Repositório RCAAP
Up-front design no desenvolvimento ágil de software centrado no usuário.
O Desenvolvimento Ágil de Software Centrado no Usuário refere-se à integração das abordagens de Desenvolvimento Ágil de Software e Design Centrado no Usuário. Esta integração ganhou interesse recente e se tornou uma tendência, porque as organizações estão progressivamente buscando capturar o melhor dos dois mundos: entregar projetos no prazo, dentro do orçamento, atendendo aos requisitos do negócio e, ao mesmo tempo, criando produtos ou serviços utilizáveis, úteis e desejáveis para o usuário final. A literatura aponta que ao longo do ciclo de vida de criação do produto existem quatro principais momentos nesta integração, sendo o mais utilizado deles o little design up-front, que se refere `as atividades realizadas logo antes do início do desenvolvimento, para definição dos requisitos para a equipe ágil e visão do produto. Ainda assim, pesquisas claramente evidenciam que apesar dos benefícios desta integração, o processo do little design up-front ainda é realizado de forma incipiente ou inadequada, pois não há uma definição clara do processo em si, quem são os participantes, como deve ser planejado, executado, quais são seus resultados e sua extensão. Além disso, existem evidências de que a equipe de projeto tende a desviar de práticas prescritas, uma vez que contingências do projeto acabam por influenciar a forma de gerenciar e executar estes processos com maior eficiência. O principal objetivo desta pesquisa, portanto, é propor uma estruturação clara, compreensível e replicável do desenvolvimento ágil de software centrado no usuário com foco em suas atividades antes do início do desenvolvimento, orientando praticantes da área a planejar e executar o Up-Front Design (UFD) em diferentes contextos de projetos de software. Para tanto, foi realizada uma revisão sistemática da literatura no tema para conceituação dos principais tópicos em up-front design do desenvolvimento ágil de software centrado no usuário e criação do modelo de pesquisa. Em seguida, foi realizado um estudo de caso com 27 processos de little design up-front em uma organização com 21 empresas diferentes, de forma a confirmar e/ou contrastar as consolidações e propostas feitas a partir da literatura com estudos de campo, alinhando teoria e prática. Os resultados obtidos permitem que acadêmicos e praticantes tenham uma visão holística do desenvolvimento ágil de software centrado no usuário, com uma separação dos estágios de integração de acordo com diferentes finalidades e um processo cíclico com três alternativas diferentes de iteração, dependendo do objetivo de inovação e melhorias desejadas. Este trabalho também agrega para profissionais da área, propondo limites de tempo para o processo de little design up-front, uma configuração de equipe para processos desta natureza, e uma análise de como os fatores contingenciais influenciam os dois principais responsáveis por este processo: o sponsor e o lider do processo, de forma a auxiliá-los no melhor gerenciamento e execução do up-front design. Este trabalho contribui para o corpo de conhecimento do desenvolvimento ágil de software centro no usuário de forma a estimular a criação de softwares úteis, utilizáveis e atraentes.
2019
Lucas Baraças Figueiredo
Proposta de uma metodologia de medição e priorização de segurança de acesso para aplicações WEB.
Em um mundo tecnológico e globalmente interconectado, em que indivíduos e organizações executam transações na web com frequência, a questão da segurança de software é imprescindível, ela é necessária em diversos nichos: segurança das redes de computadores, dos computadores e dos softwares. A implantação de um sistema de segurança que abrange todos os aspectos é extensa e complexa, ao mesmo tempo em que a exploração de vulnerabilidades e ataques é exponencialmente crescente. Por causa da natureza do software e de sua disponibilidade na web, a garantia de segurança nunca será total, porém é possível planejar, implementar, medir e avaliar o sistema de segurança e finalmente melhorá-la. Atualmente, o conhecimento específico em segurança é detalhado e fragmentado em seus diversos nichos, a visão entre os especialistas de segurança é sempre muito ligada ao ambiente interno da computação. A medição de atributos de segurança é um meio de conhecer e acompanhar o estado da segurança de um software. Esta pesquisa tem como objetivo apresentar uma abordagem top-down para medição da segurança de acesso de aplicações web. A partir de um conjunto de propriedades de segurança reconhecidas mundialmente, porém propriedades estas intangíveis, é proposta uma metodologia de medição e priorização de atributos de segurança para conhecer o nível de segurança de aplicações web e tomar as ações necessárias para sua melhoria. Define-se um modelo de referência para segurança de acesso e o método processo de análise hierárquica apoia a obtenção de atributos mensuráveis e visualização do estado da segurança de acesso de uma aplicação web.
2014
Regina Maria Thienne Colombo
Privatizações das empresas brasileiras de distribuição de energia elétrica: resultados de longo prazo e novas propostas.
