Repositório RCAAP
Organização e qualidade de programas para o desenvolvimento da maratona aquática de alto rendimento no Brasil
Pesquisas recentes buscaram compreender a organização de programas esportivos em diferentes países com sucesso internacional. Esses estudos relatam a existência de pontos comuns relevantes para o desenvolvimento do esporte de alto rendimento. No entanto, pouco tem sido discutido no meio acadêmico em âmbito nacional a respeito deste tema. Esta pesquisa foi realizada em duas fases, respectivamente A e B, com os seguintes objetivos: Fase A - descrever a estrutura organizacional da maratona aquática no Brasil, com referência aos aspectos de administração do sistema esportivo e ao sistema de desenvolvimento e suporte para atletas e técnicos da maratona aquática conforme propostos por Green e Oakley (2001); Fase B - verificar a qualidade dos programas de detecção, seleção e promoção dos talentos esportivos (DSPTE) na maratona aquática no Brasil com relação à estrutura, processos e resultados. Na fase A foi realizada uma entrevista semiestruturada, junto a 2 técnicos olímpicos e 2 funcionários responsáveis pela organização da modalidade sendo um representante do nível nacional e outro do nível municipal no Brasil; na análise dos resultados foi utilizado o método do Discurso do Sujeito Coletivo (DSC) proposto por Lefèvre e Lefèvre (2003). Na fase B foi aplicado um questionário desenvolvido por Rütten, Ziemainz e Röger (2005), o qual foi traduzido e validado para a língua portuguesa, junto a 2 técnicos olímpicos, 2 funcionários responsáveis pela organização da modalidade sendo um representante do nível nacional e outro do nível municipal no Brasil e 9 atletas (3 olímpicos e 6 da seleção júnior); os dados foram analisados descritivamente através dos valores de mediana dos dados obtidos, com a utilização do programa SPSS versão 20. De acordo com os resultados verificou-se que as entidades governamentais e não governamentais possuem papel diferente entre si devido à ausência de organização centralizadora e comunicação direta entre atleta de alto rendimento e entidades no nível nacional. O sistema de desenvolvimento e suporte para atletas e técnicos da maratona aquática no Brasil acontece apesar de não existir um sistema de desenvolvimento do talento esportivo elaborado pelos órgãos no nível nacional e do COB oferecer, de modo restrito, apenas dois programas sendo um de aperfeiçoamento técnico e outro voltado para o atleta em transição da carreira esportiva para o término da carreira esportiva. Nos programas de detecção, seleção e promoção de talentos esportivos para a maratona aquática de alto rendimento no Brasil, foi verificada baixa qualidade nos Resultados da DSTE, pois esse processo é desenvolvido conjuntamente à natação permitindo a migração para a maratona aquática somente a partir dos 14 anos e alta qualidade para os Processos da PTE nos quais os atletas que alcançaram o alto rendimento esportivo são assistidos de maneira diferenciada. Diante da inexistência de um sistema esportivo nacional para esta finalidade, sugere-se que seja verificada a estrutura organizacional da maratona aquática em outros países com sucesso internacional para que, a exemplo das pesquisas comparativas sobre o sistema esportivo de outras nações, seja possível identificar semelhanças para diminuir os aspectos negativos e se manter entre as maiores potências esportivas
2014
Maressa D'Paula Gonçalves Rosa Nogueira
Respostas psicofisiológicas na arbitragem do judô: efeitos da experiência dos árbitros e do nível das competições.
A competição de judô é instituída por grande número de regras e o combate se configura pela diversidade de ações entre lutadores. O desempenho adequado e a tomada de decisão correta na arbitragem dessa modalidade requerem autocontrole e elevado nível de concentração, que são variáveis psicofisiológicas moduladas pela interação do córtex pré-frontal e de estruturas límbicas juntamente com o eixo hipotálamo-hipófise-adrenal (HHA) e o sistema cardiovascular. Portanto, o objetivo deste trabalho foi investigar reações psicológicas e fisiológicas de árbitros em competições de judô. Para tal, a amostra foi constituída de dois grupos de árbitros: o primeiro designado grupo nacional (GN; n = 8), cujos participantes possuíam mais tempo de atuação, isto é, 17 ± 4 anos de prática e o outro denominado grupo estadual (GE; n = 8), que por sua vez, continha árbitros com menos tempo de experiência, ou seja, 6 ± 1 anos de prática. Ambos os grupos participaram de competições de nível regional (CREG) e estadual (CEST). Foram medidas as alterações da variabilidade da frequência cardíaca (VFC), do fluxo salivar (FS), do cortisol salivar (CS) e da imunoglobulina A salivar absoluta (sIgAabs) e taxa (sIgAtaxa). Para essas variáveis, as condições e grupos foram comparados por meio de análise de variância a dois fatores com medidas repetidas. Além disso, a ansiedade obtida via teste de ansiedade em arbitragem de competição esportiva (SCAT adaptado) e inventário de ansiedade-estado (IDATE-E), cuja comparação foi feita por teste não-paramétrico de Friedman e as diferenças examinadas pelo teste de Dunn. Observou-se que na CEST ambos os grupos de árbitros apresentaram maior nível de ansiedade (p < 0,05). O GE também mostrou maior ansiedade indicada pelo SCAT adaptado (21 ± 3 pontos) que o GN (16 ± 4 pontos), em CEST (p < 0,05). Os índices da VFC indicaram maior atividade parassimpática no GN (rMSSD = 118 ± 35 ms) do que no GE (rMSSD = 49 ± 23ms), em CEST (p < 0,05). O índice da VFC medido pela razão SD1/SD2 no GN (0,58 ± 0,16), também representou maior atividade parassimpática do que no GE (0,33 ± 0,11), em CREG (p < 0,05). O GE manifestou maior atividade simpática (SDNN = 59 ± 21ms), especialmente em CEST (p =0,02), do que o GN (SDNN= 128 ± 66 ms). Notou-se não haver diferenças estatísticas significantes nas variações no CS. O GE apresentou maior FS e sIgAtaxa (0,73 ± 0,36 ml/min; 498 ± 253 g/min, respectivamente) do que apresentado pelo GN para essas variáveis (0,34 ± 0,33 ml/min; 213 ± 215 g/min, na devida ordem), em todas as mensurações (p < 0,001). Houve correlação entre o SCAT adaptado e o índice rMSSD da VFC (rs = 0,39) e o índice SDNN (rs = 0,40) e entre o índice rMSSD e a sIgAtaxa (rs = 0,40). Os resultados mostraram que árbitros de judô para buscarem seu equilíbrio psicofisiológico, na arbitragem das competições, efetuaram autorregulações orgânicas motivadas pela sua experiência profissional e em conformidade com os desafios que surgiram da importância do evento esportivo
