Repositório RCAAP

Editorial da RSPA Vol 21 N 3, 2012

O presente número da Revista da SPA inicia a sua escrita segundo o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa. Este acordo entrou em vigor em 13 de Maio de 2009 com um período de transição de seis anos para Portugal. Esta decisão prende-se com duas ordens fatores: a necessidade de implementar o que está em lei e o envio de trabalhos para submissão redigidos, quase exclusivamente, em sintonia com o Acordo.   A edição deste número continua a revisão sobre Farmacologia Cardiovascular (2ª parte) na vertente dos diuréticos e vasodilatadores. Apresentam-se duas revisões adicionais: - Uma, sobre o potencial terapêutico dos canabinóides sintéticos e o reconhecimento de recetores específicos no sistema endocanabinóide com aplicabilidade clínica na terapêutica da dor aguda e crónica. - Outra, sobre as mucopolissacaridoses. Um grupo heterogéneo de doenças hereditárias por deficiência de enzimas do metabolismo dos glicosaminoglicanos com evolução crónica e sistémica prevalente na idade pediátrica. A anestesiologia pediátrica é revista num contexto histórico em Portugal. Esta temática histórica vai ter continuidade em próximos números e deseja-se que constituam registos da nossa memória anestesiológica. Este assunto terá um tratamento mais desenvolvido no próximo número. No programa do Congresso Anual da SPA decorreu em regime de pré-congresso a Reunião de Formação & Ensino. Neste número da Revista damos a conhecer os resultados desta reunião cujo resumo foi elaborado pelos seus promotores. Este tema de “Formação & Ensino” é, particularmente, importante para a nossa especialidade. A aplicação do Decreto de Lei aprovado no Diário da República de Janeiro de 2011 (1ª série, nº 18-26 de Janeiro de 2011, portaria 49/2011) vem equiparar, em duração da formação, a especialidade de Anestesiologia ao que se verifica na maioria dos países europeus. Este projeto de alteração e revisão do programa de formação em Anestesiologia foi enviado ao CNE em Junho de 2004. Desde então foi alterado e revisto sucessivamente, pela persistência e esforço das sucessivas direções do Colégio da Especialidade, que culminou no documento atual.     Importa pois refletir sobre a qualidade da formação ministrada e os novos desafios ou complementaridades a que a especialidade tem de estar atenta. Algumas das reflexões inseridas no referido texto estão em linha com as preocupações atuais relativas à relevância dos fatores humanos no desempenho das equipas, na prevenção do erro médico e segurança do doente. A análise destes fatores (ex. liderança, comunicação e trabalho de equipa) que poderemos designar como competências não-técnicas tem sido estudada desde o final dos anos 80 do século passado 1. O seu treino tem sido implementado em programa estruturados a nível europeu de forma compulsiva (Dinamarca) 2 ou opcional através de programas de simulação médica. Trata-se de uma ferramenta pedagógica particularmente interessante e cuja evidência científica tem vindo a emergir em estudos de evolução clínica 3. A Anestesiologia tem sido, provavelmente, a especialidade com maiores preocupações na área da segurança do doente. Somos, desta forma, líderes naturais na área da segurança e estes aspetos devem merecer a atenção necessária nos programas formativos. Para prosseguir este caminho é vital o investimento continuado na formação em competências técnicas e não-técnicas (estas últimas não contempladas no ensino designado por clássico ou tradicional).  Os Serviços de Anestesiologia como entidades autónomas, dentro de uma estrutura hospitalar, têm um papel fulcral nos programas formativos dentro e para fora da especialidade. A inadmissibilidade de recentes desenvolvimentos, leia-se Estudo para a Carta Hospitalar da ERS de 18 de Abril de 2012, vêm colocar em causa o trabalho empenhado de gerações de anestesiologistas na dignificação e elevada qualificação dos profissionais. Não está só em causa a independência da especialidade relativamente a outras, mas igualmente a preservação de aspectos relacionados com a formação médica e uma cultura de segurança, parâmetro indispensável na qualidade dos cuidados de saúde em Portugal.

