Repositório RCAAP
Florística de comunidades arbóreas no Município de Pelotas, Rio Grande do Sul
Foram realizados levantamentos florísticos para conhecer as espécies arbóreas, arborescentes e arbustivas no Município de Pelotas, Rio Grande do Sul. As coletas foram feitas por meio de caminhamentos em 21 fragmentos em diferentes estados de conservação. A vegetação estudada pertence a duas fitofisionomias: matriz de paisagem florestal distribuída sobre a Encosta do Escudo Sul-Riograndense e matriz campestre na Planície Costeira. A riqueza encontrada foi de 148 espécies distribuídas em 101 gêneros e 48 famílias. Myrtaceae, com 24 espécies, foi a família de maior riqueza, mostrando gêneros representativos em espécies: Eugenia (7), Myrcia (4), Myrcianthes e Myrceugenia (3). Outros gêneros apresentaram quatro espécies cada, que foram Schinus (Anacardiaceae), Baccharis (Asteraceae) e Myrsine (Myrsinaceae). Ocorreu baixa contribuição de árvores da família Fabaceae com apenas duas espécies, sendo gênero Inga ausente em matas ciliares. Constatou-se a ocorrência de espécies de distribuição geográfica tipicamente tropical como: Geonoma schottiana Mart (Arecaceae), Alchornea triplinervia (Spreng.) Müll.Arg (Euphorbiaceae) e Schefflera morototoni (Aubl.) Maguire, Steyerm. & Frodin (Araliaceae) e táxons de caráter temperado como Azara uruguayensis (Speg.) Sleumer (Salicaceae) e Quillaja brasiliensis Mart. (Quillajaceae). Isso demonstra uma área biogeográfica de ecótono entre a Mata Atlântica stricto sensu e o Bioma Pampa. Desde modo a biodiversidade é considerada elevada em virtude das latitudes e das baixas temperaturas no período de inverno, sendo necessários estudos para desenvolver meios adequados para sua conservação, restauração e manejo florestal.
2012
Venzke,Tiago Schuch
Uma espécie nova de Lauraceae da floresta atlântica do Brasil
Uma espécie nova de Ocotea Aubl. (Lauraceae), Ocotea marumbiensis Brotto & Baitello, é descrita e ilustrada. A espécie, com flores hermafroditas, assemelha-se a Ocotea indecora (Schott) Mez e ocorre em floresta atlântica nos estados do Paraná e Santa Catarina, Região Sul do Brasil.
2012
Brotto,Marcelo Leandro Baitello,João Batista
Diversidade de fungos zoospóricos da Reserva Biológica de Mogi Guaçu, estado de São Paulo, Brasil
Realizou-se o levantamento da diversidade de fungos zoospóricos em duas áreas de Cerrado, com estados de preservação distintos, na Reserva Biológica de Mogi Guaçu, estado de São Paulo. Quatro coletas trimestrais de água e solo foram realizadas em seis pontos por área, durante as estações chuvosa (janeiro e outubro de 2008) e seca (abril e julho de 2008). Utilizando a técnica de iscagem múltipla com substratos celulósicos, quitinosos e queratinosos, específica para o isolamento de fungos aeróbicos sapróbios e parasitas, foram obtidos 434 espécimes representados por 38 espécies dos filos Blastocladiomycota, Chytridiomycota e Oomycota, dentre as quais, 31 são primeiras citações para a Reserva. Os resultados encontrados ampliam o conhecimento da ocorrência destes organismos em áreas de Cerrado no estado de São Paulo e no Brasil, complementando estudos realizados anteriormente na Reserva.
2012
Nascimento,Cristiane de Almeida Pires-Zottarelli,Carmen Lidia Amorim
O gênero Myrcia (Myrtaceae) nos campos rupestres de Minas Gerais, Brasil
Myrtaceae é reconhecidamente uma família de grande importância no bioma Cerrado. Dentre os gêneros da família, Myrcia desponta como um dos mais representativos e com centros de distribuição geográfica nos estados de Minas Gerais e Goiás. O presente estudo revela a ocorrência de 33 espécies de Myrcia nos campos rupestres e fisionomias florestais associadas de Minas Gerais. O presente tratamento para o gênero no estado apresenta chave de identificação, descrições, dados de distribuição geográfica e comentários sobre as espécies.
