Repositório RCAAP
Vitamina D e delirium : revisão da literatura
Introdução: O delirium é uma síndrome neuropsiquiátrica aguda, caracterizada por uma perturbação do nível de consciência com défice de atenção e distúrbios cognitivos ou da perceção, que ocorrem num curto período de tempo. Apesar de não se conhecer a fisiopatologia exata do delirium, sabe-se que tem etiologia multifatorial. O delirium é muito frequente em adultos e idosos hospitalizados, e está associado a internamentos mais prolongados, aumento dos custos em saúde e aumento da morbi-mortalidade. A vitamina D tem vindo a ser considerada uma importante hormona neuroesteroide, que pode ter um papel promissor no delirium, devido às suas propriedades de regulação da neurofisiologia e neuroproteção. Recentemente surgiram estudos que avaliam a relação entre vitamina D e delirium, no entanto que seja do nosso conhecimento, ainda não existe nenhum trabalho de revisão. Objetivo: Este trabalho tem como objetivo descrever e discutir, através de uma revisão da literatura, a relação entre os níveis séricos de vitamina D e a ocorrência de delirium em doentes internados. Metodologia: Fez-se uma pesquisa nas plataformas eletrónicas PubMed e Science Direct, usando como palavras chave vitamin D ou Hypovitaminosis D combinadas com delirium ou acute brain failure. Consideraram-se todos os estudos publicados que avaliassem a relação entre os níveis de vitamina D e a ocorrência de delirium em contexto de internamento. Conclusão: Foram identificados 8 trabalhos que analisam a relação entre vitamina D e delirium. Em 6 destes trabalhos verificou-se uma associação entre hipovitaminose D e a ocorrência de delirium. São necessários estudos longitudinais maiores que confirmem estes resultados.
2025-10-28T12:27:54Z
Monteiro, Ana Cristina Fontes
Aquisição da altura em vogais orais tónicas por falantes chineses aprendentes do Português Europeu como língua segunda
No processo de aquisição de uma língua não materna (doravante designada como L2), existem desafios fonéticos e fonológicos para os falantes nativos do Chinês Mandarim (CM) que aprendem a língua portuguesa, sendo uma das maiores dificuldades a aquisição dos pares contrastivos /e/ e /ɛ/, /o/ e /ɔ/ do Português Europeu (PE) (e.g. Wang, 1991; Castelo & Freitas, 2019). Por isso, com o objetivo de identificar as dificuldades encontradas na aprendizagem das vogais do PE supramencionadas, em posição tónica, pelos alunos chineses, este trabalho investiga as produções de palavras-alvo contendo as vogais /e/, /ɛ/, /o/ e /ɔ/ em diferentes condições experimentais (tarefa de nomeação, tarefa de descrição, tarefa de repetição e tarefa de leitura) por três informantes chinesas que estudam português como L2 e com uma proficiência da língua de nível B2 do Quadro Europeu Comum de Referência (QECR). Os resultados deste trabalho evidenciam a aquisição problemática dos contrastes vocálicos /e/-/ɛ/ e /o/-/ɔ/, especialmente das vogais médias ([e], [o]) e da propriedade interna das vogais, o Grau de Altura. Assim, argumenta-se que a transferência do conhecimento linguístico prévio (CM), os princípios universais e as caraterísticas fonológicas da língua-alvo (PE) poderão condicionar o desempenho das informantes. Observou-se, ainda, uma maior quantidade de produções corretas das vogais-alvo tónicas labiais [o, ɔ] do que das coronais [e, ɛ] e um melhor desempenho nas tarefas de repetição, de leitura e de nomeação do que na tarefa de descrição. Com base no desempenho das informantes e nas hipóteses sobre as causas a estas subjacentes, defende-se a importância de uma instrução explícita específica das vogais /e/, /ɛ/, /o/ e /ɔ/, aqui proposta por meio da elaboração de materiais didáticos. Tais propostas de materiais didáticos, baseados nos objetivos, focos e princípios do ensino de pronúncia, incluem algumas potenciais soluções para estas dificuldades na aquisição das vogais, contribuindo para o trabalho de ensino do PE como L2 na China.
Clinical outcomes, complications and fusion rates in endoscopic assisted intraforaminal lumbar interbody fusion (iLIF) versus minimally invasive transforaminal lumbar interbody fusion (MI-TLIF): systematic review and meta-analysis
This meta-analysis aims to determine the clinical outcomes, complications, and fusion rates in endoscopic assisted intra-foraminal lumbar interbody fusion (iLIF) and minimally invasive transforaminal lumbar interbody fusion (MI-TLIF) for lumbar degenerative diseases. The MEDLINE, Embase, and Cochrane Library databases were searched. The inclusion criteria were: five or more consecutive patients who underwent iLIF or MI-TLIF for lumbar degenerative diseases; description of the surgical technique; clinical outcome measures, complications and imaging assessment; minimum follow-up of 12 months. Surgical time, blood loss, and length of hospital stay were extracted. Mean outcome improvements were pooled and compared with minimal clinically important differences (MCID). Pooled and direct meta-analysis were evaluated. We identified 42 eligible studies. The iLIF group had significantly lower mean intra-operative blood loss, unstandardized mean difference (UMD) 110.61 mL (95%CI 70.43; 150.80; p value < 0.0001), and significantly decreased length of hospital stay (UMD 2.36; 95%CI 1.77; 2.94; p value < 0.0001). Visual analogue scale (VAS) back, VAS leg and Oswestry disability index (ODI) baseline to last follow-up mean improvements were statistically significant (p value < 0.0001), and clinically important for both groups (MCID VAS back > 1.16; MCID VAS leg > 1.36; MCID > 12.40). There was no significant difference in complication nor fusion rates between both cohorts. Interbody fusion using either iLIF or MI-TLIF leads to significant and clinically important improvements in clinical outcomes for lumbar degenerative diseases. Both procedures provide high rates of fusion at 12 months or later, without significant difference in complication rates. iLIF is associated with significantly less intraoperative blood loss and length of hospital stay.
