Repositório RCAAP
Determinação da virulência de isolados brasileiros de Toxoplasma gondii em camundongos
Os isolados de Toxoplasma gondii encontrados no Brasil apresentam grande variedade genética. No país, foram verificadas quatro linhagens clonais, denominadas tipo BrI, BrII, BrIII e BrIV. Dentre elas, a virulência para camundongos varia, sendo BrI virulenta, BrIII não virulenta e, as linhagens BrII e BrIV são consideradas de virulência intermediária. A definição da virulência desses isolados é feita, na maioria dos estudos, a partir do isolamento por bioensaio, com a determinação da mortalidade de camundongos infectados. No entanto, a dose de T. gondii inoculada nesses animais é desconhecida e, assim, trata-se de um método impreciso para caracterização da virulência. Dessa maneira, este estudo tem por objetivo avaliar a virulência, em camundongos, de 22 isolados brasileiros de T.gondii, utilizando inóculos padronizados. Para o teste de virulência, utilizou-se taquizoítas de cada um dos isolados, em três concentrações (10¹, 10² e 10³). Cada dose foi inoculada via intraperitoneal em grupos formados por quatro camundongos heterogênicos fêmeas, de oito semanas de idade, da linhagem Swiss Webster. A mortalidade dos animais foi observada por 30 dias e, baseando-se nesses dados, além do tempo decorrido pós-inoculação até a morte dos animais, determinou-se a virulência dos isolados. Dos 22 isolados brasileiros incluídos nesse estudo, sete (32%) foram definidos como de virulência intermediária, pois houve sobrevivência de animais infectados e a mortalidade foi dose-dependente. Além disso, 15 (68%) foram considerados virulentos, uma vez que causaram a morte de todos os camundongos independente da dose analisada. Comparando as classificações definidas pelo bioensaio e pelo teste de virulência, 83% dos isolados virulentos analisados se mantiveram como virulentos, em contrapartida os isolados não virulentos e de virulência intermediária pelo bioensaio mostraram um fenótipo de maior virulência no teste. Devido à predominância de isolados virulentos no Brasil, o uso de uma metodologia padronizada para determinação da virulência em camundongos é de pouca utilidade epidemiológica.
Avaliação da atividade micobactericida de desinfetantes químicos utilizando a técnica de cultivo em camada de ágar Middlebrook 7H11
Avaliou-se a atividade micobactericida de cinco desinfetantes químicos frente a uma estirpe de Mycobacterium bovis isolada de caprinos, tipificada por PCR (polymerase chain reaction) e com 32 dias de cultivo no meio de Stonebrink. O teste de desinfetantes foi realizado utilizando-se a técnica de cultivo em camada delgada de ágar Middlebrook 7H11 modificado e foi comparado ao teste em tubos com meio de Stonebrink, tradicionalmente utilizado no laboratório de zoonoses bacterianas da FMVZ/USP. Os cinco desinfetantes ensaiados foram: \"A\" : grupo controle; \"B\" - hipoclorito de sódio (2,5 % de cloro ativo); \"C\"- glutaraldeído (2 %); \"D\" - ácido peracético 0,25 % e peróxido de hidrogênio 5 %; \"E\" - iodóforo (2,6% de iodo) e \"F\"- compostos fenólicos (orto-fenilfeno 12,243 g; orto-benzil paraclorofenol 11,080 g; para-terceário amilfeno 4,1222 g.). A diluição destes produtos foi feita conforme recomendação do fabricante. Os meios de cultura adotados para o procedimento de isolamento e preparo da suspensão bacteriana foram o meio de Stonebrink e o meio de Middlebrook 7H11 modificado. Os testes foram realizados na presença e ausência de matéria orgânica e à temperatura ambiente (21 ± 2°C) e à temperatura de 4 °C. Os resultados obtidos nas contagens de colônias foram transformados em percentual de redução para análise estatítica e demostraram que: a técnica de cultivo de micobactérias em camada delgada no meio de Middlebrook 7H11 permitiu uma visualização precoce das micobactérias e se mostrou viável para realização de testes de desinfetantes; os cinco tipos de desinfetantes analisados apresentaram atividade micobactericida e o melhor desempenho foi obtido pelo ácido peracético seguido pelo hipoclorito de sódio. A atividade micobactericida dos iodóforos foi instisfatória na presença de matéria orgânica.
