Repositório RCAAP
Geração e difusão de conhecimento em sistemas locais de produção.
Esse trabalho teve por objetivo contribuir para o entendimento das novas dinâmicas de criação, difusão e exploração de conhecimento a partir da análise de dois SLPs de cerâmica de revestimento, um Santa Gertrudes/SP e outro em Criciúma/SC. Para compreender este fenômeno foi realizado um estudo exploratório em que foram identificadas a estrutura produtiva e de comercialização de algumas empresas, as formas de governança e o arcabouço institucional dos SLPs, bem como os processos de aprendizagem ocorridos entre os agentes ao longo do tempo. Apesar do escopo do trabalho estar mais relacionado com a geração de conhecimento via interação, a pesquisa também buscou investigar os processos de aprendizagem gerados a partir de fontes internas de conhecimento, isto é, aquelas em que o conhecimento pode ser gerado dentro da firma. O modelo interativo de inovação ressalta a relevância da cooperação entre firmas e demais instituições e, portanto, o papel dos vínculos e redes envolvendo diferentes organizações. Assim, ficou evidente que o conhecimento externo é um input essencial ao processo de geração de novos conhecimentos. O conhecimento nesses SLPs resulta das interações entre agentes heterogêneos capazes de aprender e estabelecer redes de relações, embora em um limitado espectro de atividades, mas enraizada em um espaço técnico e de produção limitados onde cada agente acumula competência por meio de processos de aprendizagem através de rotinas e de uso (learning-by-doing e learning-byusing). As chances de que seja gerado um novo conhecimento depende dos níveis de acumulação de habilidades e competências, educação e acesso à informação de outros agentes tanto de fora como internos aos SLPs. Esses agentes estão espalhados no espaço e cada um possui partes de conhecimento que podem se complementar.
Fatores críticos de sucesso de projetos automotivos com fornecedores: estudo de casos de desenvolvimentos sucessivos de painéis para veículos comerciais.
O desenvolvimento da Indústria Automobilística mundial como também a brasileira, se caracteriza pela importância cada vez maior de projetos conjuntos entre montadoras e seus fornecedores, os quais passaram de meros fornecedores de componentes, para parceiros de desenvolvimento e tecnologia, compartilhando investimentos e riscos, tornando a gestão dos projetos com fornecedores um fator estratégico de suma importância para as montadoras. Para pesquisar a evolução dos fatores críticos de sucesso na Gestão de Projetos Automotivos no Brasil, foram estudados 3 projetos sucessivos de desenvolvimento de painéis para veículos comerciais, ocorridos em uma grande montadora no período de 1988 a 2002. Baseado em avaliações bibliográficas relativas à Qualidade, à Gestão de Projetos e à Gestão de Fornecedores, definiu-se pela utilização do modelo de excelência do EFQM, o Project Excellence Model para pesquisa e classificação dos fatores críticos de sucesso dos projetos. Participantes desses três projetos e stakeholders nos diversos níveis hierárquicos da montadora e dos fornecedores foram entrevistados e através da metodologia dos incidentes críticos, levantados os principais fatores positivos que levaram à sucessos e fatores negativos que ocasionaram insucessos ao projeto. A classificação desses fatores através de Critérios e Categorias permitiu a comparação sistemática dos projetos e a definição dos fatores críticos de sucesso e dos fatores de sucesso. Pesquisas na literatura e consultas aos autores e a participantes de projetos de desenvolvimento de painéis em outras montadoras mostraram tendências semelhantes aos dos três projetos, realçando o aumento das responsabilidades dos fornecedores pelo desenvolvimento e fornecimento de sistemas com base na engenharia simultânea e codesign. Estas pesquisas mostraram a aplicabilidade dos Critérios do Project Excellence Model para a classificação dos fatores críticos na gestão dos projetos e a necessidade de uma subdivisão destes em Categorias.
Barreiras e facilitadores na transferência de tecnologia para o setor espacial: estudo de caso de programas de parceria das Agências Espaciais do Brasil (AEB) e dos EUA (NASA).
O grau de exigência da sociedade no atendimento das suas necessidades vem aumentando progressivamente, bem como a complexidade tecnológica dos bens e serviços oferecidos. Para se atender a essa acelerada evolução, o processo de inovação tecnológica precisa atingir um nível de eficiência e eficácia que articule todos os atores do processo de inovação em redes de cooperação, pois já não há mais lugar para o trabalho organizacional solitário. No novo cenário, há necessidade de parcerias para que novos produtos e processos atinjam a sua verdadeira utilidade, que é a melhoria da qualidade de vida da humanidade. Nesse contexto, o setor espacial tem um papel de destaque, seja por meio da monitoração climática ou até de equipamentos de medicina preventiva, desenvolvidos a partir de tecnologias espaciais. Assim, o Brasil tem utilizado o programa de parceria Uniespaço, sob coordenação da Agência Espacial Brasileira (AEB), para transferir tecnologias para o seu setor espacial. Com base na experiência internacional dos programas espaciais e do levantamento da literatura, este estudo parte do pressuposto de que a eficácia da transferência de tecnologia (TT) nos programas de parceria pode ser alcançada mediante a superação de barreiras existentes no processo, por intermédio de elementos facilitadores. Desta forma, a pesquisa teve por objetivo identificar os fatores críticos entre atores no processo de TT, a partir de estudos de 05 projetos de parceria do programa Uniespaço. As organizações geradoras da tecnologia foram três instituições de ensino superior e quatro institutos de Pesquisa & Desenvolvimento (P&D), tendo como usuários o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e o Instituto de Aeronática e Espaço (IAE). Além desse programa, foi estudado o programa de parceria inovativa (PPI) da NASA, identificando o arranjo organizacional e os fatores que fomentam a TT entre os atores do sistema setorial de inovação e produção espacial dos EUA. O presente trabalho teve como resultado principal a elaboração de dois modelos conceituais; o primeiro focando a TT entre gerador e usuário em termos dos fatores críticos obtidos na pesquisa, dentre eles o nível de maturidade tecnológica, adaptação da nova tecnologia versus a cultura tecnológica do usuário, e capacitações de absorção tecnológica e inovativa, e o segundo modelo como resultado da formação de parcerias e do impacto dos demais atores sociais envolvidos nos processos de TT.