2025-10-28T12:29:12Z
Sousa, José Miguel Ribeiro, Hugo Silva, João Luís Nogueira, Paulo Jorge Consciência, José Guimarães
A pandemia por SarsCov2 e o controlo glicémico dos doentes com diabetes mellitus tipo 2 seguidos numa USF : estudo longitudinal
Introdução: A diabetes mellitus tipo 2 (DM2) é uma doença metabólica crónica que se correlaciona com o estilo de vida e que é habitualmente seguida pelos Médicos de Família nos cuidados de saúde primários. O surgimento da pandemia por SarsCov-2 trouxe uma mudança tanto dos hábitos e do estilo de vida dos portugueses como da prestação dos cuidados de saúde por parte das USF/UCSP. Desta forma, o principal objetivo deste trabalho é avaliar o impacto da pandemia no controlo glicémico dos doentes com DM2 seguidos na USF Villa Longa. Métodos: Estudo observacional longitudinal nos utentes com diagnóstico de DM2 seguidos na USF Villa Longa. Para tal, comparou-se os valores de HbA1c de uma amostra desta população em períodos homólogos pré e após início de pandemia, Março de 2020. A análise comparativa fez-se recorrendo a estatística T de amostras emparelhadas. Resultados: Verificou-se uma redução do número de utentes com medição de HbA1c após o início da pandemia. Não se verifica, na amostra total de utentes analisada, diferença significativa da Δ HbA1c no período após o início da pandemia. A análise de subgrupos demonstra uma redução do crescimento dos valores de HbA1c de 0.10% (p=0.02) no grupo de doentes com HbA1c basal < 7%. O subgrupo de doentes com HbA1c basal ≥ 8% manteve a tendência decrescente observada antes do início da pandemia (redução de 0.84%), porém, após a pandemia, esta tendência foi menor (redução de 0.34%) (p=0.04). Discussão: Os diabéticos da USF Villa Longa que mantiveram seguimento durante a pandemia não apresentaram, de forma geral, importante Δ HbA1c. Contudo, desconhece-se o controlo glicémico pós-pandemia de muitos dos diabéticos desta USF, uma vez que houve redução do número de análises de HbA1c realizadas nesse período.
2025-10-28T12:25:54Z
Canteiro, Ana do Carmo de Sousa Pereira Coquenim
Percepção dos tons em Mandarim por falantes nativos do Português Europeu
O presente estudo visa investigar a percepção dos tons do Chinês Mandarim por falantes nativos do Português, determinar os fatores que condicionam a percepção dos tons, nomeadamente a natureza dos contrastes tonais (tipo de tom), a posição do tom (ordem) e a natureza do segmento em que o tom ocorre, e explorar a interação entre variação segmental e variação tonal na percepção dos tons. Para atingir esse objectivo, foi realizada uma tarefa de percepção em que os participantes avaliaram o grau de semelhança/diferença perceptiva dos contrastes tonais e segmentais. Os resultados mostraram que os falantes nativos do Português consideram que os pares que partilham características fonéticas parecidas, como é o caso dos pares T1T2 e T4T2, são mais difíceis de discriminar do que os restantes pares de tons. É possível que os falantes recorram mais à altura de F0 na discriminação dos tons, dado os pares com onset e offset semelhantes (e.g, T1T2, T2T1, T4T2 e T1T4) serem mais difíceis de discriminar. A posição do tom revelou-se um fator não significativo. Já quanto à presença de contraste segmental e contraste tonal, os resultados confirmaram que os participantes são mais sensíveis ao contraste segmental que ao contraste tonal. Para além disso, o efeito do tom também foi significativo, pois pares com segmentos diferentes e tons diferentes, ou segmentos iguais e tons diferentes, foram percepcionados como sendo mais diferentes que, respectivamente, pares com segmentos diferentes e tons iguais ou pares com segmentos iguais e tons iguais. Por outras palavras, os falantes do Português não são “tone deaf”. Diferenças verificadas quanto ao tempo de reação nas condições tom igual e tom diferente apontam no mesmo sentido. Foi observado ainda que os falantes nativos de Português têm mais dificuldades na discriminação de tons quando a vogal é ‘A’ do que com a vogal é ‘I’. Esse resultado não era esperado e poderá dever-se ao facto de a produção de ‘I’ com os vários tons ser mais estável do que ‘A’ em Mandarim.
Paleotipologias diagenéticas em formação carbonatadas do Jurássico Médio da Bacia Lusitânica: análise multiscala e aplicações à caracterização de reservatórios
O presente trabalho consistiu na realização duma análise multiscala de vários litótipos carbonatados seleccionados, originários de 15 locais diferentes e referentes a formações de meio marinho interno do Jurássico Médio da parte sul do Maciço Calcário Estremenho, localizado no sector central da Bacia Lusitânica. Esta análise tem como principal objectivo criar uma articulação sólida entre os estudos realizados à macroscala/mesoscala e à microscala, visando principalmente uma caracterização petrográfica pormenorizada, em especial das características que têm significado em termos de porosidade e de permeabilidade, de modo a ser possível aferir o papel da diagénese na definição de reservatórios carbonatados. Para tal, aplicaram-se diversas técnicas às mesmas amostras, para obter dados comparativos e testar a adequação de cada método aos objectivos definidos. O estudo centrou-se na caracterização diagenética de cada litótipo, visando principalmente composição e textura, litofácies, génese e tipos de porosidade, apreciação qualitativa preliminar da permeabilidade. Em função dos dados, identificou-se o tipo de reservatórios presentes. Verificou-se que: os reservatórios presentes na área de estudo são essencialmente controlados por diagénese, correspondendo normalmente a reservatórios diagenéticos e a reservatórios dolomíticos, e a armadilhas estratigráficas; a génese de porosidade é em geral devida à actuação de processos diagenéticos; a porosidade não colmatada corresponde a porosidade secundária, é em geral pobre/razoável; os processos diagenéticos mais importantes para a geração da porosidade são compactação, dolomitização, dissolução e desdolomitização; a permeabilidade na globalidade das amostras é baixa/nula.
