Repositório RCAAP
Experimental oral infection in chickens (Gallus gallus domesticus) with Neospora caninum (NC-SP1) oocysts
Neospora caninum is a tissue-cyst forming parasite that belongs to the phylum Apicomplexa. Dogs and other canids are the definitive hosts of N. caninum and they are responsible to excrete oocysts, the environmentally resistant stage of the parasite. Viable parasites have been isolated from a variety of species, especially herbivorous, confirming their role as intermediate hosts. The importance of birds in the life cycle of N. caninum is not clear. Several experiments, using tachyzoites as inoculum, were conducted in domestic and wild birds and the results were not conclusive. In nature, the possible mode of transmission in chickens is the ingestion of oocysts. This work aimed to evaluate the infection by N. caninum in chickens orally inoculated with oocysts obtained from a new isolate of N. caninum. For that, approximately 400 g of brain from a naturally infected adult cattle, showing anti-N. caninum antibodies by means of the immunfluorescent antibody test - IFAT (titre = 200), were fed to a 2-month-old dog. Neospora-like oocysts were observed on day 7 post-inoculation (p.i.). The DNA obtained from oocysts was molecularly characterized using the ITS-1 marker and the final sequence was 99% identical to homologous sequences of N. caninum. Gerbils (Meriones unguiculatus) were orally inoculated with different doses of oocysts (10, 100 and 1000 oocysts), and all of them remained clinically normal and developed N. caninum antibodies 14 days p.i. (titre ≥ 50 by IFAT). Brain homogenate from an infected gerbil was seeded into a monolayer of Vero cells and tachyzoites were visualized at 24 days p.i.. Microsatellite genotyping using DNA from the tachyzoites revealed a unique genetic profile for this new reference isolate, named NC-SP1. Thirty White Leghorn chickens (Gallus gallus domesticus) were orally inoculated with viable N. caninum oocysts from the NC-SP1 isolate (200 oocysts per bird) via the crop at 21 days of age. Groups of three birds were euthanized at intervals of 7 days during 9 weeks; one group was challenged with the same oocysts dose at 37 days p.i. and observed for 11 weeks. Blood samples were collected weekly, and sera were tested by IFAT. Chicken tissues were analyzed using PCR, quantitative PCR and immunohistochemistry (IHC). Two mongrel dogs, approximately 45 days of age were fed with tissues from chickens euthanized at 138 and 159 days p.i.. The chickens did not seroconvert (titre < 5), and neither DNA (PCR and qPCR) nor antigen (IHC) of N. caninum was detected in inoculated chicken tissues. In addition, no oocyst excretion by the dogs was observed. In these experimental conditions, the chickens were resistant to N. caninum infection.
Caracterização genética de isolados de Giardia spp. provenientes de amostras fecais de origem humana e animal
O protozoário flagelado Giardia duodenalis é um parasito intestinal que pode infectar uma ampla variedade de mamíferos, incluindo os humanos e os animais domésticos e selvagens. Devido à carência de informações a respeito da caracterização molecular de amostras de Giardia spp. no Brasil, o presente estudo teve como objetivo analisar 113 amostras de fezes positivas para Giardia spp. de origem humana e animal. Um segmento do gene que codifica a enzima glutamato desidrogenase (gdh) dos isolados provenientes de 37 humanos, 31 cães, 20 gatos, 12 bugios, cinco bezerros, três chinchilas, duas avestruzes, dois cachorros-do-mato e uma onça-pintada foi amplificado e seqüenciado. A análise da seqüência de nucleotídeos do gene gdh mostrou que estes isolados foram divididos em seis linhagens genéticas principais (Assemblages A, B, C, D, E, F). O genótipo AII foi identificado apenas nas amostras de humanos, enquanto o genótipo AI foi detectado nos isolados de origem animal (gato, bezerro, onça-pintada). Os isolados de Giardia spp. provenientes dos humanos, bugios, chinchilas e avestruzes foram caracterizados como pertencente ao genótipo BIV. Entretanto, os demais Assemblages foram identificados apenas em um grupo específico de hospedeiros. Assemblage C e D foram encontrados nas amostras de cães e cachorros-do-mato, Assemblage F nas amostras de gatos e Assemblage E nas amostras de bezerros. A caracterização molecular das amostras de Giardia spp. gera uma importante contribuição para o conhecimento da especificidade de hospedeiro dos diferentes genótipos.
2007
Silvio Luis Pereira de Souza
Metapneumovírus aviários em aves silvestres
Metapneumovírus Aviário (aMPV), família Pneumoviridae, gênero Metapneumovírus, é o agente etiológico responsável pela rinotraqueíte dos perus e também está associada à síndrome da cabeça Inchada em galinhas, duas importantes doenças respiratórias que acometem aves comerciais e levam a grandes perdas econômicas. O objetivo deste estudo foi detectar a presença de aMPV em amostras de aves silvestres e realizar a caracterização molecular dos isolados encontrados, com o intuito maior de contribuir para o entendimento da epidemiologia desse vírus. Para isso foram coletados no total, 448 suabes orofaringeanos (OP) e cloacais (C) oriundos de 234 aves silvestres em quatro locais do estado de São Paulo. Três tipos de amostras foram processadas e testadas: 1) 266 suabes agrupados de um ou até cinco animais que estavam no mesmo recinto e respeitando o mesmo tipo de suabe (OP ou C); 2)188 suabes foram agrupados na forma de pools de até dois animais, contendo os suabes OP e C de cada animal, formando então 48 pools; 3) amostras de tecido traqueal e pulmonar de três Egretta thula também foram coletados e testados. A purificação de RNA viral foi realizada utilizando o QIAmp RNA Mini Kit Kit (Qiagen). Para o teste de RT-PCR foi utilizado o kit OneStep RT-PCR (Qiagen) com primers baseados no gene N, previamente descritos, com fragmento esperado de 115 bp. As amostras foram também testadas por RT-PCR em tempo real (RRT-PCR) com primers específicos previamente descritos, para os subtipos A e B, com base no gene G com fragmentos de 116 e 135 bp, respectivamente. Os fragmentos das amostras positivas foram purificados e sequenciados pelo sequenciamento tipo Sanger para caracterização por análises filogenéticas. Das 126 amostras testadas pelo teste de RT-PCR baseado no gene N, quatorze foram positivas: oito amostras de Anseriformes (Aix sponsa, Aix galericulata, Dendrocygna viduata), três de Columbiformes (Columba livia), um de Falconiformes (Falco sparverius), um de Psittaciformes (Psittacara leucophthalma) e um de Pelecaniformes (Egretta thula). Das quatorze amostras positivas, treze eram provenientes de suabes, e a décima quarta era oriunda de tecido traqueal de Egretta thula. Pelo teste de RRT-PCR baseado no gene G nenhuma das 184 amostras testadas foi positiva. As análises filogenéticas realizadas com fragmentos de 44 e 54 bp do gene N de duas amostras positivas, que se agruparam com isolados pertencentes ao aMPV de subtipo A. Estes vírus apresentaram alta identidade com as estirpes derivadas de vacina e com estirpes vacinais, o que mostra uma possível ocorrência de escapes vacinais de aves de produção para as aves silvestres.
