Repositório RCAAP
Avaliação do impacto do recurso de busca de condução intrínseca em pacientes chagásicos e não-chagásicos portadores de marca-passo
O conceito de estimulação cardíaca artificial vem mudando ao longo do tempo. A primeira indicação para implante de marca-passo (MP) definitivo foi o bloqueio atrioventricular total. Desde então, as indicações têm aumentado, assim como a complexidade dos dispositivos. Apesar de a estimulação apical do ventrículo direito ser usada há décadas, existem fortes evidências de que este modo de estimulação se associe ao aumento do risco de insuficiência cardíaca, de fibrilação atrial e da morbimortalidade. Diante disso, surgiu a necessidade de se empregar um modo de estimulação capaz de reduzir a estimulação ventricular desnecessária, promovendo a condução intrínseca, quando possível. O objetivo deste estudo foi avaliar o impacto do recurso da busca da condução intrínseca (BCI) no padrão da ativação ventricular em pacientes chagásicos e nãochagásicos portadores de marca-passo DDD. O estudo foi realizado entre março de 2005 e junho de 2007, sendo incluídos 30 pacientes, todos com atividade atrial estável e condução atrioventricular preservada e submetidos a um protocolo de estudo que incluiu sorologia para doença de Chagas, análise do MP pela telemetria e ecocardiograma com obtenção das medidas de dissincronia ventricular. Durante a telemetria, o intervalo atrioventricular foi ajustado para permitir a predominância do ritmo ventricular intrínseco ou a predominância do ritmo estimulado pelo MP, realizando-se o ecocardiograma durante o ritmo intrínseco e durante ritmo de MP. Após a realização do ecocardiograma, o parâmetro BCI foi programado em todos os pacientes. Realizou-se nova telemetria 60 dias após essa programação, com obtenção dos registros dos dados disponíveis na memória dos geradores, como a porcentagem de batimentos atriais e ventriculares estimulados pelo MP. Com a obtenção dos valores da impedância, amplitude, largura, carga e corrente média de cada pulso, calculou-se a longevidade estimada dos geradores. Dos pacientes incluídos neste estudo, 73,3% eram do sexo feminino e não-chagásicos. Nos pacientes chagásicos, a maioria era do sexo masculino. A idade média foi de 62,5 anos e não diferiu entre os dois grupos. A análise dos dados da telemetria do MP mostrou que, com programação da BCI, a porcentagem de batimentos ventriculares estimulados pelo MP foi significativamente mais baixa. Não houve diferença significativa entre as outras variáveis obtidas pela telemetria. Quando comparados aos não-chagásicos, os pacientes chagásicos apresentaram baixa frequência máxima de acoplamento atrioventricular e alta porcentagem de batimento ventricular estimulado pelo MP após a programação BCI. Sem a BCI, os dois grupos não apresentaram diferença significativa quanto às variáveis obtidas pela telemetria do MP. As medidas de dissincronia intraventricular obtidas ao ecocardiograma não diferiram entre os pacientes chagásicos e nãochagásicos, com e sem a busca da condução intrínseca programada. Demonstrou-se que a BCI foi capaz de reduzir o número de batimentos ventriculares estimulados pelo MP, aumentar a longevidade dos geradores de pulso e, apesar de não ter sido observada dissincronia ventricular durante a estimulação do ventrículo direito, reduziu significativamente o tempo de ativação sistólica das paredes lateral e septal dos ventrículos esquerdo e direito.
