Repositório RCAAP
Ação do BDNF na via dopaminérgica mesolímbica e seu papel na aquisição da memória em modelos de animais sob estresse
O fator neurotrófico derivado do cérebro (BDNF) desempenha papel fundamental na plasticidade neuronal e memória. O BDNF parece mediar os principais processos dependentes de estímulos externo, isto é, aprendizado, experiências, memórias. Assim, suas características o tornam um potencial mediador neurobiológico dos efeitos das experiências de vida. Estudos têm apontado para uma variação no nível do BDNF na região hipocampal relacionada a fatores estressantes, no qual os fatores de estresse agudo diminuem a potenciação de longo prazo (LTP) em sua região dorsal, no entanto aumentando seletivamente níveis de monoaminas e a LTP na região ventral. Esses dados sugerem que o hipocampo desempenha um duplo papel na resposta ao estresse, com a porção dorsal submetida à plasticidade adaptativa, talvez para facilitar o escape ou evitar o estressor, e a porção ventral envolvida nas facetas afetivas da experiência. Estudos já demonstraram que o aumento do BDNF na via dopaminérgica promove o reforço de aprendizagem-memória, no fenômeno comportamento associativo, porém um estudo recente demonstrou que o aumento crônico generalizado da expressão do BDNF no SNC levou a uma série de deficiências de aprendizado e prejuízo na memória de curto prazo. Um estudo que avalie o nível de BDNF na região hipocampal ventral, assim como, os níveis do seu precursor pro-BDNF, pode levar a elucidar algumas deficiências no processo de consolidação da memória. Objetivo: fazer a correlação do nível do BDNF com a memória explícita, no intuito de verificar se o estresse de imobilização influencia esta relação. Metodologia Levantamento bibliográfico no portal CAPES de artigos científicos relacionados ao nível do BDNF, em relação a memória explicita e ao estresse por imobilização.
2019-08-11T09:19:39Z
Tarcisio Dymas Soares de Lima
Web survey: uma análise de custos e funcionalidades
A idéia de realização do presente trabalho surgiu durante as aulas de gestão estratégica da informação. Observou que tanto os professores quanto os alunos não utilizavam uma ferramenta via web que auxiliasse na elaboração, aplicação , tratamento e apresentação dos resultados de pesquisa de in formação. Um único professor utilizou algum tipo de ferramenta, e segundo ele, deixava muito a desejar, de fato, podia se perceber que as analises apresentadas através de gráficos e tabelas ilimitadas as comparadas com as que poderiam ser apresentadas caso fossem utilizados os recursos disponíveis no execel, por exemplo.Essas observações levaram a uma primeira idéia para a realização desta monografia; porque não criar uma ferramenta via web que fosse simples de usar, mas que permitisse uma melhor analise dos dados pesquisados.
Tratamento do remodelamento cardíaco associado ao diabetes mellitus tipo II com fármacos que atuam sobre o Sistema Renina Angiotensina-Aldosterona
A Organização Mundial da Saúde prevê que cerca de 31% da população mundial morrerá de alguma doenças cardiovasculares (DCV). Um dos fatores que contribuem para esta má projeção é o número de indivíduos obesos, que vem aumentando progressivamente. Além de constituir um fator de risco cardiovascular independente, a obesidade é o principal fator de risco para o desenvolvimento do diabetes mellitus (DM) tipo II. Embora se reconheça que as complicações crônicas associados ao DM tipo II sejam de natureza vascular (micro e macrovasculares), a cardiomiopatia diabética, termo que designa um conjunto de alterações estruturais, patológicas e funcionais, mesmo na ausência de alterações hemodinâmicas, ainda não é foco do tratamento da doença. O tratamento da cardiomiopatia diabética pode significar melhora dos desfechos clínicos, já que muitos estudos mostram uma associação positiva entre o aumento da massa cardíaca, que define a hipertrofia do ventrículo esquerdo (HVE), à maior morbidade e mortalidade. Diante deste cenário, buscamos na literatura estudos experimentais que demonstrassem a eficácia de fármacos, com efeitos benéficos já conhecidos sobre a HVE associada às DCV, como a hipertensão arterial e doença arterial coronariana, sobre o remodelamento cardíaco associado à obesidade/ DM do tipo II. A maior parte dos estudos mostrou um claro envolvimento do sistema renina-angiotensina-aldosterona na cardiomiopatia diabética e, portanto, os fármacos que inibem este sistema apresentam resultados promissores no tratamento da progressão do remodelamento patológico. Constatou-se que a HVE é um achado frequente em modelos experimentais diversos de obesidade/ DM do tipo II. Quando estes animais foram tratados com antagonistas do receptor AT1 de angiotensina-II, inibidores da enzima conversora de angiotensina, inibidor de renina e antagonista da aldosterona, o benefício cardíaco foi notório e nem sempre dependente da melhora das alterações metabólicas e hemodinâmicas. Ainda foi observado que a ativação da sinalização por angiotensina (1-7) constitui um alvo farmacológico, porém, ainda pouco testado experimentalmente. Assim, concluímos que é necessário tratar a cardiomiopatia diabética, e que a intervenção farmacológica mais promissora envolve fármacos rotineiramente empregados na clínica como anti-hipertensivos.
2019-08-13T18:45:49Z
Cristiane Cordeiro Ferreira Batista
Fibrilação atrial e demência
A fibrilação atrial (FA) é a arritmia mais comum e sua prevalência é maior em indivíduos idosos. É classificada em FA paroxística, persistente e permanente, as quais fazem parte de desenvolvimento de uma doença contínua. A principal complicação relacionada à fibrilação atrial é o acidente vascular encefálico (AVE). A ocorrência de AVE está diretamente relacionada ao comprometimento cognitivo e demência, sendo esta uma condição com grande potencial incapacitante, bem como maior morbidade e mortalidade. Os principais mecanismos de relação entre FA e demência são a ocorrência de lesões cerebrais causadas por infartos cerebrais isquêmicos silenciosos e a hipoperfusão cerebral causada por redução do débito cardíaco. A FA implica no remodelamento elétrico e estrutural do coração. O processo inflamatório está intimamente ligado com o desenvolvimento da FA, o que pode ser demonstrado pelos níveis alterados de mediadores inflamatórios. Para prevenção de AVE e consequente comprometimento cognitivo e desenvolvimento de demência, a principal estratégia terapêutica consiste na terapia com uso de anticoagulante. Por muito tempo, a varfarina é utilizada, entretanto, este uso implica no risco de hemorragias, as quais também favorecem o desenvolvimento de demência. Os novos anticoagulantes orais surgiram como alternativa e apresentam menor risco de hemorragia quando comparados à varfarina. Entretanto, vários aspectos devem ser avaliados para a escolha da terapia adequada em cada caso. É evidente a relação entre FA e demência, entretanto, são necessários mais estudos a fim de esclarecer devidamente esta relação, o que permitirá também o uso de estratégias terapêuticas mais eficazes.
