Repositório RCAAP
A construção do mercado editorial eletrônico no Brasil por meio de práticas de marketing
Este artigo apresenta um estudo sobre a construção do mercado editorial eletrônico no Brasil. Para tanto, desenvolve uma análise que considera todos os agentes de mercado envolvidos, direta e indiretamente, bem como as práticas de troca, normativas e representacionais de tais agentes para formatar o mercado editorial quanto à introdução dos e-books. A base teórica adotada para o artigo está alicerçada na literatura de market-making, que envolve os pressupostos de que o conhecimento especializado em marketing é performativo e formata mercados; a construção dos mercados envolve enquadramento de regras e regulamentações, bem como externalidades; mercados são híbridos e coletivos; e mercados são resultados de práticas. O procedimento metodológico adotado concerniu à pesquisa qualitativa, com caráter descritivo, por meio de análise do conteúdo de dados secundários coletados em relatórios e documentos de entidades e associações do mercado editorial brasileiro, bem como dados primários coletados em trabalho de campo por meio da realização de observações em eventos destinados ao mercado editorial, e entrevista semiestruturada com representante de associações ligadas ao setor editorial. Os resultados encontrados indicam reposicionamento no mercado por meio de estratégias individuais de marketing, prezando por valores relativos à cultura local (práticas de troca); espetacularização da realidade por meio de imagens e estatísticas estimulantes que representam como é e deve ser o mercado editorial eletrônico (práticas representacionais); e atuação com poder público para garantir interesses dos agentes de mercado e, ainda, tentativa de proporcionar capacidade aos agentes para que possam representar o mercado perante a esfera governamental (práticas normativas). Implicações práticas, sociais e setoriais, e de políticas públicas decorrentes do estudo consistem, respectivamente, na necessidade de criação de novas experiências de compra por parte de gestores de marketing, cujas organizações operem no mercado editorial; necessidade de organização dos agentes de mercados em torno de associações de classe e entidades para a divulgação do novo modelo de negócio; e necessidade de regulamentações e normatizações para a consolidação do novo mercado.
2014
Medeiros,Juliana Vieira,Francisco Giovanni David Nogami,Vitor Koki da Costa
Quality management as a resource of transaction costs reduction: empirical inputs from the international fruit trade
Fruit is a highly perishable product, susceptible to biological, physical and chemical hazards. All these risks are higher when fruit are transacted in international trade. In this case fruit suppliers and fruit buyers are exposed to elevated transaction costs, since both sides need to deal with questions like product specifications, post-harvest processing and logistics. Quality management can be employed in order to organize all production, processing and logistics operations. Our aim in this paper was to verify if producers, exporters and importers of fruit are making use of quality management concepts in order to reduce risks and transaction costs. As investigation method, semi-structured interviews were conducted in Brazil and the UK. The content of the semi-structured interview questions was chosen based on the literature review of TCE, the international fruit trade and quality management. The questions were carefully chosen to reveal the factors which are determinant for the configuration of transaction arrangements in the fruit trade. The topics investigated were: the technical activities performed by the organisations operating in the fruit commerce; the main types of commercial clients (partners) of the firm; the nature of the market type relations maintained by the firm; the level of quality problems perceived by the firm; and the quality management strategies adopted by the firm. These topics served as the foundation for the elaboration of the main questions and the probe questions. They also gave the direction for possible follow-up questions. The results of the interviews support the idea that quality consciousness is fundamental in the fruit trade. The majority of companies approached in the research were shown not to perceive as a problem the several parameters that affect the quality of the final product. In other words, the results suggest that firms that are incapable of handling quality issues satisfactorily find little place in the fruit trade. Quality management concepts are commonly employed in order to guarantee product specifications and rationality in the operation processes and, by doing so, it contributes to reduce transaction costs between the trading parties.
2014
Carvalho,José Márcio Thomé,Karim Marini Leitão,Fabrício Oliveira
Agência e redes mundos pequenos: uma análise multinível da produtividade acadêmica
Neste artigo, objetivamos avaliar empiricamente a capacidade da agência dos pesquisadores do campo da pesquisa em organizações e estratégia no Brasil quando imersos em redes mundos pequenos (small worlds). Para tanto, assumimos que a agência pode ser avaliada quanto a seu efeito na produtividade. Depois, advogamos que tal agência pode ser explicada pela imersão em redes de coautoria, em que tanto o posicionamento privilegiado dos pesquisadores em relação às lacunas estruturais quanto a configuração de facções da rede sob a forma de mundos pequenos podem afetar a produtividade. A análise de como a estrutura social influencia o comportamento e a performance dos indivíduos é primordialmente fundamentada em estudos de análises de redes sociais. Mesmo se reconhecendo as limitações, ela é frutífera e coerente enquanto arcabouço metodológico. Contudo, paralelamente, modelos estatísticos multiníveis vêm sendo empregados. Comumente conhecidos como modelos lineares hierárquicos, ou modelos HLM, eles buscam avaliar como o contexto interfere na ação social. Diante dessas duas possibilidades, buscamos neste estudo conciliar a análise de redes com modelos hierárquicos para avaliar a agência como socialmente imersa em redes de relações. Para tanto, o campo científico é tomado como um tipo de sistema social, cujas redes de relações de coautoria são avaliadas como dimensão estrutural quanto a posição-prática. Isso porque há indícios de que a estrutura de relacionamento interfira tanto no processo de institucionalização das ações, quanto na capacidade de agência dos pesquisadores. Verificamos que pesquisadores com maior proporção de laços não redundantes são mais produtivos. Além disso, as análises apontaram que em redes mais coesas a respeito de mundos pequenos, tanto individual quanto coletivamente, a produtividade é maior. Todavia, quando essa coesão é muito alta, há tendência de a produtividade decair. Tais resultados apontam para a relevância de se avaliar a capacidade da agência quando imersa em redes de relações, já que diferentes mecanismos de capital social condicionam a ação e seus resultados.
