Repositório RCAAP
Mudanças e continuidades do aviamento na pesca artesanal
O presente texto discute o sistema de aviamento no âmbito da pesca artesanal, no litoral do estado do Pará, a partir da literatura sociológica e antropológica sobre o assunto, enfatizando a problemática das relações sociais que estruturam a cadeia de comercialização entre produtores e intermediários. Aborda algumas especificidades do aviamento na pesca e suas implicações em termos de permanência e mudança nas relações de troca, tendo em vista as transformações ocorridas no âmbito regional, as quais tiveram forte influência no sistema produtivo e comercial da pesca artesanal.
2006
Alves,Elio de Jesus Pantoja
A pesca artesanal e a empresa pesqueira no município de Óbidos, Pará
Este trabalho é produto do Projeto "O tempo da fábrica: o disciplinamento dos trabalhadores da indústria pesqueira (Óbidos-PA): um estudo comparativo", desenvolvido nos anos de 2002 e 2003 no município de Óbidos, Pará, que objetivou compreender a importância do tempo no disciplinamento do trabalho na empresa pesqueira obidense. Foram realizadas entrevistas abertas com empresários de pesca, gerentes, chefes de controle de qualidade, encarregados de salão e outros atores envolvidos no setor pesqueiro, também foram aplicados questionários semi-abertos com operários e pescadores. Utilizou-se o registro fotográfico, gravador e o caderno de anotações. A pesquisa foi realizada nas empresas pesqueiras Mundial e Pasquarelli, Colônia de Pescadores Z-19, nas embarcações (rio Amazonas) dos pescadores artesanais e em suas residências. Como foco central, procurou-se desvendar as características do 'tempo disciplinado' no setor de beneficiamento da empresa pesqueira e destacar a articulação do 'tempo natural' no processo de captura do pescado. Partindo desses pressupostos, foram utilizados o 'tempo disciplinado' e o 'tempo natural' concebido por Thompson (1975).
2006
Aviz,Adriana de
Estatísticas das produções de pescado estuarino e marítimo do estado do Pará e políticas pesqueiras
A costa do estado do Pará estende-se por 562 km e conta com 123 comunidades pesqueiras artesanais, distribuídas ao longo de 17 municípios costeiros. Nesta região do estado destaca-se a presença de manguezais, igarapés, rios e estuários. Todos esses fatores que favorecem a produtividade pesqueira dificultam de forma relevante o controle sistemático dos desembarques e, conseqüentemente, a obtenção de estatísticas de produção de pescado. Este trabalho tem como objetivo apresentar as estatísticas de produção pesqueira por espécie, em volume de desembarque, nas áreas estuarinas e marítimas do estado do Pará, e analisar as políticas pesqueiras para os sistemas de produção industrial e artesanal no período de 1997 a 2003. Para estimar as produções pesqueiras das áreas estuarinas e marítimas no Pará, foram controladas mensalmente as embarcações em atividade por tipo de aparelho de pesca utilizado e realizadas amostras dos desembarques de cada uma dessas combinações de embarcação/aparelho de pesca. Na área estudada, os municípios que concentram os maiores desembarques são Belém, Bragança e Vigia. As capturas de atuns e afins passaram a ter alguma representatividade a partir de 2000 e 2002, respectivamente nos municípios de Belém e Curuçá. As espécies ou grupos de espécies mais importantes em volume de captura são pescada amarela, gurijuba, serra, tubarões, pargo, pescada gó, caranguejo, bagre e camarão-rosa e, em valor econômico, lagostas, camarão-rosa e pargo.