Ano

2022-11-18T13:07:28Z

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Martins, António Augusto

Farmacologia clínica cardiovascular em anestesiologia - Farmacologia da proteção miocárdica - 2ª Parte

O progressivo envelhecimento da população nos países desenvolvidos originou uma elevada prevalência de doentes medicados com fármacos de ação cardiovascular. Os anestesiologistas devem conhecer as indicações e interações terapêuticas entre estes fármacos e os da anestesia. A evidência disponível permite falar de farmacologia da proteção miocárdica. As guidelines atuais seguem os estudos que apresentam melhores resultados relativamente aos fármacos a introduzir, manter ou suspender no perioperatório.

Ano

2022-11-18T13:07:28Z

Creators

Amaral, Cristina

O potencial analgésico dos canabinóides

A canábis tem sido utilizada como droga de abuso. As suas consequências são parcialmente compreendidas (ex. dependência, esquizofrenia, patologias da vias aéreas e infertilidade masculina). Na década de 90, foi iniciada a investigação sobre o seu potencial terapêutico. O sistema endocanabinóide foi descoberto e foram identificados recetores específicos: CB1, CB2,TRP e recetores atípicos. A investigação em animais e em humanos, mostra que os canabinóides sintéticos poderão ser muito úteis na terapêutica da dor aguda e da dor crónica.

Ano

2022-11-18T13:07:28Z

Creators

Duarte, Célia

Abordagem Anestésica das Mucopolissacaridoses

As mucopolissacaridoses (MPS) são um grupo de doenças hereditárias causadas por deficiência de enzimas do metabolismo dos glicosaminoglicanos (GAG), com consequente degradação incompleta dos GAG, que se depositam nos órgãos. São doenças crónicas, progressivas e multissistémicas. O envolvimento cardíaco e respiratório progressivo dá origem às principais causas de morte. As MPS condicionam uma série de processos fisiopatológicos que muitas vezes requerem intervenções cirúrgicas. Atualmente, com o aumento da esperança média de vida destes doentes, a preocupação com as implicações anestésicas desta doença estende-se a todos os anestesistas. Apesar de todos os progressos na abordagem anestésico-cirúrgica, a mortalidade perioperatória é, ainda, elevada. Na avaliação pré-operatória procura-se identificar todas as manifestações da doença, terapêuticas realizadas e antecedentes anestésico-cirúrgicos. A avaliação da via aérea deve incluir exames de imagem com os quais se pretende identificar situações como a subluxação de C1-C2 e a hipoplasia da apófise odontóide. Sempre que possível deve escolher-se uma técnica anestésica loco-regional de forma a evitar a abordagem da via aérea, no entanto isso é condicionado pela idade pediátrica, pelas co-morbilidades e pela cirurgia. Aabordagem da via aérea pode ser feita com intubação orotraqueal, por laringoscopia ou por fibroscopia, com máscara laríngea ou com traqueostomia. O pós-operatório destes doentes deve ser realizado numa Unidade de Cuidados Intensivos.

Ano

2022-11-18T13:07:28Z

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Marcelino, Margarida Marote, Luísa Patuleia, Maria Domingas

A Anestesia Pediátrica

 Provavelmente um dos maiores e mais espectaculares avanços tecnológicos e científicos na prática médica dos últimos anos, verificou-se no diagnóstico e tratamento de patologias do recém-nascido e crianças gravemente doentes. A Anestesia Pediátrica moderna é o resultado dos avanços conseguidos tanto na área da pediatria (neonatologia, cardiologia, cuidados intensivos, etc.), como no campo da anestesiologia, na sua tripla vertente: a anestesia para fins cirúrgicos, a reanimação e o tratamento da dor.