O Brasil passou por diversas reformas econômicas durante os anos 90, dentre elas, a reforma do setor elétrico, que incluiu a privatização da maior parte do segmento de distribuição, com o objetivo de alívio fiscal e melhoria da qualidade do serviço. Entre 2016 e 2018 o governo federal privatizou as distribuidoras sob controle da estatal federal Eletrobras, e em 2020 o governo do Distrito Federal privatizou a distribuidora CEB-D. Desta forma remanesceram apenas cinco distribuidoras estatais de porte relevante, controladas pelos seus respectivos estados. Depois de 25 anos do início das privatizações, ainda não existe consenso de que estas mudanças tenham gerado impactos positivos para o consumidor e parte da opinião pública ainda se mostra desfavorável às privatizações. Neste trabalho realizou-se estudo comparativo entre as empresas de distribuição de eletricidade privatizadas no período de 1995 a 2000 e as empresas que foram mantidas sob controle estatal, através dos principais indicadores técnicos e econômicos utilizados pelo órgão regulador, de modo a se verificar os impactos de longo prazo dessas políticas. Os resultados indicam que o grupo das empresas privatizadas apresenta melhores resultados técnicos e econômico-financeiros. As estatais de economia mista com elevada participação privada possuem indicadores técnicos próximos das empresas privatizadas, embora seus indicadores de lucratividade e custos sejam piores. Do ponto de vista do fluxo para o acionista, a maioria das estatais não gerou dividendos aos controladores nos últimos 10 anos, portanto o setor público teve poucos benefícios na manutenção destas empresas. O trabalho conclui, portanto, que os governos estaduais deveriam avaliar a privatização das estatais remanescentes devido aos potenciais ganhos de qualidade para o consumidor e alívio fiscal. Os recursos advindos da venda de ativos poderiam ser utilizados para o pagamento de dívidas e investimentos em políticas públicas.
Fatores determinantes para a adoção das governanças de dados e de informação no ambiente big data.
No ambiente big data, as organizações se preocupam em extrair valor dos dados e das informações com o intuito de obter vantagens competitivas. No entanto, são necessários esforços organizacionais com relação aos ativos de dados, incluindo a definição de responsabilidades com relação ao uso dos dados, a garantia da qualidade dos dados, dentre outros aspectos contemplados pelos modelos de governança de dados ou de informação. Deste modo, esta pesquisa investigou como as organizações podem adotar as governanças de dados ou de informação no ambiente big data e, para tanto, foram contemplados estudos de casos multisetoriais para identificar os fatores determinantes para a adoção das governanças de dados ou de informação no ambiente big data. Foram investigados os elementos e os conteúdos dos modelos de governança de dados ou de informação e analisados os aspectos dos modelos com relação à inteligência de negócios e ao big data analytics. Notou-se que as ações organizacionais com relação à governança de dados ou de informação são pouco consolidadas, mas conhecidas pelas organizações. Além disto, os modelos de governança de dados ou de informação são adotados por organizações com diferentes níveis de capacidades analíticas. Tais modelos contemplam a definição dos objetivos estratégicos da governança e domínios como o gerenciamento da qualidade dos dados ou das informações, o gerenciamento dos dados (em especial meta-dados), a transformação da mentalidade organizacional com relação aos dados e as informações e necessitam de competências de colaboração e comunicação dos stakeholders. Foram identificados oito fatores determinantes para a adoção das governanças de dados ou de informação no ambiente big data, os quais contemplam práticas estruturais, relacionais e operacionais do modelo de governança: 1 - Organizações grandes, globais, difusas, com estruturas descentralizadas de negócios e portfolio complexo de produtos ou serviços; 2 - Apontar um C-level, definir gerentes na estrutura e determinar data owners e data stewards; 3 - Estabelecer comitê de dados ou outros meios para reunir a alta cúpula e os principais líderes da organização; 4 - Atuação do departamento de TI nas atividades de gerenciamento de dados ou de informação, viabilizando e executando atividades operacionais com relação aos dados e as informações dentre as bases de dados e sistemas de informação; 5 - Atuar ativamente na transformação cultural da organização para data-driven; 6 - Promover a comunicação e a colaboração interna; desenvolver a comunicação com relação à eficácia das políticas e a necessidade de adequação dos stakeholders; 7 - Definir, gerenciar e controlar metadados; 8 - Definir os padrões, as exigências e o controle sobre a qualidade dos dados. A pesquisa oferece uma consolidação teórica relevante para o campo da governança de dados ou da informação, contemplando vasta lista de variáveis da literatura de de dados e governança de informação. Foi também possível expandir o modelo de governança de dados ou de informação englobando os domínios relativos à colaboração e comunicação, mudança cultural. Propõem-se uma expansão na conceituação geral dos termos governança de dados e governança de informação.
2018
Patrícia Kuzmenko Furlan
Inteligência competitiva: uma proposta de monitoramento ambiental através de simulação dinâmica de mercados.