Pesquisa de agentes infecciosos associados aos carrapatos de pequenos mamíferos, em área de Mata Atlântica no município de Cotia, São Paulo
A fauna de pequenos mamíferos e de carrapatos da Reserva Florestal do Morro Grande, Cotia, SP, foi investigada assim como microrganismos associados a eles. Coletas foram realizadas bimestralmente, e resultaram na captura de 158 pequenos mamíferos silvestres e cães, distribuídos em 126 roedores de 10 espécies, 26 marsupiais de 3 espécies, um tapiti, além de 6 cães domésticos inspecionados. Destes hospedeiros foram recolhidos 327 carrapatos de 9 espécies de 4 gêneros, e larvas de Amblyomma sp. Novos registros de hospedeiros foram acrescentados para as espécies I. aragaoi, I. loricatus, I. schulzei e de espécie morfologicamente semelhante a I. fuscipes. Simultaneamente, fizemos a pesquisa de exemplares em vida livre na vegetação por arraste e busca visual. Um total de 597 exemplares foram recolhidos e identificados, representando 9 espécies de 3 gêneros, além de larvas do gênero Amblyomma. Na sorologia por RIFI, com exceção dos cães domésticos que foram todos negativos, a soro reatividade apresentada para pequenos mamíferos silvestres sugere a circulação de cepas de Rickettsia naquela região. Dos 102 animais testados, 39 foram soro positivos e em 6 amostras nós sugerimos provável antígeno homólogo para R. bellii (3), R. rickettsii (2) e R. rhipicephali (1). Encontramos na quase totalidade dos espécimes adultos de I. aragaoi uma Rickettsia próxima à cepa endosiombionte de I. scapularis, e em uma fêmea de A. sculptum, sequências parciais do gene ompA foram similares a R. parkeri isoladas de A. triste no Brasil e na Argentina. Sequências geradas a partir de um fragmento do gene 18S rRNA de Hepatozoon sp. foram obtidas de amostras dos carrapatos I.c.f. fuscipes e I. schulzei, coletados sobre o roedor A. montensis. Outro hemoprotozoário encontrado foi um genótipo de Babesia sp. proveniente de pools de larvas e de ninfas de A. incisum, coletados em vida livre. Na investigação da presença de bactérias do gênero Coxiella, 14 amostras de diferentes espécies do gênero Amblyomma (A. aureolatum, A. brasiliense, A. incisum, A. naponense e A. sculptum) foram positivas, e as análises de homologia utilizando o marcador molecular 16S rDNA foram compatíveis com Coxiella endosimbiontes de carrapatos.
Detecção e caracterização de coronavirus aviário em aves silvestres de cativeiro
As aves silvestres são consideradas importantes reservatórios de diversos vírus aviários que podem afetar aves comerciais. Dessa forma, o monitoramento das aves silvestres é fundamental para garantir a sanidade dos plantéis avícolas brasileiros. Nos últimos anos, o número de espécies de aves nas quais os coronavírus aviários foram encontrados aumentou vertiginosamente em diversos países. Contudo, poucos estudos envolvendo a detecção de coronavírus aviários em aves de cativeiro e aves silvestres ou sinantrópicas foram realizados no Brasil. Assim, o presente estudo teve como objetivo identificar a presença dos coronavírus aviários em aves silvestres no Brasil e caracterizá-los molecularmente. As amostras foram testadas através do teste de RRT-PCR para detecção do gene UTR do IBV, bem como uma nested-PCR para detecção do gene S1 dos coronavírus aviários. O sequenciamento de alto desempenho foi utilizado para caracterizar os vírus detectados. No total, foram testadas 300 amostras de aves silvestres (147 suabes orofaringeanos e 153 suabes cloacais). No total, 27 amostras foram positivas pelo teste RRT-PCR. Duas amostras de Anseriformes das amostras positivas no teste de RRT-PCR foram selecionadas para sequenciamento de alto desempenho. Em ambas as amostras sequenciadas foi constatada a co-infecção pelos vírus da bronquite infecciosa e vírus da doença de Newcastle. A análise das amostras demonstrou alta identidade com vírus vacinais, o que demonstra que estirpes vacinais utilizadas na imunização de aves de produção circulam em aves silvestres e de produção de subsistência.
