Repositório RCAAP

Epidemiologia e controle da raiva bovina nos municípios da região de Rondonópolis - Estado de Mato Grosso, Centro-Oeste do Brasil

Realizou-se um estudo sobre a ocorrência da raiva bovina em 17 municípios que fazem parte da Unidade Regional de Supervisão de Rondonópolis do Instituto de Defesa Agropecuária do Estado de Mato Grosso - INDEA/MT. O objetivo do trabalho foi analisar a situação epidemiológica da doença com a finalidade de repensar as ações de atenção e vigilância epidemiológica. Foram analisados 70 Formulários de Investigação de Doenças (Inicial) (Form-in) da Coordenadoria de Controle das Doenças dos Animais do INDEA/MT, período correspondente de janeiro de 2003 a dezembro de 2007. Informações complementares foram obtidas junto ao Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado de Mato Grosso e banco de dados do IBGE. Verificou-se que a doença apresentou de forma endêmica entre os municípios, com pequena variação anual no número de casos. O maior porcentual dos casos ocorreu no mês de janeiro e julho, em animais com idade entre quatro a 12 meses e em propriedades com efetivo bovino superior a 500 cabeças no rebanho. Além disso, não existiu correlação entre densidade de bovinos com casos de raiva. A partir dos resultados, conclui-se a importância da manutenção das atividades de educação sanitária, o credenciamento ou incremento do diagnóstico laboratorial de raiva no estado, melhora das atividades de cadastramento e monitoramento dos abrigos e refúgios de morcegos hematófagos e o combate aos morcegos hematófagos, além da vacinação do gado bovino nas regiões endêmicas da raiva.

Ano

2009

Creators

Isabela Ferreira Lopes

Estudo de Borrelia spp. no Brasil

A doença de Lyme é uma doença causada pelas bactérias do complexo Borrelia burgdorferi sensu lato que são transmitidas por carrapatos do complexo Ixodes ricinus. A distribuição geográfica dessas bactérias é confirmada no Hemisfério Norte (America do Norte, Europa e Ásia). Suspeita-se que uma enfermidade, compatível com doença de Lyme no Brasil, esteja provavelmente relacionada a uma espécie de Borrelia diferente das espécies causadoras de doença de Lyme no hemisfério Norte e que o vetor sejam carrapatos do gênero Amblyomma. Por estas razões, a doença brasileira passou a ser chamada de Doença de Lyme-Símile (DLS). A borreliose aviária é causada pela Borrelia anserina, que apresenta distribuição cosmopolita. É transmitida por carrapatos argasideos do gênero Argas. O presente trabalho foi dividido em dois capítulos: o primeiro investigou a presença de Borrelia spp em áreas onde foram relatados casos humanos de DLS no Estado de São Paulo. No segundo capítulo, é relatado o primeiro isolamento em meio BSK e a caracterização molecular de uma cepa de espiroqueta aviária presumidamente identificada como B. anserina, no Brasil. Para o primeiro capítulo, foram processados um total de 349 carrapatos Amblyomm cajennense adultos coletados em áreas com suspeita de DLS, nove amostras de sangue ou tecidos de pacientes humanos com diagnóstico clínico e sorológico de DLS, duas amostras de caldas de meio BSK previamente inoculado com tecidos ou sangue de pacientes com suspeita de DLS, e três amostras de caldas de meio BSK previamente inoculado com carrapatos coletados de áreas com suspeita de DLS. Essas amostras tiveram seu DNA extraído e testado pela nested-PCR com primers específicos para porções do gene flagelina B (flaB), aptos a amplificar porções deste gene de qualquer espécie de Borrelia. Todas as amostras foram negativas pela nested-PCR, não evidenciando a presença de Borrelia sp nas amostras avaliadas. Para o segundo capítulo, foi utilizada uma amostra de espiroqueta aviária originária de carrapatos Argas miniatus, colhidos em um galinheiro no Município de Pedro Leopoldo, MG. O isolamento in vitro e caracterização molecular da espiroqueta aviária foi feito a partir da inoculação de soro infectado, contendo espiroquetas viáveis, em meio BSK. O soro, baço, fígado e o próprio cultivo foram utilizado para amplificação na PCR para os genes rrs e flaB, seguido de seqüenciamento dos mesmos. O isolamento da espiroqueta foi obtido com sucesso, com várias passagens realizadas. A análise genética das seqüências do isolado mostrou 99.8% (483 de 484-bp) e 98.7% (754 de 764-bp) de similaridade às seqüências correspondentes dos genes rrs e flaB de B. anserina, respectivamente, disponíveis no GenBank. Pela análise filogenética inferida pela seqüência parcial do gene flaB, a cepa Brasileira agrupou-se com a seqüência de B. anserina dos EUA. Os resultados indicam a cepa brasileira estudada, designada de cepa PL, pertence à espécie B.anserina.

Ano

2006

Creators

Alexandre Camargo Ataliba

Caracterização de protozoários pertencentes à sub-família Toxoplasmatinae pela análise molecular do gene codificador de proteína do choque térmico (HSP70) e do espaçador interno transcrito 1 (ITS-1)

Os membros da sub-famíla Toxoplasmatinae conhecidos são Hammondia hammondi, Toxoplasma gondii, Neospora hughesi, Neospora caninum e Hammondia heydorni. As duas primeiras espécies têm os felídeos como hospedeiro definitivo, enquanto as duas últimas têm desenvolvimento sexual em carnívoros da família dos canídeos. O ciclo biológico de N. hughesi é pouco conhecido. Foi estudado a variabilidade nucleotídica de seqüências intercaladas entre os genes codificadores das frações ribossômicas 18S, 5.8S (ITS-1). No entanto, como estas não permitem reconstruções filogenéticas com o uso de grupo externo, em virtude da inconsistência dos alinhamentos produzidos, pesquisamos uma seqüência codificadora de proteína sendo o marcador escolhido, o gene codificador da proteína de choque térmico HSP70 (heat shock protein 70KDa). Este gene é bastante utilizado para resolução de filogenias de outros organismos como, por exemplo, aqueles pertencentes ao gênero Cryptosporidium. No presente trabalho, amplificamos por PCR e seqüenciamos 951 pares de bases (pb) do gene codificador de HSP70 de oocistos T. gondii-like (oriundos de fezes gatos), de oocistos Neospora-like (de fezes de cães) e de taquizoitos de N. caninum, N. hughesi e T. gondii mantidos em laboratório. Os primers foram desenhados a partir de seqüências consenso obtidas em pesquisa de bancos de dados de seqüências EST de N. caninum e seqüências de RNAm de T. gondii. Seqüências ITS-1 destes oocistos também foram determinadas para a confirmação da espécie de parasito estudada. Os resultados mostram que os táxons H. hammondi e T. gondii são monofiléticos e geneticamente muito próximos, mas contrariando resultados anteriores, não foi demonstrada a monofilia entre os táxons H. heydorni e N. caninum. De fato, a análise de diversidade nucleotídica de gene codificador HSP70 mostra que a distância evolutiva entre H. heydorni e N. caninum é tão grande quanto a distância de cada uma destas espécies com T. gondii. Em adição, foi possível identificar dentre as amostras de oocistos, duas linhagens divergentes de H. heydorni. Paralelamente ao estudo filogenético também foi possível desenvolver um método diagnostico diferencial para oocistos tipo Hammondia. As seqüências de gene HSP70 obtidas foram alinhadas e dois pares de primers internos a estas seqüências foram desenhados. O primeiro par amplifica 771 pb de oocistos T. gondii-like e o segundo 400 pb de oocistos Neospora-like. A clivagem do fragmento de 771 pb com enzima de restrição Hin6I produz perfis eletroforéticos distintos para amostras de T. gondii e H. hammondi. A clivagem do fragmento de 400pb com a enzima de restrição MunI também produz perfis eletroforéticos distintos entre amostras de N. caninum e H. heydornii. A diferenciação dos perfis de restrição pode ser feita em eletroforese em gel de agarose a 2,5%.