2019-08-14T05:53:13Z
Janine Karina Hideko Alfenas Horita
Aspectos da terapia antituberculose preconizada na Atenção Primária à Saúde no Brasil
A tuberculose é um grave problema de saúde pública mundial, representando a segunda maior causa de morte por doença infecciosa. O Brasil faz parte de um grupo de 22 países que concentram 80% dos casos de tuberculose no mundo, por isso o controle desta doença é uma das estratégicas prioritárias da atenção primária à saúde no país. O principal agente etiológico da tuberculose pulmonar é o Mycobacterium tuberculosis, um bacilo aeróbio estrito, álcool-ácido resistente. A via de contágio é quase sempre inalatória e a fonte de infecção habitual é o indivíduo bacilífero, porém o desenvolvimento da doença ativa depende de fatores relacionados à imunidade do hospedeiro e à carga bacilar infectante. O diagnóstico é feito através da avaliação do quadro clínico, exames bacteriológicos (baciloscopia e/ou cultura) e radiológicos, além da realização de testes moleculares. Os princípios básicos para o tratamento da tuberculose incluem a associação medicamentosa adequada, com doses corretas e uso por tempo suficiente, bem como a supervisão da tomada dos medicamentos. Os fármacos rifampicina, isoniazida, pirazinamida e etambutol são atualmente considerados como os agentes antituberculose de primeira linha e constituem o atual esquema padrão para casos novos da doença na atenção primária à saúde no Brasil. O Programa Nacional de Controle da Tuberculose preconiza que a cadeia de transmissão da doença seja interrompida, mediante o diagnóstico do maior número possível de casos de tuberculose bacilífera e a conclusão do tratamento pelos pacientes. Isso é um grande desafio para a saúde pública, já que um dos principais problemas no combate à tuberculose é a não adesão dos pacientes ao tratamento proposto, o que pode transformá-los em doentes crônicos, com microrganismos resistentes aos fármacos usuais. Portanto, é fundamental que o serviço e os profissionais de saúde tenham condutas adequadas, com abordagens que visem à redução do estigma que ainda existe em torno da doença e à melhoria das estratégias para adesão do paciente ao tratamento, a fim de reduzir as taxas de abandono e aumentar a proporção de cura da tuberculose.
2019-08-12T07:14:27Z
Lillian Nascimento Ribeiro
Reposicionamento de fármacos para tratamento de doenças infecciosas bacterianas
Nos últimos anos, o número de infecções invasivas bacterianas aumentou consideravelmente em todo o mundo. Esse fato atrelado ao complexo diagnóstico e a disponibilidade relativamente baixa de fármacos eficazes para o tratamento, constitui uma grande ameaça para toda a população. Assim, o desenvolvimento de novas terapias eficazes ao tratamento de doenças bacterianas é necessário. Contudo, a produção de um novo medicamento é um processo demorado e de alto custo. E muitas vezes o sucesso final e validação da pesquisa nunca são garantidos. Nesse contexto, o reposicionamento de fármacos surge como uma interessante alternativa. Desse modo, os medicamentos podem ser ministrados como agentes únicos ou como adjuvantes em combinação com as drogas comumente prescritas. Outras abordagens que vem sendo discutidas são as técnicas in silico, na qual a busca por novas terapias e moléculas ganham um apoio computacional, e o uso off-label de medicamentos, na qual o fármaco é ministrado de maneira diferente da quem vem preconizada na bula. Diante disso, o objetivo do trabalho foi fazer uma abordagem nos estudos que envolvem o reposicionamento de fármacos como uma nova proposta para o estabelecimento de novas terapias antibacterianas.
2019-08-13T06:38:01Z
Milciades Atilio Villalba
Efeitos do veneno de Loxosceles similis no modelo de implante subcutâneo de esponja em camundongos Swiss
O envenenamento por aranhas do gênero Loxosceles provoca um conjunto de sinais e sintomas, chamado de loxoscelismo, que na maioria dos casos manifesta-se através do quadro dermonecrótico. O modelo mais utilizado para o estudo do loxoscelismo cutâneo é o coelho. No entanto, o desenvolvimento de um modelo animal de menor porte, fácil manuseio, menor custo e manutenção são necessários para o estudo da patogênese do loxoscelismo. A inflamação provocada pelo veneno bruto de Loxosceles similis, foi avaliada considerando a ativação de neutrófilos e macrófagos, vasodilatação, hiperemia, edema, hemorragia e a produção do TNF e VEGF utilizando o modelo murino de implante de esponjas. Trinta e dois camundongos Swiss, machos (6-8 semanas) foram implantados subcutaneamente com discos de esponjas de poliéster-poliuretano. Quatorze dias após a implantação os animais foram separados em dois grupos: (1) grupo controle: 16 camundongos que receberam intraimplante 30 L de solução salina; (2) grupo tratado: 16 camundongos que receberam a injeção intra-implante de 30 L (0.5 g) do veneno bruto de L. similis. Os animais foram eutanaziados com xilazina/quetamina 1h e 4h pós-injeção intra-implante. Microscopicamente, os implantes dos grupos tratados apresentaram inflamação aguda caracterizada por: infiltrado neutrofílico, edema, vasodilatação, hiperemia e hemorragia intensa. Alguns vasos apresentaram-se com as suas paredes rompidas. Através da análise morfométrica foi possível observar que a área de vasos foi significativamente maior nos grupos tratados. Os parâmetros bioquímicos como: conteúdo de hemoglobina, níveis das citocinas fator de necrose tumoral (TNF), fator de crescimento endotelial (VEGF), atividade das enzimas n-acetil- - glucosaminidase (NAG) e mieloperoxidase (MPO) foram significativamente maiores nos grupos tratados. Os efeitos do veneno de Loxosceles no tecido de granulação do implante em camundongos foram similares ao que se observa no loxoscelismo cutâneo em outras espécies (humanos ou coelhos). Consequentemente, o modelo murino de implante de esponjas promove um novo método para investigação de mecanismos celulares e moleculares associados com o loxoscelismo cutâneo.O envenenamento por aranhas Loxosceles conduz a um conjunto de sinais e sintomas, denominado loxoscelismo, que na maioria dos casos se manifesta sob o quadro dermonecrótico. Neste estudo, utilizou-se o modelo de implante subcutâneo de esponja em camundongo para descrever os efeitos do veneno de Loxosceles similis, com ênfase em 24 h após a injeção intraimplante e para avaliar a patogenia do loxoscelismo 1, 4 e 24 horas após a injeção do veneno. O presente trabalho tem como objetivos: (1) caracterizar histologicamente os efeitos do veneno bruto de L. similis no implante subcutâneo de esponjas; (2) quantificar os mastócitos do implante e mensurar sua atividade de desgranulação; (3) quantificar os subtipos de colágeno tipo I e III; (4) verificar, quantificar e avaliar a importância da apoptose no implante 1, 4 e 24 horas após a injeção do veneno na patogenia do loxoscelismo. Trinta camundongos Swiss (6-8 semanas, machos) foram implantados subcutaneamente com esponjas de poliéster-poliuretano. Após o 14º dia de implante, os animais foram divididos em seis grupos (n=5 para cada grupo): três grupos controles (C1h, C4h e C24 h), no qual receberam a injeção intraimplante de 30L de solução salina e três grupos tratados (T1h, T4h e T24 h), no qual receberam a injeção intraimplante de 30L (0,5 g) do veneno de L. similis. Após os intervalos de 1, 4 e 24 horas os animais foram eutanaziados, os implantes foram colhidos e processados para microscopia de luz e eletrônica. À microscopia de luz observouse, nos implantes injetados com veneno, inflamação aguda com intenso edema, presença de trombos ocludentes, vasculite, aumento dos índices de mastócitos e de desgranulação de mastócitos e de apoptose de células gigantes. Além disso, observou-se degradação de colágeno dos tipos I e III. As análises das ultraestruturas evidenciaram-se vários tipos celulares em apoptose. Os presentes resultados sugerem que a apoptose, a desgranulação de mastócitos e a degradação do colágeno são importantes na patogenia do loxoscelismo e sua ocorrência em alguns tipos celulares pode explicar a dificuldade no reparo da úlcera que comumente se observa no loxoscelismo.
