicanálise e das neurociências, visando favorecer a integração entre ambas. Neste artigo, examino criticamente a questão de haver ou não uma possibilidade mínima de articulação entre esses domínios de conhecimento, a partir dos pressupostos epistemológicos que servem de base a cada um deles. Tal reflexão envolve tanto a minha perspectiva de psicanalista quanto o instrumental teórico que nos é oferecido por uma visão pragmática da ciência, a qual tem se desdobrado numa ampla literatura de filosofia/sociologia das ciências naturais nas últimas décadas.
2006
Faveret,Bianca Maria Sanches
Neurociência e psiquiatria
Ao longo da história da psiquiatria, observa-se uma oscilação entre uma perspectiva biológica e outra mentalista. A perspectiva biológica enfatiza explicações calcadas no sistema nervoso central e intervenções psicofarmacológicas. Por outro lado, a perspectiva mentalista prioriza a experiência subjetiva e intervenções através da psicoterapia. Embora o embate entre estas duas perspectivas esteja longe de ser resolvido, o presente trabalho defende uma posição intermediária, privilegiando um equilíbrio entre estas duas perspectivas. Ao longo do artigo, apresenta-se o pensamento de autores dualistas, que propõem uma interação entre mente e cérebro, assim como de autores monistas, que consideram o cérebro como gerador dos processos mentais. Discute-se, também, a crítica que o conhecimento de natureza subjetiva, produzido pela psicanálise, vem sofrendo por parte de alguns neurocientistas. Finalmente, considera-se o conceito de "complementaridade", elaborado pelos físicos quânticos Heisenberg e Bohr, como uma possível forma de solucionar o impasse epistemológico entre psicanálise e neurociência.
2006
Graeff,Frederico G.
Rememoração, subjetividade e as bases neurais da memória autobiográfica
Nesta revisão abordamos o sistema de memória autobiográfica como um processo de rememoração subjetiva graças à ativação de um substrato neural próprio para esta qualidade mnemônica. A rememoração autobiográfica recruta vias corticais extensas tendo como ponto de convergência a região frontal e suas interconexões, culminando com a área orbitofrontal. Trata-se de um processamento neural complexo capaz de integrar diferentes aspectos da evocação, tais como auto-identidade, controle, seletividade e emoção. Analisamos também a noção de amnésia orgânica e amnésia funcional com base em achados recentes sobre os efeitos do estresse no cérebro. Dentre estas evidências, destacam-se as alterações morfológicas e neuroquímicas no cérebro produzidas por estímulos estressantes assim como o alívio destes efeitos através da psicoterapia. Este conhecimento representa um avanço considerável nos conceitos de psicopatologia, abrindo caminhos para a compreensão das bases neurais da personalidade.
2006
Frank,Jean Landeira-Fernandez,J.
Dano ao pensamento e identidade subjetiva
A psicopatologia psicanalítica se preocupa com a questão da cognição. A partir da clínica de pacientes com lesão cerebral, este artigo busca pesquisar o lugar da cognição na economia psíquica de um sujeito e abrir vias para o trabalho psicoterapêutico com esses pacientes e seus familiares.
2006
Oppenheim-Gluckman,H.
Tentativa de integração entre algumas concepções básicas da psicanálise e da neurociência
O autor aborda a falta de uma visão integrativa do ser humano que existe no estudo da neurociência e da psicanálise, em face da educação e da cultura fundamentadas sobre o paradigma da fragmentação. Essa visão fragmentada leva os estudiosos a desconsiderar a unidade sobre a qual se desdobraram os fatos e os fenômenos subseqüentes no processo de desenvolvimento e evolução dos seres vivos. O autor toma o instinto de sobrevivência, que é inerente à própria vida e a todo ser vivo, como a unidade que está na base de todos os fenômenos orgânicos e mentais e tenta estudar suas expressões, integrando fenômenos neurobiológicos e psicológicos, que são indissociáveis, de acordo com a visão de auto-regulação concebida por Freud.
2006
Soussumi,Yusaku
Construtivismo, psicologia experimental e neurociência
O principal objetivo deste trabalho é discutir a abordagem construtivista e suas relações como algumas descobertas relacionadas à psicologia experimental e à neurociência. A elaboração do texto está baseada num trabalho de consulta a algumas publicações indexadas no PsycoInfo, bem como em algumas obras que contemplam essas áreas. Os autores argumentam que a eficácia dos diferentes modelos de terapia cognitiva pode ser ampliada por intermédio de um trabalho mais voltado para os aspectos não racionais da cognição. Na parte final deste artigo, os autores enfatizam a necessidade de transformar o construtivismo numa apropriada metáfora para a terapia cognitiva, sendo que essa asserção está baseada nas afirmações de Meichenbaum (1993).
2006
Vasconcellos,Silvio José Lemos Machado,Simone da Silva
Anorexia: uma pseudo-separação frente a impasses na alienação e na separação
O presente trabalho versa sobre a anorexia nos quadros de neurose e tem por objetivo detectar as dificuldades com que se defronta a psicanálise nos casos de sujeitos que recusam a alimentação. Segundo uma abordagem teórico-clínica, o artigo parte do sintoma anoréxico, tal como ele se apresenta no plano dos fenômenos, e investiga sua articulação com o plano estrutural na fantasia neurótica. Admite-se a premissa de que a anorexia, mais que uma recusa de comer, afirma-se como um "comer nada". Assim, procede-se a uma investigação sobre o "nada", aqui entendido como um objeto. A fim de conceituar essa modalidade de objeto, recorre-se à teoria lacaniana da constituição do sujeito segundo as operações de alienação e separação. Examina-se a fantasia de desaparecimento e discutem-se o êxito e o impasse da separação, quando esta se estabelece às custas de uma estratégia anoréxica.
2006
Silva,Alinne Nogueira Bastos,Angélica
A clínica psicanalítica das psicoses em instituições de saúde mental
Nosso propósito é refletir sobre a clínica psicanalítica das psicoses em instituições de saúde mental, tema que de um lado suscita questões e impasses para o método clínico psicanalítico e, de outro, contribui para renovar o lugar da descoberta freudiana. Abordaremos, primeiramente, a clínica das psicoses para, em seguida, refletir sobre a prática psicanalítica em instituições de saúde mental. Neste último segmento, daremos destaque aos depoimentos de psicanalistas atuantes em tais instituições; eles apontam para uma prática feita por muitos cujo foco incide numa clínica do sujeito. O modo de produção subjetiva se dá pela via da "trivialização", uma manobra preciosa usada pelos analistas e demais técnicos que compõem a equipe institucional para neutralizar a ação do delírio. Tal manobra exige do analista uma certa dose de invenção, espírito de humor e um certo desprendimento do desejo de interpretar.
2006
Monteiro,Cleide Pereira Queiroz,Edilene Freire de