Ano

2006

Creators

Renata Molina Monteiro

Prevalência das infecções por Toxoplasma gondii e Neospora caninum em matrizes e reprodutores ovinos de rebanhos comerciais do Distrito Federal, Brasil

Foram colhidas, de março a junho de 2004, amostras de sangue de 108 carneiros e 920 matrizes de 32 propriedades comerciais de ovinos do Distrito Federal, totalizando 1028 amostras. Os soros foram submetidos à reação de imunofluorescência indireta (RIFI), utilizando-se as diluições 1:64 e 1:50 como ponto de corte para, respectivamente, T. gondii e N. caninum. A prevalência observada para T. gondii foi de 38,22% (26,81% < IC 0,95 < 49,62%). Os títulos variaram de 64 a 65536, e o título com maior freqüência foi 2048 (21,15%). Para N. caninum, a prevalência foi de 8,81% (7,08% < IC 0,95 < 10,53%), com títulos variando de 50 a 51200, sendo o título mais freqüente 50 (21,11%). Ovinos reagentes a ambos os parasitas corresponderam a 4,67%. A análise dos possíveis fatores de risco não foi possível, pois todas as propriedades possuíam ao menos um animal positivo para T. gondii e a maioria (87,50%) das propriedades foram positivas para N. caninum. A prevalência para T. gondii foi significativamente maior entre os machos que entre as fêmeas. Utilizando-se reação em cadeia pela polimerase e enzimas de restrição para o locus SAG2, em uma amostra de cérebro dentre 11 colhidas em um abatedouro da região foi identificado T. gondii tipo I. Os resultados demonstram que as infecções pelos dois parasitas estão presentes e disseminadas no rebanho ovino do Distrito Federal.

Ano

2005

Creators

Tatiana Evelyn Hayama Ueno

Bem-estar de fêmeas suínas gestantes alimentadas com diferentes níveis de fibra e consequências no comportamento dos leitões ao desmame

Fêmeas suínas gestantes são frequentemente submetidas a uma restrição alimentar, que pode comprometer o bem-estar e produtividade. Existe pouca informação em relação as consequências da fome nas fêmeas gestantes nas medidas de bem-estar dos leitões. Dietas ricas em fibra podem minimizar a sensação de fome e, consequentemente, melhorar o bem-estar e a produtividade. Os objetivos deste estudo foram: 1) avaliar o impacto de uma dieta alta fibra (AF) para marrãs gestantes em medidas de bem-estar e 2) avaliar as consequências da dieta contendo AF durante a gestação no comportamento agonístico e indicadores de medo nos leitões ao desmame. Vinte e oito marrãs gestantes foram alimentadas com diferentes dietas: dieta AF, contendo 12,86% de fibra bruta (n=16), ou dieta baixa fibra (BF), contendo 2,53% de fibra bruta (n=12). Investigamos o impacto da AF ou BF nos seguintes parâmetros nas marrãs gestantes: comportamento; concentração do cortisol salivar; desempenho; motivação alimentar durante um teste de consumo ad libitum. Também avaliamos medidas de comportamento e desempenho da prole de 22 fêmeas (AF=14, BF=8). Lesões de pele foram avaliadas antes e após o desmame em 156 (100 AF e 56 BF), e 142 leitões foram submetidos ao teste de campo aberto e objeto novo (87 AF e 55 BF). Houve uma interação entre tratamento e tempo de alimentação para duração e frequência do comportamento mastigação em falso, indicando que as fêmeas que receberam a dieta BF apresentaram o comportamento mastigação em falso por mais tempo e com maior frequência antes da alimentação comparada com após a alimentação. Isso não foi observado nas fêmeas alimentadas com dieta AF. Para a maioria dos comportamentos avaliados, houve um efeito do momento de alimentação na duração e frequência. Não houve diferença na concentração de cortisol salivar entre os tratamentos. Os dados de desempenho indicam que as fêmeas AF foram mais pesadas no terço final de gestação e aos 107 dias de gestação, quando elas foram transferidas para a maternidade, comparadas com fêmeas BF. Não houve diferença nos outros parâmetros de desempenho. Não houve efeito do tratamento no total de alimento consumido durante o teste ad libitum. Não houve efeito do tratamento no desempenho dos leitões. Leitões nascidos de marrãs que receberam a dieta AF apresentaram menor número de lesões de pele antes do desmame comparados à prole de fêmeas BF. No teste de campo aberto e objeto novo, não houve efeito do tratamento no comportamento dos leitões. Esses resultados indicam que uma dieta AF foi eficaz em reduzir o comportamento anormal em marrãs e os leitões nascidos de fêmeas alimentadas com dieta AF demonstraram menor comportamento agressivo antes do desmame.

