Repositório RCAAP

A fábrica de chapéus de S. Sebastião

<p>Comemorando-se, no ano de 1999, o 2.º centenário do nascimento do escritor Almeida Garrett, decidimos contribuir para a sua comemoração dando a conhecer melhor uma fábrica de chapéus, situada no Porto, a que se encontrava ligado por laços familiares.</p>

A guerra civil de Espanha e o exôdo para Vila do Conde

<p>Vila do Conde terra linda e hospitaleira situada num eixo de intensa mobilidade, distando cerca de 20Km da cidade do Porto, a urbe nortenha mais populosa e rica, e à volta de 100Km da zona raiana da Galiza, constituiu um porto de abrigo seguro e agradável para um número significativo de espanhóis, que num momento de atroz dramatismo e violência tiveram apressadamente de se despedir da pátria, na ânsiade encontrar guarida, paz, refúgio e tranquilidade.</p>

O 2.º Inquérito à Emigração (Sociedade de Geografia de Lisboa, 1909-1915)

<p>Em 1880, a Sociedade de Geografia de Lisboa propusera a o governo a realização de um grande inquérito à situação dos emigrantes portugueses fixados em colónias de livre emigração, cujos resultados a própria S. G. L. viria mais tarde a julgar muito incompletos, lançando Ernesto de Vasconcellos a responsabilidade por tal facto aos próprios emigrantes radicados em diversos pontos do mundo: "Foram muito incompletas as informações que, em consequência daquela exposição, se recolheram dos nossos funcionários consulares, a pesar das instantes recomendações do Governo, mas dada a relutância dos nossos compatriotas em se inscreverem nos respectivos consulados, não se pode exigir mais desses funcionários".</p>

Da tradição musical portuense. Círiaco de Cardoso – notas biográficas

<p>A música nunca trouxe fortuna a ninguém e muito menos em Portugal onde esta arte é vista como uma actividade apenas ao alcence de uma restrita élite economicamente desafogada, com acesso a aulas e a concertos. Vista muitas vezes como uma mera actividade de lazer, apenas alguns olharam para ela como uma profissão, que se estendia frequentemente para além das aulas particulares aos filhos daqueles que delas podiam desfrutar, e que enchiam os salões de sons e de movimento, traduzindo por vezes um estado de espírito, uma doce sensação de inconsciência, de que a beleza do momento jamais iria passar.</p>

Cooperativismo e electrificação rural a cooperativa eléctrica do Vale D'Este

<p>Luz e sombras! Viajemos, num golpe de asa, aos inícios do século XX, quando a electricidade se propaga como energia de iluminação. Luz para a cidade, que se assume como um clarão, ao lado do manto de trevas nos campos que a rodeiam. Se as casas urbanas se iluminam, se as ruas se tornam claras de noite para o trânsito de pessoas e de viaturas e para criar condições de segurança, se a os poucos as montras das lojas de comércio emergem como quadrículas mágicas com luz própria que projectam raios para o consumidor, a ruralidade envolvente da urbe continua imersa na escuridão, espaço fértil de fantasmas e fantasias na inquietude que se segue a o pôr-do-sol.</p>

Reflexão sobre fontes para o estudo dos burgueses do Porto na segunda metade do século XIX

<p>O estudo de um grupo social num espaço e num tempo determinados implica a necessidade do seu recenseamento, de limitação e caracterização. Tendo escolhido a burguesia como objecto de estudo e recusando partir de um grupo pré-definido (negociantes por hipótese) ou da escolha prévia de características determinantes do conjunto (instrução, riqueza, etc.), tornou-se imperativo metodológico utilizar abordagens tão diversificadas quanto as fontes disponíveis o permitissem. A variedade de origens da documentação utilizada, e dos objectivos subjacentes à sua elaboração, é condição necessária para que seja possível a confrontação dos elementos obtidos no estudo de cada um dos grupos documentais seleccionados</p>

A Beira Interior no contexto da fronteira luso-espanhola alguns aspectos que marcaram a sua evolução na 2 .ª metade do século XX

<p>Nos últimos anos tornou-se claro que Portugal já não era um dos países que, juntamente com a Espanha e a Itália, constituíam a reserva demográfica da Europa. Pelo contrário, a sua reduzida expressão numérica, um moderado ritmo de crescimento, mas a tender para o declínio, com níveis de fecundidade e de envelhecimento próximos dos valores europeus, em bora a mortalidade infantil ainda esteja acima da média, mostram um país que já fez a sua transição.</p>

La mort en Alentejo au XVIII siecle

<p>Comme l'évoquait Albert Silbert, l'Alentejo n'a pas connu de révolution démographique au XVIII siécle . Avec 300.000 habitants sur 26.000 km2 , soit en gros le dixiéme de la population sur plus du quart de la superficie, il constitue au sein du Portugal une zone d'accueil, non seulement pour une main d'oeuvre temporaire qui parfois s'y fixe, mais aus i en cas de colonisation program mmée, telle l'implantation des Açoriens au temps de Pombal.</p>

