Repositório RCAAP
Abusos metafóricos em manuais de introdução à Administração
Este artigo analisa fragilidades conceituais presentes nos manuais de Teorias Administrativas, usados como referência primária nas construções dos significados básicos da Administração, com os alunos dos cursos de graduação das maiores e mais importantes Instituições de Ensino Superior (IES) brasileiras. Em sentido amplo, sua discussão situa-se no debate internacional sobre a crise do atual modelo de ensino de Administração, surgido nos anos 1990, e que põe em dúvida o sentido e a finalidade da chamada management education. Em sentido estrito, seu interesse analítico essencial são os problemas oriundos do uso (e abuso) de metáforas no discurso científico como apresentado em manuais didáticos introdutórios das teorias administrativas. Sua perspectiva teórica, contrapondo-se a uma concepção de significado na qual o discurso científico seria o espaço de uma literalidade plena, apoia-se em discussões no âmbito da construção discursiva das ciências para reconhecer a presença inevitável e não necessariamente danosa das metáforas no discurso científico. Neste sentido, ele assume a metáfora como um fenômeno linguístico-cognitivo de natureza semântico-pragmática. Ao analisar os manuais de teorias administrativas, esta pesquisa confirmou sua hipótese de que a literatura de formação profissional em Administração, usada na educação dos futuros administradores por todo o País, é marcada por uma série de fragilidades conceituais básicas que, ao simplicizarem a complexidade dos fenômenos organizacionais, resultam em um empobrecimento conceitual pelo uso (ou abuso) metafórico. E conclui que tais manuais, pretendendo facilitar o entendimento dos conceitos e tornar sua leitura acessível e agradável, abrem mão da complexidade e da riqueza explicativa dos conceitos originalmente elaborados em pesquisas científicas no próprio campo da Administração, terminando por traduzirem-se no que aqui poderíamos chamar de uma Pop Science.
2012
Moura,Guilherme Lima
Por que Finanças?: Avaliando o interesse dos estudantes de graduação em Administração pela área de Finanças
O objetivo do presente trabalho consiste em analisar o interesse dos estudantes da graduação em Administração pela área de Finanças, bem como os principais fatores que influenciam esse interesse. Para tal, foram identificados na literatura cinco construtos que, em teoria, afetam a relação entre os estudantes e as disciplinas da área de Finanças: (i) Interesse pessoal na área de Finanças; (ii) Interesse em uma carreira na área; (iii) Relevância teórico/prática da área; (iv) Conhecimento técnico sobre finanças; (v) Relevância interdisciplinar da área; e, por fim, um construto acrescentado pelos autores, que ainda não fora considerado em estudos anteriores, nesse trabalho denominado "Qualidade docente sob a ótica discente". O instrumento de coleta dos dados foi desenvolvido com base em trabalhos anteriores e visou fornecer informações condizentes com as hipóteses realizadas. Os dados foram coletados em oito instituições de ensino superior, públicas e particulares, dos estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro, Ceará e Espírito Santo, formando uma amostra com 290 observações válidas. Para tratamento e modelagem dos dados, empregou-se a técnica de modelagem de equações estruturais (SEM) por meio da técnica dos mínimos quadrados parciais (Partial Least Squares - PLS). Cabe destacar que foram testados os índices de ajuste do modelo Average Variance Extracted (AVE), Average Path Coefficient (APC), Average R-Squared (ARS) e Average Variance Inflation Factor (AVIF). Além disso, também se verificou o índice de confiabilidade psicométrica Alfa de Cronbach de cada construto, encontrando-se valores razoáveis e o índice de Confiabilidade Composta do construto. O modelo apresentou uma medida de explicação R² de 0,74. Todos os construtos apresentaram valores significativos para o coeficiente padronizado (p < 0,01). Destaca-se que os resultados obtidos não permitiram rejeitar nenhuma das hipóteses. Em busca de uma compreensão mais profunda e abrangente sobre o tema, recomenda-se que pesquisas futuras tenham como foco a avaliação do processo de ensino de competências na área de Finanças e de formas alternativas de abordagem que despertem o interesse dos alunos, possibilitando uma maior convergência da formação acadêmica com a aplicação prática contextualizada para a realidade do mercado.