2006
Furtado Júnior,Ivan Tavares,Márcia Cristina da Silva Brito,Carla Suzy Freire de
Fibras vegetais utilizadas na pesca artesanal na microrregião do Salgado, Pará
As espécies vegetais fibrosas ocupam papel de destaque no cotidiano das comunidades tradicionais amazônicas ao lado das espécies medicinais, alimentícias e madeireiras. Na microrregião do Salgado do estado do Pará - constituída pelos municípios de Colares, Curuçá, Magalhães Barata, Maracanã, Marapanim, Salinópolis, Santarém Novo, São Caetano de Odivelas, São João de Pirabas e Vigia - as fibras vegetais são usadas em cestaria, trançados, fixadoras em substituição ao prego, adornos e vestuário. Para a elaboração do presente trabalho, os dados foram obtidos entre artesãos e pescadores artesanais da microrregião do Salgado do estado do Pará, com cerca de 150 entrevistas semiestruturadas. Foram registradas 17 espécies, distribuídas em oito famílias e 17 gêneros utilizados na preparação de implementos de pesca artesanal, cujas matérias prima são provenientes de diversas partes da planta, onde as talas são da haste caulinar de Marantaceae e estipe de Arecaceae, os cipós são raízes de Araceae e Cyclanthaceae e os caules de Bignoniaceae e Dilleniaceae, enquanto que as palhas são folhas e pinas de Arecaceae. A família mais representativa com relação ao número de espécies e o fornecimento de matéria prima utilizada foi Arecaceae com 8 spp., seguida de Dilleniaceae e Araceae com 2 spp., Bignoniaceae, Bombacaceae, Cyclanthaceae, Marantaceae e Poaceae com 1 sp. cada. O trabalho visa contribuir para o conhecimento das espécies vegetais fibrosas, quanto a sua morfologia, origem e manuseio da matéria prima, os produtos confeccionados e seus usos, além do registro dos aspectos culturais da utilização de espécies vegetais fibrosas no cotidiano da atividade pesqueira artesanal daquela microrregião.
2006
Oliveira,Jorge Potiguara,Raimunda Conceição de Vilhena Lobato,Luiz Carlos Batista
Nutrição e adaptação humana em áreas de pesca na Amazônia: sugestões para políticas em saúde
Atualmente, um importante princípio das políticas públicas em saúde no Brasil é a busca da eqüidade no acesso a serviços. As desigualdades sociais verificam-se em níveis elevados na Amazônia, comparativamente ao restante do país, e, dentro da região, afetam principalmente as comunidades rurais. Este trabalho objetiva apreciar associações entre o perfil alimentar e nutricional, as estratégias adaptativas e a epidemiologia dessas comunidades, particularmente em áreas de pesca artesanal, assim como sugerir linhas gerais de políticas de saúde apropriadas. A construção de um contexto de assistência eqüitativa e de saúde sustentável, sem prejuízo significativo à biodiversidade, depende da capacidade dos poderes públicos em explorar as relações entre o uso e o manejo de recursos naturais e a qualidade de vida do homem ribeirinho.
2006
Aguiar,Gilberto Ferreira de Souza
Turismo como instrumento de ação coletiva em áreas pesqueiras do litoral da Amazônia
Neste artigo procura-se analisar a prática da atividade turística e seus impactos em comunidades pesqueiras do litoral paraense, apresentando as teorias da ação coletiva como perspectiva viável à efetivação de um turismo sustentável. Inicia-se com considerações acerca dos postulados teóricos sobre ação coletiva, desenvolvimento e turismo sustentável. Em seguida são apresentadas, em linhas gerais, as transformações correntes nas sociedades haliêuticas, principalmente a forma como o turismo vem se implantando nestas áreas, e de que forma a ação coletiva pode vir a se constituir em um canal efetivo de uma práxis turística comprometida com um desenvolvimento integrado de base local.
2006
Quaresma,Helena Doris de Almeida Barbosa Campos,Raul Ivan Raiol de
"Ainda um rio": afastamento e aproximação entre dois povos indígenas
Reflexão acerca das relações entre os povos indígenas Tenetehara (Tupi-Guarani) e Pükob'gateyê (Jê-Timbira) tendo em vista o acesso desses ao território de ambos em busca de bens materiais e simbólicos. O rio Buriticupu apresentase como marco sócio-simbólico a definir territorialidades. Os convites para a pesca conjunta equivalem a assinaturas de acordos bilaterais permitindo o ingresso a seus respectivos territórios, até que um novo evento ocorra, recolocandoos em situações divergentes e os acessos sejam mais uma vez suspensos. A sociedade nacional, apesar de sua preponderância no sistema pluriétnico regional, é propositadamente deixada entre 'parênteses'. O foco de interesse está centrado no processo de inter-relacionamento entre esses povos indígenas que, apesar da estrutura em que estão submersos, não deixam de buscar outras formas de convivência que escapam à lógica da dominação/poder ocidental.
