Repositório RCAAP

Caracterização biológica, genética e sorológica de uma amostra de vírus da raiva isolada de eqüino de uma região próxima de São Paulo, Sudeste do Brasil

O comportamento biológico de uma amostra de vírus recém-isolada de eqüino (M82-02), procedente de uma região próxima de São Paulo, foi estudado em camundongos, inoculados pelas vias intracerebral e intramuscular, avaliando-se as características relacionadas com a infectividade, patogenicidade, período de incubação, período do curso clínico e capacidade invasiva do vírus para outros tecidos não-nervosos. A amostra, com uma passagem em cérebro de camundongos, foi tipificada antigenicamente, utilizando um conjunto de anticorpos monoclonais (MABs), desenvolvido pela \"Canadian Food and Inspection Agency\", de Ottawa, Canadá, correspondendo ao perfil de morcego hematófago Desmodus rotundus. Após ser submetida à extração do material genético, a amostra foi caracterizada geneticamente no \"National Institute of Infectious Diseases\", de Tóquio, Japão, confirmando pertencer ao genótipo 1 do gênero Lyssavirus, com característica próxima a do \"Vampire -bat related virus-VRRV\", comuns entre as amostras brasileiras isoladas de herbívoros e morcegos hematófagos. As sucessivas passagens da amostra em camundongos, por via intracerebral e intramuscular, provocaram ligeiro aumento no título do vírus e estabilização do período de incubação, quando então foi utilizado como antígeno para a prova de soroneutralização, para avaliar o comportamento deste vírus frente aos soros de eqüinos vacinados com uma vacina comercial de vírus PV inativado. Os soros de eqüinos vacinados foram titulados em paralelo com o antígeno viral constituído de vírus CVS. Com o uso da amostra M82-02 como antígeno para a prova de soroneutralização não foi possível demonstrar diferença significativa, quando comparado com o antígeno fixo de vírus CVS, no entanto, alguns soros de eqüinos vacinados foram encontrados com níveis de anticorpos acima de 0,5UI/mL. Pela prova de imunofluorescência direta (IFD), a presença do antígeno do vírus da raiva foi evidenciada no pulmão e nos rins de animais inoculados por via IM, notadamente nos materiais de passagem mais elevada. No teste de avaliação da vacina comercial, pelo método do CDC de Atlanta, o resultado do desafio com a amostra M82-02 foi inferior ao do vírus fixo CVS, no entanto, este método ainda necessita ser melhorado para sua utilização na rotina.

Ano

2003

Creators

Marcia Ester Parreira Vasconcellos

Priorização da vigilância epidemiológica de doenças tropicais negligenciadas em áreas silenciosas: o caso da esporotricose felina no município de Guarulhos

As Doenças Tropicais Negligenciadas (DTNs) anualmente causam a morte de milhões de indivíduos de coletivos multiespécies marginalizados, além de discapacidades de diversas gravidades. Essa negligência se reflete e é reforçada pela subnotificação de casos, que diminui a sensibilidade dos sistemas de vigilância. A pressuposição de que em áreas silenciosas (sem notificações) não há casos, uma prática comum na análise da distribuição espacial das DTNs, contribui à desconsideração dessas áreas como sendo prioritárias pela vigilância epidemiológica. Ao assumir que a quantidade de casos é desconhecida nas áreas silenciosas, modelos preditivos podem considerá-las sem classificá-las como livres de doença. Para exemplificar esta abordagem, que tem o potencial de aumentar a eficiência das ações de prevenção e controle, neste estudo pressupomos que o número de casos de esporotricose felina em setores censitários (SC) silenciosos do município de Guarulhos era desconhecido, e o predizemos a partir da quantidade de casos notificados nos SCs vizinhos e da situação de vulnerabilidade social dos próprios SCs silenciosos e de sua vizinhança. Para isso, utilizamos modelos Bayesianos com componentes espaciais estruturados e não-estruturados. Com base nas predições, atribuímos um índice de prioridade a todos os SCs, o qual resultou em um cenário epidemiológico mais problemático, com alguns SCs silenciosos mais prioritários do que outros não-silenciosos. A fim de validar iterativamente as predições do índice e calibrar o grau de confiança que se atribui à abordagem proposta, pode-se comparar a distribuição dos índices de prioridade dos SCs silenciosos com a distribuição de casos identificados mediante busca nesses SCs.

Ano

2022

Creators

Ligia Neves Scuarcialupi

Avaliação dos Critérios Interpretativos de Oxacilina em Isolados Clínicos de Staphylococcus pseudintermedius

Staphylococcus pseudintermedius é um patógeno comumente encontrado em pele de cães, e a resistência à oxacilina tem emergido entre as últimas décadas. Os Staphylococcus pseudintermedius resistentes a meticilina (MRSP) limitamas opçõesterapêuticas na rotina clínica. S. pseudintermedius podem colonizar ou causar infecções em cães e gatos saudáveis e doentes, implicando um risco potencial de transmissão dessas bactérias para seres humanos. O BrCAST que é o Comitê brasileiro de testes de susceptibilidade a antimicrobianos, foi criado no Brasil em 2016 com objetivo de padronizar os testes de sensibilidade bacteriana e portanto novos estudos epidemiológicos são incentivados para geração de dados populacionais. O objetivo do estudo foi determinar a susceptibilidade de isolados clínicos de S. pseudintermedius à oxacilina através da determinação da concentração inibitória mínima (CIM), do teste de disco difusão, e a presença de mecA e mecC em isolados clínicos; comparar esses resultados com o CLSI (Instituto de Padrões Clínicos e Laboratoriais) e BrCAST. Foram utilizadas 211 amostras S. pseudintermedius, sendo 28,9% S. pseudintermedius resistentes à oxacilina pela presença do gene mecA; 22,37% pela resistência à oxacilina pelo teste de disco difusão; e 27,48% pela CIM. Em 17 amostras foram identificadas a presença do gene mecC. A concordância entre os testes na detecção de resistência à oxacilina comparado a presença de mecA foi: oxacilina pelo método de disco difusão (concordância leve), CIM de oxacilina (concordância moderada) e cefoxitina pelo método de disco difusão não apresentou concordância. ECOFFs calculados com 95% da população estudada apresentaram ponto de corte de 0,5ug/L, compatível com do CLSI (2019). Em relação a multiresitência, 45% das amostras de S.pseudintermedius foram classificadas como multiresistentes. O três antibióticos com mais amostras resistentes na disco difusão foram: tetraciclina (54,02%), penicilina (49,76 %) e sulfametoxazol-trimetoprim (40,28%).