Argumentação em salas de aula de biologia sobre a teoria sintética da evolução
Esse trabalho discute ações que permeiam o discurso dos alunos quando inseridos em processos de ensino e de aprendizagem de ciências. O nosso foco é a argumentação de alunos do terceiro ano do ensino médio durante a discussão de questões sobre evolução, mais especificamente, relativas a aspectos da teoria sintética da evolução. Nossa principal questão de pesquisa foi: Como os alunos desenvolvem argumentos ao discutir questões sobre a teoria sintética da evolução? Essa questão se desdobra em outras questões mais específicas: (1) Que tipos de movimentos discursivos os alunos realizam na argumentação? (2) Que conceitos evolutivos os alunos mobilizam em seus argumentos? (3) Em que níveis epistêmicos de abstração os conceitos evolutivos são articulados nas justificações dos alunos? As discussões de questões relacionadas a aspectos da teoria sintética da evolução ocorreram em três turmas (A, B e C) após as unidades didáticas sobre evolução, lecionadas por seus respectivos professores. As unidades didáticas dessas três turmas também foram analisadas, de modo a examinarmos aspectos próprios a essas salas de aula, tais como: as características das escolas em que se deram as aulas; as dinâmicas desenvolvidas pelos professores para condução de suas aulas; os temas abordados por esses professores durante as aulas; algumas interações discursivas entre alunos e professores, como a autoria da iniciação dos episódios das aulas e o tipo de discurso de cada um deles; as formas como os alunos interferiam nas aulas, com ênfase nos conceitos e práticas epistêmicas que eles explicitavam em suas afirmações e questões que iniciavam episódios de conteúdo, bem como nos ajustes que tais interferências demandavam do professor. A maior compreensão desse conjunto de aspectos, que constituíram o contexto de cada turma, nos auxiliou a compreender os resultados de nossa análise da argumentação dos alunos dessas turmas. Os resultados desse trabalho mostram que os alunos das turmas A e C desenvolveram argumentos mais elaborados que os alunos da turma B. Esse resultado pode ser interpretado em termos de diferenças relevantes identificadas nos contextos das turmas A e C com relação ao contexto da turma B: nas turmas A e C, os alunos apresentaram um maior domínio dos conhecimentos conceituais de evolução, em comparação com a turma B. Esses alunos, em geral, articularam conceitos evolutivos de forma coerente, explorando diferentes níveis epistêmicos de abstração, ao trabalharem com aspectos teóricos e dados evolutivos. Já os alunos da turma B apresentaram dificuldades tanto com os conceitos evolutivos quanto com conceitos estudados em outras unidades didáticas e, mesmo, em outros anos escolares. As turmas A e C estavam em um mesmo colégio, com uma tradição mais voltada à investigação e foram lecionadas por professores doutores envolvidos com atividades de pesquisa. Já a turma B estudava em um colégio mais tradicional, em que a atitude investigativa dos alunos não era estimulada, sendo lecionada por uma professora que estava dando início à sua jornada na área investigativa. Além disso, os professores das turmas A e C limitaram as discussões de suas aulas ao âmbito dos conhecimentos da ciência, com os alunos respeitando tal delimitação. Isso não ocorreu na turma B, na qual, por mais que a professora tentasse avançar nos conceitos da unidade sobre evolução, os alunos interferiam na dinâmica das aulas levantando temas de ordem religiosa e fazendo constantes desafios à visão da ciência.
Engels como crítico do direito e da igualdade jurídica: a luta por direitos e sua ambiguidade
Este artigo trata do modo pelo qual Engels, procurando dar continuidade ao trabalho de Marx, debruça-se sobre o Direito e, em específico, sobre a questão da igualdade jurídica. O autor procura traçar uma oposição entre aquela igualdade que se coloca no “terreno do Direito” e a igualdade social a qual, segundo o autor do Anti-Düring, remete para além do Direito, do Estado e, no limite, para além da própria sociedade capitalista.
Fragmentos da revolta: apontamentos sobre a insurgência de black blocks em Belo Horizonte
O objetivo deste trabalho é investigar as insurgências de black blocs na cidade de Belo Horizonte nos anos de 2013 e 2014. Mais especificamente, voltamos nossa atenção para os processos que possibilitaram as manifestações dos blocos, buscando apreender o sentido atribuído às suas ações por alguns de seus participantes. Para isto, em primeiro lugar localizamos as manifestações de black blocs belo-horizontinos na interseção entre as definições e análises correntes sobre este tipo de ação direta e o contexto histórico, político e social brasileiro no qual black blocs emergiram. Segundo, analisamos dados provenientes de entrevistas semiestruturadas com alguns de seus militantes, contrapondo-os às nossas percepções em campo como observadores participantes em protestos, assembleias de ativistas, eventos de sociabilidade etc. Black blocs em Belo Horizonte, até certo ponto, são passíveis de serem analisados por meio dos quadro conceituais propostos pela literatura especializada, apresentando-se como uma tática militante, autônoma e horizontal de autodefesa para manifestantes, que sob a proteção do anonimato engajam-se em ações simbólicas de crítica ao sistema políticoeconômico vigente. Por outro lado, os blocos insurgentes na capital mineira herdam um histórico de lutas sociais específico, sendo atravessados por dinâmicas ideológicas, de classe e identidade que pouco têm que ver com suas versões estadunidenses, canadenses e europeias. Além disso, processos de transformação social recentes, associados em grande medida à emergência de novos parâmetros orientadores de avaliações pessoais e políticas, e a ascensão e popularização de tecnologias de informação e comunicação, têm levado black blocs à mobilização por vias outras que não a dos tradicionais grupos de afinidade.
