Repositório RCAAP

Tratamento microcirúrgico do linfedema

O linfedema é uma doença crónica sem tratamento definitivo que afecta milhares de pessoas por ano, mundialmente. Embora possa ser de causa primária, no mundo ocidental a sua causa mais comum é iatrogénica, secundária ao tratamento de patologia oncológica. O seu diagnóstico é feito através da anamnese e exame objectivo, podendo ser mais bem caracterizado através de técnicas de imagem. O tratamento do linfedema divide-se em duas categorias: tratamento médico e tratamento cirúrgico. O tratamento médico consiste no uso de diuréticos, manobras de drenagem linfática e terapia compressiva do membro afectado, tendo como objectivo impedir a progressão do linfedema através do seu controlo e possível diminuição. O tratamento cirúrgico pode ser excisional/redutor, no qual se pretende diminuir o volume de tecido subcutâneo ou remover tecido em excesso, ou pode ser de tipo fisiológico, no qual se tenta restaurar o sistema linfático levando à drenagem da linfa e consequente diminuição do linfedema. A principal forma de controlo do linfedema é ainda o tratamento médico com recurso à terapia compressiva e manobras de drenagem mas, devido ao avanço das técnicas microcirúrgicas e da tecnologia das técnicas de imagiologia, o tratamento fisiológico do linfedema tem demonstrado bons resultados com diminuição do volume da área afectada, restauração da drenagem linfática e satisfação dos doentes, mostrando ser uma área promissora. Neste trabalho inclui-se a última revisão sobre o tema,1 complementada com artigos mais recentes em relação ao tratamento microcirúrgico do linfedema, tendo como objectivo apresentar os resultados e avanços da anastomose linfovenosa e do transplante de nódulo linfático vascularizado.

Ano

2025-10-28T12:26:21Z

Creators

Xavier, Manuel Maria de Almeida Pinheiro Calapez

A obra do pintor Adriano de Sousa Lopes (1879-1944) na sua fase académica: Conservação e Restauro de diversas pinturas da Reserva de Pintura da FBAUL

A study of a set of ten academic works by Adriano de Sousa Lopes (1879-1944) that belongs to the Faculty of Fine Arts of the University of Lisbon (FBAUL) was started as part of a PhD research, specializing in Art Sciences.The project consisted in the study of the painter's artistic period and the conservation and restoration treatments of Sousa Lopes's academic paintings. An intervention methodology was made in four phases - Historical Study, Mapping with Geographic Information Systems (GIS), Technical Study and Conservation and Restoration - which was supported by several researchers and research centers (CIEBA, HERCULES, CITAR, CFUM). If, on the one hand, a scientific and historical research was developed then, on the other hand at the same time conservation and restoration treatments were carried out, which allowed preserving a unique collection. The diagnosis, through the use of techniques of graphic registration and examination and analysis, allowed to know the materials constituting the works and to identify the causes of deterioration associated to them. The information system used, QGIS®, allowed the creation of several maps of the surfaces that facilitated the reading and interpretation of the pictorial data, both the technical and conservative survey, as well as the conservation and restoration treatments performed. The conservation and restoration intervention were guided by the minimum intervention, the main objective being the structural stabilization of the paintings. The exhibition and the catalogue were the culmination of an exhaustive and rigorous investigation into a little studied phase of the painter, where in addition to highlighting his work, it also emphasizes the role of conservation and restoration in the preservation of collections such as this. Finally, the implementation of several methodologies allowed achieve an investigation in several domains of knowledge, which was only possible through multidisciplinary work.

Ano

2025-10-28T12:25:54Z

Creators

Cardeira, Liliana

Currículo e docência : a pessoa, a partilha, a prudência

No summary/description provided

Ano

2025-10-28T12:27:27Z

Creators

Novoa, Antonio

On embracing the vague

At the same time as, in Paris, Lucien Lévy-Bruhl experimented with the concept of “participation,” at Harvard, William James undertook a parallel trajectory by taking recourse to the notion of “the vague.” For him, vagueness described the fact that reality is richer than any and all conceptualizations. In light of the ethnographic material provided by contemporary developments in the ethnography of pharmaceuticals, this paper mobilizes James’s concept of vagueness by reference to Lévy-Bruhl’s participation in order to develop instruments for capturing ethnographically the complexities of entanglement and emergence in human sociality. The paper concludes that indeterminacy and underdetermination are doors of entanglement as they both limit and make possible the constitution of entities in sociality.

Ano

2025-10-28T12:15:24Z

Creators

Pina-Cabral, Joao

Autómatos reversíveis: um estudo algébrico e topológico

Nesta dissertação será feito o estudo de autómatos reversíveis e das linguagens reconhecidas por estes. Começamos com um capítulo preliminar, que nos dará noções iniciais de Semigrupos, Autómatos e Linguagens, e alguns resultados importantes. Entramos depois na área das Classes de Monoides e Classes de Linguagens, onde é dada a definição de variedades de monoides. A partir dessa definição, e para facilitar o estudo posterior dos autómatos reversíveis, damos as definições de M-variedade, variedade de monoides ordenados, e de MO-variedades, estas últimas essenciais para uma das caracterizações das linguagens reconhecidas por autómatos reversíveis. Iniciamos então um terceiro capítulo, focado no estudo dos subconjuntos racionais do grupo livre, que serão necessários para uma das nossas caracterizações, e que fazem um paralelo com a definição de linguagens racionais, enunciada no primeiro capítulo. No quarto capítulo são então dados os resultados sobre M-variedades e MO-variedades que nos ajudam a caracterizar linguagens reconhecidas por autómatos reversíveis. Neste capítulo focamo-nos principalmente na classe de monoides gerada pelos monoides inversos, quer no caso ordenado, quer no caso não ordenado. No quinto e último capítulo são enunciadas as diferentes caracterizações possíveis para as linguagens reconhecidas por autómatos reversíveis, terminando com um algoritmo para facilitar a descoberta destas linguagens, bem como um resultado final que engloba todas as caracterizações dadas.