No estudo recente da Inteligência Competitiva (IC), aponta-se a necessidade de se obter uma compreensão mais quantitativa do ambiente de negócios e suas relações entre os diversos agentes econômicos com o propósito de desenvolvimento de ferramentas úteis aos profissionais de IC. Nesse sentido, o pleno entendimento da dinâmica competitiva se apresenta como alicerce fundamental na qual os produtos de IC devem ser ancorados para cumprir com seu papel nas organizações. Sob essa perspectiva, o presente trabalho se apresenta como uma proposta à compreensão do papel da IC nas organizações sugerindo um meta modelo da dinâmica competitiva. Inicia-se com foco em identificar e delimitar o papel da IC nas organizações tendo como base o constructo de modelo de negócios que tem obtido destaque na literatura, conhecido como Modelo Canvas, e como resultado é proposto um modelo do papel da IC, obtido a partir da triangulação dos métodos de pesquisa survey e desenvolvimento teórico-conceitual. Na sequência, visando a compreensão quantitativa da dinâmica competitiva, aprofundam-se as discussões microeconômicas de interação entre os agentes econômicos e, para isso, adota-se o conceito neoclássico de Equilíbrio Walrasiano e projetam-se as influências recíprocas dos agentes no ambiente de negócios a partir dos conceitos de equilíbrio da Teoria dos Jogos. Como exemplo, é realizada a discussão e a modelagem matemática desta interação para a estrutura de mercado de oligopólio na qual se obtém um meta modelo para construção de cenários de decisão. Desta forma, essa tese representa uma evolução na construção da teoria de IC, em seu sentido mais quantitativo que ainda é pouco explorado na literatura. Com isso, espera-se que este trabalho estimule novos esforços no sentido quantitativo com vista ao desenvolvimento de melhores ferramentas à prática da IC.
2018
Olavo Viana Cabral Netto
Oportunidades de atuação na cadeia de fornecimento de sistemas de automação para indústria 4.0 no Brasil.
Os avanços tecnológicos no setor de Tecnologia de Informações (TI) têm revolucionando a relação entre pessoas e o mundo dos negócios através da conectividade. Esta conectividade agora avança para comunicação entre coisas, dotadas de capacidade de processamento, através daquilo que é chamado de Internet das Coisas (IoT). A IoT avança também na área de manufatura, incluindo máquinas, dispositivos, sensores e o próprio produto em processamento, possibilitando uma comunicação autônoma entre máquinas (M2M), produtos e sistemas. Conectada através da internet, esta comunicação não se limita apenas à fábrica, mas integra toda a cadeia produtiva através de redes colaborativas. É neste contexto que se desenha a mudança radical de paradigma para o conceito de Indústria 4.0 (I4.0). Diante desta mudança, os atores que participam da Cadeia de Fornecimento de Sistemas para Automação da Manufatura (CFSAM) também precisam rever suas estratégias e estar atentos às novas oportunidades e ameaças que surgem neste novo cenário. O objetivo deste estudo é compreender, do ponto de vista de gestão, a reação das indústrias de manufatura no Brasil aos paradigmas da I4.0, e os potenciais impactos e oportunidades que a I4.0 traz para estes atores. Este trabalho mostra, através de Estudo de Múltiplos Casos em onze empresas brasileiras, a reação a esta mudança na automação da manufatura e analisa os potenciais impactos e oportunidades para estes atores. A escolha das unidades de estudo foi feita por conveniência e focada principalmente no grupo de provedores de tecnologia e infraestrutura para a implantação da plataforma I4.0. O resultado deste estudo revelou que há uma baixa compreensão do que realmente é a I4.0 entre as empresas de manufatura no Brasil e que ainda estão pouco engajadas na implantação prática dos conceitos da I4.0, adotando uma estratégia de seguidores de tecnologia. A contribuição deste trabalho inclui o esclarecimento do que realmente é a I4.0 fazendo distinção entre conceitos básicos da I4.0 e suas possibilidades tecnológicas. Inclui ainda a identificação das principais reações ao paradigma I4.0 e a análise de oportunidades para os atores da CFSAM com base nas mesmas. O estudo conclui que apesar da I4.0 não dispor comercialmente da padronização das duas tecnologias básicas (arquitetura orientada a serviços e semântica), que não permitem o aproveitamento pleno de suas potencialidades ao longo de todas as camadas da ISA-95, os conceitos já estão sendo praticados parcial e gradativamente e estão mais avançados nas atividades de negócios.
Estabelecimento de startups: proposta de framework cíclico para geração e refinamento de conceitos e estruturação da operação inicial de negócios inovadores.