Demografia açoriana. Actualidade e perspectiva

<p>Propusemo-nos tratar, em traços muito gerais, a actualidade e algumas perspectivas de evolução futura da população açoriana, tendo em vista o desenvolvimento desta região insular, salientando a variável demográfica que julgamos ser neste momento fundamental equacionar – a mobilidade.</p>

Prospectiva do envelhecimento demográfico na União Europeia

<p>A importância estratégica quantitativa e física dos países em vias de desenvolvimento, as causas e as consequências da evolução demasiado rápida da sua população (quase cem milhões de habitantes em cada ano) fizeram com que durante muito tempo a atenção de todos os que se preocupam com a prospectiva da Europa Social estivesse quase exclusivamente concentrada num conjunto limitado de questões. Foram as questões relacionadas com a regulaçã o dos nascimentos, da distribuição especial da população, do fenómeno urbano e da nova cidadania, dos recursos renováveis e não renováveis que prenderam a atenção da opinião pública, do poder político e dos cientistas sociais.</p>

Sobre a demografia escolar (II)

<p>Em artigo anterior referimos alguns dos aspectos relativos ao interesse e à importância da demografia escolar, não como ciência autónoma mas sim como ramo especializado da demografia social. Recordámos igualmente o significado da evolução dos efectivos escolares associando-os quer aos movimentos da população quer ao processo de democratização do ensino. Concluímos esse texto recorrendo, de novo, a este assunto precisando o cálculo de alguns dos indicadores que no seu conjunto permitem conhecer a demografia interna do sistema educativo.</p>

O crescimento urbano no Portugal oitocentista

<p>No dealbar do século XIX Portugal continuava a ser sobretudo um País de vilas e aldeias, onde não abundavam cidades, sobretudo as de média e grande dimensão. De acordo com as estimativas efectuadas a partir do numeramento realizado em 1801, a penas cerca de um décimo dos portugueses residia em núcleos com funções urbanas. Mau grado o arranque verificado na segunda metade de Oitocentos, esta relação pouco se alterou até terminar a centúria. Quando comparado com outros estados europeus, o claro desfazamento português em termos de urbanização resultou de várias condicionantes de foro político-administrativo e sobretudo económico, que entravaram o desejável e possível processo de evolução da frágil rede urbana nacional.</p>

A situação demográfica portuguesa no contexto da união europeia no início dos anos noventa

<p>No início da década de noventa a população da União Europeia rondava os 346 milhões de habitantes. A primeira grande característica que encontramos é a existência de uma grande desigualdade nos volumes populacionais dos diferentes países. Na realidade, o país com o maior volume populacional é a Alemanha com 80 2 74 600 habitantes (23,2% do total). segue-se um conjunto de três países com cerca de 57 milhões de habitantes – a Itália com 57 788 200 habitantes (16,7% do total), o Reino Unido com 57 686 100 habitantes (16,7% do total) e a França com 57 217 5OO habitantes (16 % do total). A Espanha vem em quinto lugar com 39 055 900 habitantes (11 ,3% do total). Estes cinco países, no seu conjunto, representam 84,3 % do total da população da União Europeia cabendo aos restantes sete países apenas 15, 7% da população. Um segundo bloco de países tem um volume ao qual podemos chamar de dimensão média na m e d i d a e m têm u m total d e habitantes, e m números redondos, entre os 10 e os 15 milhões de habitantes. Por ordem de importância temos: a Holanda com 15 129 200 habitantes (4,4% do total), a Grécia com 10 279 900 habitantes (3,0% do total), a Bélgica com 10 022 000 habitantes (2,9% do total) e Portugal com 9 846 000 habitantes (2,8% do total). Finalmente, os restantes três países – a Dinamarca, a Irlanda e o Luxemburgo – no seu conjunto, não ultrapassam os 10 milhões de habitantes.</p>

A grande viragem do presente e suas consequências: de Portugal rural para Portugal urbano

<p>O Portugal do Estado Novo era paradigma da ruralidade , pelo menos de duas maneiras: na realidade objectiva e na imagem que os seus dirigentes entendiam dele projectar, ao mesmo tempo no exterior e no interior do país. Era-o na realidade objectiva , na medida em que a população urbana continuava a ser nitidamente minoritária , como sempre tinha sido até então. Além disso, estava concentrada em poucos núcleos, quase todos de dimensões reduzidas. Eram afinal pouco visíveis no conjunto da paisagem nacional, sobretudo naquele tem pode deslocações lentas e difíceis, em que eram necessárias muitas horas, em comboios antiquados, para ir e vir de Lisboa ao Porto, ou para chegar da fronteira a qualquer cidade.</p>

