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Necrose palpebral bilateral com reconstrução por matriz dérmica e enxertia cutânea
RESUMO As infeções de pele e tecidos moles constituem um grupo de patologias de elevada prevalência. A fasceíte necrotizante é a infeção rápida e destrutiva do tecido subcutâneo e fáscia superficial com elevada morbimortalidade. Mais frequente na região perineal é de ocorrência rara na região periorbitária. O relato deste caso ilustra um caso de necrose palpebral bilateral após traumatismo cranioencefálico leve com escoriações. Foi realizado tratamento clínico intensivo e desbridamento cirúrgico da área afetada. Na primeira fase da reconstrução palpebral foi usada matriz de regeneração dérmica. Este substituto cutâneo inicialmente descrito para queimaduras se reveste atualmente de grande importância em cirurgia plástica visando uma melhor e mais rápida cicatrização das feridas. Posteriormente, realizou-se a autoenxertia cutânea tendo-se obtido um bom resultado estético e funcional.
2021
PEREIRA,CARLOS MIGUEL BARRA,IRENE DAHER badaró,KERLY ABRAÃO
Poroma écrino pigmentado no couro cabeludo simulando melanoma
RESUMO Introdução: O poroma écrino é uma lesão benigna geralmente solitária e nodular, sendo frequente na palma da mão e planta do pé. Devido à sua raridade, a variante pigmentada pode facilmente ser confundida com melanoma. Relata-se caso clínico de poroma écrino pigmentado no couro cabeludo, localização considerada atípica, simulando melanoma maligno. Relato de Caso: Paciente do sexo masculino, 73 anos, fototipo IV, referia aparecimento de lesão indolor no couro cabeludo há 6 meses, associada a sangramentos esporádicos. Ao exame, apresentava-se como nódulo enegrecido com centro eritematoso, de consistência firme, medindo aproximadamente 1,5 cm de diâmetro. A dermatoscopia observou padrão vascular predominante em glóbulos. A principal hipótese diagnóstica foi de melanoma, porém o estudo histopatológico concluiu poroma écrino parcialmente pigmentado. Discussão: O porome écrino pigmentado é um tumor raro com fisiopatologia desconhecida. É considerado como um grande simulador por mimetizar clinicamente diversos tumores, benignos e malignos. Neste caso clínico, após o exame dermatológico e avaliação dermatoscópica, a principal hipótese diagnóstica era de melanoma maligno. Os poucos casos clínicos publicados com estudo dermatoscópico apresentaram história semelhante e dúvida diagnóstica, tendo sido esclarecido o diagnóstico somente após a avaliação histopatológica. Conclusão: É importante que a avaliação de lesões de pele pigmentadas seja feita tanto clinicamente quanto com dermatoscopia, usada como ferramenta que corrobora com o diagnóstico. A hipótese diagnóstica de poroma écrino deve ser considerada nos casos em que as lesões pigmentadas não tenham características melanocíticas, sendo o diagnóstico confirmado apenas após avaliação histopatológica.
2021
BARBOSA,BRUNO DE OLIVEIRA BARBOSA,ISABELLA STAMATO PIMENTA
Tumor folicular cístico, ístmico-catagênico proliferante em couro cabeludo ou tumor triquilemal proliferante: relato de caso
RESUMO Tumor triquilemal proliferante (TTP) é uma rara neoplasia que se desenvolve a partir de lesões císticas foliculares, cuja característica histológica é a presença de queratinização triquilemal. Manifestação mais comum é um nódulo solitário no couro cabeludo de mulheres idosas. Descreve-se caso de tumor triquilemal proliferante, que se apresenta como lesão tumoral cística em couro cabeludo de mulher idosa, com recidiva após remoção sem investigação diagnóstica.