Ano

2025-10-28T12:10:04Z

Creators

Moreira, Francisco Loureiro da Silva Mendes

Exploring the use of blockchain in academic management systems

A tecnologia blockchain é um tópico em voga, com a sua visibilidade a estar directamente associada às criptomoedas, cuja grande expansão foi impulsionada pela Bitcoin (BTC). Apesar desta “explosão” recente, os conceitos base da tecnologia blockchain já têm décadas. O Hashcash, por exemplo, já utilizava um sistema de validação semelhante à Bitcoin para mitigar spam e ataques de negação de serviço. Embora os termos Bitcoin e blockchain tenham uma forte conotação, não são equivalentes. De forma concreta, uma blockchain é uma estrutura de dados que armazena informação numa cadeia de blocos ligados (block+chain) e cuja sequência é validada através de criptografia, particularmente funções de síntese (hash). Aumentar a cadeia requer que haja consenso entre os participantes sobre qual o próximo bloco a adicionar, consenso esse que é atingido por diversos mecanismos como sendo o Nakamoto consensos da Bitcoin, baseado em Proof-of-Work. Uma vez adicionado um bloco, essa informação é propagada aos participantes, existindo uma representação global e coesa da blockchain para todos. Um ponto importante é que não é possível apagar dados uma vez inseridos, o que, combinado com a verificação criptográfica e o uso de consenso, torna-a resistente à manipulação do seu conteúdo. É claro que esta tecnologia tem um grande potencial disruptivo, o que por sua vez tem causado uma “corrida ao ouro” digital, levando a que muitas organizações criem as suas próprias blockchains para posicionar-se no mercado. Os casos de uso já comprovados aproveitam as características da blockchain e variam entre aplicações financeiras baseadas em tokens que tiram partido da descentralização e a transposição para blockchain de actividades em que a auditabilidade e resistência à manipulação é altamente valorizada como sendo a gestão de cadeias logísticas. A qubIT, enquanto criadora de soluções de sofware, propôs este projecto para explorar o uso desta tecnologia no seu âmbito principal de negócio, os sistemas de gestão académica. Foi assim ideada uma prova de conceito com o objectivo de permitir validar documentos académicos assim como partilhar dados entre (e através das) instâncias Fenix das instituições da Universidade de Lisboa. Inspirando-se num dos casos de uso comprovados de blockchain, o rastreio de cadeia logística, a visão desta prova de conceito poderia ser descrita como “rastreio de documentação académica”. A questão a responder é: como podemos avaliar a validade de um documento académico para além da assinatura digital que lhe está aposta? Um exemplo seria o caso em que o documento está assinado por alguém que, naquele momento, não tinha legitimidade para o fazer. O objectivo é publicar informação numa blockchain e, através desta, estabelecer um registo cronológico imutável que pode ser utilizado para adicionar maior legitimidade e transparência a um documento académico. Existem dois principais desafios para o uso de blockchain para documentos académicos. O primeiro provém do cumprimento do RGPD. Por exemplo, sabendo que os dados ficam de forma permanente na blockchain, como lidar com a revogação de consentimento sobre dados já publicados. Relacionado com este, surge também a falta de suporte legislativo para valores armazenados na blockchain (não está estabelecido o seu valor probatório), especialmente quando comparada com o suporte existente para as assinaturas digitais. O primeiro passo foi escolher uma blockchain para a implementação. Começámos por decidir entre a utilização de uma rede aberta, já existente, ou criar a nossa rede através de uma blockchain permissionada. Aqui analisámos o uso de Ethereum. Com a sua rede e suporte para várias linguagens de desenvolvimento, era uma opção viável. Tinha a vantagem de podermos beneficiar da infraestrutura já existente, incorrendo apenas nos custos associados ao seu uso. Contudo, devido a esses custos e à inexistência de regulamentação para os enquadrar, optámos por criar a nossa própria infraestrutura através de uma solução permissionada. Para tal, analisámos várias implementações até que a escolha foi reduzida a dois candidatos, Fabric e Corda, que comparámos extensivamente. A abordagem tomada contrastou-os em três áreas: governança, que dados são visíveis e como são acedidos pelos participantes; suporte, quão activa é a equipa de desenvolvimento e como são resolvidos incidentes; e arquitectura, explorando os aspectos técnicos relacionados com suporte para linguagens de programação ou armazenamento de dados. No fim, foi escolhido o Corda por ser baseado em Java, podendo assim ser rapidamente integrado com o conjunto de tecnologias já utilizadas e acelerar o desenvolvimento da prova de conceito. Contribuindo para esse processo foi também criado um ambiente de desenvolvimento com as ferramentas necessárias para a criação de aplicações Corda (CorDapps). A salientar, contudo, que o Corda não é estritamente uma blockchain, mas sim um livro-razão (ledger) distribuído. Esta distinção aplica-se porque, no Corda, não existe um estado global partilhado mas sim conjuntos de registos que são visíveis para as entidades consoante as transacções em que participam. Utilizando a versão open source do Corda foi construída a Academic CorDapp. Esta aplicação permitia que fosse publicada e partilhada informação entre várias instânciasdo Fenix. Os dados publicados agregavam informação relativa a estudantes, cursos, notas e documentos e, com o seu registo no ledger, permitiam estabelecer uma cronologia imutável do progresso académico de um estudante numa instituição. Esta aplicação funcionava de forma autónoma, através da linha de comandos, com a sua integração no Fenix condicionada a um parecer favorável após análise pela equipa de soluções de negócio. Nesta avaliação, determinou-se que o Corda tinha alguns aspectos técnicos mais fracos (p.ex., suporte para bases de dados) mas era capaz de cumprir os requisitos para integração. O ponto principal levantando na avaliação foi que a proposta de valor adicionado pelo uso de blockchain era insuficiente quando comparada aos mecanismos de assinatura digital qualificada já existentes, especialmente se utilizado o padrão LTV. Foram então re-avaliadas as opções que tínhamos previamente excluído no processo de escolha do Corda. A solução em Ethereum continuou inviável pelas razões que tinham determinado a sua exclusão inicial: falta de suporte legal assim como a dificuldade em estimar os custos de operação. Foi discutida a possibilidade de reimplementar a aplicação utilizando o Fabric ou outra solução permissionada. Isto, apesar de resolver as limitações tecnológicas do Corda, não conseguia sanar a comparação com as assinaturas digitais que comprometia a viabilidade comercial. Assim sendo, a equipa deu um parecer desfavorável e decidiu que o projecto não iria avançar para a fase de integração em produção. Não obstante este desfecho, este projecto foi frutífero para estabelecer uma base de conhecimento sobre as implementações blockchain existentes, permitindo guiar adequadamente projectos futuros, assim como deixou preparadas ferramentas para acelerar o processo de desenvolvimento e aumentar a competitividade em futuras oportunidades neste espaço de negócio.

Ano

2025-10-28T12:23:14Z

Creators

Sousa, Diogo Edgar Andrade

Croma: vol.3, nº6 (Jul./Dez. 2015)

Há um compromisso entre o artista e a sociedade. Não é possível retirar a arte do seu contexto social. Neste projecto, em que se desafiam os criadores a pesquisar a obra de outros criadores, reúnem-se aqueles artigos que melhor demonstram a responsabilidade e a solidariedade entre os criadores e os seus pares sociais. São obras, artistas, projetos, plataformas de intervenção, projetos que enfatizam as relações sociais como suporte. Sob esta temática geral foram reunidos 25 artigos para este número 6 da Revista Croma, em linhas de exploração variadas e mantendo a elevada internacionalização da revista: mais de noventa por cento das publicações são exógenas à Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa ou do CIEBA, a sua unidade de investigação. Este é um indicador procurado e atingido de modo consistente em todos os exemplares publicados até hoje, e que se espera poder afirmar com continuidade. As diferentes perspetivas apresentadas nos variados artigos expõe a obra de autores que exploram dimensões relacionais ou perante as quais o espectador é convocado a deslocar o seu posicionamento, a desassossegar-se. A implicação surge como resultado da articulação expressiva dos recursos mais variados, em constante mistura, exibindo o modo como as dimensões materiais e ideais são fundadoras das diversas propostas. Nesta revista não há indiferença, há diferenças.

Ano

2025-10-28T12:14:01Z

Creators

Queiroz, João López López, Marta Façanha, Ana Cristina Mendes Tedesco, Elaine Athayde Alves Barbosa, Iracema Rampin, Priscila Mello, Regina Lara Silveira De Araújo Santos, Eriel Rey Villaronga, Gonzalo José França, Cláudia Maria Almozara, Paula González Vida, María Reyes Wosniak, Fabio Lampert, Jociele Rojas-Redondo, Carlos Lara-Barranco, Paco Borges, Carlos Eduardo Dias Tomé, Joana Gonçalves, Sandra Maria Lúcia Pereira Cartaxo, Zalinda Pereira, Teresa Matos Rodrigues, Teresa Palma Resende, Rafael Paim, Cláudia Teixeira Marcondes, Neide Marcondes Martins, Nara Silvia Montoya Hortelano, Josep Delgado, António

Whole-brain mapping of cerebrospinal fluid velocity and displacement over the cardiac cycle using phase contrast MRI and optimization of a DENSE sequence