A população portuguesa em finais do século XVIII

<p>Se o século XVIII, na sugestiva frase de Mols, é a primeira época a ressentir-se "da fascinação dos numerosos exactos” , tal não parece aplicar-se a Portugal. Com efeito, a o longo de quase todo o Setecentismo português, os números não surgem como dados rigorosos, estatísticos, enquanto expressão de uma mentalidade quantitativa , mas como conjuntos de algarismos representativos dos factos sociais, que permitem , apenas , estimar, ainda que grosseiramente, os tributos a recolher e os efectivos a recrutar.</p>

A classificação sócio-profissional: uma questão em aberto

<p>Este pequeno trabalho visa levantar algumas das questões relacionadas com a classificação socio-profissional, assunto com que, mais cedo ou mais tarde, se defrontam necessariamente os historiadores e demógrafos quando tentam apreender uma realidade demográfica, social e económica passada . A apreensão desta realidade é, em si, o objecto de um qualquer estudo da área da História Económica e Social, e é nesse sentido que a classificação socio-profissional assume toda uma actualidade indiscutível. Se não se tentasse a elaboração de classificações das profissões, esta ríamos "a sacrificar uma das razões d e ser da própria Demografia Histórica, ou seja, a esperança de descobrir como se interpenetram e mudam, no decorrer do tempo, factores económicos, sociais e demográficos". Quando falamos de "classificação sacio-profissional", menciona mos aqui não só a listagem , mas o reagrupamento, agregando as profissões, de modo a que um qualquer quadro d e profissões ganhe conteúdo sintético e riqueza informativa imediata. Um quadro baseado sobre as denominações profissionais não agregadas, é ilegível.</p>

Correntes de opinião pública e emigração legal no distrito de Aveiro (1882-1894)

<p>Como fenómeno estrutural e endémico em Portugal, a emigração tem constituído um autêntico "espaço laboratorial", de estudo e investigação interdisciplinares. em múltiplas abordagens e interpretações, sobretudo e tradicionalmente de génese macroscópica sob o ponto de vista de enquadra mentos explicativos de movimentações de pessoas e capitais, na resolução de problemas económicos em pólos de atracçã o e de repulsão. Ao assumir quantitativos como os verificados na época oitocentista, principalmente nos últimos decénios do século passado, o fenómeno é chamado cada vez mais para a praça pública e política.</p>

População e Sociedade n.º 1

<p>A primeira edição da revista "População e Sociedade" publica as actas do I Encontro "População Portuguesa. História e Prospectiva", organizado pelo CEPESE em 1994, e inclui artigos sobre a situação demográfica portuguesa no contexto da União Europeia no início dos anos 1990, a população portuguesa em finais do século XVIII e nos séculos XIX e XX, a situação demográfica da família nos Açores, a imprensa enquanto fonte para a história da população, família e educação familiar, e gerações e esperança de vida.</p>

Ano

2012

Creators

Manuel Nazareth François Guichard † Fernando de Sousa Teresa Rodrigues Gilberta Rocha Henrique David Maria Norberta Amorim Lorenzo Lopéz Trigal Celso Almuiña Fernández Jorge Carvalho Arroteia José Alberto V. Rio Fernandes Maria da Graça David de Morais Paula Guilhermina de Carvalho Fernandes Maria Teresa Braga Soares Lopes José João Maduro Maria Rita Ribeiro Juan B. Vilar

The Internationalization of Portuguese Historiography: Basic Data and Educated Guesses

<p>My discussion of the proposed topic will rest on two assumptions.</p> <p>First: historiography is about the writing of History; internationalization is about the boundaries of its writing, of its reading and of its usefulness. So, whatever other dimensions one may discuss of the internationalization of Portuguese historians or institutions, they should be seen as a means to an ultimate end, that of placing historical research carried out by Portuguese institutions under the gaze and in the minds of the international scholarly community. No amount of networking, project sharing and conference attending will do the trick unless it translates to frequent publications by Portuguese-based authors in widely accessible international scholarly media. Nor will (self) complacent remarks about the international quality of Portuguese historians, as long as we remain protected from international scrutiny behind the national and linguistic borders of the media that convey our writings.</p>

The Political History of Twentieth-Century Portugal

<p>The political history of twentieth-century Portugal has recently become the focus of intense research by historians of that country. This article attempts both to summarise the political developments of the period and to provide an English-language readership with an introduction to the on-going debate. This debate is driven to a great extent by the attempt to explain the reasons for the longevity of Salazar´s New State and by the attempt to place it within a broader European context. As a result, the regime immediately preceding the New State, the First Republic, has been somewhat neglected by Portuguese historians.</p>