Atualmente as organizações enfrentam grandes desafios como por exemplo a necessidade de reduzir o ciclo de vida de produtos e serviços, enfrentar exigências de qualidade superiores, menores tempo de desenvolvimento e menores custos de produção, devendo buscar a excelência produtiva mas, contraditoriamente também sendo cobradas pelo desenvolvimento de inovações e pela busca de maior agilidade. Neste cenário verifica-se o aumento na importância das startups, organizações que exploram novas oportunidades no mercado e que apresentam grande potencial para geração de inovações radicais. Apesar do aumento da sua relevância, ainda existem poucos modelos elaborados e validados, capazes de auxiliar estas organizações em seu processo inicial de estruturação de operação. Como consequência, atualmente as startups podem adotar técnicas inadequadas à sua realidade, reconhecidamente burocráticas, inflexíveis e pouco inovadoras. Buscando reduzir esta lacuna de conhecimento este estudo propõe um Framework Cíclico que visa contribuir com as startups em seu processo de geração e refinamento de conceitos e na estruturação inicial da sua operação, tendo como objetivo facilitar o atingimento do sucesso. Para o seu desenvolvimento inicialmente foi realizada ampla revisão bibliográfica, resultando numa primeira versão do Framework. Esta versão foi utilizada para a realização de dois estudos de caso que, em conjunto com a qualificação, resultou em alterações no seu layout porém manteve suas características essenciais. Uma segunda versão do Framework Cíclico foi avaliada em um painel que contou com a participação de 8 especialistas em startups, profissionais conceituados cujas observações foram analisadas utilizando de Análise Qualitativa, resultando numa mudança de etapa no Framework, incorporando o Canvas do Value Proposition Design e algumas contribuições no detalhamento das etapas. Com a terceira versão do Framework estruturada foi realizada uma survey que contou com a participação de 88 empreendedores de startups consideradas de sucesso. Para isto, de forma a estabelecer a amostra da pesquisa foram selecionadas startups com existência de mais de um ano, já aceleradas ou em processo de aceleração em aceleradoras brasileiras. Os resultados obtidos foram trabalhados com aplicação de Análise Qualitativa e Análise Fatorial e, como resultados, ocorreu a mudança de posicionamento de uma etapa, além da contribuições que destacam alguns pontos de atenção no desenvolvimento das diferentes etapas. Assim, foi obtida a versão final do Framework Cíclico, correspondendo ao objetivo proposto para este estudo, auxiliar na geração e refinamento de conceitos e estruturação da operação inicial de negócios inovadores.
2017
Diane Aparecida dos Reis Silva Farina
Planejamento e controle da produção e estoques: um survey com fornecedores da cadeia automobilística brasileira.
As empresas fornecedoras para o segmento automotivo estão inseridas em um mercado de constante variação e sujeitas às oscilações da economia. As montadoras, principais influenciadoras do restante da cadeia de suprimentos, aderiram às práticas do just in time, que objetiva a alta eficiência e estoques reduzidos. Este trabalho procura identificar como os fornecedores ao longo da cadeia automotiva se adequaram às novas práticas das montadoras no que se refere ao planejamento e controle da produção e estoques. É realizado um survey, em que se verifica que os profissionais de PCP dos fornecedores respondem satisfatoriamente à demanda, porém de maneira não uniforme, com baixa coordenação com o elo mais próximo, baixa acuracidade de estoque e nível de estoque de produto acabado e matéria-prima elevado. É realizada uma comparação entre o desempenho dos fornecedores mais próximos da montadora com os mais longes, verificando-se que não há diferenças significativas entre ambos
Trabalho em grupo em organizações de serviços de saúde: estudo de caso em equipes da Estratégia Saúde da Família
Em certas atividades de serviços, a intangibilidade do que está sendo produzido, as especificidades de cada cliente-usuário e sua possível participação na concepção ou na produção da solução, são algumas das características que aumentam a complexidade e a variabilidade dos processos produtivos. A intangibilidade refere-se à condição imaterial daquilo que se produz, fazendo emergir a necessidade de que a solução seja idealizada pelos envolvidos em seu desenvolvimento, tornando mais complexos os processos de especificação do serviço, de planejamento do trabalho, de mensuração de desempenho e de avaliação da qualidade. Em serviços realizados por equipes multiprofissionais, o desafio de fazer convergir as diferentes visões sobre o que deve ser produzido torna-se ainda maior, uma vez que as percepções dos seus integrantes são condicionadas aos respectivos campos de conhecimento e experiências. Quando a cooperação do usuário é necessária para o desenvolvimento do serviço, torna-se fundamental oferecer a ele condições que facilitem sua atuação, e a responsabilidade por inserir o usuário no processo produtivo recai sobre os profissionais que o atendem, implicando em uma carga adicional de trabalho e maior dependência da relação de serviço. Por meio de estudo de casos múltiplos realizado com seis equipes multiprofissionais dos serviços de saúde pública da Estratégia Saúde da Família (ESF), esta pesquisa teve como objetivo identificar as condições organizacionais que podem favorecer o trabalho em grupo frente aos desafios decorrentes da intangibilidade do objeto de trabalho e da participação do usuário no processo produtivo. Nesse contexto, observamos que os profissionais das equipes ESF apresentam dificuldades em identificar os limites de responsabilidade e de atuação sobre os problemas, dificuldades para coordenar o trabalho, dificuldades relativas à inadequação de recursos e de processos de apoio necessários à adequada participação do usuário, além de desgastes emocionais. Os resultados apontam que o trabalho das equipes é favorecido pela frequente e contínua interação entre os envolvidos, pela disseminação do conceito de serviço, pela definição de papéis dos profissionais e dos usuários na relação de serviço, pelo estabelecimento
2014
Iramaia Pires de Oliveira Luna
Impactos da avaliação de desempenho individual no trabalho do juiz do trabalho: reflexões à luz da psicodinâmica do trabalho.