Ano

2020

Creators

Carolina Sasse Ulloa Stein

Ecologia, dinâmica populacional e aspectos sanitários de gatos domésticos (Felis catus) nas áreas adjacentes da unidade de conservação Parque Estadual Carlos Botelho no estado de São Paulo, Brasil

As populações de felinos domésticos tem distribuição mundial e são encontradas em alta densidade nos diferentes ecossistemas (urbanos, rurais e florestais), tendo sido associadas a diferentes problemas. No caso da saúde publica, estão implicados principalmente na transmissão de zoonoses. Da mesma forma, têm sido relacionados a efeitos negativos no meio ambiente gerando um impacto deletério para as espécies endêmicas de pequenos mamíferos, aves, répteis e anfíbios, como consequência de seus hábitos predatórios. Finalmente, existem implicações de bem-estar animal, devido a que são reconhecidos como vulneráveis ao abuso e a negligencia, já que seu controle pode ser executado com métodos não humanitários. No presente estudo, procura-se estudar a dinâmica populacional de felinos (Felis catus) nas áreas adjacentes da unidade de conservação Parque Estadual Carlos Botelho no estado de São Paulo, Brasil; mediante a determinação de parâmetros populacionais, exigências do hábitat e as interações destes animais com o ecossistema por meio do uso de técnicas de telemetria, além de avaliar as condições sanitárias desta população através da pesquisa e identificação de ectoparasitas, agentes transmitidos por vetores (Anaplasma spp, Ehrlichia spp, Babesia spp e Hepatozoon spp e Rickettsia spp.), virus (FIV - Vírus da Imunodeficiência Felina e FeLV - Vírus da Leucemia Felina) Hemoplasmas e Toxoplasma . Na atualidade, nos países da América do Sul são insuficientes as pesquisas relacionadas com a dinâmica das populações felinas domesticas na área de ecologia e epidemiologia. O desenvolvimento de este trabalho visa auxiliar na compreensão de fatores envolvidos na dinâmica populacional de felinos para contribuir na implementação de ações de saúde considerando a interface humana-animal-meio ambiente.

Ano

2020

Creators

Tatiana Jimenez Villegas

Comparison of morphometric patterns and blood biochemistry in capybaras (Hydrochoerus hydrochaeris) of human-modified landscapes and natural landscapes

The capybara (Hydrochoerus hydrochaeris) is the largest rodent in the world, reaching up to 100 kg, with an average adult weight of 50 kg. In southeastern Brazil, capybara occupy a fundamental role in maintaining Brazilian spotted fever (BSF), since it functions as an amplifying host for the bacterium Rickettsia rickettsii, the agent of the disease. Among the characteristics necessary for amplification of the agent, high prolificacy and generation of new individuals susceptible to rickettsemia are essential in the epidemiological scenario of BSF. Many human-modified landscapes (HMLs) in southeastern Brazil have experienced horizontal and vertical expansion of capybaras populations in recent decades due to the large supply of food, thanks to the expansion of crops, as for example, sugarcane. It was conjectured, then, that capybaras in HMLs are increasing their body reserves, leading them to a picture of obesity, when compared to capybaras in Natural Landscapes (NLs) of the Brazilian Pantanal biome. It was also observed that the population density of capybaras in a given occupation area is much higher in HMLs than in NLs, possibly due to greater reproductive success due to the abundant supply of food. It was conjectured, therefore, that the obesity of animals in HMLs may be generating biochemical disorders of nutritional and metabolic nature. These disorders, added to greater reproductive capacities, can therefore increase the replacement rates of individuals, maintaining the BSF in southeastern Brazil. To answer these hypotheses, during the years 20152019, capybaras were captured in seven HMLs in southeastern Brazil, and in two NLs of the Pantanal biome, all with established populations of capybaras. Blood collection, measurement of total length, height and circumferences of neck, thorax and abdomen were performed to compare the results between populations, with NLs capybaras being the control group and HMLs being the experimental group. The results showed that animals in HMLs were heavier than animals in NLs, and, despite being heavier, they did not present larger linear measurements, excluding any type of size interference in the individuals\' body mass values. Interestingly, HMLs capybaras showed larger neck and chest circumferences than those recorded for NLs capybaras. In addition, the present work registered a new superior weight limit for the species (105.2 kg). The results found in blood tests showed that, of the eleven biochemical factors analyzed, five (albumin, creatine kinase, cholesterol, fructosamine and total protein) were significantly different between populations and two (calcium and aspartate aminotransferase) were borderline. The analysis of biochemical factors directly or indirectly related to obesity proves that the capybara populations of HMLs are developing, due to excess fat, a series of biochemical disorders of metabolic and nutritional order, which can lead to increased mortality rates in these populations. In addition, rodents exposed to high-energy diets exhibit greater reproductive success.