2012
Azevedo,Carlos Eduardo Franco Oliveira,Leonel Gois Lima Abdalla,Márcio Moutinho Gonzalez,Rafael Kuramoto Ribeiro,Agatha Justen Gonçalves Holperin,Michelle Moretzsohn
Notas sobre o conceito de sucesso: sentidos e possíveis (re)significações
O objetivo do presente artigo é explorar ambivalências e contradições do conceito de sucesso no contexto do management, com a difusão de ideias gerenciais logo após a Segunda Guerra Mundial. Neste contexto, podemos observar, entre outros fenômenos, a prerrogativa da visão de mercado, o obscurecimento das diferenças ideológicas, a não separação entre vida pública e privada. Argumentamos que a noção de sucesso contemporânea está inserida neste contexto. A partir da perspectiva construcionista, que propõe que a vida social resulta de uma construção coletiva organizada por práticas discursivas, este trabalho revisa e classifica artigos acadêmicos nacionais e internacionais sobre sucesso, com o objetivo de mostrar que o conceito de sucesso traz em si uma noção que foi sendo difundida e incorporada como modelo de conduta na sociedade contemporânea, em sintonia com os valores disseminados pelo management. A noção de sucesso tem sido explorada por um vasto número de publicações, especialmente aquelas descritas como pop management (WOOD JR.; PAULA, 2002), mas também criticada em textos acadêmicos (PAHL, 1997; TANURE; CARVALHO NETO; ANDRADE, 2007; CHUSMIR; PARKER, 2011). Tal modelo de sucesso, propagado pela mídia e visto como possibilidade de ascensão e mobilidade social, ignora questões de gênero e impõe elevados custos pessoais para que possa ser alcançado. A perspectiva crítica utilizada neste ensaio pretende desnaturalizar estruturas sociais descritas como inevitáveis, mostrar que as discussões sobre sucesso estão cheias de controvérsias, propor que o sucesso é uma instituição social construída e assimilada em diversas fronteiras e, ao fazer isso, permitir a configuração de novos sentidos para o termo.
2012
Ituassu,Cristiana Trindade Tonelli,Maria José
Critérios de validade em pesquisas em estratégia: uma análise em artigos publicados no EnAnpad de 1997 a 2010
Os critérios de validade constituem-se em elementos fundamentais que compõem o rigor metodológico de um estudo científico. Diante disso, esta pesquisa teve por objetivo analisar os critérios de validade utilizados em estudos científicos da área de estratégia, publicados nos anais do Encontro da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Administração (EnAnpad) entre 1997 e 2010. Na revisão teórica, abordam-se critérios de validade dos autores Selltiz, Wrightsman e Cook (1987), Straub e Carlson (1989), Cooper e Schindler (2003), Babbie (2005), Hair Jr., Anderson, Tatham e Black (2005), Yin (2005), Brewer e Hunter (2006) e Malhotra (2006). A partir da revisão de literatura, visando ampliar a adoção de critérios de validade, propõem-se itens que possam auxiliar os pesquisadores a verificar a adequação de seus estudos aos principais critérios. Realizou-se uma pesquisa bibliográfica e bibliométrica com 53 artigos da área de estratégia, bem como se fez análise de conteúdo do referencial teórico dos artigos e se submeteram os dados à análise descritiva de frequência e percentual da utilização de validação quanto ao tipo de pesquisa (quantitativa, qualitativa e que mesclam as duas abordagens); aos tipos de critérios de validação empregados; e às obras mais citadas ao abordar validação. Constatou-se que as validades convergente, discriminante, de conteúdo e de construto foram os critérios mais empregados nos estudos revisados e que a validade de critério (validade de critério, concorrente e preditiva), apesar de amplamente abordada na literatura, foi empregada em menos de 10% desses estudos. Entre os resultados obtidos, verificou-se ainda que, na área de estratégia, são realizadas pesquisas que denotam preocupação com a validação, mas que esse número ainda é pequeno diante da quantidade de artigos publicados na área no período analisado, havendo espaço para exploração de outros critérios de validade, como a validação de critério. Espera-se que este estudo possa contribuir, por meio da divulgação e da orientação a respeito dos principais critérios de validade, para que as pesquisas adotem procedimentos de pesquisa voltados à validação dos instrumentos de pesquisa.
2012
Oliveira,Denise De Walter,Silvana Anita Bach,Tatiana Marceda
Saindo da trincheira do desenvolvimento sustentável: uma nova perspectiva para a análise e a decisão em sustentabilidade
O desenvolvimento sustentável está entrincheirado. Seu campo é marcado por visões e interesses conflitantes que retroalimentam a fragmentação da temática em dois principais grupos ideológicos que se opõem. Em uma trincheira, estão os biocentrados que advogam pela priorização da preservação dos recursos naturais sobre os sistemas socioeconômicos; a outra trincheira é ocupada pelos antropocentrados, movidos pelas crenças de que a natureza existe para servir ao homem e de que o crescimento dos mercados e o incremento tecnológico são suficientes para garantir a sustentabilidade. Essa contraposição dificulta a construção de uma visão conjunta para o desenvolvimento sustentável, o que resulta no avanço lento, quando não no retrocesso da busca por um maior equilíbrio entre economia, sociedade e meio ambiente, ao redor do mundo. Há então a necessidade de diminuir a distância entre ambas as posições, de forma que haja espaço para a construção de ações e políticas de um desenvolvimento sustentável realmente viável. O objetivo deste ensaio é propor uma nova perspectiva conceitual de análise e decisão sustentáveis, que permita uma maior aproximação dessas duas visões. A partir de um "mapa geral", que localiza biocentrados e antropocentrados em campos opostos, inicia-se a construção de uma proposição de modelo conceitual analítico-decisório voltado para o problema. A perspectiva da ecologia industrial é integrada à teoria dos stakeholders e à sustentabilidade 3-D de Mauerhofer (2008), para a construção dessa proposição, concebida de forma a refletir características intrínsecas do desenvolvimento sustentável e funcionar como um circuito fechado, retroalimentado. O modelo proposto atende ao objetivo deste ensaio e é sua principal contribuição. Sugerem-se como estudos futuros: 1. o desenvolvimento operacional e a posterior aplicação desse modelo sobre os principais argumentos de biocentrados e antropocentrados, presentes nos diversos foros de discussão; e 2. a adaptação do modelo a indústrias específicas.