Cães e gatos domésticos em Unidades de Conservação: uma abordagem de Saúde Única
A presença de cães e gatos dentro e no entorno de Unidades de Conservação (UCs) brasileiras é relatada como um problema por diversos pesquisadores e gestores dessas áreas protegidas. O contato de animais domésticos não supervisionados com o ambiente silvestre pode resultar em impactos negativos para a fauna silvestre, para os próprios cães e gatos e para as pessoas que interagem com essas populações. Um impacto negativo importante é a transmissão de doenças, muitas delas zoonoses. Nesse contexto, torna-se necessário o manejo populacional, incluindo o controle sanitário, de cães e gatos que vivem próximos às UCs. A partir de uma abordagem de Saúde Única, este estudo é parte do “Programa Cãoservação”, que aborda essa problemática na UC Parque Estadual Carlos Botelho e teve como objetivo fornecer subsídios para auxiliar na educação ambiental e sanitária; na prevenção e controle de zoonoses; e no manejo populacional de cães e gatos, em locais onde ocorre a interação entre humanos, animais domésticos e a fauna silvestre. Para isso, foram realizados (I) o diagnóstico de percepção da comunidade sobre a relação entre eles, seus animais de estimação e a UC, pelo método do Discurso do Sujeito Coletivo; (II) a identificação de fatores de risco e análise espacial para cinco doenças caninas (toxoplasmose, leptospirose, neosporose, leishmaniose e brucelose) em três anos consecutivos, por modelos de regressão logística e análises de cluster espaciais; (III) uma intervenção na comunidade com a elaboração de um material educativo próprio; e (IV) a divulgação científica do Programa Cãoservação em diversos meios de comunicação. Os resultados mostraram que a percepção da comunidade em relação aos temas abordados é diferente de alguns comportamentos que exercem (como deixar os animais soltos) e a vulnerabilidade da comunidade afeta diretamente o tema da pesquisa ao dificultar a proposição e implementação de estratégias. As doenças caninas de maior preocupação foram a toxoplasmose e leptospirose por terem apresentado maior prevalência e incidência; por serem zoonóticas; e pela identificação de aglomerados de casos próximos ao Parque. Os resultados das entrevistas deram origem a um material educativo infantil. Esse material foi utilizado na intervenção prevista na comunidade (ação educativa), enviado a outras UCs e disponibilizado on-line. A divulgação científica foi feita pelo site oficial, redes sociais e mídias tradicionais. Ações para diminuir a vulnerabilidade social na comunidade combinadas com um manejo adequado da população canina e felina são recomendados neste e em cenários semelhantes, especialmente nos bairros próximos às áreas protegidas. Além disso, autoridades em saúde humana, bem-estar animal e conservação devem trabalhar continuamente em conjunto e com a comunidade para alcançar resultados melhores e de longo prazo, que minimizem os impactos negativos da interação entre humanos, animais domésticos e silvestres.
2020
Ana Pérola Drulla Brandão
Padronização do teste imunoalérgico e de reação imunoenzimática aplicados ao diagnóstico da tuberculose e micobacterioses em suínos (Sus scrofa) experimentalmente sensibilizados com suspensões oleosas de M. bovis ou M. avium inativados
Foi investigado o valor diagnóstico da resposta alérgica cutânea à tuberculina e do ELISA indireto, com antígeno recombinante MPB 70, em leitões experimentalmente sensibilizados, pela via intramuscular, com suspensões oleosas de M. bovis ou M. avium inativados. Foram utilizados 91 animais divididos em quatro grupos. Os grupos A e B, cada um com 25 indivíduos, grupos C e D com 21 e 20 indivíduos respectivamente, balanceando-se as características de raça, linhagem, faixa etária e sexo. Aos 21 dias de idade, todos os animais foram submetidos a uma triagem com a aplicação de tuberculina PPD de M. bovis, pela via intradérmica na base da orelha e não houve qualquer tipo de reação. Decorridos 60 dias do teste tuberculínico de triagem, o grupo A, recebeu injeção intramuscular de 0,5 mL de uma suspensão oleosa de M. avium estirpe D4; o grupo B, recebeu 0,5 mL de uma suspensão oleosa de M. bovis estirpe AN5; o grupo C (controle I), recebeu 0,5 mL do adjuvante oleoso e o grupo D (controle II), recebeu 0,5 mL de solução fisiológica. Foi realizado o exame histopatológico de biopsias das reações cutâneas e a colheita de sangue para o teste de ELISA de captura. Após 30 dias da sensibilização, foi efetuada a prova de tuberculinização comparativa com reação medida pela variação da espessura da pele com paquímetro às 0h, 24h, 48h e 72h, após a aplicação das tuberculinas. No teste comparativo, lido às 72 horas, a reação foi considerada negativa quando a diferença das reações entre o PPD bovino e o PPD aviário foi menor que 6,7 mm; suspeito ou inconclusivo quando a diferença se situou na faixa de 6,7 a 7,5 mm; e positiva para o tipo de PPD, considerando-se tuberculose para PPD M. bovis e micobacteriose para PPD M. avium, quando a diferença da reação foi superior a 7,5 mm. Nos exames histopatológicos, foi observado intenso infiltrado inflamatório linfocitário no local das reações intradérmicas dos animais testados com o PPD homologo ao tipo de micobactéria utilizada na suspensão oleosa sensibilizante. O ensaio de ELISA com antígeno, MPB 70 recombinante, foi capaz de revelar a presença de anticorpos contra o M. bovis, porém não revelou anticorpos para M. avium.