Ano

2020

Creators

Hector Ribeiro Benatti

Efeito da fragmentação florestal na infestação por carrapatos (Acari: Ixodidae) em aves e infecção de carrapatos por Rickettsia spp no Pontal do Paranapanema, SP

A fragmentação do habitat causa a redução na diversidade de espécies, afetando as relações entre os hospedeiros vertebrados e os parasitos. Neste estudo se verificou se o tamanho do fragmento florestal influencia a diversidade das aves silvestres o que poderia afetar a prevalência dos carrapatos nas aves. As aves foram capturadas através de redes de neblina em 12 áreas florestais: quarto fragmentos pequenos (80-140 ha); quatro grandes (480-1850 ha) e quatro controles, no Parque Estadual Morro do Diabo (~36000 ha). Adicionalmente foram coletados também carrapatos de vida livre através de arrasto com a flanela branca ao longo de trilhas. A infecção de carrapatos por riquétsias foi avaliada atrvés de PCR. No total foram capturadas 1745 aves representando 80 espécies de 24 famílias. 223 (13%) das aves foram encontradas parasitadas por formas imaturas de carrapatos: 1800 larvas e 539 ninfas. A espécie mais comum parasitando aves foi Amblyomma nodosum. Outras espécies: Amblyomma coelebs, Amblyomma cajennense, Amblyomma ovale, Amblyomma longirostre, Amblyomma calcaratum, e Amblyomma naponense foram achados nas aves esporadicamente. Entre os carrapatos de vida livre, A. cajennense foi a espécie mais comum, seguindo A. coelebs, A. naponense, Amblyomma brasilense e Haemaphysalis juxtakochi. De dois carrapatos A. nodosum foram isoladas bactérias do gênero Rickettsia em células Vero. Os isolados foram caracterizados por PCR e os fragmentos dos genes gltA, htrA sequenciados, e quando possível ompA e ompB. Um isolado foi identificado como Rickettsia bellii e o segundo, como R. parkeri. Dos 174 A. nodosum testados para a presença de riquétsia, 41 (23.6%) foram infectados por R. parkeri e 10 (5.7%) por R. bellii. A diversidade de aves era maior em áreas do controle, mas varias espécies as aves e também dos carrapatos responderam ao fragmentaço em modo diferente. A. nodosum parasitando as aves era mais abundante em áreas pequenas, enquando A. cajennense encontrado nas aves e em vida livre, era mais abundante em áreas do controle e em áreas grandes. Essas differencias de occorencia dos carraptos podem ser relacionadas com a abundância dos hospedeiros principais e fatores ambientais como temperatura e humidade nas áreas amostradas. Isso é um resultado da fragmentação do habitat que ilustra a falta de equilíbrio entre relações de parasitos, hospedeiros e ambiente.

Ano

2009

Creators

Maria Halina Ogrzewalska

Ocorrência de infecção por Leishmania spp. e Brucella spp. na população indígena e em cães habitantes da Terra Indígena Tapirapé e em cães habitantes da Terra Indígena Karajá

As leishmanioses são antropozoonoses de caráter crônico e distribuição mundial e apresentam uma incidência estimada de 2 milhões de novos casos por ano, entre leishmaniose visceral (LV) e leishmaniose tegumentar (LT). Os cães são bastante susceptíveis à infecção por LV e devido à sua estreita relação com o homem, são considerados os reservatórios de maior importância para a transmissão da doença ao ser humano. As leishmanioses ocorrem de forma endêmica nas regiões Norte, Nordeste, CentroOeste e Sudeste, fazendo-se necessária a realização de inquéritos sorológicos, visando conhecer a situação epidemiológica da doença nas áreas com transmissão ativa ou com potencial de transmissão. A brucelose é uma zoonose de distribuição mundial que causa infecção sistêmica no homem e diminuição da eficiência reprodutiva e aborto em espécies domésticas e silvestres. No Brasil, a brucelose devido a Brucella abortus é a infecção brucélica mais prevalente, seguida da B. suis e B. canis. Devido ao caráter zoonótico e a perdas reprodutivas é importante diagnosticar animais infectados para interromper a transmissão da doença. A partir do exposto, realizou-se um inquérito sorológico em humanos e em cães habitantes de aldeias indígenas da região amazônica do Brasil, com o objetivo de identificar áreas endêmicas para Leishmania spp. e Brucella spp. O presente estudo analisou amostras de soro e sangue de todos os indígenas e cães habitantes da Terra Indígena Tapirapé, assim como de cães da Terra Indígena Karajá, através dos testes sorológicos ELISA e RIFI para a pesquisa de leishmaniose e dos testes sorológicos IDGA e AAT, além da PCR para a pesquisa de brucelose. Os resultados obtidos para os humanos apresentaram prevalências de 0,4% e 0,9% para LT e brucelose, respectivamente. Todos os humanos foram negativos para LV. Para os cães das aldeias Tapirapé os resultados de prevalência foram 1,8%, 0,9% e 6,1% para LV e LT e brucelose, respectivamente. Os cães das aldeias Karajá apresentaram resultados negativos para LV e prevalências de 0,9% e 5,2% para LT e brucelose, respectivamente. Os resultados obtidos neste estudo indicam baixa ocorrência de infecção por Leishmania spp. e ocorrência moderada de infecção por Brucella spp. Embora as leishmanioses se apresentem pouco disseminadas nas áreas estudadas, requerem atenção, assim como a brucelose, para a tomada de medidas de controle e profilaxia.

Ano

2013

Creators

Julia Teresa Ribeiro de Lima

Diversidade de Flebotomíneos (Diptera, Psychodidae, Phlebotominae) e detecção molecular de parasitas do gênero Leishmania no município de Bom Jesus dos Perdões, estado de São Paulo