A essência do trabalhar não se situa em seguir procedimentos e normas prescritos, mas na mobilização da inteligência, da criatividade, no engajamento do corpo e na busca de soluções para os problemas enfrentados. O trabalho, portanto, é subjetivo, não pertence ao mundo visível e, embora decorra da subjetividade, é uma ação coletiva, uma experiência compartilhada por mais de uma pessoa, pautada nas relações de cooperação e confiança. Além disso, acredita-se na centralidade do trabalho para construção de si mesmo, da cultura e da sociedade e que o trabalho nunca é neutro na dinâmica do prazer e do sofrimento. O processo de reconhecimento é um dos mecanismos que possibilita a transformação do sofrimento em prazer através do trabalho, portanto, as pessoas esperam uma avaliação de seu trabalho. Nesta tese, defende-se que a avaliação do trabalho seja feita através de uma dinâmica de julgamentos feita por pares e pela hierarquia considerando a utilidade técnica, social e econômica do trabalho e o esforço, o saber fazer, o engajamento. Assim, os Sistemas de Avaliação de Desempenho foram criticados e repensados para que cumpram os objetivos de gerir resultados das instituições, possibilitar o desenvolvimento profissional e o cumprimento do papel social das organizações. As reflexões trazidas nesta tese consideram a gestão de serviços públicos, que é determinada pela solidariedade e apoiada não só em questões financeiras, mas também em dimensões humana e social. Entre tantas profissões do serviço público fundamentais em nossa sociedade, estudou-se trabalhadoras e trabalhadores que atuam em saúde e direitos do trabalhador e, reconhecendo a importância da profissão da juíza e do juiz do trabalho na luta por direitos, desenvolvimento profissional e emancipação das pessoas, a reflexão acerca dos sistemas de avaliação de desempenho nos serviços públicos nesta tese foi baseada no trabalhar de magistradas e magistrados do trabalho. A metodologia de pesquisa é baseada na Psicodinâmica do Trabalho, e contempla uma ação em grupos de reflexão, análise documental e entrevistas individuais.
Organização das operações de testes independentes de software: proposta de um modelo conceitual.
A dependência tecnológica da sociedade atual e a flexibilidade necessária para constantes mudanças exigem produtos de software corretos e disponíveis para uso. Os testes são atividades intrínsecas à produção de software e ultimamente vêm ganhando importância como um negócio empresarial próprio, independente do desenvolvimento e com perspectivas de crescimento. Essa atividade é substancialmente prestação de serviço, uma vez que entrega qualidade a respeito de um produto de software e cuja avaliação só pode ser feita de acordo com parâmetros de julgamento do cliente, além de considerar a presença e ingerência do cliente em boa parte do processo de teste. O Brasil é reconhecidamente um dos mais importantes centros de excelência em testes de software e tem se distinguido também na execução de forma independente, o que tem provocado rearranjo de papéis, responsabilidades e forças na atuação da cadeia de valor do software. Este trabalho procura responder como se organizam as operações das empresas de testes independentes de software (ETIS) de forma a torná-las singulares e específicas. Grande parte das pesquisas nesse tema têm se concentrado em questões técnicas de como modelar bons testes de software, registrando-se pouca reflexão sobre temas organizacionais nessa área. Para tanto, foi elaborado um modelo conceitual de organização das operações, capaz de revelar a singularidade da atividade empresarial. O modelo foi submetido a avaliação por meio de um estudo de casos múltiplos, envolvendo seis ETIS e também organizações brasileiras clientes e desenvolvedoras de software. A pesquisa revelou importantes práticas empresariais das ETIS. Destacam-se os seguintes pontos: perfil empresarial empreendedor e inovador, preocupação na entrega de serviço contendo o maior quantidade possível de não-conformidades, constituição de um portfólio diversificado e substantivo de projetos de teste, integração de sistemas produtivos tipo fábrica e personalizado e uso cada vez maior de automação nos processos. A experiência daqueles que vêm utilizando os serviços das ETIS tem comprovado um aumento efetivo no nível de qualidade do software e o mercado, por sua vez, tem refinado os critérios de seleção das ETIS, exigindo-lhes alta maturidade.
Liderança e gestão em TI: uma análise do desempenho de gestores de TI baseada em competências críticas de gestão.