2008
Roberto Roma de Vasconcellos
Uma proposta de heurística para solução do problema de cobertura de rotas com cardinalidade restrita.
A necessidade de redução de custos logísticos tem obrigado as empresas a colaborar entre si. O problema de logística colaborativa aqui enfocado é assim definido: identificar ciclos (ou seja, um percurso fechado) em um conjunto de rotas de carga de lotação (onde o caminhão coleta carga em um ponto e vai diretamente ao local de descarga, pois é completamente preenchido) de vários embarcadores de forma a minimizar o reposicionamento (isto é, viagens sem carga útil) de caminhões, dado que o subconjunto de rotas de um determinado embarcador pode conter rotas que complementam aquelas de outro. Desta maneira, vários embarcadores combinados podem oferecer aos transportadores um conjunto de ciclos com movimentação regular de veículos com carga completa e com mínimo reposicionamento. Esse problema pode ser modelado como um problema particular de cobertura de conjuntos com restrição de ciclos, o problema de cobertura de rotas com cardinalidade restrita (PCRCR), que é NP-Hard. Este estudo apresenta uma heurística alternativa que obtém resultados, em média, 1,74% melhores que a literatura existente, além de solucionar instâncias maiores. Ademais, o tempo de execução da heurística cresce de forma polinomial em função do tamanho do problema, ao contrário dos demais métodos aqui avaliados, que possuem comportamento exponencial.
O trade-off entre os buffers de capacidade de produção e de estoque.
Este trabalho propõe um método de análise do trade-off entre o buffer de capacidade de produção e o buffer de estoque, necessários para garantir o bom desempenho de um sistema sujeito a variações de demanda. A análise envolve a definição de um sistema de produção e a construção de um modelo de simulação. A simulação é realizada num sistema formado por uma única estação de trabalho, com mix de 10 produtos, controlados por um sistema kanban, que é considerado por muitos autores inadequado para operar em ambientes cuja demanda não é estável. Os resultados mostram que o buffer de capacidade proporciona vantagens operacionais e de custo ainda que sujeito a maiores níveis de variação de demanda.
Práticas de produção enxuta no contexto da construção e manutenção de redes de distribuição de utilidades.
Esta dissertação considera a atuação das empresas responsáveis pelas redes de distribuição de água, energia elétrica e gás natural denominadas Redes de Distribuição de Utilidades (RDUs) como sistemas produtivos, com o propósito de conhecer e avaliar a maneira como os esforços de melhoria da produtividade são conduzidos em busca de metas como maior qualidade, menor custo e menor prazo de entrega ao cliente. Este estudo é desenvolvido tomando-se como referência o modelo da produção enxuta, desenvolvido pela Toyota Motor Company do Japão, fundamentado no princípio de buscar o aumento da produtividade por meio da identificação e eliminação de desperdícios. Embora originalmente disseminada na cadeia da indústria automobilística, a adoção e adaptação da abordagem de melhoria de processos deste modelo têm sido consideradas em diferentes setores. Assim, o presente trabalho tem como motivação explorar as possibilidades de estender a aplicação de conceitos e práticas da produção enxuta em empresas de RDU. Primeiramente, a cadeia de valor das RDUs é analisada, e são escolhidos dois processos construção e manutenção para o desenvolvimento do estudo. Em seguida, é apresentada uma revisão bibliográfica, a partir da qual um conjunto de dezenove práticas enxutas possivelmente aplicáveis aos processos escolhidos é identificado. Por meio de três estudos de caso, analisa-se em que medida as empresas responsáveis pelas RDUs aplicam tais práticas enxutas em seus processos, e em que medida a aplicação atual ou uma possível aplicação futura de cada prática enxuta é motivada pelo pensamento enxuto. Com base nos dados levantados na pesquisa de campo, as práticas consideradas são avaliadas quanto ao potencial de efetiva aplicação em cada processo, levando-se em conta o objetivo de eliminação de desperdício. O estudo possibilitou verificar que todas as dezenove práticas são aplicáveis a pelo menos um dos processos considerados, sendo a maioria aplicável a ambos.
