Repositório RCAAP

The discovery of Trypanosoma cruzi and Chagas disease (1908-1909): tropical medicine in Brazil

This article analyzes the discovery of Chagas disease and the parasite that causes it (Trypanosoma cruzi) by Carlos Chagas in 1908/1909, with a special focus on the scientific and social context in which this occurred. Its inclusion in the international debate on European tropical medicine - especially with researchers from the German school of protozoology - and its connection with discussions on the modernization of the recently established Brazilian Republic are also examined. The discovery of Chagas disease became a decisive aspect in the scientific project that Oswaldo Cruz sought to establish at the institute that bears his name. It was extolled as a symbol of Brazil's scientific ability to produce knowledge in line with the international scientific agenda, while simultaneously being attuned to the specific problems of the country.

Ano

2009

Creators

Kropf,Simone Petraglia Sá,Magali Romero

The reception by French physicians of Chagas' discovery of Trypanosoma cruzi and American trypanosomiasis (1909-1925)

As soon as they were published early in 1909, Chagas's articles on Trypanosoma cruzi and American trypanosomiasis became the topic of discussions in France. The description of T. cruzi and Chagas disease was added to parasitology textbooks as early as 1912, and elicited active research, particularly on the part of French parasitologist Emile Brumpt. He contributed towards eluciding the lifecycle of T. cruzi and the different ways it could infect humans. Laboratory research on T. cruzi was interrupted by First World War and was not resumed afterwards on the same scale, although interest in the epidemiology of Chagas disease continued.

Historia de la enfermedad de Chagas en Argentina: evolución conceptual, institucional y política

La enfermedad de Chagas ha sufrido, a lo largo de sus cien años de reconocimiento, profundas modificaciones en su concepción científica, en su reconocimiento institucional y en su valoración política. Así, desde un punto de vista médico, se la ha concebido como causante del bocio, se han resaltado sus efectos agudos, y luego sus efectos sobre la salud cardiaca. Del mismo modo, la política sanitaria ha sucesivamente descartado la importancia de la enfermedad, luego elevado a nivel de una causa nacional y paulatinamente dejado en el margen de las agendas. El presente artículo presenta, de un modo resumido, los puntos centrales de esa trayectoria histórica en Argentina, dando cuenta de los aspectos cognitivos, políticos e institucionales que dieron sustento a la enfermedad, entendida como un hecho a la vez social y biológico.

Trypanosoma cruzi, cancer and the Cold War

In the summer of 1946, the international community of cancer researchers was inspired by the announcement that two Soviet scientists, Nina Kliueva and Grigorii Roskin, had discovered anticancer properties in culture extracts made from the South American protozoan, Trypanosoma cruzi, and had produced a preparation - named after its discoverers KR - which showed clear therapeutic effects on cancer patients. Research teams from various countries enthusiastically pursued the promising new line of investigation. The story of the rise and fall of interest in the anticancer properties of T. cruzi in different countries suggests that during the second half of the twentieth century, the Cold War competition between the superpowers played an important role in shaping the research agendas of cancer studies.

Fotografia e valor documentário: o arquivo de Carlos Chagas

Examina questões metodológicas referentes ao tratamento técnico de arquivos, a partir da organização do arquivo de Carlos Chagas. Tendo como objeto as fotografias integrantes dessa documentação, discute a organização arquivística de fotografias e analisa alguns grupos dessas imagens, com enfoque nas fotografias relacionadas à descoberta da doença de Chagas em Lassance. O objetivo é verificar os processos de produção de sentido embutidos na metodologia de classificação desses documentos. Aponta em que medida as imagens relacionadas à estadia de Chagas em Lassance - para onde ele foi inicialmente combater a malária - assumiram novo sentido, diante da importância da descoberta da doença para a sua trajetória e na produção e disseminação de sua memória.

Expedições científicas, fotografia e intenção documentária: as viagens do Instituto Oswaldo Cruz (1911-1913)

Analisa as séries fotográficas produzidas pelo Instituto Oswaldo Cruz em expedições científicas ao interior do Brasil, realizadas entre 1911 e 1913. Detém-se na expedição liderada por Arthur Neiva e Belisário Penna e na elaboração do seu discurso documentário. Explicita escolhas e ênfases adotadas na elaboração de cada texto visual, expresso tanto no material produzido durante o percurso quanto na seleção das imagens para publicação. As análises quantitativa e qualitativa das imagens da expedição de Neiva e Penna revelam um percurso narrativo que articula o meio natural, a vida social e as evidências de adoecimento das populações interioranas, para a constituição de um discurso que difunde o movimento pelo saneamento dos sertões.