Ano

2016

Creators

Thiago Bernardino de Almeida

Avaliação das condições higienicossanitárias e análise de parâmetros microbiológicos e físico-químicos do pescado importado no Porto de Santos/SP

Introdução - O pescado é amplamente utilizado para a produção de alimentos à base de matéria-prima de origem animal. A importação de pescado vem crescendo ano a ano, sendo o Porto de Santos/SP uma das principais rotas de entrada desse produto no país. Objetivos - Avaliar as condições higienicossanitárias de pescado importado no Porto de Santos/SP. Métodos - A pesquisa foi desenvolvida com base em duas abordagens: estudo dos requisitos obrigatórios para nacionalização do produto importado com base na legislacão vigente e trabalho desempenhado pelo Vigiagro/MAPA, assim como, estudo laboratorial. Foram coletadas 60 amostras de 30 diferentes produtos de pescado sendo cada amostra constituída por, no mínimo, 500 g do produto de uma mesma marca, lote, data de fabricação e validade. Uma parte das amostras, 30 embalagens de 500 g no mínimo, foi acondicionada em caixas isotérmicas com temperatura controlada e encaminhada para realização das análises microbiológicas. As demais 30 embalagens foram encaminhadas, sob as mesmas condições, para realização das análises físico-químicas. As análises físico-químicas e microbiológicas foram realizadas em Laboratórios credenciados no Mapa. Para produtos congelados foram realizadas as análises microbiológicas para pesquisa de Salmonella spp em 25 gramas e contagem de Staphylococcus coagulase positiva e realização das análises físico-químicas de N-BVT. Para produtos salgados refrigerados, foram realizadas análises microbiológicas para pesquisa de Salmonella spp em 25 gramas, contagem de Staphylococcus coagulase positiva e contagem de coliformes termotolerantes a 450 C, assim como, realização das análises físico-químicas de umidade e resíduo mineral fixo. Resultados - Nos produtos congelados, as análises físico-químicas para o N-BVT e as análises microbiológicas para pesquisa de Salmonella spp em 25 gramas e contagem de Staphylococcus coagulase positiva indicaram 100,0% de conformidade com a legislação vigente. Nos produtos salgados refrigerados, as análises microbiológicas para pesquisa de Salmonella spp em 25 gramas, contagem de Staphylococcus coagulase positiva e contagem de coliformes termotolerantes a 450 C também indicaram 100,0% de conformidade com a legislação vigente. Por outro lado, 100,0% das análises físico-química de umidade e 44,4% das análises físico-químicas para resíduo mineral fixo no pescado salgado resfriado estavam com valores acima da legislação vigente. Todos os produtos apresentaram documentação obrigatória e rótulo de acordo com a legislação vigente. Conclusão Embora os resultados das análises microbiológicas tenham demonstrado que os produtos estivessem próprios para o consumo, as análises físico-químicas, em específico os parâmetros referentes a umidade no pescado salgado refrigerado, não estavam de acordo com os valores determinados pela legislação vigente. A legislação sanitária vigente para importação de pescados, assim como a metodologia de inspeção e fiscalização desses produtos, se mostrou eficiente comparado aos resultados laboratoriais encontrados, com possibilidade de inclusão de novas ferramentas e análises laboratoriais visando garantir, ainda mais, as condições higiênicossanitárias e segurança alimentar.

Ano

2017

Creators

Adriano Perrelli Pestana de Castro

Caracterização fenotípica e genotípica de cepas de Salmonella enterica isoladas de carne suína no município de São Paulo

Atualmente, a salmonelose representa uma das zoonoses de maior importância em Saúde Pública no mundo, em razão da alta endemicidade, mortalidade, e dificuldade do seu controle. No município de São Paulo, é possível encontrar diferentes realidades no que se diz respeito às boas práticas de produção e ao controle de qualidade dos produtos de origem animal, principalmente quando se considera os pontos de venda direta ao consumidor. Os objetivos do presente estudo foram avaliar a presença de Salmonella entérica em cortes de carne suína vendidos em mercados municipais, açougues e mercados de pequeno porte distribuídos nas cinco regiões do município de São Paulo. As estirpes isoladas foram caracterizadas quanto ao sorotipo, perfil de resistência a antimicrobianos, perfil genotípico através da eletroforese em campo pulsado (PFGE) e do polimorfismo do comprimento de fragmentos amplificados (AFLP). A partir dos 394 cortes de carne avaliados 6% foram positivos para o isolamento de S. enterica. Dentre os 111 estabelecimentos examinados, 14,4% apresentaram pelo menos um corte de carne positivo. Dentre as 60 estirpes selecionadas para caracterização, os sorotipos identificados foram Typhimurium (33,3%), London (26,7%), Brandenburg (10,0%), Schwaezengrund (8,3%), Derby (8,3%), Infantis (6,7%), Javiana (6,7%). A determinação da concentração inibitória mínima indicou as seguintes frequências de resistência antimicrobiana: azitromicina (100%), sulfametoxazol (98,3%), ampicilina (50%), cloranfenicol (41,7%), tetraciclina (40%), ácido nalidixico (21,7%), gentamicina (16,7%), trimetoprim (15%) e ciprofloxacina (5%). Todos os isolados foram sensíveis à cefotaxima, ceftazidima, meropenem e tigeciclina. Multirresistência foi identificada em 58,3% das estirpes avaliadas. A caracterização das estirpes pela PFGE e pelo AFLP revelou uma tendência a agrupar os isolados de acordo com a origem e com os sorotipos. A partir do sequenciamento do genoma de 11 estirpes foi possível identificar os STs, a presença de genes de resistência e de ilhas de patogenicidade. Os dados obtidos foram discutidos frente aos perfis descritos de estirpes de Salmonella entérica oriundas de criações de suínos e casos de infecção alimentar relatados no país e no exterior.

Ano

2017

Creators

Vasco Tulio de Moura Gomes

Avaliação de marcadores sorológicos, microbiológicos e moleculares para diagnóstico da brucelose canina