A fronteira entre as áreas de negócios e as de tecnologia de informação (TI) vai deixando de existir e isso exige competências de gestão, baseadas em novos conhecimentos, habilidades e atitudes de liderança, que extrapolam as questões técnicas. A literatura disponível discute quais são as competências críticas de forma isolada, não as relaciona com a competitividade das empresas e não analisa o desempenho dos gestores em cada uma das competências consideradas críticas. Com o objetivo de compreender quais são as competências críticas de gestão em TI e qual é o desempenho dos gestores nessas competências, foi efetuada, neste estudo, uma revisão da teoria, a fim de elaborar um modelo de avaliação de desempenho e avaliar 149 gestores de TI. Essa avaliação foi baseada em 22 competências de gestão, organizadas em cinco áreas: gestão da estratégia de TI, gestão da inovação e tecnologia, gestão do valor da TI, gestão das equipes de TI e gestão do desempenho da TI. Na análise dos dados foram testadas dez hipóteses de pesquisa sobre as prioridades e o desempenho dos gestores de TI para poder analisar se há variação em função de fatores externos ligados ao negócio (orientação competitiva, segmento de mercado e porte do negócio) e de fatores internos (processos e funções exercidas em TI). Com base nos resultados, foi possível constatar que os fatores internos, mais que os externos, influenciam o desempenho dos gestores de TI, principalmente dependendo da função por ele ocupada dentro da organização de TI. As avaliações de competências dos gestores de infraestrutura foram superiores aos gestores de desenvolvimento e na escolha de prioridades, um maior número de gestores de infraestrutura elegeu a gestão da inovação e a gestão do valor como prioridade para o negócio.
2013
Eduardo Margara da Silva
Contribuição ao estudo dos processos de interdependência organizacional e tecnológica.
Desenvolve bases conceituais para análise sistêmica de processos de interdependência organizacional e tecnológica. Parte de evidências de campo e de contribuições teóricas para construir um referencial de análise hierarquizada em 4 níveis de processos, identificando os papéis críticos a serem desempenhados por organizações envolvidas em redes interorganizacionais. É apresentado o conceito de desacoplamento entre níveis e conclui que qualquer processo de análise, desenho ou de gestão estratégica de redes de organizações passa pela consideração conjunta do sincronismo entre estes níveis, de forma a identificar mecanismos compensatórios para manter uma dada organização em equilíbrio sinergético na estrutura definida pela rede. O modelo referencial é aplicado a casos de interdependência organizacional e tecnológica levantados pelo autor. Conclui-se que os processos e técnicas de intervenção organizacional que não atuem nestes 4 níveis de processo não levam a resultados efetivos.
1991
Marilson Alves Goncalves
Os hunos já chegaram: dinâmica organizacional, difusão de conceitos gerenciais e a atuação das consultorias.
Ao se visualizar o mundo organizacional nas últimas duas décadas, nos deparamos com um conjunto de organizações que aparecem em posição de destaque. As empresas de consultoria organizacional despontam como uns dos setores mais dinâmicos do período. Assim sendo, o presente estudo pretende contribuir com o entendimento do processo de crescimento do mercado de consultorias, suas formas de atuação e o relacionamento com as demais organizações, a partir de três pontos de referência. Num primeiro momento, enfocando o mercado de consultoria internacional, procurando identificar suas características, principais mudanças nas últimas décadas e as especificidades do setor no Brasil. Na segunda parte, enfoco as mudanças no espaço empresarial e gerencial no decorrer do período. O conjunto tem a função de ser uma forma de visualizar a atuação dos quadros gerenciais frente às novas configurações e demandas organizacionais, formadas a partir dos anos oitenta, e um contraponto ao ideário oriundo das consultorias. Como outro elemento componente da construção desta pesquisa, busca-se discutir as formas e os mecanismos de difusão de idéias gerências e os diversos setores envolvidos no processo, focalizando a atuação das empresas de consultoria e sua ligação com demais setores do campo de venda de novidades organizacionais, em especial a imprensa de negócios. A escolha pretende contribuir para o entendimento das relações empresas consultorias, partindo da questão da difusão de novas referências gerenciais.
Administração da qualidade e produtividade por macroprocessos organizacionais: um estudo sistêmico de estratégia competitiva provendo valor ao cliente.
Como consequência da crescente competitividade global, as empresas têm procurado melhorar seu desempenho, o que tem se tornado uma questão de sobrevivência e de diferencial competitivo. Isto tem exigido uma reavaliação constante dos valores para os clientes, provocando obsolescência das formas tradicionais de organização e exigido a organização das operações de forma sistêmica e integrada. Neste panorama, como proposta de direcionamento estratégico, tático e operacional, destaca-se a administração da qualidade e produtividade por macroprocessos organizacionais (MAPO). Esta é estudada sob o prisma dos avanços da Tecnologia da Informação (TI), da disseminação da Filosofia da Qualidade (FQ) e das contribuições da Potencialização e Trabalho em Equipe (PTE), sob um enfoque sistêmico e considerando a cultura das organizações. Neste estudo, procurou-se identificar correntes da MAPO, bem como discutir a forma como as empresas estão absorvendo e praticando seus elementos em suas operações. Discutiu-se o projeto de reestruturação e a administração efetiva desta nova organização. Desenvolveu-se também pesquisa exploratória em casos reais de empresas praticando a MAPO, complementada com a análise de casos documentados pela literatura. O estudo permitiu destacar sobre a MAPO que: os resultados são significativos e alinhados com as estratégias competitivas, desde que haja comprometimento da alta administração; os resultados mais relevantes são os relacionados aos critérios de velocidade e integração interna; a característica mais frequente é a identificação clara dos clientes externos e suas necessidades; característica das mais estabilizadas é o papel da gerência identificando os processos-chave e seus responsáveis. Embora as ações apoiadas pela tecnologia da informação sejam bastante frequentes, a integração com o cliente via informática ainda não é prática amplamente implementada.