Ano

2009

Creators

Mello,Maria Teresa Villela Bandeira de Pires-Alves,Fernando A.

Uma interpretação do Brasil como doença e rotina: a repercussão do relatório médico de Arthur Neiva e Belisário Penna (1917-1935)

A divulgação do relatório da viagem científica promovida pelo Instituto Oswaldo Cruz em 1912 ao Norte e Nordeste do Brasil, realizada por Arthur Neiva e Belisário Penna, suscitou debates e ocupou espaço em revistas de letras e ciências. No documento, as populações do interior do país foram caracterizadas pelas imagens de doença, isolamento, geográfico e cultural, analfabetismo, pobreza e vocação para regredir. Essas imagens do sertão foram criticadas no periódico A Informação Goiana, editado por médicos que não admitiam ser o interior definido como 'doente' e 'atrasado'. Este artigo analisa as formas pelas quais o relatório Neiva-Penna se destacou e tornou-se referência para controvérsias intelectuais sobre a questão nacional no Brasil.

Carlos Chagas e os debates e controvérsias sobre a doença do Brasil (1909-1923)

Analisa o debate sobre a doença de Chagas, descoberta em 1909, em sua relação com a campanha pelo saneamento rural do Brasil (1916-1920). Argumenta que as bandeiras desse movimento estiveram diretamente referidas à definição e à legitimação dessa enfermidade como fato científico e problema social. A 'nova moléstia tropical', apresentada como emblema das endemia rurais, foi caracterizada como 'doença do Brasil', símbolo de um 'país doente'. A campanha sanitarista foi, por sua vez, elemento decisivo da polêmica em torno da doença de 1919 a 1923. Trata-se, portanto, de um caso exemplar de como as teorias da medicina tropical europeia foram utilizadas pelos cientistas brasileiros para produzir conhecimentos originais nesse campo, a partir de sentidos específicos ao contexto nacional do período.

Uma brasiliana médica: o Brasil Central na expedição científica de Arthur Neiva e Belisário Penna e na viagem ao Tocantins de Julio Paternostro

Aborda o papel das viagens científicas realizadas por médicos, durante a primeira metade do século XX, na imaginação social sobre o Brasil. Com esse objetivo, são analisados dois textos: o relatório de Arthur Neiva e Belisário Penna, publicado em Memórias do Instituto Oswaldo Cruz, e o de Julio Paternostro, que veio a público em 1945 no livro Viagem ao Tocantins. O primeiro contribuiu para que se apontasse a patologia como marca definidora da identidade nacional durante a Primeira República (1899-1930). Esse fato teria repercussões nas décadas seguintes, como se verificou com relação ao livro de Paternostro, apresentado na época de sua publicação como obra de denúncia dos problemas nacionais. Além das doenças, a distância não apenas geográfica, mas sobretudo cultural entre litoral e sertão são os atributos ressaltados nesses retratos do Brasil.

Arthur Neiva e a 'questão nacional' nos anos 1910 e 1920

Com o objetivo de analisar as interpretações e os diagnósticos sobre o Brasil elaborados pelo cientista e escritor Arthur Neiva entre as décadas de 1910 e 1920, especialmente a partir de suas crônicas literárias e do relatório da expedição científica realizada ao interior do Brasil em 1912, destaco suas críticas contra a mentalidade das elites dirigentes e dos homens de letras, sobretudo pela falta de ação política, pelo apego à imitação das ideias e ao uso exagerado da retórica bacharelesca - considerados por ele os principais responsáveis pelo atraso cultural e político do país. Analiso também a maneira como Arthur Neiva lidou com a questão racial e os dilemas da formação nacional, tema considerado, no início do século XX, de fundamental importância para a compreensão da realidade e do destino do Brasil no chamado 'concerto das nações'.