Efeito da aplicação de sobrecarga em saltos horizontais e sprints com e sem mudança de direção sobre o desempenho físico de jogadores de futebol americano
É amplamente aceito que o desempenho físico em modalidades como o futebol americano é dependente da potência muscular. Apesar do exposto, ainda existe uma grande controvérsia com relação à manipulação do treinamento de potência ao longo de um período de preparação competitiva. Apesar de o treinamento de força convencional ser usualmente utilizado para o desenvolvimento da potência, tem-se sugerido que para aumentos adicionais nesta capacidade seja necessário o emprego de estratégias mais específicas do ponto de vista mecânico. Contudo, os papéis da aplicação de sobrecarga em gestos específicos não são claros. Assim, o objetivo do presente estudo foi comparar os efeitos de um protocolo de exercícios específicos envolvendo sprints, descolamentos laterais e saltos sem ou com aplicação de sobrecarga sobre o desempenho da velocidade, agilidade e potência. Vinte e quatro sujeitos foram balanceados e distribuídos aleatoriamente em dois grupos experimentais e realizaram dez semanas de treinamento. Nas quatro primeiras semanas foi realizado um treinamento de força. Após este período, foi realizado um protocolo de treinamento específico realizado sem (grupo S) ou com aplicação de sobrecarga (grupo S+V) por mais seis semanas. O desempenho da força (1RM), potência média (PM) e potência média propulsiva (PMP), o desempenho do salto vertical com (CMJ) e sem (SJ) contra movimento, salto horizontal (SH), a velocidade em 5, 10, 15 e 20m e a agilidade em diferentes testes (teste-T, three-cone drill e pro-agility drill) foram avaliados pré-treinamento e após quatro e dez semanas. Após quatro semanas, uma análise por modelos mistos mostrou aumentos similares em ambos os grupos no desempenho do 1RM, PM30%1RM, 10 e 15m, (p<0,05). Após o período de treinamento específico, ambos os grupos apresentaram aumentos no desempenho do SH e teste-T (p<0,05). Quando observamos o efeito conjunto de todo o programa, ou seja, das dez semanas de treinamento, os grupos mostraram aumentos no 1RM, PM30%1RM, SH e nos três testes de agilidade (p<0,05). Além disso, o grupo S+V demonstrou aumentos no desempenho do SJ, CMJ e no teste de velocidade em 10, 15, e 20m (p<0,05). Adicionalmente, apesar de não terem sido observadas diferenças estatísticas entre os grupos, o grupo S+V apresentou um tamanho do efeito superior em praticamente todas as variáveis dependentes comparado ao grupo S após as dez semanas de treinamento. Assim, é possível sugerir a utilização de um protocolo de treinamento de força seguido por um protocolo específico realizado com sobrecarga adicional quando pretendido aumentar o desempenho em habilidades determinantes para o desempenho físico de jogadores de futebol americano.
Associação do polimorfismo da ECA e variáveis fisiológicas determinantes da aptidão aeróbia
O consumo máximo de oxigênio (VO2máx), o limiar ventilatório (LV), ponto de compensação respiratória (PCR) e a economia de corrida (EC) são importantes variáveis fisiológicas associadas com a aptidão aeróbia em corrida. Acredita-se que o polimorfismo da enzima conversora de angiotensina (ECA) possa estar influenciando nos valores dessas variáveis. Contudo, essa relação causal não tem sido amplamente estudada durante a corrida. Dessa forma, o objetivo do presente trabalho foi investigar a associação entre os genótipos da ECA e o VO2máx, LV, PCR e EC mensuradas durante a corrida em esteira. Cento e cinquenta (n = 150) voluntários fisicamente ativos realizaram os seguintes testes: a) teste incremental máximo para determinação do VO2máx, LV e PCR; b) dois testes de velocidade constante (10 km/h e 12 km/h) em esteira para determinação da EC. Os genótipos apresentaram a frequência de: II = 21% ; ID = 52% e DD = 27%. Os resultados apresentaram uma tendência dos indivíduos com o genótipo II apresentarem maiores valores do VO2máx (p = 0.08), bem como a análise do efeito prático apresentou um possível efeito benéfico desse genótipo. No entanto, não foi constatada diferença entre os valores do LV, PCR, e EC entre os indivíduos. Esses resultados sugerem que o genótipo II da ECA pode estar influenciando nos valores da variável máxima relacionada com o consumo de oxigênio
2015
Salomão Bueno de Camargo Silva
Correlações da aptidão aeróbia e de fatores neuromusculares no desempenho em sprints repetidos em tenistas de diferentes níveis competitivos
O objetivo desse estudo foi verificar a relação da aptidão aeróbia e de fatores neuromusculares com o desempenho em SR em tenistas com diferentes níveis de jogo. Um grupo de dez tenistas profissionais (GP) e um grupo de dez tenistas amadores (GA) foram submetidos a quatro sessões experimentais, a saber: 1) medidas antropométricas, familiarização com o teste de drop jump (DJ) e com o teste de contração voluntária isométrica máxima (CVIM) para membros inferiores, e um teste progressivo até a exaustão; 2) um teste de DJ e um teste de carga constante para avaliar a cinética on e off do consumo de oxigênio (VO2); 3) um teste de CVIM para membros inferiores, outro teste de carga constante para avaliar a cinética on e off do VO2 e familiarização com o teste de SR; 4) um teste composto por dez SR. O GP apresentou valores significativamente menores para o tempo do melhor sprint (SRmelhor) e para a média dos tempos de todos os sprints (SRmédio) em relação ao GA (p < 0,05). O percentual de aumento do tempo ao longo dos sprints (SR%aumento) do GP não foi significativamente menor em comparação ao GA (p = 0,102), porém a chance dessa variável ser menor para o GP foi considerada \"provável\". Para o GP, a única correlação significativa observada foi entre o SRmédio e o tempo de contato obtido no teste de DJ (r = 0,641, p < 0,05). Em relação ao GA, foram observadas correlações significativas da velocidade pico obtida no teste progressivo até a exaustão com o SRmelhor (r = -0,680, p < 0,05) e SRmédio (r = -0,744, p < 0,05), assim como da amplitude da fase lenta da cinética off do VO2 com o SRmelhor (r = -0,756, p < 0,05) e SRmédio (r = -0,794, p < 0,05). Portanto, esses dados sugerem que tenistas profissionais possuem um melhor desempenho em SR em comparação aos tenistas amadores. Entretanto, não está clara a importância de fatores da aptidão aeróbia e neuromusculares no desempenho dessa atividade