2006
Barata,Maria Helena
Origens pluriétnicas no cotidiano da pesca na Amazônia: contribuições para projeto de estudo pluridisciplinar
O presente texto é versão de uma conferência proferida no Departamento de Genética da Universidade Federal do Pará (UFPA), no marco do tema Populações amazônicas ontem, hoje e perspectivas para o futuro. Essa conferência enfatizava a relevância das contribuições dos primeiros formadores da sociedade amazônica para a sociedade de hoje e vem agora compor o cenário deste volume temático do Boletim do Museu Goeldi. Os dados apresentados são frutos de trabalhos de campo anteriores da autora em diferentes momentos e lugares da região e associados à pesquisa bibliográfica e à experiência pessoal da autora em diversos 'lugares de pescadores' do litoral, médio Amazonas, estuário amazônico e ilha do Marajó. Este conjunto serviu de base e instrumento para estas reflexões propositivas para novas pesquisas mutidisciplinares, tendo em vista preencher lacunas sobre a história da pesca na Amazônia. Assim, propõese a evocar as origens pluriétnicas da sociedade e cultura que se formaram na Amazônia visando à maior clareza sobre as relações entre os primeiros contingentes formadores da sociedade amazônica e os segmentos sociais contemporâneos. Com isso imagina-se trazer à reflexão o valor das contribuições socioculturais e ambientais daqueles diferentes contigentes sociais e chamar atenção para o legado sociocultural deixado pela ancestralidade indígena que permeia a ocupação humana na região.
2006
Furtado,Lourdes Gonçalves
Pactos territoriais e agências locais de desenvolvimento: a apropriação destes instrumentos ao território do Baixo Tocantins
O desenvolvimento é, antes de tudo, político e exige mecanismos para a afirmação das vontades sociais. Tais mecanismos devem estar regulados por um corpo de normas criadas para confrontar interesses contraditórios, negociar acordos, implementar ações e avaliar resultados, tudo conforme escalas espaciais diversas. O desenvolvimento fundado na deliberação social pede metodologias e técnicas, para cuja formulação os pactos territoriais e as agências locais de desenvolvimento podem proporcionar inspiração. Nos contextos da Amazônia, a aplicação das normas serve para impedir a vigência da lei da selva, onde poderes fortes subjugam populações e pequenos produtores. Além de coibir abusos, as normas e metodologias servem também à promoção de processos virtuosos, no que tange ao emprego de novas tecnologias e ao incentivo de novas relações sociais e produtivas. O desenvolvimento e o seu planejamento é, pois, um problema de compatibilização de éticas políticas, normas técnicas e metodologias de emancipação social. Não existem prescrições universalmente válidas, mas certos princípios e instrumentos da política regional européia podem inspirar novas práticas na Amazônia
2006
Peixoto,Rodrigo
Arqueologia na Fortaleza de São José de Macapá
Este artigo argumenta que o principal objetivo da construção da Fortaleza de São José de Macapá não foi militar, mas representa um empreendimento de colonização e ocupação territorial, através da fixação de uma população comprometida com a Coroa portuguesa, cujos objetivos militares mais específicos, que eram a defesa contra outros conquistadores e base de ataque para a conquista de novos territórios (as minas peruanas), sempre exerceram papel secundário
2006
Magalhães,Marcos Pereira
Um olhar sobre as benzedeiras de Juruena (Mato Grosso, Brasil) e as plantas usadas para benzer e curar
O 'benzimento' é forma antiga no tratamento de várias doenças, utilizada na Europa desde a Idade Média. No Brasil, os benzedores surgiram a partir do século XVII. Interpretações dos conhecimentos, uso tradicional dos recursos vegetais e manejo realizado por benzedores, raizeiros e parteiras são fonte de pesquisa nos estudos etnobotânicos. Benzedores indicam plantas para efeito de cura ou como amuletos protetores, com a presença destas formas de uso da flora na cultura popular. Este estudo foi realizado em Juruena, Mato Grosso, com aplicação de técnicas de observação participante, entrevistas semi-estruturadas (questões abertas/fechadas) gravadas e amostras intencionais e a realizção de coleta de material botânico, depositado no Herbário da Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT). Teve