Externalidades positivas locais e diversificação industrial: uma análise dos serviços de tecnologia da informação na região metropolitana de São Paulo
Esta dissertação tem como objetivo investigar as externalidades positivas geradas pelas regiões diversificadas através de uma análise dos serviços de Tecnologia da Informação (TI) presentes na Região Metropolitana de São Paulo (RMSP). Ou seja, busca apresentar os elementos da diversificação e evidenciar as formas como essas vantagens se manifestam no ambiente. Essa análise se fundamenta no pressuposto de que tais espaços devem ser entendidos de forma distinta dos ambientes especializados, já estudados no Brasil. Nos ambientes diversificados as formas mais importantes de transferência de conhecimento estão fora da indústria. Nessas localidades, a heterogeneidade promove benefícios que incluem: oportunidades para imitar, compartilhar e recombinar ideias e práticas através da indústria e a possibilidade de troca e fertilização cruzada de ideias. Além disso, o melhor funcionamento da infraestrutura, a proximidade dos mercados, o acesso aos serviços especializados são fatores adicionais que geram benefícios para os agentes. Dentro desses ambientes o contato face a face é um dos elementos fundamentais para o entendimento dessas regiões. O contato face a face é uma forma de tecnologia de comunicação que resolve problemas de incentivos, confiança e socialização. Esse contato, além de transferir conhecimento, permite observar e selecionar indivíduos. Adicionalmente, um fenômeno importante da análise das regiões diversificadas são as buzz cities. Estas são cidades com grande diversidade produtiva e social, altamente urbanizadas. Essas cidades colocam indivíduos qualificados em contato uns com os outros. Dessa forma, para atingir o objetivo proposto dois passos foram realizados. Em primeiro lugar, foi apresentada uma revisão sobre as principais características de formação e desenvolvimento das atividades de serviços de TI no Brasil, conjuntamente com um levantamento de informações e dados sobre o setor. Essa análise permitiu observar uma forte concentração das atividades na microrregião de São Paulo. A concentração das atividades de TI é entendida como parte do processo de formação histórica da indústria. No Brasil, as atividades de TI se desenvolveram a partir da associação com os setores econômicos que demandavam capacitações tecnológicas cada vez mais complexas de seus fornecedores. Em segundo lugar, foi realizada uma pesquisa de campo com o propósito de evidenciar algumas das principais vantagens da diversificação industrial. A partir dos resultados alcançados observa-se a presença de externalidades próprias da diversificação industrial, que envolvem trocas de conhecimento entre diferentes agentes e possuem importantes implicações para empresas, como as oportunidades de acesso à mão de obra especializada e altamente concentrada na região e as redes de relacionamentos geradas entre as empresas de TI, os usuários e os fornecedores de tecnologia. Nesses ambientes, o contato face a face é um dos fatores fundamentais para a consolidação das empresas em um mercado altamente pulverizado, que envolve conhecimentos complexos. Além disso, percebe-se que as buzz cities geram importantes elos para a consolidação das empresas, fazendo com que as forças de aglomerações sejam reforçadas pela transmissão de conhecimento intersetoriais.
Economia criativa e seus indicadores: uma proposta de índice para as cidades brasileiras.
Nos tempos atuais, cada vez mais tem se discutido sobre a importância da Economia Criativa para países e regiões. De fato, praticamente toda atividade humana utiliza-se em alguma medida da criatividade, por isso, existe um movimento nos últimos anos para reconhecer em determinadas atividades conteúdo intelectual, cultural e artístico que agregam valor a bens e serviços. A partir dos anos 2000 surgiram diversas metodologias cujo objetivo era mensurar a Economia Criativa, isso despertou grande interesse dos governos locais e nacionais, pois isso poderia ser usado para direcionar esforços e investimentos públicos com a finalidade de alavancar o desenvolvimento econômico local. Dentre as metodologias lançadas, uma das primeiras, o Índice das Cidades Criativas desenvolvido por Richard Florida gerou grande repercussão na comunidade acadêmica e civil com a utilização de diversos indicadores divididos em três dimensões, Talento, Tecnologia e Tolerância (os 3 Ts). Diversas outras metodologias desenvolvidas posteriormente com o objetivo de mensurar a Economia Criativa foram fortemente influenciadas pela estrutura dos 3 Ts. Contudo, existe uma grande dificuldade para replicar qualquer uma dessas metodologias para as cidades brasileiras, em razão de diversos motivos, dentre eles a inexistência de dados públicos referentes aos indicadores utilizados. Com o objetivo de equacionar essa dificuldade, esse trabalho se propôs a identificar, a partir de quarto indicadores internacionais pré-selecionados, quais os dados que serão utilizados e compará-los aos existentes no Brasil, através da proposta de um índice chamado de Índice da Economia Criativa Brasileiro (IECBr). Após essa análise, foram escolhidas sete cidades (São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba, Brasília, Salvador, Fortaleza e Belém) para medir a Economia Criativa dessas regiões. Após o cálculo do IECBr foram utilizadas duas ferramentas estatísticas, o Coeficiente de Correlação de Pearson e a Análise de Clusters. A primeira ferramenta mostrou que existiam alguns indicadores contrários aos demais indicadores da mesma dimensão, por isso, optou-se por calcular novamente o índice sem esses indicadores. Por fim, foi utilizada a segunda ferramenta estatística para mostrar que as cidades escolhidas formariam dois grupos distintos, um grupo contendo as cidades do Sul e Sudeste do país e outro contendo as cidades das outras regiões.
2014
George Felipe Bond Jäger
Sistemas locais de produção e cadeias produtivas globais: estudo das diversas formas de inserção da indústria de móveis nos mercados e os impactos nas estruturas produtivas locais.