2013
Marconatto,Diego Antonio Bittencourt Trevisan,Marcelo Pedrozo,Eugenio Avila Saggin,Kleiton Douglas Zonin,Valdecir José
Valores que motivam mulheres de baixa renda a comprar produtos de beleza
O artigo tem como objetivo identificar valores individuais que motivam mulheres de baixa renda, mesmo vivendo com severas limitações financeiras, a comprar produtos de beleza, que poderiam, à primeira vista, ser considerados itens supérfluos. O modelo de cadeia meios-fim de Gutman (1982) e os tipos de valores de Rokeach (1973) e Floch (1990) constituíram sua base conceitual. Foram conduzidas entrevistas em profundidade, empregando a técnica laddering (REYNOLD; GUTMAN, 1988), com 17 mulheres de baixa renda residentes na cidade do Rio de Janeiro. As entrevistas também foram interpretadas com o auxílio de análises de conteúdo e de discurso. Os resultados trazem evidências de que, com o uso de produtos de beleza, as consumidoras de baixa renda buscam elevar sua autoestima, constantemente abalada pelas restrições financeiras, que as coloca em permanente situação de desvantagem. Também buscam, por meio da beleza, obter respeito de classes sociais hierarquicamente superiores, já que a aparência parece ser uma maneira eficaz para diminuir sua percepção de discriminação por serem pobres. As entrevistadas mostraram-se muito conscientes de suas limitações orçamentárias para aquisição de produtos de beleza, comprando apenas o que podem pagar. A marca dos produtos selecionados para compra surgiu como fator importante em suas escolhas, não para obter status, mas como garantia da qualidade dos produtos. Este trabalho buscou ampliar o conhecimento sobre o comportamento de consumo dos grupos sociais na base da pirâmide, examinando questões ainda pouco exploradas, como valores de sua subcultura. Sob a perspectiva gerencial, esta pesquisa propõe contribuições para a gestão do composto de marketing de empresas que pretendam atuar nesse mercado.
2013
Livramento,Mariana Nazaré Hor-Meyll,Luis Fernando Pessôa,Luís Alexandre Grubits de Paula
Uma escala para mensuração da importância percebida pelos docentes sobre a abordagem socioambiental nos cursos de administração de empresas
As empresas representam uma entidade de grande poder sobre a sociedade com relação à sustentabilidade. As decisões tomadas pelas organizações geram impactos significativos sobre a sociedade. Nesse sentido, torna-se importante saber qual é a importância atribuída pelos profissionais de educação a temas como gestão ambiental e sustentabilidade, principalmente em cursos de administração, já que eles são o principal veículo de formação dos futuros gestores. Essa foi a preocupação de Costa et al. (2008), quando os autores avaliaram a importância atribuída por professores para a área da gestão ambiental. O presente trabalho constitui-se uma extensão daquela pesquisa, à medida que se busca abordar conceitos sugeridos pelos autores, mas ainda não contemplados. O objetivo geral é a construção de uma escala para mensuração da importância da abordagem socioambiental nos cursos de administração de empresas na percepção dos docentes. O mapeamento dos constructos e sua forma de operacionalização foram obtidos por meio da revisão de literatura e da avaliação de pesquisadores doutores da área. Após essa primeira fase, realizou-se uma análise fatorial confirmatória, e os testes sugerem que as características psicométricas de um bom instrumento foram atingidas. A aplicação do instrumento com 100 professores mostrou que estes entendem que uma boa formação em administração necessita do envolvimento com questões socioambientais. Segundo eles, os cursos de administração não abordam de forma satisfatória a temática socioambiental, nem incentivam a abordagem desse tema dentro da sala de aula. Além disso, há uma descrença por parte desses profissionais quanto às reais preocupações das empresas com os temas sustentáveis. Embora a maioria tenha formado conceitos bem próximos do conceito mais usual para definição de sustentabilidade, os aspectos econômicos, sociais e culturais não foram citados. Finalmente, poucos indicam a forma como o conceito é tratado, ou seja, não há menções relevantes a projetos de pesquisa e/ou de intervenção organizacional.