A brucelose causada pela B. canis constitui uma infecção sistêmica e zoonótica que acomete principalmente os cães, causando problemas reprodutivos. O diagnóstico da infecção é difícil, sendo necessária a associação do diagnóstico clínico aos métodos laboratoriais diretos e indiretos para sua confirmação. Um dos problemas relativos ao diagnóstico laboratorial está relacionado à ausência de marcadores que possibilitem a identificação acurada de cães em ausência de bacteremia. A partir do exposto, foi realizado um estudo com o objetivo de avaliar o desempenho de testes laboratoriais diretos e indiretos como marcadores da infecção por B. canis em cães e determinar a combinação de testes que possibilite o diagnóstico da brucelose canina com maiores valores de sensibilidade e especificidade. Foram coletadas amostras de sangue, soro e aspirado de linfonodo de 92 cães, sem distinção de sexo, idade ou raça, incluindo cães reprodutores e não reprodutores. A hemocultura e a reação em cadeia pela polimerase (PCR) foram previamente realizadas nas amostras de sangue e, com base nos resultados, os 92 animais foram divididos em dois grupos: infectados (n=37) e não infectados (n= 55). Em seguida, as amostras de aspirado de linfonodo foram submetidas à PCR e ao cultivo microbiológico e as amostras de soro foram testadas por um ensaio imunocromatográfico (EIC). A partir dos resultados obtidos, a sensibilidade e especificidade diagnóstica dos testes foram calculadas utilizando os grupos infectados e não infectados, respectivamente. O coeficiente Kappa foi usado para calcular a concordância entres os testes laboratoriais e suas combinações. A proporção de resultados positivos foi de 40,2% (37/92) para os testes diretos em amostras de sangue, 29% (27/92) e 25% (23/92) para PCR e cultivo em amostras de aspirado de linfonodo, respectivamente, e 43% (40/92) para o EIC. A concordância entre os testes variou de moderada a quase perfeita. A sensibilidade e especificidade diagnóstica foram, respectivamente, 65% e 95% para PCR em amostras de aspirado de linfonodo, 62% e 100% para o cultivo microbiológico em amostras de aspirado de linfonodo e 92% e 89% para o EIC. A PCR em amostras de aspirados de linfonodos apresentou maior sensibilidade em relação ao cultivo aplicado a estas amostras, sendo uma alternativa ao diagnóstico microbiológico. A associação entre os testes de PCR em amostras de aspirados de linfonodos e de sangue e o EIC possibilitou um aumento da sensibilidade diagnóstica, por possibilitar a identificação de cães na ausência e na presença de bacteremia, com maior rapidez.

Ano

2018

Creators

Julia Teresa Ribeiro de Lima

Estudo da esporotricose em gatos domésticos no município de Guarulhos, estado de São Paulo

A esporotricose é uma micose zoonótica que no Brasil afeta centros urbanos. O gato tem papel chave na transmissão fúngica desta doença. Nos últimos 3 anos, a cidade de Guarulhos já registrou mais de 1500 casos em gatos e assumiu o status de notificação compulsória. O objetivo do presente trabalho foi analisar a epidemiologia das cepas do clado clínico patogênico Sporothrix schenckii em relação aos aspectos fenotípicos, moleculares e de suscetibilidade aos fármacos das amostras isoladas de gatos no município de Guarulhos (São Paulo). O estudo foi dividido em dois experimentos, sendo o primeiro composto por 119 gatos divididos em três grupos: Caso, Contactante e Não-Contactante. As amostras foram obtidas por meio de suabe nas lesões dos animais do grupo Caso e dos demais grupos de suabe oral e submetidas à cultura micológica; em paralelo, amostras foram obtidas para processamento de citologia em meio líquido por emblocado celular (CB). As amostras isoladas foram submetidas a PCR para identificação da espécie, bem como aos testes de sensibilidade aos fármacos microdiluição e E-Test. Durante as colheitas 25 gatos foram submetidos à eutánasia e as amostras de pele e órgãos submetidos à análise histopatológica e imunohistoquímica. O segundo estudo foi composto por 135 gatos divididos em dois grupos: Sintomático e Assintomático. As amostras obtidas foram processadas para cultura micológica e PCR, só que desta vez, a PCR foi realizada diretamente da lesão e não após o isolamento fúngico. Neste estudo, foi obtido 92,31% de positividade dentre os gatos suspeitos com esporotricose em cultivo micológico. No projeto, 100% das amostras foram identificadas como S. brasiliensis. A técnica proposta de citologia em meio líquido por emblocado celular (CB) apresentou 93% de positividade para Sporothrix spp, com sensibilidade de 97,50% entre o isolamento fúngico e 94,87% para a imunocitoquímica. Concluindo deste modo, que o CB pode ser uma boa opção para diagnóstico em saúde pública. A investigação da susceptibilidade dos isolados aos fármacos: terbinafina, a anfotericina B, o itraconazol, fluconazol e o voriconazol foram de 0,06 0,5 &micro;g/ml, 0,002 2 &micro;g/mL e 0,023 - > 32 &micro;g/ml, > 256 &micro;g/mL e 1 - 8 &micro;g/mL, respectivamente. As amostras submetidas à histopatologia e imunhistoquímica demonstraram presença do Sporothrix spp em pele, linfonodo mesentérico, baço, fígado, pulmão e coração. Não foi observado elemento fúngico no rim. Não foi estabelecida relação entre intensidade de infiltrado inflamatório e intensidade de Sporothrix na pele. Conclui-se que a PCR realizada de amostra diretamente de lesão pode ser utilizada em áreas cuja frequência da doença é alta, visto que a sensibilidade diagnóstica foi de 90,20%, contudo a especificidade foi de 42,11%. Sendo assim, em áreas de baixa frequência da esporotricose, recomenda-se o emprego do padrão ouro que é a cultura micológica para pesquisa de Sporothrix spp e com a realização da PCR para as amostras cuja isolamento for obtido. As variáveis de tipo de lesão e início do tratamento interferem no resultado diagnóstico de PCR direto da lesão.

Ano

2018

Creators

Fernanda Fidelis Gonsales

Perfil de anticorpos anti-Toxoplasma gondii em fêmeas ovinas do Estado da Paraíba, Brasil, do nascimento à maturidade sexual

A toxoplasmose é uma zoonose de distribuição mundial que acomete o homem e os animais homeotérmicos, causada pelo protozoário Toxoplasma gondii. Este parasita é responsável por doenças congênitas, abortamento e natimortalidade em algumas espécies, como nos ovinos. Apesar de surtos de abortamentos por T. gondii serem considerados frequentes, são raras as descrições desses surtos em ovinos no Brasil, mesmo a infecção sendo bastante prevalente e os isolados muito virulentos. Estudos tem mostrado uma forte associação entre a presença de anticorpos contra o parasito nas mães e a não ocorrência de problemas reprodutivos por T. gondiidurante a gestação. O objetivo do estudo foi avaliar a ocorrência da infecção por T. gondii em ovinos, da região semi-árida do Estado da Paraíba e determinar se esses animais adquirem a infecção no primeiro ano de vida, antes do início da fase reprodutiva. Para tanto, foi feito o acompanhamento da dinâmica de anticorpos anti-T. gondii, pela reação de imunofluorescência indireta (RIFI &ge;64), no soro dos animais desde o nascimento até os 12 meses de idade, obtidos uma vez por mês. Foram avaliadas 56 fêmeas mestiças e suas 61 crias, pertencentes a sete propriedades rurais com manejo semi-intensivo (representativo das fazendas da região). Das 61 cordeiras estudadas, 55,7% (34/61) (IC 95% 44,9%-71,4%) estavam susceptíveis à infecção no final dos 12 meses, uma vez que nesses animais somente foram detectados anticorpos colostrais ou estas se mantiveram negativas por todo o estudo. O restante, 44,3% (27/61) (IC 95% 28,6%-55,1%) ou nasceram infectadas (5/27; 18,5%) ou se infectaram no primeiro ano de vida (22/27; 81,5%). Os títulos de anticorpos variaram de 64 a 65.356 e as variáveis analisadas (presença de gatos, tipo de água fornecida, tipo de aprisco, manejo sanitário e existência de esgoto dentro da propriedade) não apresentaram associação com o resultado reagente das cordeiras. A análise descritiva não identificou um período mais comum de soroconversão nos animais. O estudo concluiu que aproximadamente metade das ovelhas estavam susceptíveis a infecção pelo T. gondii durante a primeira gestação, estando mais propícias a problemas reprodutivos pelo coccídio.