Os flebotomíneos são dípteros hematófagos pertencentes à família Psychodidae e subfamília Phlebotominae. Considerando o processo migratório da doença no Estado de São Paulo e a complexidade da relação parasito/vetor/hospedeiros da Leishmaniose é necessário realizar estudo sobre os aspectos ecológicos e epidemiológicos desta doença. A expansão da Leishmaniose no interior paulista está associada aos processos antrópicos e ao desequilíbrio ambiental. O município de Bom Jesus dos Perdões passa por um crescente processo de urbanização onde não é conhecida a fauna de flebotomíneos, bem como a pesquisa de parasitas do gênero Leishmania nestes vetores. O presente projeto teve por objetivo principal, a Identificação da fauna de flebotomíneos (Diptera, Psychodidae, Phlebotominae) e detecção molecular de parasitas do gênero Leishmania no Município de Bom Jesus dos perdões, Estado de São Paulo. Os flebotomíneos foram coletados com armadilha do tipo CDC e armadilha de Shannon, em 12 pontos em três diferentes ambientes, sendo áreas de mata, área Periurbana e áreas urbanas. A taxonomia alfa foi baseada na chave dicotômica descrita por Galati (2003) e o nome das espécies foram abreviado segundo Marcondes (2007). Para a pesquisa de parasitas do gênero Leishmania foram utilizados marcadores baseados nos genes SSU rDNA, citocromo e quitinase. No município de Bom Jesus dos Perdões foi registrada uma riqueza de 12 espécies de flebotomíneos distribuídos em duas Subtribos: Subtribo Lutzomyiina com Migonemyia migonei, Pintomyia fischeri, Pintomyia monticola, Pintomyia misionensis, Evandromyia edwardsi e a Subtribo Psychodopygina com Psathyromyia lanei, Psathyromyia sp (série forattiniella), Martinsmyia alphabetica, Psychodopygus arthuri, Psychodopygus lloydi, Psychodopygus ayrozai e Nyssomyia whitmani. A análise molecular baseado no gene de quitinase identificou a espécie Leishmania (L.) infantum chagasi em Pi. fischeri, Mg. migonei e Ma. alphabetica e espécies de Leishmania sp. causadoras da doença na forma tegumentar em Migonemyia migonei, Pintomyia fischeri, Evandromyia edwardsi, Martinsmyia alphabetica, Psychodopygus lloydi, Psychodopygus ayrozai e Nyssomyia whitmani. Os resultados obtidos alertam para o aumento do risco de transmissão das Leishmanioses e aponta para uma maior importância das medidas de vigilância entomológica, da fiscalização do uso e ocupação do solo e de estudos mais detalhados sobre as espécies desses vetores e de sua relação com os reservatórios silvestres ou urbanos e a população vulnerável no município e região

Ano

2016

Creators

Luís Eduardo da Silva Costa

A presença da homeopatia nas faculdades de Medicina Veterinária do Brasil

Concebendo a ciência enquanto construção social, apartamo-nos do ideário de neutralidade e imparcialidade. A discussão da legitimidade da homeopatia no campo científico está associada ao dissenso, remetendo a um conflito histórico. O presente trabalho avalia qualitativa e quantitativamente a presença da homeopatia nas faculdades de medicina veterinária do Brasil. Na perspectiva de currículo como território de disputas, analisamos a tensão entre discurso homeopático e medicina científica, duas epistemes distintas. Foram investigadas as atividades relacionadas com homeopatia: disciplina obrigatória, disciplina optativa, atendimento clínico e pesquisa acadêmica. Os resultados demonstram que a homeopatia é ofertada em 20,1% das faculdades de medicina veterinárias do país. Outrossim, seu oferecimento é heterogêneo. Verifica-se uma discrepância entre currículo formal e currículo real: a ausência da homeopatia nos currículos justifica-se pela carência de médicos veterinários homeopatas no contexto acadêmico. Iniciativas pessoais são motivadores das atividades homeopáticas encontradas nos currículos acadêmicos. Entretanto, sua institucionalização é frágil. Concluímos que a posição subsidiária da homeopatia no âmbito acadêmico justifica-se à medida que diverge da construção epistemológica da medicina científica

Ano

2016

Creators

Clarice Vaz de Oliveira

Farmacovigilância veterinária baseada em relatos espontâneos de uma empresa farmacêutica no Brasil

A farmacovigilância de uma empresa veterinária pode compreender a análise de relatos espontâneos de eventos adversos (EA) relacionados aos seus produtos. No presente estudo foi elaborado um fluxograma de classificação de EA que foi usado para analisar EA notificados ao serviço de atendimento ao cliente e farmacovigilância de uma empresa veterinária no Brasil. Os binômios produto-EA foram caracterizados em termos das suas frequências e posteriormente foram utilizados três modelos de detecção de sinais: Reporting Odds Ratio, Bayesian confidence propagation neural network, e Gamma Poisson Shrinker. Os sinais detectados com os três métodos foram classificados de acordo com a sua intensidade, sempre com o sinal mais intenso na primeira posição. Entre os sinais detectados pelos três métodos, as posições de cada sinal foram somadas para obter uma classificação agregada que levasse em consideração os resultados dos três métodos e permitisse uma interpretação serial. Entre os 531 relatos foram identificados 20 EA, 54 binômios produto-EA e 34 binômios produto-reação adversa medicamentosa. Do total de relatos 7 foram sinais identificados pelos três métodos utilizados. A classificação de EA seguindo critérios explícitos e o uso combinado de mais de um método de detecção de sinais aprimoram a farmacovigilância baseada em relatos espontâneos

Ano

2019

Creators

Danillo Silva Marcon

Revisão taxonômica das espécies do gênero Ornithonyssus (Acari: Macronyssidae) parasitos de pequenos mamíferos terrestres no Brasil e avaliação da infecção desses ácaros por Rickettsia spp