Pesquisa de Vibrio parahaemolyticus em atum (Thunnus spp) comercializado na zona sul do município de São Paulo ? SP
Com o objetivo de avaliar a presença de Vibrio parahaemolyticus em atum, foram coletadas 112 amostras, sendo 56 durante o inverno de 2003 (junho a julho) e 56, durante o verão de 2003-2004 (dezembro a janeiro), vendidos em diversos pontos comerciais da zona sul da cidade de São Paulo. Foi determinado o Número Mais Provável (NMP) de Vibrio parahaemolyticus, comparando a contaminação observada durante os dois períodos. As cepas foram estudadas quanto à produção de urease, ao fenômeno de Kanagawa e à sensibilidade a antibióticos. Apenas 2,68% das amostras foram positivas (3/112). Dessas, duas amostras foram coletadas no verão e uma, no inverno. A amostra positiva obtida no inverno apresentou 3 NMP/g, as outras duas, coletadas durante o verão, apresentaram respectivamente, 3 e 4 NMP/g. Todas as cepas isoladas de Vibrio parahaemolyticus foram negativas ao teste de Kanagawa e não produtoras de Urease, não apresentando nenhuma característica patogênica. Todas as cepas foram resistentes a ampicilina, eritromicina, estreptomicina penicilina G, polimixina B e vancomicina. Apresentaram susceptibilidade intermediária a ciprofloxacina, kanamicina e gentamicina, e sensibilidade a ácido nalixídico, cloranfenicol e tetraciclina. Conclui-se que, nas condições desse estudo, o sashimi de atum revelou-se um alimento de baixo risco ao consumidor, no que se refere a infecção (toxigênica) por Vibrio parahaemolyticus
Influência do fotoperíodo e da temperatura na diapausa comportamental de larvas não-alimentadas de Amblyomma cajennense (Acari: Ixodidae) provenientes de Pirassununga, São Paulo, Brasil
A diapausa comportamental em carrapatos é caracterizada pela perda temporária da agressividade do indivíduo, tendo como conseqüência o prolongamento do período sem alimentação, sendo detectada em larvas de Amblyomma cajennense. Esta espécie destaca-se como principal vetor da Febre Maculosa no Sudeste brasileiro. Este estudo objetivou avaliar os efeitos do fotoperíodo e da temperatura na regulação da diapausa comportamental em larvas não-alimentadas de A. cajennense. Para isso, fêmeas ingurgitadas foram obtidas de eqüinos naturalmente infestados de Janeiro à Fevereiro de 2005 e 2006. No laboratório, cada grupo experimental foi composto por oito fêmeas ingurgitadas colocadas em vaso contendo capim braquiária (Brachiaria decumbens). Cada vaso foi exposto a uma condição de temperatura e fotoperíodo dentro de incubadoras B.O.D. (Marconi MA 402). A fotofase foi estabelecida por 4 lâmpadas (Philips TLT 75RS Extra luz do dia 20w) e a escotofase pela ausência total de luz. Os parâmetros biológicos observados foram período de pré-postura, incubação dos ovos, de permanência das larvas debaixo do capim e de presença de larvas na ponta do capim (comportamento de busca pelo hospedeiro). Paralelamente, verificou-se o poder infestante de larvas em diapausa para frangos (Gallus gallus), em comparação com larvas em não diapausa. Os resultados obtidos demonstram que, sob variação de fotoperíodo com temperatura constante de 25oC, a duração do intervalo de pré-postura e de incubação dos ovos foi semelhante em todos os grupos experimentais (1 a 2 semanas para período de pré-postura e 5 semanas para período de incubação dos ovos). Observou-se que a combinação de fotoperíodo 14:10 (claro:escuro) induziu a diapausa, sendo que o fotoperíodo de 12:12 ou 10:14 determinaram o término da diapausa. Em outras combinações de fotoperíodo, onde larvas estiveram no fotoperíodo de 12:12 ou 10:14 desde a eclosão, a aglomeração nas pontas do capim ocorreu dentro das primeiras semanas de vida das larvas. Larvas mantidas em fotoperíodo 12:12 e 10:14 não entraram em dormência e larvas mantidas em condição de fotoperíodo de 14:10 permaneceram no solo por tempo maior que as outras. No entanto, a diminuição da temperatura de 25 para 15oC, no fotoperíodo constante de 14:10, induziu o término da diapausa. Em todos os experimentos realizados sob fotoperíodo de 10:14, nenhum dos regimes de temperatura foi eficiente para induzir a diapausa. Houve diferença no intervalo de incubação dos ovos entre grupos experimentais com temperatura de 25 e 20oC. Não houve diferenças significantes (P > 0,05) entre proporções de larvas em diapausa e em não diapausa que se ingurgitaram nos frangos, embora larvas em diapausa apresentaram período parasitário significativamente mais longo (P < 0,05). Conclui-se que a diapausa em larvas de A. cajennense é induzida somente se a condição de fotoperíodo estiver com maior número de horas de claro (14:10) durante a eclosão das larvas. Temperaturas de 20 ou 25oC não são capazes de induzir a diapausa, quando mantidas em fotoperíodo 12:12 ou 10:14. O término da diapausa é desencadeado tanto pela mudança de fotoperíodo (14:10 para 12:12 ou 10:14) como pela diminuição da temperatura de 25 para 15oC.