2013
Macedo,Carla Vanessa Pinto de Freitas,Ana Augusta Ferreira de Guerra,Diego de Sousa
Determinantes para a utilização de práticas de contabilidade gerencial estratégica: um estudo empírico
Este estudo tem por objetivo identificar a intensidade da utilização de práticas de contabilidade gerencial estratégica (CGE) e a influência de algumas das principais variáveis contingenciais (estratégia e tamanho da empresa) que podem explicar essas práticas. As práticas de CGE constantes no estudo foram baseadas naquelas identificadas por Cadez e Guilding (2008), as variáveis estratégicas foram representadas por três abordagens conceituais diferentes (MILES; SNOW, 1978; PORTER, 1986; GUPTA; GOVINDARAJAN, 1984), e a classificação do tamanho da empresa baseou-se na receita operacional bruta anual, utilizada pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES, 2009). A pesquisa foi realizada a partir de uma população de 27 empresas do ramo de educação profissional, com representatividade nacional, que atuam dentro de uma mesma governança, mas que possuem estratégias, tamanhos e desempenhos diferentes. A metodologia utilizada foi o levantamento de informações por meio de um questionário enviado aos responsáveis pelas áreas de planejamento ou de contabilidade. Os resultados indicam que "medição integrada do desempenho" e "custeio meta" representam práticas de CGE amplamente utilizadas, seguidas de "benchmarking", "precificação estratégica", "custeio estratégico", "avaliação e monitoramento da marca". Observou-se uma adoção abaixo da média de algumas práticas relacionadas a custos e clientes. Todas as práticas de CGE tiveram alto grau de percepção quanto à importância do uso. Para verificar a relação das práticas de CGE com as variáveis contingenciais, foi utilizada uma regressão ordered probit. Foi revelado que as abordagens estratégicas (padrão, missão e posicionamento) parecem desempenhar um papel contingente na utilização de práticas de CGE, evidência também confirmada para a variável "tamanho da empresa".
2013
Andrade,Luiz Claudio Magnago Teixeira,Aridelmo José Campanharo Fortunato,Graziela Nossa,Valcemiro
Swap, futuro e opções: impacto do uso de instrumentos derivativos sobre o valor das firmas brasileiras
O trabalho analisa o impacto do uso de derivativos e a direção e magnitude do prêmio de cobertura relacionado a cada tipo de instrumento derivativo no valor da firma para uma amostra de empresas brasileiras não financeiras de capital aberto no período de 2004 a 2007. Os resultados indicam que a utilização de derivativos está relacionada a um impacto positivo e significativo sobre o valor de mercado das empresas. As evidências mostram que o uso de derivativos está associado a um "prêmio de cobertura" (hedging premium). Dessa maneira, é possível afirmar que as firmas que fazem uso da gestão de risco com derivativos têm um valor de mercado superior, no mercado brasileiro, quando comparadas a firmas que não utilizam esses instrumentos financeiros (hedging premium). Os resultados também indicam que, quando a análise se concentra no tipo de instrumento utilizado, a gestão de risco com tipos distintos de derivativos gera impacto de magnitude heterogênea no valor da firma. Contratos de swap e futuro/termo apresentam um impacto positivo e estatisticamente significante. Já para as opções, o impacto, embora positivo, não é estatisticamente significativo. Portanto, os resultados obtidos não só confirmam as expectativas de que a utilização de instrumentos derivativos exerce um impacto positivo e estatisticamente significativo sobre o valor da firma, mas também mostram que existe uma diferença relevante no efeito associado a derivativos distintos. Em conjunto, os resultados corroboram o fato de que investidores estão dispostos a pagar um maior valor por firmas que fazem gestão ativa de risco financeiro em ambientes mais voláteis como o Brasil, e essa disposição varia de acordo com o instrumento utilizado e com a eventual combinação de derivativos financeiros. Em pesquisa futura, uma análise das causas do impacto heterogêneo dos distintos instrumentos derivativos deve ser realizada para um melhor entendimento dos mecanismos pelo qual a política de gerenciamento de risco gera valor às firmas.