Até a metade do século passado o gênero Ornithonyssus Sambon (Acari: Macronyssidae) no Brasil estava representado por 12 espécies, sendo 7 espécies de pequenos mamíferos terrestres, 1 espécie de morcego e 4 espécies de aves. Nos anos 80 as espécies brasileiras de Ornithonyssus de roedores e marsupiais foram sinonimizadas e reduzidas a quatro somente, O. bacoti (Hirst), O. matogrosso (Fonseca), O. pereirai (Fonseca) e O. wernecki (Fonseca). O presente estudo reuniu informações sobre a morfologia dessas espécies a partir de tipos e material depositados na Coleção Acarológica do Instituto Butantan, bem como, de espécimes recentemente coletado em pequenos mamíferos terrestres. Para dar suporte à morfologia, estudos de biologia molecular foram conduzidos a fim de esclarecer o status taxonômico desse gênero. Adicionalmente foi investigada a presença de bactérias do gênero Rickettsia no material coletado. Os caracteres morfológicos foram estudados através de microscopia óptica e eletrônica de varredura. Para a taxonomia molecular o DNA foi extraído e a região 16SrDNA do gene mitocondrial foi seqüenciada, incluindo espécimes dos Estados Unidos e Peru. Na pesquisa de Rickettsia foi utilizada a técnica da PCR para dois genes, citrato sintase (gltA) e proteína externa de membrana A (ompA), além de seqüências obtidas do gene gltA para análises de distância. Os estudos de morfologia e molecular sugerem a ausência de O. bacoti no Brasil, e a incerteza da validade de registros na América Latina. Das sinonímias previamente propostas, nenhuma delas é válida com exceção de O. lutzi (Fonseca) que é de fato sinonímia de O. monteiroi (Fonseca). As outras 6 espécies brasileiras de Ornithonyssus, O. brasiliensis, O. matogrosso, O. monteiroi, O. pereirai, O. vitzthumi (Fonseca) e O. wernecki, estão taxonomicamente confirmadas, e uma chave dicotômica ilustrada para a identificação dessas espécies, foi proposta. A presença de Rickettsia foi detectada em 45 (57%) e em 3 (3,8%) das 79 amostras de ácaros testadas para os genes gltA e ompA, respectivamente. A análise de distância das 17 seqüências obtidas para o gene gltA revelou similaridade da maioria das amostras com o Grupo da Febre Maculosa. A alta porcentagem de positividade encontrada para Rickettsia foi inesperada, uma vez que a taxa no vetor (carrapato) naturalmente infectado, é baixa. This fact suggest

Ano

2008

Creators

Fernanda Aparecida Nieri Bastos

Ocorrência e isolamento de Toxoplasma gondii e Neospora spp. em equídeos do Brasil

Neospora caninum é um parasito intracelular obrigatório, formador de cistos, que acomete vários animais domésticos e silvestres, tendo maior importância nas espécies canina e bovina, nas quais causa problemas nervosos e reprodutivos. Os canídeos do gênero Canis são os únicos reconhecidos como hospedeiros definitivos do N. caninum até o momento, nos quais ocorre a fase sexuada de multiplicação, resultando na eliminação de oocistos pelas fezes. Toxoplasma gondii também é um coccídio responsável por uma das zoonoses de maior importância e ocorrência em todo o mundo. A fase assexuada de desenvolvimento do T. gondii ocorre nos mamíferos e aves (hospedeiros intermediários) com formação de cistos teciduais e a fase sexuada de desenvolvimento ocorre no intestino delgado dos hospedeiros definitivos, que são os membros da família Felidae. Este estudo teve por objetivo determinar a soroprevalência de anticorpos contra Neospora spp. e T. gondii em equídeos de diferentes regiões do Brasil e o isolamento e caracterização genética destes coccídios em amostras de tecidos de equídeos. A sorologia para T. gondii e Neospora spp. foi realizada em 453 amostras de soros por meio da Reação de Imunofluorescência Indireta com ponto de corte de 50 para Neospora spp e 64 para T. gondii. Deste total, oito (1,75%) amostras (sete de jumentos e um de cavalo) foram positivas para Neospora spp. e 129 (28,47%) amostras (82 jumentos, 32 cavalos e 15 mulas) para T. gondii. Para o isolamento do T. gondii foram realizados 29 bioensaios em camundongos, sendo 19 de animais soropositivos e 10 de pools de tecidos de cavalos soronegativos. Por meio dessa prova biológica, foi possível o isolamento em uma amostra de jumento (Equus asinus) de Mossoró, RN, ocorrendo a morte dos dois únicos camundongos infectados, no 16o e 17o dia pós-inoculação. A caracterização genotípica do isolado foi realizada pela PCR-RFLP utilizando 12 marcadores genotípicos. A genotipagem dessa amostra evidenciou o genótipo #60 TgCkBr220, já isolado em galinha do Arquipélago de Fernando de Noronha, PE, Brasil. O isolamento de Neospora spp em gerbilos não pode ser feito uma vez que não foi possível a obtenção de tecidos dos equídeos soropositivos.

Ano

2013

Creators

Patrícia de Oliveira Esmerini

Acompanhamento de adoções de cães realizadas em Centros de Controle de Zoonoses do Estado de São Paulo

O presente trabalho teve como objetivo analisar a relação entre as características comportamentais apresentadas pelos cães nos centros de controle de zoonoses (CCZs) e o escore total do questionário proposto por Archer e Ireland (2011) que mede aspectos do vínculo entre seres humanos e cães., além de verificar a relação entre as características físicas e comportamentais dos animais e o tempo de permanência nos Centros de Controle de Zoonoses. Para tal, o trabalho foi realizado junto aos Centros de Controle de Zoonoses dos municípios de São Paulo e Guarulhos, utilizando os cães disponíveis para a adoção. Foram selecionados de maneira aleatória 165 animais. Todos os parâmetros físicos (obtidos através de observação direta e consultas de prontuários) e comportamentais (obtidos através de consultas de prontuários, questionários respondidos por funcionários e testes comportamentais) foram comparados com o escore total do questionário relacionado ao vínculo, utilizado de 58 a 68 dias após a adoção e com o tempo de permanência do animal no CCZ. Nenhum dos parâmetros comportamentais ou físicos apresentaram relação com o escore total obtido através do questionário. O tempo de permanência nos CCZs não apresentou correlação com nenhum desses parâmetros. Esse resultado indica que o tanto o score total do questionário como o tempo de permanência nos CCZs podem estar relacionados à outros fatores como a experiência prévia das pessoas que adotam.