Estruturas de subida do clítico: estudo comparativo entre língua falada e língua escrita
É objetivo principal deste estudo identificar diferenças na frequência ou padrões de subida do clítico entre a fala e escrita de dois falantes de português europeu. Como se sabe, nas orações completivas infinitivas onde o verbo superior é um verbo de reestruturação, um pronome clítico pode cliticizar ao verbo inferior ou ao verbo superior. Quando o pronome sobe para o verbo superior, dá-se aquilo a que chamamos subida do clítico (SC). Estudos anteriores, como Davies (1995), Andrade (2010a) e Barbosa, Paiva & Martins (2017), mostraram que há uma clara preferência pela subida do clítico na fala, preferência essa que não se reflete necessariamente na escrita. Este trabalho quer explorar se as diferenças observadas quando se comparam corpora de língua falada e de língua escrita se observam também na fala e na escrita de uma mesma pessoa, ou se haverá outros fatores em causa – como perfis idioletais mais ou menos comuns na população – por detrás de resultados anteriores. Constituímos assim um corpus a partir de crónicas, programas televisivos e entrevistas de duas personalidades portuguesas: Ricardo Araújo Pereira (RAP) e José Pacheco Pereira (JPP). Os dados de RAP perfazem 60 mil palavras para a escrita e 63 mil palavras para a fala. Os dados de JPP perfazem 67 mil palavras para a escrita e 70 mil para a fala. No total, o corpus contem mais de 130 mil palavras e 22 horas de gravação. A nossa conclusão principal é a de que a diferença entre fala e escrita não parece ser tão importante como a diferença entre falantes. É na comparação entre os idioletos de RAP e JPP que encontramos neste estudo uma grande diferença na utilização da construção de reestruturação. Se a conclusão for correta, isso parece apontar para o facto de que a elevada percentagem de SC nos dados de oralidade de estudos anteriores não é representativa da diferença de uso de um mesmo falante, mas antes reflete a preferência da população em geral. Outros fatores, como o contexto de próclise ao verbo superior ou a frequência do verbo, parecem ser também mais importantes para a SC do que a diferença entre fala e escrita de um mesmo falante.
The Impact of Sub-lethal Temperatures on Spider Mite Reproduction
Due to climate change, organisms are being increasingly exposed to longer and more intense periods of heat stress, which critically affect their life-history traits. Reproduction is generally more sensitive to high temperatures than survival, although most studies focus on the latter trait. This suggests that populations will be affected by climate change earlier than predicted by current knowledge. To test the influence of temperature on reproduction, we addressed how sub-lethal high temperatures affect reproductive traits in Tetranychus urticae, a haplodiploid agricultural pest of great economic importance. Although several studies have tackled the effect of temperature on this species, and their reproductive behavior, few have addressed the interaction temperature – reproductive behavior. First, we assessed fertility and survival of both sexes at high temperatures, to identify the temperature that critically impairs fertility but not survival. This is measured in females by decreased fecundity and in males by reduced ratio of female offspring. Results showed that 36ºC best fits this condition. Additionally, male fertility was more affected by temperature in pesticide resistant populations. Then, we measured how temperature affected offspring paternity share, as the pattern of first male sperm precedence seen in this species may change when the first male is sterile due to temperature. Results suggest this is the case. Moreover, females mated with sterilized males had higher remating eagerness, leading to restored offspring sex ratio levels after they remated with fertile males. We also tested if, and how fast, sterilized males regain fertility once placed at an optimal temperature. We show that there is no recovery across five consecutive matings or after two days at an optimal temperature. This project provides new insights regarding the effects of climate change on reproductive traits in an important crop pest, paving the way to future studies in sexual selection and adaptation to abiotic stresses.
Para cada memória, um lugar: o arquivo pessoal de Mário Braga
Entre muitos outros planos teórico-práticos englobados pelas Ciências da Documentação e da Informação, a Arquivística assumiu desde cedo um protagonismo central no que concerne às preocupações para o desenvolvimento de novas ideias metodológicas que a permita manter-se à tona das exigências que os tempos e os contextos da produção e gestão documental impõem. Os arquivos, espólios e bibliotecas pessoais têm o traço comum da pessoalidade, o que fez com que, com particular incidência nos últimos decénios, tenham sido alvo de muitas reflexões que nos remetem não só para a forma como estes devem ser encarados dentro das CDI, mas também para a forma como podem assumir um ethos distinto que, por si, justifica, ou não, procedimentos de organização documental únicos e distintos, não só dos outros tipos de arquivos, mas também entre si. O relatório presente, revolvido em torno desta problemática, desenvolveu-se fruto dos trabalhos levados a cabo no Museu do Neo-Realismo de Vila Franca de Xira, tendo como objecto de estudo o arquivo pessoal do escritor Mário Braga. Tendo em vista a sua identificação, organização e a representação da informação nele contida, procurámos estabelecer uma familiarização da praxis de tratamento documental aplicada no Museu, não só com o objectivo da aquisição de experiência prática arquivística, mas também de forma a reflectirmos sobre essas mesmas práticas, à luz das abordagens que têm despontado em tempos mais recentes e acrescentado, com o decorrer dos trabalhos, novas informações ao seu percurso biográfico e biobibliográfico, realçando o papel preponderante que este assumiu não só na história do Neo-Realismo português, como no plano cultural em geral no Portugal do século XX.