Representações do professor de língua inglesa no ensino inclusivo dos alunos surdos
O presente estudo investiga as representações do professor de língua inglesa (LI) de escolas públicas do estado de Minas Gerais acerca da inclusão de alunos surdos no ensino regular. O objeto de pesquisa é o discurso do sujeito-professor, pois o sujeito se constitui na/pela linguagem. O sujeito é tomado como sócio-historicamente constituído, um sujeito do inconsciente e desejante. Como objetivo principal, buscam-se investigar as representações do professor acerca da sua prática pedagógica, da língua referente (LI), bem como as representações acerca dos alunos surdos e dos alunos ouvintes, da LIBRAS e do intérprete da LIBRAS. São as representações que levam à compreensão do que o professor faz na sua prática e como ele lida com o outro. A presente pesquisa em Linguística Aplicada apoia-se na análise do discurso francesa com contribuições de conceitos da Psicanálise. Trata-se de uma pesquisa de interpretação discursiva, considerando os gestos de interpretação, entendidos como os processos de identificação, e as filiações de sentido identificadas no discurso do sujeito. Para a formação do corpus da pesquisa, foram entrevistados oralmente os professores de LI e observadas algumas aulas para anotações de campo. Após a transcrição das entrevistas, uma análise linguístico-discursiva do corpus foi realizada, considerando a heterogeneidade que constitui cada sujeito, os equívocos no dizer, as contradições, as ressonâncias discursivas e as imagens que o sujeito apresenta e com as quais se identifica. Busca-se, nos gestos de interpretação, flagrar possíveis deslocamentos, bem como os processos de subjetivação do professor. A partir dessa análise, foi possível tecer uma rede de representações que revelaram as orientações práticas do docente. Partiu-se de uma problematização dos significantes inclusão e exclusão, traçando um breve percurso histórico da EI e da educação dos surdos (ES), uma vez que considerou-se a materialidade histórica do dizer do professor. Nas representações flagradas, percebeu-se a EI como uma impossibilidade no imaginário do professor, que se apresenta como alguém distante da imagem idealizada do docente descrita no discurso político-pedagógico. O aluno surdo e o aluno ouvinte são marcados pela imagem de sujeitos prejudicados pela EI. Notou-se, finalmente, que o professor oscila entre as posições enunciativas da inibição e da criação diante da inclusão de alunos surdos. Tal fato discursivo leva a apontar duas formações discursivas: inibi(a)ção e cri(a)cão.
Educação em saúde com adolescentes: uma análise sob a perspectiva de Paulo Freire
As atividades educativas em saúde realizadas com adolescentes estão centradas na biologia e fisiologia humanas abordando temas que são considerados importantes para o desenvolvimento saudável deste público. Para abordar estes temas tem sido utilizada a pedagogia tradicional fundamentada na transmissão do conhecimento e no relacionamento desigual entre educador e educando. Existem algumas iniciativas de mudança na prática, buscando utilizar os pressupostos da pedagogia dialógica. Apesar dos avanços relacionados com a ampliação do conceito de saúde e do incremento da participação dos educandos em seu processo de aprendizagem, existe ainda uma lacuna entre teoria e prática. Propomos um estudo que objetiva analisar princípios educacionais de Paulo Freire em oficinas de promoção da saúde sexual com adolescentes. Para isso utilizamos a metodologiaqualitativa na modalidade de pesquisa participante. O cenário da pesquisa foi uma escola estadual do município de Ouro Branco, Minas Gerais. Participaram do estudo quatorze adolescentes com idade entre quinze e dezoito anos regularmente matriculados na escola. Os dados foram coletados por meio de nove oficinas educativas e do diário de campo. A estratégia para interpretar e agrupar as falas dos adolescentes e educadores durante as oficinas, por critérios de sentido, foi a análise de conteúdo, utilizada em pesquisas qualitativas. A análise do material das oficinas e dos diários de campo se deu a partir de três núcleos temáticos. O primeiro núcleo refere-se às oficinas e suas potencialidades, o segundo núcleo diz respeito aos processos de construção de conhecimentos pelos adolescentes e o terceiro inclui a promoção da saúde sexual e o princípio da dialogicidade de Paulo Freire. No primeiro núcleo, destacamos a pertinência e potencialidade da oficina para instaurar um campo de fala e escuta, que se conformaram como dispositivos pedagógicos constitutivos do tipo de educação desenvolvida. No segundo núcleo, identificamos que o processo de construção de conhecimento pelos adolescentes foi favorecido pela educação fundamentada nos princípios de Freire. Compreendemos o valor destas atividades, mas ao mesmo tempo, nos indagamos em que medida elas teriam favorecido a construção de conhecimentos e teriam levado ao desenvolvimento de novas relações entre o ser, o conhecer e o agir. No terceiro núcleo, observamos a materialização do diálogo na educação realizada bem como as condições favoráveis por ele fomentadas para a promoção da saúde sexual de adolescentes. Reconhecemos