Ano

2013

Creators

Ligia Issberner Panachão

Avaliação da dinâmica da infecção por Rickettsia parkeri cepa Mata Atlântica, agente etiológico de uma nova riquetsiose brasileira, em carrapatos Amblyomma ovale Koch, 1844 naturalmente infectados

No início de 2010, uma nova riquetsiose foi descrita em um paciente humano, que foi infestado por carrapato em Barra do Una, no litoral sul do Estado de São Paulo. Técnicas moleculares indicaram que esta nova doença foi causada por uma nova cepa de riquétsia, que foi denominada de Rickettsia parkeri cepa Mata Atlântica. Estudos mais recentes demonstraram que 10 a 15% dos carrapatos Amblyomma ovale, coletados em áreas de Mata Atlântica nos estados de São Paulo (incluindo a área do caso índice da infecção humana em Barra do Una) e Santa Catarina estavam infectados com R. parkeri cepa Mata Atlântica. Desta forma, o presente estudo iniciou-se a partir de fêmeas ingurgitadas de A. ovale, coletadas de cães naturalmente infestados em Barra do Una. No laboratório, foi constatado por PCR que parte dessas fêmeas (6,25%) estavam naturalmente infectadas por R. parkeri cepa Mata Atlântica; os ovos dessas fêmeas foram utilizados para formar uma colônia de A. ovale naturalmente infectada por R. parkeri. Ovos de fêmeas não infectadas, foram utilizados para formar uma colônia não infectada. As duas colônias foram estudadas de forma paralela no laboratório, visando analisar e quantificar a transmissão transestadial e transovariana de R. parkeri cepa Mata Atlântica e a competência vetorial do A. ovale. As infestações por larvas foram realizadas em roedores (Calomys callosus), enquanto ninfas e adultos foram alimentados em Oryctolagus cunicullus (coelho doméstico). Amostras de 10 indivíduos de cada uma das fases (larvas, ninfas e adultos F1, ovos, larvas e ninfas F2) foram testadas individualmente por um sistema de taqman real-time PCR, para presença de Rickettsia spp. Os soros sanguíneos de todos animais infestados foram testados por imunofluorescência indireta com antígeno de R. parkeri, no dia zero e 21 dias após a infestação por carrapatos, a fim de verificar soroconversão para antígenos de Rickettsia. Os resultados obtidos demonstraram 100% de transmissões transestadial (larva para ninfas e ninfas para adultos) e transovariana de R. parkeri em A. ovale, uma vez que todas as amostras de ovos, larvas, ninfas e adultos do grupo infectado foram positivas na PCR. Larvas e ninfas de A. ovale demonstraram alta competência vetorial, pois todos animais infestados por esses estágios infectados soroconverteram para R. parkeri. Por outro lado, adultos foram parcialmente competentes, pois apenas metade dos coelhos soroconverteu após ser infestada com carrapatos adultos infectados. Nenhum carrapato do grupo controle foi positivo na PCR, assim como nenhum animal deste grupo soroconverteu para R. parkeri. Fêmeas infectadas por R. parkeri cepa Mata Atlântica tiveram parâmetros reprodutivos inferiores aos das fêmeas não infectadas, indicando algum efeito deletério da infecção por este agente sobre os carrapatos. Os resultados sugerem a importância do carrapato A. ovale na epidemiologia desta nova riquetsiose brasileira, assim como sugerem uma capacidade vetorial de A. ovale para R. parkeri cepa Mata Atlântica, uma vez que este carrapato é frequentemente encontrado infestando humanos no bioma de Mata Atlântica.

Ano

2013

Creators

Felipe da Silva Krawczak

Estudo da transmissão horizontal de Mycobacterium avium em suínos

Haja vista a existência de quatro famílias de M. avium molecularmente distintas circulando na população de suínos do Sul do Brasil, a diferença de virulência constatada entre essas quatro famílias, a influência da virulência nos mecanismos de transmissão, as dúvidas existentes a respeito da existência e da importância da transmissão horizontal de M. avium em suínos e do significado desse conhecimento para o estabelecimento de métodos de controle eficientes, o presente projeto tem por objetivos: 1) Padronizar método de isolamento de micobactérias a partir de fezes suínas; 2) Caracterizar a eliminação de M.avium pelas fezes em suínos experimentalmente infectados pela via oral; 3) Verificar se existe transmissão horizontal entre suínos durante a fase de eliminação ativa, através de experimentos envolvendo infecção oral e exposição de animais contactantes; 4) Estudar, através de modelagem matemática, a dinâmica da infecção por M.avium em uma população suína. Como resultados, para cada um dos itens obteve-se: 1) Houve diferença significativa entre os protocolos de recuperação de micobactérias a partir de fezes de suínos (p< 0,05) e o método ácido com ressuspensão em solução de anfotericina B e semeadura em meio de Lowenstein-Jensen com antibióticos apresentou o maior percentual de recuperação (87%); 2) Foram constados dois períodos de eliminação fecal de MAC em suínos: um inicial, relativo à eliminação residual do inóculo, do 1º ao 4º, e um segundo, com início no 18º e término no 62º dias pós-inoculação, este último é resultado de suposta lesão aberta para a luz do intestino; 3) Cinco, dos sete animais contactantes, infectaram-se com o M.avium, estirpe PIG B e 4) A simulação matemática da doença, considerando a transmissão horizontal como mecanismo principal da ocorrência de condenações em matadouro por linfadenite granulomatosa é inconsistente com o que se observa na população. Portanto, o componente ambiental tem papel preponderante na dinâmica das infecções micobacterianas dos suínos produzidos no Brasil.

Ano

2005

Creators

Eugenia Marcia de Deus Oliveira

Disenteria de inverno: detecção de coronavírus bovino (BCoV) por reação de PCR dirigida ao gene Rp Rd e isolamento em cultivo celular de HRT-18G

Coronavirus bovino (BCoV), um membro da família i>Coronaviridae, causa severa diarréia em bezerros neonatos e tem sido associado a diarréias de inverno em vacas leiteiras em vários paises, incluindo o Brasil. A morbidade da disenteria de inverno e alta chegando ate 100% , sendo um fator importante para economia já que causa queda da produção leiteira, levando a grandes perdas as criações de vacas leiteiras. O objetivo deste trabalho foi pesquisar a ocorrência de BCoV em vacas, diagnosticando amostras positivas por RT-PCR gene Rp Rd e isolando estas amostras positivas em células da linhagem HRT-18G. As amostras de fecais foram obtidas de 43 vacas leiteiras com disenteria de 8 propriedades dos Estados de São Paulo e Minas Gerais, Brasil. Das dez (10/43=23%) amostras positivas para esta técnica, 7 foram inoculadas em células da linhagem HRT-18G, sendo que o isolamento foi comprovado pela mesma técnica após seis passagens seriadas em 4 inoculações. Com isso, mostra-se que o BCoV também esta envolvido em disenterias de inverno em vacas leiteiras no Brasil. E através de isolamentos deste vírus, podemos contribuir para estudos continuados ajudar no esclarecimento de sua epidemiologia e possibilitar com um banco de vírus a prevenção de ordem também especifica da enfermidade.

