Repositório RCAAP
CONTRIBUIÇÕES DO GEÓGRAFO MARCOS JOSÉ NOGUEIRA DE SOUZA AOS ESTUDOS GEOMORFOLÓGICOS E GEOAMBIENTAIS
Os estudos geomorfológicos e geoambientais compõem a trajetória científica de Marcos José Nogueira de Souza, cujas contribuições à Geografia cearense se estendem dos anos de 1970 aos dias atuais. Esta pesquisa teve por objetivo geral discutir algumas contribuições de Souza à Geografia Física regional, com destaque para as pesquisas geomorfológicas e de análise geoambiental. Procura-se identificar, ainda, as principais preocupações temáticas do autor, incluindo as pesquisas sob sua orientação. A pesquisa foi elaborada a partir do método bibliográfico, compreendendo análises de artigos, relatórios, dissertações e teses. A análise da obra de Souza permitiu inferir que os seus enfoques temáticos projetam-se para além da alçada dos estudos geomorfológicos. Destacam-se os estudos geoambientais, em que se percebe com clareza a inquietação de Souza na aplicação e aprimoramento de abordagens teórico-metodológicas que permitam a análise integrada da organização e dinâmica dos sistemas ambientais antropizados. Dentre os temas mais trabalhados por Souza, destacam-se: geomorfologia ambiental, zoneamento geoambiental, desertificação, uso e ocupação da terra, desenvolvimento sustentável, ecodinâmica das paisagens, degradação ambiental, ambiente semiárido, mapeamento de sistemas ambientais, análise socioambiental e ainda métodos e técnicas de pesquisa em Geografia Física e Geomorfologia.
2021
Tavares Da Silva, Francisco Jonh Lennon Sabóia De Aquino, Cláudia Maria
O PROJETO DE MICROBACIAS II E A INSERÇÃO DOS PEQUENOS CAFEICULTORES DE PARDINHO E PRATÂNIA NA CADEIA PRODUTIVA DO CAFÉ
A pesquisa tem como objetivo analisar o Projeto de Desenvolvimento Rural Sustentável Microbacias II – Acesso ao mercado (PDRS) nos Municípios de Pratânia e Pardinho, localizados no Estado de São Paulo. Os dois municípios compõem o Escritório de Desenvolvimento Rural (EDR) de Botucatu que apresentou expressividade na aprovação dos planos de negócios nas cinco primeiras chamadas públicas do projeto. Tendo em vista que o produto é uma commoditie agrícola, procurou-se analisar a cadeia produtiva no contexto da globalização, considerando a atuação e o poder de barganha das grandes tradings no mercado. Para alcançar os objetivos pretendidos foram realizados a revisão da literatura, consultados dados no IBGE e Portal LUPA. Também foram realizadas entrevistas com os presidentes das duas associações com planos de negócios aprovados pelo Microbacias II e com os técnicos executores das respectivas propostas e aplicados formulários a produtores rurais associados que participam das propostas de negócios
2021
Dos Santos Pedro , Vania Cristina
A EXPANSÃO URBANA DA CIDADE DE EUNÁPOLIS E SUA INTERFACE COM A OFERTA DE SANEAMENTO BÁSICO
Este estudo buscou analisar a interface entre a expansão da cidade de Eunápolis e a oferta de saneamento básico. Impulsionada pelo plantio de eucalipto na região e pela implantação da indústria de celulose, a dinâmica econômica da cidade se altera com crescimento econômico e aumento populacional. Para atender à demanda do contingente de migrantes em busca de oportunidades, novos bairros foram surgindo, porém, sem a infraestrutura adequada de saneamento básico, que é um importante elemento na qualidade de vida das pessoas. Como metodologia para atingir o objetivo, foi realizado estudo bibliográfico para maior aproximação dos estudiosos sobre o tema e a análise de dados secundários do Sistema de Informação da Atenção Básica (SIAB) no período de 1998 – 2013; Atlas de Saneamento Básico (2011); Instituto Trata Brasil (2012); e, da Empresa Baiana de Água e Saneamento (2005 – 2013). Evidenciou-se no estudo que não há uma universalização da cobertura pela rede pública de esgoto, na qual apenas 20,4% das famílias cadastradas no SIAB declararam ter acesso a esse serviço. A fossa como destino do esgoto foi utilizada por 68,9% das