2012
Flávia Carolina Souza de Oliveira
Mapeamento e distribuição dos isolados do complexo Mycobacterium tuberculosis provenientes de casos de tuberculose bovina em Moçambique
A tuberculose bovina (bTB) é um problema sanitário importante em Moçambique e ainda a espera de uma ação organizada por parte dos Serviços Veterinários Oficiais. O presente estudo teve por objetivo investigar e mapear os genótipos de Mycobacterium bovis circulantes no país e paralelamente maximizar a utilização de abatedouros como fonte de informação epidemiológica da bTB. Durante o período de outubro de 2016 a abril de 2017 foram colhidas um total de 90 amostras de lesões sugestivas de tuberculose bovina nos abatedouros Municipais de Maputo e Maxixe e dois abatedouros privados da província de Maputo. Essas amostras, juntamente com outras 10, disponibilizadas pelo Laboratório Central de Veterinária e 72 do banco de amostras de Faculdade de Veterinária de Moçambique foram processadas para isolamento, identificação e discriminação molecular (MIRU-VNTR e spoligotyping) de micobactérias. Nos abatedouros foram coletados dados para calcular as prevalências de carcaças com lesões sugestivas de tuberculose e foi estimada em 0,63% e 80% das carcaças condenadas por tuberculose apresentaram lesões compatíveis com generalização da infecção. Foram obtidos 104 isolados identificados como gênero Mycobacterium, dos quais 80 foram compatíveis com o MTBC e 10 MNT. Destes 80 MTBC, 70 foram identificados como M. bovis. O MIRU-VNTR discriminou os 70 isolados de M. bovis em 47 perfis, agrupados em 3 complexos clonais e cinco singletons. Dos 24 loci estudados, os que apresentaram maiores polimorfismos foram MIRU 960, 2996 e QUB-4052. Em relação ao spoligotyping, foram identificados cinco perfis, dos quais o mais prevalente foi o SB0961, seguido do SB0140, SB2306, SB2481 (novo) e SB1099. Dos 70 isolados submetidos a análises dos complexos clonais africano 1, africano 2, europeu 1 e europeu 2, foram detectados apenas 18,5% de europeu. O distrito de Machanga foi o que apresentou maior diversidade de isolados e o Govuro maior número de isolados de M. bovis. Quando comparados as técnicas, o MIRU-VNTR apresentou maior poder de discriminação em relação ao spoligotyping. O complexo clonal europeu 1 está relacionado com o SB0140 que por sua vez é característico de isolados do Reino Unido e de países que tiveram trocas comerciais de bovinos com o país, incluindo os circunvizinhos a Moçambique e de onde há registros da importação de animais para Moçambique. A não identificação precisa dos complexos clonais dos spoligotyping SB0961, SB2306, SB2481 relacionados, podem ser derivados do BCG, que é sugestivo de evolução clonal própria de Moçambique e os complexos clonais até hoje existentes não são suficientes para discriminar os isolados de Moçambique. Embora os dados de abatedouros sugeriram que a prevalência da tuberculose bovina em Moçambique está entre as mais baixas dos países africanos, a predominância de carcaças com lesões generalizadas significa alto risco de exposição de animais e humanos, sobretudo das populações rurais que têm estreito contato com esses animais. Esse risco é ampliado em função da alta prevalência de humanos que vivem com HIV/AIDS no país. Assim, recomenda-se que Moçambique estruture programa de controle da doença nos animais e métodos de diagnóstico que detectem a infecção por M. bovis na população humana.
2018
Osvaldo Frederico Inlamea
Pesquisa de Leishmania sp. em flebótomos e mamíferos silvestres de fragmentos florestais na região do Pontal do Paranapanema, SP
As alterações ambientais antrópicas são os principais fatores de emergência ou reemergência de doenças infecciosas. A leishmaniose cutânea é uma doença que está relacionada, em caráter epidêmico, com episódios de desmatamento. No entanto, o caráter endêmico da doença ocorre quando o homem se encontra próximo de áreas florestais já colonizadas. O Pontal do Paranapanema é uma área onde ocorreu intenso desmatamento e a mata nativa remanescente está representada pelo Parque Estadual Morro do Diabo e alguns fragmentos florestais. Casos de leishmaniose cutânea em humanos são comuns na região, principalmente em áreas marginais de floresta. O objetivo deste trabalho foi realizar um levantamento da fauna flebotomínica e de mamíferos silvestres potencialmente reservatórios no Parque Estadual Morro do Diabo e alguns fragmentos da região, buscando avaliar se o tamanho do fragmento tem influência na ocorrência das espécies e na freqüência de Leishmania sp, através da técnica da PCR. Foram capturadas 26 espécies de flebótomos e sete espécies de mamíferos silvestres. O gênero Brumptomyia foi predominante em quase todas as áreas florestais, com exceção da borda do Parque, que apresentou dominância de Nyssomyia neivai. Os resultados das análises da PCR demonstraram quatro espécies de mamíferos portadores de Leishmania sp, Akodon cursor, Dasyprocta azarae, Didelphis albiventris e Oligoryzomys sp. As amostras de pools de flebotomíneos apresentaram resultados negativos. Não foi observada diferença significativa na freqüência de mamíferos infectados em relação ao tamanho da área florestal.
Detecção de agentes bacterianos envolvidos nos quadros de aerossaculite em perus através da reação em cadeia pela polimerase (PCR)
Considerando a crescente importância econômica da exportação de carne de peru e os desafios sanitários que surgem com o aumento da produção desta espécie, o presente projeto propõe a detecção dos agentes bacterianos em perus apresentando quadro de aerossaculite, através da reação em cadeia pela polimerase (PCR). Um total de 201 suabes de sacos aéreos foram coletados a partir das carcaças de perus em um abatedouro comercial localizado no Centro Oeste do Brasil. Os suabes foram submetidos a PCR para detecção de Bordetela avium, Pasteurela multocida, Ornithobacterium rhinotracheale, Mycolplasma. gallisepticum, M. iowae, M. meleagridis e M. synoviae. B. avium foi detectada através da PCR em 58 animais, representando 28,8% dos suabes analisados. Os 201 suabes foram negativos para detecção de todos os outros agentes pesquisados. B. avium está presente nas criações de peru do país, e pode ter importante impacto sobre as doenças respiratórias desta espécie em condições intensivas de produção.