2014
Rossoni,Luciano
Corporeidade e estética na aprendizagem organizacional: insights emergentes
Este ensaio visa refletir sobre a importância da corporeidade e do conhecimento estético no avanço teórico da aprendizagem organizacional. A teorização em torno da aprendizagem organizacional tem se direcionado rumo à superação das dicotomias tradicionalmente enraizadas nas ciências sociais assentadas em tradicionais dualidades, como sujeito/objeto, mente/corpo, indivíduo/organização. A emergência de novos estudos aponta para a necessidade de valorizar as temáticas do corpo e da estética para ampliar o entendimento da aprendizagem organizacional. Dessa forma, este ensaio teórico de natureza argumentativa busca refletir a aprendizagem organizacional a partir da perspectiva da teoria da estética, em que a corporeidade assume especial relevância. Uma das mais importantes contribuições da abordagem estética reside em buscar a superação de tais dicotomias que permeiam a vida organizacional e em sociedade. A partir do momento em que as bases de constituição do conhecimento são questionadas, não sendo apenas lógica, mas também estética e sensível, uma série de outras questões emerge em conjunto. O conhecimento estético, fruto das corporeidades em interação, é constantemente ativado por sentimentos, desejos, emoções, representações acerca do que a organização mostra aos seus e fundamenta as escolhas dos atores em interação. Tal reflexão permite buscar novos insights que possam contribuir para o avanço teórico da aprendizagem organizacional, ampliando assim a sua compreensão. Como principais insights conclusivos, evidencia-se o potencial da aprendizagem organizacional residindo na corporeidade e intercorporeidade, que, devido a sua complexidade constitutiva, demanda epistemologias e metodologias ampliadas das práticas organizacionais para clarear o entendimento da aprendizagem organizacional. Acredita-se que a aprendizagem organizacional deva ser vista como um processo fluido, que está diluído no tempo, no espaço e nas práticas individuais e sociais, em que corpos e subjetividades se entrelaçam para dar os contornos específicos a cada ponto do processo e que ao mesmo tempo constituem e são constituídos em tal processo, significam e são significados, ressignificam e são ressignificados.
2014
Bertolin,Rosangela Violetti Cappelle,Mônica Carvalho Alves Brito,Mozar José de
Expressão e regulação emocional no contexto de trabalho: um estudo com servidores públicos
As emoções caracterizam-se por um conjunto de respostas integradas que envolvem alterações fisiológicas e motoras (que preparam o indivíduo para agir) e sentimentos associados a experiências internas (que propiciam uma avaliação da situação). As expressões emocionais são cruciais para o desenvolvimento e regulação das relações interpessoais. Saber lidar com as emoções pessoais e com as dos demais tem se tornado um importante requisito nas relações do indivíduo com a organização. O manejo das emoções repercute nas interações com colegas de trabalho e no atendimento a clientes. Situações do cotidiano de trabalho, mudanças organizacionais e características de clientes e colegas de trabalho envolvem emoções que necessitam ser reguladas. A regulação emocional pode ser definida como uma tentativa controlada ou automática de lidar com as emoções, indicando quando e a forma como elas serão sentidas e expressas. O setor público vem passando nos últimos anos por mudanças na sua estrutura e dinâmica que exigem manejo emocional da parte dos servidores públicos, demandando estudos empíricos que permitam compreender melhor essa realidade. O estudo quantitativo apresentado neste artigo analisou a relação entre emoções, estratégias de regulação emocional e variáveis sociodemográficas de servidores públicos que trabalham em organizações do Sul do país. Para a coleta de dados, foi utilizado um questionário com exemplos de situações hipotéticas do cotidiano do trabalho para que os participantes escolhessem expressões emocionais a elas associadas e as estratégias de regulação emocional que poderiam ser usadas em tais situações. A amostra contou com 400 trabalhadores de instituições públicas. Os resultados indicaram que, nas situações cotidianas negativas, as emoções que prevaleceram estavam associadas à raiva, e as que menos apareceram estavam associadas ao medo. As estratégias de regulação emocional usadas para lidar com as situações foram as de ação profunda. Os resultados apresentaram também diferenças na regulação emocional quanto ao gênero, nível de atuação na instituição pública e regime de trabalho.