famílias no ano 2013. Da mesma forma, a disposição do esgoto a céu aberto foi referida como prática por 10,3% das famílias. O fornecimento de água por intermédio da rede pública teve cobertura de 82,2% em 2013, porém 15,7% das famílias declaram fazer uso de água de poço ou nascente. A coleta de lixo também teve uma boa cobertura pelo serviço público de coleta, mas persistiu a prática de enterro, queima e disposição do lixo a céu aberto. O destino do lixo ainda ocorreu nos chamados “lixões”. Em 2013, a cidade não contava com rede pluvial, acarretando ruas alagadas em vários pontos da cidade. Considera-se que a cidade precisa ser (re)pensada para que o crescimento econômico e o desenvolvimento humano caminhem próximos para que a população tenha acesso aos serviços públicos, incluindo o saneamento básico que é um elemento importante para a saúde das pessoas e preservação do meio ambiente. Para isso, o Plano Diretor Municipal e o Plano Municipal de saneamento básico deverão ser mecanismos tanto para a regulação do uso do solo como para o destino correto do esgoto sanitário, do lixo e das águas pluviais.
2021
Dos S. Gonçalves, Maria Emília Da Silva , Gilson Santos Da Costa Nunes, Marcus Antonius
VULNERABILIDADE POTENCIAL À EROSÃO NA SUB-BACIA HIDROGRÁFICA DO RIO FIGUEIREDO/CE
A pesquisa se refere à determinação da vulnerabilidade potencial à erosão na sub-bacia hidrográfica do rio Figueiredo, localizada na porção oriental do Estado do Ceará. O estudo teve como base o método proposto por Crepani et al. (2001) referente à elaboração da carta de vulnerabilidade à perda de solo. As informações relativas à geologia, geomorfologia, intensidade pluviométrica e solo da sub-bacia em questão foram tratadas no software SPRING/INPE, com aplicação de álgebra de mapas. Foram identificadas três classes de vulnerabilidade à erosão, subdivididas em oito subclasses distribuídas ao longo das unidades morfopedológicas presentes na sub-bacia. Aproximadamente 65% da área da sub-bacia do rio Figueiredo foi classificada como moderadamente estável e apenas 35% como medianamente estável/vulnerável. A classe moderadamente vulnerável representou menos de 1% do total da sub-bacia. As condições de vulnerabilidade potencial na sub-bacia hidrográfica do rio Figueiredo apresentam-se deste modo em estado intergrade com tendência a estabilidade.
2021
De Almeida Pinheiro, Francisco Sérgio Vasconcelos, Fábio Perdigão
DEGRADAÇÃO AMBIENTAL PRODUZIDA A PARTIR DA EXTRAÇÃO DE ROCHAS ARENÍTICAS, EM PIRACURUCA (PI), BRASIL
A extração dos recursos naturais de forma inadequada tem deixado marcas agressivas ao ambiente, cite-se a extração de rochas areníticas. Logo, a pesquisa buscou analisar os cenários degradacionais existentes nas jazidas de arenitos, siltitos e folhelhos, em Piracuruca, Piauí. A execução do estudo foi sumamente importante devido o contexto atual que almeja a racionalidade ambiental. Nessa lógica, propôs-se identificar e descrever os cenários degradacionais, caracterizar a forma de extração e discutir sobre a (in) sustentabilidade da extração de rochas areníticas nas formações rochosas em questão. Nessa ótica, embasado em autores que discutem sobre o planejamento e a degradação ambiental oriunda da extração de rochas areníticas, adotou-se a metodologia qualitativa para análise e interpretação dos dados originados de observação e entrevista na empresa Brita Ramos. Dessa forma, pode-se afirmar que o potencial econômico foi identificado por geólogos contratados pelo dono da empresa, que também foram responsáveis pela elaboração do Estudo e Relatório de Impactos Ambientais (EIA/RIMA). A área em estudo apresenta perda de vegetação nativa e acúmulo de resíduos, resultando principalmente em degradação visual da paisagem. Portanto, há necessidade de fiscalização mais rigorosa, pois com a pesquisa percebeu-se que a extração é feita sem observação aos referenciais teóricos, sem o auxílio de um profissional qualificado e/ou por uma equipe multidisciplinar.