Este trabalho analisa como ocorre a interação entre Sistemas Locais de Produção (SLPs) e as cadeias produtivas globais, com vistas a identificar quais os impactos para a estrutura produtiva local das diversas formas de inserção das empresas nos mercados. Assim, tanto elementos endógenos aos SLPs, quando elementos exógenos foram analisados. Para se compreender este fenômeno foram identificadas as trajetórias de desenvolvimento (escolhas tecnológicas, de produtos, estratégias de negócio e as estruturas organizacionais) e as capacitações (conhecimentos, habilidades, práticas e rotinas) adquiridas pelas empresas ao longo do tempo, as formas de organização e atuação dos agentes locais e dos agentes não-locais. O levantamento de campo foi realizado com empresas da indústria de móveis de dois SLPs: Bento Gonçalves (RS) e São Bento do Sul (SC). Estas duas localidades foram escolhidas pois além de terem importante participação na produção e exportação de móveis do país, apresentam trajetórias de desenvolvimento diferentes. As empresas localizadas em SLPs que comercializam os produtos a partir de diversos canais de comercialização, apresentam estrutura produtiva bastante heterogênea e as capacitações internas desenvolvidas são diversas. Devido a tal configuração há abertura para atuação dos organismos de apoio que desenvolvem diversos projetos para apoiar o desenvolvimento das capacitações das empresas. Já as empresas localizadas em SLPs cujo canal de colocação dos produtos no mercado é a partir de agentes de exportação, têm estrutura produtiva mais homogênea e as capacitações desenvolvidas são centradas em áreas produtivas. Assim, a abertura para atuação dos organismos locais não existe e as ações que são implementadas são inócuas. Portanto, os agentes não locais influenciam diretamente na competitividade das empresas e nos limites ao desenvolvimento local.
Contribuições da ergonomia para a melhoria do trabalho e para o processo de emancipação dos sujeitos.
Esta dissertação foi idealizada a partir da busca de elementos que permitissem a introdução de melhorias duradouras e de maior porte nas organizações através da ergonomia. Os principais objetivos foram, primeiro, analisar os benefícios do desenvolvimento de ações ergonômicas em um nível mais elevado da organização e mais próximo àqueles que a gerenciam. Posteriormente, descrever e analisar os benefícios da presença de trabalhadores com um alto grau de emancipação em uma intervenção ergonômica. Como referencial teórico partimos da introdução da temática da ergonomia do trabalho, passando pela questão da emancipação no trabalho, e enfim pelo assunto da participação do trabalhador sob a ótica das teorias organizacionais. Um projeto de pesquisa ação numa instituição pública da área da saúde se constituiu um meio útil para o levantamento dos dados, obtidos sobretudo através de entrevistas semi-estruturadas e da participação efetiva do pesquisador nos processos de implantação dos dispositivos de melhoria. Em uma primeira parte foi avaliado e analisado o trajeto das ações ergonômicas desenvolvidas na instituição em estudo, enquanto na segunda parte dos resultados foi analisado o grau de envolvimento dos trabalhadores no processo de melhoria na organização em um nível mais abrangente da instituição. Este trabalho permitiu concluir que um papel proativo dos sujeitos visando uma efetiva transformação do trabalho pode propiciar resultados positivos e duradouros em intervenções ergonômicas, assim como é fundamental para a construção de um processo de emancipação dos trabalhadores (em vários níveis da organização). Fortemente relacionada à conclusão anterior é a confirmação de que quanto mais elevamos a discussão e quanto maior o apoio em níveis elevados de decisão sobre a ergonomia na hierarquia organizacional, maior é o sucesso na implementação de políticas de melhoria.
Estudo do impacto dos fatores críticos de sucesso e do gerenciamento de riscos nos resultados das organizações.
Em um ambiente de incertezas verificado nas organizações, o processo de tomada de decisão envolve o risco, que pode figurar como uma ameaça ao planejamento ou uma oportunidade não planejada. Entretanto, as abordagens e métodos sobre gerenciamento de riscos sofrem com a falta de clareza em pilares científicos importantes. Ressaltam-se nesse aspecto, os fatores críticos de sucesso (FCS), que necessitam ser discutidos para que as atividades gerenciais atinjam os resultados almejados pelas organizações. O objetivo geral desta dissertação é identificar como o processo de gerenciamento de riscos e os FCS impactam nos resultados das organizações. Para atingir este objetivo, esta dissertação se valeu de uma metodologia de pesquisa com uma abordagem qualitativa. Baseando-se na revisão bibliográfica realizada por meio de um estudo bibliométrico, foi possível identificar sete FCS aos negócios das organizações e duas estruturas para processos de gerenciamento de riscos: a ISO 31000 e o COSO ERM. Com base na literatura pertinente foram definidas oito proposições de pesquisa. Foram realizados estudos de caso com seis organizações (três públicas e três privadas) por meio dos quais verificou-se que parte dos FCS e ambas as estruturas de gerenciamento de riscos (ISO 31000 e COSO ERM) tem influência direta nos resultados das instituições. Constatou-se também distinções entre a maneira como os setores público e privado tratam os temas relacionados ao gerenciamento de riscos. Por fim, convém destacar que existe a possibilidade de o tema ser explorado em trabalhos futuros por meio de uma abordagem quantitativa, visando um maior número de caso e uma consequente generalização do entendimento. A pesquisa pode ser ampliada a outras organizações e países, para que outros contextos sejam discutidos e analisados.
2020
Gabriel Henrique Silva Rampini
Impacto da gestão de portfólio de projetos no desempenho organizacional e de projetos.