A viagem científica de Neiva e Penna: roteiro para os estudos das doenças do sertão

Analisa o relatório de Arthur Neiva e Belisario Penna , focalizando a contribuição dos autores ao estudo de uma das doenças endêmicas por eles encontrada ao longo de todo o trajeto percorrido, de longa data conhecida popularmente por 'mal de engasgo'. Observaram e descreveram com minúcia os sintomas apresentados pelos doentes e a associação frequente do mal de engasgo com outro mal endêmico conhecido por 'vexame' ou 'vexame do coração', que consistia em crises de palpitações. Os estudos epidemiológicos e clínicos de Neiva e Penna sobre o mal de engasgo muito contribuíram para o conhecimento dessa afecção e representaram um incentivo para todos os pesquisadores que se dedicaram ao seu estudo, especialmente quanto a sua relação com a doença de Chagas.

No coração do Brasil, uma capital saudável: a participação dos médicos e sanitaristas na construção de Brasília (1956-1960)

Projetada como expressão do arrojo e da modernidade de uma época, Brasília não poderia prescindir de um planejamento que considerasse as condições do sítio onde seria instalada, no interior do país. Construída em região historicamente associada ao isolamento, à pobreza e a doenças, a nova capital demandou a participação de médicos e sanitaristas desde o início das obras, visando garantir condições de salubridade. Ao vislumbrar a oportunidade de ampliar seu espaço de atuação, até então restrito ao interior, os médicos goianos se destacaram nesse processo, do qual se ressaltam os anseios da classe manifestados no periódico editado por sua associação e sua ampla mobilidade e atualização, a contrariar concepções comuns acerca dos médicos do interior.

"O Brasil não é só doença": o programa de saúde pública de Juscelino Kubitschek

Analisa o programa de saúde do candidato à Presidência da República Juscelino Kubitschek e seu diálogo com interpretações que identificavam o Brasil como 'país doente' a ser recuperado pela medicina. Os contextos nacional e internacional são marcados pela ideia de desenvolvimento e pelo otimismo sanitário do pós-Segunda Guerra Mundial. Aborda o modo como Kubitschek elaborou, no contexto de seu projeto de desenvolvimento, os temas da centralidade das endemias rurais e do abandono do trabalhador rural, caros ao movimento sanitarista da década de 1910, e indica a articulação de saúde e desenvolvimento nesse programa setorial, bem como a introdução de agendas sanitárias emergentes.

A gripe de longe e de perto: comparações entre as pandemias de 1918 e 2009

Neste debate, historiadores latino-americanos comparam a pandemia de gripe de 1918-1919 com a que varre o continente em 2009, sobretudo as experiências de México, Argentina e Brasil. Analisam as estratégias adotadas nos dois momentos, com ênfase em isolamento, vigilância em portos e aeroportos, intervenções nas cidades. Comparam a atuação dos Estados nacionais e governos locais, a posição dos médicos e dos meios de comunicação e o comportamento das populações, especialmente no tocante ao medo e à morte. Analisam o desempenho das estruturas de assistência às populações e as medidas terapêuticas e profiláticas recomendadas por órgãos públicos de saúde, por interesses privados ligados à venda de medicamentos e pelas medicinas populares e caseiras. O debate trata, ainda, da influência que a experiência de 1918 teve sobre as avaliações da crise atual, bem como do legado que deixará para o futuro.

Ano

2009

Creators

Alvarez,Adriana Carbonetti,Adrián Carrillo,Ana María Bertolli Filho,Claudio Souza,Christiane Maria Cruz de Bertucci,Liane Maria Azevedo,Nara

La experiencia de ser un 'niño débil y enfermo' lejos de su hogar: el caso del Asilo Marítimo, Mar del Plata (1893-1920)

Este trabajo tiene como objetivo analizar la vida cotidiana de los 'niños tuberculosos', provenientes de la ciudad de Buenos Aires, que fueron internados en el Hospital Marítimo, ubicado a 400km de la metrópolis, en la localidad marítima de Mar del Plata. En 1893, surgió la idea en la Sociedad de Beneficencia de la Capital Federal de fundar un hospital y el Asilo Marítimo destinado a niños enfermos de tuberculosis ósea en general, a niños débiles y convalecientes y también al tratamiento de pacientes con tuberculosis extra-pulmonar. En este artículo, se pretende avanzar en la comprensión de dos problemáticas vinculadas entre sí: por un lado las características de la ingerencia institucionalizada de la Sociedad de Beneficencia y por el otro, la experiencia que estos niños tuberculosos vivieron en ese ámbito.