2021
De Amorim Dos Santos, Francílio
A IMPORTÂNCIA DA GEOGRAFIA DOS TRANSPORTES E O TRANSPORTE AÉREO DE CARGAS DE 1990 ATÉ OS DIAS ATUAIS
O artigo tem por objetivo apresentar alguns conceitos da geografia dos transportes, tais como: logística, circulação e transportes, e ao mesmo tempo, compreender como se desenvolveu o transporte aéreo de cargas no Brasil na década de 1990 após a abertura comercial. O método utilizado envolve, além da pesquisa bibliográfica de livros, artigos e revistas cientificas acerca da geografia dos transportes, a realização de análises dos Anuários Estatísticos desenvolvidos pelo Departamento de Aviação Civil (DAC) e da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), nos quais, constam os dados de movimentação de cargas aéreas, fluxos (origens e destinos) e a representatividade das cargas aéreas de importação e exportação movimentadas pelas companhias aéreas de bandeira nacional e estrangeira nos aeroportos brasileiros. Os resultados apontam o domínio das importações versus exportações de cargas de alto valor agregado e a forte presença de companhias aéreas estrangeiras no mercado aéreo brasileiro de cargas. Assim, concluímos que a repentina inserção comercial no cenário internacional do Brasil, ocasionou uma forte concorrência entre as grandes companhias aéreas estrangeiras em detrimento das companhias aéreas nacionais, o que resultou na formação de grandes grupos internacionais no transporte aéreo de cargas atuando no Brasil.
2021
Quintilhano, Diogo
PROFESSOR DE GEOGRAFIA, SABERES E PRÁTICAS PERTINENTES À CONSTRUÇÃO DO CURRÍCULO GEOGRÁFICO: CONTRIBUIÇÕES DE UMA GEOGRAFIA ECONÔMICA NO ENSINO FUNDAMENTAL
A proposição deste artigo nasce das discussões realizadas durante a disciplina de doutorado do Programa de Pós Graduação em Geografia da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) na disciplina Formação Econômica e Social Brasileira e Ensino de Geografia. Existe um esforço em indicar possíveis caminhos para se alcançar os objetivos propostos para com a geografia no ensino fundamental, entre eles, os PCNs/Geografia têm sua proposição mais forte como por exemplo, na indicação de eixos e temas orientadores das discussões geográficas. Nossa intenção é colaborar com as discussões acerca do papel do professor de geografia no ensino básico (em especial os anos finais do ensino fundamental) estabelecendo, para isso, relações sobre as formas dos saberes pertinentes à construção do conhecimento geográfico e como a prática do professor é (des)orientada pela prática da escola. Esperamos colaborar com as reflexões sobre como temas da geografia econômica no currículo de geografia podem contribuir para novas formas de leitura do espaço geográfico no ensino fundamental.
2021
De Siqueira, Santiago Alves
ENSINO DE GEOGRAFIA E MUDANÇAS CLIMÁTICAS: ANÁLISE SOBRE A COLEÇÃO “EXPLORANDO O ENSINO”- MEC (2004-2010)
Os diálogos e acordos internacionais sobre mudanças no clima possuem reverberações diretas em políticas públicas de muitos países. Isto faz com que se construam medidas e ações para a justificação de ideias e projetos. No Brasil, nos anos de 2008 e 2009 são apresentados o plano e a política nacional sobre as mudanças no clima, designando interposições nos âmbitos educacionais. Neste ínterim, a coleção “Explorando o Ensino” – MEC (2004-2010), criada para fomentar/auxiliar a prática de ensino do professorado, é levada pela política climática a tratar o assunto “mudanças climáticas” em caderno específico, separando-o das demais disciplinas curriculares da educação básica como a Geografia. Neste sentido, este artigo busca demonstrar como ocorre a alocação da chamada “Ciência das Alterações Climáticas” enquanto meio de ensino do clima e suas nuances, em detrimento da observação inerente pelos aportes da Geografia. Para isto, tomou-se como referência de análise os volumes 8 e 22, atinentes ao ensino de Geografia, e o volume 13, elaborado para tratar especificamente das “mudanças climáticas” na coleção “Explorando o Ensino”. Adota-se a dialética como método e o contrastar epistemológico das diferentes abordagens como metodologia de análise. Concluí-se que a formatação em volume específico do assunto “mudanças climáticas” não atingiu características interdisciplinares e distanciou a compreensão da questão pela abordagem geográfica. Isto alude que as aferições pelas categorias de análise da Geografia são secundárias no processo, devendo ser afirmados os cenários climáticos e as ações de mitigação e adaptação provindas de estudos da “Ciência das Alterações Climáticas” e seus desdobramentos propositivos.