2013
Ribeiro,Philippe Lemes Machado,Sérgio Jurandyr Rossi Júnior,José Luiz
CAPM condicional com aprendizagem aplicado ao mercado brasileiro de ações
Modelos de precificação de ativos representam uma das áreas mais discutidas e pesquisadas em finanças. São amplamente utilizados de forma teórica e prática na área de investimentos para modelar e prever o risco e o retorno de títulos e de carteiras, bem como em finanças corporativas para estimar o custo de capital e ranquear projetos de investimento. Eles fornecem uma medida útil de risco que ajuda gerentes e investidores a determinar o retorno requerido ao colocarem seu dinheiro em risco. O objetivo deste trabalho é analisar o desempenho do modelo CAPM condicional com aprendizagem proposto por Adrian e Franzoni (2009) quando aplicado às séries de retornos das ações mais líquidas do mercado brasileiro no período de 1987 a 2010. Adrian e Franzoni (2009), em seu artigo, complementaram a literatura do CAPM condicional ao modelarem um novo tipo de variação temporal nos betas condicionais. Nesse ambiente, os investidores formam expectativas sobre o nível de longo prazo dos fatores de risco com base nos retornos realizados de variáveis exógenas. Como consequência direta dessa hipótese, os betas condicionais são modelados por meio do filtro de Kalman. Utilizando dados de 25 carteiras classificadas por tamanho e pelo índice valor contábil-valor de mercado, os autores concluíram que o CAPM condicional com aprendizagem é capaz de reduzir substancialmente os erros de apreçamento quando comparado ao CAPM em sua versão original. Dessa forma, contribuímos para a literatura de precificação de ativos, na medida em que avaliamos se esse modelo é capaz de reduzir os erros de apreçamento em relação à versão original do modelo CAPM, quando aplicado a dados de ativos individuais brasileiros. Os resultados deste artigo evidenciam uma redução nos erros de precificação do CAPM condicional com aprendizagem em relação ao CAPM em sua versão original. Dessa forma, tais resultados empíricos sugerem que a aprendizagem sobre os betas deve ser levada em consideração na estimação do CAPM incondicional e condicional.
2013
Mazzeu,João Henrique Gonçalves Costa Junior,Newton Carneiro Affonso da Santos,André Alves Portela
Incerteza, racionalidade limitada e comportamento oportunista: um estudo na indústria brasileira
A proposta deste estudo foi entender o comportamento oportunista a partir dos conceitos incerteza, racionalidade limitada e especificidade de ativos. Para tal, um modelo teórico foi proposto e testado, em que se operacionalizou a especificidade segundo os ativos dedicados, os ativos físicos e os ativos humanos, em conformidade com os trabalhos Anderson e Schmittlein (1984), Carson, Madhok e Wu (2006) e Skarmeas, Katsikeas e Schlegelmilch (2002), ancorados na teoria dos custos de transação (TCT). O comportamento oportunista foi operacionalizado a partir dos indicadores propostos por Carson, Madhok e Wu (2006). A racionalidade limitada foi estudada na perspectiva de Simon (1957, 1980), e a operacionalização do constructo incerteza se amparou nos trabalhos de Knight (2002), Duncan (1972), Gordon e Narayanan (1984), Milliken (1987) e Milliken (1990). Os dados coletados junto a 111 gestores da indústria de transformação no Brasil, selecionados na base da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), foram submetidos à modelagem por equações estruturais. Os resultados apontam que a racionalidade limitada e a especificidade dos ativos influenciam positivamente o comportamento oportunista dos agentes econômicos, confirmando os argumentos da teoria dos custos de transação, ou seja, quanto maior a especificidade dos ativos, menores as possibilidades de reaproveitamento do investimento, tornando a continuidade do relacionamento valiosa e alvo potencial de ações oportunistas. Os resultados também confirmaram a multidimensionalidade do constructo incerteza, reforçando os argumentos teóricos da perspectiva da incerteza da informação. Tal constatação, aliada às definições de Simon (1957, 1980), possibilitou a operacionalização do constructo racionalidade limitada a partir da incerteza de efeito e da incerteza de resposta, bem como a constatação da importância dessa premissa na explicação da existência dos custos de transação. Nesse sentido, os resultados abrem um leque de possibilidades e contribuem significativamente para o avanço dos estudos empíricos no campo da TCT.
2013
Silva,Adilson Aderito da Brito,Eliane Pereira Zamith
Divisão do trabalho social e arranjos produtivos locais: reflexos econômicos de efeitos morais de redes interorganizacionais
Este artigo utiliza um recorte teórico que evidencia fatos sociais, especificamente da divisão do trabalho social, que atuam diretamente na eficiência de organizações, por meio da coesão e da solidariedade. Entretanto, essa leitura da realidade socioeconômica não vem sendo utilizada em sua plenitude para a compreensão da imersão social de redes interorganizacionais territorializadas, ou seja, de arranjos produtivos locais. Pode-se perceber que uma das principais características competitivas, denominadas atuais dentro do discurso empresarial e até mesmo de políticas de desenvolvimento econômico, é a necessidade de as empresas atuarem de forma conjunta e associada em determinados territórios, sejam estes distritos industriais, regiões, municípios ou cidades. Portanto, a aglomeração é uma possibilidade concreta para o desenvolvimento empresarial a partir de estruturas organizacionais baseadas na associação, complementariedade, compartilhamento, troca e ajuda mútua, que têm como referência as redes, que também compõem a estrutura social de mercados e reforçam a discussão sociológica de que a competição também gera a solidariedade. As ações econômicas individuais não estão livres de pressões estruturais e suscetíveis de ser interpretadas dentro da lógica puramente aditiva e mecânica da agregação. As pressões estruturais que pesam sobre a ação econômica não se reduzem às necessidades inscritas, em dado momento do tempo, nas disponibilidades econômicas imediatas ou na instabilidade das interações. Os interesses econômicos de mercado estão, para a nova sociologia, econômica imersos em redes pessoais e de grupos sociais. O mercado, portanto, não se constitui de organizações isoladas, como nos modelos de concorrência perfeita da ciência econômica, mas de aglomerados organizacionais que formam uma estrutura social.