Avaliação dos medicamentos homeopáticos Sulphur 30CH e Calcarea carbonica 30CH para tratamento de vacas com mastite subclínica
O uso de antibióticos para tratamento da mastite bovina subclínica durante a lactação apresenta restrições econômicas e a administração indiscriminada e inadequada destes medicamentos os torna potencialmente tóxicos aos animais e aos consumidores finais dos produtos lácteos. A utilização de medicamentos homeopáticos oferece menor custo, facilidade de administração, não há risco de resistência microbiana e não é necessário o descarte do leite dos animais em tratamento. Além disso, a homeopatia é reconhecida no Brasil como especialidade médica veterinária e aceita para uso no sistema de produção animal orgânico. Portanto, o presente trabalho teve como objetivo avaliar a eficácia de dois protocolos homeopáticos para tratamento da mastite bovina subclínica durante a lactação. O experimento foi realizado no período de seis meses e dividido em duas etapas. Na Etapa I, um grupo foi medicado com Sulphur 30CH, enquanto que o outro recebeu placebo. Na Etapa II, um grupo foi medicado com Calcarea carbonica 30CH e o outro grupo recebeu placebo. Os medicamentos foram administrados a cada trinta dias na Etapa I e a cada quinze dias na Etapa II. Em cada etapa foram coletadas amostras de leite antes, durante e após o tratamento. Para avaliar a eficácia dos protocolos, durante o experimento foram analisadas 138 amostras de leite na Etapa I e 72 amostras na Etapa II, realizando-se prova de Tamis, California Mastitis Test (CMT), contagem de células somáticas (CCS), quantificação de polimorfonucleares (PMN) e mononucleares (MN) por microscopia óptica, exame microbiológico e mensuração da produção leiteira. As análises estatísticas foram realizadas utilizando o software Graphpad Instat 1990-93. Os protocolos homeopáticos testados não diminuíram a celularidade do leite, pois não houve diferenças significativas nos resultados do CMT e da CCS no decorrer do experimento. Também não foi constatada nenhuma alteração significante na produção láctea. O microrganismo isolado com maior frequência no rebanho estudado foi o Corynebacterium bovis. Porém, não houve diferenças significativas em relação à frequência de isolamento deste microrganismo ao longo dos tratamentos, indicando a sua permanência nas glândulas mamárias. Além disso, observou-se durante todo o experimento o predomínio de células PMN em relação às MN. Sugere-se o estudo de novos protocolos homeopáticos com outros medicamentos, potência e frequência de administração, a fim de buscar alternativas para o tratamento de vacas com mastite subclínica
2010
Débora Tieko Parlato Sakiyama
Emprego de estirpes de leptospiras isoladas no Brasil, na microtécnica de soroaglutinação microscópica aplicada ao diagnóstico da leptospirose em rebanhos bovinos de oito estados brasileiros
A leptospirose bovina é uma das principais doenças reprodutivas que interfere diretamente nos índices de produção e produtividade da pecuária brasileira e mundial e por isso necessita de um aprimoramento do diagnóstico laboratorial. O objetivo do presente trabalho foi investigar a conveniência do emprego de estirpes de leptospiras autóctones isoladas no Brasil, na coleção de antígenos da microtécnica de soroaglutinação microscópica (SAM) aplicada a leptospirose. A coleção de antígenos de referência foi constituída pelos sorovares: Australis, Bratislava, Autumnalis, Butembo, Castellonis, Bataviae, Canicola, Whitcombi, Cynopteri, Grippotyphosa, Hebdomadis, Copenhageni, Icterohaemorrhagiae, Javanica, Panama, Pomona, Pyrogenes, Hardjo, Wolffi, Shermani, Tarassovi, Patoc e Sentot. As dez estirpes isoladas no Brasil incluíram os sorovares: Bananal (duas estirpes), Brasiliensis, Canicola (três estirpes), Copenhageni, Guaricura e Pomona (duas estirpes). Foram amostradas por conveniência, 109 propriedades e 9820 bovinos, fêmeas em idade de procriar, distribuídos em 84 municípios, dos Estados de: Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo. Dos 9820 animais examinados, 5806 (59,12%) foram reagentes na SAM para qualquer sorovar com a coleção de 23 sorovares de referência. Com a coleção de antígenos de referência e dez estirpes autóctones houve 6400 (65,17%) reagentes, a diferença observada foi significante (p= 0,001). O único Estado em que não houve diferença significante no número de animais reatores para qualquer sorovar foi o de Santa Catarina (p=0,522). Das 109 propriedades trabalhadas, 106 foram consideradas positivas com pelo menos um animal reagente na SAM. Não houve diferença no número de propriedades positivas segundo a coleção de antígenos empregada. Os sorovares mais prováveis identificados com a coleção de antígenos de referência foram Hardjo (43,03 %), Shermani (20 %), Wolffi (9,96%), Grippothyphosa (5,42%) e Pomona (4,28%). Com a coleção ampliada por dez estirpes isoladas no Brasil, os sorovares mais prováveis foram Hardjo (31,00%), Guaricura - M4/84 (22,50%), Shermani (15,43%), Wolffi (4,76%), Grippothyphosa (3,71%) e Autumnalis (3,24%). O sorovar Guaricura, estirpe M4/84, isolada de bovinos e búfalos no Estado de São Paulo, foi o primeiro colocado como sorovar mais provável no Estado de Mato Grosso, diferença significante do valor obtido para o sorovar Hardjo (p= 0,0001). No Mato Grosso do Sul a despeito do valor absoluto ter sido superior para o sorovar Guaricura, a diferença observada com o sorovar Hardjo foi destituída de significado estatístico (p=.0,753). Em São Paulo o Guraricura foi o segundo colocado e em Minas Gerais Goiás ocupou a terceira posição. Esta mesma estirpe foi a mais provável em 27 propriedades das 109 trabalhadas (24,77%). A introdução de estirpes autóctones na coleção de antígenos da SAM propiciou a confirmação do diagnóstico de leptospirose em 594 animais (6,00%) classificados como não reagentes pela coleção de referência (p=0,001)