2021
Gobis Verges, João Vitor
ORGANIZAÇÃO DO ESPAÇO INDUSTRIAL CALÇADISTA NO CEARÁ: O CASO DA DAKOTA NORDESTE S/A EM RUSSAS
Esta pesquisa teve como objetivo compreender a relação entre atividade industrial e organização do espaço urbano a partir da ação da empresa calçadista Dakota Nordeste S/A em Russas no Ceará. Para isso utilizamos dados secundários oriundos da Relação Anual de Informações Sociais – RAIS, e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE, e dados de pesquisas in situ. A globalização, a separação entre os espaços de produção e os espaços de gestão e as inovações tecnológicas no sistema de comunicação reduziram o tempo e a distância, alterando as escolhas locacionais de empresas, que não necessitam mais da proximidade da matéria prima ou do mercado de consumo para viabilizarem seus processos produtivos. Priorizam-se os incentivos fiscais, a não sindicalização de trabalhadores e o custo da força de trabalho para a escolha locacional de determinados setores da indústria. Foi dentro desse contexto que o estado do Ceará, mais especificamente o município de Russas, atraiu empreendimentos de capital externo na figura da Dakota Nordeste S/A. Esse processo de modernização exige imediatamente uma reestruturação do trabalho e do espaço. Conclui-se que a nova dinâmica presente em Russas repercute diretamente na dinâmica urbana, uma vez que engendram importantes mudanças na organização espacial da cidade, visto que o trabalho foi e é organizado pelo setor calçadista, não para que seja definida uma "tarefa ótima" (menor tempo-padrão de execução), mas para que a lucratividade seja "ótima" (maior acumulação). Assim, o capital se materializa na cidade nos contornos de uma urbanização demográfica inscrevendo-a novos conteúdos e sentidos.
2021
Oliveira De Alencar, João Vitor
ANÁLISE ANTROPOGÊNICA DA BACIA HIDROGRÁFICA DO RIO CACAU-MA
A vegetação se reveste de valor para uma bacia hidrográfica devido à expressão que a cobertura vegetal imprime à paisagem, constituindo-se em um componente de fácil observação e compreensão. A pesquisa teve por objetivo de identificar, na bacia hidrográfica, as principais unidades fitogeográficas, averiguar o estado de conservação e investigar os principais interferentes antropogênicos na área. Utilizou-se das cartas da Diretoria de Serviço Geográfico (DSG) e de imagem de satélite CBERS-2, manipuladas com auxílio do Software SPRING, os dados foram aplicados ao método de Máxima Verossimilhança (MAXVER). A bacia do rio Cacau está localizada no Estado do Maranhão, na região sudoeste, tem a área de 938,7 km2, pertencendo à Amazônia Legal. A área da bacia é transição entre floresta estacional, com características amazônicas e cerrado, contendo as seguintes unidades fitogeográficas: vegetação florestada (cerradão), vegetação arborizada (cerrado limpo), vegetação secundária e áreas antropizadas. As manchas de pastagem representaram 47,2% da área da bacia; seguida da vegetação secundária, com 27,7%; vegetação florestada de cerrado, com 18,3%; cerrado limpo com 4,9% e mancha de urbanização com 1,9%. Verificou-se, também, a interferência da urbanização, que está alcançando o rio e seus afluentes, alterando toda a dinâmica na paisagem natural, provocando, assim, uma nova paisagem antropizada.