Os não-usuários: um estudo sobre a Biblioteca Nacional de Brasília
A missão universal da biblioteca pública representa um enorme desafio, pois o envolvimento coletivo da totalidade da comunidade é, na prática, impossível. Neste sentido, tem emergido, na literatura científica sobre os serviços públicos e os estudos de usuários, a noção de não-usários, ou seja, aqueles cidadãos que não usam, por exemplo, a biblioteca pública. Este trabalho insere-se nesta linha de investigação, procurando estudar as características e as motivações dos não-usuários. O presente trabalho de pesquisa procura esclarecer os fatores e os motivos que influenciam um cidadão a não frequentar o espaço de uma biblioteca pública, adotando como terreno de análise a Biblioteca Nacional de Brasília (BNB). Para além da pesquisa bibliográfica, que permitiu construir a revisão da literatura sobre bibliotecas públicas e não-usuários, foi aplicado um inquérito por questionário, adotando a técnica “bola de neve”, através de uma amostragem de crescimento linear. Os resultados mostram que a maioria dos respondentes indica a distância como motivo para o não uso, o que é discrepante com a indicação de que a maioria mora na mesma região da biblioteca. A indicação que a falta de conhecimento dos serviços ou a falta de hábitos de leitura são fatores de não-uso são novamente discrepantes com a informação que assinala que a maioria dos inquiridos lê todos os dias ou frequentemente e lê entre 1 a 10 livros por ano. A maioria utiliza os meios digitais como meio de informação, mas desconhece o nome da biblioteca pública de sua região administrativa, ainda que reconheçam para que serve uma biblioteca e quais os serviços oferecidos. Pode-se concluir que a publicidade da BNB poderá ser um fator relevante para mudar a condição do não-usuário, através do uso de meios digitais, pertinentes para alcançar esse cidadão não-usuário, inclusive para oferecer serviços fora do espaço físico institucional.
A modernização administrativa nas autarquias locais: projeto de normalização de processos de negócio no Município de Arruda dos Vinhos
A qualidade dos serviços municipais influencia a competitividade dos territórios e a capacidade de atração de pessoas e investimentos aos territórios no âmbito da modernização administrativa. A modernização administrativa encontra-se relacionada com objetivos de simplificação administrativa e desburocratização, eficiência e transparência, qualidade, traduzindo-se na prestação de melhores serviços aos cidadãos. A partir da realização de um estudo de caso no âmbito da modernização administrativa dos processos organizacionais do Município de Arruda dos Vinhos e da realização de estudo orgânico-funcional, foi possível conhecer os serviços produtores de informação e as especificidades do sistema de informação mediante a análise do status quo dos processos organizacionais. A utilização de técnicas de reengenharia de processos na racionalização e economia de meios, visa a normalização de processos e procedimentos na autarquia, e potencia uma atividade de elevado valor acrescentado, a redução dos custos de contexto, bem como uma maior eficácia e eficiência dos serviços, e ainda o controlo e a gestão eficiente da informação e o encurtamento e a uniformização dos circuitos de informação. No âmbito da uniformização dos fluxos de informação, e com vista a aferir da viabilidade de utilização do software MyDoc BPM, que por sua vez recorre ao software Bonita, foi possível realizar com facilidade três fluxogramas no software Bonita relativos a processos de negócio provenientes da função 450 (Reconhecimentos e Permissões) do PCIAAL/MEF. Neste contexto, conclui que é possível e desejável a normalização de processos de negócio, num esforço de otimização e inovação dos procedimentos e processos, mediante a adoção da metodologia Business Process Management (BPM). O sucesso da normalização de processos de negócio depende de diversos fatores críticos. A normalização deve assumir um caráter supra-institucional e transversal, alargada a todas as autarquias, sem prejuízo de cada organização pública poder definir e parametrizar os seus processos, segundo as orientações e especificidades organizacionais no âmbito da sua autonomia administrativa, contribuindo para a eficácia e a eficiência do sistema de informação das autarquias locais. Propõe ainda a normalização dos processos de negócio constantes no Plano de Classificação da Informação Arquivística da Administração Local, conforme à Macroestrutura Funcional (PCIAAL/MEF) à escala municipal, constituída por dezanove funções, numa base incremental e faseada no prazo de três anos mediante a identificação e a seleção das funções prioritárias de forma a alavancar o desenvolvimento municipal. Apesar de se reconhecer a sua aplicabilidade a todos os municípios a nível nacional, e atendendo aos benefícios decorrentes da economia de escala, recomenda ainda a sua aplicação à escala intermunicipal no seio das Comunidades Intermunicipais em articulação com os municípios com o contributo metodológico do presente trabalho projeto, de forma a potenciar o desenvolvimento e a competitividade regional.