Resposta inflamatória como fator preditivo de alterações no desenvolvimento motor em neonatos pré-termos de 28 a 34 semanas de idade gestacional
Objetivo: Reunir as evidências das alterações neuroinflamatórias e o desenvolvimento neuropsicomotor em pré-termos. Método: A partir das bases de dados PUBMED e BIREME, foi feita uma busca de artigos nas línguas inglesa, espanhola e portuguesa, no período de 1990 a abril de 2015, com combinação das palavras-chave inflammation, cytokines, neurotrophic factors, motor development, cognitive development, preterm, em humanos. Os artigos foram selecionados por dois revisores que analisaram as características, qualidade e acurácia dos estudos. Resultados: Foram identificados seis trabalhos que estudaram inflamação, o desenvolvimento motor e cognitivo em pré-termos. Os estudos avaliaram níveis circulantes de citocinas, quimiocinas e fatores neurotróficos. As proteínas mais analisadas foram IL-1, IL-6, TNF, CCL5/RANTES, CXCL8/IL-8, IGFBP-1 e VEGF. Cinco estudos demonstraram que níveis plasmáticos de IL-6 apresenta correlação positiva com o atraso no desenvolvimento global. Dois estudos demonstraram que níveis plasmáticos de CXCL8/IL-8 apresentou correlação positiva com atraso motor e cognitivo; e um apontou que CCL5/RANTES é associada com melhor desfecho motor cognitivo. Conclusões: A inflamação no recém-nascido pré-termo está associada a alterações no desenvolvimento cognitivo e motor podendo ocasionar sequelas e limitações funcionais para toda vida.
2019-08-10T03:41:32Z
Rafael Coelho Magalhaes
Grupos de cuidadores familiares de idosos frágeis: porta aberta para o serviço, janela para o cuidado
O envelhecimento da população brasileira ocorre de forma acelerada e heterogênea, marcado pela prevalência de doenças crônicas, o que torna o cuidado ao idoso uma questão de Saúde Pública e objeto de políticas públicas específicas. O cuidado refere-se ao modo de agir, à atenção, ao zelo, à responsabilidade, à cidadania e ao atendimento das necessidades da pessoa cuidada com garantia de atendimento digno, com acolhimento e vínculo, respeitando a singularidade de cada sujeito. No caso da pessoa idosa frágil, a incapacidade funcional determina a necessidade de um cuidador, geralmente um familiar, mulher, esposa ou filha, que cuida sozinha e sem ajuda. Apesar da estreita relação estabelecida entre o cuidador e a equipe responsável pelo cuidado do idoso nos serviços de saúde, a atenção é limitada à pessoa idosa, enquanto o cuidador é desconsiderado. A falta de apoio técnico e afetivo ao familiar que cuida repercute sobre sua vida e saúde e compromete a qualidade do cuidado prestado, além de possibilitar o agravamento de doenças que levam à institucionalização da pessoa idosa. Neste sentido a Prefeitura de Belo Horizonte implantou em 2009, o Projeto Qualificação do Cuidado ao Idoso Frágil (PQCIF), com o objetivo de capacitar profissionais na temática do envelhecimento e do cuidado, além da formação de grupos de cuidadores nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) da cidade, destinada ao apoio ao cuidador. A metodologia de trabalho com grupos foi escolhida por facilitar a escuta, possibilitar o sentimento de inclusão, valorização, pertencimento e a troca de informações entre os participantes. Considerando que entre 2009 e 2013, 4.305 profissionais foram capacitados e 121 grupos realizados em 104 das 147 UBS do município, este estudo buscou conhecer a percepção do cuidador familiar de idosos frágeis sobre o cuidado e sua participação nos grupos. Tratou-se de estudo exploratório descritivo com abordagem quantitativa e qualitativa. Em 2013 foram realizados seis grupos que contou com a participação de 91 pessoas, dos quais 37 eram cuidadores familiares, que atendiam aos critérios de inclusão do estudo. Na etapa quantitativa todos os cuidadores selecionados responderam o questionário permitindo traçar o perfil sociodemográfico do grupo. Na segunda etapa, foram realizadas entrevistas individuais para conhecer a percepção dos cuidadores familiares sobre o cuidado e sua participação nos grupos. Foram selecionados 14 cuidadores considerando a multivocalidade quanto ao gênero, à idade, o grau de parentesco com a pessoa cuidada, o local de moradia e o tempo de cuidado. O tamanho da amostra foi definido pelo critério de saturação. Nos resultados observou-se que o perfil de cuidadores familiares é semelhante ao encontrado em outros estudos, ou seja: um membro da família, geralmente mulher (94,6%), com idade média de 59 anos (± 13 anos). A renda familiar variou entre 2 e 3 salários mínimos (51,4%), sendo que 75,7% dos cuidadores tinham renda própria advinda de aposentadoria. Mais de 75% residiam com a pessoa idosa, em casa própria, com 2 a 5 pessoas ou mais (94,5%), ou próximo a ela. O familiar cuida do idoso ao longo de 24 horas (45,9%), por muitos anos, abandonando ou reduzindo suas atividades de trabalho, sociais e de lazer, por não contar com ajuda (32,4%). 