2013
Silva,Gustavo Melo Neves,Jorge Alexandre Barbosa
A interface entre valores humanos e mudança organizacional: evidências de uma operação de aquisição
Este artigo apresenta uma discussão sobre os valores humanos a partir de uma situação de abrupta mudança organizacional gerada por uma operação de aquisição. O objetivo desta pesquisa teórico-empírica foi compreender como os funcionários que vivenciaram a operação de aquisição da instituição financeira em que trabalhavam conseguiram lidar com essa situação a partir dos valores humanos. A pesquisa é qualitativa, descritiva, de corte temporal seccional com perspectiva longitudinal. Os dados foram coletados por meio de entrevistas semiestruturadas e interpretados pela técnica da análise de conteúdo. A lente teórica deste estudo se sustentou no modelo de Rohan (2000), sobre o sistema de valores pessoais, o qual traz como inovação a ideia de que os valores têm mais do que um papel na sobrevivência dos indivíduos por serem, conforme denomina a autora, guias para a melhor forma possível de viver. Os resultados nos levam a concluir que, embora haja divergências nos sistemas de valor pessoal e de prioridade social dos entrevistados, ou seja, no modo como eles encaram e guiam seus comportamentos e atitudes diante de uma mesma situação, eles encontraram a melhor forma possível de viver perante a operação de aquisição, na medida em que conseguiram respeitar e preservar seus valores pessoais para se adaptarem às novas circunstâncias de trabalho, sem que isso lhes representasse sofrimento. Essa interface entre os valores humanos dos entrevistados e a mudança organizacional por eles vivenciada ressalta, portanto, aspectos que vão além da adaptação dos indivíduos para sobrevivência e para a participação em uma sociedade. Ao mesmo tempo, mostra que a complexa formação de um grupo pode conter sistemas de priorização de valores pessoais e sociais diversos em diálogo, sem com isso implicar homogeneidade para lidar com uma mesma situação. Essa compreensão justifica, finalmente, o motivo pelo qual os funcionários, ao preservarem os seus valores, desenvolveram novas atitudes e comportamentos que lhes deram condições de permanecer trabalhando na instituição adquirente, pois, ao fornecerem diferentes significados à situação vivenciada, experimentaram novas formas de pensar e sentir o seu fazer.
2013
Adler,Claudia Segadilha Silva,André Luis
O sentido do trabalho para pessoas com deficiência
Esta pesquisa tem o objetivo de analisar o sentido do trabalho para as pessoas com deficiência (PcD). Optou-se por adotar a perspectiva da psicologia social para compreender a produção de sentidos relacionados ao trabalho devido à sua relação com a produção da subjetividade dos sujeitos. A dimensão do trabalho como realidade social, como bem afirma Dejours (2004), é essencial à atividade humana, contribuindo para a satisfação de necessidades não apenas econômicas, mas também psicológicas e sociais. Para as PcD, o estudo dessa atribuição de sentidos se torna instigante, visto que o trabalho tem sido considerado uma importante via de inclusão social dessas pessoas na sociedade. Para o desenvolvimento da pesquisa qualitativa que deu origem a este artigo, optou-se pela aplicação do método de análise das práticas discursivas, cujos pressupostos ontológicos e epistemológicos estão ancorados na abordagem sociocontrucionista descrita por Spink (2004). Adotou-se a pesquisa qualitativa para a compreensão da produção de sentidos, com a análise das práticas discursas. O construcionismo social foi utilizado como método da pesquisa. Foram realizadas entrevistas em profundidade com pessoas com deficiência inseridas no mercado de trabalho escolhidas por meio da técnica bola de neve. Para o procedimento, realizou-se uma adaptação do recurso dos mapas de associação de ideias utilizados por Spink (1999). A análise dos resultados permitiu a elaboração das categorias que revelam os sentidos do trabalho para as pessoas com deficiência, entre as quais se destacam o trabalho como meio de sobrevivência, a necessidade de ser útil à sociedade, de garantia da independência financeira e pessoal. Observou-se, nas produções discursivas, a centralidade do trabalho na vida de todos eles, estando, para alguns, mais relacionado à sobrevivência e, para outros, à inserção social. As vivências no trabalho estão relacionadas ao sentimento de capacidade e utilidade para com a sociedade. Este trabalho permitiu compreender que as regularidades encontradas nos repertórios discursivos remetem o sentido do trabalho para o exercício pleno de cidadania.