o objetivo de compreender a importância das benzedeiras, identificar etnobotanicamente as plantas utilizadas, formas de prescrição e manipulação. Foram entrevistadas quatro benzedeiras no período de setembro de 2002 a novembro de 2003, as quais demonstraram um conhecimento etnobotânico expressivo. Estas benzem, preparam e receitam chás, garrafadas, banhos e ungüentos. As enfermidades tratadas foram agrupadas em duas categorias: doenças físicas (dorde-dente, dor-de-barriga, verminoses, cobreiro, arca-caída, rendidura, erisipela etc) e doenças espirituais (quebranto, mau-olhado, pessoas carregadas, encosto). Foram relatadas 87 etnoespécies, distribuídas em 31 famílias botânicas, dentre as quais se salientam erva-de-Santa-Maria (Chenopodium ambrosioides L.), chapéu-de-couro (Echinodorus macrophyllus MIq.), quina-do-mato (Strychnos sp St.Hil.), ipê-roxo (Tabebuia heptaphylla (Vell.) Toledo), arruda (Ruta graveolens L.), guiné (Petiveria alliacea L.) e comigo-ninguém-pode (Dieffenbachia picta L). A medicina popular praticada pelas benzedeiras vem ao encontro dos anseios das pessoas que buscam alívio para seus males, com valores e herança cultural inseridos nesta prática de benzimento, que se mantém viva em Juruena
2006
Maciel,Márcia Regina Antunes Guarim Neto,Germano
Abuso científico do termo 'caboclo'? Dúvidas de representação e autoridade
Os 'caboclos' da Amazônia brasileira estão classificados variavelmente como camponeses, extratores, povo rústico e descendentes miscigenados de europeus, indígenas e africanos. Em quase todos os usos se reconhece um tom pejorativo e raramente usado para chamar uma pessoa do mesmo nível social. As poucas pessoas que se identificam como 'caboclo' usam a palavra para referir-se a si mesmos, a não ser em condições especiais. Aceita-se que uma das finalidades das ciências sociais, particularmente a antropologia, é entender todas as culturas no mesmo nível e dar-lhes a mesma integridade que damos a nossa. Por que, então, insistimos em usar este termo? Esta pesquisa examina esta dúvida através da discussão sobre a representação e o uso de autoridade na documentação etnográfica
2006
Pace,Richard
O eclipse do olhar e a invisibilidade arqueológica
A arqueologia como ciência é fruto da mudança de consciência que o homem passa a ter com o advento da modernidade. Contudo, ao contrário das Ciências Sociais, sua cientificidade não está na formação da modernidade, mas é dela uma conseqüência. Por outro lado, se entendida a modernidade como clímax do Iluminismo, a pós-modernidade poderá ser encarada como o surgimento de uma realidade onde a luz encontra-se ocultada pela matéria. Realidade na qual a teoria é a base do saber virtual em ciência. A arqueologia, como a física quântica e a psicanálise, enfim, é uma das ciências que apreende a luz oculta dessa nova realidade, a luz ocultada pela história. Qual a conseqüência disto?
2006
Magalhães,Marcos Pereira
Políticas de turismo e sustentabilidade em comunidades tradicionais: perspectivas conceituais
O contexto das políticas governamentais de turismo no Brasil e na Amazônia, analisando suas implicações na realidade política e administrativa das comunidades tradicionais e sua imbricação com a sustentabilidade histórica dessas populações em sua relação com o ambiente natural. Trata-se de uma pesquisa exploratória e que, para alcançar seu objetivo, descreve a trajetória das políticas governamentais de turismo no Brasil e, particularmente, na Amazônia, confrontando-as com os referenciais teóricos que sustentam a formulação das políticas governamentais. Como é o caso da perspectiva teórica do turismo sustentável, que permeia os novos segmentos de turismo e prevê a inserção da participação comunitária como um elemento importante para a consecução das políticas de turismo.
2007
Pinto,Paulo Moreira
Fronteiras étnicas nos repertórios musicais das 'festas de santo' em São Gabriel da Cachoeira (alto Rio Negro, AM)
Este artigo tem como objetivo demonstrar os mecanismos através dos quais índios em situação de contato, na zona urbana de São Gabriel da Cachoeira, manifestam sua pertença étnica. Em meio ao contexto das festas de santo, repertórios musicais evidenciam as fronteiras étnicas valendo-se da língua como principal sinal diacrítico de identidade.