Ocorrência de patógenos transmitidos por carrapatos (Anaplasma spp, Babesia spp, Ehrlichia spp, Hepatozoon spp e Rickettsia spp) em lobos guará (Chrysocyon brachyurus) e cães domésticos na região do Parque Nacional da Serra da Canastra, Minas Gerais, Brasil
No período de julho de 2004 a junho de 2012, foram realizadas 104 capturas de lobos-guará. Os animais foram contidos quimicamente para coleta de material biológico. Carrapatos foram encontrados em 94 lobos e enviados ao Laboratório de Doenças Parasitárias da FMVZ-USP, onde foram identificados com auxílio de estereomicroscópio e chaves taxonômicas. Das amostras analisadas, foram encontradas 72 larvas, 188 ninfas e 911 carrapatos adultos, pertencetes as espécies Rhipicephalus microplus, Amblyomma spp., Amblyomma cajennense, Amblyomma ovale, Amblyomma brasiliense, Amblyomma tigrinum. O presente trabalho registra pela primeira vez larva de R. microplus e adulto de A. brasiliense parasitando C. brachyurus no país, reforçando os achados prévios da literatura destas espécies de carrapatos utilizarem os lobos-guará como hospedeiros. Sangue e soro também foram coletados durante contenção química, 67 amostras de sangue total de lobos guará e 52 carrapatos adultos foram testados através da técnica de Reação em Cadeia de Polimerase (PCR) para a pesquisa de DNA de Anaplasma spp., Babesia spp., Ehrlichia spp., Hepatozoon spp. e Rickettsia spp. Foi realizada a sorologia para a pesquisa de anticorpos anti-Rickettsia spp. para 210 amostras de soro de cães domésticos e 43 foram positivas. Quatro indivíduos apresentaram reação homóloga para R. parkeri, dois para R. rhipicephali, um para R. rickettsii. Alem disso, foram testadas 88 amostras de soro de lobo guará e, destas, 84 foram positivas para pelo menos uma das espécies de Rickettsia e indicaram reação homóloga para R. parkeri e R. rhipicephali. Foram testadas 84 amostras de soro de lobo-guará na sorologia para Ehrlichia canis e, destas, 16 foram positivas. Nos testes moleculares foi detectada e confirmada a presença de H. canis, H. felis, R. parkeri já descritas para os hospedeiros vertebrados e invertebrados testados no estudo e ainda o primeiro registro em A. tigrinum de Candidatus R. andeanae e Candidatus Midichloria mitocondrii
Avaliação e proposta de reestruturação do sistema de vigilância da raiva humana, canina e felina no Estado de São Paulo
O Estado de São Paulo encontra-se em uma situação epidemiológica da raiva humana, canina e felina que permite a declaração de área livre de raiva humana transmitida por cães (AgV-2). Entretanto, a vigilância precisa ser avaliada e capaz de detectar a doença com velocidade e sensibilidade. O objetivo do presente estudo foi avaliar a situação epidemiológica da raiva, o seu sistema de vigilância e propor uma reestruturação com base em vigilância baseada em risco. A situação epidemiológica foi avaliada de maneira descritiva. A avaliação foi realizada com o guia de avaliação de sistemas de vigilância do Centro de Controle de Doenças dos Estados Unidos. A proposta de reestruturação foi realizada com árvores de cenários da sensibilidade do sistema e uma proposição, com cálculos de probabilidade, de amostragem para maximizar tal sensibilidade. A situação epidemiológica mostrou que não houve casos de raiva humana entre 2003 e 2013 e que os casos em cães e gatos são esporádicos, dispersos no tempo e no espaço e ocasionados pelas AgV-3 e AgV-4, não sendo registrados casos pela AgV-2 também há mais de dez anos. Para cães e gatos, a vigilância foi dependente de estrutura específica dos serviços locais para enviar amostras de cérebro para os laboratórios (baixa simplicidade). Os veterinários privados tiveram baixa participação e percepção sobre o sistema (baixa aceitabilidade). A área sem vigilância em cães cresceu 30% entre 2003 e 2013 (baixa representatividade). Recebendo cães com sintomas associados à raiva, 39% dos serviços locais e 72% dos veterinários privados não suspeitaram de raiva em 2012 (baixa sensibilidade). O tempo entre o início dos sintomas e o resultado laboratorial dos cães suspeitos, em 2012 e 2013, foi, em média, 25 dias (baixa oportunidade). Os indicadores mostraram que o sistema tem baixa capacidade de detectar a doença precocemente. Se os esforços de amostragem para vigilância em cães forem direcionados aos animais com sintomas neurológicos (mesmo os inespecíficos de raiva), em ação conjunta entre médicos veterinários privados e serviços locais de controle de zoonoses, a sensibilidade do sistema chegaria ao máximo, utilizando-se da estrutura laboratorial de diagnóstico já existente.
2015
Camila Marinelli Martins
Levantamento de agentes infecciosos nas sub-populações de sauim-de-coleira (Saguinus bicolor) na cidade de Manaus, Estado de Amazonas
Estudos tem salientado que a expansão urbana, fragmentação do habitat, desmatamento e sobreposição das áreas de vida das populações humanas e silvestres tem constribuido para o surgimento de doenças emergentes e reemergentes nas últimas décadas. A paisagem da floresta amazônica vem sofrendo constantemente a dominância antropica e como resultado suas populações silvestres encontram-se cada vez mais expostas ao contato com populações humanas e domesticas com um alto risco de transmissão de agentes infecciosos. A cidade de Manaus, localizada na Amazônia Brasileira, tem afrontado um crescimento desordenado e vertiginoso devido ao seu desenvolvimento industrial causando uma alteração constante em sua paisagem; representando um modelo potencialmente útil para entender os mecanismos de transmissão de doenças. Os primatas são as espécies evolutivamente mais próximas dos humanos e essa proximidade filogenética tem facilitado o compartilhamento de diversos agentes infecciosos. O presente estudo propõe utilizar subpopulações de sauim-de-coleira (Saguinus bicolor) que ocupam os fragmentos urbanos de Manaus como espécie sentinela, para avaliar a presença de agentes infecciosos na interface-humano primata. A pesquisa objetiva também determinar se a perturbação antrópica dos locais de estudo estaria favorecendo a transmissão desses agentes. Entre os anos 2011 e 2014 um total de 55 sauins de coleira foram capturados em 9 fragmentos florestais urbanos e 1 area controle. Análises moleculares foram realizados para detectar Rotavirus A, Hantavirus, Coronavirus, Flavivirus, Enterovirus, Influenza A, Adenovirus, Metapneumovirus, Virus Sincitial Respiratório Humano, Parainfluenza 1, 2, 3, 4, Virus do Oeste de Nilo e Plasmodium spp. Os resultados indicaram uma prevalência para Hantavírus de (4/48), Rotavírus (9/48). Pela primeira vez é detectada a presença de hantavírus em primatas neotropicais. Nossos dados indicaram que a presença de infeção estaria associada com a existência de algum tipo de impacto antrópico nos locais pesquisados. Nenhum indivíduo resultou infectado na area controle.