2012
Rosa,Priscila Oliveira Romero,Rosana
Manettia (Rubiaceae) no estado do Paraná, Brasil
O presente trabalho é um estudo taxonômico do gênero Manettia Mutis ex L. (Rubiaceae) no estado do Paraná, Brasil. Chave de identificação, mapas de distribuição geográfica, estado de conservação conforme os critérios da IUCN e ilustrações foram apresentados. Dez espécies foram verificadas para o gênero no estado: M. chrysoderma Sprague, M. congestoides Wernham, M. cordifolia Mart., M. glaziovii Wernham, M. gracilis Cham. & Schltdl., M. paraguariensis Chodat., M. paranensis Standl., M. pubescens Cham. & Schltdl., M. tweedieana K. Schum., M. verticillata Wernham, e dentre essas, M. congestoides é citada pela primeira vez para o estado do Paraná.
2012
Marinero,Felipe Eduardo Cordeiro Rodrigues,William A. Cervi,Armando Carlos
Baccharis subgen. Molina (Asteraceae) no estado do Rio de Janeiro, Brasil
Baccharis compreende ca. 340 espécies distribuídas nas Américas. O indumento em tufos diminutos, formado por tricomas com uma única célula basal, e as flores funcionalmente unissexuais são caracteres diagnósticos do gênero. No estado do Rio de Janeiro ocorrem 55 espécies de Baccharis. O trabalho apresenta os resultados de estudos taxonômicos de Baccharis subgen. Molina (Pers.) Heering para a flora fluminense. No estado, o subgênero está representado por 18 espécies pertencentes a quatro seções - Caulopterae (8 spp.), Molinae (4 spp.), Baccharidastrum (3 spp.) e Trinervatae (3 spp.). É apresentada uma chave para a identificação das seções e espécies e descrições morfológicas, ilustrações, dados de distribuição geográfica e ecologia. Três espécies são novos registros e cinco são excluídas da lista de espécies do Rio de Janeiro.
2012
Heiden,Gustavo Baumgratz,José Fernando Andrade Esteves,Roberto Lourenço
Flora da Usina São José, Igarassu, Pernambuco: Lauraceae
Lauraceae é constituída por 52 gêneros e ca. 2500-3500 espécies distribuídas amplamente nas regiões tropicais e subtropicais do planeta. No Brasil é representada por 23 gêneros e aproximadamente 420 espécies. A Floresta Atlântica é considerada como um dos centros de diversidade para a família e esse estudo tem como objetivo o tratamento taxonômico das lauráceas realizado em fragmentos de Floresta Atlântica no estado de Pernambuco. Neste estudo são apresentadas 10 espécies em quatro gêneros: Cassytha filiformis, Cinnamomum triplinerve, Nectandra cuspidata, Ocotea canaliculata, O. indecora, O. glauca, O. glomerata, O. longifolia, O. notata e O. puberula, esta última como primeira referência para o Estado de Pernambuco. São apresentados chave de identificação, descrições e comentários sobre as espécies, além de ilustrações dos caracteres diagnósticos.
2012
Santos,Suellen Oliveira Alves,Marccus
Gesneriaceae na Serra Negra, Minas Gerais, Brasil
A Serra Negra está inserida no complexo da Serra da Mantiqueira, na região sul da Zona da Mata de Minas Gerais. A vegetação da região é formada por um mosaico de campos rupestres e remanescentes de Floresta Ombrófila Alto-montana, Floresta Ombrófila Baixo-montana e Floresta Ombrófila Aluvial, entre altitudes de 900 a 1698m. A família Gesneriaceae está representada na área por 4 gêneros e 9 espécies: Anetanthus gracilis, Nematanthus crassifolius, N. lanceolatus, N. strigillosus, Sinningia cooperi, S. sceptrum, S. tuberosa, Vanhouttea brueggeri e V. hilariana. São apresentadas chave de identificação, descrições, ilustrações, distribuição geográfica e comentários taxonômicos das espécies.
2012
Blaser,Juliana Gonçalves Salimena,Fátima Regina G. Chautems,Alain
Carolus: um novo sistema gratuito para manipulação eletrônica de coleções botânicas
Este estudo descreve um novo sistema para manipulação e gerenciamento eletrônico de coleções botânicas. O software descrito foi desenvolvido com objetivo de auxiliar herbários brasileiros no resgate e manutenção segura de registros de espécies de plantas provenientes de diversos ecossistemas nacionais, fornecendo uma ferramenta confiável, com interface amigável, fácil de utilizar e dotado de funcionalidades para cadastro, consultas, atualizações, estatísticas, relatórios, geração de etiquetas, geoprocessamento e banco de imagens.