que o diálogo é princípio pedagógico ideal para tratar temáticas junto ao público adolescente por serem estes naturalmente indagadores e questionadores. O repensar sobre a pesquisa e sobre a utilização da pedagogia problematizadora nos faz acreditar que o caminho para aproximar as práticas educativas dos pressupostos de Freire está no movimento de ação-reflexãoação.Verificamos a necessidade de mais estudos que descrevam práticas de educação em saúde, descrevendo o referencial metodológico que as informa e as estratégias empregadas, com o objetivo de ajudar os profissionais de saúde em suas intervenções cotidianas. Esclarecemos que ao valorizarmos a temática da educação em saúde, não deixamos de reconhecer a importância da família, da escola, do setor saúde e do governo na promoção da saúde sexual dos adolescentes
A escola em tempos de festa: poder, cultura e práticas educativas no Estado Novo (1937-1945)
Este trabalho tem o objetivo de analisar o papel da educação junto às festividades cívicas do Dia do Trabalho e da Semana da Pátria, em Minas Gerais, no período do Estado Novo (1937-1945). A pesquisa procurou salientar a importância da escola e de sua exteriorização, por meio das comemorações cívicas, no ensino primário, para um projeto de formação da Nação. O sentido da escola, como formadora de crianças e jovens, ultrapassa o seu próprio espaço e serve de instrumento para a educação das massas, na sociedade em geral. O estudo demonstra também como fontes extra-escolares podem ser canais úteis de inserção da escola no espaço público. A opção da escolha por Minas Gerais deveu-se às facilidades geográficas e à melhor delimitação de espaço. A escolha do ensino primário muito embora não tenha sido objeto de reforma de ensino no período do Estado Novo foi feita por ele ter contemplado ações efetivas de nacionalização do ensino, por meio da alfabetização da língua pátria, tornando-se palco de grande profusão das idéias-força do regime, nos materiais escolares e extra-escolares e nas celebrações cívicas.
Controle de autoridade de nomes de pessoas: uma proposta a partir da análise da biblioteca digital do Ministério Público Federal
A presente pesquisa aborda a temática do controle de autoridade e sua contribuição para a representação e a recuperação de informações. O controle de autoridade é o processo utilizado para representar as entidades em um catálogo de forma consistente e padronizada. O escopo do estudo é o controle de autoridade de nomes de pessoas e, como referência prática de análise, utiliza-se a Biblioteca Digital do Ministério Público Federal (BDMPF). A questão a que a pesquisa visa a responder é: “de que forma o controle de autoridade pode melhorar o nível de consistência da representação de nomes de pessoas e fornecer subsídios para a recuperação de informações?”. O objetivo geral é propor um modelo de controle de autoridade que forneça consistência à representação de nomes de pessoas, contribuindo para a recuperação de informações. Com a finalidade de responder à questão de pesquisa e de cumprir o objetivo geral proposto, estabeleceram-se cinco objetivos específicos: 1) identificar conceitos, metodologias e normas para a descrição de nomes de pessoas e para a construção de vocabulários controlados; 2) diagnosticar o cenário atual de controle de autoridade de nomes de pessoas, representação e recuperação de informações na BDMPF; 3) avaliar a estrutura e a funcionalidade de bases de dados e catálogos de autoridades já em uso por outras instituições; 4) propor ações de melhoria para o controle de autoridade de nomes de pessoas na BDMPF; e, 5) discutir como o controle de autoridade de nomes de pessoas pode conferir mais agilidade, precisão e consistência na representação e na recuperação de informações. O estudo se caracteriza pela abordagem qualitativa, de finalidade aplicada e método descritivo-exploratório, que se utiliza das técnicas de observação sistemática e espontânea e dos instrumentos denominados roteiros de observação para a coleta de dados. Como resultado dos procedimentos metodológicos executados, o estudo apresenta: 1) o referencial teórico sobre a temática de estudo; 2) o diagnóstico das principais inconsistências relacionadas ao controle de autoridade na BDMPF, sobretudo as relativas a nomes de pessoas; 3) a avaliação da estrutura e funcionalidade de bases de dados e catálogos de autoridades já em uso por outras instituições; 4) a proposta de ações de melhoria ao controle de autoridade de nomes de pessoas na BDMPF; e, 5) a discussão sobre como a padronização das descrições de nomes de pessoas, premissa do controle de autoridade, pode conferir mais agilidade, consistência e precisão na representação e na recuperação de informações. Conclui que o processo de controle de autoridade, para ser efetivo e eficiente, requer a disponibilização de um instrumento de controle de vocabulário estruturado, padronizado, integrado a um sistema com tecnologia e configuração compatíveis às suas funcionalidades. Além disso, depende da formalização de uma política de gestão político-administrativa consolidada, capaz de promover a integração entre os profissionais das diversas áreas e de alterar a cultura organizacional.