2010
Anna Maria Casagrande Sarmento
Clamidiose em calopsitas (Nymphicus hollandicus): perfil do proprietário e ensaio terapêutico
A prática popular de manutenção de aves como animais de estimação é um importante fator de risco à saúde pública. Não obstante o benefício gerado pelo convívio com o animal, as aves também podem albergar agentes de doenças transmissíveis para seres humanos. A Chlamydophila psittaci, ocupa uma posição de destaque dentre as zoonoses de origem aviária. O presente estudo, que teve como objetivo, em uma primeira etapa, determinar o nível de conhecimento dos proprietários de aves sobre manejo e zoonoses. No segundo momento, calopsitas (Nymphicus hollandicus), naturalmente infectadas com C. psittaci foram submetidas a um protocolo de tratamento com antibiótico durante quarenta e cinco dias consecutivos. Foram efetuadas biopsias hepáticas e swabs de cloaca, submetidos à técnica de PCR e cultura bacteriológica, para avaliar o impacto do tratamento no organismo do animal, microbióta bacteriana e o estado do portador. Concluiu-se que os proprietários precisam de uma orientação mais contundente e direcionada à prevenção e manejo de suas aves; o protocolo de tratamento utilizando a doxiciclina foi eficaz, eliminando a positividade das aves; as avaliações observadas nas biópsias hepáticas não mostraram alterações significativas que pudessem contribuir com o diagnóstico da clamidiose
Comparação entre a quantidade de unidades formadoras de colônias (UFC) e contagem de células somáticas (CCS) de leite proveniente de glândulas mamárias de bovinos com mastite subclínica e associadas à presença de Staphylococcus spp. e Streptococcus spp. e a associação de ambos microrganismos
A mastite é uma doença complexa que pode ter diferentes causas, graus de intensidade e variações de duração e de conseqüências. Os processos inflamatórios na glândula mamária são especialmente freqüentes e importantes em bovinos leiteiros. A mastite infecciosa é a mais importante sob os pontos de vista econômico e de saúde pública. A forma subclínica é a mais onerosa e prevalente com um comprometimento mundial de 40% do rebanho leiteiro e perdas econômicas entre 5% e 25% da produção leiteira. No Brasil, a mastite subclínica caracteriza-se pela alta incidência, com índices variando de 44,88% a 97,0%, e a redução da produção leiteira situa-se entre 25,4% e 43,0%. Dentre os agentes etiológicos mais isolados em casos de mastite subclínica destacam-se os Staphylococcus spp., os Streptococcus spp. e o Corynebacterium bovis. A quantidade de UFC/mL no leite proveniente diretamente da glândula mamária bovina com infecção permitiria o conhecimento da quantidade de microrganismos associada a uma determinada intensidade de processo inflamatório na glândula. A comparação destas informações com a contagem de células somáticas na amostra avaliaria mais acuradamente a natureza do processo inflamatório e infeccioso na glândula. Importante seria o risco que representa a presença de microrganismos no leite, sobretudo se considerar o hábito do consumo de leite in natura, verificando em um estudo quantitativo desta natureza, a carga microbiana ingerida pelo homem. Foram examinadas 80 amostras de leite de vacas mestiças ou holandesas, primíparas e multíparas, em diferentes estágios de lactação de plantéis do Estado de São Paulo. Quatro grupos foram formados de 20 animais cada: grupos com crescimento negativo, de Staphylococcus spp. e Streptococcus spp. em cultura pura e grupo com a associação de ambos microrganismos. O objetivo deste trabalho consistiu em avaliação comparativa da quantidade de UFC/mL de microrganismos e CCSs no leite proveniente de glândulas mamárias bovinas, associadas com a presença dos microrganismos Staphylococcus spp. e Streptococcus spp. e infecções mistas ocorridas com a presença de ambos. Tanto Staphylococcus spp. (mediana = 4,772), quanto Streptococcus spp. em cultura pura (mediana = 5,933), não apresentam diferenças significativas na contagem de UFC com seus respectivos agentes em associação (Staphylococcus spp. com mediana da associação foi de 5,048 e mediana de Streptococcus spp. da associação foi de 5,792). Nas amostras em que houve crescimento de Staphylococcus spp. e Streptococcus spp. associados, a quantidade de UFC de Streptococcus spp. foi estatisticamente maior. Comparados entre si (crescimento em cultura pura de Staphylococcus spp. com mediana = 5,765 e Streptococcus spp., mediana = 5,920), mesmo apresentando um maior número na CCSs no grupo de crescimento de Streptococcus spp., este aumento não foi significativo estatisticamente. Porém, quando associados (mediana = 5,673), comparados à cultura pura de Staphylococcus spp. (mediana = 5,765), este último teve aumento significativo. Tanto em cultura pura como em associação, a presença dos microrganismos quando comparados, não induziram a um aumento significativo na CCSs ou à contagem de UFCs em amostras de leite com sinais de mastite subclínica, porém Staphylococcus spp. induziu maior contagem de células somáticas
2010
Anna Catharina Maia Del Guercio Von Sydow
Evaluación de los especímenes clínicos preservados en FTA elute card Whatman ®, solución saturada de borato de sodio y refrigeradas para el diagnostico molecular de Mycobacterium bovis