O líquido cefalorraquidiano (LCR) tem um papel essencial na drenagem dos resíduos resultantes do metabolismo cerebral e o constante movimento a que este fluido está sujeito é vital para manter a homeostasia do cérebro. Com feito, alterações neste movimento, geralmente associadas com o envelhecimento ou com doença, levam a perturbações fisiológicas, como a doença de Alzheimer ou a hidrocefalia. Por esta razão, é fundamental consolidar e aprofundar o conhecimento referente a este fluido, nomeadamente perceber como varia a sua velocidade e deslocamento, pois só desta forma será possível desenvolver e aperfeiçoar a prevenção e tratamento destas perturbações. Com efeito, este fluido está em constante movimento e o seu comportamento está intimamente ligado ao ciclo cardíaco. Apesar de estudos anteriores sobre a velocidade e o deslocamento do líquido cefalorraquidiano através de métodos de Ressonância Magnética (RM), ainda não existe uma descrição completa sobre o comportamento deste fluido. O objetivo principal deste estudo, consistiu em obter uma descrição detalhada da velocidade e do deslocamento do LCR através da aquisição de imagens de ressonância magnética obtidas com contraste de fase, um método de referência no que toca ao estudo da velocidade de fluidos No entanto, utilizar RM de contraste de fase para adquirir velocidades mais baixas, como as do LCR, requer tempos de aquisição mais longos e, consequentemente, as imagens obtidas estão mais sujeitas a distorções. Assim, a segunda parte deste projecto partiu dos resultados de deslocamento obtidos através da RM com contraste de fase para otimizar os parâmetros de uma segunda sequência de MR. Esta sequência é relativamente recente e possibilita o estudo do deslocamento sub-milimétrico do LCR associado ao movimento do cérebro através da aplicação de gradientes sucessivos (DENSE). Porém, é necessária uma escolha rigorosa dos parâmetros utilizados de forma a obter resultados que retratem o deslocamento do LCR de uma forma rigorosa e exata. Na primeira parte deste projecto, quatro voluntários foram estudados utilizando RM com contraste de fase, entre outubro de 2019 e fevereiro de 2020, em concordância com as diretrizes éticas da University Medical Center em Utrecth, Países Baixos. As aquisições foram realizadas utilizando um scanner de RM Philips 7 T e dois tipos de contraste foram utilizados: contraste de fase com 1mm de resolução isotrópica e com uma codificação de velocidade de 5m/s, e imagens 3D com ponderação em T1 com 1mm de resolução isotrópica. As imagens foram obtidas para três orientações distintas: anterior posterior, inferior-superior, e direita-esquerda. Na segunda parte deste projecto, dois voluntários foram estudados, de janeiro a fevereiro de 2020, utilizando seis contrastes: contraste de fase com 1mm de resolução isotrópica, e imagens 3D com ponderação em T1 com 1mm de resolução isotrópica, uma sequência básica DENSE com 2mm de resolução isotrópica, uma sequência básica DENSE com 3mm de resolução isotrópica, uma sequência DENSE com uma preparação T2 com 3mm de resolução isotrópica e, finalmente, uma sequência DENSE com tempo de eco prolongado com 3mm de resolução isotrópica. No entanto, e ao contrário das imagens adquiridas na primeira parte deste projecto, as imagens da segunda parte foram obtidas apenas para a orientação inferior-superior. Todas as imagens adquiridas no decorrer desta dissertação foram obtidas com gating cardíaco. O gating cardíaco foi realizado através da utilização de um eletrocardiograma e de um oxímetro de pulso de modo a relacionar o evolução da velocidade e do deslocamento com o ciclo cardíaco. Neste projecto foi também desenvolvida uma pipeline que permite que a partir das imagens adquiridas seja possível estudar a velocidade e o deslocamento do LCR. Esta pipeline inclui diversos passos. O primeiro passo consistiu em realinhar e co-registar as imagens obtidas de forma a permitir uma análise voxel a voxel. Seguidamente, as imagens foram segmentas em três tipos de tecidos: LCR, substância cinzenta, e substância branca. Adicionalmente, as primeiras etapas foram realizadas através da utilização de toolboxs disponíveis no MATLAB como o SPM e o CAT12. Posteriormente, os artefactos presentes nas imagens, tais como as correntes-eddy, foram corrigidos. No decorrer deste projecto diversas regiões foram analisadas e foram divididas em dois grupos: regiões do sistema ventricular, nas quais se incluíram os ventrículos laterais, o terceiro e quarto ventrículo, o aqueduto de Sylvius e a Cisterna Magna; e regiões mais abrangentes, como a região anterior e posterior do cérebro. Estas áreas do cérebro foram selecionadas através da segmentação das imagens anatómicas. Finalmente, a velocidade de cada uma destas regiões foi extraída e integrada ao longo do ciclo cardíaco de maneira a calcular o deslocamento do LCR. Os resultados obtidos relativamente à velocidade mostraram consistência para os quatro voluntários deste projecto. Verificou-se que as regiões do sistema ventricular demonstram valores de velocidade consideravelmente mais elevados do que as regiões mais abrangentes. Com efeito, a região que apresentou valores absolutos de velocidade mais elevados foi o aqueducto de Sylvius. Adicionalmente, verificou-se que as velocidades são superiores na orientação caudal-cranial e inferiores na orientação direita-esquerda. Concluiu-se também que o valor de velocidade escolhido não foi o mais indicado para as regiões mais abrangentes pois a velocidade destas regiões é significativamente inferior e, desta forma, poderá ter existido perda de sinal do LCR. Posteriormente, ao integrar a velocidade obtida através da RM com contraste fase obtiveram-se mapas de deslocamento para as mesmas regiões cerebrais. Estes resultados mostraram-se consistentes e, tal como anteriormente observado, o deslocamento é consideravelmente superior para as regiões do sistema ventricular. A região inferior do cérebro foi a que apresentou valores de deslocamento mais elevados, o que pode ser justificado pelo facto desta região se encontrar mais próxima do coração e, desta maneira, o LCR ser ejetado das regiões que ocupa com maior velocidade. Adicionalmente, verificou-se que as maiores alterações do deslocamento ocorrem imediatamente após a sístole cardíaca. Seguidamente, foi possível, a partir dos valores de deslocamento obtidos, determinar um valor ótimo para a sensibilidade, relativamente ao deslocamento, da sequência DENSE. Contrariamente à primeira parte deste projecto, os resultados obtidos utilizando as sequências DENSE dizem respeito exclusivamente às regiões mais abrangentes. De facto, esta exclusão das regiões do sistema ventricular foi causada pela baixa resolução das imagens obtidas que, desta forma, não permitiram uma segmentação de áreas tão reduzidas com fiabilidade razoável. Os resultados desta análise mostram que a sequência utilizada cujos resultados de deslocamento se assemelham mais aos resultados obtidos através do contraste de fase foi a sequência que utilizou a preparação T2. Por oposição, as sequências básicas utilizadas mostraram semelhança reduzida com o método de comparação. Esta diferença observada foi justifica pela baixa resolução das imagens adquiridas, o que contribui para que não fosse possível eliminar o efeito de volume parcial. Adicionalmente, concluiu-se que o valor de sensibilidade para o deslocamento utilizado não foi o correto para estas regiões e, desta forma, houve perda de sinal adquirido justificando assim às diferenças encontradas entre os dois métodos. Concluindo, esta dissertação cumpriu o objetivo principal proposto, nomeadamente fazer uma descrição completa e quantificar a evolução da velocidade e do deslocamento do líquido cefalorraquidiano ao longo do ciclo cardíaco. Adicionalmente, o método de RM com contraste de fase mostrou ser um método fiável para o estudo do comportamento do LCR mesmo em regiões com velocidades mais lentas. Os resultados de deslocamento obtidos através da utilização do método DENSE permitiram confirmar o potencial desta técnica para medir deslocamentos sub-milimétricos. No entanto, este método ainda necessita de ser otimizado de forma a ser uma alternativa viável ao contraste de fase. Finalmente, os resultados obtidos neste estudo permitem que estudos futuros utilizem os valores máximos de cada região obtida de forma a otimizar futuras sequências.