Acarofauna of reptiles and amphibians of Brazil: Morphological and molecular studies and pathogens research
Brazil is a megadiverse country in herpetofauna, with 796 species of reptiles, and 1,080 species of amphibians. The high urbanization and the marked deforestation have increased the number of human-herpetofauna encounters. This fact has made some species to be considered currently as synanthropic. Reptiles and amphibians are known amplifiers and reservoirs of several pathogens, yet the role of these animals in the cycle of diseases and the vector potential of the ectoparasitic mites of these vertebrates are poorly known. These hosts are parasitized by more than 500 species of mites, distributed in 61 genera of 13 families that belong to the Trombidiformes (Acariformes), Mesostigmata and Ixodida (Parasitiformes) orders. In the Brazil context, the fragmentary records of species of mites of these orders, especially in the north and northeast regions, their taxonomic complexity and the scarce information regarding their role in the epidemiology of diseases, where the main reasons to pursue the proposition of the present study. Mites of reptiles and amphibians deposited in the Acari collection of the Instituto Butantan (IBSP) were reviewed and identified. Six other collections in various places where also visited (Argentina, Brazil, United States, France and Belgium). Also, mites collected at the animal reception site of the Instituto Butantan, and from field collections were also identified. Part of this material was prepared for molecular studies and phylogenetic inference using ribosomal and mitochondrial genes, and another part of the material was used to assess the presence of Borrelia spp., Coxiella spp., Hepatozoon spp. and Rickettsia spp. Of the subclass Acari, Six families, 12 genera and 32 species of Trombidiformes mites were identified, 23 occurring in Brazil, increasing six new species to the Brazilian territory. The Oribatid mite A. longisetosus was identified apparently parasitizing a frog, which is a new host-parasite association. Six families, 11 genera and 17 species of Mesostigmata mites were identified, wit 16 species occurring in Brazil, with one new species described (Chironobius n. sp.). Two families, four genera and 19 species of ticks were identified, 17 occurring in Brazil, with one new species of argasid tick registered in Brazil, with an argasid tick of the genus Ornithodoros (Alectorobius). The total number of Acari parasites of herpetofauna in Brazil after this study is 56 species. Many hosts are new records, as well as, some of the localities are new records of distribution. 4,515 reptiles and amphibians were examined, of which 170 were infested with mites and ticks. Assessing blood smears allowed to correlate hemoparasitic presence with ectoparasitic prevalence, and the histologic slides of amphibians helped better characterize the typical lesion produced by intradermic mites of the genus Hannemania. A phylogeny inference using the 18S V4 rRNA gene for Acari was proposed that inferred a polyphyletic Acari, with different bootstrap values for the monophyly of Acariformes and Parasitiformes. Hepatozoon was detected in mite ticks and hosts blood. The sequences generated matched three main species with host and geographical delimitations (Hepatozoon sp. BT-2016, Hepatozoon sp. CCS-2010 and Hepatozoon ayorgbor). Three species were identified for the gltA gene for Rickettsia, and four species were identified for the OmpA gene for the Spotted Fever Group Rickettsia from ixodid ticks, trombiculid, pterygosomatid, and Mesostigmata mites. None of the hosts tissue samples tested yielded positive. Rickettsia bellii in A. sculptum is a new report and the presence in a Eutrombicula alfreddugesi mite, is unprecedented. Rhickettisa rhipicephali was detected for the first time on Mesostigmata mites. Rickettisa amblyommatis was detected for the first time in A. rotundatum. The detection of R. aeschlimannii from a macronyssid mite (O. natricis), is unprecedented, and R. rickettsii in Pterygosomatidae mites is also a new report. The detection of SFG Rickettsia species on reptile mites (Mesostigmata and Pterygosomatidae) highlights the importance of an integrative assessment of ectoparasites of reptiles mainly due to the fragmentation of the habitat, which, consequently, prompts to a greater number of occurrences between humans, herpetofauna and acarofauna.
2019
Jairo Alfonso Mendoza Roldan
Ocorrência de rotaviroses em criações de suínos em diversos estados brasileiros
As diarréias neonatais constituem-se em um dos mais importantes fatores econômico e sanitário nas granjas suínas, quer pela mortalidade, quer pelas perdas agregadas ao atraso no desenvolvimento dos leitões, à profilaxia e ao manejo. Os rotavírus ocupam lugar de destaque pela rápida disseminação dentro do plantel, bem como pelo potencial zoonótico, dada a probabilidade de rearranjo ou recombinação genética entre amostras humanas e animais O objetivo deste trabalho foi detectar a presença de rotavírus a partir de 277 amostras fecais de leitões com quadro clínico de diarréia, provenientes dos Estados do Rio Grande do Sul (RS), Santa Catarina (SC), Paraná (PR), Mato Grosso do Sul (MS), Mato Grosso (MT), São Paulo (SP), Rio de Janeiro (RJ) e Minas Gerais (MG) entre os anos de 2009 e 2011 e analisar o perfil eletroforético de migração dos segmentos genômicos bem como diferenças de eletroferótipos nas amostras positivas, pela técnica de eletroforese em gel de poliacrilamida (PAGE). Das 277 amostras fecais diarréicas de leitões analisadas, 25 foram positivas (25/277= 9%). De conformidade com os Estados de origem, foram verificadas as frequências de 20% (1/5) no RS, 11,1% (1/9) em SC, 12,5% (1/8) no PR, 15,3% (6/39) em MS, 14,2% (3/21) em MT, 6,7% (5/74) em SP, 0% (0/7) no RJ e 7% (8/114) em MG. Pela análise da migração eletroforética dos segmentos genômicos, todas as 25 amostras positivas apresentaram perfil eletroforético compatível com o RV-A, tal como a amostra padrão NCDV com migração característica em quatro classes ou agregados [4-2-3- 2]. Foram observadas pequenas diferenças na velocidade de migração de um ou mais segmentos dentro da mesma classe. Estes resultados evidenciam a importância da PAGE como metodologia de diagnóstico e de investigações epidemiológicas nas rotaviroses suínas.