Análise da estratégia de corrida e suas relações com variáveis de desempenho de atletas
O objetivo do estudo foi examinar a influência de variáveis fisiológicas, perceptuais e mecânicas nas diferentes estratégias de corrida e no desempenho de atletas. Doze corredores especialistas em 5.000m realizaram: 1) um teste escalonado máximo para identificação do consumo máximo de oxigênio (VO2máx), velocidade de corrida associada ao VO2máx (vVO2máx), pico de velocidade em esteira (PVE) e velocidade de corrida associada ao limiar anaeróbio (vLAn); 2) uma prova de corrida de 5.000m avaliada a cada trecho (n = 5) de 1.000m em pista de atletismo para registro da frequência cardíaca (FC), percepção subjetiva de esforço (PSE) e velocidade de corrida. Os sujeitos foram divididos em dois grupos: saída lenta (SL) e saída rápida (SR) de acordo com a estratégia adotada, que por sua vez foi baseada na relação da velocidade de corrida no trecho inicial (Vel20%) com a velocidade média do teste de 5.000m. Os dados foram comparados entre os grupos de estratégia e posteriormente entre os trechos da prova esportiva para cada variável analisada. A velocidade de corrida no trecho inicial (SL = 16,9km.h-1 e SR = 19,1km.h-1) e no trecho final (SL = 19,1km.h-1 e SR = 16,7km.h-1) foi significantemente diferente (p < 0,05), o mesmo não ocorreu com a PSE. Já a FC nos três últimos trechos (SL = 185; 188 e 195 bpm e SR = 191; 193 e 200 bpm) apresentou diferença significante (p < 0,05) entre os grupos avaliados. Adicionalmente, foram encontradas associações entre PVE e Vel20% (rs = 0,57; p < 0,05), vVO2máx e Vel20% (rs = 0,55; p < 0,05), e entre vLAn e Vel20% (rs = 0,54; p < 0,05). Quando os parâmetros de desempenho (FC, PSE e velocidade de corrida) foram comparados dentro de cada grupo, apresentaram diferença significante (p < 0,05) entre todos os trechos analisados do teste. Dessa forma, concluímos haver influência da estratégia adotada no início da prova sobre a regulação da velocidade e sobre o desempenho na corrida de 5.000m, sobretudo, quando relacionada a parâmetros fisiológicos, perceptuais e mecânicos
2012
Marcelo da Silva Pacheco
Identificação e análise de padrões de circulação de bola no futebol
A análise de jogo é uma área de recente história acadêmica na qual ainda predominam investigações de caráter exploratório, o que se pode observar na literatura pela grande variedade de abordagens adotadas. Nesse trabalho é apresentada uma metodologia fundamentada na representação do status da relação de oposição entre as equipes para o estudo da circulação da bola em diferentes situações da fase ofensiva. Essa representação contemplou parâmetros essenciais das situações de jogo: as condições espaciais, temporais e técnico-táticas das ações ofensivas. A principal referência espacial utilizada foi o conceito de espaço de ocupação defensiva (EOD). A dinâmica das situações foi apreendida mediante a ordenação temporal das ações permitindo identificar encadeamentos de ações ofensivas espaço temporalmente estruturadas na forma de padrões. Esses padrões foram pré-concebidos para atender às diferentes possibilidades de circulação da bola em relação ao EOD. Uma analise das características da circulação da bola na fase ofensiva em equipes européias de altíssimo nível competitivo foi realizada como forma de explorar as potencialidades e limitações dessa metodologia
Práticas esportivas escolares no ensino fundamental no município de Santos-SP
O presente projeto de pesquisa teve por objetivo analisar as condições das práticas esportivas escolares (PEEs) do ensino fundamental no município de Santos-SP, com relação a: a) existência ou inexistência das mesmas; b) descrição dos recursos materiais e financeiros; c) caracterização dos professores/treinadores; d) planejamento do programa desenvolvido. Para isso, aplicaram-se questionários compostos de questões abertas e fechadas aos coordenadores/diretores (n=15) e professores/treinadores (n=85) de escolas que oferecem PEEs. Verificou-se que 85% das escolas de Santos oferecem as PEEs, entretanto, poucas crianças são atendidas nos programas. Os recursos materiais e financeiros das escolas privadas são melhores do que os das escolas públicas, embora as escolas municipais apresentem boas instalações, já que utiliza espaços cedidos pela secretaria de esportes e comunidade. A maioria dos professores/treinadores é do sexo masculino e ex-atletas das modalidades que ministram. Os professores/treinadores de escolas privadas e estaduais possuem melhor formação do que os das escolas municipais. A maior parte dos diretores/coordenadores de escolas privadas e municipais acredita que as PEEs não estão inseridas no projeto político pedagógico (PPP) da escola. Os objetivos das PEEs são diferentes nas redes de ensino avaliadas e na comparação entre os discursos dos diretores/coordenadores e professores/treinadores. Apesar do potencial das PEEs de possivelmente contribuir para a formação para a cidadania e democratização da prática esportiva, observamos que na cidade de Santos-SP tal fato não vem ocorrendo, uma vez que os programas avaliados atendem a poucas crianças e jovens, e parecem distantes do PPP das escolas
2010
Carla Nascimento Luguetti
Antropometria e desempenho técnico de jovens atletas de basquetebol do sexo feminino