Avaliação comparativa da acidez de cafés espresso em cápsulas por espectroscopia no infravermelho próximo, cromatografia líquida de alta eficiência e análise sensorial
Este trabalho teve como objetivo principal utilizar Espectroscopia no Infravermelho Próximo (NIRS), análise de ácido cítrico e clorogênico por Cromatografia Líquida de Alta Eficiência (HPLC) e análise sensorial para diferenciar cafés comercializados em cápsulas de diferentes marcas, por suas características de acidez. As análises por HPLC foram realizadas para quantificação de ácido clorogênico e ácido cítrico, a análise sensorial foi realizada para avaliação dos atributos acidez, aroma e sabor, e também foi realizada a análise de acidez titulável. Análise quimiométricas, como Análise por Componentes Principais (PCA), Regressão por Mínimos Quadrados Parciais (PLS) e Análise Discriminante pela Regressão por Mínimos Quadrados Parciais (PLS-DA) foram utilizadas. A análise por PCA dos espectros NIR proporcionou a separação de diferentes marcas, e também a separação por intensidade de torração, mostrando a capacidade da técnica espectroscópica em diferenciar as amostras analisadas. A análise de acidez titulável apresentou valores de 63,30±7 a 112,85±3 mL de NaOH 0,1M 100 g-1 de amostra. Os valores médios de ácido clorogênico e ácido cítrico quantificados por HPLC foram de 0,454±0,2 g 100g-1 e 0,853±0,4 g 100g-1, respectivamente. Os modelos quantitativos obtidos por PLS para os atributos sensoriais acidez, aroma e sabor apresentaram valores de RMSEC de 0,141, 0,128 e 0,226 e valores de RMSEP de 0,194, 0,199 e 0,362, respectivamente. Já para o ácido clorogênico e o ácido cítrico os valores de RMSEC foram de 0,035 e 0,145 e RMSEP de 0,048 e 0,139, respectivamente. A comparação entre os modelos obtidos por PLS, para o atributo acidez e para o ácido clorogênico, mostrou o potencial em utilizar o modelo PLS de ácido clorogênico para classificação das amostras de café quanto ao atributo acidez, mostrando que este composto está diretamente relacionado a acidez percebida pelos consumidores, e que a espectrosocpia NIR é capaz diferenciar as amostras de acordo com o teor de ácidos clorogênicos
Overcoming the limitations of demographic data: papers on mortality, extreme aged populations and education
CNPq - Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico
Trajetórias de cineastas negras brasileiras
CAPES - Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior
Uma nova revolução industrial: graus de autonomia e articulações com a criatividade e a tecnologia
Desde as décadas finais do século XX, tem-se assistido à transição de uma sociedade industrial para uma sociedade de conhecimento e informação articulada com uma economia criativa. Este novo contexto inclui mudanças na tecnologia, na sociedade e nos paradigmas dominantes, e a revolução em curso modifica as referências de atribuição de valor aos produtos, com efeitos no consumo e na produção. Ela envolve o compartilhamento, bem como a interação e conexão, possibilitados por tecnologias inovadoras – CNC, corte a laser, scanners 3D e máquinas de impressão 3D – e softwares de baixa complexidade, como o Arduino. Antes dependente do engajamento dos artesãos ou dos “makers”, a produção está agora aberta a um ambiente alternativo, possibilitando o surgimento de uma situação de autonomia. As empresas estão começando a reconhecer essas transformações e seu impacto no mercado e têm alterado sua maneira de fazer negócios. Novos tipos de interação articulam empresas de diversos portes, mas, também, indivíduos, e essas transformações remetem ao que alguns analistas identificam como uma nova revolução industrial. O objetivo deste artigo é discutir as mutações que têm ocorrido devido a esta reconfiguração da relação entre empresas, indivíduos e produção. O conceito de autonomia é adotado como operador da análise, que investiga as relações entre produção e consumo nos séculos XX e XXI e identifica a emergência de um novo Ethos, dentro do qual os indivíduos têm diferentes possibilidades de exercer a sua autonomia.