2014
Rodrigues,Ana Paula Grillo Gondim,Sônia Guedes
As representações sociais circulantes no período de margem do ritual de passagem: o caso dos peritos criminais em estágio probatório
O trabalho tem por objetivo identificar as representações sociais construídas pelos peritos criminais em estágio probatório, portanto no período de margem do ritual de passagem. A noção de ritual norteadora do artigo está baseada nos autores Turner (1974), Van Gennep (1978), DaMatta (1978, 1983), Rivière (1997), Segalen (2000) e Peirano (2003) e é definida como um momento extraordinário em que os valores e conhecimentos são apresentados aos neófitos como forma de inseri-los no universo cultural no qual estão ingressando. As representações sociais construídas ao longo desse período vão apresentar peculiaridades inerentes à posição ocupada pelos neófitos. E as representações sociais, de acordo com Sperber (2001), dentro de uma ótica antropológica, emergem de uma composição articulada em torno da representação em si, do conteúdo dessa representação, de um usuário e de um produtor (que, em alguns casos, pode ser o próprio usuário). As representações mentais são aquelas construídas no interior do usuário. As representações públicas são as representações mentais compartilhadas entre as pessoas de um determinado grupo. Os sujeitos integrantes de uma comunidade ou grupo social, cada um deles possui em seu interior uma gama de representações mentais, e parte desse saber ou dessas representações será, ao se tornar pública, compartilhada entre os integrantes do grupo. Assim, os sujeitos vão construir suas representações mentais semelhantes àquela originalmente publicizada. O método etnográfico permitiu acompanhar os ingressantes desde o estágio da separação até o momento de margem. A observação participante e simples foi empreendida desde maio de 2009 até junho de 2012 junto aos neófitos. As representações circulantes na fase de liminaridade contemplaram o trabalho, como desgaste emocional, um valor positivo, interferindo na vida familiar, identificado como CSI, positivo e negativo aos olhos da polícia, humor negro e falta de recursos. Vale destacar que a humildade e as críticas acompanhadas de aspectos positivos foram acionadas, mesmo sendo os neófitos ingressantes no setor público, o que confirma as teorizações elaboradas por antropólogos que enfatizam a humildade e o comedimento como sendo comportamentos esperados na fase de margem do ritual de passagem.
2014
Cavedon,Neusa Rolita
Territorialidade e identidade nas organizações: o caso do Mercado Central de Belo Horizonte
O objetivo deste artigo é analisar as relações entre territorialidade e identidade no ambiente organizacional, avançando na perspectiva de identidade quanto ao que é distintivo, duradouro e central numa organização. Para tanto, foi tomado como objeto de estudo o Mercado Central de Belo Horizonte, lugar de múltiplas práticas - de boêmios, compradores, frequentadores e turistas - em que a cultura mineira se apresenta em diversas nuanças, adequado como objeto, portanto, para a observação de fenômenos complexos como os aqui tratados. Sob um enfoque qualitativo, 40 entrevistas semiestruturadas foram realizadas junto aos comerciantes do Mercado Central de Belo Horizonte, visando compreender a visão deles sobre esse espaço, material trabalhado pela análise do discurso francesa. Percebe-se que a sobreposição dos elementos trabalhados - distintivos (comércio), duradouros (paróquia) e centrais (escritório da administração) - demonstra atritos, seja pelo extravasamento de funções, seja porque, nas organizações, o convívio entre desiguais se instala, polarizada por alguns grupos que dominam enquanto outros resistem. Equilibram-se pelos movimentos de rearranjo dos atores sociais pelos territórios que ocupam em torno da sobrevivência mútua. Observou-se que as crenças compartilhadas que os indivíduos têm da identidade de uma organização, segundo definições de Albert e Whetten (1985), também se prestam para explicitar uma dada compreensão do espaço. E se essa é a ideia-base é porque ela não se prende apenas aos elementos puramente concretos, mas também à sua perspectiva simbólica. Partilhando de um espaço de múltiplas práticas, o mercado conjuga um conjunto de territórios que oscilam entre harmonia e conflitos, visto que são dinamizados por forças que, na defesa dos interesses de grupos particulares, tropeçam umas nas outras. Os territórios, porém, da mesma forma que se digladiam, se entendem sob o manto da mesma ideologia, a da sobrevivência mútua. Os territórios não estão hierarquicamente categorizados, mas exercem papéis diferentes dentro de uma realidade socialmente construída. Seus espaços não são estáticos, tampouco intercambiáveis: uma vez institucionalizados, ganham a feição de coisas dadas, imanentes. Porém, o que explica o equilíbrio é que os atores sociais transitam entre os territórios desempenhando múltiplos papéis. No intento de resolver os problemas relacionados ao território em que atuam, percebe-se uma tentativa desses indivíduos de querer "fazer parte do jogo", o que demonstra que, na essência, eles buscam aproximar-se do grupo majoritário e iniciar um processo de incorporação da ideologia dominante.