La tuberculosis bovina es una enfermedad causada por el agente Mycobacterium bovis, que es parte del complejo Mycobacterium tuberculosis (MTC). Bacterias del MTC infectan una gran variedad de mamíferos, incluyendo al hombre. Mejorar el diagnostico de esta enfermedad permite identificar brotes y formular acciones de control. El objetivo de este trabajo fue evaluar la sensibilidad y especificidad de dos métodos de extracción en diferentes tipos de preservación, analizando cuatro tipos de muestras de la misma lesión tuberculosa: impresiones de la lesión en FTA elute card Whatman ®, ii. Lesiones congeladas y iii. Lesiones almacenadas en borato de sodio durante 30 y 60 días. Para las muestras congeladas, impresiones en tarjetas FTA y preservadas en borato, fue realizada la extracción usando el protocolo descrito por BOOM et al., 1990. Además, para cada tipo de muestra se realizaron aislamientos en los medios de cultivo Stonebrink y Lowenstein-Jensen. Fue realizada la reacción en cadena de la polimerasa (PCR) utilizando los primers INS1-INS2 para identificar DNA de bacterias pertenecientes al MTC. Se encontró que las muestras congeladas tienen mejor sensibilidad, Fueron obtenidas colonias de Mycobacterium bovis de las tarjetas FTA. Estos resultados ayudan a mejorar el proceso de colecta y transporte de muestras del sistema de vigilancia en tuberculosis bovina
2016
Nicolas Cespedes Cardenas
Study of the role of GroEL protein from Leptospira spp. in the host-pathogen Interaction
Background: Leptospirosis is a zoonotic disease caused by infection with spirochetes from Leptospira genus. It has been classified into at least 17 pathogenic species, with more than 250 serologic variants. This wide distribution may be a result of leptospiral ability to colonize the renal tubules of mammalian hosts, including humans, wildlife, and many domesticated animals. Previous studies showed that the expression of proteins belonging to the microbial heat shock protein (HSP) family is upregulated during infection and also during various stress stimuli. Several proteins of this family are known to have important roles in the infectious processes in other bacteria, but the role of HSPs in Leptospira spp. is poorly understood. In this study, we have evaluated the capacity of the protein GroEL, a member of HSP family, of interacting with host proteins and of stimulating the production of cytokines by macrophages. Results: The binding experiments demonstrated that the recombinant GroEL protein showed interaction with several host components in a dose-dependent manner. It was also observed that GroEL is a surface protein, and it is secreted extracellularly. Moreover, two cytokines (tumor necrosis factor-α and interleukin-6) were produced when macrophages cells were stimulated with this protein. Conclusions: Our findings showed that GroEL protein may contribute to the adhesion of leptospires to host tissues and stimulate the production of proinflammatory cytokines during infection. These features might indicate an important role of GroEL in the pathogen-host interaction in the leptospirosis.
Situação epidemiológica da brucelose bovina no Estado do Rio de Janeiro
Realizou-se um estudo para caracterizar a situação epidemiológica da brucelose bovina no Estado do Rio de Janeiro. O Estado foi dividido em três circuitos produtores. Em cada circuito foram amostradas aleatoriamente cerca de 300 propriedades e, dentro dessas, foi escolhido, de forma aleatória, um número préestabelecido de animais, dos quais foi obtida uma amostra de sangue. No total foram amostrados 8239 animais, provenientes de 945 propriedades. Em cada propriedade amostrada foi aplicado um questionário epidemiológico para verificar o tipo de exploração e as práticas zootécnicas e sanitárias que poderiam estar associadas ao risco de infecção pela doença. O protocolo de testes utilizado foi o da triagem com o teste do antígeno acidificado tamponado e reteste dos positivos com o teste do 2- mercaptoetanol. O rebanho foi considerado positivo se pelo menos um animal foi reagente às duas provas sorológicas. Para o Estado, as prevalências de focos e de animais infectados foram, respectivamente, de 15,4% [12,9-17,9%] e de 4,1% [2,8-5,3%]. Para os circuitos, as prevalências de focos e de animais infectados foram, respectivamente: circuito 1, 13,8% [10,2-18,2%] e 3,0% [1,9-4,1%]; circuito 2, 15,7% [11,9-20,2%] e 2,3% [1,4-3,2%]; circuito 3, 19,6% [15,4-24,4%] e 9,3% [4,5-14,1%]. Os fatores de risco (odds ratio, OR) associados à condição de foco foram: ter mais que 30 fêmeas com idade de 24 meses ou acima (OR=2,33 [1,51-3,07]), compra de reprodutores (OR= 1,95 [1,13-2,45]) e prática de aluguel de pasto (OR= 1,74 [1,03-2,74]).
2010
Mônica Fagundes de Carvalho Klein-Gunnewiek
Diversidade de protozoários intestinais em aranha- armadeira (Phoneutria nigriventer, Keyserling 1981)
O filo Arthropoda compreende aproximadamente 85% das espécies animais já descritas. Dentro deste filo a classe Arachnida inclui invertebrados de grande importância, devido à transmissão de doenças e aos acidentes por envenenamento. Aranhas do gênero Phoneutria sp., popularmente conhecidas como aranha- amadeira, são aracnídeos de interesse médico pertencentes à família Ctenidae. Exemplares destas aranhas são recebidos, quarentenados e mantidos em cativeiro no Biotério de Artrópodes do Instituto Butantan, São Paulo, Brasil, com o objetivo de extrair o seu veneno para posterior produção do soro antiaracnídico. Foram analisadas em microscopia ótica, amostras de fezes de 509 Phoneutria nigriventer, destas, 131 (25,73%) apresentaram infecção por protozoários. As amostras positivas ao exame parasitológico foram submetidas a extração de DNA e reações de amplificação (PCR), resultando em 80 amplificadas, purificadas e sequenciadas. 17 sequências foram obtidas e analisadas por BLAST. Cinco amostras foram identificadas como Colpoda steinii, uma como Colpoda aspera, uma apenas pelo gênero Colpoda sp. e uma identificada como “organismo ciliado”. Quatro amostras foram identificadas como Parabodo caudatus, duas como Urostipulosphaera sp., uma como Helkesimastix sp. e uma como um protozoário euglenóide. Uma amostra sequenciada foi identificada como uma alga pertencente ao gênero Laurencia sp. A presença de sinais clínicos e outros eventos foram observados em 17 aranhas, e então associados ao resultado do sequenciamento.