Os objetivos do trabalho foram, com relação a jovens atletas de basquetebol do sexo feminino com idades de 14 à 17 anos de duas categorias competitivas diferentes (mirim e infanto-juvenil): 1) Descrever as características antropométricas, tempo de prática na modalidade, idade cronológica, idade de menarca e fundamentos técnicos por categoria competitiva; 2) Verificar o efeito das categorias competitivas sobre as variáveis antropométricas e fundamentos técnicos; 3) Verificar a relação entre os fundamentos técnicos e as variáveis antropométricas, tempo de prática na modalidade, idade cronológica. Em média as atletas da categoria infanto-juvenil apresentam melhores resultados que as atletas da categoria mirim na maioria das variáveis consideradas; porém só foram verificadas diferenças significativas entre os grupos nos testes de arremesso, drible e passe, o teste de movimentos defensivos apresentou valor significante marginal (p=0,05). Os fundamentos técnicos apresentaram correlações significantes com as variáveis de tempo de prática na modalidade e idade cronológica, por outro lado as variáveis antropométricas apresentaram baixas correlações não significantes com os testes de fundamentos técnicos. Assim, conclui-se que o estudo permitiu uma reflexão sobre a importância dos fundamentos técnicos na formação de jovens atletas de basquetebol do sexo feminino
2010
Fernando de Oliveira Paes
Efeitos do modelo tradicional de periodização sobre o desempenho físico, desempenho competitivo e variação técnica de jovens atletas de judô
O objetivo do presente estudo foi verificar a influência do modelo tradicional de periodização (com picos múltiplos) sobre a aptidão física em testes de campo, desempenho competitivo e variação técnica em competições de judô. Neste sentido, a amostra foi composta por atletas das classes Juvenil e Júnior que foram monitorados ao longo de duas temporadas anuais de treinamento (12 atletas por temporada), nas quais foram quantificados parâmetros da carga interna (Carga de Treinamento e o Training Strain) de cada período de treinamento, por meio da percepção subjetiva de esforço da sessão. O desempenho físico foi avaliado em momentos de alteração dos períodos de treinamento, mensurando a potência de membros inferiores (salto horizontal), a resistência de força dinâmica de membros superiores (teste de barra com o judogi) e a aptidão aeróbia e anaeróbia em situação específica (SJFT - Special Judo Fitness Test). Adicionalmente, nas competições principais, os combates foram filmados para posterior quantificação do desempenho competitivo (percentual de vitórias, pontos conquistados, pontos sofridos, índice de eficiência de ataque e índices de efetividade) e da variação técnica (técnicas de projeção, técnicas de domínio e direções dos ataques efetivos). As variáveis foram comparadas via modelo misto para análise de medidas repetidas, seguido por teste de Bonferroni. As associações entre as variáveis foram testadas via coeficiente de correlação de Pearson ou de Spearman. Na temporada 2011, houve diferenças (P < 0,05) na Carga de Treinamento, Training Strain, salto horizontal, teste de barra com o judogi, percentual de vitórias, pontos conquistados, pontos sofridos, índice de eficiência de ataque, direções de ataque, técnicas de projeção e de domínio, bem como correlação entre a Carga de Treinamento três dias antes do Campeonato Paulista Fase Regional e o índice de eficiência de ataque nesta competição (r = - 0,832; P = 0,001; muito grande). Na temporada 2012, verificou-se diferenças (P < 0,05) na Carga de Treinamento, Training Strain, salto horizontal, teste de barra com o judogi, nas variáveis número de projeções, frequência cardíaca após um minuto de repouso e índice do SJFT, pontos conquistados e técnicas de projeção efetivas, além de correlações entre o número de projeções no SJFT com o índice de eficiência de ataque (r = 0,629; P = 0,028; grande) e o percentual de vitórias (r = 0,634; P = 0,027; grande) no Campeonato Paulista Fase Inter-regional. A relevância do monitoramento da carga interna de treinamento e do desempenho físico foi reforçada pelas associações com parâmetros de desempenho competitivo. Embora os indicadores de desempenho físico, desempenho competitivo e variação técnica tenham sofrido alterações ao longo das temporadas, estas variações ocorreram de maneira dessincronizadas, aparentemente sem influência das cargas de treinamento adotadas. Assim, os resultados do presente estudo indicam que, para jovens atletas de judô, o modelo tradicional de periodização (com picos múltiplos) não desenvolve adaptações contínuas sobre os parâmetros de desempenho analisados, mas parece ser eficiente na elevação do desempenho físico no início da temporada e posterior estabilização destas adaptações
Iniciação nas modalidades esportivas coletivas de invasão: a possibilidade de uma prática transferível
As modalidades esportivas coletivas de invasão (MECi) despertam grande interesse aos envolvidos com esporte no Brasil, mas o olhar dado à formação não é o mesmo dado ao alto rendimento, muitas vezes desconsiderando-se as características desse grupo de modalidades no processo de iniciação. Com o fim de valorizar essas características, há disponível na literatura diversas propostas de iniciação nas MECi. Considerando essas propostas e modelos de formação esportiva em longo prazo, esse estudo objetivou verificar a possibilidade de uma prática transferível na iniciação nas MECi, avaliando se o desempenho de praticantes de uma MECi é semelhante em outra MECi. Foi realizada uma pesquisa descritiva observacional, com jovens atletas de handebol e de basquetebol do sexo masculino. Cada jogador foi avaliado ao realizar jogos das duas modalidades, através do Game Performance Assessment Instrument. A partir dessa avaliação, o desempenho que os jogadores tiveram nas duas modalidades foi comparado. Os resultados mostraram que o desempenho dos sujeitos em ambas as modalidades foi semelhante, ou seja, o desempenho que os jogadores tiveram na modalidade que não praticavam foi tão bom quanto na sua modalidade de origem. Esses resultados, aliados a outros estudos e projetos disponíveis na literatura, indicam que é possível adotar a prática transferível como estratégia para iniciação nas MECi, explorando suas similaridades e deixando a cargo de uma etapa de especialização futura, o aprofundamento nas questões específicas da modalidade escolhida
2010
Thatiana Aguiar Freire Silva
Esporte e \"resistência psicológica\": um estudo das características comportamentais de atletas maratonistas
