Repositório RCAAP

Práticas educativas para a prevenção do HIV/AIDS: aspectos conceituais

A importância e complexidade do trabalho educativo voltado para prevenção do HIV demandam o constante aprofundamento de seus conteúdos. Do ponto de vista ideológico, é preciso levar em conta que, com a epidemia, a medicina alcança um terreno até então relativamente preservado do seu projeto hegemônico: a vida sexual das pessoas. Uma postura normatizadora coercitiva em relação a este campo pode levar a uma reação prejudicial à adoção de comportamentos mais seguros. Para evitar este tipo de prática, deve-se considerar a importância da participação e auto-responsabilização dos indivíduos na prevenção da infecção. O estado deve também assumir sua própria responsabilidade em garantir os meios de facilitação necessários à mudança de comportamentos. A partir destas premissas, o autor propõe três aspectos a serem avaliados no planejamento dos trabalhos educativos destinados à prevenção da AIDS: a informação a ser divulgada, e seus efeitos sobre os conhecimentos, percepções e atitudes da população frente ao HIV; a facilitação da resposta e a abertura de espaços para reflexão individual e coletiva.

O médico brasileiro José Pinto de Azeredo (1766?-1810) e o exame químico da atmosfera do Rio de Janeiro

José Pinto de Azeredo, do Rio de Janeiro, foi aluno de medicina em Edimburgo (1786-1788), aí realizando notável trabalho experimental. Apresentou em Leiden a dissertação de formatura, sobre a gota. Regressado ao Rio em 1789, já nomeado físico-mor de Angola, praticou no Brasil. Em 1790 foi para Luanda onde exerceu no Hospital Real e onde fundou uma "Escolla de Medicina" que não sobreviveu à sua saída para Portugal, em 1797. Em Lisboa trabalhou no principal hospital militar e como médico particular, até falecer. A sua obra escrita (uns 10 manuscritos e 5 publicações) merece ser tratada do ponto de vista da história da medicina. Em artigo publicado em 1790 sobre a qualidade do ar do Rio de Janeiro, evidencia capacidades de químico analista, interesse pelos efeitos dos diversos componentes do ar nos organismos e preocupações sobre a qualidade do ar do Brasil e da Europa.

Ano

2005

Creators

Pinto,Manuel Serrano Cecchini,Marco Antonio G. Malaquias,Isabel Maria Moreira-Nordemann,Lycia Maria Pita,João Rui

Por el bien de la economía nacional: trabajo terapéutico y asistencia pública en el Manicomio de La Castañeda de la ciudad de México, 1929-1932

El Manicomio de La Castañeda de la Ciudad de México, fundado en 1910, enfrentó hacia 1930 el problema de su masificación debido al elevado número de pacientes crónicos que hacían ver a la institución como un depósito de enfermos más que como un espacio terapéutico. Esta circunstancia condujo a la psiquiatría a su primera crisis de legitimidad como ciencia. Con el objetivo de combatir la leyenda negra en torno al manicomio, los médicos de La Castañeda promovieron la difusión en la prensa de un tratamiento de origen decimonónico que proyectaba la imagen pública de que los enfermos mentales podían tener la misma capacidad productiva que el resto de los hombres: la terapéutica por medio del trabajo. Esta propuesta contó con el apoyo del Estado emanado de la revolución mexicana porque el objetivo que guiaba la asistencia pública a los grupos más desprotegidos consistía en lograr su integración a la vida productiva del país a través del mercado, lo que se obtenía en el caso de los enfermos mentales a través de la terapia ocupacional.

Formas de administração da loucura na Primeira República: o caso do estado do Espírito Santo

A proposta deste estudo está inserida na problemática da constituição das instituições de administração da loucura e do louco na fase Primeira República. Pretende-se analisar as formas com que o poder público desenvolveu políticas de atenção ao louco, observando particularmente o caso de uma unidade da Federação - o estado do Espírito Santo -, notando se as características da experiência capixaba podem validar as hipóteses sobre o tema defendidas na esfera nacional. O estudo tem como objetivo mostrar a complexidade da articulação entre loucura, sociedade, medicina e Estado. A preocupação recai, especialmente, sobre a discussão do processo que transformou a medicina em saber e prática hegemônica de justificação e validação da tutela do louco pelo poder público.

Ética y medicina en Michel Foucault: la dimensión humanística de la medicina a partir de una genealogía de la moral

Este trabajo presenta una tesis doctoral leída en la Universidad de Salamanca y basada en los escritos de la última década de Foucault. Si escribiendo la Historia de la sexualidad su objetivo fue hacer una genealogía de la ética, analizándola, junto con los demás escritos suyos, mi objetivo es enseñar su última aportación a la historia de la medicina. Él parte de una concepción de poder sobre los demás hacia una concepción de poder sobre uno mismo, espacio exclusivo de la antigua moral griega. Como pensador que busca comprender los problemas de hoy yendo a sus raíces, más que historia Foucault hace filosofía de la historia. Considerado un antihumanista, él nos deja el retrato de una medicina absolutamente ético-humanística.

