Repositório RCAAP

Violência social sob a perspectiva da saúde pública

Este artigo tem a finalidade de introduzir o leitor na temática da violência social, sob a perspectiva da Saúde Pública. Desenvolve-se analisando o tema no âmbito da sociedade, no campo da saúde expressa na mortalidade e morbidade. Termina refletindo sobre as propostas possíveis, setoriais, intersetoriais, interprofissionais e articuladas com a sociedade e os movimentos sociais.

Acidentes de trânsito no Brasil: dados e tendências

As estatísticas de mortalidade mostram, em 1988, para o Brasil, que cerca de 12% dos óbitos são devidos a causas externas, e destes 30% são por acidentes de trânsito. Quando se comparam com outros países, os dados referentes ao Brasil são sempre elevados. O objetivo deste trabalho é apresentar os dados e analisar a tendência da mortalidade por acidentes de trânsito no Brasil e em cada uma das Capitais das Unidades da Federação. Calcularam-se os coeficientes de mortalidade (bruto e padronizado), segundo sexo, bem como a mortalidade proporcional dentro das causas externas para os acidentes de trânsito no período de 1978 a 1989. Os resultados mostram que, para o Brasil, houve um aumento do número de óbitos, bem como dos coeficientes de mortalidade em cada faixa etária e sexo. Proporcionalmente, em relação às causas externas, a representatividade esteve em torno de 30%. Em uma parcela significativa dos municípios estudados, a mortalidade por acidentes de trânsito corresponde a quase metade dos óbitos por causas externas. Os coeficientes padronizados são quase sempre superiores a 20 por 100.000 habitantes, cifra esta muito superior àquela observada em outros países. Analisando-se o período de 1978 a 1989, observa-se uma tendência de aumento dos coeficientes de mortalidade em Porto Velho, Rio Branco, Recife, Maceió, Curitiba, Florianópolis, Campo Grande, Cuiabá, Goiânia e Distrito Federal. Em Manaus, Macapá, Natal, Teresina, Belo Horizonte, Vitória, Rio de Janeiro e São Paulo, a mortalidade vem permanendo estacionária no período estudado. Nas demais seis capitais, a tendência é de declínio, concluindo-se que este permanece um importante problema de saúde pública no país.

Ano

1994

Creators

Mello Jorge,Maria Helena P. de Latorre,Maria Rosário D. O.

Homicídios no Brasil: o grande vilão da saúde pública na década de 80

Este trabalho aborda o fenômeno da violência no Brasil na década de 80. Para isso, utilizam-se os dados de mortalidade em residentes, fornecidos pelo Ministério da Saúde. Busca-se demonstrar o crescimento do impacto da violência na Saúde Pública do país a partir das mortes violentas, especialmente os homicídios. São apresentadas proporções e taxas de mortalidade por homicídios, segundo faixas etárias e sexo, para o Brasil e capitais de regiões metropolitanas. Ressalta-se a elevação, no período, dos óbitos por homicídios entre as idades mais jovens, bem como no sexo feminino. Conclui-se tecendo comentários e sugerindo propostas de abordagens e soluções para a problemática investigada.

Autodestruição humana

É assinalada a complexidade das situações autodestrutivas, tanto em sua vertente social como em suas manifestações aparentemente individuais (suicídio, acidentes, homicídio, doenças, drogadição, etc.). Discutem-se as falhas nos registros e propõem-se métodos para seu estudo mais aprofundado. Nesta visão, discutem-se fantasias autodestrutivas, em particular as ligadas a perdas, a feridas narcísicas, à autodestruição provocada pela vítima, e levantam-se hipóteses sobre fantasias relacionadas a suicídios entre índios Guaraní. Esses aspectos são apresentados enfatizando-se sua aplicação preventiva no campo da Saúde Pública.

Ano

1994

Creators

Cassorla,Roosevelt M. S. Smeke,Elizabeth L. M.