Ano

2025-10-28T12:13:06Z

Creators

Sousa, Francisco Martins Prata Fonseca

Associações actuais de Ostracodos da plataforma continental este algarvia, Portugal

Neste trabalho foram estudadas 43 amostras de 35 estações, recolhidas em Junho e Setembro de 2014, com o objectivo de caracterizar as associações de ostracodos ao longo da costa Este do Algarve, ao largo de Armona, Tavira e Monte Gordo. As amostras foram lavadas, quarteadas e triadas em laboratório, obtendo-se um total de 11 063 ostracodos identificados, distribuídos por pelo menos 116 espécies. A plataforma continental do Algarve possui um bordo bem definido entre 110 e 150 m de profundidade, estando dividida em três partes: a plataforma interna (até -40 m), a plataforma média (de -40 m a -90 m) e a plataforma externa (-90 m até transição para o talude continental). Das amostras estudadas, 20 pertencem à plataforma interna e 12 pertencem à plataforma média, com 11 perto do limite entre os dois domínios. A plataforma continental do Algarve oriental é maioritariamente dominada por Urocythereis britannica, Costa runcinata e, ocasionalmente, Cytheropteron ruggierii. As estações ao largo de Armona são caracterizadas pela abundância de U. britannica, que tende a diminuir com o aumento da profundidade; a plataforma interna é caracterizada pela abundância de P. elongata, e a plataforma média por Basslerites teres, C. ruggierii, P. guttata e C. runcinata, com estas espécies presentes na zona de transição. A diversidade e a densidade das associações de ostracodos são normalmente mais altas em Setembro do que em Junho, apontando para os efeitos do upwelling descritos por Sañé et al. (2019). As estações ao largo de Tavira apresentam poucos ostracodos na plataforma interna, com U. britannica e Microcythere spp. abundantes. A zona de transição apresenta maiores populações de ostracodos e é caracterizada por C. neapolitana, C. cf. variabilis, P. guttata, P. jonesii, S. multifora, C. sulcatum e C. runcinata. A plataforma média é caracterizada por C. ruggierii, C. runcinata, K. aff. praetexta, P. guttata e P. jonesii. As estações ao largo de Monte Gordo apresentam C. ruggierii, C. runcinata e P. guttata por toda a plataforma. A plataforma interna é caracterizada por C. neapolitana; a zona de transição por B. teres, P. reniformis e P. jonesii. A plataforma média é dominada por C. ruggierii e caracterizada pelas mesmas espécies da zona de transição e por K. aff. praetexta. A dimensão da população, o índice de diversidade e a concentração de TOC tendem a ser mais baixos na plataforma interna e mais altos na plataforma média. A região apresenta um regime de baixa energia e baixa taxa de sedimentação, que se refletem por baixas proporções de adultos e de carapaças. A proporção de ostracodos vivos é normalmente baixa, com excepção do grupo Microcythere da plataforma interna de Tavira. Muitas das espécies que ocorrem na plataforma continental estão associadas a proporções específicas de sedimento fino, demonstrando controlo por parte do substrato. Existem também espécies fitais na plataforma, nomeadamente L. rhomboidea, que ocorrem independentemente das características granulométricas do substrato. A influência do Mediterrâneo é mais forte na série de Monte Gordo, diminuindo gradualmente em direcção a oeste.

Ano

2025-10-28T12:27:00Z

Creators

Barata, Francisco Pedro Pereira

Effectiveness of protected areas for wildcat (Felis silvestris silvestris) conservation: from general hybridization patterns to local environmental drivers

A perturbação de origem antrópica pode ser uma ameaça significativa para a vida selvagem e, consequentemente, os impactos associados à presença do Homem e das suas atividades nas paisagens naturais, tais como a conversão/destruição do habitat, sobrepastoreio e introdução de espécies exóticas, podem promover reduções significativas nas áreas de distribuição das espécies, ou mesmo levar à sua extinção (Chapin et al. 2000). Especificamente, a introdução/dispersão de taxa exóticos, intencional ou não, ou a conversão/modificação do habitat natural em agro ou silvo-ecossistemas, têm adicionado desafios à sobrevivência de espécies que já se encontram num estado de conservação débil, ao poderem promover a hibridação entre taxa selvagens e animais domésticos (Rhymer and Simberloff 1996; Allendorf et al. 2001; Todesco et al. 2016). A hibridação pode gerar a perda de diversidade genética e fitness dos indivíduos, bem como aumentar a probabilidade da extinção de espécies e/ou populações (Seehausen et al. 2008; Crispo et al. 2011; Todesco et al. 2016). A introdução de espécies invasoras na área de distribuição das nativas selvagens pode facilitar o contacto entre duas espécies que anteriormente seria improvável ou inexistente, devido à distribuição alopátrica, e consequentemente promover a hibridação. Para além disso, a conversão/modificação do habitat pode facilitar o contacto entre as espécies doméstica e selvagens, ao facilitar a incursão das primeiras em áreas naturais contíguas. Por outro lado, pode levar a um isolamento de populações silvestres (Rhymer and Simberloff 1996; Holderegger and Di Giulio 2010; Storfer et al. 2010), resultando numa redução de fluxo genético. Um dos exemplos mais documentados de hibridação entre taxa selvagem e doméstico é o caso entre o gato-bravo europeu (Felis silvestris silvestris Schreber, 1777) e o gato doméstico (Felis silvestris catus). Desde o início do século XX, as populações de gato-bravo na Europa apresentaram uma tendência decrescente, principalmente devido à perda de habitat de qualidade, fragmentação de habitat e perseguição direta (Yamaguchi et al. 2015). Simultaneamente, houve uma expansão e generalização da distribuição do gato doméstico na Europa e, consequentemente, uma maior sobreposição com a distribuição do gato-bravo, aumentando a probabilidade de encontros entre ambas as espécies (Steyer et al. 2018). Atualmente, e com base em dados genéticos, são reconhecidas na Europa cinco principais grupos biogeográficos de gato-bravo: Península Ibérica, Itália, Escócia, Sudeste continental e Noroeste continental (Mattucci et al. 2016). Globalmente, o gato-bravo está classificado como ‘Pouco Preocupante’ segundo a lista vermelha da IUCN (Yamaguchi et al. 2015). No entanto, na Europa, existem variações regionais/nacionais nas tendências populacionais e nos graus de fragmentação das populações que, associadas a uma redução da área de distribuição da espécie, contribuíram para que, em vários países, o estatuto de ameaça seja mais elevado (ex. Vulnerável e Quase ameaçado, em Portugal e Espanha, respetivamente; Cabral et al. 2005; López-Martín et al. 2007), e que este felino tenha sido incluído nas listagem de espécies mencionada na CITES (Convenção sobre o Comércio Internacional das Espécies da Fauna e da Flora Silvestres Ameaçadas de Extinção), Diretiva das Habitats e Convenção de Berna (Nowell and Jackson 1996). Apesar disso, devido aos inúmeros esforços de conservação focados no gato-bravo, algumas populações deste felídeo apresentam uma tendência populacional positiva (Steyer et al. 2016; Nussberger et al. 2018). Na maioria das regiões da Europa, e nos grupos biogeográficos, a hibridação entre o gato-bravo e o doméstico já foi detetada (Beaumont et al. 2001; Kitchener et al. 2005; Pierpaoli et al. 2003; Lecis et al. 2006; Oliveira et al. 2008a, b; Hertwig et al. 2009; Nussberger et al. 2014; Steyer et al. 2018), realçando que este processo pode ser mais uma ameaça significativa para conservação do gato-bravo em toda a sua distribuição europeia. Vários fatores podem promover especificamente o contacto entre estas duas espécies de felinos, nomeadamente: o declínio de populações de gato-bravo depauperadas e que, devido a isso, a escolha do parceiro sexual é dificultada, levando a uma procura nas áreas de distribuição do gato doméstico; a expansão geográfica das populações de gato-bravo com uma tendência populacional positiva e que, por isso, passam a utilizar áreas onde o gato doméstico ocorre; e a deterioração da qualidade do habitat, com a expansão das paisagens alteradas pelo Homem, que facilita as incursões do gato doméstico nos redutos naturais habitados pelo congénere silvestre. Apesar destes processos serem frequentemente apontados como causas da hibridação entre estes dois felinos, ainda é pouco claro quais os reais fatores e mecanismos que podem contribuir para promover o contacto entre as duas espécies na Europa (Beugin et al. 2018; Oliveira et al. 2018; Steyer et al. 2018). Para além do grau de hibridação, que nos dá uma medida da integridade genética de uma população, e por isso, do seu fitness e valor conservacionista, a abundância/densidade é uma métrica que reflete a integridade populacional da espécie numa região, e permite aferir tendências populacionais (Wright and Hubbell 1983) e viabilidade e risco de extinção das espécies (Purvis et al. 2000). A estimativa das abundâncias/densidades é, assim, um dos parâmetros fundamentais para suportar cientificamente políticas de conservação de sucesso, em particular para espécies ameaçadas (Stephens et al. 2015). Diversas abordagens metodológicas têm sido empregues para gerar estas estimativas, mas, recentemente, o uso de armadilhagem fotográfica, que permite o estudo de espécies elusivas de carnívoros (Karanth et al. 2006), possibilitou o surgimento de modelos estatísticos, baseados em dados de deteção/ocorrência com identificação individual, que geram estimativas de densidades populacionais: modelos espaciais de captura-recaptura (ECR) (Efford 2004; Borchers and Efford 2008; Royle and Young 2008; Efford et al. 2009; Royle et al. 2014). Apesar das estimativas de abundância/densidades serem cruciais para uma gestão eficaz de espécies silvestres, a verdade é que, para muitos grupos biogeográficos deste mesocarnívoro ameaçado, estes dados não estão muitas vezes disponíveis para serem usados pelos gestores de vida silvestre e do território. Um bom exemplo deste padrão é a Península Ibérica, onde as populações de gato-bravo têm vindo, globalmente, a apresentar uma tendência negativa, e estimativas de densidades populacionais baixas (Cabral et al. 2005; Lozano et al. 2007; Sobrino et al. 2009). Este panorama pouco animador, tem sido associado à perseguição humana, fragmentação/conversão do habitat e a diminuição da abundância da sua principal presa na região Mediterrânea, o coelho-bravo (Oryctolagus cuniculus; Gil-Sánchez et al. 1999; Lozano et al. 2003). Apesar de existirem vários trabalhos em Portugal focados no estudo da ecologia do gato-bravo (Sarmento 1996; Oliveira et al. 2008a, b; Monterroso et al. 2009; Oliveira et al. 2018), ainda existe uma falta de conhecimento sobre as tendências populacionais e densidades das populações portuguesas. Tendo em conta este panorama geral, e por forma a preencher estas lacunas de informação, o presente estudo visa: 1) aferir quais os fatores que estão, a nível Europeu e metapopulacional, a promover a hibridação entre gato doméstico e gato-bravo e avaliar a eficácia das áreas protegidas como ferramenta para assegurar a integridade genética do gato-bravo e; 2) estimar, pela primeira vez, a densidade de uma população portuguesa de gato bravo, que habita uma das áreas protegidas do país (Parque Natural de Montesinho), e determinar os fatores ambientais que a condicionam. No capítulo I analisámos 964 amostras biológicas, morfologicamente identificadas como gato-bravo, recolhidas em 13 países Europeus, com o objetivo de determinar quais os fatores que influenciam a integridade genética de gato-bravo e a eficácia da rede Europeia de áreas protegidas, globalmente e por grupo biogeográfico. No geral, a integridade genética é elevada. Contudo as metapopulações Ibérica e Escocesa apresentaram valores mais baixos. A qualidade do habitat (maior proporção de floresta e matos, e menor proporção de regiões dominadas por zonas humanizadas) parece estar associada a valores elevados de integridade genética, apresentando diferentes padrões nas metapopulações. Relativamente á eficácia das áreas protegidas (APs), a rede Europeia aparenta ser eficaz na conservação da integridade genética deste felino, enquanto que as APs da Península Ibérica e as localizadas na região onde ocorre a metapopulação Noroeste de gato-bravo aparentam ser menos eficazes. Estes resultados contribuem para diagnosticar, de uma forma mais abrangente, a nível Europeu, o problema da hibridação entre o gato-bravo e doméstico, e os padrões detetados contribuem para a definição de diretrizes de gestão mais sólidas que permitam garantir a conservação do gato-bravo em toda a sua distribuição Europeia. No capítulo II usámos modelos espaciais de captura-recaptura (ECR) para determinar a densidade populacional de gato-bravo dentro de uma área protegida – Parque Natural de Montesinho – em Portugal. Identificámos 9 indivíduos com um esforço de amostragem de 3477 noites. A densidade de gato-bravo estimada foi de 0,119±0,065 gato-bravo/Km2 . Os valores estimados de densidade aumentam quando as zonas humanizadas estão mais afastadas, ou seja, quando existe menor perturbação humana e menor probabilidade de presença de gato doméstico. Os nossos resultados indicam também que o Parque Natural de Montesinho parece ter condições ambientais adequadas para a espécie, uma vez que ela ocorre em densidades semelhantes às detetadas em outras áreas protegida da Ibéria e o gato doméstico parece estar ausente da área de distribuição do gato-bravo, no P.N. Montesinho. Por estas razões, esta área protegida pode ser uma ferramenta importante na estratégia de conservação deste felino Este estudo providencia dados importantes para a conservação desta espécie no contexto europeu, providenciando informação cientificamente válida sobre a integridade genética e populacional do gato bravo, crucial para que gestores das áreas protegidas e decisores políticos (regionais e nacionais) possam ter informação de base para criar regulamentos, planos de gestão e políticas adequadas a proteger os recursos chave para o gato-bravo, quer a nível da Europa quer a nível de metapopulações específicas. Ambos os capítulos evidenciam o papel crucial das APs para a conservação desta espécie ameaçada, apesar dos diferentes processos ecológicos analisados (integridade genética e densidade populacional).