2014
Saraiva,Luiz Alex Silva Carrieri,Alexandre de Pádua Soares,Ari de Souza
Seleção de carteiras com modelos fatoriais heterocedásticos: aplicação para fundos de fundos multimercados
A teoria moderna do portfólio é baseada na noção de que a diversificação de uma carteira de investimento gera portfólios com uma melhor relação entre risco e retorno. Ultimamente, gestores vêm tentando ampliar a diversificação de suas carteiras por meio do investimento em cotas de diferentes fundos de investimento que, por sua vez, já contêm portfólios diversificados. Com isso, vem crescendo o interesse acadêmico e de participantes do mercado na seleção de carteiras formadas por fundos de investimento. Neste trabalho, a aplicabilidade e o desempenho fora da amostra de estratégias quantitativas de otimização para a construção de carteiras de fundos serão analisados. O desempenho dessas carteiras de fundos otimizadas será comparado ao desempenho do portfólio ingênuo igualmente ponderado, da carteira teórica do Ibovespa e do Índice de Mercado de Renda Fixa (IRF-M). Para a obtenção de portfólios ótimos, restritos para venda a descoberto, formula-se um problema de otimização de portfólios compostos por 388 fundos de investimento multimercado brasileiros ao longo de cinco anos. Para a modelagem da matriz de covariâncias dos retornos desses 388 fundos, é empregado um modelo fatorial heterocedástico parcimonioso. Tomando como base diferentes frequências de rebalanceamento dos pesos, as medidas de desempenho fora da amostra indicam que as estratégias quantitativas de otimização proporcionam resultados superiores em termos de volatilidade, desempenho ajustado ao risco, turnover e custos de transação ao longo do tempo. Em particular, os resultados obtidos indicam que o índice de Sharpe (IS) da carteira de média-variância e da carteira de mínima-variância foram estatisticamente diferentes (maiores) em relação ao IS do índice de referência de todas as frequências de rebalanceamento utilizadas. Com relação ao desvio padrão, os testes estatísticos mostraram que a volatilidade das carteiras de mínima-variância é estatisticamente diferente (menor) da volatilidade do índice de referência. Resultados semelhantes foram encontrados quando se comparou o desempenho das carteiras otimizadas ao Ibovespa e ao portfólio igualmente ponderado.
2014
Caldeira,João Frois Moura,Guilherme Valle Santos,André Alves Portela Tessari,Cristina
Atuação de bancos estrangeiros no Brasil: mercados de crédito e derivativos de 2005 a 2011
Este estudo insere-se no debate a respeito das consequências da presença de bancos estrangeiros em países em desenvolvimento. Especificamente, é investigada a atuação do conjunto de bancos de controle estrangeiro no Brasil de 2005 a 2011, com foco em sua participação nos mercados de crédito e de derivativos cambiais. Verificaram-se ainda os impactos da crise financeira internacional de 2008/2009 sobre o comportamento desses bancos. A motivação para essa análise está nos papéis que o crédito e a gestão de riscos financeiros desempenham no desenvolvimento econômico. O crédito é um canal fundamental de atuação pelo qual os bancos estrangeiros podem afetar o crescimento da economia doméstica. Os derivativos cambiais fazem parte de importante conjunto de tecnologias para gestão de risco das empresas e investidores que são mais comumente oferecidos pelos bancos estrangeiros e ajudam a explicar os efeitos benéficos da presença desses tipos de banco em economias emergentes. No período amostral, os bancos estrangeiros respondem por pouco mais de um quarto das concessões de crédito livre. Embora os testes realizados não permitam concluir relações de causa e efeito entre variáveis, observa-se que a crise financeira afetou negativamente os bancos estrangeiros, de forma mais intensa e longa do que os bancos privados nacionais. Essa observação pode ser indicativa de uma transmissão do choque de liquidez ocorrido nos mercados desenvolvidos para a economia brasileira. Entretanto, no período pós-crise, a partir do terceiro trimestre de 2010 até o final de 2011, a taxa de crescimento das concessões dos estrangeiros foi superior às dos demais. No mercado de derivativos cambiais, os bancos estrangeiros, inclusive os de menor porte, têm papel importante no fornecimento desses instrumentos, especialmente para o setor não financeiro. Os resultados mostram que, durante a crise, e, especialmente, no período pós-crise, os bancos privados nacionais diminuíram sua atuação nesses mercados. Adicionalmente, mostra-se que esse mercado é menos concentrado que o de crédito, o que evidencia a importância da existência de instituições financeiras de menor porte.
2014
Oliveira,Raquel de Freitas Schiozer,Rafael Felipe Leão,Sérgio
Os impactos da gestão do conhecimento na orientação estratégica, na inovatividade e nos resultados organizacionais: uma survey com empresas instaladas no Brasil
Este artigo é o resultado de uma survey realizada com 241 empresas instaladas no Brasil, com o objetivo de verificar se a gestão eficaz do conhecimento contribui para a orientação estratégica da empresa, para sua inovatividade e para os resultados organizacionais. O levantamento dos dados foi realizado por meio de questionários eletrônicos autoadministráveis contendo 54 questões com escalas de 10 pontos para medir o grau de concordância das variáveis dos quatro construtos envolvidos no estudo. Na análise dos dados, utilizou-se a técnica de modelagem de equações estruturais. Fundamentada na teoria da empresa baseada em recursos, a pesquisa partiu do pressuposto de que o conhecimento, além de ser um dos princpais recursos de uma organização, alavanca os demais recursos. Os resultados mostraram evidências que permitiram concluir que a gestão eficaz do conhecimento contribui positivamente para a orientação estratégica, porém não foi possível concluir sobre a contribuição positiva desses construtos sobre os demais, quando analisadas as suas relações diretas. Quando mediada pela orientação estratégica, a gestão eficaz do conhecimento mostrou efeitos totais e indiretos robustos e estatisticamente significantes sobre os resultados organizacionais. Os impactos da gestão do conhecimento e da inovatividade da empresa mostraram-se significantes e robustos quando alinhados com uma orientação estratégica que permite à empresa se antecipar e responder às condições do mercado. Verificou-se que a gestão do conhecimento permeia todas as relações entre os demais construtos, o que corrobora o argumento de que o conhecimento é um recurso que alavanca as demais atividades geradoras de valor nas organizações. Embora existam inúmeras pesquisas que abordam os construtos aqui envolvidos, a originalidade deste estudo repousa na análise simultânea desses conceitos, orientada por uma metodologia que permite sua replicação em outras culturas e condições. Além disso, o estudo traz implicações gerenciais no sentido de afirmar que a gestão do conhecimento e suas práticas possuem um caráter estratégico que deve ser considerado antes da aplicação de práticas pontuais para o alcance de objetivos específicos.