Métodos moleculares aplicados ao diagnóstico da tuberculose bovina
A tuberculose é uma das principais preocupações da Organização Mundial da Saúde, principalmente após o surgimento da AIDS que alavancou os índices da doença, sendo considerada a principal causa de morte por um único agente. Além do M. tuberculosis, agente responsável pela doença em humanos, outra manifestação importante é a tuberculose em bovinos causada pelo M. bovis, que também apresenta importância epidemiológica, devido à transmissão para o homem pela ingestão de alimentos contaminados, e a escassez de dados com relação à sua prevalência na população. Programas de controle da doença nos rebanhos bovinos existem em todo o mundo, e os maiores índices da doença encontram-se nos países em desenvolvimento. Estes programas estão baseados na identificação dos animais positivos, por meio de testes de tuberculina e sacrifício dos mesmos. Lesões encontradas em exames post-mortem podem ser submetidas a estudos bacteriológicos para o isolamento e identificação do agente e histopatológicos para a caracterização da lesão, os quais demandam meses para a sua conclusão. Com o advento da biologia molecular, novos métodos são propostos para a diminuir o tempo do diagnóstico de meses para poucos dias. Com o intuito de proporcionar um panorama das novas metodologias moleculares, como a técnica de PCR, empregadas no diagnóstico da tuberculose bovina, realizou-se uma revisão bibliográfica, apresentando as vantagens e dificuldades das mesmas. Apesar dos avanços alcançados com estas técnicas, a padronização de métodos viáveis para a rotina de diagnóstico laboratorial ainda não foi obtida, sendo essencial o investimento em pesquisas com o objetivo de solucionar estas barreiras.
2004
Ana Paula Macedo Ruggiero
Avaliação da viabilidade de oocistos esporulados de Neospora caninum a diferentes condições de temperatura e ação de desinfetantes
Neospora caninum é um parasita Apicomplexa que causa doença neuromuscular em cães e abortamento em bovinos. Cães e coiotes são as únicas espécies reconhecidas como hospedeiros definitivos, nas quais ocorre a fase sexuada do ciclo evolutivo do N. caninum, com eliminação de oocistos através das fezes, os quais esporulam no ambiente e tornam-se infectantes. Apesar da importância dos oocistos como fonte de infecção para várias espécies de hospedeiros, a viabilidade e resistência desses oocistos a tratamentos físicos e químicos ainda são desconhecidas. Este estudo teve por objetivo avaliar a viabilidade de oocistos esporulados de N. caninum após tratamentos com diferentes desinfetantes, temperaturas e tempos de exposição. Três cães foram alimentados com tecido cerebral de búfalos soropositivos para anticorpos anti-N.caninum pela reação de imunofluorescência indireta (RIFI 100) para a obtenção de oocistos. Desses, somente um cão eliminou oocistos tipo Neospora-Hammondia sendo confirmado serem de N. caninum por bioensaio em gerbilos e por métodos moleculares (PCR-RFLP). Os oocistos esporulados foram purificados e 11 alíquotas contendo aproximadamente 3000 oocistos por alíquota constituíram cada um dos tratamentos, sendo estes: Formol 10% por 1h; Amônia 10% por 1h; Álcool 70% por 1h; Álcool absoluto por 1h; Iodo 2% por 1h; Hipoclorito de sódio 10% por 1h; Temperatura ambiente, controle; -20ºC por 6h; 4ºC por 6h; 60ºC por 1m e 100ºC por 1m. Os tratamentos químicos foram todos realizados à temperatura ambiente. Após tratamento os oocistos foram divididos em alíquotas com 1000 oocistos cada e estas foram administradas, via oral, a gerbilos (1000 oocistos por gerbilo) sendo cada grupo experimental constituídos por três animais. Depois de 63 dias os gerbilos foram sacrificados e colheu-se sangue para a pesquisa de anticorpos anti-N. caninum (RIFI e western blotting) e tecidos para a pesquisa de cistos em esfregaço direto de cérebro e DNA do parasito (PCR em tempo real), além de pesquisa do agente por técnicas histopatológicas e imuno-histoquímica. Considerou-se eficaz o tratamento que confirmou a inviabilidade dos oocistos por resultados negativos em todas as cinco provas realizadas. Dos tratamentos realizados mostrou-se eficaz o uso de calor a 100ºC por 1 minuto e do hipoclorito de sódio a 10% por 1 hora, podendo ser estes indicados para o controle dessas formas no ambiente.
2009
Aldo Francisco Alves Neto
Estudo da dinâmica populacional canina e felina e avaliação de ações para o equilíbrio dessas populações em área da cidade de São Paulo, SP, Brasil
Procurou-se avaliar o comportamento da população humana do bairro Vargem Grande, município de São Paulo, SP, no período de 2005 a 2008, em relação à guarda de cães e gatos com ênfase aos aspectos sanitários e de bem estar. Paralelamente, buscou-se avaliar a dinâmica dessas populações animais e o impacto do controle reprodutivo e ações de saúde. Verificou-se que há uma alta renovação das populações canina e felina, conseqüência de elevadas taxas de mortalidade e natalidade, e que as ações de esterilização contaram com média adesão quando eram gratuitas, sendo que essa adesão diminuiu quando o processo passou a ter preços simbólicos. Houve uma diminuição das taxas de natalidade após a instituição das ações de esterilização, entretanto, há necessidade de acompanhamento das ações por um período mais extenso.