1998
Clovis Armando Alvarenga Netto
Análise de estratégias de hedging estáticas aplicadas a commodities agrícolas.
Dentre as diversas ferramentas disponíveis para gestão de risco no mercado financeiro, este trabalho analisa estratégias de hedging para commodities agrícolas, utilizando o mercado futuro. Isto posto, efetua-se uma revisão das diferentes estratégias apresentadas pela literatura e analisa-se sua aplicação para o mercado brasileiro. Ao construir uma estratégia de hedging no mercado futuro, busca-se determinar o número de contratos a ser adquirido ou vendido, de forma a reduzir o risco financeiro, resultante de oscilações adversas no preço dos ativos. Ou seja, considerando-se um portfólio composto por dois ativos, um no mercado à vista e outro no futuro, as diferentes medidas de desempenho caracterizadas pelas diversas estratégias - conduzem a diferentes portfólios ótimos. Dessa forma, pretende-se analisar qual a melhor estratégia, determinando, implicitamente, qual a composição de portfolio mais adequada a um agente específico no mercado de commodities. São analisados o mercado do café, da soja, do açúcar e do álcool. Ativos financeiros, como o câmbio e o Ibovespa, também são considerados, a fim de averiguar eventuais diferenças de comportamento das estratégias, resultantes de peculiaridades do mercado de commodities. As estratégias estudadas foram: de mínima variância; de mínima variância condicionada ao período de carregamento, de maximização do índice de Sharpe; de maximização da utilidade esperada; de minimização do coeficiente de Gini estendido; de regressão linear; de regressão linear condicionada ao conjunto de informações e regressão linear condicinada ao conjunto de informações e ao período de carregamento. Apesar de o trabalho considerar somente estratégias estáticas, que se caracterizam por, uma vez determinado a quantidade de contratos a se posicionar no mercado futuro, não mais se alterar até o vencimento dos mesmos, adotou-se uma abordagem dinâmica para análise, presumindo que o portfólio pudesse ser reestruturado ao longo do tempo, de acordo com o comportamento do mercado, permitindo empregar uma abordagem mais próxima da realidade. Os resultados indicaram que as estratégias possuem diferenças, derivadas de sua estrutura, mas não variaram significativamente em função do tipo de commodity analisada. Não foi possível também identificar uma estratégia que fosse superior às demais, ou mais adequada, para uma commodity específica, do ponto de vista de resultado financeiro. Os resultados sugerem entretanto, que a seleção de uma estratégia por parte do investidor, deverá considerar as tendências de mercado, abrindo espaço para a incorporação desta informação nos modelos empregados.
Modelos de negócio orientados à mobilidade urbana sustentável: modelo conceitual e evidências de casos brasileiros.
O objetivo deste trabalho é contribuir para a discussão sobre como as organizações podem desenvolver modelos de negócio que promovam a mobilidade urbana sustentável, diante da relevância crescente que as discussões sobre o futuro da mobilidade e das cidades como um todo tem assumido em diversas áreas da ciência. Parte-se da ideia de que a concentração da produção de bens e serviços em grandes centros urbanos tem acentuado cada vez mais o desafio de reduzir a dependência do veículo privado para promover alternativas que promovam a mobilidade sustentável, visto que o uso crescente deste modal trouxe reduções significativas nos padrões de qualidade do deslocamento das pessoas, além de impactar diretamente as funções econômica, ambiental e social das cidades. Nesse contexto, têm emergido diversos atores interessados em desenvolver novos modelos de negócio no campo da mobilidade urbana, expandindo as fronteiras de um setor que anteriormente vinha sendo regido, principalmente, pelas regras da indústria automotiva. No entanto, embora a literatura tenha discutido sobre como cada vez mais modelos de negócios são relevantes diante dos desafios da mobilidade sustentável, menor atenção tem sido dedicada para compreender o que de fato caracteriza um modelo de negócio orientado à mobilidade urbana sustentável. Para preencher essa lacuna de pesquisa, recorreu-se a uma análise tanto da literatura de mobilidade urbana sustentável quanto à de modelos de negócio sustentáveis. A partir do resultado da intersecção entre essas literaturas, foi proposto um modelo conceitual que abrange oito tipologias pelas quais um modelo de negócio pode promover a mobilidade sustentável, além de aspectos que caracterizam esses modelos de forma transversal. O modelo conceitual foi testado empiricamente em seis modelos de negócio alinhados às tipologias definidas, com base em um estudo de casos múltiplos de caráter exploratório. O resultado do estudo de campo evidenciou outras variáveis relevantes que devem ser consideradas na caracterização de modelos de negócio orientados à mobilidade urbana sustentável no contexto brasileiro, além de barreiras associadas ao desenvolvimento dessas iniciativas. Dessa forma, o resultado da pesquisa permitiu enriquecer o modelo conceitual proposto inicialmente com a incorporação de novas dimensões de análise, bem como obter uma perspectiva mais ampla sobre a compreensão de modelos de negócio orientados à mobilidade urbana sustentável.