O objetivo principal dessa tese é propor e validar um modelo matemático que relacione a gestão do portfólio de projetos e o desempenho organizacional. Tal modelo deve permitir que se avalie o impacto de decisões tomadas na gestão do portfólio de projetos nos resultados das organizações e dos projetos. Além disso, pretende-se avaliar o impacto do tipo de estratégia e do perfil dos stakeholders das organizações na relação entre a gestão do portfólio de projetos e o desempenho organizacional. Para alcançar os objetivos propostos, desenvolveu-se esta pesquisa adotando-se a abordagem metodológica caracterizada como descritiva do tipo hipotético dedutiva, em que são utilizados como procedimentos técnicos a pesquisa bibliográfica, com auxilio da técnica da bibliometria, e o levantamento do tipo survey. Para o tratamento dos dados, utilizam-se métodos estatísticos, em especial, a modelagem de equações estruturais. O universo estudado é o de organizações com unidades de negócios no Brasil, Américas e Europa, sendo o perfil dos respondentes composto por diretores; alta e média gerência funcional; gerentes e coordenadores de projetos e gerentes, coordenadores e membros de escritório de projetos. O tamanho total da amostra analisada é de 103 questionários válidos. O modelo matemático proposto é formado por onze variáveis latentes relacionadas com a gestão do portfólio de projetos e três relacionadas com o desempenho organizacional. Com base na literatura pesquisada, identificou-se como variáveis latentes que compõem a gestão do portfólio de projetos o conhecimento do contexto organizacional, a identificação de oportunidades, a definição dos critérios de decisão, a classificação dos projetos, a seleção, priorização, otimização e sequenciamento dos projetos, a avaliação do portfólio de projetos, o balanceamento dos projetos de acordo com critérios previamente definidos, a autorização para iniciar os projetos, a alocação de recursos, a formação e acompanhamento do portfólio de projetos e a existência de uma infraestrutura para a gestão do portfólio de projetos. Além disso, identificou-se na literatura pesquisada que desempenho organizacional é composto pelas variáveis latentes: eficiência do projeto, sucesso no negócio e preparação para o futuro. Parte-se da hipótese de que a gestão do portfólio de projetos tem impacto estatisticamente significante no desempenho organizacional. Esta hipótese foi testada e validada, sendo obtido como principal resultado da pesquisa, que existe uma relação forte entre a gestão do portfólio de projetos e o desempenho organizacional (R² = 38%, p-value = 0,000, t student = 9,7236). Além disso, foi possível verificar, entre outros resultados, que dispor de uma infraestrutura para a gestão do portfólio de projetos e saber identificar oportunidades de negócios, organizando uma lista única de projetos candidatos impactam o desempenho organizacional (p value = 0,0361 e p - value = 0,0612, respectivamente), especialmente no que se refere a sua preparação para o futuro (p value = 0,0171). Outro achado da pesquisa foi a verificação de que o conhecimento do contexto organizacional, a utilização de técnicas para a alocação de recursos e classificar os projetos em categorias distintas contribui para a eficiência dos projetos (p- value = 0,0358; p-value = 0,0102 e p value = 0,0391, respectivamente). No que se refere a influência do perfil dos stakeholders na relação entre a gestão do portfólio e o desempenho organizacional foi possível verificar para a amostra pesquisada que os tipos de stakeholder acionistas / investidores, diretores e gerentes de linha afetam o desempenho das organizações (p-value = 0,0054, p-value = 0,0591 e p-value = 0,001, respectivamente). Esses resultados, apesar de estarem limitados à amostra analisada, indicam que as organizações devem estruturar sua área de gestão de portfólio de projetos, visto que ela impacta fortemente no seu desempenho. Nesse sentido, dispor de uma infraestrutura para a gestão do portfólio, com equipe capacitada, infraesrutura de tecnologia da informação disponível e eficaz, escritório de projetos implantado e busca continua da maturidade na gestão de projetos são questões chave para o desempenho das organizações e, especialmente, para a sua preparação para o futuro. Como contribuições à teoria, esta pesquisa disponibilizou um modelo entre a gestão do portfólio de projetos e o desempenho organizacional validado para a amostra estudada e um instrumento de pesquisa validado nos idiomas português, espanhol e inglês que poderá ser reutilizado em pesquisas futuras.
O papel da TI como agente transformador dos processos de relacionamento com clientes.