Colecções coloniais de arqueologia: passado, presente e futuro
As colecções coloniais de arqueologia recolhidas ao longo das missões científicas do século XX em antigos territórios ultramarinos, constituem um património único, cujo estudo exaustivo ainda se encontra por concluir. O interesse generalizado em finais do século XIX pela exploração do continente africano nas mais variadas áreas, proporcionou durante o século seguinte um aumento exponencial da produção científica aliada à recolha de materiais arqueológicos que foram sendo integrados em colecções com várias proveniências e progressivamente reunidas através dos esforços daqueles que reconheceram nesses artefactos o valor científico que estes detêm para o conhecimento da Pré-História naqueles territórios. Atendendo ao longo período de ocupação das ex-colónias portuguesas, importa reflectir nos factores que estiveram na origem destas recolhas de campo, na produção científica resultante dessas intervenções e no destino dos materiais recolhidos, aos quais impera no início do século XXI definir um novo rumo. O valioso acervo, incomparável a nível nacional e internacional, que constitui as colecções coloniais de arqueologia, está actualmente sob gestão da Universidade de Lisboa, procurando agora alargar o seu campo de acção, abrindo os espaços das reservas a um maior número de investigadores e alunos, o qual tem crescido na última década, mas também divulgá-lo junto do público, tornando-o cada vez mais acessível a todos aqueles que tenham interesse no estudo e conhecimento destes testemunhos. Aqui é apresentado o trabalho encetado para que esta nova fase na vida das colecções siga os trâmites necessários para a continuação do seu reconhecimento, enquanto património de pesquisa e consulta e sobretudo enquanto património gerador de conhecimento mundial.
2025-10-28T12:09:08Z
Santos, Patrícia Augusto dos
Controlled in‐cell generation of active Palladium(0) species for bioorthogonal decaging
Owing to their bioorthogonality, transition metals have become very popular in the development of biocompatible bond-cleavage reactions. However, many approaches require design and synthesis of complex ligands or formulation of nanoparticles which often perform poorly in living cells. This work reports on a method for the generation of an active palladium species that triggers bond-cleaving reactions inside living cells. We utilized the water-soluble Na2 PdCl4 as a simple source of PdII which can be intracellularly reduced by sodium ascorbate to the active Pd0 species. Once generated, Pd0 triggers the cleavage of allyl ether and carbamate caging groups leading to the release of biologically active molecules. These findings do not only expand the toolbox of available bioorthogonal dissociative reactions but also provide an additional strategy for controlling the reactivity of Pd species involved in Pd-mediated bioorthogonal reactions.
2025-10-28T12:09:22Z
Konč, Juraj Sabatino, Valerio Jiménez‐Moreno, Ester Latocheski, Eloah Pérez, Laura Rodríguez Day, Jason Domingos, Josiel B. Bernardes, Gonçalo J. L.
Digital mediated short-term rentals in the (post-)pandemic city
In this section, we reflect, both empirically and speculatively, on the perspectives for STRs and related digital platforms in the (post-)pandemic city, on the grounds of early signals of change in relation to spatial justice and institutional arrangements. The discussion is opened by Tulumello and Cocola-Gant, who, by investigating the case of Lisbon, Portugal, reflect on the flexible nature of platforms vis-a-vis ` the (neoliberal) cloud of de- and re-regulation in housing and rental markets, discussing how this intersection allows STRs to adapt and succeed, also during the pandemic. Similarly, Iacovone explores the professionalisation of platform-mediated STRs and their adaptability to increasingly more flexible and malleable requests from the market – dimensions that allow them to successfully outcompete smaller actors. Finally, Pettas and Dagkouli–Kyriakoglou, by focusing on the case of Athens, Greece, discuss the ways STRs could be transformed into housing infrastructure for remote workers in connection to the restructuring of the post-pandemic labour market.
2025-10-28T12:28:33Z
Dagkouli-Kyriakoglou, Myrto Tulumello, Simone Cocola-Gant, Agustín Iacovone, Chiara Pettas, Dimitris
In vivo notch signaling blockade induces abnormal spermatogenesis in the mouse
In a previous study we identified active Notch signaling in key cellular events occurring at adult spermatogenesis. In this study, we evaluated the function of Notch signaling in spermatogenesis through the effects of in vivo Notch blockade. Adult CD1 male mice were either submitted to a long term DAPT (?-secretase inhibitor) or vehicle treatment. Treatment duration was designed to attain one half the time (25 days) or the time (43 days) required to accomplish a complete cycle of spermatogenesis. Blockade of Notch signaling was depicted from decreased transcription of Notch effector genes. Notch signaling blockade disrupted the expression patterns of Notch components in the testis, induced male germ cell fate aberrations, and significantly increased germ cell apoptosis, mainly in the last stages of the spermatogenic cycle, and epididymis spermatozoa morphological defects. These effects were more pronounced following the 43 day than the 25 day DAPT treatment schedule. These results indicate a relevant regulatory role of Notch signaling in mammalian spermatogenesis.