Ano

2025-10-28T12:26:07Z

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Matias, Gonçalo Ferreira Machado

La raison et La responsabilité : une science du "gouvernement des âmes" (1880-1920)

La pédagogie est un dispositif spécialisé de connaissances et de techniques qui vise la «transformation des personnes». La raison et la responsabilité sont les deux topoï de cette science du « gouvernement des âmes ». L’importance qu’elle acquiert au tournant du siècle s’explique par un développement sans précédents des «Technologies de responsabilisation», qui articulent des principes de rationalité et de sensibilité (Nikolas Rose). D’une part, la pédagogie «scientifique» cherche à se constituer comme «l’oeil de la raison», introduisant des règles, des attitudes et des comportements prétendument rationnels et raisonnables (Thomas Popkewitz). D’autre part, cette intention est indissociable de l’effort pour former un «citoyen responsable», que l’on veut même « autonome ». Ces deux dimensions sont essentielles pour analyser historiquement la formation de la pédagogie. Nous sommes dans un champ habité par les disciplines scientifiques (et par leurs experts), où l’emprise de la raison est indissociable du «gouvernement de soi par soi dans son articulation avec les rapports à autrui» (Michel Foucault). Le succès du concept de self-government, au sein du mouvement international de l’Éducation Nouvelle, montre bien l’importance de ce thème dans le projet des «sciences de l’éducation». Ayant comme support les deux auteurs cités (Nikolas Rose et Thomas Popkewitz) et leur réinterprétation de certaines thèses de Michel Foucault, de pair avec une lecture de quelques travaux publiés entre 1880 et 1920, j’essaierai de bâtir une réflexion sur la naissance de la «pédagogie scientifique», ayant comme points de repère les discours de la raison et de la responsabilité.Pedagogy is a specialised ensemble of knowledge and techniques that intends to “transform people.” Reason and responsibility are the two topoi of this science of the “government of the soul”. The importance of this field of study at the turn of the century is exemplified by the unprecedented expansion of “technologies of responsibilization,” that articulate principles of rationality and sensibility (Nikolas Rose). On the one hand, “scientific” pedagogy organises itself as the “eye of the reason,” introducing norms, attitudes and behaviours that are intended to be rational and reasonable (Thomas Popkewitz). On the other hand, this intention is linked to the production of a “responsible citizen,” that acts as a free, active and creative subject. These are two essential dimensions when historically analysing the origins and diffusion of pedagogy and educational sciences. We are working in a field occupied by scientific disciplines (and their experts), where the empire of reason cannot be dissociated from the practices of self-government. The success of this concept at the beginning of the 20th century, namely in the works of authors related to the Éducation Nouvelle (New Education Fellowship) shows the importance of this question in the “educational sciences” project. Inspired by Nikolas Rose and Thomas Popkewitz, and their reinterpretation of Michel Foucault, a corpus of books published between 1880 and 1920 will be analysed in order to grasp a historical understanding of the development of a “scientific pedagogy.” Reason and responsibility will be seen to be the turning points of this new science of the “government of the soul.”