A psicologia como saber mestiço: o cruzamento múltiplo entre práticas sociais e conceitos científicos

A meta deste trabalho é a utilização de alguns conceitos do antropólogo das ciências Bruno Latour visando pensar de modo positivo o conjunto das psicologias em sua dispersão. Não se buscará o julgamento das psicologias em termos da sua cientificidade, mas o entendimento das condições que conduzem a essa dispersão. Para tal, serão expostos alguns conceitos de Latour como o de Sistema Circulatório da Ciência (especificando as condições ou os circuitos internos e externos que tornam a ciência possível) e o de Constituição Moderna (fundada na tentativa de separação entre entes naturais e humanos). Esses conceitos ajudariam a pensar não apenas a especificidade do saber psicológico, como também as suas condições de possibilidade históricas, e efeitos de subjetivação contemporâneos.

Solidariedade crítica e voluntariado orgânico: outra possibilidade de intervenção societária

Na atualidade, as práticas da solidariedade e do voluntariado estão difundidas em quase todo o mundo e das mais diferentes maneiras: algumas de forma assistencialista, outras mais comprometidas com mudanças de menor ou maior profundidade. Este trabalho desenvolve-se sob três perspectivas: 1) aproximação da solidariedade em um enfoque histórico, buscando sua gênese e suas características principais; 2) identificação do voluntariado ao longo do tempo, destacando o processo que deu origem à atividade voluntária no Brasil, enfatizado sua importância social; 3) proposta da solidariedade crítica e do voluntariado orgânico, como mecanismos de ação interventiva e transformação societária. Com base nesta visão, busca-se oferecer elementos que dêem clareza às motivações que levam os voluntários a exercerem tal atividade, e apresentar a solidariedade crítica como valor que motiva as pessoas e associações em seus empreendimentos sociais cotidianos.

Alimentos, palavras e saúde (da alma e do corpo), em sermões de pregadores brasileiros do século XVII

Este artigo analisa alguns sermões pregados entre os séculos XVII e XVIII no Brasil, baseados em metáforas alimentares. O uso das metáforas, recorrente nos sermões do período colonial, fundamenta-se em dois alicerces: 1) na teoria aristotélica do conhecimento, em que o sensorial ocupa um papel prioritário, como porta de acesso para a compreensão das idéias mais abstratas e para a mobilização dos afetos e da vontade visando à modificação do comportamento dos ouvintes; 2) na doutrina platônica sobre a importância das imagens para conservar a memória das idéias. A oratória sagrada do período desperta interesse para a história cultural, uma vez que os sermões constituíram-se numa importantíssima fonte de transmissão de doutrinas e de modelagem dos comportamentos numa sociedade em que a oralidade era a principal forma de difusão dos conhecimentos.

Ciência nômade: o IHGB e as viagens científicas no Brasil imperial

Este artigo analisa as viagens científicas do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB) numa perspectiva pós-colonial, examinando-as como parte de um processo mais amplo de mundialização da ciência e de construção de representações históricas e geográficas no Brasil imperial. Inicialmente, mostra-se como, na Europa, o nacionalismo e o imperialismo respaldaram a epistemologia da história natural e das viagens científicas. Em seguida, evidencia-se como projetos colonialistas se articulam aos textos de história natural, arqueologia e etnografia do IHGB. Por fim, como todo discurso histórico tem em mira a crítica do presente, dialoga-se com a idéia colonialista de Brasil que se formulou durante o período imperial, enfatizando-se como ela, com efeito, não é um arquivo morto, mas permanece entre nós, internalizando nossas identidades sociais.