2009
Rita de Cássia Maria Garcia
Análise comparativa de genomas de estirpes de Streptococcus suis isoladas de suínos no Brasil
Streptococcus suis é um patógeno de grande importância na indústria suína sendo capaz de provocar diferentes quadros clínicos em animais de várias idades e, além disso, também é considerado um agente zoonótico. Dessa forma, é de extrema importância a caracterização das estirpes que causam doença em suínos no Brasil. Os objetivos deste estudo foram a caracterização fenotípica e genotípica de 215 estirpes de S. suis isoladas entre os anos de 2001 e 2016, de suínos com sinais clínicos de infecção, provenientes de diferentes Estados do Brasil. Para tanto, as estirpes isoladas neste período e mantidas a -86C foram reativadas e submetidas à confirmação da identificação por PCR e espectrometria de massa MALDI-TOF. Em seguida, foi realizada sorotipagem molecular e a identificação de genes de virulência pela PCR, e a foi realizada a genotipagem pelas técnicas de AFLP e PFGE. Para a identificação dos perfis de resistência aos antimicrobianos foi utilizada a técnica de microdiluição em caldo, obtendo os valores de concentração inibitória mínima (CIM). A partir dos resultados fenotípicos e genotípicos foram selecionadas 24 estirpes para o sequenciamento do genoma utilizando a plataforma Illumina® MiSeq. O sorotipo mais frequentemente identificado foi o 2 / ½ (82,8%); seguido em menor proporção pelos sorotipos 3, 4, 6, 7, 8, 9, 18, 27, 28, 1 / 14, sendo apenas seis estirpes não tipaveis (NT). Para caracterização do perfil de virulência foram avaliados quatro genes sly, arcA, epf e as variantes de mrp sendo identificados 11 perfis de virulência nas estirpes estudadas. A genotipagem por AFLP identificou 30 perfis genotípicos e a técnica de PFGE identificou 64 pulsotipos. Para ambas as técnicas não foi identificada uma correlação clara entre dados epidemiológicos e genotípicos, mas pode-se observar uma tendência de agrupamento das estirpes por ano de isolamento. A partir dos resultados de CIM foram identificados nove perfis de susceptibilidade aos antimicrobianos com 72,1% das estirpes classificadas como multirresistentes. Foram detectadas altas taxas de resistência às tetraciclinas, macrolídeos, clindamicina e sulfadimetoxina, enquanto beta-lactâmicos e florfenicol foram os antimicrobianos mais eficazes. A partir da análise genômica não foram detectados marcadores de plasmídeos e apenas três genes de resistência foram identificados nos genomas brasileiros; destaca-se o gene ermB, que codifica resistência à macrolídeos e lincosamidas, que foi detectado em 79,2% das estirpes estudadas. Foram identificadas oito novas sequências de alelos na MLST e uma nova combinação alélica, de tal forma que foram identificadas seis novas sequências tipo (STs) dentre os 24 genomas analisados. A partir do mapeamento das nove estirpes do sorotipo 2 foi identificado um elemento genético móvel (CMGETZ080501), relacionado à resistência aos antimicrobianos, em sete destas; as duas estirpes Brasileiras do sorotipo 2 que se diferenciam das demais (45 e 47) foram as mais sensíveis. Em relação às cinco estirpes do sorotipo 3, foi observado no mapeamento que duas destas se distanciam das demais e apresentam maior similaridade ao genoma da referência do sorotipo 4. Este resultado também foi verificado tanto na wgSNP quanto na análise da MLST, confirmando que a caraterização capsular de S. suis não deve ser utilizada como um indicativo de similaridade genética. Tendo em vista a variabilidade genética e a alta frequência de multirresistência identificada nas estirpes de S. suis circulantes no país, é possível avaliar as razões para que o controle do agente continue sendo um grande desafio para a suinocultura intensiva nacional.
2020
Carlos Emilio Cabrera Matajira
Modelagem matemática e análise econômica de estratégias de controle para brucelose bovina
A brucelose é uma das zoonoses mais difundidas por todo o mundo, ocasionando impactos econômicos importantes e se provando como uma doença de difícil erradicação. A viabilidade econômica é um fator importante na adoção de medidas sanitárias, sendo assim, através da aplicação de um modelo matemático, associado à composição de indicadores econômicos, este trabalho avaliou a eficiência da vacinação e do teste e abate, representados através da cobertura vacinal e eficiência de detecção do sistema de vigilância, como medidas de controle da brucelose bovina em três estados brasileiros: Mato Grosso, Rio Grande do Sul e São Paulo. A vacinação se mostrou uma ferramenta muito eficiênte no estado do Mato Grosso, onde obteve uma relação benefício custo de 9,6, porém, devido à baixa prevalência inical a relação benefício custo da mesma medida no Rio Grande do Sul foi de 0,5, onde a manutenção de altas coberturas vacinais apresentou prejuízo econômico. A eficiência econômica da erradicação através do teste e abate se mostrou diretamente relacionada à eficiência do sistema de vigilância na deteção de animais infectados. No Mato Grosso o cenário com maior eficiência do sistema de vigilância e a retirada precoce da vacinação resultou no maior valor presente líquido, R$ 3,95 bilhões, contrastando diretamente com o cenário mais pessimista, que resultou em R$ 2,93 bilhões. Devido à baixa prevalência inicial, no estado do Rio Grande do Sul só houve lucro no controle da doença nas simulações onde se inicia imediatamente o teste e abate com um sistema de vigilância eficiente. Concluiu-se que havendo capacidade do sistema de vigilância a adoção do teste e abate é o cenário onde há maior lucro e não havendo uma vigilância capaz de detectar animais infectados com eficiência a manutenção da vacinação é a medida que obtem os menores prejuízos.