Ano

2025-10-28T12:22:08Z

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Novoa, Antonio Yariv-Mashal, Tali

Cursos partilhados no sistema Fenix - Análise comparativa de alternativas de concretização

Os cursos partilhados da Universidade de Lisboa (ULisboa) são cursos que são lecionados em conjunto por duas ou mais escolas da Universidade, podendo apresentar três tipologias: associação, gestão rotativa ou co-tutela. No caso de cursos em associação, os alunos realizam o tronco comum numa escola e realizam Unidades Curriculares (UCs) noutras, inscrevendo-se em UCs isoladas, ou em majors/minors nas outras escolas. Nos cursos em gestão rotativa existem várias escolas que gerem o curso num sistema de rotatividade, isto é, num ano letivo o curso é gerido por uma escola, no ano seguinte é gerido por outra escola. Nos cursos que são em co-tutela, cada semestre ou ano curricular é lecionado em escolas diferentes, por exemplo o primeiro e terceiro anos curriculares são realizados numa escola e o segundo é realizado noutra. Atualmente, o Sistema Integrado de Gestão Académica da ULisboa, designado por Fenix, suporta a gestão dos serviços académicos, do planeamento e recursos e da tesouraria das escolas. Apesar das várias escolas utilizarem o mesmo sistema, estas instâncias não comunicam entre si. Deste modo, várias tarefas de suporte são realizadas manualmente e normalmente através de troca de mensagens de correio eletrónico entre os serviços académicos de cada uma das escolas. Isto leva a um maior esforço por parte dos serviços e pode potenciar a ocorrência de erros. Tendo como objetivo solucionar-se este problema, que passa por tornar as instâncias comunicantes entre si, foi realizada uma análise mais pormenorizada do que envolve suportar a gestão de cursos partilhados no Sistema FenixEdu (Fenix). Foram estudadas várias alternativas e chegou-se a uma implementação que serve como prova de conceito, permitindo concluir que é possível suportar as funcionalidades subjacentes à gestão de cursos partilhados sem grandes impactos no desempenho atual do sistema.

Ano

2025-10-28T12:18:14Z

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Godinho, Diogo José Nunes

Balanço de energia consumo-produção e indicadores de desempenho do escritório nZEBoffice+

Ao abrigo da Diretiva 2010/31/UE, Portugal, através da Portaria n.º 42/2019, atualizou a definição de edifícios de necessidades quase nulas de energia (nZEB) e implementou a obrigatoriedade desse conceito a todos os novos edifícios construídos a partir do final de 2020. Essa obrigatoriedade não abrange edifícios pré-existentes. Por iniciativa da homegrid®, o nZEBoffice+ surgiu em 2018 após a reabilitação de um escritório já existente. O objetivo da reabilitação consistiu em garantir as condições de conforto no interior do escritório e, em simultâneo, melhorar a eficiência energética do espaço. Para além da reabilitação, foi instalado um sistema fotovoltaico de modo a atingir os requisitos da nova definição de nZEB. O escritório nZEBoffice+, atualmente, dispõe de um sistema que monitoriza, em tempo real, o consumo de eletricidade do escritório, as variáveis climáticas e a qualidade do ar, permitindo uma análise crítica do resultado da reabilitação. É, por isso, possível quantificar os indicadores nZEB do espaço, com o auxílio de meios de simulação dinâmica e cálculo dinâmico simplificado. A simulação dinâmica confirmou um aumento de conforto térmico e da qualidade do ar no interior do escritório, o que não é possível verificar através do cálculo dinâmico simplificado. O desempenho energético do nZEBoffice+ revelou-se diferente nos dois métodos dinâmicos. Pelo cálculo dinâmico resultaram indicadores nZEB muito baixos, comparativamente com a simulação dinâmica, sugerindo valores de consumo energético, relativos à climatização do espaço, demasiado otimistas (baixos). Estes factos põem em causa o método do cálculo dinâmico simplificado, favorecendo a utilização da simulação dinâmica. Para concluir, uma maior eficiência energética nem sempre é sinónimo de menor consumo. A introdução de tecnologias de energia renovável para autoconsumo possibilita um maior consumo de energia quando essa se encontra disponível, sem penalização na fatura da energia. No caso do nZEBoffice+, verificou-se a tendência de aumentar o consumo de eletricidade durante os períodos de maior produção fotovoltaica, uma vez que, condicionado pela legislação portuguesa, a injeção do excesso de produção de energia na rede não acarreta benefícios substanciais, nem para o produtor, nem para os consumidores.

Ano

2025-10-28T12:25:00Z

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Bonifácio, Henrique João Ribeiro

Predator-prey relations and density estimation based on camera trap data in Bükk National Park, Hungary

Large carnivores are recovering in many regions of Europe, which generates many conflicts with different stakeholders. Bükk National Park in Hungary is a suitable area to study the effects of the natural return of the wolf (Canis lupus) on local wildlife. Wolf and ungulate densities, and the effect of wolf presence on its prey species, are often highlighted by local practitioners. One way to determine whether the wolf’s prey, such as red deer (Cervus elaphus), roe deer (Capreolus capreolus), wild boar (Sus scrofa), and a potential competitor, as the red fox (Vulpes vulpes), are adapted to the presence of the wolf, is to analyse the overlap of activity periods using camera trap data. In order to have reliable population densities, Random Encounter Model (REM) was used to estimate prey and predator population densities from camera trap data without individual recognition. According to the study results, wolf has adapted its activity to the daily cycles of its main prey species, however at certain sensitive seasons of the year (e.g. rutting period or when young is born), wild boars and roe deer might use temporal segregation as a measure to avoid encounters with wolves. Wild boars showed the least overlap (Δ=0.5) at the time of gestation and when piglets are born. Second lowest overlap was between wolf and roe deer at rutting period (Δ=0.64), while interestingly, at its rutting period, red deer showed high overlap with wolves (Δ=0.79). Camera trap-based population density estimations are similar to the National Park’s STR marker-based genetic references from the area (STRn=14 while ̅=16 individuals; ̅̅̅̅= 1.28 individuals), thus REM can be recommended to complement existing wildlife monitoring strategies in order to cross-check data from used methods (like visual observations, STR marker-based genetic analysis) and have a more reliable and cost-effective result in the end.

Ano

2025-10-28T12:21:54Z

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Gigler, Dóra

Protecting native fauna: conservation of local amphibian species in European zoos