2025-10-28T12:23:14Z
Murta, Daniel Batista, Marta Trindade, Alexandre Silva, Elisabete Henrique, Domingos Duarte, António Lopes-da-Costa, Luís
A ocupação da Idade do Bronze do Castro de Pragança (Cadaval, Portugal): uma leitura através do espólio cerâmico
Implantado numa portela da Serra de Montejunto, alcançando os 334 m de altura máxima, o Castro de Pragança, Cadaval (CNS: 1260) ganhou o estatuto de um dos sítios clássicos da arqueologia portuguesa e, mais particularmente, da região da Estremadura. Sujeito a diversas intervenções nos finais do XIX e ao longo do século XX realizadas por diversos investigadores, entre eles o fundador do Museu Nacional de Arqueologia (MNA), José Leite de Vasconcellos (1905, 1915), os materiais aí recuperados constituem uma das maiores colecções artefactuais depositadas nesta instituição. O espólio proveniente destes trabalhos demonstrou que o sítio deteve elevada importância para as comunidades da Pré e Proto História da região, que ocuparam o espaço ainda no Neolítico, ganhando maior expressividade durante o Calcolítico e o final da Idade do Bronze, sobrevivendo ainda durante a Idade do Ferro e Período Romano Republicano. Infelizmente, as antigas ações arqueológicas não proporcionaram qualquer informação contextual, dificultando a leitura do espólio recolhido. Relativamente à Idade do Bronze, tema de análise deste trabalho, o Castro de Pragança recebeu várias considerações sobre o teor de ocupação (Vasconcelos, 1905, 1915), mas apenas ganhou maior reconhecimento na investigação deste período com a extraordinária coleção de materiais de bronze, estudada e publicada parcialmente por A. Coffyn (1985). Este trabalho, que inclui muitos dos artefactos armazenados no MNA, conferiu ao local um estatuto emblemático no horizonte designado “Bronze Atlântico”, particularmente no contexto da Estremadura. Em relação ao conjunto cerâmico associado a esta fase, alguns elementos foram já divulgados e comentados (por exemplo, Savory, 1951, Gonçalves, 1990, Arruda e Vilaça, 2004, Senna-Martinez, 2018, Melo e Pimenta 2020), permanecendo, no entanto, grande parte do repertório ainda desconhecido. O presente trabalho tem justamente como objectivo analisar e divulgar o conjunto de materiais cerâmicos que podem ser associados à ocupação da Idade do Bronze do Castro de Pragança. Estes tiveram, contudo, de ser selecionados dentro de uma colecção vasta de materiais cerâmicos com grande amplitude cronológica. Esta situação obrigou à utilização de uma metodologia que será definida com detalhe em capítulo próprio (ver infra 5.2), de forma a contornar diversos problemas subjacentes à análise de grandes conjuntos sem contextos estratigráficos associados e referentes a diversas cronologias. 4 Em termos organizativos, optou-se por dividir o trabalho em seis grandes capítulos. Inicia-se por uma breve exposição do historial dos trabalhos efectuados no Castro de Pragança (capítulo 2), com o intuito de compreender a heterogeneidade dos dados obtidos e a posterior dispersão dos respectivos conjuntos arqueológicos. Segue-se uma análise ao enquadramento geográfico (capítulo 3), onde se pretende analisar o papel do Castro de Pragança no território envolvente que é a Serra de Montejunto e as potencialidades oferecidas pela área à ocupação permanente por comunidades humanas. No capítulo 4, referente ao enquadramento histórico-arqueológico, pretendeu-se analisar todo o contexto interpretativo em torno das ocupações da Idade do Bronze no Baixo Tejo, de forma a facilitar a leitura da evolução deste sítio e, especialmente, do conjunto artefactual aqui estudado. Entrando na análise do conjunto em si, que se inicia no capítulo 5, tenta-se explanar todos os problemas adjacentes ao seu percurso até à instituição de acolhimento (5.1), os critérios metodológicos que condicionaram a sua selecção, organização e análise no âmbito desta dissertação (5.2), aspectos quantitativos (5.3), os fabricos associados (5.4), a caracterização morfológica do conjunto, organizada em sete séries (5.5), elementos decorativos e de que forma traduzem eventuais ligações culturais inter-regionais (5.6), e, finalmente, a sistematização dos dados compilados (5.7). Por último, a conclusão (6) reúne uma síntese dos dados obtidos, procurando relacioná-los com as problemáticas das ocupações do 2º milénio a.C. no centro da fachada atlântica ocidental da Península Ibérica. Por último, queria ainda referir que o plano original desta dissertação incidia na análise global do espólio recuperado em todas as intervenções efectuadas no Castro de Pragança, incluindo os trabalhos mais recentes da autoria de João Ludgero Marques Gonçalves, atualmente em reserva no Museu Municipal do Cadaval (Gonçalves, 1990-1992a). Infelizmente, todo o contexto pandémico vivido desde praticamente o início desta dissertação impossibilitou o acesso a esta instituição, pelo que se optou por focar unicamente o espólio depositado no MNA. Ainda assim, espera-se que num futuro próximo se possa efectuar este trabalho de análise, de forma a completar, na medida do possível, as informações associadas à ocupação do 2º milénio a.C. desta importante estação arqueológica. Consideramos que o estudo aqui apresentado tem pertinência no sentido de tentar colmatar a escassez de informação disponível sobre a ocupação da Idade do Bronze do Castro de Pragança e, em última análise, do interior da Península de Lisboa. Com efeito, nesta região, os dados disponíveis sobre esta fase cronológica residem em materiais provenientes de escavações antigas, e com forte deficit no que diz respeito a informação contextual. E, ainda que o conjunto cerâmico do Castro de Pragança se enquadre justamente nesta situação, a sua análise fornece indicações importantes para a problematização do 2º milénio a.C. na Península de Lisboa.
Gestão de repúdios numa plataforma de gestão de processos
As instituições bancárias cada vez mais empregam soluções informáticas tecnologicamente avançadas e integradas, na prestação de serviços e para suportar as interacções com as empresas e clientes individuais. A Plataforma de Gestão de Processos (PGP), desenvolvida com a colaboração da Indra, é um exemplo deste tipo de soluções, uma vez que visa suportar os mais variados tipos de serviços prestados por um banco. O objectivo deste projecto passou por se desenvolver um novo módulo para a PGP, denominado Reclamações/Sugestões – Gestão de Repúdios, cujo propósito é essencialmente o tratamento de um repúdio, nomeadamente movimentos de conta feitos sem o conhecimento/autorização do detentor desta. O módulo trata dos diversos passos relativos ao processamento do repúdio, desde o momento que este dá entrada no sistema, passando por vários estados, até à decisão final sobre o referido processo. Cada estado está atribuído a uma pessoa ou grupos de pessoas (funcionários da instituição bancária) que tratam do processo nesse estado específico, enviando-o posteriormente para o estado seguinte ou anterior.