2014
Ferraresi,Alex Antonio Santos,Silvio Aparecido dos Frega,José Roberto Quandt,Carlos Olavo
Concepções teóricas e verificações empíricas sobre a cooperação entre firmas no Brasil: uma introdução ao fórum alianças estratégicas e redes de alianças
No summary/description provided
2014
Verschoore,Jorge Bulgacov,Sergio Segatto,Andréa Paula Bataglia,Walter
Cooperar para sobreviver e crescer: análise da rede de cooperação redemac
O alinhamento dos conceitos de cooperação em associações de empresas que buscam, por meio de objetivos comuns e estratégias coletivas, alcançar vantagens competitivas sustentáveis em longo prazo, como base nos benefícios e resultados da rede, é tema central desta pesquisa. Para fundamentar o referencial teórico exposto, buscou-se a literatura com base nos seguintes autores: Human e Provan (1997), Ebers e Jarillo (1998), Balestrin e Verschoore (2008), Powel (1998), Jarillo (1998), Castells (2012), Provan, Fish e Sydow (2007), entre outros. O objeto de estudo é o caso da rede de cooperação Redemac Materiais de Construção. Utilizaram-se, para tanto, técnicas de entrevistas em profundidade com três executivos que participaram ou participam do processo de institucionalização da Redemac. O objetivo foi examinar a formação, o desenvolvimento, os benefícios e resultados dessa associação de empresas, que se tornou um caso de sucesso na formação de uma rede de cooperação. Para finalizar, procurou-se acrescentar a visão de um lojista que ingressou na rede, observando seus resultados a partir dos propósitos de cooperação. Os resultados indicam que a Redemac é uma associação de empresas que obteve grande sucesso no cenário gaúcho, pois seguiu o paradigma colaborativo como forma de maximizar vantagens provenientes de trocas de informações, ganhos em escala, diminuição de custos, compartilhamento de marketing, aumentando o poder de barganha junto aos fornecedores e criando, dessa forma, barreiras para entrada de novos concorrentes, de maneira a torná-la mais competitiva para o enfrentamento dos grandes players do setor.
2014
Feijó,Rodrigo Medeiros Zuquetto,Rovian Dill
A confiança em situações ambivalentes e incongruentes: a utilização de vinhetas como método exploratório
O objetivo deste trabalho é sugerir a utilização de vinhetas para explorar como os indivíduos interpretam situações em que há ambivalência nas características relacionais com parceiros. Para tanto, investigou-se a forma como indivíduos, em uma organização produtora de software, interpretam situações transacionais concretas e elaboram suas percepções das relações entre confiança e controle. A partir das vinhetas apresentadas aos entrevistados, coletaram-se relatos qualitativos que exibem como seus pressupostos ou indagações conduzem ao "fechamento" das situações. A análise dos dados sugere que esse "fechamento" ocorre por meio de vários mecanismos alternativos: 1. censura seletiva de sinais contraditórios, 2. inclusão de pressupostos inexistentes na narrativa original, 3. busca focada de informações adicionais e 4. reflexão crítica de corresponsabilidades. A adoção de um mecanismo em detrimento de outro pode ter implicações importantes para o desdobramento das relações interorganizacionais estudadas. Neste artigo, buscou-se utilizar a abordagem de Swidler (2001), em que, no uso de vinhetas, procurou-se evidenciar os elementos culturais mobilizados na interpretação, formação de julgamentos e estabelecimento de metáforas e analogias por parte dos indivíduos. Cabe ressaltar que, do ponto de vista metodológico, a abordagem de pesquisa exploratória com a utilização de vinhetas pode ser um mecanismo interessante de abordagem qualitativa, principalmente em contextos em que o pesquisador se interessa por abrir a "caixa-preta" de alguma variável de interesse. Com essa abordagem, é possível obter um acesso privilegiado ao repertório de narrativas dos indivíduos. Cada vinheta reflete uma situação que se coloca ao entrevistado e o leva a evocar valores, crenças, atitudes e narrativas que não seriam de outra forma coletados. Sendo assim, este trabalho postula que a elaboração de vinhetas é um importante instrumento exploratório não apenas para o avanço teórico, mas também para o ensino da administração, conforme o explicado na conclusão deste artigo.