Ano

2019

Creators

Bianca Alves Valencio

Soroprevalência e fatores de risco associados a leptospirose em equinos reprodutores no Estado de Santa Catarina, Brasil, nos anos de 2016 e 2020

A leptospirose possui distribuição mundial, sendo considerada uma das zoonoses mais importantes do mundo, podendo acometer os animais e humanos das mais variadas formas. Apesar dos estudos sobre soroprevalência da leptospirose em equinos demonstrarem que a exposição dos cavalos ao agente patogênico é alta, a maior parte dos animais é acometido de forma subclínica, gerando grandes prejuízos na criação de cavalos no Brasil e no mundo. O objetivo deste trabalho é avaliar a soroprevalência da leptospirose em equinos utilizados para a reprodução nos anos de 2016 e 2019 no Estado de Santa Catarina e os fatores de risco associados. No estado de Santa Catarina, nos anos de 2016 foram coletados soro sanguíneo de 305 equinos e em 2019 e 2020 um total de 103. O teste empregado foi o da Soro Aglutinação Microscópica (MAT). No ano de 2016, 145 (47,5%) apresentaram anticorpos anti Leptospira spp., enquanto 2019 e 2020 apenas 34 (33%) foram soropositivos. Quanto a fatores de risco, no ano de 2016 os fatores que apresentaram significância estatística para o tipo de reprodução, onde a monta natural se apresentou como um fator de risco, assim como éguas que tiveram reabsorção fetal e animais que viajaram. Quanto aos sorogrupos mais prevalentes no ano, tivemos o Icterohaemorrhagiae sorovar Icterohaemorrhagiae (22,8%), Pomona sorovar Pomona (18,6%) e Icterohaemorrhagiae sorovar Copenhageni (14,3%). O Sorogrupo Panama sorovar Panama apenas 1 exemplar com titulação de 1600 indicando uma fonte de infecção ativa do sorogrupo no estado. Quanto aos sorogrupos mais prevalentes nos anos de 2019-20, tivemos o Cynopteri sorovar Cynopteri (12,4%), Pomona sorovar Pomona (12,4%) e Australis sorovar Australis (6,2%). Tanto o sorogrupo Panama sorovar Panama como o Cynopteri sorovar Cynopteri não pertencem a lista de sorovares presentes nas vacinas comerciais disponíveis para cavalos. O Estado de Santa Catarina evidenciou uma ampla distribuição de soroprevalentes, podendo haver influencias climáticas e de educação continuada na prevalência da doença. O monitoramento epidemiológico da doença em equinos se faz necessário para a criação de programas efetivos de controle da zoonose no estado.

Ano

2021

Creators

Aline Tamye Izutani Aragão

Caracterização das populações de cães e gatos domiciliadas no município de São Paulo

O presente trabalho teve como objetivo estimar as populações canina e felina domiciliadas nos distritos administrativos do município de São Paulo, caracterizando-as demograficamente, bem como o oferecimento de cuidados veterinários e a forma de manutenção dos animais em domicílio. Para tal, utilizou-se amostragem complexa com seleção aleatória em dois estágios: setores censitários e domicílios. Em cada distrito administrativo, foram visitados seis setores censitários e 20 domicílios em cada setor sorteado. De setembro de 2006 a setembro de 2009, um total de 11.272 entrevistas foram feitas. A média de cão/domicílio com cão foi estimada em 1,60 e a média de gato/domicílio com gato, 1,69. A razão homem:cão foi estimada em 4,34 e a razão homem:gato, 19,33. A partir da população humana de 10.882.121 habitantes, no ano de 2007, estimou-se a população animal em 2.507.401 cães e 562.965 gatos. A população canina é composta de 52,7% de machos, enquanto a felina, de 45,1%. A proporção de felinos castrados (39,0%) foi superior a dos caninos (17,1%), considerando ambos os gêneros. As proporções de fêmeas esterilizadas (23,4% dentre os cães e 46,1% dentre os gatos) são superiores às de machos (11,4% dentre os cães e 31,5% dentre os gatos), em ambas as espécies. A idade média de cães foi estimada em 4,99 anos e a de gatos, 3,53 anos. A proporção de gatos não vacinados contra a raiva nos últimos 12 meses (6,8%) foi superior à proporção de cães (1,6%). A proporção de cães com restrição de acesso à rua (64,4%) foi superior à dos gatos (42,5%). A restrição e a esterilização dos animais são reflexos da posse responsável que deve ser incessantemente discutida e divulgada a fim de promover conscientização dos proprietários quanto aos modos de manutenção e oferecimento de cuidados veterinários. A caracterização das populações animais é a base da estruturação de progamas de controle populacional e de zoonoses. Estudos populacionais que respeitam a heterogeinedade dos aspectos administrativos e geográficos de um município, permitem medidas de ações em saúde mais direcionadas.

Ano

2010

Creators

Bianca Davico Canatto

Dinâmica do efeito da homeopatia utilizada no tratamento de doenças em suínos pets

O presente trabalho objetiva verificar a evolução das doenças dos suínos pets através de acompanhamento de casos clínicos atendidos, no Serviço de Clínica de Pequenos Animais do Hospital Veterinário da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo e a domicilio pela Medica Veterinária Izabelle Joanny de Oliveira CRMV-SP 36.101. O estudo compreende 10 animais com problemas dos sistemas tegumentar, gastrointestinal, respiratório, neurológico, linfático, endócrino, musculo esquelético, genitourinário e cardiovascular, que apresentaram excelente evolução ao tratamento homeopático, registrados e avaliados quanto ao grau de gravidade dos sinais clínicos comparando a sintomatologia antes e após o tratamento homeopático.