2018
João Valsecchi Ribeiro de Souza
Gerenciando o paradoxo organizacional do exploitation e exploration na era de negócios digitais: um estudo de caso na indústria financeira.
Evoluir a estrutura organizacional de uma grande empresa para gerenciar a inovação de forma efetiva é fundamental para gerar valor, mas o suporte empírico sobre o \"como\" fazer ainda é limitado na literatura e este estudo aborda essa lacuna. Analisa como a estratégia de gestão da inovação em uma empresa incumbente do setor financeiro brasileiro tem contribuído para a criação e manutenção de valor ao negócio. Com base no trabalho de campo, um estudo de caso único elaborado entre dezembro de 2019 e fevereiro de 2020, identificamos dois possíveis caminhos: desenvolvimento de estruturas de inovação mais complexas, atuando de forma integrada ao ecossistema e, a criação de uma função organizacional emergente com o mandato para buscar inovações em novas plataformas de negócio, a chamada Função Inovação. Para isso foram empregadas múltiplas fontes de dados: entrevistas semiestruturadas com atores internos e externos, consulta a documentos disponíveis na internet e observação direta.
Sustentabilidade em gestão de projetos e sua relação com sucesso em projetos: proposição de um modelo teórico e empírico.
Este trabalho trata dos temas sustentabilidade, gestão de projetos e sucesso em projetos. Por abordá-los de forma conjunta, preenche uma lacuna de pesquisa que trata da conexão entre os três temas. O objetivo da tese, desenvolvida por artigos, é propor um modelo teórico e empírico de sustentabilidade aplicável no contexto de gestão de projetos e orientado para o sucesso em projetos. Como metodologia fez-se uso da abordagem combinada, envolvendo pesquisa qualitativa e quantitativa com aplicação de multi métodos. A pesquisa qualitativa foi utilizada para a sistematização da literatura dos temas chaves e para o desenvolvimento de estudos de casos múltiplos com aplicação de entrevistas com gestores de projetos e de sustentabilidade, bem como aplicação de questionário aos membros de equipes de projetos. A pesquisa quantitativa foi utilizada para a realização de levantamento survey, com 143 gestores de projetos em empresas brasileiras, e análise estatística por meio da modelagem de equações estruturais, bem como foi aplicado o método de análise fatorial exploratória. Os constructos e variáveis do modelo teórico proposto, bem como os protocolos de pesquisa survey, foram validados por meio de um fórum com 11 especialistas oriundos de 10 universidades, localizadas em seis países diferentes. Como contribuições deste estudo pode-se destacar a estruturação do referencial teórico de sustentabilidade em gestão de projetos e de sucesso em projetos; a apresentação e validação da estrutura de um modelo teórico e empírico de constructos e variáveis de sustentabilidade com enfoque Triple-Bottom Line - TBL (econômica, ambiental e social) em gestão de projetos orientado ao sucesso em projetos; e, a validação estatística do relacionamento entre sustentabilidade em gestão de projetos e sucesso em projetos. Esta última relação foi confirmada pela alta significância da relação causal entre os constructos, pois sustentabilidade em gestão de projetos contribui positivamente para o sucesso em projetos, explicando 43% dos efeitos sobre sucesso em projetos. Em decorrência, foram desenvolvidos seis artigos científicos, alguns publicados e outros submetidos para periódicos internacionais.
Proposta de modelo de formação de preços em indústrias de bens de capital sob encomenda.
Esta pesquisa apresenta um modelo de custeio para apoiar decisão de formação de preços em indústrias de produção sob encomenda. Trata-se de um modelo híbrido que se vale de diferentes métodos de custeio, os quais são, por sua vez, utilizados complementarmente uns aos outros de forma a indicar adequadamente os custos e despesas ocorridos em sistemas de produção sob encomenda para uso no auxílio à formação de preços, tais como, custos de matérias primas, de transformação e despesas fixas indiretas. O modelo se vale dos seguintes métodos: custeio-padrão, custeio por unidade de esforços da produção UEP e custeio baseado em atividades e tempo - TDABC. O modelo proposto foi aplicado em uma indústria de projeto e produção sob encomenda para o setor elétrico permitindo um estudo comparativo acerca da decisão de preços em relação ao modelo atualmente utilizado e o novo modelo proposto. Na comparação realizada, para um produto selecionado, observou-se que ao se utilizar o novo modelo o preço baseado em custos deveria ser 15.5% inferior àquele que se definiria a partir do modelo atualmente aplicado pela indústria, mostrando ter o modelo proposto um tratamento mais coerente em relação aos custos de transformação e despesas da estrutura de apoio se comparado ao modelo atual, refletindo diretamente na competitividade da indústria na medida em que um preço além daquele fixado pela concorrência para uma produção sob encomenda pode afugentar a colocação do pedido pelo potencial cliente.