O principal objetivo deste estudo foi o de abordar o comportamento de atletas maratonistas, no que diz respeito à resistência psicológica durante o transcorrer da prova. O estudo restringiu-se a pesquisar opiniões de sete atletas, quatro do sexo masculino e três do feminino, que participavam de provas de maratonas promovidas pelas organizações que representam a modalidade no Brasil. Os dados foram coletados mediante a aplicação do instrumento denominado Inventário do Comportamento do Maratonista, criado e desenvolvido pela autora do presente estudo, visando compreender o processo de elaboração mental quanto à resistência psicológica dos atletas no transcorrer das provas. O instrumento é composto de sete questões objetivas e descritivas que possibilitam a obtenção de informações sobre fatores sociais e psicológicos dos atletas maratonistas e de como eles se comportam e descrevem as suas percepções (pensamentos, sentimentos e emoções) quanto à resistência psicológica. Os resultados alcançados foram baseados em 242 falas dos atletas foram classificadas em onze categorias cujos percentuais obtidos se desenvolveram da seguinte forma: persistência (19,4%), determinação (15,7%), precisão técnica (15,7%), seguidos de estratégia mental (10,7%), escolha da tarefa (9,9%), aspectos psicossomáticos (8,3%), conflito (7,4%), relação social (5,8%), religiosidade (4,9%), infraestrutura (1,2%) e aspecto físico (0,8%). Conclui-se que, o comportamento dos atletas maratonistas está estritamente relacionado com a resistência psicológica no que diz respeito a finalizar as prova de maratona
2010
Elizabeth Leite Bettencourt de Souza Augusto
Efeitos de um programa de ensino de futsal, baseado em uma perspectiva tática do jogo, sobre o desempenho tático
presente trabalho teve como objetivo investigar os efeitos de um programa de ensino de futsal, baseado em uma perspectiva tática do jogo, sobre o desempenho tático. Nessa perspectiva, a ação tática é colocada no centro do processo de ensino-aprendizagem, e a atividade de ensino central são os exercícios táticos, contextualizados o mais próximo possível da situação real de jogo. Os alunos são incentivados a tomarem decisões e a refletirem sobre as ações em relação aos problemas que emergem no contexto (confronto) de jogo. Os adeptos dessa perspectiva de ensino defendem que, assim, estimulariam a formação de alunos/jogadores inteligentes e criativos. Para auxiliar a construção do programa foi elaborado um modelo do jogo de futsal. A construção da representação ocorreu a partir de um diálogo entre uma concepção empírica da modalidade, construída por treinadores experientes, e concepções de Modalidades Esportivas Coletivas existentes na literatura. Optou-se por um recorte sistêmico do fenômeno com o intuito de superar a perspectiva tecnicista, em que a ação no jogo é vista como a justaposição de gestos técnicos, e realçar a importância da tomada de decisão. Após a construção do modelo e a avaliação do desempenho tático dos selecionados a participar do estudo, partiu-se para construção do programa a ser investigado. Participaram do estudo oito alunos, com idade entre sete e oito anos, integrantes de um curso-extracurricular de futsal de uma escola particular de São Paulo. O programa teve duração de oito semanas, sendo realizadas duas aulas de uma hora por semana, totalizando 16 aulas. Os dados indicaram uma melhora significante no desempenho tático dos participantes após 16 sessões de treinamento. A despeito de o programa ter sido aplicado em apenas uma amostra (com características peculiares) com número reduzido de participantes, tais evidências contribuem para o avanço nas discussões sobre perspectiva tática e respectivas estratégias de ensino, assim como para o fortalecimento da modelação do jogo construída
Respostas fisiológicas e análise técnico-tática em atletas de brasilian jiu-jitsu submetidos à luta fragmentada e simulação de competição
O objetivo deste estudo foi analisar as respostas fisiológicas e realizar análise técnico-tática em atletas de Brazilian jiu-jitsu durante luta fragmenta e simulação de competição. Para isso, 10 atletas foram submetidos a avaliações em luta fragmentada (2 min, 5 min, 8 min e 10 min) e 10 atletas a avaliações em competição simulada (4 combates de 10 min). Foram realizadas coletas sanguíneas (para inferência da demanda energética, respostas hormonais, lesões celulares e equilíbrio hidroeletrolítico), aplicados testes físicos e escalas de percepções de esforço e recuperação. Adicionalmente, os combates foram filmados para análise técnico-tática e determinação da estrutura temporal. Os principais resultados apontam que: (1) nas lutas fragmentas, os combates de maior duração geraram concentrações mais elevadas de lactato e glicose, assim como maior percepção subjetiva de esforço e diminuição da resistência de pegada em teste específico. No entanto, não houve alteração importante da estrutura temporal em nenhum tempo de luta; (2) na competição simulada, os últimos combates apresentaram menores concentrações de lactato, catecolaminas e insulina. Adicionalmente, ocorreram aumentos dos marcadores de lesões celulares nos últimos combates indicando possível dano muscular. A força máxima isométrica de preensão manual apresentou declínio, predominantemente, a partir do terceiro combate. Embora esses dados apontem para a instalação de fadiga, a estrutura temporal dos combates não foi alterada significativamente. As percepções de esforço e recuperação não se alteraram durante a competição simulada. Assim, conclui-se que tempos diferentes de combate resultam em respostas metabólicas diferentes, as quais não produzem alterações importantes de desempenho. No entanto, os combates sucessivos de uma competição geram diminuição gradual da atividade adrenérgica e glicolítica, as quais são acompanhadas de aumento gradual de indicadores de dano celular e diminuição gradual da força de preensão manual
2014
Leonardo Vidal Andreato
Construção, validação e aplicação de um programa computadorizado para análise de ações técnicas e táticas em atletas de judô: diferenças entre classes, categorias e níveis competitivos