Ano

2020

Creators

Izabelle Joanny de Oliveira

Avaliação e atribuição de fatores de risco da presença de Salmonella spp. em estabelecimentos de frango de corte no estado de Santa Catarina

O objetivo deste estudo foi avaliar e atribuir possíveis fatores de risco associados à presença de Salmonella spp. em estabelecimentos de frango de corte no estado de Santa Catarina, Brasil. Foi definido um estudo caso-controle em estabelecimentos de frango de corte, que estão submetidos às monitorias previstas na Instrução Normativa MAPA/SDA n&ordm; 20, de 21 de outubro de 2016. Os resultados das monitorias realizadas no ano de 2020 foram analisados e, posteriormente, foi aplicado um questionário epidemiológico em 398 propriedades (199 casos e 199 controles) pelo Serviço Veterinário Oficial do Estado de Santa Catarina. O modelo final de regressão logística múltipla demonstrou que as variáveis capacidade de alojamento (&#62; 50.000 aves; OR = 2,19, IC 95% = 1,27 3,78 e p = 0,004), idade do galpão mais antigo (&#62; 10 anos; OR = 2,05, IC 95% = 1,28 3,50 e p = 0,009) e o número de pessoas que trabalham na produção de frango de corte (&#8805; 3 pessoas; OR = 1,59, IC 95% = 1,01 2,51 e p = 0,043) foram associados como fatores de risco para a presença de Salmonella spp. O estudo sugere que os fatores de risco encontrados predispõem a uma maior chance de falhas nos procedimentos de biosseguridade e, por consequência, um maior risco para a presença de Salmonella spp. A ausência de doenças avícolas importantes no país, como influenza aviária e doença de Newcastle, pode levar ao entendimento de que há uma necessidade limitada de manter procedimentos de biosseguridade, e, consequentemente, a redução do risco percebido de doenças é um fator conhecido por influenciar na adoção de biosseguridade. Considerando que a avicultura catarinense está baseada na agricultura familiar, políticas públicas e privadas devem ser construídas para auxiliar na manutenção e ampliação da produção avícola no estado.

Ano

2021

Creators

Priscila Belleza Maciel

Estudo microbiológico fecal de linhagens de camundongos, de estirpes de E. coli e do meio ambiente em biotérios

Os camundongos têm sido amplamente utilizados na experimentação desde o século XVII, devendo sua qualidade microbiológica ser pesquisada e mantida, para evitar que eles adoeçam ou morram durante o experimento, não transmitam zoonoses e para que os resultados apresentados no experimento sejam confiáveis. A Escherichia coli faz parte da microbiota entérica dos mamíferos, podendo algumas linhagens causar infecções. As estirpes patogênicas apresentam diferentes fatores de virulência, como as endotoxinas, adesinas, enterotoxinas, fator citotóxico necrosante e as hemolisinas. Este trabalho teve como objetivos: analisar as microbiotas aeróbias bacteriana e fúngica presentes no intestino das linhagens de camundongos Swiss, C57BL/6, BALB/c, C3H/HePas, C3H/HeJ, MDX e YCx43, verificando se existem diferenças entre elas; avaliar a suscetibilidade \"in vitro\" frente aos antimicrobianos das E. coli isoladas, verificando se existem diferenças entre as linhagens; verificar a ocorrência de resistência a múltiplos antimicrobianos nas E. coli isoladas; pesquisar os fatores de virulência das E. coli isoladas, também investigando se existem diferenças destes entre as linhagens estudadas; identificar os microrganismos presentes nos diferentes ambientes em que estes animais são mantidos, verificando se existem diferenças entre eles. Os camundongos foram necropsiados e coletou-se uma pequena quantidade de seu conteúdo fecal que foi semeado nos meios de cultura BHI, ágar sangue de carneiro 5%, ágar MacConkey e ágar Saboraud dextrose. Foi realizando o antibiograma e PCR das E. coli isoladas. Realizou-se a cultura de suabes da mesa, maçaneta de porta e exterior das luvas dos funcionários. Verificou-se que as linhagens de camundongos estudadas apresentam microbiotas fecais diferentes; as estirpes de E. coli são diferentes em cada linhagem e apresentam resistência a múltiplos antibióticos, que as estirpes de E. coli isoladas não são patogênicas, que as bactérias isoladas nas salas do biotério não foram influenciadas pela microbiota fecal dos camundongos e que o monitoramento microbiológico de rotina dos animais, do ambiente e dos técnicos, e as normas de biossegurança são indispensáveis e devem ser sempre adotados e mantidos no biotério.

Ano

2008

Creators

Clarice Yukari Minagawa

Proteção cruzada entre bacterinas antileptospirose produzidas com três representantes do Sorogrupo Sejroe. Ensaio experimental em hamsters (Mesocricetus auratus)

Foi investigada a existência de proteção cruzada entre bacterinas bivalentes formuladas com um de três representantes do Sorogrupo Sejroe: hardjo (bacterina A), wolffi (bacterina B) e guaricura (bacterina C), e uma estirpe do sorovar pomona, empregada por ser patogênica para hamsters (Mesocricetus auratus) e possibilitar a realização do teste de potência com desafio. Os ensaios foram efetuados em hamsters machos, comparando-se os níveis de anticorpos aglutinantes e neutralizantes, respectivamente obtidos nos testes de soroaglutinação microscópica (SAM) e inibição de leptospiras in vitro (ICL). Os animais receberam duas doses de vacinas via subcutânea; aos dez dias da segunda dose, foram inoculados com culturas não inativadas dos respectivos sorovares do Sorogrupo Sejroe. Aos 21 dias pós-infecção (d.p.i.), os animais foram sangrados, os soros (n=8) foram agrupados em pools e submetidos aos testes de SAM e ICL. O teste de potência com desafio para o sorovar pomona foi adaptado do protocolo preconizado pelo United States Department of Agriculture, mas as vacinas não foram diluídas e o esquema de imunização empregou duas aplicações de 1,0mL pela via subcutânea em intervalo de dez dias; o desafio foi efetuado aos dez dias da segunda aplicação; os óbitos por leptospirose foram registrados e, aos 21 d.p.i., os sobreviventes foram sacrificados e a condição de portadores renais foi investigada através de cultivos de tecido renal para isolamento de leptospiras. No teste de potência com o sorovar pomona, o número de doses infectantes empregado para desafio (100) situou-se dentro da faixa preconizada (10 a 100); respectivamente para as bacterinas A, B e C, as proporções de mortes por leptospirose entre os animais vacinados foram de 1/10, 0/10 e 3/10, e as de portadores renais de leptospiras entre os sobreviventes foram 2/9, 1/10 e 2/7. Os resultados do teste SAM revelaram que a bacterina A induziu reações para os sorovares hardjo e wolffi; a bacterina B, para hardjo, wolffi e guaricura, e a bacterina C, apenas para a guaricura, e do teste de ICL, que animais vacinados com as bacterinas B ou C apresentaram proteção para hardjo, wolffi e guaricura; entretanto, a bacterina A conferiu proteção apenas para wolffi. Apesar das variações no poder imunogênico segundo a estirpe de leptospira empregada para a produção das bacterinas, houve proteção cruzada entre os sorovares hardjo, wolffi e guaricura.