Ano

2022-11-18T13:07:28Z

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Barros, Fernanda

Editorial da RSPA Vol 21 N 4, 2012

A presente revista pretende ser uma reflexão sobre o futuro da especialidade tal como ela está definida pela União Europeia dos Médicos Especialistas (UEMS) / Secção de Anestesiologia (EBA) e a controvérsia gerada pela proposta de criação da especialidade médica primária de Medicina Intensiva. As opiniões expressas nos editoriais e artigos de opinião sobre este assunto apontam, sumariamente, para sérias limitações desta estratégia como: Comprometimento do conceito essencial da multidisciplinaridade da Medicina Intensiva A competência isolada nesta área limita as saídas profissionais e releva o problema do burnout do profissional de saúde Profissional com menor treino clínico com entrada ab initio numa área considerada complexa e abrangente A importação de conceitos sem a evidência clínica comprovada ou mesmo contrários a tal desiderato. Neste contexto, torna-se igualmente importante a análise crítica sobre as Diretrizes e Currículo da UEMS/EBA, publicadas em 2011, produzida pelo colega membro do Colégio da especialidade que colaborou na elaboração destas orientações – Professor Joaquim Viana.   (espaço separador)   A publicação de dois textos elaborados e anunciados durante as comemorações do Dia Mundial da Anestesiologia – 16 de Outubro – na cidade de Coimbra revestem-se de particular relevância para a nossa especialidade. A Declaração de Coimbra e a Carta da Anestesiologia e Direitos do Cidadão são dois documentos complementares e fruto de uma reflexão sobre o posicionamento da nossa especialidade dentro da comunidade médica e na sua relação com a sociedade civil. A ambiguidade vivida nas instituições de saúde, no momento atual, releva a importância de documentos que recentrem as especificações e complementaridades da Anestesiologia como especialidade médica transversal numa unidade de saúde. As áreas em que os anestesiologistas são peritos e reconhecidos dentro da UEMS – Medicina Perioperatória, Medicina Intensiva, Medicina de Emergência e Medicina da Dor - constituem a expressão e os pilares da especialidade. A instituição e promoção do Dia Mundial da Anestesiologia é uma forma mediática de chegar a públicos mais alargados, mas o trabalho continuado nas diferentes áreas em que ela é perita será fundamental para aumentar sua visibilidade.

Ano

2022-11-18T13:07:28Z

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Martins, António Augusto

A Anestesiologia em Portugal tal como outras especialidades

A Anestesiologia em Portugal tal como outras especialidades, debate-se com problemas em diversos níveis, ligados à instabilidade financeira, reorganização hospitalar e viragem do paradigma público/privado. A crise que o país atravessa  do ponto de vista financeiro e económico, tem influenciado de sobremaneira as decisões institucionais e individuais dos anestesiologistas e sobre a anestesiologia. É preocupante o desconhecimento para não dizer ignorância que responsáveis da área da saúde, gestores ou mesmo outros profissionais de saúde, têm sobre o papel do anestesiologista e na seu papel na estrutura hospitalar. O aparecimento de uma nova doença, a Excelite (utilização de uma ferramenta como fim e não como meio), promete tornar-se num fenómeno de erros em cadeia com as catastróficas repercussões que acompanhamos no dia a dia, pois no final a soma das partes não dá o resultado final requerido. As competências definidas para a especialidade de anestesiologia e sustentada pelos organismos que superintendem a inteligência médica (União Europeia dos Médicos Especialistas, Federação Mundial dos Médicos...) está bem cimentada e não oferece dúvidas no atual contexto da ciência médica: Medicina Perioperatória, Medicina Intensiva, Medicina da Dor, Medicina de Emergência. A publicação da carta dos direitos dos doentes anestesiados (Declaração de Helsínquia – já reproduzida nesta revista) é uma iniciativa importante que congregou várias instituições internacionais no sentido de serem acautelados os direitos dos doentes sempre que está em causa  a intervenção do anestesiologista. A recente iniciativa do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, no âmbito do Dia Mundial da Anestesiologia, com a promulgação de uma Carta da Anestesiologia e dos Direitos do Cidadão, assim como de um documento congregador da maioria dos Diretores de Serviço dos Serviços de Anestesiologia do País, na defesa do papel da anestesiologia na estrutura hospitalar, é um sinal importante sobre a consciencialização dos profissionais de saúde nas implicações negativas sobre a cidade civil , de determinadas concepções disfuncionais sobre o papel das diversas disciplinas médicas na organização hospitalar. Daí o alerta preventivo e a tomada de posição na defesa dos doentes. O percurso do doente anestesiado que se inicia com a indicação da necessidade de intervenção do anestesiologista, consulta anestésica, avaliação pré anestésica, intraoperatório, pós operatório, seja em recobro, unidade cuidados pós anestésicos, intermédios cirúrgico ou intensivos cirúrgicos e avaliação pós anestésica é todo um processo de garantia de qualidade e diminuição do risco do doente na sua passagem pela instituição hospitalar. As Unidades de Dor Crónica, ou Consultas de Dor, na sua quase esmagadora maioria, são mantidas por anestesiologistas , uns com maior perfil e conhecimentos que outros, alguns com maior dedicação, mas unidos por uma perspectiva de abordagem multidisciplinar, que só poderá manter-se de pé enquanto os Serviços de Anestesiologia forem o seu background nutritivo de conhecimentos e recursos. Na Medicina Intensiva os anestesiologistas desempenham um papel fundamental que lhes está subjacente ao seu core  activity, assim como no seu DNA como disciplina médica. Um bom exemplo da associação tridimensional da atividade do anestesiologista é a sua atividade numa Unidade de Queimados, onde um anestesiologista desempenha vários papéis impossíveis de reunir em qualquer outra especialidade. A vertente de médico intensivista, de anestesista no bloco operatório e nas situações de sedação em balneoterapia. O conhecimento e familiarização de diversas técnicas de alivio da dor são igualmente uma ferramenta importante nas alternativas a oferecer aos doentes no alivio do sofrimento e na diminuição das complicações que lhe são inerentes. Na emergência médica a sua capacidade de abordagem de via aérea, familiarização com situações de falência respiratória, abordagem aos quadros de disrupção cardiovascular e trauma apontam o anestesiologista como o especialista que tem de estar presente nos palcos onde esta disciplina se exerce. É infeliz a ideia de decompor da anestesiologia estes braços de saberes, atribuindo-os a pseudo supraespecialização, limitante da multidisciplinariedade, enganadora do resultado final como o demonstram os raros exemplos existentes. A contínua tentativa de criar a especialidade de Medicina Intensiva é um erro clamoroso não me detendo aqui nas muitas razões que contrariam tal possibilidade. O documento publicado nesta revista e subscrito por diversas entidades dá argumentos mais que válidos para o debate sobre esta intenção que alguns colegas nossos têm em marcha na OM. As razões apontadas pelos mesmos, apontando falências na nossa organização a nível nacional na prestação de cuidados de qualidade na área de cuidados intensivos, não justifica  a solução proposta, sobretudo quando são feitas comparações com países com muito melhores resultados onde esta solução também não  existe. Estamos mais uma vez a tentar esconder com uma má solução os erros que persistimos em não enfrentar e resolver. É mais uma fuga para a frente com custos consideráveis, que não resultará, não havendo como de costume responsáveis a quem assacar responsabilidades que se diluirão na eterna desculpa do sistema. Os problemas são conhecidos e passam pela correta organização das disciplinas médicas dentro do hospital, de acordo com as necessidades do mesmo. As soluções são conhecidas, bastando implementá-las responsavelmente e avaliar resultados de forma honesta para correções necessárias e melhoria constante dos cuidados prestados. Os anestesiologistas têm a obrigação de participar neste debate e de forma assertiva pugnar pelo seu ADN que é fruto da evolução de uma disciplina médica considerada como a grande responsável pelo desenvolvimento da Medicina do Século XX (Lancet 2000).