97,3% declararam não ter recebido preparo para o cuidado. Quanto ás atividades sociais e de lazer, 62,2% não saem para lugares públicos nem participam de grupos ou atividades da comunidade por se sentirem sobrecarregados, sem interesse, ou por não ter com quem deixar a pessoa idosa. Cuidar significa atender as necessidades da pessoa idosa e expressa a reciprocidade de atenção no âmbito familiar, porém desperta sentimentos ambivalentes, como sentir bem, dever cumprido, satisfação, cansaço, amor, impaciência, obrigação. Os cuidadores consideraram os grupos uma forma importante de apoio, por possibilitar o sentimento de inclusão, valorização e segurança e permitir a troca de experiências e conhecimentos, refletindo positivamente no cuidado e na maior vinculação com o serviço de saúde. Destacaram como positivas as atividades onde experimentaram situações vivenciadas pela pessoa idosa, bem como a disponibilidade da equipe, horário, local e tempo de duração dos encontros (entre 60 e 90 minutos). Entre as lacunas estão a ausência de alguns temas como nutrição e institucionalização e a dificuldade para sair de casa. Para viabilizar a participação em futuras atividades, os cuidadores familiares sugeriram que o serviço de saúde disponibilize cuidadores substitutos, pelo período em que se ausentam. Grupos de cuidadores, conduzidos por profissionais da atenção primária à saúde, segundo os participantes abrem portas para o serviço, é uma possibilidade de aprendizagem de novas habilidades, troca de experiências e mudanças positivas no cuidado. O grupo traz benefícios aos cuidadores em relação à compreensão do processo de envelhecimento, do cuidado de si e do outro. Como conclusão do estudo, observou-se que o apoio ao cuidador apesar de ser uma recomendação legal ainda é realizado de forma incipiente. Assim, é fundamental que os gestores públicos reconheçam a potencialidade de ações semelhantes ao PQCIF como estratégia de fortalecimento de vínculo, de otimização dos recursos da rede de atenção e cuidado a uma população até então invisível ao serviço: os cuidadores familiares.
Estudo dos mecanismos associados à disfunção cognitiva em modelo murino de malária cerebral
A malária é a principal e a mais grave doença parasitária da humanidade. A Malária cerebral (MC) tem sido definida como uma encefalopatia aguda, difusa, potencialmente reversível, caracterizada por coma e presença de formas assexuadas do P. falciparum em esfregaço sanguíneo, com exclusão de outras causas de encefalopatias. Apresenta uma fisiopatologia complexa e pouco elucidada, na qual alterações vasculares, imunológicas e metabólicas têm sido descritas. A taxa de mortalidade é alta e 10 a 20% daqueles que sobrevivem permanecem com transtornos cognitivos e comportamentais mesmo após a efetiva resolução da infecção por antimaláricos. Nesse contexto, estudos que investiguem os mecanismos celulares e moleculares envolvidos na patogênese da MC, bem como a eficácia de terapias adjuvantes em melhorar o prognóstico da MC são urgentemente recomendados. No presente estudo, utilizando o modelo experimental de MC por Plasmodium berghei ANKA (PbA), demonstramos que o aumento da concentração de citocinas inflamatórias (IL-6, IFN- e TNF-) e da quimiocina CCL11 no hipocampo alterou a expressão de fatores neurotróficos, reduzindo a neurogenêse e induzindo a morte celular nessa região, o que contribuiu para os déficits cognitivos observados durante a fase aguda da infecção. A administração de uma única dose do antimalárico artesunato (32mg/kg) foi capaz de atenuar significativamente a produção de citocinas inflamatórias no hipocampo e no córtex frontal no quinto dia após a infecção, promovendo melhora significativa na sobrevida e nos sinais clínicos típicos da MC. O tratamento com o MK801 (0.5mg/kg), um antagonista de receptores glutamatérgicos do tipo NMDA, preveniu o desenvolvimento de transtornos cognitivos e comportamentais após a resolução da infecção com o antimalárico cloroquina (30mg/kg). Adicionalmente, o MK801 foi capaz de modular a resposta inflamatória TH1/TH2 e induzir a produção de fatores neurotróficos no hipocampo e no córtex frontal, conferindo assim um efeito neuroprotetor. Dessa forma, este estudo forneceu evidências sobre o papel dos mediadores inflamatórios em regular eventos como a neurogênese e a morte celular no hipocampo durante a fase aguda da MC que contribuem significativamente para o desenvolvimento dos déficits cognitivos. A ocorrência de sequelas cognitivas e comportamentais após a resolução do processo infeccioso depende da interação entre os sistemas imune e de neurotransmissores, indicando que intervenções direcionadas a modulação do sistema glutamatérgico podem constituir potenciais adjuvantes terapêuticos ao tratamento antimalárico.
Prevalência de marcadores sorológicos de doença celíaca em pré escolares, escolares e adolescentes assintomáticos e sem fatores de risco
Inaugurado em 21 de agosto de 1928 o complexo hospitalar denominado Campus Saúde tem como base o Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais (HC-UFMG). O HC-UFMG é um hospital geral, universitário, que realiza atividades de assistência, ensino, pesquisa e extensão no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), sendo referência municipal e estadual devido ao atendimento de média e alta complexidade. Além do atendimento hospitalar o Campus Saúde conta com diversos ambulatórios. A demanda crescente por atendimento especializado nas diversas áreas da Medicina favorecem a diversidade populacional atendida neste serviço e a formação de uma amostra de conveniência. O estudo transversal está organizado no formato de dois artigos e foi realizado com o apoio dos serviços de coleta laboratorial do Hospital das Clínicas, do ambulatório de Gastroenterologia Pediátrica localizado no ambulatório São Vicente, do laboratório de pesquisa em Gastroenterologia Pediátrica e do Serviço de Anatomia Patológica localizados na Faculdade de Medicina e do Instituto Alfa de Gastroenterologia localizado no Hospital das Clínicas. A verba para a realização dos testes sorológicos e das bolsas de acadêmicos de iniciação científica envolvidos no estudo foi obtida através de verba de pesquisa de Pós Graduação do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) em nome do pesquisador Francisco José Penna, coordenador do grupo de Gastroenterologia Pediátrica da Faculdade de Medicina da UFMG.