Essa dissertação apresenta dois objetivos de trabalho (1) desenvolvimento e avaliação um programa computacional para análises técnico-táticas em combates de judô; (2) analisar as ações técnico-táticas utilizadas por atletas de judô de quatro classes de idade (pré-juvenil, juvenil, júnior e sênior), nas oito categorias de peso oficiais do Brasil (super-ligeiro até pesado) no sexo masculino e feminino, em dois níveis diferentes, a saber: (a) Circuito Paulistano e (b) Estadual de São Paulo. Nesta segunda parte, foram analisadas as variáveis: i) estrutura temporal do combate; ii) execução e orientação de golpes; iii) quantificação de pontuação; e iv) caracterização do tipo de pegada. Para verificação da objetividade do programa computacional, três experts realizaram 20 análises de combate, sendo que um deles analisou as mesmas 20 por três vezes (1° expert, n= 20; 2° expert n= 20, e; 3° expert n= 60). Para a comparação entre grupos observados no segundo estudo e para verificar a correlação de concordância (CCC) entre as medidas dos experts, utilizou-se a Análise de Variância e, quando necessário, post hoc de Tukey, com nível de significância adotado de 5%. Os resultados quanto ao programa demonstraram forte correlação intra e inter-expert, com alto grau de concordância (> 0,90 de índice) para 41 grupos de variáveis e (>0,80 de índice) para 37 grupos de variáveis, respectivamente. Para o segundo estudo, os principais resultados para o sexo masculino foram: no nível estadual e/ou a classe sênior, utilizam maiores tempos de combate, de luta em pé (tachi-waza) de movimentação livre, de pegada e da variação de pegada e direção de ataque. Nos grupos do sexo feminino, ocorreram diferenças entre o nível estadual e/ou a classe sênior (exceto quando comparado à classe pré-juvenil no tempo de combate sem pausa e no tempo de pegada) e os demais grupos - com tempos maiores para combate, tachi-waza, movimentação livre e pegada -, demonstraram diferenças entre a categoria pesado - que possuiu tempos de combate, tachi-waza, movimentação livre e pegada menores do que as categorias meio-leve, leve e meio-médio. Quanto às diferenças entre níveis, as atletas do estadual apresentaram uma frequência maior de entradas de golpe e de quantidade de tipos de pegada utilizados
Efeitos da privação de luz sobre o desempenho e as respostas fisiológicas e psicológicas durante exercício aberto e fechado
O sistema visual exerce importante papel para o reconhecimento do ambiente externo e para estabelecer relações entre objetos, tempo e espaço. Além disso, ele está relacionado com o controle e o desempenho motor. O objetivo deste estudo foi verificar se a privação de luz ambiente alteraria o desempenho e as respostas fisiológicas e psicológicas durante dois modelos de exercício, um fechado e um aberto. Onze ciclistas formaram o grupo de exercício fechado (GEF) e completaram um teste de 20 km, enquanto doze indivíduos ativos formaram o grupo de exercício aberto (GEA) e executaram um teste de potência constante até a exaustão (TWC). Após teste incremental máximo, GEF e GEA realizaram exercício na presença (controle) ou privação (experimental) de luz ambiente, em ordem balanceada. Respostas de desempenho, VE, VO2, VCO2 RER, FC, eletromiografia do músculo vato lateral (EMG), percepção subjetiva de esforço (PSE) e pensamento associado ao exercício (PAE) foram obtidas durante, e no ponto final do exercício, em ambas as condições. O tempo total de exercício indicou a resposta de desempenho em GEF e GEA. As respostas das variáveis fisiológicas e psicológicas foram analisadas durante a realização, ou no ponto final do exercício. A média das respostas geradas durante os 20 km no GEF, e as respostas obtidas no mesmo tempo absoluto do TWC no GEA, pareado pelo menor tempo de exaustão atingido no teste, indicaram as respostas durante a execução do exercício. As respostas obtidas nos 5 segundos finais de cada exercício indicaram as respostas do ponto final do GEF e GEA. A taxa de incremento na PSE foi calculada em GEF e GEA, e o erro de predição da distância real percorrida no teste de 20 km foi obtido no GEF. No GEF, não houve efeito da privação de luz sobre o tempo para completar o teste de 20 km, porém a privação de luz gerou menores respostas (P< 0,01) na VE, VO2, VCO2, EMG e PAE, quando comparada ao controle. No ponto final do exercício, nenhuma diferença foi verificada entre as condições. A privação de luz não alterou a taxa de elevação da PSE ou o erro de predição da distância percorrida. No GEA a privação de luz ambiente reduziu o tempo de exaustão (P< 0,05) no TWC e aumentou a resposta do VO2 e EMG (P< 0,05). Entretanto, não foi observado efeito da privação de luz na VE, VCO2 e FC. No ponto final do exercício observou-se menor EMG com a privação de luz (P< 0,03), mas nenhuma diferença nas demais variáveis foi observada. Maior taxa de elevação na PSE foi observada em ambiente privado de luz. Os resultados do presente estudo podem ser interpretados de acordo com a existência de um \"relógio biológico interno\" que calcula a duração tolerável do exercício de acordo com a aproximação ao ponto final do exercício, sugerindo que os efeitos da privação de luz sobre o desempenho possam depender da presença de um ponto final previamente conhecido
2014
Fabiano Aparecido Pinheiro
Territorialidade e nível do adversário: efeitos nas respostas hormonais e comportamentais em jogadores de basquetebol