2007
Barros,Líliam Cristina da Silva Santos,Antônio Maria de Souza
Novas perguntas para um velho problema: escolhas tecnológicas como índices para o estudo de fronteiras e identidades sociais no registro arqueológico
A relação entre variabilidade artefatual e identidades sociais no registro arqueológico é uma das principais problemáticas da pesquisa arqueológica, independente do enfoque teórico. No que tange à arqueologia brasileira, esta questão foi tradicionalmente abordada através dos conceitos de fase e tradição, porém suas aplicações não acompanharam os debates teórico-metodológicos sobre tecnologia produzidos ao longo dos últimos 40 anos, através da antropologia das técnicas e dos estudos de estilo tecnológico. Neste artigo são apresentadas as implicações desta perspectiva na interpretação do registro arqueológico no alto vale do rio dos Sinos, Rio Grande do Sul.
2007
Dias,Adriana Schmidt
Uma janela para a história pré-colonial da Amazônia: olhando além - e apesar - das fases e tradições
Neste artigo questionamos a correspondência, muitas vezes assumida, entre indústria cerâmica (fase) e grupo social, argumentando a sua inadequação no que tange ao entendimento da variabilidade ou mudança na cultura material. Apresentamos três estudos de caso para demonstrar que as semelhanças tecnológicas e iconográficas entre conjuntos de artefatos podem corresponder a sociedades totalmente distintas em organização sociopolítica e modo de subsistência; a identificação de variabilidade estilística dentro de uma mesma fase pode significar o reconhecimento de limites políticos e identidades socioculturais importantes; e a variabilidade tipológica (principalmente quanto à decoração), utilizada para definir fases distintas, pode mascarar continuidade cultural e mudanças sociopolíticas dentro de um mesmo território.
2007
Schaan,Denise Pahl
O significado da variabilidade artefatual: a cerâmica dos Asurini do Xingu e a plumária dos Kayapó-Xikrin do Cateté
Aspectos relativos à variabilidade encontrada em diferentes conjuntos artefatuais etnográficos: nos vasilhames cerâmicos Asurini e em alguns adornos plumários (braçadeiras) Xikrin. Mostra como diferentes atributos podem ser melhor definidores das tradições tecnológicas em termos culturais. Ressalta aqueles que podem ser indicativos de identidades sociais ou pessoais. São discutidas questões relativas à relação da variabilidade artefatual com as noções de identidade étnica e identidade social.
2007
Silva,Fabíola Andrea da
O céu é o limite: como extrapolar as normas rígidas da cerâmica Guarani
A cultura Guarani, entendida de modo generalizante, pode ser considerada como a manifestação de uma sociedade prescritiva, as análises e interpretações das vasilhas de cerâmica (ou os fragmentos destas), confeccionadas pelas ceramistas Guarani no passado, por um lado, demonstram um apego às normas estilísticas e às regras tecnológicas bem definidas. Alguns aspectos, como forma e função, foram fundamentais para que as vasilhas pudessem ser reconhecidas e assim tivessem a garantia de utilização adequada, seja em atividades cotidianas ou rituais ao longo do tempo. É possível encontrar alguns casos em que houve a modificação de aspectos, que demonstram a capacidade e a vontade das ceramistas em inovar. São ilustrados exemplos de inovações em uma coleção de fragmentos e vasilhas encontradas em sítio arqueológico às margens do rio Pelotas, na divisa dos estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina, ao final dos anos de 1990, por ocasião do salvamento do patrimônio ameaçado pelo impacto de um empreendimento de grande porte. A cerâmica obtida neste sítio demonstra uma autêntica 'fábrica de idéias'. Desta forma, acreditamos ser possível resgatar informações que são fundamentais na busca da compreensão da cerâmica guarani obtida em nossas pesquisas arqueológicas, ajudando a compreender o que a faz única e, ao mesmo tempo, tão diversa.
2007
Monticelli,Gislene
'Cave canem!': cuidado com os 'Pronapianos'! Em busca dos jovens da arqueologia brasileira
Comenta quatro trabalhos do Simpósio sobre fronteiras territoriais e identidades socioculturais: as causas e os significados da variabilidade artefatual dos registros arqueológicos, apresentados no XIII Congresso da Sociedade de Arqueologia Brasileira. Posteriormente, busca entender a relação entre práticas, teorias e discursos na arqueologia brasileira, tomando como exemplo o Programa Nacional de Pesquisas Arqueológicas.
2007
Hilbert,Klaus