Efeitos da tração no funículo espermático sobre o testículo, epidídimo e ducto deferente de ratos
A hérnia inguinal indireta e a criptorquia são doenças cujo tratamento cirúrgico envolve a tração intraoperatória do funículo espermático. O objetivo do experimento foi estudar as lesões que podem ocorrer no testículo, epidídimo e ducto deferente decorrentes da tração no funículo espermático de ratos. Os 40 ratos adultos, machos, Wistar foram alocados randomicamente em quatro grupos de 10 animais. Foi aplicada força de tração no funículo espermático direito de 1,6 Newton (N) no grupo I e de 1 N no grupo II. O grupo III foi utilizado para operação simulada e o grupo IV foi o controle. O volume testicular foi mensurado antes e após a aplicação da força de tração por exame ultrassonográfico e pelo paquímetro. As comparações das variáveis e dos grupos foram feitas a partir dos testes F (ANOVA) e Kruskal-Wallis. Foi utilizado nível de significância de 5%. Quando o testículo direito foi examinado pela classificação histológica de Kolbe, o grupo I apresentou maior graduação que os demais (II, III e IV) e o grupo IV apresentou menor graduação que os grupos II e III. O lado esquerdo teve os grupos III e IV com menor graduação histológica de Kolbe que os grupos I e II. O volume testicular final do lado direito medido pelo paquímetro no grupo IV foi maior que nos grupos I, II, e III. No lado esquerdo, esse volume do grupo I foi menor que nos grupos III e IV. No exame ultrassonográfico, o volume testicular final no lado direito do grupo IV foi maior que dos grupos I e III. Houve concordância razoável e correlação positiva que foram significantes em relação à redução percentual do volume testicular direito pelo exame ultrassonográfico e pelo paquímetro, nos ratos dos grupos I, II e III. Foi encontrada necrose testicular direita em 50% dos ratos do grupo I e em 40% dos ratos do grupo III. O peso testicular final no lado direito foi maior nos ratos do grupo IV que nos demais grupos. No epidídimo direito, em 71,8% dos ratos houve redução dos espermatozoides intraluminais e 5% ausência de espermatozoides. Quanto ao epidídimo esquerdo, 37,5% dos ratos tiveram redução dos espermatozoides no lúmen. No testículo foi evidenciada redução do número de células de Sertoli, necrose e redução das células germinativas nos túbulos seminíferos. Houve diminuição do volume testicular final. Houve diminuição do peso testicular final no lado direito. No epidídimo houve redução do número de espermatozoides. No ducto deferente não foi evidenciado redução da espessura da camada muscular, processo inflamatório, ruptura e nem dano na mucosa. A tração do funículo espermático ocasionou comprometimento da estrutura e da função do testículo e do epidídimo de ratos. No intraoperatório, é fundamental a manipulação delicada do funículo espermático, do testículo e do epidídimo, para evitar dano nessas estruturas.
Estudo de mecanismos de patogenicidade utilizados pela Salmonella enterica sorotipo typhimurium e Salmonella enterica sorotipo typhi no intestino de modelos animais de infecção
A salmonelose, uma das principais doenças de origem alimentar, é causada pela infecção por Salmonella enterica, bactéria Gram negativa pertencente à família Enterobacteriaceae. A infecção por S. enterica em seres humanos pode causar a enterite não-tifoide, que se caracteriza pelo quadro de enterite neutrofílica e é causada predominantemente por S. enterica sorotipos Typhimurium e Enteritidis, ou a febre tifoide, que se caracteriza por disseminação sistêmica de S. enterica sorotipos Typhi ou Paratyphi A, Paratyphi B ou Paratyphi C. Os objetivos deste trabalho foram avaliar mecanismos de patogenicidade de S. Typhimurium e de S. Typhi no intestino de animais usados como modelos experimentais de infecção. Buscou-se avaliar os mecanismos de absorção de ferro ferroso e férrico relacionados à sobrevivência intestinal de S. Typhimurium em condições de inflamação. Foram utilizados os modelos murino pré-tratado com estreptomicina, murino tratado com DSS a 3% e de ligadura cirúrgica de alças ilíacas de bezerro. Nos modelos murinos pré-tratado com estreptomicina e tratado com DSS a 3%, as coinfecções com a cepa de referência de S. Typhimurium e uma das mutantes tonB feoB, feoB, tonB ou iroN demonstraram que a absorção de ferro férrico mediada por IroN e TonB confere vantagem competitiva a S. Typhimurium em ambiente inflamado. Paralelamente, durante este trabalho foram estudados mecanismos que S. Typhi utiliza para suprimir a resposta inflamatória no ambiente intestinal. Foi demonstrado que a inserção do gene tviA, regulador da síntese da proteína Vi capsular de S. Typhi, no genoma de S. Typhimurium não altera a capacidade de invasão de S. Typhimurium mas causa diminuição do acúmulo de fluido e da inflamação no modelo de ligadura de alça ilíaca de bezerro. Os modelos de infecção animal demonstraram ser ferramentas importantes para avaliação dos mecanismos de patogenicidade tanto de S. Typhimurium quanto de S. Typhi no ambiente intestinal.