La medicina en busca de público: España, siglos XIX y XX

Se presenta el conjunto de trabajos que constituyen este número. Bajos distintos aspectos, en todos ellos se explora el proceso de constitución de la medicina en 'profesión de servicio' en el contexto de la formación histórica española, metropolitana y colonial, entre los siglos XIX y XX, fijándose en el modo cómo alcanza relaciones permanentes y rutinarias con un público. Los distintos estudios abordan aspectos en general poco estudiados, como el mundo de la medicina militar, la colonización española en Marruecos, las campañas sanitarias y la conjunción de la medicina con la previsión social, se basan en un amplio elenco de fuentes originales y contribuyen a esclarecer los procesos ideológicos, institucionales y profesionales que configuran la medicina de hoy.

Ciencia y persuasión social en la medicalización de la infancia en España, siglos XIX-XX

Este trabajo indaga la conversión en rutinaria de la visita del médico de niños en España. Estudia la sustitución de modelos de atención al embarazo, parto y crianza, tradicionalmente opacos para varones y objeto de cuidados mediante agentes populares, por otros accesibles a la medicina académica. A partir de la situación existente a nivel popular en el último tercio del siglo XIX, exploramos la repercusión de campañas de divulgación científica - entendidas como crítica sin cuartel a lo que se construyó como cultura popular - y la proliferación de dispositivos asistenciales gratuitos. La oferta de vigilancia sobre la alimentación de lactantes permitió familiarizar a las madres con la asistencia facultativa en la enfermedad, hasta que, en la segunda mitad del siglo XX, la Pediatría se centró preferentemente en las patologías y la Puericultura dejó de ser especialidad médica para convertirse en identidad profesional subalterna.

Ano

2006

Creators

Rodríguez Ocaña,Esteban Perdiguero,Enrique

Género, sanidad y colonialidad: la 'mujer marroquí' y la 'mujer española' en la política sanitaria de España en Marruecos

Desde una perspectiva que considera el discurso como tecnología del poder que sirve para ordenar y dar forma al 'cuerpo social', en este trabajo se trata de mostrar por qué es relevante un enfoque de género en el abordaje del problema de la colonialidad y la diferencia colonial en general y del Protectorado de España en Marruecos en particular. La reflexión y el análisis se concretan en la relevancia que tuvieron las relaciones de género y las mujeres en el discurso y la práctica médico-sanitaria en el espacio colonial, y viceversa: cómo la sanidad colonial intervino en la configuración de las relaciones de género; también se constituye en una cuestión central la manera en que resultaron esenciales estas relaciones que, implícita o explícitamente, formaron parte de las actuaciones sanitarias para establecer una distinción clara entre 'nosotros' y 'ellos', para establecer identidades y relaciones que no fueron sólo de género, permitiendo el ejercicio del poder colonial, a la vez que posibilitaron complicidades entre determinados grupos de colonizados y colonizadores.

El obrero recuperado: medicina del trabajo, ortopedia y tecnología médica en la imagen social de las personas con discapacidades (España, 1922-1936)

El trabajo intenta explorar la manera en que el desarrollo de las tecnologías médicas contribuye a modificar el tipo de percepción social de las personas con discapacidades. Para ello se analiza el caso del programa que, en la década de 1920, se puso en marcha en el Instituto de Reeducación Profesional de Inválidos del Trabajo de Madrid para paliar el problema de la siniestralidad laboral. En ese sentido, se utiliza uno de los aspectos de dicho programa, el de las medidas relacionadas con la traumatología y la ortopedia que se aplicaban a los obreros accidentados para su recuperación, al objeto de tratar de poner de relieve la forma en que contribuyó a consolidar un 'modelo individual' de discapacidad y a determinar la imagen que desde el centro se proyectaba a la sociedad acerca de lo que suponía para un persona ser portadora de determinadas deficiencias físicas.