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2022-11-18T13:07:28Z

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Ormonde, Lucindo

Intensive care medicine: a multidisciplinary approach!

Intensive care medicine (ICM) is unique in that it deals with the most severely ill patients in almost all fields of medicine. It is demanding in all aspects from a theoretical, practical, co-operational and personal perspective. It is also characterised by a rapid development in diagnostic and treatment options. Furthermore, the organisational and manpower characteristics of European healthcare have been changing over time. Hence, the official status of ICM warrants unbiased consideration.

Ano

2022-11-18T13:07:28Z

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Aken, Hugo Van Mellin-Olsen, Jannicke Pelosi, Paolo

A multidisciplinary approach to intensive care medicine

Published with permission (European Journal of Anaesthesiology 2012, 29:109-110)

Ano

2022-11-18T13:07:28Z

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Peyro, Ramon Montero, Pablo

Declaração de Coimbra

Nós, Diretores dos Serviços e Departamentos de Anestesiologia Portugueses (signatários), reunidos em Coimbra no dia 16 de Outubro de 2012, no âmbito das comemorações do Dia Mundial da Anestesiologia, sob a égide da Sociedade Portuguesa de Anestesiologia e, em torno do tema “A Anestesiologia e os Direitos dos Cidadãos”.

Ano

2022-11-18T13:07:28Z

Creators

signatários da Declaração, Os Diretores de Serviço

Diretrizes e Currículo UEMS/EBA para a formação pós-graduada em Anestesiologia: um ambicioso passo em frente, mas também um importante desafio

A União Europeia dos Médicos Especialistas - UEMS (sigla tradicionalmente utilizada, a partir do seu nome em francês) foi formada em 1958 e está organizada em Secções de Especialidade desde 1962. Tem como objetivos a defesa dos interesses profissionais dos médicos especialistas, garantir o melhor nível de cuidados no exercício de cada especialidade e harmonizar a formação e qualidade dos médicos especialistas europeus de forma a permitir a mobilidade dentro da Europa. ...