O objetivo da presente dissertação foi investigar o efeito da territorialidade e do nível do adversário nas respostas hormonais e comportamentais de jogadores de basquetebol. Para tanto, foram realizados dois estudos. No primeiro, investigou-se o efeito da territorialidade nas respostas hormonais e comportamentais decorrentes de jogos oficiais de basquetebol. Dezoito jogadores, do sexo masculino, de duas equipes da categoria sub-19 (ranqueadas em primeiro e segundo lugar na competição) foram avaliados. As equipes jogaram entre si e, portanto, cada equipe realizou um jogo \"em casa\" e um jogo \"fora de casa\". Amostras de saliva foram coletadas antes e após as duas partidas, para análise dos hormônios testosterona (T) e cortisol (C). Antes do aquecimento, os atletas responderam um questionário de ansiedade pré-competitiva, (Competitive State Anxiety Inventory-2; CSAI-2), e 30 minutos após a partida, classificaram a magnitude do esforço através do método da percepção subjetiva de esforço da sessão (PSE da sessão). A concentração de T PRÉ-jogo foi maior na condição \"casa\" (versus \"fora de casa\"); verificou-se um aumento da concentração de T e C do momento PRÉ- para o PÓS-jogo, independentemente do local do jogo; correlações significantes foram apresentadas entre as respostas hormonais e comportamentais. Esses resultados sugerem a ocorrência do fenômeno da territorialidade, e confirmam que a competição é um evento estressor capaz de alterar a concentração hormonal. No segundo estudo, a influência do nível do adversário nas respostas hormonais e comportamentais de jogadores de basquetebol foi investigada. Dez atletas de uma equipe sub-19 foram avaliados em três jogos oficiais distintos e em uma sessão de treinamento (ST). Em cada um dos jogos oficiais, a equipe enfrentou adversários de diferentes níveis de qualificação, a saber: jogo fácil (JF), jogo médio (JM) e jogo difícil (JD). A classificação do nível do adversário foi realizada por um membro da comissão técnica no início da temporada e monitorada de acordo com a posição de cada uma das equipes durante o campeonato. Foram realizadas coletas de saliva antes e após as quatro condições (três jogos e uma sessão de treinamento) para análise da concentração de T e C. Antes do aquecimento, em todas as condições, os jogadores responderam o questionário CSAI-2 e, aproximadamente 30 minutos após o jogo, responderam a PSE da sessão. A concentração de T aumentou de PRÉ para PÓS no ST e JD; a concentração de T PRÉ-JD foi maior em relação a situação PRÉ-ST. A concentração de C aumentou de PRÉ para PÓS em ST, JM e JD, e a concentração C PRÉ- e PÓS-JD foi maior quando comparada aos mesmos momentos na ST. As ansiedades somática e cognitiva se mostraram maiores no JM e JD em relação ao JF. A autoconfiança foi maior na ST quando comparado com o JM e JD. A PSE da sessão foi maior nos JM e JD em relação à ST. Os resultados do presente estudo indicam que jogos oficiais contra adversários de diferentes níveis podem promover diferentes respostas hormonais e perceptuais
2014
Ademir Felipe Schultz de Arruda
Estrutura organizacional e qualidade da detecção, seleção e promoção de talentos do judô de alto rendimento no Estado de São Paulo
Para alcançar o sucesso esportivo no contexto internacional, ou seja, conquistar medalhas nas principais competições internacionais, é necessária a interação de diversos fatores, sendo alguns deles os aspectos financeiros, as políticas públicas para o esporte, o desenvolvimento do atleta da iniciação ao alto rendimento, boas instalações esportivas, o apoio à carreira de técnicos, a ciência aplicada ao esporte entre outros. Apesar de o Brasil ainda não ser uma potência esportiva, algumas modalidades esportivas se destacam em competições internacionais, como o judô, a natação, a vela e o voleibol. Identificar os motivos pelos quais essas modalidades apresentam sucesso é importante para contribuir para o esporte no país, assim como para se criar uma referência para outras modalidades. A presente pesquisa teve como objetivo verificar a estrutura organizacional das entidades esportivas e a qualidade dos programas de desenvolvimento de atletas de alto rendimento na modalidade judô, com ênfase nos processos de detecção, seleção e promoção de talentos esportivos (DSPTE) de judocas talentosos nos clubes que se destacam no Estado de São Paulo. Para isso, a pesquisa foi dividida em duas etapas (A e B respectivamente) e contou com participação de nove técnicos e quarenta e três atletas das principais entidades esportivas que desenvolvem o judô no estado. Na etapa A, nove técnicos participaram de uma entrevista semiestruturada baseada em dez fatores para o sucesso no esporte. As entrevistas foram transcritas e analisadas pelo método Discurso do Sujeito Coletivo (LEFÈVRE; LEFÈVRE, 2003). Na etapa B, os quarenta e três atletas responderam a um questionário padronizado sobre a qualidade de detecção e seleção do talento esportivo (DSTE) proposto por Rütten e Ziemainz (2005). Os resultados da etapa A demonstraram que as entidades de prática esportiva são responsáveis pelo desenvolvimento de atleta para o esporte de alto rendimento. Todavia, os técnicos apontaram que não existe uma interação eficiente entre as entidades de judô com as entidades que organizam o esporte e que não existe um sistema nacional de identificação e desenvolvimento de talentos do judô brasileiro. Com relação aos resultados da etapa B, os atletas avaliaram como positivo o apoio dos pais e consideram que conseguir confiança é de fundamental importância na Detecção e Seleção de talentos (DSTE). Por outro lado, classificaram como aspectos negativos o apoio político, os recursos materiais, o papel da escola e a baixa quantidade de atletas detectados e selecionados. Quanto à promoção do talento (PTE), os atletas classificaram como aspectos positivos a qualidade dos treinamentos e dos técnicos, o apoio dos pais e a existência de um bom sistema de competição. Os atletas avaliaram como aspectos negativos o apoio político, econômico e a contribuição da escola para a PTE. De acordo com os resultados obtidos, os atletas do judô são desenvolvidos por cada entidade esportiva de prática, contando com o apoio dos pais e com a boa qualidade dos treinamentos e técnicos, sem que haja uma participação efetiva das entidades de organização esportiva, uma vez que não existe interação entres as entidades para o desenvolvimento da modalidade, assim como não existe um sistema nacional de identificação e desenvolvimento de talentos, e também não se utiliza o esporte na escola para a formação de atletas
2014
Florio Joaquim Silva Filho
Validação e adaptação do percurso de coordenação vienense - PCV (\"wiener koordinationsparcour\" - WKP) em escolares brasileiros de 12 a 14 anos de idade