2019-08-10T16:43:10Z
Luciana Fachini da Costa
O olhar do agente comunitário de saúde no cuidado ao idoso a partir da análise documental das atas de reuniões das equipes de saúde da família
Introdução: O envelhecimento populacional vem ocorrendo no Brasil de forma acelerada, passando de 7,6% em 1996 para 10,8%, em 2010; com previsão de que, em 2025, alcance 14% do total. Em 2011, Minas Gerais contava com a segunda maior população do país, 2,6 milhões de pessoas, sendo 299.572 idosos residentes em Belo Horizonte. O envelhecimento acarreta demandas específicas aos serviços de saúde, sendo que a Atenção Básica, a Estratégia Saúde da Família (ESF) e em especial os Agentes Comunitários de Saúde (ACS) assumem papel fundamental no cuidado dessas pessoas e necessitam ser qualificados e apoiados para cuidar dos idosos e de seus familiares no território sob sua responsabilidade. Nesse sentido, a Prefeitura de Belo Horizonte implantou em 2009 o Projeto de Qualificação do Cuidado ao Idoso Frágil (PQCIF), com os objetivos de capacitar profissionais de saúde e implementar grupos para apoiar os cuidadores familiares de idosos. A capacitação dos ACS contemplou diferentes temas relacionados à saúde do idoso, com o total de 20 horas de aulas. Objetivos: Este estudo buscou conhecer as possíveis mudanças nas práticas de saúde dos ACS que participaram da qualificação pelo PQCIF e comparar se aqueles que participaram do projeto lida de maneira diferente com o cuidado ao idoso em relação aos que não participaram. Método: Foi feito estudo qualitativo, por meio de análise das atas de reuniões das equipes de Saúde da Família (SF) realizadas no período de 01/03 a 31/05/14 buscando conhecer como foram tratadas as questões envolvendo o cuidado de idosos. Considerando que a implementação do projeto se deu de forma desigual nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) de BH, as unidades foram divididas em dois conjuntos: um com as 104 UBS que realizaram grupos e outro com as 43 UBS que não o fizeram. Para seleção da amostra de estudo, foram sorteadas aleatoriamente 24 UBS de cada um desses conjuntos, totalizando um universo de 48 UBS, que representam 30% do total de unidades do município. Em cada UBS da amostra foi sorteada aleatoriamente uma equipe de SF que teve os registros das atas de suas reuniões analisadas. Quando os registros envolviam o cuidado à pessoa idosa, os fragmentos das atas com o assunto eram fotocopiados para uma análise mais aprofundada. Resultados: Participaram das reuniões no período estudado 250 profissionais, destes 130 eram ACS, dos quais 126 do sexo feminino, com média de idade de 43,7 ± 9,6 anos, sendo 67,7% com menos de 50 anos. Do total de profissionais, 125 participaram do PQCIF e destes 91 eram ACS. No momento da coleta de dados a pesquisadora desconhecia se o ACS que participou da reunião de equipe havia ou não sido capacitado pelo PQCIF. Foram lidos 264 registros de atas de reuniões, com a identificação de 4.129 pautas, abrangendo questões como: os Agendamentos em geral que lideraram os registros com 23,2% (959 vezes); os Aspectos Administrativos apareceram em terceiro lugar com 10,6% (439 vezes): a Saúde da Mulher com 5,1% (209 vezes); a Saúde da Criança com 3,1% (130 vezes), a Saúde Mental 2,9% (119 vezes), já o tema Saúde do Idoso apareceu apenas 1,9% (80 vezes); a Saúde do Adolescente 0,6%, (26 vezes) e a Saúde do Adulto 0,2% (8 vezes). Todas as atas estavam manuscritas, exceto duas nas quais parte dos registros foi digitado. Todos os registros com informações dos idosos foram analisados detalhadamente e categorizados em: Atenção à Saúde, Violência e Questões Organizacionais, totalizando 71 assuntos. Destes, 53 foram discutidos em UBS que realizaram grupos com cuidadores de idosos frágeis na área de abrangência, sendo que 35 encaminhados por profissionais que participaram da capacitação do PQCIF. Entre os profissionais que levaram pautas da Saúde do Idoso para as reuniões, 16 eram ACS, dos quais 12 deles participantes do PQCIF. Além disso, dos 16 ACS que encaminharam pautas de idoso para as reuniões, 9 atuavam em UBS que realizaram grupos com cuidadores de idosos promovidos pelo referido projeto. A análise dos resultados revelou que nas UBS com maior envolvimento no PQCIF, os ACS (e os demais profissionais) mostraram-se mais sensibilizados para o cuidado com a pessoa idosa, isto sugere que as atividades propostas pelo projeto capacitação e realização de grupos de cuidadores nas UBS possibilitaram enxergar a população idosa com um olhar diferenciado. O presente estudo parece indicar que ACS quando se sentem mais preparados para atuar no SUS apresentam maior participação em ações no território, evidenciando a importância da qualificação profissional no aprimoramento das práticas em saúde. Os resultados trazem que a pessoa idosa é pouco incluída nas discussões das equipes. Esta invisibilidade pode estar ancorada no modelo de cuidado ainda focado em doenças, em preconceitos ou mesmo no desconhecimento do que poderia ser feito para conquistar um envelhecimento digno.
2019-08-14T22:11:12Z
Mônica de Assis Fontes Silva
Efeitos da administração oral de Saccharomyces cerevisiae linhagem UFMG A-905 em um modelo murino de Doença de Crohn induzida por TNBS
As Doenças Inflamatórias Intestinais (DII) são um grupo de doenças crônicas de etiologia desconhecida que possuem duas formas principais de apresentação: a Doença de Crohn (DC) e a Reto-Colite Ulcerativa (RCU). A DC é caracterizada por inflamação crônica da mucosa, não curável por tratamento clínico ou cirúrgico e que acomete o trato 10 gastrointestinal de forma uni ou multifocal, de intensidade variável e transmural. A introdução dos probióticos (micro-organismos vivos que quando ingeridos em quantidades suficientes, conferem um benefício à saúde do hospedeiro), tem-se mostrado eficaz no prolongamento do tempo de remissão da DC, permitindo uma melhora significativa na qualidade de vida dos indivíduos acometidos por essa patologia. Dentre as linhagens de 15 probióticos existentes, a levedura Saccharomyces cerevisiae linhagem UFMG A-905 foi capaz de reduzir a ação de alguns enteropatógenos e de prevenir aumento da permeabilidade intestinal em modelos de inflamação intestinal quando utilizada como probiótico. O objetivo deste estudo foi avaliar o efeito probiótico dessa levedura em modelo murino da DC induzida por ácido 2,4,6-trinitrobenzenosulfônico (TNBS). Foram 20 utilizados camundongos BALB/c, fêmeas, com indução da DC pelo TNBS (solução de TNBS 5% w/v) 10 dias após o início do tratamento com o probiótico. No quinto dia após a indução, os animais foram sacrificados e diferentes parâmetros avaliados. Observou-se uma melhora no grupo tratado com o probiótico nos sinais clínicos da doença em relação ao grupo não tratado. Na análise morfométrica e histopatológica, o efeito benéfico da 25 levedura pode ser observado com redução da área inflamada. A permeabilidade intestinal estava aumentada no grupo TNBS, e reduzida de maneira significativa no grupo tratado com probiótico. A condição inflamatória foi reduzida significativamente quando a levedura foi administrada de maneira preventiva, com a diminuição dos sinais clínicos, do recrutamento de neutrófilos, eosinófilos e macrófagos para o foco da inflamação e de 30 citocinas pro-inflamatórias. Com esses resultados, conclui-se que o probiótico S. cerevisiae UFMG A-905 possui um efeito atenuante em modelo agudo da DC, sendo que mais estudos são necessárias para elucidar os mecanismos responsáveis por este efeito.