Estomatite Vesicular Alagoas: estudo da transmissão entre tilápias nilóticas (Oreochromis niloticus) experimentalmente inoculadas e cobaios (Cavia porcellus) através da água e desenvolvimento de um método diagnóstico

Diante da necessidade de responder algumas indagações relacionadas a epidemiologia da Estomatite Vesicular, principalmente aquelas que dizem respeito a ocorrência de surtos em locais onde existem coleções d\'água, foi desenvolvido um modelo de transmissão do VSA utilizando a água como via de transmissão, a tilápia nilótica, inoculada intraperitonealmente, como fonte de infecção e o cobaio como hospedeiro susceptível. O objetivo da utilização deste modelo biológico de transmissão do Vírus da Estomatite Vesicular foi de avaliar o papel desempenhado pelos peixes no ciclo epidemiológico, propor um modelo de ciclo epidemiológico do VSA, destacando o papel da água como via de transmissão e padronizar uma técnica de RT-PCR para a detecção do VSA, em amostra de tecidos. Através do modelo desenvolvido, fica demonstrado que estes peixes eliminaram partículas virais na água, decorridos 13 dias pós-inoculação e que esta última se caracteriza como via de transmissão, possibilitando a infecção dos hospedeiros susceptíveis (cobaios) através de inoculações experimentais em coxim plantar. A tilápia nilótica pode ser considerada como uma fonte de infecção, por ser capaz de eliminar um agente infeccioso no meio ambiente e através de uma via de transmissão este agente alcançou o hospedeiro susceptível; os peixes podem ser inseridos no ciclo epidemiológico da Estomatite Vesicular como fonte de infecção, sendo capazes de eliminar na água partículas virais infectantes, destacando o papel da água como via de transmissão; fica padronizada uma técnica de RT-PCR dirigida ao gene codificador da proteína RNA-polimerase, útil para a detecção direta do Vírus da Estomatite Vesicular Alagoas e Indiana em amostras de tecidos.

Ano

2003

Creators

Carlos Henrique de Azeredo Lima

Caracterização molecular de plasmídeos carreadores de genes codificadores de beta-lactamases de espectro estendido em Enterobactereaceas isoladas de suínos

A produção de beta-lactamases de espectro estendido (ESBL) tornou-se um desafio em saúde pública por restringir as opções terapêuticas para o tratamento de infecções causadas por bactérias gram-negativas. O objetivo desse estudo foi avaliar a ocorrência de estirpes produtoras de ESBL nas granjas de suínos brasileiras, bem como caracterizar os plasmídeos carreadores dos genes blaESBL quanto ao grupo de incompatibilidade, tamanho e presença de genes de resistência adicionais. As estirpes foram isoladas em meio MacConkey e identificadas por MALDI-TOF. Posteriormente, os valores de concentração inibitória mínima foram determinados por microdiluição e/ou ágar diluição para aminoglicosídeos, carbapenens, cefalosporinas, fluoroquinolonas, tetraciclinas, sulfas e cefalosporinas associadas a inibidores competitivos. Os genes codificadores de beta-lactamases foram identificados por PCR assim como o grupo de incompatibilidade dos respectivos plasmídeos carreadores e o grupo filogenético das estirpes de E. coli. A análise de clonalidade foi realizada por ERIC-PCR e MLST. Finalmente, o ambiente genético do gene blaCTX-M-15 foi determinado por PCR e/ou sequenciamento, sendo que os plasmídeos carreando genes blaESBL foram transferidos às estirpes receptoras E. coli TOP10 e C600 por transformação e conjugação, respectivamente, e parcialmente sequenciados. As estirpes de Escherichia coli produtoras de CTX-M-2 foram as mais prevalentes, sendo endêmicas no estado de Minas Gerais. Além disso, é relatada a presença da enzima CTX-M-15 em estirpes de E. coli (ST224, ST410, ST1284), Klebsiella pneumoniae, Enterobacter cloacae e Pseudomonas aeruginosa (ST3201). O gene blaCTX-M-15 esteve associado a plasmídeos IncF e foi transferido com sucesso para a estirpe receptora E.coli TOP10, plasmídeos IncF também foram associados a presença do gene blaCTX-M-2. O gene blaCTX-M-8 foi detectado em quatro novos STs de E. coli (ST5845, ST5847, ST5848 e ST5350) e não foi adquirido pelas estirpes receptoras. Estes dados indicam que a vigilância de fenótipos resistentes na produção suína deve de ser considerada uma prioridade, assim como a preferência ao uso de antimicrobianos de espectro estrito a fim de evitar a disseminação desses fenótipos nas granjas e sua possível transmissão para população humana.

Ano

2016

Creators

Ketrin Cristina da Silva

Ornithodoros brasilienses (Acari: Argasidae): estudos morfológicos de larvras e adultos, ciclo biológico em condições laboratoriais e investigação e diagnóstico de Rickettsia spp