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2022-11-18T13:07:28Z

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Viana, Joaquim Silva

Postgraduate training program UEMS/EBA Guidelines

This document is the result of the work of the Education and Training group of the European Board and Section of Anaesthesiology, under the auspices of the UEMS (Union Européenne des Médecins Spécialistes). It is published after a large consultation including national specialist societies of represented European countries, as well as different specialist educational and scientific groups in the wake of the European Society of Anaesthesiologists. Finally this document would not exist without the close cooperation of all instances in anaesthesiology active in education, particularly the EDA (European Diploma in Anaesthesiology)....

Ano

2022-11-18T13:07:28Z

Creators

Guidelines, UEMS/EBA

Editorial da RSPA Vol 21 N 5, 2012

As estratégias de conservação de sangue no perioperatório são uma vertente fundamental para uma eficiente gestão de um banco de sangue de qualquer unidade hospitalar. Esta realidade é reconhecida pela Direção Europeia da Qualidade dos Medicamentos e Cuidados de Saúde que emana regularmente “Recomendações” para a administração de sangue e seus derivados1. Esta gestão visa a aplicação oportuna dos conceitos baseados na medicina da evidência e práticas cirúrgicas para a manutenção de concentrações de hemoglobina, optimização da hemostase e minimizara as perdas hemorrágicas num esforço para a melhoria do prognóstico do doente2. A maioria destes procedimentos está focada no pré e intraoperatório. O artigo de revisão “Recuperação pós-operatória de sangue como alternativa à transfusão homóloga na artroplastia total do joelho e na artroplastia total da anca” aborda as diferentes estratégias de “poupança” de sangue dedicando atenção particular aos dispositivos para o pós-operatório e na cirurgia ortopédica protésica. A miastenia gravis é um assunto recorrente em revistas da nossa especialidade. O caso clínico descrito tem a singularidade de esta patologia ter sido considerada consequente após infeção por vírus H1N1.     A publicação de documentos de memória relativos à nossa especialidade tem merecido uma atenção especial por parte de um grupo de colegas preocupado com a preservação destes registos fundamentais para a compreensão da génese e desenvolvimento da Anestesiologia portuguesa. A edição do livro “História da Anestesiologia Portuguesa” (2008, edição da Sociedade Portuguesa de Anestesiologia-SPA) da autoria do Professor Jorge Tavares e de outras publicações (Eusébio Lopes Soares, Figueiredo Lima, António Mesquita, Neves da Costa entre outros) têm mantido perene este registo. A Revista da SPA (e outras publicações como a Revista do CAR) tem contribuído de forma não sistemática para este desiderato (exemplos: O Serviço de Anestesiologia no Hospital da Marinha; O Doutor Francisco Luíz Gomez – nota bibliográfica. Revista SPA 2009. Vol 18; 3: 27-34). O presente número da Revista da SPA inicia uma secção regular sobre esta temática. A iniciativa e coordenação deste projeto é do Professor Jorge Tavares e será designado por “Histórias da História da Anestesiologia Portuguesa”.     Este número encerra o ano de 2012. Em nome da equipa responsável pela Revista da SPA queria agradecer aos autores que enviaram os seus trabalhos a confiança depositada nesta publicação. O esforço de revisão colocado nos textos teve como objetivo a melhoria dos mesmos. Alguns dos textos enviados para submissão foram recusados por razões diversas. No entanto, elogiamos igualmente o esforço destes colegas e esperamos que mantenham o seu contributo e empenho de publicação na Revista. A redação de textos científicos e sua revisão é um trabalho voluntário, consumidor de tempo e exigente – o meu reconhecimento aos revisores como elementos fundamentais na construção científica da publicação. Por fim, e com igual ou maior importância, os leitores da Revista. Esperamos ter contribuído para aproximar e fazer chegar a todos algum do trabalho científico produzido em Portugal. O ano de 2012 foi também fértil em questões intimamente relacionadas com o futuro da nossa especialidade – o polémico Estudo para a Carta Hospitalar da ERS e a proposta de criação da especialidade primária de Medicina Intensiva. Foi nossa preocupação, neste contexto, fazer chegar aos colegas uma informação atualizada e as opiniões de colegas com responsabilidades institucionais relativamente a estes problemas que exigem uma resposta adequada e mobilizadora.   Os meus melhores cumprimentos,           1. http://www.edqm.eu/en/edqm-homepage-628.html 2. http://www.sabm.org. Acedido a 29-11-2012.