Avaliação da presença de células leucêmicas no líquido cefalorraquidiano pelas técnicas de imunofenotipagem e reação em cadeia da polimerase em crianças e adolescentes com diagnóstico de leucemia linfoide aguda
As leucemias agudas correspondem à maioria das neoplasias na infância, sendo responsáveis por cerca de um terço das doenças malignas nesta faixa etária. A leucemia linfoide aguda (LLA) é diagnosticada em 75% dos casos (INABA et al, 2013). Até 1950 o diagnóstico de leucemia aguda era fatal, com sobrevida em torno de três meses. Na década de 1950, surgiram os primeiros relatos do uso de quimioterapia (QT) no tratamento de leucemias (SIMONE, 2006). Tal fato transformou radicalmente a evolução da doença. Atualmente, nos serviços de referência para tratamento de LLA na infância, as taxas de cura aproximam-se dos 90% (LANINGHAM et al, 2007; INABA et al, 2013; PUI et al, 2012). Por ser uma doença sistêmica, a LLA comumente apresenta sinais de acometimento extramedular. O sistema nervoso central (SNC) é o sítio extramedular mais acometido ao diagnóstico (< 5% dos pacientes) e às recidivas (entre 5 a 10% dos pacientes) (GASSAS et al, 2014; PUI et al, 2009). Alguns fatores de risco observados ao diagnóstico de LLA foram associados a um maior risco de recidiva da doença. Em relação às recidivas no SNC, os fatores de risco identificados foram: imunofenótipo T dos blastos leucêmicos, presença de alterações citogenéticas t(9;22) e t(4;11), hiperleucocitose e presença de infiltração em SNC ao diagnóstico (PUI et al, 2004).
2019-08-10T10:24:44Z
Camila Silva Peres Cancela
Análise farmacoepidemiológica e farmacoeconômica do tratamento da espondilite anquilosante com os bloqueadores do fator de necrose tumoral (TNF)
Introdução. A espondilite anquilosante (EA) é uma doença crônica, que afeta principalmente a coluna vertebral e é caracterizada por dor e inflamação na região lombar. No Sistema Único de Saúde (SUS) estão disponíveis para o tratamento da EA, no Componente Especializado da Assistência Farmacêutica, os medicamentos modificadores do curso da doença (MMCD) e os bloqueadores do fator de necrose tumoral (TNF), entre eles infliximabe, etanercepte e adalimumabe. Os agentes anti-TNF são indicados quando o paciente persiste com atividade da doença por três meses após o tratamento convencional com anti-inflamatórios não esteroidais. O anti-TNF golimumabe não está incorporado ao SUS para a terapia da EA. Objetivos. Avaliar a eficácia, efetividade, segurança, custo e custo-utilidade do tratamento da EA com os agentes anti-TNF infliximabe, etanercepte, adalimumabe e golimumabe. Métodos. Foram realizadas uma revisão sistemática com metanálises de ensaios clínicos randomizados para avaliar eficácia e segurança e uma coorte prospectiva de 12 meses de seguimento para avaliar efetividade e segurança do tratamento da EA com os agentes anti-TNF. A eficácia e efetividade foram avaliadas por medidas de atividade da doença, funcionalidade e qualidade de vida. Foi estabelecida uma coorte histórica de 3,5 anos de seguimento de pacientes com EA em Minas Gerais com bases de dados administrativas do SUS. A partir dessa coorte, foram avaliados a persistência a terapia com agentes anti-TNF e MMCD e o gasto mediano mensal por individuo de acordo com o esquema de tratamento. Uma coorte histórica de âmbito nacional com bases administrativas do SUS de 8 anos de seguimento foi conduzida para avaliar o risco de hospitalização por infecção associado a exposição de anti-TNF e MMCD em pacientes com EA e artrite reumatoide (AR), considerando a exposição à terapia medicamentosa uma variável tempo-dependente. Foi realizada uma análise de custo-utilidade na perspectiva do SUS que compara o etanercepte e o golimumabe. O modelo de análise foi desenvolvido com horizonte temporal de 5 e 25 anos e desconto de 5% nos custos e benefícios. Foram considerados os custos médicos diretos e uma análise de sensibilidade foi conduzida para garantir a robustez dos resultados. Para todas as análises, adotou-se um nível de significância de 5%. A metanálise foi conduzida no Review Manager® 5.1, as análises estatísticas dos estudos observacionais foram realizadas utilizando-se SAS 9.4 e o modelo econômico foi realizado no TreeAge Pro 2014. Resultados. A revisão sistemática incluiu dezoito estudos e as metanálises mostraram que pacientes tratados com os agentes anti-TNF apresentaram maior chance de resposta ASAS 20 em 12/14 semanas (risco relativo RR 2,21; intervalo de confiança IC 95% 1,91; 2,56) e em 24 semanas (RR 2,68; IC 95% 2,06; 3,48) em relação ao grupo controle. As metanálises de segurança e perda de acompanhamento não mostraram resultados com significância estatística. No estudo prospectivo, foram incluídos 98 pacientes sendo que 64,9% deles tiveram boa resposta clínica em 6 meses de acompanhamento e 93 reações adversas foram relatadas. Na coorte histórica de Minas Gerais, foram analisados 1.251 pacientes com EA. No primeiro ano de acompanhamento, 79,0% do grupo anti-TNF (+/-MMCD) e 41,1% do grupo MMCD persistiram no tratamento. O custo mediano mensal foi de R$65 para MMCD e de R$4.314 para o tratamento com anti-TNF e, entre estes, o etanercepte apresentou menor custo. Na coorte histórica de âmbito nacional, 86.398 pacientes com EA e AR foram incluídos e a taxa da primeira hospitalização por infecção foi de 6,08, 7,62, 4,83 e 7,57 por 1000 pacientes-ano para não uso, exposição corrente de de MMCD, de anti-TNF e de anti-TNF+MMCD, respectivamente. O hazard ratio (HR) ajustado (IC 95%) foi de 1,27 (1,10; 1,47) para uso corrente de MMCD e de 0,85 (0,67; 1,09) para uso corrente de anti-TNF em comparação com não uso. O HR ajustado da combinação anti-TNF e MMCD comparado com o não uso foi de 1,36 (0,90; 2,05). No estudo de custo-utilidade, em 5 e 25 anos o golimumabe apresentou menor custo e menor efetividade comparado com o etanecerpte e a razão de custo-efetividade incremental (RCEI) foi R$311.341,41 e R$157.185,80 por anos de vida ajustados pela qualidade (AVAQ) em 5 e 25 anos, respetivamente. Conclusões. Os agentes anti-TNF são eficazes e efetivos na terapia da EA e estão associados a ocorrência de infecções e outras reações adversas. Entretanto, o risco de infecção grave associado a exposição com anti-TNF não diferiu da exposição não uso. Esses medicamentos contribuem expressivamente para o elevado gasto no tratamento da EA e a terapia com etanercepte apresentou menor custo por paciente comparado com adalimumabe e infliximabe. O golimumabe foi considerado uma alternativa custo-efetiva na perspectiva do SUS, entretanto esse resultado possui um certo grau de incerteza e estudos adicionais devem ser conduzidos antes da incorporação da tecnologia no SUS.