"Del maestro sangrador al médico… europeo": medicina, ciencia y diferencia colonial en el protectorado español de Marruecos (1912-1956)

El objeto de este trabajo es indagar acerca del papel que la ciencia y la medicina occidental jugaron en el proceso colonizador llevado a cabo por el Estado español entre 1912 y 1956 en el norte de Marruecos. Para ello se ha tenido en cuenta la estrategia seguida por los colonizadores para imponer la 'superioridad' del método científico a través de la medicina. La 'retórica de la verdad científica' cobraría más importancia, como instrumento colonizador efectivo, que la actuación e imposición de dogmas en otros campos más conflictivos como el derecho o, sobre todo, la religión. Las fuentes utilizadas abarcan distintos documentos manuscritos generados por la Administración española y marroquí (Majzen) que se encuentran en el Archivo General de la Administración (Alcalá de Henares, España) y en la Biblioteca General y Archivos de Tetuán (Marruecos), así como escritos realizados por médicos españoles en monografías, artículos de revista y prensa general tanto de la metrópoli como de la colonia.

La medicina y los seguros en el abordaje del problema de los inválidos del trabajo en España en la primera mitad del siglo XX

En el presente trabajo, utilizando fuentes legislativas, médicas, de algunas instituciones (CRS, IRS, INP, Irpit y Clínica del Trabajo), prensa general y obrera, se estudia el abordaje del problema de los inválidos del trabajo durante la primera mitad del siglo XX. Se trata de poner de relieve cómo junto a medidas de protección social se fue generando y articulando una atención médica especializada del accidentado que tendría como objetivo final la reintegración del inválido del trabajo a la sociedad.

Los medios de comunicación al servicio de la lucha antivenérea y la protección de la salud materno-infantil (1900-50)

En este artículo pretendemos analizar el uso del cartelismo sanitario en el contexto de las campañas de educación sanitaria que las instituciones sanitarias españolas diseñaron para difundir conocimientos científico-técnicos, influir en las actitudes e intentar modificar comportamientos en la población española. Nos centramos en los carteles relacionados con la protección de la salud materno-infantil y las enfermedades venéreas. La investigación analiza igualmente la utilización del cartelismo como instrumento para atraer pacientes a los servicios sanitarios. También se pretende analizar su contribución, junto a otros muchos factores, a la construcción de determinadas imágenes de la maternidad, de la infancia sana, de género y sexualidad en el marco del desarrollo de la salud pública española.

Ano

2006

Creators

Castejón,Ramón Perdiguero,Enrique Ballester,Rosa

Salud pública e Imperio en la España Isabelina (1833-1868): el caso de la sanidad militar

Este trabajo plantea la consideración de los imperios como unidades socio-históricas básicas para el estudio de la historia de la ciencia, la medicina y la tecnología. Para ello se empieza por desarrollar algunas claves historiográficas y conceptuales desde las cuales modificar el concepto habitual de imperio en un sentido más simétrico, transversal y relacional. Sobre esta base, se estudia la articulación de la salud pública en el Imperio español en el periodo 1833-1868, en concreto, de una de sus ramas: la sanidad militar. El resultado es una imagen más compleja de la misma donde se revelan conexiones transimperiales, la heterogeneidad y apertura de los espacios metropolitano y colonial y la iniciativa de distintos grupos y territorios al margen de la legislación y discursos oficiales.

Ano

2006

Creators

Martínez Antonio,Francisco Javier

A fotografia como instrumento do trabalho do higienista (São Paulo, primeira metade do século XX)

A organização do acervo iconográfico do Centro de Memória da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo amplia as fontes para o estudo de alguns dos objetos que foram de interesse dos higienistas atuantes em São Paulo na primeira metade do século XX. Eram profissionais formados no Instituto de Higiene - que, a partir de 1945, transformou-se na Faculdade de Higiene e Saúde Pública. Há fotografias, tratadas em tom de denúncia, que recuperam o ambiente urbano marcado pela falta de infra-estrutura e habitações adequadas. Há ainda fotos relativas à questão do ambiente escolar, apresentado como redentor das gerações futuras por meio da educação sanitária.

Ano

2006

Creators

Vasconcellos,Maria da Penha Costa Rodrigues,Jaime