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2022-11-18T13:07:28Z

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Martins, António Augusto

Histórias da História da Anestesiologia Portuguesa

Durante a elaboração da História da Anestesiologia Portuguesa, todos os colegas foram convocados para que colaborassem com as referências a acontecimentos relevantes de que tivessem sido protagonistas ou testemunhas. Com a publicação do livro, muitos outros colegas entenderam a importância da conservação da memória das instituições. Só assim se pode fazer justiça a quem as criou, ler os rumos em que foram estruturados os seus caminhos, projetar decisões futuras com sabedoria e coerência.   A Revista da Sociedade Portuguesa de Anestesiologia, nos seus mais de 25 anos de publicação regular, é uma fonte ímpar para o conhecimento de pessoas e factos da nossa história coletiva. Perante o interesse aumentado pela recolha de dados e documentos, fundamentos de opiniões e recordações, é lógico que passe a publicar textos relacionados com a História da Anestesiologia Portuguesa. Já não como inclusão avulsa de um ou outro texto, mas a como uma secção regular, a qual se inicia neste número. A secção está aberta a todos os sócios da Sociedade ou outros anestesiologistas que queiram relatar factos dessa história, revelar documentos ou incluir fotografias significativas. Tudo pode ter interesse, não há nada que possa não interessar: o editor da revista e eu próprio estamos disponíveis para contribuir para que seja dado o merecido relevo ao que for enviado com este objetivo. A inclusão de dados objetivos sobre a história coletiva da nossa especialidade na Revista da Sociedade Portuguesa de Anestesiologia, dignifica a revista e honra a especialidade e os seus agentes. Jorge Tavares

Ano

2022-11-18T13:07:28Z

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Tavares, Jorge

Recuperação pós-operatória de sangue como alternativa à transfusão homóloga na artroplastia total do joelho e na artroplastia total da anca

As cirurgias ortopédicas, como a artroplastia total do joelho e a artroplastia total da anca são responsáveis por uma grande perda de sangue, sendo necessário recorrer frequentemente a transfusões de sangue homólogo. No entanto, para além das transfusões homólogas não serem isentas de riscos, o sangue homólogo é um recurso limitado e caro, o que se pode tornar problemático numa sociedade envelhecida. Assim, como forma de reduzir as necessidades de transfusões homólogas, tem-se desenvolvido várias estratégias alternativas. A utilização de dispositivos que permitem a recolha do sangue drenado do local cirurgico e a sua reinfusão depois de filtrado está na base de uma dessas abordagens. No presente artigo de revisão é feita uma análise das várias estratégias utilizadas com o intuito de reduzir as transfusões de sangue homólogo, dando particular ênfase à recuperação pós-operatória de sangue do local cirúrgico com dispositivos específicos para o efeito.

Ano

2022-11-18T13:07:28Z

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Laranjeira, Hugo Fernandes, Nuno Ferreira, Rita Borges, Lúcia

Miastenia gravis pós-infeção por vírus H1N1

Introdução: A miastenia gravis é uma doença auto-imune, resultante da produção de anticorpos anti-receptores da acetilcolina, que actuam ao nível da junção neuromuscular. Apesar da etiologia desta doença ser desconhecida, existem alguns factores associados ao seu inicio e/ou agravamento. O tratamento médico consiste em fármacos anticolinesterásicos e imunossupressores, sendo que a timectomia é considerada a terapêutica de escolha em casos selecionados. A infeção pelo vírus Influenza A subtipo H1N1 foi considerada o fator desencadeante da doença no caso clinico relatado, facto até então nunca descrito na literatura. Caso clínico: Doente do sexo feminino, 49 anos, com antecedentes de hipertensão arterial, obesidade e infeção documentada pelo vírus Influenza A subtipo H1N1, complicada de síndrome de dificuldade respiratória do adulto (ARDS). Três meses após a infeção inicia quadro de crise miasténica inaugural de agravamento progressivo, com necessidade de terapêutica médica, oxigenoterapia e ventilação mecânica não invasiva....