2014
Kirschbaum,Charles Hoelz,José Carlos
Atributos da transação e mensuração, e sua influência nas relações entre cooperados e cooperativas em sistemas agroindustriais suinícolas
Neste artigo, busca-se discutir as relações entre os cooperados e as cooperativas especificamente em transações suinícolas, as quais envolvem atributos da transação e dimensões mensuráveis. Para tanto, o objetivo deste artigo foi compreender como os atributos da transação e a mensuração podem influenciar nas relações contratuais entre produtores e processadores em estruturas cooperadas suinícolas localizadas na região oeste do Paraná. Teoricamente, recebeu suporte das teorias dos custos de transação de Williamson (1985) e dos custos de mensuração de Barzel (2005). Para atender ao objetivo proposto, realizou-se uma pesquisa qualitativa de cunho descritivo em duas cooperativas no oeste paranaense. A coleta de dados foi desenvolvida por meio de obtenção de dados secundários da Organização Brasileira de Cooperativas, de institutos de pesquisa, da Secretaria da Agricultura e de órgãos relacionados à atividade de suínos. Os dados primários foram obtidos por meio de uma entrevista semiestruturada com as cooperativas e os produtores. Como resultado, identificou-se que a estrutura de governança utilizada pelas cooperativas se caracteriza como híbrida, a qual, mesmo na presença de alta especificidade de ativos, se justifica pela possibilidade de mensuração. Os contratos entre as partes são formais e informais. Em relação ao contrato formal, este tem relevância para as partes no sentido de trazer garantia e continuidade da atividade. Entretanto, a presença de aspectos acordados envolvendo certa especificidade e mensuração pode gerar perda de direito de propriedade, notadamente para os produtores. Identificou-se também que os contratos passam a desempenhar um duplo papel na relação entre as partes: 1. geram o equilíbrio na relação e reduzem a possibilidade de comportamento oportunista, em razão do investimento especifico realizado e da necessidade de obtenção de padrão de produto e processo; 2. são utilizados como um mecanismo para manter o cooperado produtor de suíno como sócio fiel na cooperativa, atuando como uma forma de manutenção na relação agente e principal.
2014
Martins,Daniele de Lourdes Curto da Costa Souza,José Paulo de
As alianças estratégicas no picadeiro da arte/negócio circense
O objetivo do artigo é estudar a contribuição das alianças para a longevidade das empresas, tendo como objeto um campo quase esquecido pela administração, as organizações circenses. A despeito de sua importância econômica e simbólica, tal setor é pouco estudado sob o ponto de vista de suas práticas gerenciais. Nesse sentido, o problema proposto para exame é identificar em que medida as unidades pesquisadas realizam alianças capazes de gerar benefícios competitivos. O foco de investigação são as parcerias com licenciadas de marcas ícones do entretenimento infantil nacional, como Patati Patatá, Galinha Pintadinha e Turma da Mônica. Como objetivo secundário, pretende-se gerar subsídios para pesquisas futuras acerca do circo, razão pela qual o referencial teórico sobre alianças organizacionais foi elaborado em uma perspectiva ampla, posição coerente com o estágio incipiente da produção científica no segmento. Metodologicamente, adotou-se uma abordagem qualitativa com base em entrevistas em três circos de grande porte, da Região Sudeste. As informações foram trabalhadas por meio da análise do discurso. Os casos estudados apontaram que as alianças são uma fonte de valor por proporcionarem ganhos de performance nas dimensões: econômica (redução de risco, maximização dos ativos e de receita), de diferenciação competitiva (oriunda da partilha de recursos), e de desenvolvimento de capacidade adaptativa, denotada pelo senso de oportunismo decorrente das parcerias. Outro achado relevante diz respeito à presença antiga das alianças no cotidiano dos circos. Também foram apontados caminhos para esforços acadêmicos posteriores sobre: 1. os modos de existência das organizações circenses; 2. a fluidez e extensão dos limites organizacionais; 3. a relação de subordinação e os jogos de poder entre as partes envolvidas, com destaque para o exame da ambivalência gerada pelas alianças, expressa pelo paradoxo da conquista de flexibilidade versus a restrição competitiva; 4. a influência dos laços sociais na escolha e na coordenação das alianças; 5. as relações contratuais na indústria circense; 6. o aprofundamento da identificação dos recursos compartilhados. Por fim, cabe pontuar que as constatações levantadas não podem ser generalizadas, dado o recorte da população investigada.