2021
Rodrigues Da Silva, Aichely Araújo Dos Santos, Luiz Carlos
BACIAS HIDROGRÁFICAS COSTEIRAS: IMPORTÂNCIA E CENÁRIO DEGRADACIONAL NO SETOR LESTE METROPOLITANO DE FORTALEZA, ESTADO DO CEARÁ
Adotar a bacia hidrográfica como uma entidade espacial de análise compreende um esforço que se encontra atrelado ao tripé ambiental, social e econômico, tendo em vista que em sua morfologia são agregadas, sistematicamente, às ações da natureza e da sociedade. O estudo em apreço objetiva avaliar as condições ambientais e socioeconômicas das bacias hidrográficas costeiras dos rios Catú, Caburé, Caponga Funda, Caponga Roseira e Mal Cozinhado, as quais envolvem no todo ou em partes os municípios de Aquiraz, Cascavel, Horizonte, Pacajus e Pindoretama, no estado do Ceará, com vista a diagnosticar sua importância hídrica e os principais cenários degradacionais. A fundamentação teórico-metodológica encontra-se nos estudos sistêmicos, baseada no viés da concepção e percepção das relações indissociáveis entre natureza e sociedade. Diante dos problemas diagnosticados no que se refere aos impactos ambientais negativos configurados no conjunto das bacias hidrográficas costeiras, destacam-se os elevados níveis de degradação da cobertura vegetal e contaminação/ poluição dos corpos hídricos, tanto do ponto de vista industrial quanto residencial, devido às precárias e/ou inexistentes ações de saneamento básico. Por sua vez, as características degradacionais podem ser consideradas tensores desencadeadores para o atual cenário de degeneração dos sistemas ambientais outrora naturais, hoje antropizados. Conclui-se que critérios subjetivos devem ser substituídos por análises mais abrangentes e consistentes que deem subsídios concretos ao planejamento territorial no âmbito metropolitano.
2021
Silva Albuquerque, Emanuel Lindemberg Nogueira de Souza, Marcos José
LABOR GEOGRAPHY – Professor Dr. Andrew Herod
O Professor Andrew Herod do Departamento de Geografia da Universidade da Geórgia é uma das principais referências no mundo quando o assunto é Geografia do Trabalho. Desde o seu doutorado em 1992 o entrevistado tem se dedicado ao estudo das modificações engendradas pela dinâmica do capitalismo no período da globalização e seus rebatimentos na organização da classe trabalhadora. O Professor Andrew Herod adota como linha de estudo, o que ele tem chamado de Labor Geography, o qual considera um emergent field, ou seja, um campo emergente de estudos que busca situar os trabalhadores não apenas como agentes históricos, mas também como agentes geográficos. Para Herod (2003), os trabalhadores são responsáveis por moldar as estruturas espaciais, embora sejam eles constantemente impelidos pela ação do capital.