Ao longo do século XX, a riqueza foi criada pela corporação da era industrial. Empresas eram tipicamente organizadas de forma hierárquica e com alto grau de verticalização. Na década de 90, a implantação de sistemas ERP, SCM e CRM propiciou significativos ganhos de produtividade para as corporações ao automatizar e integrar transações dentro da empresa (BRYNJOLFSSON et al., 2006). A partir da segunda metade da década, o uso comercial da internet permitiu às empresas o estabelecimento de relacionamentos virtuais com outras empresas (B2B) e com clientes (B2C), prática esta denominada de e-business ou negócios em ambiente virtual (AMIT e ZOTT, 2001). Assim, a transição para o século XXI é marcada pela geração de riqueza oriunda de negócios realizados em redes que envolvem fornecedores, provedores de serviço, provedores de infraestrutura (R=G), distribuidores e clientes, e que utilizam a internet como base para transações e comunicação (PRAHALAD e KRISHNAN, 2008). O lócus das competências através das quais a empresa compete ultrapassa os muros da organização, deslocando-se para a rede formada pela empresa, seus fornecedores, parceiros e clientes (PRAHALAD e RAMASWAMY, 2000). No cenário de e-business surgem novas oportunidades de geração de valor para o negócio (AMIT e ZOTT, 2001). Por exemplo, a exploração de complementaridades online e offline dá origem ao modelo híbrido de negócios click and brick (KALAKOTA e ROBINSON, 2001), e consiste na resposta estratégica adequada das empresas convencionais ao surgimento da internet (PORTER, 2001). Abre-se a possibilidade de exploração de inovações como o desenvolvimento de novas estruturas de transação, assim como para ganhos de eficiência pela maior velocidade e simplicidade das transações. A personalização do relacionamento com os clientes (N=1) permite o aumento da retenção destes. A ocupação de novos espaços de atuação vertical requer das empresas o desenvolvimento de novas competências (ANGEHRN, 1997). Ao conceito N=1 associa-se o aumento do poder do cliente. As empresas não podem mais agir de forma autônoma, projetando produtos, desenvolvendo processos produtivos, criando mensagens de marketing e controlando canais de venda com pouca ou nenhuma interferência dos clientes. Estes buscam exercer sua influência em todas as partes do sistema de negócios; eles querem interagir com as empresas e desta forma co-criar valor (PRAHALAD e RAMASWAMY, 2004). O início dos anos 2000 é marcado pelo surgimento de uma nova tecnologia associada à internet conhecida como Web 2.0 ou mídia social. Trata-se de uma tecnologia de participação e colaboração, mas duas características a distinguem de outras plataformas colaborativas: a independência e a transparência, que garantem não haver restrições ao conteúdo publicado por um participante, assim como fazem com que todo conteúdo publicado fique disponível para todos os participantes (GARTNER, 2011). Esta tecnologia introduz um novo fator de marketing fora do controle da empresa, que é a realimentação de um cliente influenciando a decisão de compra de outros clientes (CONSTANTINIDES e FOUNTAIN, 2008), provocando a redução dos efeitos das tradicionais ferramentas de marketing. Ao mesmo tempo em que representa um desafio para as organizações, a Web 2.0 representa oportunidades de as empresas usarem o poder do coletivo a seu favor. Em e-commerce, por exemplo, existem importantes oportunidades de uso das diversas ferramentas desta tecnologia para influenciar o consumidor nas diversas etapas do ciclo de compra. À luz deste arcabouço teórico, o objetivo geral deste trabalho é investigar como empresas convencionais incorporam a internet em seus processos de relacionamento com clientes, seja no estabelecimento de transações de negócio (B2C), seja no uso da Web 2.0 no ambiente corporativo. As mudanças são estudadas sob a perspectiva dos benefícios auferidos pelas empresas, do impacto na relação de poder entre cliente e empresa e pelas adaptações que o novo ambiente exige dos processos internos de negócio e da TI. As empresas alvo do estudo são firmas convencionais que incorporaram a internet à sua prática de negócios; foram selecionadas empresas dos setores eletrônico, farmacêutico, seguros e varejo de moda. Verifica-se que a prática de e-business traz para as empresas estudadas ganhos pelo aumento de eficiência e retenção de clientes, exploração de complementaridades entre a presença física e virtual e extensão de mercado. Observa-se ainda iniciativas de personalização do relacionamento (N = 1). Na área de mídia social verifica-se que todas as empresas estudadas, a despeito da área de atuação, possuem algum tipo de presença, tendo como objetivo o aumento o fortalecimento de suas marcas e o aumento do engajamento de seus clientes. Indiretamente, o objetivo final é o aumento de vendas. Na TI, as mudanças associadas a estas iniciativas passam pelo estabelecimento de um ciclo de alinhamento estratégico de transformação tecnológica, em que a área moderniza seu parque de aplicações transacionais, ao mesmo tempo em que confere à infraestrutura maior flexibilidade para rápida acomodação de mudanças. O crescimento da utilização de mídias sociais e computação móvel, facilitadas pelo fornecimento de infraestrutura tecnológica em nuvem, irão gerar em um futuro breve a necessidade de as empresas processarem volumes e variedade de dados a respeito de seus clientes sem precedentes, sendo este tema de interesse para futuras pesquisas.
Sistema Produto-Serviço - PSS: um estudo do relacionamento entre os fatores motivadores e a estruturação das empresas na integração produto-serviço.
Cada vez mais as empresas oferecem soluções completas a seus clientes, com parcelas de produto e serviço. Essa mudança na composição do portfólio das organizações vem ocorrendo por uma série de motivos, sejam relacionados às questões estratégicas, motivados por demandas do cliente, ou ainda, por tendências que visam menores impactos ambientais. Esta tese teve como objetivo identificar se a estruturação das empresas em relação à integração produto-serviço influencia os fatores motivadores para o PSS. A abordagem metodológica foi dividida em pesquisa qualitativa e quantitativa, a primeira para compreender a perspectiva do cliente e a segunda para avaliar os fatores motivadores para a adoção de um sistema produto-serviço (PSS) por prestadores. A pesquisa qualitativa foi realizada por meio de um estudo de caso nos laboratórios de um dos principais hospitais da América Latina. Os dados coletados apresentaram informações importantes sobre questões ambientais e coprodução. Para a pesquisa quantitativa, foi proposto um instrumento de pesquisa, com base em dados extraídos da literatura, para avaliar o construto Fatores Motivadores (FM) e a estruturação das empresas em relação à integração produto-serviço, operacionalizada por meio dos construtos Orientação de Uso do Produto (OUP) e Lógicas de Transição (LT). O instrumento foi submetido à validação de conteúdo e a pesquisa conduzida com média e alta gerência, de 81 empresas de setores distintos. Os dados foram processados e validados por análise fatorial exploratória e técnica de Modelagem de Equações Estruturais com estimação pelo método Partial Least Squares (PLS), utilizando o software SMARTPLS 2.0. O construto Fatores Motivadores desdobrou-se em cinco variáveis latentes de primeira ordem: ambiental, cocriação, coprodução, portfólio e vantagem competitiva. As análises do modelo estrutural mostraram que há relacionamento significativo entre os Fatores Motivadores e as Lógicas de Transição, alterando-se à medida que se transida da lógica Produto-Dominante para a lógica Serviço-Dominante. Dentre as proposições da LT as que se destacaram foram Papel do Cliente, Envolvimento com o Cliente e Determinação e Significado do Valor.