2021
Thiago Mathias Chiariello
Avaliação do tratamento alopático e homeopático de mastite bovina em animais inoculados com Staphylococcus aureus
A mastite bovina é considerada a doença que causa os maiores prejuízos à produção leiteira, reduzindo em quantidade e qualidade o leite e os derivados lácteos. Especialmente na mastite clínica, ocorre aumento no risco de resíduos de antimicrobianos no leite, portanto além do prejuízo diretamente relacionado ao processo inflamatório, acrescenta-se o custo com medicamentos, aumento do labor da mão-de-obra e tempo de descarte do leite após tratamento, até a total eliminação os resíduos de antibióticos utilizados. A expansão dos sistemas de produção pecuária orgânica aumenta a necessidade de utilizar métodos diferentes daqueles conhecidos convencionalmente.A homeopatia é uma terapêutica que tem sido cada vez mais utilizada em animais de produção com resultados bastante satisfatórios. No Brasil a produção orgânica é regulamentada pela Lei No10.831 de 23 de dezembro de 2003 e lá há orientação para o uso de medicamentos homeopáticos, assim como fitoterapia e acupuntura na terapêutica animal, em lugar dos medicamentos convencionais, que têm seu uso muito restrito e em certos casos proibido. Para realização deste trabalho foi feita uma inoculação intramamária experimental com estirpes de Staphylococcus aureus em 36 quartos mamários de 18 vacas mestiças de Holandesas e Gir pertencentes ao Campo Experimental de Coronel Pacheco/MG da Embrapa/CNPGL, com o objetivo de comparar o tratamento de animais acometidos com a utilização de medicamentos homeopáticos (Phytolacca decandra 6CH, Calcarea carbonica 6CH e Silicea terra 6CH) e com antibiótico (Cefoperazone Sódico), usando como parâmetros para este estudo: os sinais clínicos, a prova de CMT, as contagens de células somáticas , tanto eletrônicas quanto ópticas e culturas microbiológicas, além da avaliação do custo dos dois tratamentos. No presente estudo não houve diferença estatisticamente significante quanto à intensidade do processo inflamatório avaliados pelo CMT e contagens de células somáticas, quanto ao número de unidades formadoras de colônias isoladas do leite das glândulas mamárias inoculadas e entre período de convalescença dos dois tratamentos. O custo de aquisição dos medicamentos para o tratamento de mastite aguda utilizando homeopatia foi muito inferior ao mesmo tratamento realizado com antibiótico intramamário
2004
Leslie Avila do Brasil Almeida
Desenvolvimento de uma Reação em Cadeia pela Polimerase (PCR) para detecção de Brucella spp. em amostras de sangue de cães naturalmente infectados
Foram desenhados três pares de primers, sendo um deles dirigido ao gene que codifica uma proteína periplasmática da Brucella (BP26) e dois outros dirigidos para a região interespaçadora entre os gene 16S e 23S do RNA ribossômico (ITS). Com os primers acima, foram padronizadas três PCRs, potencialmente capazes de detectar qualquer espécie de Brucella e denominadas PCR-ITS1, PCR-ITS2 e PCR-BP26. Soluções de DNA de sangue de cão livre de Brucella foram contaminadas com quantidades decrescentes de DNA de B. canis (RM6/66) e, então, submetidas às PCRs descritas anteriormente. Para a avaliação das PCRs quanto à capacidade de detecção de Brucella spp. em sangue de animais naturalmente infectados, foram utilizadas 75 amostras de sangue de cães provenientes de canis comerciais onde foram registrados casos clínicos sugestivos de infecção por Brucella. As 75 amostras de sangue de cães foram colhidas com anti-coagulante (citrato de sódio) por punção da veia jugular. As amostras foram separadas em duas alíquotas, uma das quais (2 ml) foi submetida ao isolamento e identificação bacteriológica e a outra alíquota (1ml), às PCRs. O DNA total das amostras de sangue foi extraído por método baseado em digestão com proteinase K, SDS e CTAB seguido de purificação com fenol e clorofórmio. Considerando os resultados da PCR de melhor desempenho (PCR-ITS1), entre as 35 amostras positivas pelo isolamento bacteriano, 30 (85,71%) foram positivas pela técnica de PCR, enquanto entre as 40 amostras negativas pelo cultivo bacteriológico, 11 (27,5%) foram positivas pela PCR. A PCR-ITS1 foi capaz de detectar um mínimo de 3,78fg de DNA bacteriano misturado a 450ng de DNA de cão, o que representa, teoricamente, a massa genômica de 1,26 bactérias. Pela aparente superior capacidade de classificar animais positivos que o método de cultura bacteriológica, a PCR-ITS1 parece ser uma técnica promissora para o diagnóstico direto da brucelose em cães.