2025-10-28T12:24:07Z
Dias, Nuno Filipe de Moraes Sarmento das Neves
The Socio-economic importance of the invasive West African Giant Land Snail (Archachatina marginata) in São Tomé Island
O fenómeno da globalização tem levado à homogeneização dos biomas da Terra, através da quebra de barreiras físicas que tem promovido a dispersão das espécies exóticas invasoras (EEI). Esta dispersão tem ocorrido a um ritmo alarmante, e muitas destas EEI têm efeitos nefastos tanto na biodiversidade, como nos serviços dos ecossistemas, na saúde humana e nas atividades económicas. Com a tendência crescente de movimentos globais de pessoas e bens, o número e os impactos das EEI deverá aumentar exponencialmente no futuro. Combater os seus impactos tem sido uma prioridade chave, não apenas na conservação, mas também em áreas como a medicina e a economia. Tem sido dada especial atenção aos ‘hotspots de invasão’, locais onde os impactos negativos são mais severos, devido às sinergias entre EEI e outras ameaças, incluindo a intensificação da agricultura, o desenvolvimento urbano e as alterações climáticas. Estes locais tendem a ser ecossistemas isolados, como as ilhas, especialmente as mais antigas, montanhosas, tropicais ou subtropicais. Embora o reconhecimento das implicações negativas dos EEI seja consensual, a escolha das medidas de gestão é frequentemente controversa e contestada. Isto porque, a mesma espécie exótica pode ter impactos negativos nalguns sectores, e simultaneamente benefícios noutros. É por isso indispensável que haja uma abordagem holística dos impactos aquando da escolha das medidas de gestão. No entanto, isso não acontece com a frequência desejada e frequentemente as avaliações são tendenciosas, destacando apenas certos efeitos negativos ou certos sectores e, por vezes, baseando-se mais em preconceitos do que em evidências científicas. Uma avaliação de impactos deficiente pode levar à escolha de medidas de gestão desadequadas, e até contraproducentes, ecologicamente, economicamente e socialmente. Como tal, é necessário abandonar o foco biocêntrico no estudo das invasões biológicas, e integrar a multidisciplinariedade na avaliação de impactos. Nomeadamente, é de extrema importância ouvir a voz das pessoas que convivem com as EEI, para compreender que impactos experienciam e de que forma interagem com estas espécies, promovendo ou diminuindo a sua distribuição. Este estudo tem por objetivo principal, compreender qual a importância duma espécie invasora, o búzio-vermelho (Archachatina marginata), para a população da ilha de São Tomé (São Tomé e Príncipe, África central). Em estudos anteriores, foi destacado o efeito negativo desta espécie invasora no búzio-d’Obô (Archachatina bicarinata), uma espécie ameaçada restrita às ilhas de São Tomé e Príncipe, alertando para a urgência em travar o declínio deste. De forma a contribuir para uma avaliação mais holística, pretendemos ouvir a voz dos santomenses sobre esta espécie, tendo como objetivos específicos: (1) obter informações sobre as características do comércio de búzio-vermelho, nomeadamente através da identificação de atores-chave; e (2) avaliar os potenciais fatores determinantes da apanha, venda e compra da espécie, tanto ao nível do agregado familiar como ao nível da comunidade. Desta forma, contribuir para informar futuras decisões de gestão relativas a esta espécie, bem como ajudar a elaborar recomendações sobre como incorporar as dimensões humanas na gestão das EEI. Foram entrevistadas 672 pessoas em 20 comunidades dispersas pela ilha. Para garantir uma amostra robusta, representativa da diversidade de São Tomé, as comunidades foram escolhidas através de uma amostragem aleatória estratificada, com base no tipo de comunidade e na sua dimensão. Os entrevistados foram escolhidos aleatoriamente, apenas um por agregado. A posteriori, as comunidades foram classificadas quanto à sua posição geográfica. Os resultados revelam um consumo generalizado de caracol, que parece ser essencial na vida quotidiana dos habitantes. A espécie é consumida pelo menos uma vez por semana na dieta de quase metade dos agregados, demonstrando que, apesar da introdução relativamente recente da espécie, os habitantes se adaptaram à sua presença. A maioria dos agregados compra o caracol que consome, o que indica a sua acessibilidade monetária. Além disso, a apanha é feita principalmente em áreas mais próximas da floresta nativa, pouco acessíveis à maioria das pessoas. A grande maioria do consumo de búzio-vermelho em São Tomé é sustentada pelos vendedores, que são uma parte diminuta da população, e que na sua maioria também coletam, obtendo o recurso com custos reduzidos. Os resultados indicam que o búzio-vermelho desempenha um papel importante na vida dos santomenses, transversal aos contextos económico, social e nutricional. Primeiro, foi demonstrada a importância económica, tanto de forma direta, através da venda do produto, gerando rendimentos, como indiretamente, permitindo reduzir as despesas domésticas através do consumo de caracol, mitigando a pobreza. Segundo, foi realçada a importância social, uma vez que beneficia sobretudo membros vulneráveis da sociedade, tais como crianças, mulheres, agregados familiares mais pobres e comunidades rurais, criando oportunidades de emprego, e uma fonte de rendimento independente. Terceiro, dada a frequência com que os santomenses consomem esta espécie, é também relevante a sua importância nutricional. Tanto pelas suas características nutricionais, uma vez que é pobre em gordura, rico em proteínas e contém ferro e quase todos os aminoácidos essenciais, como pela sua acessibilidade monetária e disponibilidade, competindo com proteínas animais de fonte doméstica e substituindo o peixe, a proteína mais consumida na ilha, quando este é mais escasso, nomeadamente na época das chuvas. Para