Ornithodoros brasiliensis Aragão é um carrapato endêmico do Brasil, restrito às regiões serranas e frias do estado do Rio Grande do Sul. É uma espécie bastante agressiva aos humanos, causando febre, muita dor e intensa resposta inflamatória no local da picada. O ciclo biológico de O. brasiliensis (ovo a adulto, única geração) realizado nos anos 50, utilizando ratos brancos como hospedeiros, levou um total de 103 e 184 dias de amplitude, com máximo de 7 ínstares ninfais observados e com emergência de adultos a partir de N4, estando os machos em maior proporção. Os hospedeiros apresentaram febre e uma bactéria espiroqueta denominada Borrelia brasiliensis foi descrita de esfregaços sanguíneos desses animais. Porém as borrélias não puderam ser cultivadas por muito tempo, e acabaram desaparecendo. Houve um silêncio de mais de 50 anos sobre relatos de ocorrência de O. brasiliensis, deixando inclusive dúvidas se a espécie estava extinta de fato. No entanto, há cerca de quatro anos, alguns espécimes de carrapatos da mesma localidade foram coletados e identificados como O. brasiliensis. O presente trabalho teve por objetivos estudar a morfologia e a biologia de O. brasiliensis, em condições de laboratório, bem como investigar a presença de bactérias do gênero Rickettsia em espécimes coletados. Ninfas e adultos foram alimentados em cobaias de laboratório e as fêmeas acasaladas realizaram posturas que resultaram nas gerações sucessivas. A larva e os adultos foram descritos e redescritos, e comparados com as espécies próximas, O. rostratus e O. turicata. Análises moleculares de uma porção do gene 16S rDNA mitocondrial foram comparadas com as sequências depositadas no GenBank e apresentaram valores de máximo bootstrap de 100% para ambas, O. rostratus e O. turicata. O ciclo biológico completo (ovo a ovo) de O. brasiliensis foi obtido entre 215,4 e 195 dias, em média, para duas gerações consecutivas, respectivamente. Os períodos médios de pré-oviposição, oviposição e incubação dos ovos (em dias), para a geração F1 foram 76,7 ± 27,01 (31-117); 15,55 ± 5,36 (10-24); 10,6 ± 4,5 (3-19) e para geração F2 foram 54,1 ± 8,7 (40-65), 15,8 ± 8,9 (7-36); 15,4. Os períodos médios de pré-ecdise larval foram de 12,5 ± 1,8 (10-15), considerando as duas gerações. A larva não se alimenta, enquanto que há um repasto sanguíneo para cada instar ninfal, antes de cada muda. Um total de 5 instares ninfais foi observado, sendo que os períodos médios de préecdise para os instares N1, N2, N3, N4 e N5, respectivamente para as duas gerações foram de 33,3 ± 4 (32-45), 38,6 ± 2,5 (36-47), 31,1 ± 3,4 (28-42), 34,8 ± 3,3 (31-43), 37,2 ± 2,4 (35-41) e 32,5 ± 3,3 (29-40), 37,5 ± 2,5 (34-44), 34,6 ± 3,2 (31- 37), 36,5 ± 2,5 (34-42), 32,5 ± 0,7 (32-33). Os períodos médios de alimentação para os ínstares ninfais, foram semelhantes nas duas gerações, sendo de 28,62 ± 3,67 (25,2 35,1) minutos. Adultos alimentam-se repetidas vezes, e as posturas sempre são precedidas de repasto sanguíneo, embora somente dois ciclos gonotróficos foram observados. O primeiro ciclo gonotrófico apresentou maior número de ovos depositados, com 139 ± 13,8 (53 197) em relação ao segundo 73,8 ± 10,6 (53 123). A investigação da presença de riquétsia foi avaliada em 107 espécimes recentemente coletados, evidenciando um total de 12 exemplares positivos. O produto amplificado pela PCR foi sequenciado e as análises moleculares apresentaram homologia de 98% com sequências disponibilizadas no Genbank, correspondentes a uma espécie asiática denominada RDa420 (AF497584) e outra brasileira, Rickettsia bellii (DQ865204) .

Ano

2012

Creators

Diego Garcia Ramirez

Estratégias para o manejo do teiú (Salvator merianae Duméril & Bibron, 1839), um lagarto invasor no arquipélago de Fernando de Noronha, PE, Brasil

Fernando de Noronha é um arquipélago oceânico localizado a 345 km da costa brasileira, habitado desde o século XVII. Sua economia é baseada no turismo, que tem apresentado rápido crescimento nas últimas décadas. Este ecossistema único é reconhecido como Patrimônio Mundial pela Unesco e é um sítio Ramsar. Toda sua extensão terrestre e grande parte da área marinha ao seu redor é protegida por duas unidades de conservação federais, sob tutela do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade. Existem pelo menos 15 espécies de plantas e animais nativos oficialmente ameaçadas de extinção, algumas destas endêmicas do arquipélago. Dentre as 22 espécies de animais e plantas invasoras conhecidas em Fernando de Noronha, o teiú (Salvator merianae) constitui um grande risco à fauna nativa por ser um predador oportunista de grande porte. O potencial impacto do teiú é reconhecido e seu manejo é previsto pelas unidades de conservação do arquipélago. O teiú se encontra presente em altas densidades na ilha principal tendo sido também registrados indícios de sua presença ao menos na Ilha Rata. A densidade de teiús encontrada em Fernando de Noronha foi de 13,8&#177;3,9 animais por hectare em uma área não habitada e com vegetação relativamente preservada e de 4,0&#177;1,1 animais por hectare numa área pouco habitada. O número estimado de indivíduos atualmente vivendo na ilha principal variou entre 6.906 a 12.270 indivíduos adultos. A área de vida estimada foi de 10,5 (7,3- 15,3) ha para ambos os sexos. A probabilidade de captura foi de 0,24&#177;0,06 animais/armadilha/dia na área, com 4 animais/ha, sendo influenciada pelo tamanho dos indivíduos. O teiú também constitui um potencial risco à saúde pública do arquipélago, por serem portadores da bactéria Salmonella entérica, isoladas em 56,9% dos animais capturados e em 70,5% dos pontos amostrados. Ao menos 15 sorotipos foram determinados por métodos moleculares para esta população. Para propor formas de manejar esta espécie em Fernando de Noronha, foram criados modelos de viabilidade populacional com diferentes cenários de manejo por 10 anos. Nos cenários sem manejo, a população de teiús não se extingue ao longo de 30 anos. O aumento das probabilidades de extinção é proporcional ao aumento da intensidade de manejo, tanto nos cenários que consideram a população de toda a ilha principal (A) quanto nos cenários que consideram parte desta população numa área de 214 ha (B). A remoção anual de 20% dos indivíduos adultos seria suficiente para gerar cenários de extinção da população. Com a remoção anual de 50% dos indivíduos adultos, a probabilidade de extinção seria de 54% e a média do tempo para a extinção estaria entre 5,2 e 5,4 anos de manejo, demonstrando que o controle desta espécie é possível em Fernando de Noronha, se os métodos de captura e esforço forem 16 adequados. O manejo em uma pequena área (C) de 2,14 ha poderia ser feito em apenas 13 dias utilizando-se 10 armadilhas. Na área B (que inclui a área C), o manejo de maior intensidade poderia ser realizado em 44 dias por ano, durante quatro anos, utilizando 258 armadilhas. As recomendações incluem o aumento gradativo da área manejada, o uso de manejo adaptativo, o envolvimento da sociedade e o sinergismo com outros esforços de manejo de espécies invasoras na área ambiental e de saúde pública. Este estudo fornece a base científica para um programa de manejo com objetivo de conservar a biodiversidade e de melhorar a saúde pública em Fernando de Noronha.

Ano

2019

Creators

Carlos Roberto Abrahão