2022
Maria Luiza Almeida Cunha de Castro Christiane Presoti Monteiro de Castro Glaucinei Rodrigues Corrêa Christian Kelvin Fernandes
O evento de violência urbana e o serviço de emergência SUS: profissionais de saúde diante da dor do usuário
A compreensão da interferência cotidiana da violência na dinâmica organizacional dos serviços de emergência de saúde é bastante complexa. Em nenhum outro serviço a violência adquire tamanha visibilidade e constância, entranhada no processo de trabalho específico do serviço de emergência e nas relações entre profissionais de saúde e usuários. Neste estudo, buscou-se conhecer entre profissionais de saúde, de um lado regidos por um sistema de regras próprias, por outro regulados pelas regras sociais e institucionais que interferem em sua prática profissional, o modo como veem e reagem diante da dor do trauma físico e emocional, do sofrimento do outro disfarçado em algo comum no cotidiano do serviço de emergência, bem como compreender o sentido atribuído por eles à humanização da assistência. O estudo está apoiado na teoria de Pierre Bourdieu (2008; 2010), que aborda como o poder simbólico se impoe na área da saúde, e de Hannah Arendt, que trata da banalização da violência na sociedade (2015). Utilizou-se a abordagem qualitativa, realizada por meio de entrevista estruturada. A coleta de dados foi realizada nos Hospitais Maria Amélia Lins, Hospital de Pronto-Socorro Joao XXIII e Hospital Municipal Odilon Behrens, especializados em politraumatismos - unidades de referência no atendimento às vítimas de traumatismo maxilofacial em Belo Horizonte-MG. A amostra da pesquisa constituiu-se de cirurgioes bucomaxilofaciais do serviço de emergência dos hospitais, que aceitaram participar do estudo. Os dados foram submetidos à análise de conteúdo temática. O estudo permitiu identificar que os profissionais da saúde não estao imunes à experiência da violência dos casos assistidos no processo de trabalho que leva ao sofrimento destes diante do trauma físico e emocional, da dor do outro. Ficou evidenciado que, para suportar a dor do outro, profissionais de saúde adotam uma postura de defesa, imparcialidade ou ainda a aniquilação da capacidade de ação para o enfrentamento da violência, o que impoe às vítimas de violência um modelo médico que lhes nega as prerrogativas de sujeito, o rompimento com um atendimento humanizado. É no processo de formação das instituições e profissionais de saúde que se podem enraizar valores e atitudes de respeito à vida humana, indispensáveis à consolidação e à sustentação de uma nova cultura de atendimento à saúde.
2022
Silvilene Giovane Martins Pereira Carlos José de Paula Silva Ana Pitchon Marcelo Drummont Naves Elza Machado de Melo Efigenia Ferreira e Ferreria
Aplicação de cromatografia a gás e extração por mNTC em estudo metabolômico de contaminação ambiental por poluentes emergentes
CAPES - Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior
Efeito da posição inicial do salto agachado no desempenho em jogadores de voleibol
Saltos verticais são amplamente utilizados na análise biomecânica dos movimentos esportivos como uma ferramenta de avaliação da força muscular de membros inferiores. Na literatura, diferentes ângulos de flexão de joelhos foram utilizados pelos sujeitos no início do salto agachado (SA) e é possível que posicionamentos distintos resultem em desempenhos específicos. Alguns estudos buscaram esclarecer o efeito de diferentes angulações iniciais de flexão de joelhos no comportamento de variáveis dinâmicase sua relação com a altura do salto, no entanto, os resultados são controversos. O objetivo do presente estudo foi verificar o efeito de três posições iniciais sobre o desempenho no SA e sobre assimetria de força de reação do solo de membros inferiores (MMII). A amostra foi composta por 15 atletas de voleibol (15anos) que foram familiarizados ao SA. Os atletas realizaram três SA máximos nas posições SA90° (90° de flexão dos joelhos), SA120° (120° de flexão dos joelhos) e SAAuto (posição definida pelo voluntário autosselecionada 99,06°). Em relação ao desempenho, foram analisadas as variáveis: altura do salto, força máxima, impulso e velocidade de saída. Para a identificação da assimetria de força de MMII, foi calculado o Índice de Simetria para as variáveis força máxima e Impulso. Os resultados mostraram que a variável altura do salto apresentou valor semelhante para as posições SA90° e SAAuto (0,30 m) e este foi significativamente superior em relação ao obtido para a posição SA120°. Ainda, à medida que o ângulo de flexão de joelhosdiminuiu, o impulso aumentou (SA90°= SAAuto> SA120°), enquanto a força máxima reduziu significativamente (SA90°< SAAuto< SA120°). Em relação à identificação de assimetrias de força, foi verificado que a posição SAAuto apresenta menor diferença entre os MMII direito e esquerdo para as variáveis força máxima e Impulso do que as posições SA120° e SA90°. Conclui-se que, o controle da posição inicial do SA é fundamental, visto que posicionamentos inicias distintos na execução do salto agachado foram capazes de alterar o desempenho e a presença de assimetrias de força em MMII.