2012
Veridiana Rotondaro Pereira
Estratégia de planejamento de produção e os sistemas ERP em ambientes sujeitos ao fenômeno hockey-stick.
O ambiente competitivo atual tem colocado pressão no processo de tomada de decisão no mundo corporativo. Os trade-offs das prioridades competitivas discutidos na elaboração da estratégia como custo, qualidade, serviço e flexibilidade já não são suficientes. Estes trade-offs, embora importantes no curto prazo, devem ser compatibilizados de modo que as empresas que tenham o melhor balanço entre eles devam ter resultado superior. Um dos trade-offs bastante discutido é o equilíbrio entre serviço e estoque. A percepção é que seja improvável alcançar excelência no serviço sem ter um considerável nível de estoque. Deste cenário nasce então o paradoxo do uso de sistemas MRP (Material Requirement Planning) versus sistemas JIT (Just in Time), ou melhor, sistemas empurrados versus puxados, já que a escolha por um ou outro sistema tem ligação íntima com a gestão de estoque. Se por um lado os sistemas MRP são largamente utilizados, via softwares ERP, por outro sistemas JIT têm trazido importantes melhorias nos resultados. Embora muitas empresas considerem a adoção exclusiva de um ou outro sistema, algumas delas têm adotado um processo híbrido com o objetivo de tirar o melhor de cada sistema e gerar assim desempenho superior. O objetivo deste trabalho é investigar como as empresas inseridas em mercados caracterizados pela concentração de demanda no final do mês (fenômeno conhecido como hockey-stick), e baixo acerto nas previsões de demanda, estão aplicando suas estratégias de planejamento de produção e seus ERP. Se por um lado a baixa acurácia nas previsões causa um problema na aplicação de estratégias empurradas de planejamento, pois requer um alto estoque de segurança associado, por outro a concentração de embarque dificulta a adoção de uma estratégia puramente puxada, já que o sistema não tem a estabilidade necessária. Para cumprir com este objetivo seis estudos de caso foram conduzidos e os resultados encontrados, suportados pela teoria, sugerem o aparecimento de um modelo híbrido eficaz para planejamento no ambiente estudado assim como o aparecimento de um sistema DSS (Decision Support System). Outra contribuição desta pesquisa foi identificar, em um dos casos, uma empresa que conseguiu atacar de maneira eficaz o fenômeno em sua causa raiz neutralizando assim seus efeitos.
Planejamento e projeto de bases de modelos quantitativos de auxílio à decisão.
Esta tese propões uma metodologia para o planejamento e o projeto da base de modelos quantitativos para auxilio à decisão em organizações, que trata três questões associadas. 1- assegurar a integridade sistêmica das decisões apoiadas pelo modelos, isto é, minimizar sub-ótimos; 2- identificar e explorar oportunidades de modelagem na organização; 3- garantir sua evolução e aprimoramento, auxiliando o aprendizado organizacional. A metodologia utiliza uma série de ferramentas e conceitos aqui desenvolvidos, como o módulo de decisão, a escada de abstração, a taxonomia de interações entre decisões, a trajetória tecnológica para modelos de decisão e o ciclo iterativo análise-síntese. Além disso, desenvolvimentos de conceitos anteriores, como o modelo topológico e a complementaridade dos enfoques hard e soft, foram empregados. Um saco em uma empresa de produtos panificados é montado para ilustrar o emprego da metodologia e detalhar cada etapa. A logística de distribuição é objeto do exemplo e um plano diretor de modelos quantitativos é desenvolvido.
Princípios enxutos no processo de desenvolvimento de produtos: proposta de uma metodologia para implementação.
A literatura revela que existe a oportunidade de se estudar formas de gerenciamento da melhoria de desempenho para desenvolvimento de produtos, sendo uma destas oportunidades a implementação dos princípios enxutos nesta atividade. O objetivo geral desta tese foi propor uma metodologia que possibilite, de forma estruturada, a utilização dos princípios e práticas enxutas no método de desenvolvimento de produto. A metodologia apoiou-se no resultado dos seguintes objetivos específicos: análise das práticas industriais, verificação de seu alinhamento com os princípios e práticas enxutas e identificação oportunidades de melhoria; identificação dos principais modelos existentes para criação de valor em ambientes outros que não o da manufatura; investigação mecanismos de integração para a equipe de desenvolvimento de produtos com base na mentalidade enxuta; identificação de uma plataforma de gestão que auxilie na implementação dos princípios enxutos no processo de desenvolvimento de produtos. O método de estudo de caso foi utilizado em três empresas A, B e C para coletar informações a respeito do processo de desenvolvimento de produtos. Seus resultados permitiram verificar o alinhamento de cada uma das empresas com as práticas enxutas, e a conseqüente verificação de sua aplicabilidade. As inferências obtidas foram classificas em função dos seguintes aspectos: entendimento da empresa com relação aos princípios enxutos aplicados ao processo de desenvolvimento de produtos, identificação de valor, fluxo de valor, sistema puxado e perfeição. Pautada nestas inferências, foi elaborada uma proposta de metodologia para implementação de princípios enxutos no processo de desenvolvimento de produtos visando a conseqüente melhoria do processo. A metodologia proposta foi aplicada a uma quarta empresa D. Os resultados foram que a metodologia, de forma geral, mostrou-se consistente com seus objetivos, dentre os quais o principal foi a melhoria do processo de desenvolvimento de produtos.