Ética e epidemiologia

As ações humanas acontecem na confluência de circunstâncias em meio às quais é preciso discernir o modo correto de agir. A ética situa-se no campo do saber prático, do conhecimento acerca do que é contingente. A ética é do domínio dos juízos morais ou juízos de valor. O desencantamento do mundo contemporâneo tem sua contrapartida no esforço para recompor o interesse pela ética. As relações entre saúde pública e direitos humanos são principalmente de três ordens: a busca do equilíbrio entre o bem coletivo e os direitos individuais; os métodos e técnicas para identificar as violações aos direitos humanos e avaliar seu impacto negativo; e, a vinculação entre proteção dos direitos humanos e promoção da saúde. As relações entre ética e epidemiologia vão além dos aspectos éticos relacionados à pesquisa em seres humanos. Desdobram-se em compromissos políticos, práticas nos serviços de saúde e produção de conhecimentos.

Globalização e ambientalismo: etnicidades polifônicas na Amazônia

O texto problematiza a globalização, suas contradições e os modos como ela orienta e configura as situações específicas encontradas na realidade amazônica atual, produzindo simultaneamente uma uniformização da produção econômica e a valorização das diferenças culturais. A discussão explora as nuanças da instalação de uma base produtiva massificada e padronizada que, paradoxalmente, promove a valorização das diferenças culturais, favorecendo alianças entre lideranças etnopolíticas de grupos indígenas amazônicos, de um lado, e ambientalistas e outros atores trans-mundiais de forte poder decisório, de outro. O texto analisa a rede de alianças do movimento indígena, enfatizando a polifonia dos diversos agentes políticos que se conflagram nesse cenário geopolítico contemporâneo.

Em torno de dois textos médicos antigos

Os textos aqui reunidos - Regimento proueytoso contra ha pestenença e Modus curandi cum balsamo - constituíam, por volta de 1530, a biblioteca médica conhecida em Portugal, posta em letras góticas por impressores estrangeiros: o alemão Valentim Fernandes, talvez o mais importante impressor do período, que trabalhou em Lisboa entre 1495 e 1518, e Germão Galharde, francês que exerceu seu ofício em Lisboa e Coimbra entre 1519 e 1560. O modus curandi, de que se passa a ter notícia em 1974, graças ao bibliófilo José de Pina Martins, é obra anônima. Atribui-se a Johannes Jacobi a autoria do Regimento proueytoso, que teve versões em latim, francês e inglês. Ambos os textos são apresentados em fac-símile e em português atual, reproduzindo-se o primeiro em português arcaico mas com caracteres tipográficos modernos. Complementa esta incursão filológica pela medicina quinhentista um erudito glossário de grande valia como ferramenta para a interpretação não só do Regimento proueytoso como de outros textos da época. Dois artigos colocam em perspectiva histórica os documentos aqui reproduzidos.

Regimento proueytoso e modus curandi: edição dos textos

O Regimento proueytoso contra ha pestenença e o Modus curandi cum balsamo são apresentados em edição fac-similar dos exemplares existentes, respectivamente, na Biblioteca Pública de Évora e na Biblioteca Nacional de Portugal. Ambos os fac-símiles receberam edições semidiplomáticas. Segue-se a essa transliteração para caracteres modernos uma tradução; no caso do Regimento, uma tradução intra-línguas, que modernizou o texto; no caso do Modus curandi, o texto latino recebeu tradução para o português atual. No presente texto explicam-se os critérios empregados na edição semidiplomática e, no caso do Regimento, na modernização do texto.

Ano

2005

Creators

Rosa,Maria Carlota Carvalho,Diana Maul de Teixeira,Dante Martins

Considerações gerais sobre o tratado Modus curandi cum balsamo

O Modus curandi cum balsamo é um texto breve, impresso em c.1530, escrito em baixo latim ibérico e de autor desconhecido. O que o torna importante à primeira vista é o fato de ter sido este um dos primeiros textos médicos impressos em Portugal. Mas definitivamente tem valores outros que sustentam até mesmo essa sua primazia. Apresenta um bálsamo, como o título indica, que é capaz de curar especialmente feridas profundas. Sua receita é peculiar, e mais peculiar ainda é o tom propagandístico do breve tratado. Além da receita, fornecem-nos recomendações de como aplicá-lo, especialmente no crânio, do qual se fala de uma ferida que vai da dura-máter à 'substância' da cabeça, e tal ferida, segundo o tratado, deve ser previamente drenada para a aplicação do bálsamo.

Ano

2005

Creators

Vieira,Ana Thereza Basílio Cairus,Henrique

Edição semidiplomática

No summary/description provided

Ano

2005

Creators

Rosa,Maria Carlota Carvalho,Diana Maul de Teixeira,Dante M.

Regimento proveitoso contra a pestilência (c. 1496): uma apresentação

O texto apresenta e analisa o Regimento proveitoso contra a pestilência, obra escrita por volta de 1496 em Portugal. A abordagem faz uma contextualização da obra, inserindo-a nas principais teorias vigentes então e nas correntes médicas medievais, baseadas na tradição árabe.