As capacidades coordenativas exercem papel fundamental na motricidade, sendo importantes na aquisição e desenvolvimento das habilidades fundamentais, posteriormente das habilidades específicas (esportivas). Essas capacidades são reconhecidas como base para o desenvolvimento das habilidades esportivas que responde positivamente em relação à precisão, economia e efetivação dos movimentos esportivos, levando a um menor gasto de força e energia muscular. É na infância que se observa o melhor ganho em termos de rendimento dessas capacidades, estabilizando-se na adolescência. Apesar da importância das mesmas, existe um número limitado de instrumentos de medida que tenham por objetivo avaliar as capacidades coordenativas de escolares brasileiros na faixa etária de 12 a 14 anos que possam fornecer informações sobre seu desenvolvimento em crianças e jovens. O \"Wiener Koordinationsparcour\" (WKP) é um teste esportivo motor, desenvolvimento por Wawitz (1982) e de origem austríaca que tem por objetivo medir as capacidades coordenativas orientação espacial, reação, equilíbrio, adaptação motora e diferenciação por meio da medição do tempo de realização das tarefas motoras padronizadas nas oito etapas que o compõe. Devido à origem do WKP é necessária sua validação para a realidade brasileira. O presente estudo tem por objetivo a validação do WKP, de forma adaptada, para avaliação das capacidades coordenativas em escolares de 12 a 14 anos de idade. Participaram do estudo, oito especialistas da área de Educação Física e Esporte e 108 escolares de 12 a 14 anos de ambos os sexos. O processo de validação foi composto das seguintes etapas: validade de construto e conteúdo e verificação dos critérios de validade, objetividade e fidedignidade. Inicialmente, foi realizada uma tradução juramentada com a denominação em português de Percurso de Coordenação Vienense (PCV) e comparada às versões publicadas em português. As validades de construto e conteúdo foram realizadas com base no parecer de especialistas. Para verificar a objetividade foram utilizados os escores do tempo de realização do teste obtidos por três (03) avaliadores; para a fidedignidade foram utilizados os escores do teste e do reteste. Utilizou-se a estatística descritiva de freqüência para análise das respostas dos especialistas; o coeficiente de correlação intraclasse (CCI) foi utilizado para as análises da objetividade e fidedignidade. Também foi utilizado na análise da fidedignidade o teste t-pareado. Os coeficientes de correlação para objetividade foram 0,99 para o gênero feminino e de 1 para o masculino, indicando que o PCV é um teste confiável. No entanto, a fidedignidade apresentou coeficientes de correlação fracos: 0,57 (feminino) e 0,58 (masculino). Realizou-se o teste t-pareado que confirmou a fidedignidade fraca devido às diferenças significantes entre as médias dos escores entre teste e reteste. De acordo com a análise dos especialistas o PCV apresenta validade de construto e de conteúdo. Os resultados indicam que a motivação e a aprendizagem podem ter influenciado nos escores do teste e, consequentemente, na sua fidedignidade. Sendo assim, apesar do PCV refletir a validade de conteúdo e ser um teste confiável, são necessários outros estudos para a obtenção de sua fidedignidade em escolares brasileiros de 12 a 14 anos na realidade brasileira
2014
Valniria Maria Lopes de Sousa
Home advantage no judô: estudo sobre o sistema de ranqueamento mundial
Em 2009, a Federação Internacional de Judô (FIJ) instituiu um sistema de ranqueamento (SR) para classificar os atletas em suas categorias de disputa e para os Jogos Olímpicos de Londres 2012. Porém, o SR não considera o fenômeno conhecido como home advantage, relacionado à vantagem de vencer quando se compete em casa. Esse fenômeno ainda não foi estudado no judô e se comprovado traz implicações para o SR. Assim, o objetivo deste estudo foi verificar se há ocorrência de home advantage nas competições que integram o SR no judô, para a conquista de medalha e número de lutas vencidas. Para tal, foram analisadas todas as competições internacionais de judô do SR realizadas em 2009. Para verificar se os atletas que competiram em casa tiveram mais chance de conquistar medalha foi utilizada a análise de regressão logística e para verificar se houve associação do número de lutas vencidas e competir em casa foi utilizado o modelo linear generalizado de Poisson. Os modelos contaram com uma variável de ajuste referente à qualidade relativa dos atletas em duas possibilidades: posição no SR da FIJ e neutro (construído com lutas disputadas em território neutro). A amostra foi dividida em: Grupo I - todas as participações; Grupo II - somente os atletas que haviam competido dentro e fora de casa. Dado que alguns atletas não puderam lutar em território neutro e, portanto, não tiveram codificação para esse SR, foram criados duas subamostras do Grupo I e do Grupo II, excluindo os atletas sem codificação nesta variável. Todas as análises foram realizadas considerando os gêneros conjunta e separadamente. A variável qualidade relativa foi significante em todas as análises e também modificou os modelos (p<0,001). Ao considerarmos a subamostra do Grupo II, a razão de chance para conquista de medalhas foi superior para os atletas que competiram em casa para o grupo masculino (2,33; p<0,001) e feminino (1,58; p = 0,019). A associação entre número de lutas vencidas e competir em casa foi significante para os atletas do masculino (p<0,001), mas não significante para o feminino (p = 0,088). A ausência da vantagem no feminino para número de lutas vencidas pode ter sido limitada e confundida com o número reduzido de atletas participantes em muitas das competições. As atletas que conquistaram medalha em competições mais vazias, não precisaram vencer mais lutas, dado que um número reduzido de vitórias garantia a medalha. É possível que a torcida seja a principal responsável pelos achados, tanto por influenciar o julgamento dos árbitros a favorecer os atletas da casa como pela motivação para os atletas. Outra possibilidade é que aspectos associados à dominância territorial tenham influenciado as disputas masculinas, porém não as femininas. Assim, foi comprovada a existência do home advantage nas competições que integram o SR de judô para conquista de medalha no masculino e feminino, e para número de lutas vencidas apenas para o masculino. Desta forma, é provável que os atletas de países que sediam competições do SR tenham vantagem para a obtenção da classificação olímpica