2004
Nanci do Rosário Vieira
Caracterização fenotípica e genotípica de amostras de Salmonella spp. isoladas de suínos
Entre os microrganismos relevantes para a segurança alimentar, bactérias do gênero Salmonella tem se destacado como causadoras de toxinfecções, sendo motivo de preocupação constante para a cadeia de produção de aves e suínos. Os objetivos deste trabalho foram estudar a ocorrência de Salmonella spp. em suínos sadios ao abate e em animais apresentando sinais clínicos de salmonelose, tipificação dos isolados através da sorotipagem, polimorfismo do comprimento de fragmentos amplificados (AFLP) e eletroforese em gel de campo pulsado (PFGE). Foram examinados 50 animais com sintomatologia sugestiva de salmonelose de 12 granjas dos Estados de São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul e analisadas amostras de fezes, linfonodos e suabes de carcaças de 124 animais de quatro frigoríficos do Estado de São Paulo. Dos suínos com sintomatologia clínica, 38% dos animais foram positivos para o isolamento de Salmonella spp., sendo selecionadas 45 cepas, classificadas como S.Typhimurium (29/45), S. Choleraesuis (9/45), S. Infantis (3/45) e S. enterica subsp. enterica (4/45). Dos 124 suínos sadios, 16,12% foram positivos para o agente, sendo isoladas 39 cepas que foram classificadas como S. London (11/39), S. Anatum (11/39), S. Typhimurium (8/39), S. Agona (2/39), S. Enteritidis (2/39) e S. enterica subsp. enterica (5/39). Através do AFLP, a caracterização genética dos isolados revelou índice discriminatório igual a 0,85 e gerou 12 perfis distintos. O índice discriminatório do PFGE foi 0,96 apresentando 31 padrões distintos. Ambas as técnicas possibilitaram uma boa correlação entre isolados, seus sorotipos e locais de isolamento, sugerindo grande potencial para sua aplicação na genotipagem de Salmonella spp.
2008
Luciane Tieko Shinya Zucon
Transfecção de anticorpos como terapia anti-viral para a raiva
A raiva é uma zoonose conhecida desde a Mesopotâmia, temida por milênios em todo o mundo por seu rápido e progressivo número de casos fatais, e agora é endêmica em países em desenvolvimento, com uma estimativa de 6.000.000 de mortes humanas por ano. O pequeno número de pacientes que sobreviveram a raiva ainda é motivo de debate, em meio a tentativas de estabelecer um tratamento eficaz para pacientes humanos. O objetivo deste estudo foi avaliar a capacidade de tranfecção de anticorpos F (ab \') anti-RABV com uso de dois agentes de transfecção catiônicos (Pulsin / Bioporter) in vivo, bem como avaliar a eficácia deste método como terapia antiviral. Camundongos foram inoculados pela via intracerebral com 30 µl de um isolado de RABV (AgV2), contendo 10 LD50%. Após 48h, dois tratamentos foram realizados: Para o Tratamento-1, 180 µl de F (ab \') anti-RABV foram combinados com 360 µl de Hepes 20 mM pH 7,4 e adicionados 60 µl de Pulsin ® (Polyplus). Para o tratamento 2, o reagente Bioporter ® foi ressuspendido com a F (ab \') anti-RABV na concentração final de 250 µg / ml. Os grupos controles foram tratados com os agentes de transfecção sem anticorpos. As soluções foram então inoculadas por via intracerebral em volume de (30 µl) em cada um dos quinze animais. No tratamento-1, comparando os grupos tratado e controle, não houve diferença significativa (p = 1). No tratamento-2, a taxa de sobrevivência foi de 70% para o grupo tratado, enquanto a mortalidade nos animais do grupo controle foi de 90% (p <0,0198). De modo a diferenciar entre o efeito antiviral pela transfecção da F (ab \') anti-RABV e um possível efeito antiviral do próprio agente de transfecção Bioporter ®, os camundongos foram sujeitos a infecção com 30 µl do isolado RABV acima mencionado, contendo 10 LD50% . Após 48 horas, 30 µL de reagente Bioporter ressuspenso em Hepes 20 mM, pH 7, foram inoculados pela via intracerebral em 10 camundongos, enquanto para o grupo controle (n = 10), foi utilizado somente Hepes 20 mM, pH 7,4. Houve uma taxa de sobrevivência de 50 e 20%, para os grupos Bioporter e controle, respectivamente, sem diferença significativa (p = 0,4949), mostrando que o efeito antiviral observado no primeiro experimento foi devido ao anticorpo transfectado. A inibição da replicação de RABV pode ser obtida pela técnica de transfecção de anticorpos, uma ferramenta valiosa a ser adicionada como uma terapia antiviral para o tratamento da raiva em humanos.
2019
Washington Carlos Agostinho
Percepção dos manipuladores domésticos de alimentos em relação às cinco chaves para uma alimentação mais segura, segundo a OMS
O estudo teve como objetivo descrever a percepção dos manipuladores domésticos de alimentos, acerca das cinco chaves para uma alimentação mais segura preconizada pela OMS e avaliar a relação entre a percepção dos manipuladores domésticos de alimentos e algumas variáveis sociodemográficas. Para tal elaborou- se um formulário com questões abertas, estruturadas e semiestruturadas com questões sobre manipulação de alimentos no domicílio, de acordo com o conteúdo das cinco chaves para alimentação segura da OMS. Participaram do estudo 123 pessoas, entre homens e mulheres que preparam alimentos no domicílio. Obteve-se como resultados que os participantes da pesquisa atribuíram a responsabilidade sobre o alimento seguro principalmente a noções associadas as práticas rotineiras do cotidiano doméstico. Ao assumirem uma parcela da responsabilidade, tem-se um fator importante para reduzir as DTA a longo prazo, uma vez que a família é responsável por ensinar hábitos de higiene alimentar e garantir um alimento seguro depende de todos. Também foi atribuída a responsabilidade as indústrias alimentícias e produtores rurais, uma vez que os meios de comunicação divulgam surtos a partir de produtos industrializados, acarretando na falsa impressão que apenas esses alimentos podem causar algum dano à saúde. Não há clara noção sobre ‘ alimento seguro’ , sendo frequentemente associada a aspectos nutricionais e não boas práticas de higiene alimentar.