2012
Siqueira,Alisson Amorim Santos Filho,José Valentim dos Siqueira Filho,José Alves de
Desafios atuais da modelagem preditiva de distribuição de espécies
A modelagem preditiva tem sido aplicada para analisar a distribuição geográfica de espécies, a partir de extrapolações das características ambientais dos locais conhecidos de ocorrência. O interesse por esse tipo de modelagem deve-se à necessidade de respostas rápidas e fundamentadas para as ameaças que as espécies têm enfrentado, devido à perda de habitat, invasão de espécies exóticas, mudanças climáticas, entre outros. Este artigo oferece uma visão geral dos avanços recentes no campo da modelagem e visa incentivar a discussão e aplicação desse método, que pode auxiliar tanto na aquisição de conhecimento básico sobre a biologia das espécies, quanto na análise e formulação de políticas para sua conservação.
2012
Giannini,Tereza C. Siqueira,Marinez F. Acosta,André L. Barreto,Francisco C.C. Saraiva,Antonio M. Alves-dos-Santos,Isabel
Primeiro registro de Cololejeunea panamensis (Lejeuneaceae) para a América do Sul
Cololejeunea panamensis G. Dauphin & Pócs, descrita em 2006 foi referida como endêmica para a ilha de Barro Colorado no Panamá, América Central. Durante um estudo sobre a brioflora da ilha do Marajó, uma espécie de Cololejeunea mostrou-se diferente das espécies já registradas no Brasil, provando ser uma nova ocorrência para a América do Sul. O objetivo desse trabalho é divulgar a ocorrência dessa espécie em território brasileiro e ampliar o conhecimento sobre sua distribuição geográfica, morfologia e ecologia. O material estudado foi coletado na ilha do Marajó, município de Soure, estado do Pará, Brasil, no período de 10 a 16 de Janeiro de 2007. As amostras coletadas estão depositadas no Herbário do Museu Paraense Emílio Goeldi (MG). Foram coletadas um total de nove amostras contendo Cololejeunea panamensis, sendo esse o segundo registro já feito da espécie além do material tipo e o primeiro registro para a América do Sul. A espécie é descrita taxonomicamente, ilustrada e são feitos comentários sobre a distribuição geográfica, variação morfológica e habitat.
2012
Brito,Eliete da Silva Ilkiu-Borges,Anna Luiza
Análise cladística de Oxalis sect. Thamnoxys (Oxalidaceae) baseada em dados morfológicos
O gênero Oxalis possui 500 espécies com ocorrência na América e África. Encontra-se dividido em quatro subgêneros e 28 seções, dentre os quais o subgênero Thamnoxys (Endl.) Progel, com nove seções e 71 espécies, destaca-se pela complexidade morfológica. No intuito de entender as relações filogenéticas da seção Thamnoxys e desta com as demais seções do subgênero, realizou-se uma análise cladística baseada em caracteres morfológicos. Foram incluídos 28 táxons e considerados 72 caracteres morfológicos. A análise resultou em 673 árvores igualmente parcimoniosas com 274 passos. Na árvore de consenso observou-se a formação do grupo monofilético Oxalis subgen. Thamnoxys tendo como sinapomorfias ausência de bulbos, pecíolos de até 10 cm compr., folhas pinadas (presença de raque foliar), pedúnculo menor que 7 cm compr., pedicelo de até 1 cm compr. e ausência de glândulas no ápice das sépalas. Oxalis sect. Thamnoxys apresentou-se polifilética e para que este táxon constitua um grupo monofilético é necessária a inclusão das demais seções dentro de O. sect. Thamnoxys. Sugerimos considerar o subgênero Thamnoxys sem subdivisões já que o mesmo emergiu com alta sustentação de boostrap.