Sport, medicina e arte: a 'ciência encantada' do corpo nas obras de Thomas Eakins

Analisa as representações de esporte e medicina na produção do artista norte-americano Thomas Eakins, um dos mais influentes e originais dos Estados Unidos na transição dos séculos XIX e XX. Parte do pressuposto de que Eakins conseguiu traduzir esteticamente um emaranhado de representações relacionadas à modernidade, entre as quais o prelúdio da relação íntima, e na época ainda sui generis, entre prática esportiva, saúde e medicina, intermediado pela ideia de espetáculo. Espera-se que este estudo seja mais um contributo para a promoção do que temos chamado de uma arqueologia social do esporte, uma prospecção de sua presença por entre as redes e teias sociais.

Ano

2010

Creators

Melo,Victor Andrade de Peres,Fabio de Faria

Um esquecido marco do saneamento no Brasil: o sistema de águas e esgotos de Ouro Preto (1887-1890)

Este artigo resgata, contextualiza e caracteriza o sistema de águas e esgotos de Ouro Preto, criado em fins da década de 1880 em reação a problemas sanitários e à necessidade de modernizar a antiga capital do estado brasileiro de Minas Gerais. Baseado em pesquisas documentais realizadas em arquivos públicos, revisões bibliográficas, entrevistas e inspeções de campo, o texto desfaz equívocos referentes à autoria e data de construção do sistema. A necessidade de restaurar a centenária estação de tratamento de esgotos é enfatizada, tendo em vista sua relevância na história do saneamento brasileiro. Hoje, em contraste com o passado, a cidade de Ouro Preto lança seus esgotos in natura nos córregos que lhe deram o ouro.

Ano

2010

Creators

Fonseca,Alberto Prado Filho,José Francisco do

Toxicidade e produção de maçãs no sul do Brasil

Explora as conexões entre uma polêmica apreensão de maçãs contaminadas no sul do Brasil, em 1989, e as reações da indústria da maçã às notícias da imprensa sobre o uso do agrotóxico nas plantações brasileiras. A problemática está inserida em análise mais ampla da ideia de toxicidade e de 'perigo', que começa a invadir os domínios público e privado quanto ao consumo de alimentos mais sadios e à 'segurança alimentar'. Afirma que as respostas dos pomicultores ao problema seriam mais bem entendidas com a leitura histórica das interações entre a biologia da macieira, a agroecologia dessa monocultura e estruturas, atores e discursos que envolvem coletivos humanos e não humanos na região produtora de maçãs.

A regulação do uso de animais no Brasil do século XX e o processo de formação do atual regime aplicado à pesquisa biomédica

O artigo analisa a política pública e regulatória do Brasil sobre o uso de animais no ensino e na pesquisa biomédica. Aborda o arcabouço institucional-legal e a situação jurídica da proteção dos animais no país, além do debate legislativo que resultou na promulgação da lei 11.794/2008, que estabelece procedimentos para o uso científico de animais. Ressalta algumas características do atual regime regulatório e tece considerações de ordem teórico-metodológica, voltadas para a ampliação do entendimento do fenômeno investigado.

Ano

2010

Creators

Machado,Carlos José Saldanha Filipecki,Ana Tereza Pinto Teixeira,Márcia de Oliveira Klein,Helena Espellet

De alveitares a veterinários: notas históricas sobre a medicina animal e a Escola Superior de Medicina Veterinária São Bento de Olinda, Pernambuco (1912-1926)

Os aspectos históricos da medicina animal, examinados mediante revisão de literatura indicam ruptura epistemológica, com as antigas práticas de alveitaria, com introdução dos princípios de racionalidade, a partir do século XVIII, na formação dos médicos-veterinários. Essas práticas curativas, entretanto, não começaram com a implementação dos cursos superiores de medicina animal. No Brasil colonial e particularmente em Pernambuco ocorrem registros históricos de práticas alveitares, mais tarde incorporadas ao currículo da Escola Superior de Medicina Veterinária São Bento de Olinda, pela existência de avaliação única no Brasil: o exame physicum.

Ano

2010

Creators

Melo,Lúcio Esmeraldo Honório de Magalhães,Francisco de Oliveira Almeida,Argus Vasconcelos de Câmara,Cláudio Augusto Gomes da