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2022-11-18T13:07:28Z

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Silva, Horta e Nascimento, A. Zwolinski, N. André, A.

Notas sobre a história da anestesiologia portuguesa: a tese de doutoramento de Francisco Luis Gomez (n. 1823- M. Post. 1874)

A tese doutoramento “De l’Étherisation, Considerée sous les Rapports Théorique et Pratique” defendida por Francisco Luis Gomez na Universidade de Montpellier, é um trabalho de índole científica que representa a primeira intervenção de um português no domínio da Anestesiologia. Contém cinco capítulos: Chapitre Premier – Considérations générales sur la sensibilité et la douleur ; Chapitre Deuxième – Des moyens mis en usage afin d’éviter la douleur aux maladies soumis aux opérations chirurgicales ; Chapitre Troisième – Des théories relatives à l’éthérisation ; Chapitre Quatrième – Indications et contre-indications des inhalations d’éther; Chapitre Cinquième – Fluide et instruments propres aux inhalations d’éther; suites des inhalations. A presente resenha analisa estes diversos capítulos, interpreta os modos de dizer as realidades estudadas e refere os principais conceitos nela contidos, os quais reflectem a época (meados do século XIX) em que foi escrita, com as suas Universidades e com a sua Medicina.

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2022-11-18T13:07:28Z

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Bleck, João Duarte

Eu, Editor-chefe me confesso. A importância da publicação científica em Medicina

O mundo da Medicina moderna vive quase que numa ditadura da publicação científica. É o mundo do “Publish or Perish”. Publicar é ao mesmo tempo importante para o Curriculum Vitae individual, promove a equipa de trabalho, o Serviço, a instituição (Faculdade, Hospital, Instituto de Investigação, a Universidade), o País. Deve ser visto até como uma mais-valia económica....

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2022-11-18T13:07:28Z

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Marinho, Rui Tato

Remote spinal epidural hematoma after spinal anesthesia for caesarean section

In the last few decades there has been a widespread of the use of central neuraxial blockages (CNB) in obstetric patients. The complications from the CNB range from the bothersome to the crippling and life-threatening. Spinal epidural hematoma (SEH) is one of such severe complications. A 29-year-old pregnant woman at term, ASA II, was proposed for a caesarean section after inadequate progression of labour. Spinal anesthesia was administered and surgery was uneventful. The patient recovered from the motor and sensitive blockage but, twelve hours after the procedure, she started complaining of paresthesia over the lower limbs that progressed to paraplegia. An urgent magnetic resonance revealed a dorsally located SEH extending from D7 to D9, remote from the site of needle puncture. The patient was transferred and an emergency laminectomy and evacuation of the hematoma was conducted. One year after the event she remained with neurological deficits. 

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2022-11-18T13:07:28Z

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Vilaça, Maria João Leite Faísco, Ana Reis, Eduardo Beirão Alexandre, Gil Teixeira, Maria do Carmo

Errata à Revista da SPA Vol 25, Suplemento, 2016

No Suplemento da Revista da SPA ao Congresso (Volume 25, Suplemento; 2016) verificaram-se dois erros na composição:   - Poster 78, na página 13, na designação dos autores USING TCI AND CONSTANT INFUSION RATES IN THE INDUCTION OF ANAESTHESIA: A COMPARATIVE STUDY Ana L. Ferreira1,2; André Rato3; Marina Mendes4; Catarina S. Nunes2; Pedro Amorim2 1 - Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto; 2 - Serviço de Anestesiologia do Centro Hospitalar do Porto; 3 - Serviço de Anestesiologia do Hospital de São Teotónio; 4 – Universidade Estadual Paulista, Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias do Brasil   - Poster 137, na página 85, na inserção do texto correspondente TOTAL HIP ARTHOPLASTY REVISION SURGERY: DOES PREOPERATIVE HAEMOGLOBIN VALUE MEAN SOMETHING? Diana Costa1; Carla Pereira1; Inês Delgado1; Alexandra Almeida1; Humberto Rebelo1 1 - Centro Hospitalar Vila Nova de Gaia/Espinho EPE   As referidas comunicações têm a correção realizada na edição online da Revista da SPA (). A Equipa Editorial pede a compreensão dos autores por estes lapsos na edição e que aceitem as nossas desculpas.   António Augusto Martins Editor-chefe da Revista da SPA

Ano

2022-11-18T13:07:28Z

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Martins, António Augusto