2014
Quaresma Júnior,Edson Antunes Silva,Everton Rodrigues da Carrieri,Alexandre de Pádua
Para além do olhar econômico nas alianças estratégicas: implicações sociológicas do caso Unihotéis
O propósito do presente artigo é discutir o fenômeno das alianças estratégicas à luz da perspectiva sociológica de análise em contraponto com a orientação econômica que privilegia a concepção de ator racional, sob uma lógica utilitarista e contratualista. O trabalho foi construído a partir do estudo do caso da constituição de uma aliança estratégica no setor de hotelaria brasileiro. Entrevistas e dados documentais foram analisados qualitativamente, combinando análise de conteúdo tradicional e história oral. Os resultados apontaram aspectos emergentes de ordem sociológica no estudo de alianças estratégicas, os quais serviram de base para a constituição de quatro proposições analíticas: 1. o processo de constituição de alianças estratégicas é influenciado pela atividade interessada de diferentes atores distribuídos numa arena política, cujas ações são orientadas não apenas por expectativas utilitárias, mas também simbólicas; 2. o esforço de atores incumbentes para justificar e legitimar um projeto de cooperação interorganizacional e para mobilizar outros atores em favor de ideias e interesses que se coadunam a esse projeto influencia o processo de formação de alianças estratégicas; 3. princípios, categorias e entendimentos compartilhados acerca da cooperação interorganizacional, construídos na interação dos atores constituintes com agentes externos, condicionam os arranjos formais e relacionais no processo de formação de alianças estratégicas; 4. a constituição de alianças estratégicas depende do quanto os atores organizacionais interpretam sua adesão como desejável ou obrigatória em um determinado contexto social. Conclui-se em favor da complementaridade entre a perspectiva econômica e o olhar sociológico na análise das alianças estratégicas, reconhecendo a inserção social dos atores econômicos, bem como outras dimensões institucionais do ambiente, o que possibilita um entendimento mais aprofundado sobre alianças estratégicas.
2014
Vizeu,Fabio Guarido Filho,Edson Ronaldo Gomes,Marcelo Alves
Embeddedness estrutural e espacial em redes estratégicas: efeitos atitudinais no nível das díades
O objetivo no presente trabalho é dimensionar os efeitos da imersão (embeddedness) estrutural e espacial sobre a similaridade atitudinal dos agentes de uma rede estratégica caracterizada como arranjo produtivo local (APL). O referencial discorre sobre o embeddedness estrutural e espacial em redes estratégicas e também sobre a similaridade atitudinal dos agentes. Argumenta-se que o grau de similaridade entre dois agentes, em termos de embeddedness estrutural e espacial, será relacionado ao grau de similaridade atitudinal em redes estratégicas do tipo APL. Mais especificamente, defende-se aqui que a identificação dos agentes com sua rede e a avaliação que estes fazem do desempenho da coordenação da rede em buscar suporte externo para desenvolvimento do arranjo figuram como duas variáveis importantes em termos de grau de cooperação entre os agentes e desempenho coletivo e individual. Como facilitador ou inibidor das interações, o embeddedness espacial é o elemento que tem potencial para complementar mais prontamente a análise da influência do embeddedness estrutural sobre a similaridade entre atores sociais no que concerne ao maior grau de concordância atitudinal ou uniformidade comportamental. A análise ocorreu no nível diádico por considerar esse o lócus micro de reprodução e transformação de lógicas ou padrões sociais de maior espectro, que, portanto, afetam o sistema da rede e até o nível societal como um todo. Para teste das hipóteses, foi empregado o Multiple Regression Quadratic Assignment Procedure (MRQAP). O número de observações foi de 600 díades geradas a partir de 25 organizações. Os resultados evidenciaram que a similaridade em prestígio estrutural e em grau de clusterização do ego se relaciona positivamente com a similaridade na identificação do agente com a rede. Em relação ao embeddedness espacial, comprovou-se a hipótese de que a proximidade geográfica entre os agentes se relaciona positivamente com a similaridade na avaliação de desempenho da coordenação da rede em relação a buscar suporte externo para desenvolvimento do APL.
2014
Maciel,Cristiano de Oliveira Taffarel,Marinês Camargo,Camila
Os diferentes contratos de trabalho entre trabalhadores qualificados brasileiros
Ao longo das últimas décadas, as relações de trabalho têm se modificado de forma contínua na direção de contratos mais flexíveis vis-à-vis relações de trabalho mais estáveis e de longo prazo. Essas transformações também têm atingido o mercado de trabalho brasileiro, ainda que este tenha características distintas das economias mais desenvolvidas. No Brasil, as relações de trabalho sempre tiveram um forte componente de flexibilidade, uma vez que o emprego formal e o informal são igualmente importantes na economia do país. Apesar da informalidade presente no cenário brasileiro, trabalhadores qualificados brasileiros mantiveram vínculos de trabalho estáveis, com contratos CLT, ao longo da segunda metade do século passado. Entretanto, esse panorama tem sido modificado nas últimas décadas. Apesar da constatação dessas mudanças no mercado de trabalho, pesquisas que investigam a disseminação de diferentes tipos de contrato de trabalho no mercado brasileiro são escassas. Dados referentes a profissionais qualificados são ainda mais raros. Tendo esse cenário como pano de fundo, esta pesquisa tem como objetivo identificar os diferentes tipos de contrato de trabalho existentes entre trabalhadores qualificados no Brasil. Para isso, discute os resultados de uma pesquisa empírica e apresenta, com base na literatura e nos dados de 47 entrevistas com trabalhadores, 15 tipos de contrato de trabalho que se distinguem do padrão CLT. Os resultados mostram que, dada essa diversidade, as relações flexíveis de trabalho não podem ser tratadas como um processo homogêneo. Os dados também retratam uma realidade preocupante. Podemos dizer que existe um descompasso dentro do contexto brasileiro entre as relações de trabalho atuais e o ambiente no qual elas estão inseridas. A sociedade brasileira e a legislação trabalhista estão estruturadas com base nas relações de trabalho formais. As organizações muitas vezes não sabem lidar com uma força de trabalho com diferentes tipos de contrato, enfrentando problemas complexos decorrentes dessa situação. E os trabalhadores em geral não estão preparados para atuar nesse mercado de trabalho diferenciado. Ressaltamos que os trabalhadores são o elo mais frágil desse contexto, enfrentando dificuldades de maximizar os aspectos positivos e minimizar os aspectos negativos associados aos contratos de trabalho que diferem dos tradicionais.