Qualidade microbiológica da alimentação fornecida aos cães errantes nas imediações da reserva florestal da Cidade Universitária

Este trabalho analisou as condições microbiológicas em que se encontram os alimentos fornecidos aos cães errantes que se localizam na reserva florestal da Cidade Universitária Armando de Salles Oliveira Universidade de São Paulo. Trata-se de sobras de alimentos que foram consumidos em restaurantes locais e são fornecidos diariamente aos animais por um voluntário. Foram recolhidas amostras desses alimentos ao longo de cinco dias, e, em cada dia, foram escolhidas seis porções procurando a maior representatividade das amostras. Foram pesquisados os seguintes microrganismos: coliformes totais e termotolerantes, Staphylococcus coagulase positiva, Salmonella spp., Listeria monocytogenes e Mycobacterium spp. Para coliformes totais (Log NMP/g) nas amostras de produtos cárneos a média foi 4,1, variando de 2,4 até >7,0, e para o grupo de outros alimentos a média foi 3,8 variando de 2,0 até 5,7. Para os coliformes termotolerantes (Log NMP/g) nas amostras de produtos cárneos a média foi 3,6, variando de 1,2 até 7,0; e para o grupo de outros alimentos a média foi 3,2, variando de 1,0 até 5,7. Para Staphylococcus coagulase positiva (Log UFC/g) nas amostras de produtos cárneos a mediana (distribuição dos dados não foi normal) foi <2 e o valor máximo foi 5,4; e para o grupo de outros alimentos a mediana foi <2 e o valor máximo 5,8. Houve ausência de Salmonella spp. em 25 g em todas as amostras, para Listeria monocytogenes 33,3% (10/30) das amostras foram positivas e 3,3% (1/30) das amostras houve presença de Mycobacterium spp. não pertencente aos complexos M. tuberculosis, M. avium-intracelulare. Considerando a susceptibilidade dos cães aos patógenos transmitidos por alimentos e as incertezas sobre dose-resposta aos desafios microbiológicos e, considerando ainda, o direito dos animais à alimentos seguros e saudáveis, conclui-se que os alimentos ofertados aos cães na CUASO apresentaram características microbiológicas insatisfatórias, interpretado pelos padrões microbiológicos da legislação para alimentação humana tendo em vista a inexistência de padrões específicos para alimentação animal.

Ano

2013

Creators

Fernanda Montserrat Voss Arellano

Avaliação da eficácia de bacterina antileptospirose suína: relação entre o resultado do teste de inibição de crescimento de leptospiras in vitro aplicado ao soro de suínos com o obtido no teste de potência in vivo em hamsters

O controle da eficiência de bacterinas antileptospirose de uso animal é o teste de potência com desafio em hamsters, contudo, na atualidade, tem sido estimulada a busca de alternativas que dispensem o uso de animais de laboratório. O teste de inibição de crescimento de leptospiras in vitro (ICLIV) tem sido proposto como possível alternativa. O presente trabalho empregou os testes de ICLIV, soroaglutinação microscópica (SAM) e ELISA anti IgG para avaliar a intensidade e a duração da imunidade passiva em leitões em aleitamento e ativa em matrizes suínas e leitões desmamados imunizados com bacterina experimental antileptospirose aprovada no teste de potência em hamster. Foi produzida uma bacterina experimental antileptospirose com estirpe patogênica de Leptospira interrogans, sorovar Kennewicki, estirpe Pomona Fromm (LPF), padronizada para conter 109 leptospiras por mL e associada ao adjuvante de hidróxido de alumínio na proporção de 10% do volume da dose final. Para a avaliação da eficácia da concentração mínima de leptospiras a ser utilizada na bacterina, diluições seriadas de razão dez de cultivo de leptospiras variando de 105 a 109 leptospiras/mL, foram submetidas ao teste de potência com desafio em hamsters (Experimento A), apenas a bacterina produzida na concentração de 109 leptospiras/mL foi capaz de proteger os hamsters contra a infecção induzida pela estirpe LPF, quando a vacina foi testada na diluição de 1:800, critério internacional de aprovação. A bacterina na concentração de 109 leptospiras/mL foi submetida ao teste de potência em hamsters (Experimento B), imunizados com a vacina pura e em diluições seriadas de razão dois (200 a 25600). A bacterina foi aprovada no teste de desafio em hamster até a diluição de 1:6400. O controle do inóculo de desafio foi constituído por 100 DL50. Fêmeas suínas que nunca haviam sido vacinadas contra a leptospirose e que foram não reagentes no teste de soroaglutinação microscópica aplicado a leptospirose efetuado com 24 estirpes de referência e no teste ICLIV com a estirpe LPF (Experimento 1), receberam duas aplicações intervaladas de 30 dias e um reforço aos 210 da primeira dose da bacterina pura e em diluições seriadas de razão dois (400 a 3200). Estes animais foram 16 monitorados com colheitas de sangue efetuadas a cada 30 dias. Os picos máximos de anticorpos avaliados pelos testes de SAM e de ICLIV foram observados aos 30 dias da segunda aplicação da vacina, com maior magnitude para a vacina pura, contudo aos 120 dias da segunda aplicação da vacina houve um declínio acentuado nos níveis de anticorpos. Para encontrar um melhor intervalo entre as imunizações (Experimento 2), fêmeas suínas receberam duas aplicações da bacterina pura intervaladas de 30 dias e o reforço aos 150 da primeira dose. A redução do intervalo de revacinação após as duas doses iniciais determinou a persistência dos títulos de aglutininas e de anticorpos neutralizantes com níveis sempre superiores a 0,4 log. Nos leitões em aleitamento filhos das matrizes imunizadas com bacterina na concentração de 109 leptospiras/mL foi constatada a transferência de imunidade passiva, confirmada pelos títulos de anticorpos aglutinantes detectáveis no quinto dia de vida e de neutralizantes no quinto e décimo dia de vida. Nos ensaios realizados em leitões desmamados imunizados com uma série de diluições de razão dez variando de a 109 leptospiras/mL os picos máximos de anticorpos foram observados aos 30 dias da segunda imunização, com maior magnitude para a bacterina testada na concentração de 109 leptospiras/mL. Os parâmetros finalmente obtidos foram que matrizes suínas e leitões desmamados, primovacinados com duas aplicações intervaladas de 30 dias da bacterina aprovada no teste de potência com desafio em hamster, apresentaram no teste de ICLIV efetuado aos 60 dias da primo-vacinação, intervalos de títulos de anticorpos (95%) expressos em log variando, respectivamente de (0,87 a 1,35) e de (1,22 a 1,58). Os valores máximos (12.800) para o teste de ELISA anti IgG das matrizes suínas foram obtidos após o reforço efetuado aos 210 dias.