Os anfíbios são considerados como sendo um dos grupos de vertebrados mais vulneráveis, com mais de 40% das espécies em todo o mundo incluídas em categorias de ameaça na lista vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN). Nos últimos anos, a comunidade zoológica tem focado alguns dos seus esforços no sentido de proteger este grupo. Apesar de historicamente as instituições zoológicas – zoos (parques zoológicos e aquários) – servirem como montras de animais exóticos, o aumento de ameaças à biodiversidade tem conduzido a uma alteração do seu papel na sociedade, com os zoos modernos a procurarem desempenhar um papel mais ativo na conservação de espécies. Um exemplo de grande relevância é o aumento de coleções de anfíbios em zoos como resposta à ameaça causada, por exemplo, pela destruição do habitat ou pelas doenças emergentes. Mas, apesar dos benefícios óbvios dos programas de conservação, manter os anfíbios fora de sua área geográfica pode aumentar o risco de exposição a novos agentes patogénicos, prejudicando o seu sucesso. Estes fatores podem assim ser minimizados focando as ações nas espécies nativas. Apesar da ideia prevalente dos zoos como coleções de espécies exóticas, é desconhecida a representatividade das espécies nativas de anfíbios nos zoos europeus, bem como o seu papel nas coleções e as suas funções para ações de conservação in situ. O interesse do visitante é um dos fatores determinantes no processo de planeamento das coleções, mas a consciência da opinião pública sobre a biodiversidade como património nacional é reduzida. Manter fauna local em parques zoológicos pode não só ajudar a promover a conservação de espécies nativas, como também levar a um aumento da conexão dos visitantes com os animais e o seu país, podendo influenciar deste modo positivamente as atitudes e comportamentos. Por outro lado, não se conhece qual a influência do estatuto nativo de uma espécie na sua preferência pela parte do visitante. Neste trabalho abordei estas questões de modo a 1) analisar a representatividade de anfíbios nativos em coleções de zoos europeus e procurar quais os fatores que influenciam essa mesma representatividade; 2) verificar e analisar qual a influência do estatuto nativo de uma espécie no papel que toma na coleção, bem como nas contribuições que têm nos projetos in situ; 3) verificar se o facto de uma espécie ser nativa influencia a preferência do visitante. Foram analisados os dados presentes na base de dados do Species360 ZIMS para 273 espécies diferentes em 182 instituições acreditadas pela Associação Europeia de Zoos e Aquários (EAZA). Cada espécie foi classificada para cada instituição como nativa ou não nativa e ameaçada ou não ameaçada – caso tivesse atribuído um grau de ameaça na lista vermelha regional do país em que se encontrava ou na lista vermelha da IUCN. Com estes dados foram calculados índices de representatividade, permitindo assim conhecer não só a distribuição na europa de instituições com anfíbios e de instituições com anfíbios nativos, como também aferir a proporção de zoos com espécies nativas na coleção em relação ao total de zoos. Foi também analisada a influência na proporção de nativas na coleção da riqueza especifica do país da instituição, do total de espécies nativas ameaçadas no país e da proporção de ameaçadas na coleção. De modo a ser possível verificar quer o papel das espécies na coleção bem como as contribuições in situ de cada zoo, foi criado um questionário direcionado aos curadores e/ou gestores das coleções. O questionário foi dividido em duas categorias principais – ex situ e in situ – e englobou as diferentes ações que levam à manutenção das espécies nas coleções, bem como os vários tipos de contribuições que as instituições realizam em ações in situ. O questionário permitia aos curadores atualizar a lista de espécies fornecida com base na plataforma do ZIMS, bem como fornecer informação sobre as espécies para a qual a instituição contribui in situ. Esta classificação permitiu verificar as proporções de cada papel que as espécies podem assumir nas coleções, bem como em cada contribuição in situ e as respetivas sobreposições. Foi também possível analisar se o estatuto nativo e/ou de ameaça influencia o papel que as espécies têm na coleção, bem como nas contribuições in situ. Para testar a preferência dos visitantes entre espécies nativas e não nativas realizei uma experiência social no Aquário Vasco da Gama entre 14 de Novembro de 2019 e 5 de Janeiro de 2020. Foi apresentado aos visitantes um póster com três espécies de salamandras e a respetiva área de distribuição – tendo apenas uma das espécies uma área de distribuição em Portugal. As espécies escolhidas eram visualmente semelhantes e apresentavam o mesmo estatuto de conservação. Foi questionado a um visitante por grupo qual a espécie que preferiria caso o aquário pudesse ter na sua coleção e/ou pudesse contribuir para um projeto de conservação. Foi também questionada qual a razão para essa escolha. Seguidamente a experiência foi repetida, mas desta segunda vez com três espécies de relas que cumpriam os mesmos requisitos de similaridade. Para o visitante entrevistado eram por fim anotados o grupo etário, sexo, nacionalidade e país de residência, bem como a descrição do grupo composta pelo tamanho do grupo e presença de crianças. Os zoos com espécies de anfíbios nativos na coleção são uma minoria (30.8%); contudo a proporção da coleção ocupada por estas espécies está positivamente relacionada quer com a riqueza de espécies de anfíbios do país, bem como com a proporção de espécies ameaçadas na coleção. Verificou-se também que os zoos com anfíbios nativos na Europa se localizam principalmente no centro e norte do continente – tal como ocorre com a generalidade dos zoos com anfíbios. No entanto existem países que se destacam quando se compara o total de zoos com o total de instituições com espécies nativas por país: os países escandinavos e Portugal ganham relevância, ocorrendo o oposto com o Reino Unido. Identificou-se que a maioria das espécies tem mais que um papel atribuído nas coleções e que essas funções são influenciadas pelo seu estatuto de ameaça. De forma geral os anfíbios são usados para Exibição e Educação, havendo uma preferência no uso de espécies ameaçadas para Investigação, Treino de Maneio e como População de Reserva em vez de Exibição. Quanto aos dados das ações in situ, foi possível de reconhecer que a maioria das espécies é objeto de mais que uma ação e que estas contribuições são influenciadas pelo seu estatuto nativo. As ações mais comuns in situ são de Investigação e, à semelhança do que se passa ex situ, de Educação, sendo as espécies nativas preferencialmente utilizadas para Aumento Populacional em vez de Investigação quando comparadas com as não nativas. Por fim, os inquéritos no Aquário Vasco da Gama revelaram uma clara preferência dos visitantes por espécies nativas, sendo estas preferidas precisamente pelo seu estatuto nativo. Conhecer as coleções e os papéis que as espécies nelas assumem é crucial para o planeamento das coleções de parques zoológicos. As decisões são tomadas levando em consideração como maximizar os esforços para cumprir as missões de acordo com as espécies presentes, bem como com o interesse do visitante. Como o estatuto nativo pode influenciar essas decisões, é importante saber como a representatividade nas coleções, o papel da conservação e o interesse do visitante são influenciados por esse mesmo motivo.

Ano

2025-10-28T12:18:41Z

Creators

Couto, Henrique Nuno Pinto Duarte

Measuring mobility inequalities of favela residents based on mobile phone data

This study investigated the mobility patterns of favela residents based on an analysis of their daily movements derived from high-frequency mobile phone data. Daily movements were measured considering the distance traveled at different times of day over the course of more than two months. Potential trip purposes for the most frequently visited locations were inferred based on land use data from property taxes. The high volume of geocoded data from mobile phones enabled the analysis during multiple days, also covering weekends, usually not considered in traditional transport surveys. The mobile phone data indicated that, on average, favela residents go farther from home during business days and perform less out of home activities during weekends when compared with non-favela residents. Further, distinct patterns for favelas and non-favela residents were mapped, considering different geographical areas, revealing space and time mobility inequalities.

Ano

2025-10-28T12:16:21Z

Creators

Leite Rodrigues, André Giannotti, Mariana Cunha Barboza, Matheus H.C. Alves, Bianca Bianchi

Héðinsdalsjökull, northern Iceland: geomorphology recording the recent complex evolution of a glacier

The objective of this work is to conduct a detailed mapping of the Héðinsdalsjökull foreland, northern Iceland (65°39′N, 18°55′W). This cirque currently shows a variety of glacial and periglacial landforms derived from a complex deglaciation. Mapping was performed combining traditional hand-drawn and digital mapping. A hand-drawn sketch was georeferenced in ArcMap 10.7.1, supported on an aerial photograph (year 2000). Its vectorization, symbolization and final design were done in the computer-aided design (CAD) software MicroStation Connect. Complementary high-resolution Digital Surface Models were obtained from historical aerial photographs and ground-view field photographs through the application of Structure from Motion (SfM) photogrammetry. To improve the topographic expression of the geomorphological map, a photorealistic 3D view has been generated. The final map highlights the complexity of the foreland and the coexistence existence of a range of different units and landforms. The map will ease future studies on the transformation of receding glaciers.