2013
Lima,Michelle Pinto de Tavares,Nathália Vasconcelos Brito,Mozar José Cappelle,Mônica Carvalho Alves
Uma análise das formas de remuneração dos sócios por meio do planejamento tributário
A redução dos custos de empresas por meio de planejamento tributário é tópico recorrente tanto na pesquisa acadêmica como na prática empresarial. Este trabalho tem como objetivo estudar as formas de remuneração de sócios de empresas que pagam imposto de renda pelo lucro real, a saber: distribuição de lucros, juros sobre capital próprio e pagamento de pró-labore. Ênfase especial foi dada ao pagamento de pró-labore, modelado por meio da matemática atuarial, de forma a incorporar o efeito intertemporal do benefício previdenciário a que o sócio tem direito, no cálculo das alíquotas efetivas das formas de remuneração. A alíquota efetiva é definida como a razão entre o valor efetivamente pago ao ente público e o valor originalmente disponível à tributação. A alíquota efetiva deve ser considerada pelo seu valor presente atuarial devido ao fato de que alguns tributos têm efeitos intertemporais de pagamentos, recebimentos e restituições no fluxo de caixa do ente pessoa física ou jurídica. Denomina-se valor presente atuarial porque, além da taxa de desconto financeiro que representa o custo de oportunidade de um segundo melhor investimento, considerou-se, pelo fato de o foco do planejamento tributário estar na riqueza da pessoa física, a probabilidade de o indivíduo receber o valor no futuro. Em outras palavras, deve-se considerar a probabilidade de o indivíduo estar vivo no instante em que terá direito ao recebimento dos valores. Como resultado, observou-se que a inclusão do desconto atuarial nas opções de remuneração dos sócios altera significativamente o que pode ser considerado como forma de remuneração mais econômica, ou então menos custosa. Ao contrário do que se poderia inferir, os juros sobre capital próprio podem não ser a forma de remuneração mais barata da empresa (com 15% de alíquota efetiva), mas sim pequenos valores de pagamento de pró-labore (que apresentam valores de até 8,61% de alíquota efetiva).
2013
Gouveia,Fernando Henrique Câmara Afonso,Luís Eduardo
A estratégia de diversificação e performance: o caso das companhias abertas no Brasil
Esta pesquisa analisa a relação entre diversificação e performance de empresas de capital aberto no Brasil, no período de 2001 a 2005, considerando distintas estratégias de diversificação de produtos. Compôs a amostra um total de 168 empresas brasileiras com informações sobre diversificação no Relatório de Informação Anual (IAN), as quais são enviadas anualmente à Comissão de Valores Mobiliários (CVM). As empresas foram divididas em três grupos de acordo com suas estratégias de diversificação: produto único, moderadamente diversificadas e altamente diversificadas. Utilizaram-se duas técnicas estatísticas: regressão múltipla e análise de variância (Anova). Na primeira técnica, de regressão múltipla, foram gerados três modelos estatísticos (com três regressões cada um, uma para cada medida de performance utilizada): estratégia de produto único com moderadamente e altamente diversificado (modelo I), produto único versus moderadamente diversificado (modelo II) e negócio único versus altamente diversificado (modelo III), a fim de verificar a influência da diversificação de produtos (Diver) na performance dos diferentes grupos de empresas. A análise de variância foi conduzida para verificar as diferenças de médias entre distintos grupos de empresas. Em todos os modelos da regressão, a variável (Diver) não apresentou significância estatística, porém indicou retornos menores com a diversificação. Em todos os modelos, a variável END foi negativa e estatisticamente significativa a 5% quando utilizado como medida de performance o ROA. Já as variáveis Cresv e TAM foram positivas e estatisticamente significativas em todos os modelos. A variável Risco foi positiva e significante estatisticamente quando relacionada à medida de performance Roaop, em todos os modelos. Quanto à Anova, os grupos estratégicos não apresentaram diferenças significativas em nenhuma das variáveis estudadas, entretanto a rentabilidade operacional das firmas com estratégias de produtos altamente diversificadas foi superior em relação àquelas com estratégia de produtos menos diversificada. O indicador de endividamento foi menor no grupo moderadamente diversificado.
2013
Grzebieluckas,Cleci Marcon,Rosilene Alberton,Anete
Impacto informacional das reuniões públicas Apimec: um estudo de evento
Este trabalho mensurou o impacto informacional, medido pelo retorno anormal do preço das ações de companhias abertas brasileiras, ocasionado pelas apresentações gerenciais em reuniões públicas organizadas pela Associação dos Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais (Apimec). Utilizando a metodologia de estudo de evento, foram analisados os retornos anormais das ações de 160 empresas que realizaram 739 reuniões entre 2005 e 2009. Os resultados encontrados sugerem que, em média, as informações geradas nesses eventos acarretaram retornos anormais pequenos no período analisado. Tal achado pode ser fruto tanto do baixo impacto informacional desses eventos quanto da possível dificuldade dos participantes das reuniões de perceberem essas informações como relevantes. A principal contribuição desta pesquisa é demonstrar que as reuniões Apimec constituem um momento em que as relações da empresa com os investidores e analistas podem ser iniciadas e fortalecidas, mas em que informações novas não são apresentadas. Essa constatação demonstra que a condução das reuniões pelas companhias está em conformidade com as recomendações dos órgãos reguladores brasileiros, as quais indicam que nas reuniões públicas devem ser comentadas apenas informações previamente divulgadas. Outros meios de divulgação de informações, como fatos relevantes, comunicados ao mercado, teleconferências, entre outros, podem ser tão eficientes na distribuição ampla e simultânea de informações aos diversos agentes do mercado, que resta para as reuniões realmente o papel de oportunizar um maior conhecimento e compreensão da empresa pelo mercado e do mercado pela empresa. Essa construção de compreensão mútua pode trazer valor nas relações das companhias com os investidores no longo prazo, mas não acarretam, em média, impactos informacionais de curto prazo.