2012
Abreu,Maria Carolina de Silva,Marcos José da Sales,Margareth Ferreira de
Sobrevivência e crescimento inicial de Ocotea pulchella (Lauraceae) em uma floresta de restinga da Ilha do Cardoso, SP
Neste trabalho, avaliou-se os efeitos de fatores ambientais na sobrevivência e crescimento inicial de Ocotea pulchella (Nees) Mez numa floresta de restinga. Os ensaios consistiram do plantio de mudas classificadas em dois grupos de idade (plântulas e juvenis) em diferentes áreas selecionadas quanto à cobertura vegetal (clareiras ou sub-bosque) e umidade do solo (secos e úmidos). As plantas de ambas as idades apresentaram a maior taxa de mortalidade no sub-bosque úmido, onde se observou os valores mais baixos de luz fotossinteticamente ativa e fertilidade do solo. A sobrevivência de plântulas correlacionou-se positivamente ao crescimento, que por sua vez, foi favorecido em clareiras, sugerindo uma dependência da espécie em relação a ambientes mais iluminados, embora essa possa ocupar o sub-bosque em fisionomias mais abertas como as restingas. Em juvenis, a sobrevivência foi relacionada principalmente aos fatores edáficos; o crescimento em altura foi muito baixo, não sendo constatado incremento significativo de área foliar nem de matéria seca em nenhum dos ambientes, o que pode estar relacionado ao caráter oligotrófico do solo. Os juvenis em sub-bosque de solo úmido apresentaram ao final do experimento os menores valores de altura, área foliar, razão de área foliar, razão de massa foliar e taxa de assimilação líquida, sugerindo que baixas irradiâncias associadas a solos saturados e quimicamente pobres podem restringir o recrutamento da espécie no local estudado. Todavia, o comportamento de certa forma generalista para as condições de luz e umidade do solo, indica uma alta capacidade de O. pulchella em colonizar distintos micro-ambientes da restinga, onde se observa uma grande variação espaço-temporal de fatores ambientais.
2012
Pires,Luciana Andréa Cardoso,Victor José Mendes Rodrigues,Ricardo Ribeiro Joly,Carlos Alfredo
Morphological and genomic characterization of Rhynchospora tenuis complex (Cyperaceae) and its taxonomic implications
Species of Rhynchospora sect. Tenues are morphologically very similar. Rhynchospora tenuis complex is the most problematic species complex in this group and it concentrates entities of difficult delimitation, as is the case of R. tenuis, R. tenuis subsp. austro-brasiliensis and R. enmanuelis. Samples of these three taxonomic entities, besides R. junciformis and R. breviuscula (Dichromena), were analyzed in a comparative way using morphologic, cytogenetic and molecular tools. Despite of high morphological similarity between these taxa, R. tenuis was separated from R. tenuis subsp. austro-brasiliensis and R. enmanuelis according to chromosome numbers (2n = 4 and 2n = 18) and ISSR markers. The combined analysis of shape and size of achenes and stylopodium, number of spikelets, cytogenetic features and molecular markers suggest a clear proximity among Rhynchospora junciformis, R. tenuis subsp. austro-brasiliensis and R. enmanuelis, in relation to R. tenuis. These data indicate the need for a new taxonomic review of R. sect. Tenues, mainly to solve the status and nomenclatural situation of R. tenuis subsp. austro-brasiliensis and R. enmanuelis.
2012
Michelan,Vanessa Silva Trevisan,Rafael Silva,Carlos Roberto Maximiano da Souza,Rogério Fernandes de Luceño,Modesto Vanzela,André Luís Laforga
Annonaceae na Serra Negra, Minas Gerais, Brasil
Apresenta-se o estudo taxonômico de Annonaceae na Serra Negra, a qual abrange os municípios de Rio Preto, Olaria, Santa Bárbara do Monte Verde e Lima Duarte no estado de Minas Gerais. Foram registradas sete espécies pertencentes a três gêneros: Annona dolabripetala, A. mucosa, A. sylvatica, Guatteria australis, G. pohliana, G. sellowiana e Xylopia brasiliensis. São apresentadas chave de identificação, descrições, ilustrações, comentários taxonômicos, ecológicos e de distribuição geográfica para as espécies.
2012
Dutra,Saulo Moreira Salimena,Fátima Regina Gonçalves Menini Neto,Luiz
Kyllinga (Cyperaceae) do estado de Sergipe, Brasil
Kyllinga Rottb. possui cerca de 50 espécies distribuídas na América e África tropical, região onde apresenta maior riqueza. Seis espécies possuem material testemunho confirmando sua ocorrência para o Brasil, mas levantamentos florísticos e estudos taxonômicos que englobem plantas de hábito herbáceo são escassos em Sergipe, sendo o número real de espécies de Kyllinga incerto para o estado. Esse estudo foi elaborado visando realizar o levantamento das espécies do gênero ocorrentes no território sergipano. Foram realizadas coletas em diferentes regiões de Sergipe e, a partir do material recém-coletado e aquele depositado em herbários da região, foi confirmada a ocorrência de seis espécies de Kyllinga para o estado sendo três destas novas ocorrências, nos domínios da Mata Atlântica e Caatinga. Esse estudo também provê material necessário para a identificação das espécies: chave de identificação de espécies, descrições e ilustrações.