2021
Bezerra, Juscelino Eudâmida
CIDADES MÉDIAS E PLANEJAMENTO URBANO NA ESPANHA: PERSPECTIVAS, LIÇÕES E DESAFIOS PARA A POLÍTICA URBANA – Professor Dr. Josep Maria Llop-Torné
Josep Maria Llop-Torné é Diretor da Cátedra UNESCO da Universidade de Lleida (Catalunha – Espanha) sobre “Ciudades Intermedias-Urbanización y Desarrollo”. É Arquiteto e Urbanista desde 1974, pela Escuela Técnica Superior de Arquitectura de Barcelona - Universidad Politécnica Cataluña (ESTAB-UPC). Foi Diretor de Urbanismo da cidade de Lleida entre 1979-1987, Diretor e Coordenador de Urbanismo de Barcelona entre 1988-1991, antes dos jogos olímpicos de 1992, bem como Diretor de Urbanismo e Meio Ambiente de Lleida, entre 1991-2003. Foi Presidente da Agrupación de los Arquitectos Urbanistas de Cataluña de 1989 a 2001. É professor da Universidade de Lleida, da ESTAB-UPC e de outras universidades, onde tem orientado estudantes de mestrado e pós-graduados. Como diretor do Plan General de Urbanismo de Lleida entre 1995-2015, obteve o Primeiro Prêmio de Urbanismo da Catalunha, outorgado pela Sociedad Catalana de Ordenamiento Territorial e patrocinado pela Generalitat de Catalunya. Também em 2010, foi-lhe outorgada a Medalha do Colegio Oficial de Arquitectos de la Cataluña a la Promoción del Urbanismo. Foi coordenador de um Projeto Comum da Red Urbanización en América Latina sobre “Gestión y Control de la Urbanización”, com seis cidades mais a Comissão Econômica para América Latina (CEPAL). Desde 1996 tem sido Diretor do Programa internacional de trabalho da União Internacional Arquitetos (UIA) sobre as “Ciudades intermedias y urbanización mundial” (UIA-CIMES). Contato: jmllop@geosoc.udl.cat.
2021
Couto, Edna Maria Jucá Amorim, Wagner Vinicius
EVOLUÇÃO DO COMÉRCIO E DOS SERVIÇOS EM UMA CIDADE MÉDIA NO BRASIL
Diante da reestruturação produtiva que ocorre no Brasil, notadamente nas três últimas décadas, e das intensas transformações urbanas decorrentes deste processo, especialmente nas atividades comerciais e de serviços, analisaremos o caso de uma cidade média no Nordeste do país, Mossoró, localizada no oeste do Estado do Rio Grande do Norte. Caracterizada historicamente por suas funções comerciais, desde os anos 2000 passa por uma modernização das formas de realização desta atividade, a exemplo da instalação de importantes redes multinacionais de hipermercados e de um shopping center. Entretanto, o comércio tradicional ainda mantém importante papel na cidade, mediante relações entre verticalidades e horizontalidades. Discutiremos algumas dinâmicas socioespaciais recentes, resultantes do processo de reestruturação econômica e urbana, nas quais se estabelecem novos arranjos espaciais no comércio, com a concentração e a dispersão das atividades, reforçando as disparidades interurbanas, intraurbanas, assim como regionais.
2021
Couto, Edna Maria Jucá Elias, Denise
A REDE URBANA DA MESORREGIÃO NOROESTE DO RIO GRANDE DO SUL: O PAPEL DAS CIDADES NOS CIRCUITOS DA AGRICULTURA MODERNIZADA
No texto é analisada a rede urbana da Mesorregião Noroeste do Rio Grande do Sul considerando o papel que as cidades médias e as “cidades de intermediação” desempenham nos circuitos da agricultura modernizada. Conceituam-se as cidades médias como aquelas que exercem papéis regionais na rede urbana. A expressão “cidades de intermediação” constitui uma proposta inicial para denominar as cidades que, sem exercer um papel de articulação regional, possuem funções especificas de apoio às atividades agrícolas, participando em redes que extrapolam a escala regional. O ponto de partida para a análise da rede urbana foi o estudo das Regiões de Influência das Cidades de 2007, com destaque para as “capitais regionais” e os “centros sub-regionais”. Nessas cidades foram identificadas as principais empresas e serviços relacionados com a agricultura modernizada e o agronegócio. Também foram analisadas outras cidades que, embora não tenham destaque no estudo REGIC, desempenham importantes funções no contexto da agricultura regional. Em termos gerais, todas as cidades analisadas caracterizam-se por ser nós de intermediação na rede urbana, considerando que participam da inter-relação produtiva regional e inclusive, nalguns casos, participam em circuitos nas escalas nacional e global.