Qualidade de assistência ao parto em Goiânia, 2007
Objetivo: avaliar a qualidade da assistência ao parto nos hospitais públicos e hospitais privados conveniados ao SUS em Goiânia, no ano de 2007. Metodologia: estudo descritivo analítico, onde foram avaliados 13 hospitais de Goiânia (10 privados conveniados ao SUS e 3 públicos) e estudada uma amostra de 404 partos normais realizados nesses hospitais. Os dados foram obtidos através de questionários e entrevistas realizadas com diretores dos hospitais, busca em prontuários, entrevistas com as puérperas e observação do atendimento ao parto nesses hospitais. Foram investigadas variáveis demográficas, obstétricas, estruturais, organizacionais e relacionadas ao processo e resultados da assistência ao parto. Realizou-se análise comparativa da qualidade de assistência entre as categorias de hospitais, com validação estatística dada pelo teste qui quadrado com significância de p<0,05 e análise dos fatores de risco para a qualidade de assistênciautilizando-se o índice Bologna (indicador da Organização Mundial de Saúde), com cálculo do Odds Ratio com intervalos de confiança de 95% e p<0,05, para as associações encontradas. Resultados: a maioria dos partos (61,6%) foi realizada nos hospitais privados conveniados ao SUS (HPS). As taxas de cesarianas eletivas foram de 34,1% e 21.9% nos HPS e hospitais públicos (HP), respectivamente. Contudo, nos HPS as taxas de cesarianas foram diferenciadas a depender do agente financiador, com taxas de cesarianas eletivas de 25,4% para usuárias do SUS e de 93,9% para gestantes de convênios ou particulares. Apesar de 95,8% dos partos terem sido realizados pelo obstetra, apenas 30,8% desses tiveram pediatra em sala de parto. A porcentagem de cesarianas de urgência foi de 11,4% nos HPS e 19,4% nos HP. Importantes diferenças na organização hospitalar em relação à assistência ao parto foram observadas entre as categorias de hospitais, com ausência do pediatra na maioria dos partos realizados em HPS e ausência de médicos plantonistas para assistência à pacientes de convênios ou particulares nesses hospitais. A porcentagem de trabalho de parto e parto assistidos por profissional de saúde foi de 100%, na maioria das vezes por obstetra. A presença de partograma e de anotações das evoluções do trabalho de parto foram extremamente baixas nas duas categorias de hospitais, embora um pouco melhor nos HP, da mesma forma que a freqüência de avaliações dos parâmetros fundamentais para adequada assistência ao parto. A ausculta do BCF não foi realizada em 33% e 23% dos casos nos HPS e HP, respectivamente. Nas duas categorias de hospitais também foi alta a utilização de práticas consideradas danosas, como uso rotineiro de ocitócicos no trabalho de parto, e baixa a utilização de práticas consideradas benéficas, como presença do acompanhante familiar no parto. O índice Bologna dos partos normais foi muito baixo nas duas categorias de hospital, com média de 1 para os HPP e 2 para 7 os HP. A categoria de hospital foi o fator de risco independente que mais se associou à qualidade de parto medida pelo índice Bologna, sendo que a chance das gestantes atendidas nos HP receberem melhor qualidade de assistência foi 9,1 vezes maior em relação aos HPS. Conclusão: Os resultados mostraram baixa qualidade de assistência ao parto nos hospitais públicos e privados conveniados ao SUS em Goiânia, no ano de 2007, embora um pouco melhor nos primeiros hospitais. Por outro lado, a categoria de hospital foi o fator de risco com maior associação com a qualidade da assistência ao parto medida pelo índice Bologna
Estudo fitoquímico de folhas e polpa de fruto de Maytenus salicifolia (Celastraceae) e análise quimiotaxonômica em Maytenus sp
O presente trabalho descreve o estudo quimiotaxonômico de Maytenus salicifolia e Maytenus gonoclada, e o estudo fitoquímico de polpa de fruto e folhas de Maytenus salicifolia coletada na Estação Ecológica da UFMG em Belo Horizonte. A partir do estudo quimiotaxonômico (histoquímico e cromatográfico) pôde-se constatar que as duas populações de M. salicifolia estudadas apresentaram diferenças entre si e em relação à Maytenus gonoclada, resultados que demonstram que os grupos trabalhados apresentam grande capacidade de adaptação, em conseqüência das diferenças nos habitats nos quais estão inseridas as populações coletadas. As informações obtidas nos estudos histoquímicos, por CG/EM e por CLAE/UV são cruciais e determinantes para uma possível revisão na classificação taxonômica das espécies estudadas neste trabalho. O estudo fitoquímico da polpa do fruto de Maytenus salicifolia possibilitou o isolamento e a identificação do triterpeno pentacíclico lupeol e de dois flavonóides, a rutina e a epicatequina. No extrato hexânico das folhas foram identificados a-amirina, ß-amirina, isomultiflorenol, multiflorenol, epi-a-amirina, epi-ß-amirina, epi-multiflorenol e isolados lupeol, ß-sitosterol, tanaceteno e, três compostos inéditos na literatura, 3ß-araquidoiloxi-11-oxo-ursan-12-eno, 3ß-esteariloxi-D:C-friedoleanan-7-eno e 1ß,3a-dihidroxi-D:C-friedoleanan-7-eno.