o futuro, é necessário perceber de que forma esta espécie está a reagir à pressão exercida pela apanha. Equacionamos que o atual consumo elevado e disperso na ilha toda pode estar a exercer pressão no tamanho da população, servindo de controlo mesmo que apenas parcial. Atendendo aos fortes impactos ecológicos que são esperados desta espécie, não consideramos aconselhável deixar que a sua população seja controlada apenas pela procura. São precisas medidas mais concretas se pretendemos controlar a espécie e os seus impactos negativos, e ao mesmo tempo, assegurar que não são prejudicadas as pessoas que atualmente dependem dela. Atendendo a dispersão e abundância da espécie, a possível erradicação torna-se inviável. Além disso, a importância da espécie para a população sugere que a total erradicação não seria bem aceite pela população e que prejudicaria vários grupos vulneráveis. Parece não haver recursos disponíveis para desenvolver um projeto desta envergadura. Assim sendo, recomendamos medidas de controlo localizadas em áreas prioritárias, tais como o Parque Natural do Obô, onde abundam espécies em perigo de extinção, como o búzio-d’Obô, onde esta espécie invasora ainda não é muito frequente e onde os potenciais efeitos negativos sobre os beneficiários humanos seriam minimizados. O método exato de controlo terá de ser estudado com mais detalhe. Quanto ao futuro do comércio, é difícil determinar até que ponto as condições atuais irão persistir, uma vez que as circunstâncias ecológicas da ilha estão em mudança e os agregados familiares demonstram grande capacidade de adaptar as suas estratégias de subsistência. Uma diminuição do consumo de caracóis parece improvável a curto prazo, tendo em conta que, de acordo com os fatores identificados neste estudo, a crise social e económica causada pela pandemia COVID-19 deverá aumentar as taxas de desemprego, reduzir os rendimentos e consequentemente aumentar a dependência desta espécie. Com a tendência crescente de movimentos globais de pessoas e bens, as ilhas estão a receber cada vez mais espécies invasoras, ao mesmo tempo que as populações humanas continuam a mostrar adaptabilidade à sua presença, retirando benefícios destas. Neste contexto as avaliações holísticas e multidisciplinares de impactos, serão cada vez mais importantes para identificar medidas de controlo de EEI que minimizem o prejuízo de populações humanas.
O papel da revitalização do espaço público na geração de novos afetos urbanos: o conceito de "cidade feliz" aplicado a um "não-lugar" do Bairro do Cais do Sodré e Santos
O presente trabalho de projeto apresenta-se como uma proposta de revitalização urbana com o objetivo de gerar novos comportamentos e emoções no “não-lugar” entre a zona do Cais do Sodré e Santos, na cidade de Lisboa. O espaço-foco do estudo é identificado como um “nãolugar”, segundo o conceito desenvolvido por Marc Augé, (1994), mas com potencial de atrair as pessoas, contribuindo para uma “cidade feliz”, ideia concebida por Charles Montgomery (2015). O trabalho de projeto tem como ainda como referência central a investigação do urbanista Jan Gehl (2014), que se dedica ao estudo das cidades, tendo com foco seu aproveitamento pelas pessoas. A proposta é elaborada no contexto da pandemia do covid-19, iniciada em 2019, com a subsequente restrição da circulação e uso de lugares públicos, para a diminuição da propagação do vírus, que até junho de 2021 contaminou 170 milhões de pessoas. Neste cenário ainda de incerteza, os gestores das cidades começam a estudar como ter espaços dinâmicos capazes de proporcionar novas experiências de vivência urbana e social de forma segura e sustentável.
HIV-2 interaction with cell coreceptors: amino acids within the V1/V2 region of viral envelope are determinant for CCR8, CCR5 and CXCR4 usage
Background: Human immunodeficiency virus 1 and 2 (HIV-1 and HIV-2) use cellular receptors in distinct ways. Besides a more promiscuous usage of coreceptors by HIV-2 and a more frequent detection of CD4-independent HIV-2 isolates, we have previously identified two HIV-2 isolates (HIV-2MIC97 and HIV-2MJC97) that do not use the two major HIV coreceptors: CCR5 and CXCR4. All these features suggest that in HIV-2 the Env glycoprotein subunits may have a different structural organization enabling distinct - although probably less efficient - interactions with cellular receptors. Results: By infectivity assays using GHOST cell line expressing CD4 and CCR8 and blocking experiments using CCR8-specific ligand, I-309, we show that efficient replication of HIV-2MIC97 and HIV-2MJC97 requires the presence of CCR8 at plasma cell membrane. Additionally, we disclosed the determinants of chemokine receptor usage at the molecular level, and deciphered the amino acids involved in the usage of CCR8 (R8 phenotype) and in the switch from CCR8 to CCR5 or to CCR5/CXCR4 usage (R5 or R5X4 phenotype). The data obtained from site-directed mutagenesis clearly indicates that the main genetic determinants of coreceptor tropism are located within the V1/V2 region of Env surface glycoprotein of these two viruses. Conclusions: We conclude that a viral population able to use CCR8 and unable to infect CCR5 or CXCR4-positive cells, may exist in some HIV-2 infected individuals during an undefined time period, in the course of the asymptomatic stage of infection. This suggests that in vivo alternate molecules might contribute to HIV infection of natural target cells, at least under certain circumstances. Furthermore we provide direct and unequivocal evidence that the usage of CCR8 and the switch from R8 to R5 or R5X4 phenotype is determined by amino acids located in the base and tip of V1 and V2 loops of HIV-2 Env surface glycoprotein.
2025-10-28T12:20:34Z
Santos-Costa, Quirina Lopes, Maria Manuel Calado, Ana Marta Azevedo-Pereira, José Miguel