2019-08-14T06:06:25Z
Marina Amaral de Avila Machado
Grupos de familiares de adolescentes: a percepção dos familiares em um ambulatório do Hospital das Clínicas da UFMG
O presente trabalho tem como objetivo relatar a experiência da percepção dos participantes sobre o atendimento em grupo de familiares de adolescentes no ambulatório Bias Fortes do Hospital das Clínicas da UFMG, em Belo Horizonte/MG. O grupo foi coordenado por duas assistentes sociais e uma médica pediatra. A experiência foi realizada em nove encontros, no segundo semestre de 2012, e contou com a participação de familiares/responsáveis dos adolescentes: pais, mães, avó, tia, e vizinha.Para os familiares dos adolescentes, o grupo se configura como um espaço de escuta onde através da troca de experiências elaboram questões sobre a adolescência favorecendo o fortalecimento de vínculo com o adolescente.Essa pesquisa permitiu reconhecer a importância do grupopor beneficiar à interação dos familiares e das coordenadoras, que por meio de suas posturas reflexivas e acolhedoras ainda contribuem para que os participantes possam expressar idéias e melhorar a convivência com os outros.
2019-08-14T10:25:22Z
Lucilene Aparecida dos Santos
Cauterização endoscópica do plexo coroide no tratamento da Hidranencefalia e Hidrocefalia Extrema
Introdução: Hidranencefalia caracteriza-se pela ausência dos hemisférios cerebrais mantendo-se intactos as meninges e o crânio. Hidrocefalia extrema representa o grau máximo de dilatação ventricular preservando fino manto cortical, principalmente na região frontal. O tratamento padrão destas entidades consiste no implante de derivações ventriculares para o peritônio, porém as complicações são muito frequentes. A cauterização do plexo coroide (CPC) surge como uma alternativa, porém sua eficácia a longo prazo e fatores associados ao sucesso e falha do tratamento no controle do crescimento do perímetro cefálico (PC) ainda não são bem definidos na literatura. Método: Quarenta e duas crianças submetidas a CPC devido a hidranencefalia e hidrocefalia extrema, no Hospital das Clínicas ou Hospital da Baleia, foram avaliadas, retrospectivamente, de 2006 a 2014. Crianças com seguimento inferior a três meses foram excluídas. A primeira parte do trabalho avaliou a possível influência de variáveis na taxa de sucesso (presença de infecção intrauterina, tipo de distúrbio de acúmulo do líquor, idade da criança e PC no momento da cirurgia e no nascimento, realização ou não de terceiro ventriculostomia nos casos de hidrocefalia extrema). Na segunda parte do trabalho, as imagens tomográficas pré-operatórias foram comparadas aos aspectos anatômicos intraoperatórios. Foram criados dois padrões anatômicos chamados de clássicos e destrutivos. As variáveis anatômicas foram comparadas ao sucesso ou falha do tratamento. Resultados: Trinta e quatro crianças foram seguidas por mais de três meses e foram consideradas na análise da eficácia. Houve sucesso do tratamento em 24 (70,6%) crianças e falha em 10 (29,4%). Nos casos em que houve falha, esta aconteceu precocemente após o procedimento endoscópico (mediana 116 dias). Não houve diferença na eficácia quando se comparou a idade no momento da cirurgia (p=0,473), tipo de malformação (p=1), PC no nascimento (0,699), PC no momento da cirurgia (p=0,648) e realização ou não da terceiro ventriculostomia (p=0,564). Dezoito pacientes, com seguimento acima de três meses, possuíam vídeos e tomografias que permitiram a realização da análise anatômica. Não houve diferença significante na eficácia do procedimento em relação a classificação morfológica (clássico x destrutivo, p=0,631) e nem em relação as alternâncias no volume do plexo coroide (p=0,321). A mortalidade cirúrgica foi de 7,14%. Conclusão: A cauterização endoscópica do plexo coroide foi procedimento válido no manejo da hidranencefalia e hidrocefalia extrema mostrando eficácia em 70,6% dos casos com um seguimento médio de 32 meses. As falhas, quando ocorreram, foram precoces. Nenhuma das variáveis analisadas interferiu no sucesso do tratamento.
2019-08-12T17:52:35Z
Hugo Abi-saber Rodrigues Pedrosa
Variações anatômicas da Tenossinovite de De Quervain: comparação dos achados cirúrgicos em pacientes portadores da doença com os achados em cadáveres
Objetivo: avaliar a incidência de variações anatômicas no primeiro compartimento extensor de pacientes com tenossinovite de De Quervain submetidos ao tratamento cirúrgico e comparar com achados de punhos cadavéricos humanos. Casuística e métodos: no período de janeiro de 2013 a abril de 2014, 101 pacientes foram submetidos à tenolise do primeiro túnel extensor do punho, sendo 82 mulheres (82%) e 19 homens (19%) com idade média de 55,4 anos. Concomitantemente, 65 punhos de cadáveres formolizados foram dissecados, sendo 32 masculinos (49%), 13 femininos (20%) e 20 sem identificação do gênero (31%). Resultados: as variações anatômicas foram observadas em todos os pacientes operados. A septação do primeiro túnel foi identificada em 63 pacientes (62%). Tendões extranumerários do abdutor longo do polegar ocorreram em 87 pacientes (86,1%). As variações anatômicas do extensor curto do polegar foram registradas em oito pacientes (8%). Nos cadáveres, 51 punhos (79%) não apresentaram septação do primeiro túnel e em 31 (48%) encontrou-se um tendão do abdutor longo do polegar. Todos os punhos cadavéricos tinham único tendão do extensor curto do polegar. O número de túneis e de tendões abdutores longos do polegar foram maiores nos pacientes operados em comparação aos cadáveres (p<0,01). Nenhuma diferença foi observada quanto à quantidade de tendões extensores (p = 0,08) entre os pacientes e os punhos cadavéricos. Conclusão: existe algum tipo de variação anatômica em todos os casos que necessitaram de tratamento cirúrgico na tenossinovite de De Quervain. A variação anatômica do primeiro espaço extensor é comum na população geral assintomática.
2019-08-09T21:05:26Z
Paulo Randal Pires Junior