2013
Reiteri,Nayana Procianoy,Jairo Laser
A practice turn e o movimento social da estratégia como prática: está completa essa virada?
Em 2006, Richard Whittington, o principal autor da corrente de pesquisa denominada estratégia como prática (strategy as practice), publicou o artigo "Completing the practice turn in strategy research". Nesse trabalho foi apresentada uma estrutura de análise que, pretensamente, completaria a virada da prática nessa área de pesquisa ao considerar diferentes níveis da prática (micro e macro). Entretanto, críticas foram e continuam sendo dirigidas aos estudos realizados sob essa perspectiva, o que evidencia a necessidade de avaliar como está se dando a practice turn nos estudos sobre estratégia. Assim, o objetivo no presente artigo foi analisar a virada da prática nos estudos sobre estratégia, tanto no que concerne às principais características quanto à finalização desse ciclo, ao tomar essa abordagem como um movimento social. Na escolha do método, optou-se pela pesquisa não reativa de documentos existentes (dados secundários) (NEUMAN, 1997). A partir desse método, foram selecionados os principais periódicos da área de administração e estratégia de acordo com o Journal Citation Reports, observando aqueles com maior fator de impacto. Com a amostra de 59 artigos, o movimento social da strategy as practice foi analisado à luz dos três momentos sugeridos por Hambrick e Chen (2008): diferenciação, mobilização e construção de legitimidade. Os resultados permitem concluir: 1. a virada da prática no campo da estratégia consiste em relacionar a corporeidade dos atores sociais, seus objetos e formas de uso, seus conhecimentos, habilidades, estados de emoção e motivações centralmente à prática; 2. essa virada está concentrada, em termos relacionais, nos pesquisadores R. Whittington e P. Jarzabkowski, com trabalhos predominantemente orientados e presos ao velho vocabulário da sociologia da regulação; 3. no que concerne à consecução ou finalização da virada da prática, como foi pretensamente estabelecido por Whittington (2006), conclui-se que a virada da prática nos estudos sobre estratégia não está completa, na medida em que examina as práticas relativamente num vácuo organizacional. Logo, é preciso recuperar a organização no estudo da prática, redefinindo o próprio termo "organização" nesse movimento social.
2013
Maciel,Cristiano de Oliveira Augusto,Paulo Otávio Mussi
Desempenho produtivo como fator moderador da estratégia e capabilidade
Partindo da premissa básica de que em uma cadeia de suprimentos há inúmeras relações de causa e efeito entre eventos com potencial de determinar a diferenciação entre empresas concorrentes, este estudo deposita seu foco na busca pela identificação de uma correlação entre o desempenho produtivo de uma empresa e sua capabilidade. Recorreu-se, inicialmente, a fontes bibliográficas, em que se identificou que capabilidade e competência são termos usados de modo intercambiável. Se no passado se referiam primariamente a tecnologias de produção e habilidades dos trabalhadores da empresa, abrangem, na atualidade, o comportamento de negócios em termos de eficácia no serviço prestado, responsividade e tempo do ciclo de entrega. Assim, empresas estabelecem estratégias para obter capabilidade. No plano empírico, realizou-se um estudo de natureza exploratória do tipo descritivo, com o objetivo de avaliar a relação entre as dimensões de estratégia e capabilidade e o impacto moderador do desempenho produtivo nessa relação. Os dados, coletados em 90 empresas do ramo metal-mecânico e tratados com a utilização de técnicas de estatística descritiva e multivariada, revelam que há correlação positiva entre estratégia e capabilidade com magnitude que possibilita a interpretação de que o desempenho produtivo pode ter atuado como moderador nesse resultado. Devido ao caráter transversal da pesquisa, com uma amostra fixa de empresas do ramo metal-mecânico de portes diferentes e contextos variados, e dados coletados em uma única vez, a compreensão das correlações encontradas foi limitada. Recomenda-se, assim, a aplicação de uma nova pesquisa longitudinal, com foco em um número menor de empresas durante períodos prolongados, de modo a observar os processos de mudanças em contextos mais amplos, identificar relações de causa e efeito e produzir resultados acadêmicos e científicos mais significativos.
2013
Moori,Roberto Giro Nafal,Kalid Ali Caldeira,Adilson