2014
Azevedo,Marcia Carvalho de Tonelli,Maria José
Teoria da aprendizagem transformadora: contribuições para uma educação gerencial voltada para a sustentabilidade
O presente estudo teve como objetivo geral compreender processos de aprendizagem transformadora - que objetivam transformações conscientes nos quadros de referência dos indivíduos, por intermédio da reflexão crítica sobre pressupostos - ocorridos entre gestores. Investigou-se a percepção destes acerca do impacto de problemáticas contemporâneas, enfocando, em especial, questões relacionadas à sustentabilidade. Além disso, discutiu-se o papel da educação gerencial na conscientização desses profissionais quanto à sua responsabilidade no desenvolvimento da sustentabilidade. Para a realização da investigação, foi adotado o método de história de vida. Essa abordagem metodológica favorece o estudo de processos de aprendizagem gerencial, possibilitando a contextualização pessoal, histórica, social, institucional e política das narrativas. Foram entrevistados sete gestores, e teve-se a preocupação de contemplar ambos os gêneros, diferentes faixas etárias e formações superiores, experiências em funções e setores diversos, e a realização de cursos de mestrado em diferentes instituições, obtendo suficiente riqueza de dados para análise e para a consecução do objetivo estabelecido. Os achados em campo revelam que a teoria e os processos de aprendizagem transformadora: 1. não podem ocorrer de modo individual, em meio a pressões sociais e corporativas contrárias, mas sim como um processo de transformação coletiva, compartilhado por outros, em meio a mudanças sociais e culturais; 2. abrem possibilidades para uma formação gerencial que vise a posturas mais críticas e reflexivas, levando em consideração a subjetividade dos indivíduos e visões mais inclusivas e participativas, tal como requer a educação para a sustentabilidade; 3. possibilitam a inserção crítica do gestor na sociedade, incorporando, no processo de ensino e aprendizagem, as dimensões socioeconômica, política, cultural e histórica, além das dimensões intelectual, afetiva e moral e não apenas as materiais, favorecendo o desenvolvimento da sustentabilidade. Sugere-se a realização de pesquisa-ação, em que se incorporem os fundamentos da teoria da aprendizagem transformadora em programas de educação gerencial que promovam a sustentabilidade, dados os potenciais benefícios da reflexão crítica para a consecução dos seus objetivos.
2014
Closs,Lisiane Quadrado Antonello,Claudia Simone
Competências e habilidades relevantes para um chefe de unidade descentralizada de perícia da polícia federal
Esta pesquisa teve por objetivo descrever as competências técnicas e habilidades necessárias para um perito criminal federal no exercício da função de chefe de unidade de perícia da Polícia Federal, especificamente nos setores técnico-científicos (Setecs) e nas unidades técnico-científicas (Utecs), segundo a teoria de competências e habilidades. A releitura desses fundamentos, incluindo habilidades sociais nesse escopo, fortaleceu o embasamento teórico para análise dos resultados da etapa empírica desta pesquisa. Essa postura pode contribuir, na prática, para a construção de uma política de gestão de pessoas, baseada em competências, alinhada com o planejamento estratégico em desenvolvimento na organização, otimizando a designação para os cargos de liderança, sobretudo na área de criminalística, considerando as especificidades da área de atuação. Foi aplicado um questionário com dez questões sobre a atuação profissional e informações sociodemográficas, além de um inventário em que os respondentes indicavam a importância e o grau de domínio de uma série de competências selecionadas por meio de análise da literatura. Após a devida aprovação, o questionário foi enviado para todos os 53 chefes de unidades de perícia da Polícia Federal. Os resultados indicam diferenças no que tange ao domínio de competências entre os chefes da Utec, mais jovens e com menor tempo de experiência, e o grupo de chefes do Setec, com maior tempo de atuação na perícia e também em gestão. Os resultados ainda permitiram destacar algumas competências técnicas e habilidades mais relevantes que deverão ser desenvolvidas para e pelos peritos que exercem a função de chefia em unidade de perícia da Polícia Federal ou aspiram a ela. Os resultados permitiram também uma melhor compreensão das relações entre competências e habilidades, e, na prática, auxiliaram a esclarecer o panorama de avanços e limitações na gestão atual. Conclui-se, pois, que o governo federal promoveu avanços na política de recursos humanos do serviço público, no entanto a implementação de um sistema moderno de gestão de pessoas ainda não foi consolidado no Departamento de Polícia Federal. Isso fica evidenciado pela carência de competências primordiais para que os chefes exerçam com excelência a função de gestores de unidades de perícia técnica.
2014
Gloria Junior,Odair de Souza Zouain,Deborah Moraes Almeida,Gustavo de Oliveira