2012
Costa,Suzana Maria Prata,Ana Paula Alves,Marccus
Alternativas para um produto cárneo mais saudável: uma revisão
Considerando-se a evidente busca por alimentos de rápido e fácil preparo, as comunidades industrial e científica vêm investindo no desenvolvimento de novos produtos que, além de atenderem a essa demanda, possam oferecer benefícios à saúde do consumidor. Dentre os alimentos que não demandam muito tempo para o preparo no domicílio, o hambúrguer merece destaque, em função do seu elevado consumo. No entanto, em razão de conter gordura saturada e por ser submetido a processo de fritura, o consumo demasiado desse produto pode ser prejudicial à saúde humana, podendo causar doenças crônicas, entre as quais, a obesidade e a hipertensão. Estudos têm demonstrado a possibilidade de substituição de ingredientes na formulação de hambúrgueres, com a intenção de incorporar substâncias com propriedades funcionais; portanto, substâncias que possam contribuir para a saúde e o bem-estar dos consumidores. Nesse contexto, esta revisão aborda questões referentes ao hambúrguer, no sentido de conceituar o produto e, à luz da literatura, oferecer alternativas possíveis e que têm sido estudadas para tornar esse alimento mais saudável, com foco na substituição de gordura animal por fibras e na redução do teor de cloreto de sódio.
2013
Oliveira,Débora Francielly de Coelho,Alexandre Rodrigo Burgardt,Vânia de Cássia da Fonseca Hashimoto,Elisabete Hiromi Lunkes,Alessandra Machado Marchi,João Francisco Tonial,Ivane Benedetti
Avaliação da influência das variáveis açúcar, polvilho azedo e albedo de laranja na elaboração de bolos de chocolate
A indústria de alimentos tem demonstrado interesse em fontes alternativas de ingredientes, como o polvilho azedo, um derivado da mandioca, e o subproduto da indústria de suco, albedo de laranja, que vêm agregar valor econômico e nutricional ao produto. O presente trabalho teve como objetivo avaliar a influência da concentração de açúcar, polvilho azedo e albedo de laranja na formulação de um bolo de chocolate. Foram adotadas concentrações delineadas por planejamento fatorial 2³, tendo como variáveis independentes: polvilho azedo (X, de 14,90 a 40,10 %), açúcar (Y, de 74,80 a 125,20 %) e farinha de albedo da laranja (Z, de 4,15 a 8,35 %); como variáveis dependentes, os atributos da análise sensorial, utilizando escala hedônica estruturada de nove pontos. As formulações otimizada, padrão (100 % trigo) e comercial foram avaliadas quanto às características físico-químicas e sensoriais, por meio de teste de aceitação e teste de intenção de compra. Os valores sensoriais apresentaram médias entre 5 (não gostei/nem desgostei) e 8 (gostei muito). As diferentes formulações apresentaram diferenças significativas (p < 0,05) em relação aos parâmetros sensoriais e a escolha da formulação ideal foi feita a partir da aceitação em relação à impressão global, sendo significativa a concentração de açúcar e farinha de albedo de laranja. Assim, a formulação otimizada apresentou 27,5 % de polvilho azedo, 130 % de açúcar e 6 % de farinha de albedo de laranja. No teste sensorial comparativo, os bolos apresentaram diferença significativa (p < 0,05) para os atributos aparência e aroma. As características físico-químicas dos bolos comercial, padrão e otimizado mostraram influência significativa (p < 0,05) para os parâmetros umidade e proteínas.