Modelo explicativo para a configuração do canal de distribuição de automóveis novos no Brasil.
Ao longo do tempo a configuração do canal de distribuição de automóveis novos passou por alterações. De início os distribuidores atuavam de forma isolada, representando somente um fabricante. Após a abertura do mercado brasileiro ao exterior, no início dos anos 90, verificou-se tendência para a formação de grupos de distribuição, representando uma ou várias marcas. Assim, esta tese busca propor um modelo explicativo para a configuração do canal de distribuição de automóveis novos no Brasil. Para isto foi feito estudo de caso de natureza exploratório-conceitual por meio de recursos qualitativos. Verificou-se na limitada bibliografia sobre distribuição de bens especiais, em material de divulgação do setor de distribuição de automóveis e em entrevistas realizadas com representantes de distribuidoras e montadoras, a presença de três variáveis que podem constituir o modelo. Estas três variáveis são: porte dos distribuidores, comportamento do consumidor e ambiente legal. A partir disto construiu-se um modelo que apresenta como resultado três configurações de canal possíveis aos distribuidores: isolado e monomarca, grupo e monomarca e grupo e multimarcas. Dessa forma, espera-se com esta tese contribuir para o entendimento da evolução histórica do setor, bem como auxiliar na análise de tendências futuras da distribuição de automóveis novos no Brasil.
Trabalho e sustentabilidade: contribuições da ergonomia da atividade e da psicodinâmica do trabalho.
Organizações alinhadas com a sustentabilidade consideram em suas ações aspectos relacionados com as dimensões ambiental, econômica e social e devem ser constituídas de sistemas de produção sustentáveis e, consequentemente, possuir ambientes de trabalho saudáveis. Nesse sentido, se o recurso humano é um dos maiores ativos das organizações, deve-se, então, garantir a sua sustentabilidade. Não é simplesmente uma questão de perenizar esse recurso, mas de criar oportunidades para o desenvolvimento profissional e a construção da sua saúde em um sentido amplo. Isso implica que uma análise do sistema de produção envolva, também, o aspecto social, considerando inclusive o trabalho em si, destacando a importância do trabalho para a vida dos sujeitos, assim como a sua contribuição para a qualidade e para a produtividade, bem como para o próprio desenvolvimento da sociedade e da cultura. Sendo assim, por meio de análise documental e estudos de casos realizados em 10 organizações engajadas em sustentabilidade, esta pesquisa tem o objetivo de estabelecer as contribuições da ergonomia da atividade e da psicodinâmica do trabalho para a consideração do tema Trabalho em um contexto de sustentabilidade corporativa. Para tanto, inicialmente foram identificadas as ações de sustentabilidade relacionadas ao tema Trabalho, tanto no universo teórico quanto no universo corporativo, tais como: a consideração dos direitos humanos e do trabalho decente, inclusive nas práticas da cadeia de suprimentos; o incentivo ao trabalho voluntário; o investimento em desenvolvimento profissional; os programas de saúde e bem-estar e os de saúde e segurança no trabalho. Foram verificados também os elementos comuns da sustentabilidade, sendo eles a consideração: de valores e da ética; da temporalidade; das múltiplas escalas de análise; das várias dimensões; e da interdependência e da integração entre esses elementos. Por fim, um diálogo com a ergonomia da atividade e a psicodinâmica do trabalho explicita a necessidade de se reconhecer e incorporar a centralidade do trabalho, no sentido do trabalhar, considerando o papel fundamental da subjetividade, do conteúdo e da organização do trabalho para, no limite, o trabalho levar à felicidade. Dessa forma, trabalho é acreditado ser aquele que, provido de sentido e permeado pelas relações de confiança e cooperação, melhora o desempenho da organização, promove o desenvolvimento profissional, possibilita a construção da saúde dos trabalhadores em um sentido amplo e positivo, favorece o desenvolvimento da criatividade e a mobilização das inteligências, considerando a relevância das questões físicas, cognitivas e organizacionais e, sobretudo, a sua centralidade para o desenvolvimento da cultura e da sociedade.
Distribuição de carga e variação de capacidade na programação da produção: resultados na inserção de espera e na utilização de capacidade adicional.
Esta tese apresenta análises de dois problemas de máquina única relacionados à programação da produção com seqüência predefinida. Para ambos os problemas são sugeridas modelagens via programação matemática e algoritmos que encontram a solução ótima em tempo polinomial e pseudo-polinomial. O primeiro problema é o de inserção de espera no problema com função-objetivo que considera s soma de funções convexas do horário de término independentes para cada ordem. O segundo considera custos distintos de adiantamento e atraso para cada ordem e custos de utilização de capacidade adicional ponderados distintamente para cada período de capacidade adicional que possa ser utilizado. Sugere-se adicionalmente um procedimento onde o mesmo avalia a melhor opção entre se utilizar tempo de espera, horas-extras e criar ou eliminar turnos de trabalho. São feitas análises e algumas generalizações como a utilização de diversos intervalos de tempo com diferentes custos concatenados e uma sugestão para a utilização dos procedimentos num ambiente de múltiplas máquinas