Ano

2025-10-28T12:26:21Z

Creators

Rodríguez-Mena, Manuel Fernández-Fernández, Jose M. Tanarro, Luis M. Zamorano, José J. Palacios, David

Istmocelo : uma revisão

O istmocelo é definido como um defeito em forma de cunha no local da cicatriz uterina da cesariana. Pelo aumento da taxa de cesarianas, o istmocelo tem ganho particular relevância, o que se reflecte no número emergente de publicações sobre os factores de risco, as complicações e a respectiva abordagem desta entidade. A prevalência do istmocelo varia consideravelmente na literatura, tendo sido reportados valores entre 19% e 88%. Tanto a histerossalpingografia como a ecografia transvaginal podem ser utilizadas para o diagnóstico, sendo que a histerossalpingografia apresenta maior sensibilidade e especificidade. São necessárias normas para uniformizar o diagnóstico e minimizar a heterogeneidade estatística entre os estudos. De entre os factores de risco relacionados com a técnica cirúrgica da cesariana, o encerramento uterino com suturas em camada dupla favorece uma maior espessura miometrial residual do que suturas em camada simples, porém tal parece não ter impacto na prevalência do istmocelo. A técnica cirúrgica óptima para o encerramento uterino permanece controversa. O número de cesarianas prévias é o principal factor de risco da grávida para istmocelos de maior gravidade. Quanto às complicações do istmocelo, a evidência científica mais recente demonstra uma associação do istmocelo com a hemorragia uterina anómala, assim como com outras complicações ginecológicas como a infertilidade. As complicações obstétricas, entre as quais se destaca a rotura uterina, são há mais tempo conhecidas, raras e potencialmente fatais. A evidência actual foca-se também na correcção cirúrgica do istmocelo, que demonstra uma alta taxa de eficácia para resolução de sintomas hemorrágicos. Quando sintomático, este pode ser abordado por via histeroscópica, ou mesmo laparoscópica se a espessura endometrial residual for inferior a 2.5 mm. A abordagem transvaginal tem-se demonstrado promissora e com resultados comparáveis à laparoscopia, podendo ser uma alternativa a esta. Serão necessários mais estudos comparativos para definir a superioridade de uma técnica relativamente às restantes.

Ano

2025-10-28T12:23:27Z

Creators

Ravara, Maria Ezequiel Matias

Intra-tumour heterogeneity : going beyond genetics

Cancer patients die primarily due to disease recurrence after transient treatment responses. The emergence of therapy-resistant escape variants is fuelled by intra-tumour heterogeneity, underpinned by interference and Darwinian evolution among continuously developing sub-clones in the mutating tumour. Novel cancer cell variants build upon the pre-existing genetic landscape and tumour heterogeneity is often ascribed largely to genetic variability. While mutations are required for cancer development and studies of genetic evolution of tumours have improved our understanding of cancer biology, genetics only represents one dimension of the fitness of each cancer cell. Beyond the mutations, several non-genetic factors also add significant variability, resulting in a complex and highly dynamic tumour cell population that can drive disease under almost any condition. This viewpoint article summarizes the genetic basis of intra-tumour heterogeneity, before dissecting four major interdependent non-genetic factors we think critically contribute to the overall variability of tumour cells in all types of cancer: epigenetic regulation, cellular differentiation hierarchies, gene expression stochasticity and tumour microenvironment. We finally present the relevant technological approaches to address the combined contribution of both genetic and non-genetic factors to intra-tumour heterogeneity, focusing on genomic profiling, cellular lineage tracing and single-cell RNA sequencing technologies. This strategy will ultimately allow dissection of the full range and depth of intra-tumour heterogeneity. We thus believe that understanding how cancer genetics synergize with the emerging non-genetic factors will be key for development of therapies able to tackle tumour escape and thereby improve cancer patient survival.

Ano

2025-10-28T12:10:18Z

Creators

Caiado, Francisco Silva-Santos, Bruno Norell, Haakan

Ethnic comparison in takotsubo syndrome : novel insights from the International Takotsubo Registry

Background: Ethnic disparities have been reported in cardiovascular disease. However, ethnic disparities in takotsubo syndrome (TTS) remain elusive. This study assessed differences in clinical characteristics between Japanese and European TTS patients and determined the impact of ethnicity on in-hospital outcomes. Methods: TTS patients in Japan were enrolled from 10 hospitals and TTS patients in Europe were enrolled from 32 hospitals participating in the International Takotsubo Registry. Clinical characteristics and in-hospital outcomes were compared between Japanese and European patients. Results: A total of 503 Japanese and 1670 European patients were included. Japanese patients were older (72.6 ± 11.4 years vs. 68.0 ± 12.0 years; p < 0.001) and more likely to be male (18.5 vs. 8.4%; p < 0.001) than European TTS patients. Physical triggering factors were more common (45.5 vs. 32.0%; p < 0.001), and emotional triggers less common (17.5 vs. 31.5%; p < 0.001), in Japanese patients than in European patients. Japanese patients were more likely to experience cardiogenic shock during the acute phase (15.5 vs. 9.0%; p < 0.001) and had a higher in-hospital mortality (8.2 vs. 3.2%; p < 0.001). However, ethnicity itself did not appear to have an impact on in-hospital mortality. Machine learning approach revealed that the presence of physical stressors was the most important prognostic factor in both Japanese and European TTS patients. Conclusion: Differences in clinical characteristics and in-hospital outcomes between Japanese and European TTS patients exist. Ethnicity does not impact the outcome in TTS patients. The worse in-hospital outcome in Japanese patients, is mainly driven by the higher prevalence of physical triggers.

Ano

2025-10-28T12:14:01Z

Creators

Imori, Yoichi Kato, Ken Cammann, Victoria L. Szawan, Konrad A. Wischnewsky, Manfred Dreiding, Sara Würdinger, Michael Schönberger, Maximilian Petkova, Vanya Niederseer, David Levinson, Rena A. Ikari, Yuji Empen, Klaus Beug, Daniel Felix, Stephan B. Delmas, Clément Lairez, Olivier Yamaguchi, Tetsuo El-Battrawy, Ibrahim Akin, Ibrahim Borggrefe, Martin Carrilho-Ferreira, Pedro Horowitz, John D. Kozel, Martin Tousek, Petr Widimský, Petr Gilyarova, Ekaterina Shilova, Alexandra Gilyarov, Mikhail Neuhaus, Michael Meyer, Philippe Arroja, Jose David Pinto, Fausto J. Chan, Christina Bridgman, Paul Galuszka, Jan Poglajen, Gregor Hauck, Christian Maier, Lars S. Liu, Kan Di Mario, Carlo Paolini, Carla Bilato, Claudio Bianco, Matteo Jörg, Lucas Di Vece, Davide Rickli, Hans Winchester, David E. Ukena, Christian Böhm, Michael Bax, Jeroen J. Prasad, Abhiram Rihal, Charanjit S. Saito, Shigeru Kobayashi, Yoshio Lüscher, Thomas F. Gili, Sebastiano Ruschitzka, Frank Shimizu, Wataru Ghadri, Jelena R. Templin, Christian Seifert, Burkhardt Wakita, Masaki Suzuki, Noriko Citro, Rodolfo Bossone, Eduardo Heiner, Susanne Knorr, Maike Jansen, Thomas Münzel, Thomas D’Ascenzo, Fabrizio Franke, Jennifer Sorici-Barb, Ioana Katus, Hugo A. Sarcon, Annahita Shinbane, Jerold Napp, L. Christian Bauersachs, Johann Jaguszewski, Milosz Shiomura, Reiko Nakamura, Shunichi Takano, Hitoshi Noutsias, Michel Burgdorf, Christof Ishibashi, Iwao Himi, Toshiharu Koenig, Wolfgang Schunkert, Heribert Thiele, Holger Kherad, Behrouz Tschöpe, Carsten Pieske, Burkert M. Rajan, Lawrence Michels, Guido Pfister, Roman Mizuno, Shingo Cuneo, Alessandro Jacobshagen, Claudius Hasenfuß, Gerd Karakas, Mahir Mochizuki, Hiroki Pott, Alexander Rottbauer, Wolfgang Said, Samir M. Braun-Dullaeus, Ruediger C. Banning, Adrian Isogai, Toshiaki Kimura, Akihisa Cuculi, Florim Kobza, Richard Fischer, Thomas A. Vasankari, Tuija Airaksinen, K. E. Juhani Tomita, Yasuhiro Budnik, Monika Opolski, Grzegorz Dworakowski, Rafal MacCarthy, Philip Kaiser, Christoph Osswald, Stefan Galiuto, Leonarda Crea, Filippo Dichtl, Wolfgang Murakami, Tsutomu