Ano

2012

Creators

Amane Paldês Gonçales

Desenvolvimento de Reações em Cadeia pela Polimerase (PCRs) para o diagnóstico diferencial das principais espécies de Brucella

A brucelose é uma doença altamente contagiosa, responsável por grandes prejuízos econômicos e de saúde pública. É causada por bactérias do gênero Brucella, cujas espécies e seus biovares costumam ser caracterizados pelo isolamento e identificação de características fenotípicas da colônia. Dificuldades como, o perigo na manipulação dos microrganismos, processos laboriosos de tipificação, demora na obtenção de resultados e a instabilidade de características fenotípicas ou isolamento de linhagens atípicas dificultam a tipificação e encorajaram a busca de técnicas mais sensíveis e específicas, como a PCR, que resolveria as dificuldades e facilitaria a investigação epidemiológica dos casos humanos e animais. Diversas análises e o sequenciamento de determinados genes e do genoma completo de algumas espécies, demonstraram a existência de polimorfismos únicos no DNA das brucelas, que podem ser utilizados na sua identificação. Baseado nas dificuldades de identificação e na descoberta de polimorfismos únicos no DNA bacteriano das espécies, nosso objetivo foi desenvolver primers específicos para identificação de seis espécies do gênero B. abortus, B. melitensis, B. suis, B. canis, B. ovis e B. neotomae, e padronizar PCRs que permitissem identificá-las com maior sensibilidade e rapidez. Tentamos caracterizar marcadores moleculares para o desenho de primers espécie-específicos, através da amplificação randômica e clonagem dos fragmentos específicos, sem resultados satisfatórios. Apenas um primer para B. abortus foi conseguido quando foram analisados os polimorfismos já descritos na literatura. Assim, realizou-se o alinhamento múltiplo das sequências dos cromossomos I e II das espécies de Brucella, que permitiu a identificação de vários eventos polimórficos específicos para cada espécie, dos quais foram escolhidas regiões potenciais para o desenho de sete primers (dois para B. canis, B. melitensis e B. ovis, e outro para B. canis/B. suis) que tiveram sua especificidade analítica verificada com o programa Primer BLAST e testada nas 18 cepas de referência de Brucella, compreendendo a B. abortus, B. melitensis, B. suis e seus biovares, além da <iB. canis, B. ovis e B. neotomae, e em 231 isolados de campo, incluindo B. abortus, B. canis e B. suis. Os testes de especificidade dos primers resultaram na amplificação do fragmento esperado de quase todas as cepas de referência e de campo, exceto para o primer de B. canis e o de B. canis/B. suis. Estes resultados sugerem que os marcadores desenhados são promissores na diferenciação das espécies.

Ano

2011

Creators

Vanessa Riesz Salgado

Avaliação clínica, sorológica e parasitológica de serpentes naturalmente infectadas com Cryptosporidium serpentis

A infecção por Cryptosporidium serpentis é uma das enfermidades mais importantes em répteis e se caracteriza por infecção crônica, clínica ou subclínica, e presença de gastrite hipertrófica severa, regurgitação, perda de peso progressiva, mortalidade eventual e eliminação contínua e intermitente de oocistos em fezes. O objetivo deste estudo foi padronizar um teste imunoenzimático (ELISA) indireto para detecção de anticorpos contra C. serpentis, e acompanhar a evolução clínica, parasitológica e da resposta imune humoral em serpentes naturalmente infectadas com C. serpentis. Foram utilizadas 21 serpentes naturalmente infectadas com C. serpentis e alojadas no Instituto Butantan, São Paulo, Brasil. As análises clínica e parasitológica foram realizadas em 21 serpentes por meio do registro diário dos sinais clínicos apresentados e pesquisa mensal da eliminação fecal de oocistos, em lâminas coradas pela técnica de Kinyoun. A avaliação sorológica foi realizada mensalmente utilizando o ELISA indireto para pesquisa de anticorpos anti-C. serpentis, pelo período de 12 meses em 8 animais, 8 meses em 3 animais e 6 meses em 1 animal. O ELISA indireto foi padronizado em bloco com utilização de antígeno produzido a partir de oocistos de C. serpentis, IgY de galinha anti-gamaglobulinas de serpentes e conjugado contendo IgG de coelho anti-IgY de galinha ligada à peroxidase. Os sintomas clínicos observados foram regurgitação, inapetência alimentar e perda de peso progressiva. A análise parasitológica revelou eliminação de quantidade variável de oocistos, de forma intermitente, em todas as serpentes, com positividade de 92% (116/126). O ELISA indireto apresentou positividade em 42,9% (54/126) das amostras. Foi observada resposta imune humoral na maioria dos animais, no entanto, com presença título flutuante de anticorpos e alternância de resultados positivos e negativos, em um mesmo animal.

Ano

2012

Creators

Philipp Ricardo Scaciotte de Oliveira Paiva