2013
Silva,Izabel Cristina Veras Santos,Aline Alves Oliveira Santana,Danielle Gomes Santos,Alécia Josefa Alves Oliveira Leite,Mayara Lúcia da Costa Almeida,Meirielly Lima Marcellini,Paulo Sérgio
Percepção do consumidor frente aos riscos associados aos alimentos, sua segurança e rastreabilidade
Nas últimas décadas, tem-se observado um crescente interesse dos consumidores pelas questões relacionadas à segurança dos alimentos. Os governos têm sido pressionados a adotar medidas que assegurem a inocuidade dos alimentos e, consequentemente, legislações rigorosas quanto à contaminação dos alimentos por agentes físicos, químicos e microbiológicos estão sendo implantadas. Dentro desse panorama, conhecer a percepção do consumidor brasileiro sobre o tema é extremamente relevante. No presente estudo, avaliaram-se, em duas grandes cidades brasileiras (Campinas-SP e Rio de Janeiro-RJ), os critérios utilizados por consumidores para a compra de produtos alimentícios e suas visões sobre os riscos potenciais de contaminação dos alimentos. Avaliou-se também a percepção dos consumidores sobre a rastreabilidade e seu papel na melhoria da segurança dos alimentos, utilizando-se a metodologia focus group. Três sessões de discussão foram conduzidas (duas em Campinas e uma no Rio de Janeiro), tendo sido observadas diferenças entre os consumidores das distintas praças. Os consumidores de Campinas mostraram-se mais preocupados e interessados no assunto do que os do Rio de Janeiro, pois relataram buscar mais informações nos rótulos de alimentos. Menções relacionadas a riscos, como intoxicação alimentar, botulismo e agrotóxicos foram comuns para os entrevistados das duas cidades e, entre os principais produtos considerados com risco à saúde, ficaram as carnes e os frutos do mar, sendo estes últimos com maior ênfase no Rio de Janeiro. Dentre os produtos reconhecidos como seguros, destacaram-se as frutas (produzidas sem agrotóxicos), os legumes e os produtos secos/desidratados. Em todos os grupos, observou-se grande preocupação com a contaminação por agrotóxicos e metais pesados. Em termos microbiológicos, ambas as praças destacaram os riscos com bactérias, especialmente a Salmonella. O tema rastreabilidade se mostrou relevante nos três grupos, pois esta deve contribuir para o recolhimento mais eficiente de produtos, caso seja necessário. No entanto, sob a ótica do consumidor, a rastreabilidade leva ao aumento dos preços, embora aumente a confiança em relação à segurança dos alimentos. Muitas das preocupações dos consumidores refletem as informações publicadas em revistas e jornais, como o caso da crença de que hormônios são utilizados na cadeia da carne de frango. Indústria e varejistas devem incrementar a comunicação de informações científicas sobre a segurança dos alimentos, contribuindo, assim, na educação do consumidor.
2013
Andrade,Juliana Cunha de Deliza,Rosires Yamada,Eunice Akemi Galvão,Maria Teresa Esteves Lopes Frewer,Lynn J. Beraquet,Nelson José
Estudo reológico de chocolates elaborados com diferentes cultivares de cacau (Theobroma cacao L.)
O chocolate pode ser definido como uma suspensão de partículas sólidas (açúcar, sólidos de cacau e sólidos de leite) em uma fase gordurosa contínua, que contribui para o aroma, o sabor e a cor, além de promover forma ao produto final. A reologia de chocolates é quantificada durante a produção usando-se dois parâmetros: tensão inicial (yield stress) e viscosidade aparente (plástica), em que, geralmente, se utiliza o modelo de Casson. O objetivo deste estudo foi avaliar reologicamente formulações de chocolates produzidos a partir de diferentes cultivares de cacau. As amostras de chocolate foram formuladas com 73,6% de cacau e foram realizadas as seguintes análises: determinação do teor de lipídeos; composição em triacilgliceróis; testes reológicos, e análise do tamanho máximo de partículas. O chocolate proveniente da cultivar PH16 apresentou menor conteúdo de gordura (36,53 g.100 g–1), maior tamanho de partículas (21 µm), maior valor de tensão inicial (20,91 Pa) e maior área de histerese, com mais ampla tixotropia quando comparada às amostras dos chocolates provenientes das cultivares SR162 e Convencional. Os resultados encontrados no estudo reológico mostraram a interferência do conteúdo de gordura e do tamanho de partículas na tensão inicial dos produtos.
2013
Leite,Paula Bacelar Lannes,Suzana Caetano da Silva Rodrigues,Alexandre Mariani Soares,Fabiana Andreia Schäfer De Martini Soares,Sérgio Eduardo Bispo,Eliete da Silva