Resistência a colistina: Papel do suíno como reservatório de genes mcr-1, mcr-2, mcr-3, mcr-4 e mcr-5 em sistemas de produção intensiva no Brasil
A distribuição global de genes de resistência à colistina mediada por plasmídeos, como mcr-1, mcr-2, mcr-3, mcr-4 e mcr-5 representa uma preocupação para a saúde pública, uma vez que a colistina é utilizada como a última linha de defesa para o tratamento de infecções causadas por bactérias Gram-negativas multirresistentes em infecções hospitalares em humanos. Décadas de uso de antimicrobianos na suinocultura intensiva, seja como facilitadores de crescimento, na forma metafilática ou terapêutica, contribuíram com a seleção de estirpes bacterianas resistentes, e o isolamento de enterobactérias resistentes a colistina se tornou muito frequente nesta espécie animal. Considerando a importância da disseminação dos genes de resistência plasmidiais, o presente estudo tem por objetivos avaliar a frequência de animais carreando estirpes de enterobactérias resistentes a colistina e a disseminação dos genes de resistência mcr-1, mcr-2, mcr-3, mcr-4 e mcr-5 em 25 sistemas de produção de suínos localizados em diferentes estados do Brasil. Amostras de fezes de suínos foram semeadas em meio seletivo para enterobactérias contendo colistina e as colônias isoladas foram identificadas por espectrometria de massa MALDI-TOF. As estirpes de Escherichia coli identificadas foram submetidas à pesquisa dos genes mcr-1, mcr-2, mcr-3, mcr-4 e mcr- 5 pela reação em cadeia pela polimerase. A identificação e descrição dos genes relacionados a resistência a colistina em animais de produção no Brasil é de grande importância para conscientização dos produtores e responsáveis cadeia de produção sobre a necessidade de redução no uso deste ativo e para embasar medidas de controle por parte dos órgãos oficiais.
Avaliação da virulência de isolados suínos de Mycobacterium avium no Brasil caracterizados pelo método de RFLP
Dada a existência de quatro famílias molecularmente distintas de estirpes de Mycobacterium avium isoladas de suínos da região Sul do Brasil e a verificação de diferentes virulências em hamsters de um representante por família, o presente trabalho objetiva relacionar a virulência de isolados de M. avium aos seus perfis genéticos obtidos em experimentos de RFLP. Foram selecionados três representantes por família que foram inoculados pela via intraperitoneal em hamsters distribuídos em doze grupos (cada grupo recebeu uma estirpe diferente). Foi mantido um grupo controle que recebeu solução salina estéril pela mesma via. Após 16 dias da inoculação, os animais foram eutanasiados; os baços foram colhidos, pesados, macerados, suspendidos em solução salina estéril e diluídos. Cada uma das diluições foi semeada em duplicata em placas com meio de Petragnani, que foram incubadas a 37°C. Após 30 dias de incubação, foram realizadas as contagens de UFC e os resultados foram expressos em UFC de M. avium por grama de baço. As famílias genéticas apresentaram capacidade de virulência semelhante (p=0,49). As estirpes dentro das famílias PIG B e PIG D não apresentaram diferença na virulência (p=0,15 e p=0,87, respectivamente). Dentro da família PIG A, o isolado A52 foi mais virulento do que A1 e A162; a estirpe C122 se apresentou menos virulenta do que as estirpes C44 e C68 dentro da família PIG C. Independente das famílias, todos os isolados apresentaram diferenças na virulência. A estirpe A52 mostrou maior capacidade de virulência em relação às estirpes A1, A162, B72, C122, D242 e 243. Diferentes contagens de UFC significam diferentes capacidades de produzir infecção, ou seja, diferentes virulências. Concluiu-se que isolados de M. avium com diferentes perfis de RFLP podem apresentar diferentes virulências, independentemente de pertencerem a uma mesma família genética definida com base na similaridade dos padrões de RFLP; não houve diferença de virulência entre as quatro famílias genéticas de M. avium estruturadas com base na similaridade dos padrões de RFLP.
Filogenia de vírus da raiva isolados de morcegos frugívoros do gênero Artibeus e relacionados a morcegos hematófagos com base nos genes codificadores da nucleoproteína N e glicoproteína G
Morcegos vêm recebendo crescente importância em Saúde Pública, pois são os principais reservatórios para a raiva em diversas partes do mundo. Estudos filogenéticos baseados no gene N demonstraram que os vírus da raiva (RABV) encontrados em morcegos frugívoros Artibeus spp. são próximos àqueles associados ao morcego hematófago Desmodus rotundus, mas pouco se conhece sobre a diversidade genética do RABV nestes morcegos. Este estudo teve como objetivos avaliar a filogenia de linhagens do RABV variante três (AgV3) relacionadas a morcegos Artibeus spp. e D. rotundus, com base em sequências do gene N e do gene G, e a possibilidade de distinção entre isolados de vírus da raiva detectadas em Artibeus spp. e D. rotundus para a epidemiologia molecular da raiva. Vinte amostras do RABV isoladas de Artibeus spp. e 15 obtidas de bovinos e relacionadas ao D. rotundus, todos do Estado de São Paulo, Brasil, foram submetidas a RT -PCRs, e os amplicons gerados submetidos ao sequenciamento de DNA, e as sequências alinhadas com sequências homólogas obtidas do GenBank para a construção de árvores Neighbor-Joining de nucleotídeos (modelo MCL) e aminoácidos (modelo Poisson), utilizando European bat lyssavirus 1 (EBLV1) como outgroup. A árvore filogenética gerada para o gene N demonstrou a formação de três grupos apoiados em bootstraps de no mínimo 60%. Estes grupos foram denominados como grupo D, exclusivamente com isolados relacionadas ao D. rotundus e A1 e A2 principalmente com isolados de Artibeus spp., enquanto que para o gene G, segregaram em duas linhagens, ou seja, relacionadas ao D. rotundus (grupo D) e relacionadas ao Artibeus spp. (grupo A). Para todos os grupos as identidades de aminoácidos foram superiores às de nucleotídeos, uma indicação da predominância de substituições sinônimas. Concluindo, padrões gênero-específicos para isolados do RABV AgV3 foram detectados em D. rotundus e Artibeus spp., com uma topologia concordante para linhagens fixas em cada um destes quirópteros. Estes resultados mostram uma intrincada relação com o hospedeiro na história evolutiva do RABV, sob o ponto de vista básico, como também a determinação das fontes de infecções na epidemiologia molecular da raiva.
2009
Willian de Oliveira Fahl