INDICADORES MORFOMÉTRICOS DOS PROCESSOS FLUVIAIS NO ALTO CURSO DO RIO MUNDAÚ, CEARÁ, BRASIL
Os aspectos físicos e bióticos de uma bacia hidrográfica exercem significativa influência nos processos fluviais, condicionando o balanço entre a infiltração e o escoamento superficial do total da precipitação efetiva que atinge a bacia, assim como pode influenciar na velocidade e capacidade energética desses processos, que são responsáveis por desencadear fenômenos erosivos e deposicionais. Nesse sentido, os parâmetros morfométricos auxiliam na compreensão da dinâmica fluvial. Variáveis relacionadas à forma da bacia, à declividade e as formas de uso e cobertura do solo são indicadores da capacidade erosiva, deposicional e do tempo de concentração do escoamento superficial em sua seção de controle. O objetivo do trabalho foi avaliar as relações entre os padrões morfométricos e processos fluviais no alto curso do rio Mundaú, localizado no maciço de Uruburetama, Ceará, Brasil, com auxílio de técnicas de geoprocessamento e sensoriamento remoto, além da análise de dados hidrológicos históricos.
2021
Praciano Sampaio, Augusto César Nunes Cordeiro, Abner Monteiro Holanda Bastos, Frederico De
A INFLUÊNCIA MORFOESTRUTURAL NO DESENCADEAMENTO DE MOVIMENTOS DE MASSA NO MACIÇO DE URUBURETAMA, CEARÁ, BRASIL
O Maciço de Uruburetama apresenta uma morfologia que documenta episódios de evolução morfotectônica e morfoclimática ao longo do tempo geológico. Esse Maciço granitoide Neoproterozoico apresenta grande influência de controle estrutural, com linhas de falhas que representam descontinuidades do relevo, demonstrando a importância da tectônica na estruturação do embasamento da área. O trabalho objetiva analisar os componentes morfoestruturais do maciço de Uruburetama responsáveis por desencadear movimentos de massa. Dessa forma, foram realizados procedimentos técnico-metodológicos como: levantamentos bibliográficos e pesquisa de campo, além do uso das geotecnologias. Os resultados demonstram que os sistemas de falhas e fraturas na área de estudo, exercem importante influência no controle estrutural da drenagem e na dissecação do relevo, porém esse sistema não é fator decisivo. As características do relevo da área, associadas às condições naturais e as práticas de uso inadequadas do solo, potencializam o desencadeamento de movimentos gravitacionais.
2021
De Sousa Lima , Danielle Lopes Nunes Cordeiro, Abner Monteiro De Holanda Bastos, Frederico
FISCALIZAR COM FLUIDEZ: O NÓ LOGÍSTICO ADUANEIRO DE FOZ DO IGUAÇU-PR E O USO CORPORATIVO DO TERRITÓRIO
A circulação, no atual período histórico, não é realizada apenas por meio de técnicas que viabilizam a movimentação de mercadorias e informações, mas por normas e instituições que regulam, organizam e potencializam esses fluxos. Essas condições técnico-normativas estão reunidas nos portos secos, nós logísticos alfandegados capazes de viabilizar a fluidez necessária a determinados circuitos espaciais de produção, ao mesmo tempo que servem ao controle fiscal. A atuação do porto seco como nó de circuitos espaciais nos põe a pensar o território usado como um recurso para os agentes corporativos, cuja atuação se dá em consonância com o estado, sendo a logística territorial uma materialização dessa relação e do conhecimento das empresas a respeito do território, com todas as suas normas, seus limites, seus trunfos etc. Tendo em vista essas questões, o objetivo deste artigo é analisar o porto seco de Foz do Iguaçu-PR e a importância crescente dos nós logísticos aduaneiros nos processos tributários e, sobretudo, com o incremento de elevada densidade técnico-normativa-informacional. Com esses elementos postos em discussão, constata-se que o porto seco rodoviário de Foz do Iguaçu incorporou técnicas e normas que capacitaram o nó logístico aduaneiro em elevar fluidez, garantindo fluidez aos circuitos espaciais de produção, ao mesmo tempo em que ampliou o controle fiscal, assegurando uma importante arrecadação para o estado, auferindo lucros com o aumento da movimentação de caminhões. A ideia é fiscalizar com fluidez, em uma regulação híbrida do território entre estado e corporação que detém a concessão, demarcando normas, tentando estabelecer poder sobre os fluxos em meio à uma conflituosa dinâmica de fronteira.
2021
Da Silva Junior, Roberto França