Estudo da interação entre nanopartículas de ouro funcionalizadas e moléculas doadoras e aceitadoras de elétrons: um estudo por primeiros princípios
Devido ao seu grande potencial para aplicações, as nanopartículas de ouro têm despertado um grande interesse da comunidade científica. Neste trabalho, estudamos os efeitos da interação entre nanopartículas de ouro funcionalizadas e moléculas aceitadoras (hexafluorofosfato) e doadoras (tetrabutilamônio) de elétrons. A investigação das propriedades destes sistemas foi feita através de cálculos por primeiros princípios baseados na Teoria do Funcional da Densidade. Utilizamos dois modelos de nanopartículas, cada um com três tamanhos diferentes, variando o tamanho das moléculas que as funcionalizam. Investigamos a estabilidade relativa entre os sistemas, as distâncias relativas aos centros de massa da nanopartícula e do dopante, e os efeitos de dopagem. Nossos resultados indicam que o dopante aceitador apresenta menores distancias de equilíbrio, relativas ao centro de massa da nanopartícula, que o dopante doador. Foi observadotambém que a transferência de carga tem um comportamento aproximadamente linear com o número de dopantes, ate certo número de dopantes, para o dopante aceitador.
Caso do vestido e outros casos: as vozes humanas e as narrativas do direito
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Expressão dos biomarcadores moleculares EpCAM e alfafetoproteína no carcinoma hepatocelular
A expressão de marcadores biomoleculares de células tronco no carcinoma hepatocelular (CHC) tem sido associada a mau prognóstico e ao comportamento biológico agressivo. Um sistema de classificação baseado na expressão de EpCAM e alfafetoproteína (AFP) foi proposto para definir diferentes fenótipos e subtipos de CHC. O objetivo dessa pesquisa foi verificar a expressão de EpCAM e AFP, por meio de imuno-histoquímica em 43 pacientes (30 homens e 13 mulheres),submetidos a ressecção de CHC. A etiologia viral foi a mais frequente, com predomínio da hepatite C (41,46%) seguida pela hepatite B (29,26%). A cirrose etanólica foi a menos frequente (12,19%) e, em sete pacientes (17,07%), o CHC incidiu em fí gado com doença de etiologia desconhecida. Os nódulos únicos (78,6%) foram predominantes em relação aos múltiplos (21,4%). A maioria dos CHCs foi operadanos estágios iniciais I e II (45,2% e 40,55%, respectivamente). A invasão angiolinfá tica esteve presente em 41,5 % dos pacientes. Houve predomínio de tumores bem e moderadamente diferenciados (46,3% e 43,9%, respectivamente). A expressão imuno-histoquímica dos biomarcadores foi positiva em 12 (29,3%) e negativa em 29 (70,7%) dos tumores estudados. O fenótipo EpCAM+AFP+ foi observado em 8(66,7%) tumores, EpCAM+AFP- em 4 (33,3%), EpCAM-AFP- em 25 (86,2%), EpCAM-AFP+ em 4 (13,8%). Houve diferença significativa na relação da proporção de expressão de EPCAM e AFP entre os diferentes fenótipos (p=0,002). A chance de ocorrer invasão angiolinfática quando AFP sérica esteve entre 100ng/mL e 400ng/mL foi de 12,4 vezes a chance de ocorrer invasão angiolinfática quando AFP sérica esteve abaixo de 100 ng/mL (OR=12,4; p=0,028). A chance de expressão deEpCAM positiva em tumores menores ou iguais a 5 cm foi significativa (OR=8,7; p=0,022). O índice de sobrevida global foi 74,9%, 69,4%, 69,4% e 53,5% aos 12, 24,36 e 48 meses, respectivamente. Concluiu-se que existe associação positiva entre a expressão de EpCAM e AFP, entre si, e com os níveis séricos de AFP. O diâ metro menor ou igual a cinco centímetros foi a variável que se associou à expressão de EpCAM e a invasão angiolinfática à expressão de AFP. Não houve associaçãoentre as variáveis estudadas e a sobrevida dos pacientes.