Ano

2005

Creators

Sousa,Jorge Prata de Costa,Ricardo da

O regimento contra a pestilência e a receita do bálsamo: alguns comentários à luz da 'medicina científica'

O Regimento proueytoso contra ha pestenença e o Modus curandi cum balsamo são provavelmente os primeiros textos impressos em Portugal referentes à prevenção e ao tratamento de doenças. Sua autoria e contexto histórico são discutidos em outros artigos desta revista. Destacamos algumas questões relativas ao 'discurso médico' presente nesses textos, contrastando-os com outros do século XVIII. Os autores setecentistas escolhidos são dois portugueses, Luiz Gomes Ferreyra e João Curvo Semmedo, e um inglês, John Huxham, autor de Tratado sobre as febres, que inclui extensa discussão sobre a varíola, a 'pestilência' do século XVIII na Europa. Estas obras, escritas nos primórdios da 'medicina científica', representam, a nosso ver, uma ponte entre os textos medievais/renascentistas e os compêndios médicos atuais. Permitem apontar questões relevantes para a discussão das orientações terapêuticas e dos critérios diagnósticos presentes nos documentos.

Regimento proueytoso contra ha pestenença: glossário

O presente glossário tem por objetivo principal servir de auxiliar na compreensão do Regimento proueytoso contra ha pestenença e, por essa razão, nele estão todos os vocábulos presentes no texto. Como, no entanto, pode ser de interesse para aqueles que trabalham com História da Língua Portuguesa, nele se incluíram também informações sobre a grafia e sobre a forma de origem de todo o vocabulário.

História das primeiras instituições para alienados no Brasil

Este artigo apresenta os resultados de pesquisa sobre a institucionalização dos alienados em cinco províncias brasileiras: São Paulo, Rio Grande do Sul, Maranhão, Pernambuco e Pará. Analisaram-se relatórios dos presidentes dessas províncias durante o Segundo Reinado, entre 1846 e 1889. Nesses documentos a alienação mental é considerada como uma doença especial e se aponta que o lugar dos loucos não é entre os demais doentes, mas tampouco nas cadeias. Notáveis são ainda os registros de pressões da sociedade no sentido de sua internação. Os políticos incorporaram o discurso médico sobre a alienação mental, mas, diante das suas descrições dos Hospícios, evidencia-se a contradição entre um suposto projeto de assistência, baseado em pressupostos pinelianos, e a prática de simples reclusão realmente efetivada.

Ano

2005

Creators

Oda,Ana Maria Galdini Raimundo Dalgalarrondo,Paulo

A Casa de Geraldo de Paula Souza: texto e imagem sobre um sanitarista paulista

O presente texto busca estudar um capítulo importante da institucionalização da 'ciência aplicada' no Brasil. Não se trata de um estudo dos pressupostos ou paradigmas científicos, mas de imagens da história da institucionalização da ciência em São Paulo. O texto trata de uma instituição fortalecida ao longo de várias décadas, sob uma liderança que Robert K. Merton chamaria de 'catalisadora'. Através do riquíssimo material iconográfico deixado pelo médico sanitarista Geraldo Horácio de Paula Souza foi possível reconstruir um período importante da atuação profissional desse grande sanitarista à frente do Instituto de Higiene - embrião da atual Faculdade de Saúde Pública da USP - e os primeiros tempos de criação dessa instituição paulista.

Símbolo do coração

A simbologia foi criada pelo homem pela necessidade de expressar através de objetos ou formas sua religião ou sua arte visual. Muito antes da descoberta da função de bomba impulsionadora do sangue, o coração foi tido como centro da vida, da coragem e da razão. Seu símbolo é o mais universal. De onde, e, quando, surgiu essa representação, sempre despertou a curiosidade dos historiadores, vez que pouco tem a ver com o coração anatômico. Para alguns, sua origem deve-se à semelhança com a folha da hera, que na Antiguidade representava o símbolo da imortalidade e do poder. Abordamos a curiosa origem do símbolo e a finalidade para a qual foi criado.

Armando Magalhães Corrêa: gente e natureza de um sertão quase metropolitano

O texto examina o pensamento social e ambiental de Armando Magalhães Corrêa (1889-1944), conforme expresso no livro O sertão carioca (1936). Mostra-se que ele fez parte de uma geração de conservacionistas pioneiros do Brasil, a qual, ao contrário do que geralmente se pensa, soube integrar as dimensões social e natural, aproximando a necessidade de defender a natureza do imperativo de melhorar as condições de vida dos habitantes do interior brasileiro. Ao focalizar as populações do entorno rural da cidade do Rio de Janeiro por volta de 1930, o autor capta num microcosmo as distâncias sociais e culturais entre urbanos e sertanejos brasileiros. Descreve com acuidade o meio natural de uma área em grande parte urbanizada que vai da baixada de Jacarepaguá à Pedra de Guaratiba. Trata das atividades produtivas dos seus habitantes e faz sugestões políticas conservacionistas que vieram a influenciar as políticas governamentais.

Ano

2005

Creators

Franco,José Luiz de Andrade Drummond,José Augusto