2021
MARTINS,TULIO BORDIGNON,NAIARA LUIZA BARRA,IRENE DAHER
Úlcera de Marjolin em cicatriz de lesão por pressão: relato de caso
RESUMO A úlcera de Marjolin (carcinoma epidermoide) é uma condição rara que surge de uma lesão cutânea crônica. Apresentamos o caso de uma paciente que desenvolveu um carcinoma epidermoide em tecido cicatricial de uma úlcera por pressão. Depois de onze anos da cirurgia para corrigir uma úlcera por pressão no glúteo direito, a paciente desenvolveu um carcinoma epidermoide numa úlcera por pressão no glúteo esquerdo e negligenciou a afecção. Realizou-se ampla ressecção da lesão com margens livres no resultado histopatológico final. Úlcera de Marjolin é uma expressão que comumente se refere à degeneração maligna de feridas crônicas que não curaram ou curaram por segunda intenção. Com frequência se descreve como vários tipos de lesiones, incluídas as cicatrizes das úlceras por pressão. Os mecanismos patogênicos por trás da transformação maligna destas lesões ainda não foram dilucidados por completo. O diagnóstico se realiza inicialmente mediante exame clínico devido ao aspecto da lesão e se confirma por biópsia. A cirurgia é o tratamento de eleição com o fechamento do defeito com retalhos ou enxertos, dependendo de cada caso.
2021
MACHADO,ALINE FORTES FONTINELE,DANILO RAFAEL DA SILVA VIEIRA,SABAS CARLOS
“Projeto Pele Alerta”: prevenção e detecção precoce do câncer de pele direcionado a profissionais de beleza
RESUMO Introdução: O câncer de pele é a neoplasia mais incidente em vários países, incluindo o Brasil, e a sua incidência continua subindo. A detecção precoce e a prevenção primária são as principais formas de diminuir a morbidade e mortalidade. Locais como cabeça, pescoço e dorso são de difícil visualização pela própria pessoa. Há um potencial nos profissionais de beleza em detecção precoce destas lesões e encaminhamento para avaliação e conduta médica. Objetivos: Desenvolver um projeto on-line com ferramentas para educação de profissionais de beleza sobre o câncer de pele. Métodos: Baseado na literatura atual, foram formulados vídeos e material ilustrado educativos, disponíveis em um website. Resultados: O “Projeto Pele Alerta” pode ser acessado em www.projetopelealerta.com; este conta atualmente com 4 tópicos, cada qual com um vídeo (YouTube) e material de apoio em PDF. Conclusão: O projeto em questão é viável, de fácil execução e permite grande alcance na educação em relação ao câncer de pele.
2021
MACHADO,CAROLINE KROEFF HADDAD,ALESSANDRA SANTOS,IVAN DUNSHEE DE ABRANCHES OLIVEIRA FERREIRA,LYDIA MASAKO
Mamoplastia de aumento pela técnica subfascial
RESUMO Introdução: A técnica de implantação de próteses de silicone subfascial descrita por Graf, em 2003, apresenta vantagens em relação as técnicas submuscular e subglandular. Diferente das técnicas já descritas, a prótese é implantada na aponeurose do músculo peitoral, proporcionando melhores resultados estéticos e menos complicações no período pós-operatório. Objetivos: O presente estudo tem como finalidade descrever o uso do implante mamário no plano subfascial, além de analisar os índices de complicações de pacientes submetidos a este procedimento. Métodos: Estudo retrospectivo através da análise de prontuário eletrônico de 233 pacientes que realizaram mamoplastia de aumento com descolamento subfascial. Foram excluídas as pacientes que realizaram outras técnicas de implantação de próteses, mastopexia e que utilizaram tamanhos diferentes de próteses. Resultados: A maioria das pacientes optou pela incisão realizada no sulco inframamário, o tamanho das próteses sofreu aumento ao longo do período estudado e apenas uma complicação foi relatada no pós-operatório. Conclusão: A técnica subfascial vem sendo cada vez mais utilizada pelos cirurgiões plásticos por apresentar resultados estéticos satisfatórios e baixos índices de complicações, como demostrado no estudo, tornando-se uma opção diferenciada para pacientes que realizarão a mamoplastia de aumento.
2021
Sabadin,Heboni Grassi,Leonardo Silva Bodanese,Tiago Hasse,Bruna Carolina Gabardo,Bárbara Biffi
Avaliação de biomarcadores sanguíneos em ratas submetidas à colocação de implantes de silicone nanotexturizados e revestidos pela espuma de poliuretano
RESUMO Introdução: Nas últimas décadas houve uma grande evolução na superfície de revestimento dos implantes mamários, o que resultou na diminuição das complicações. No pós-operatório a inflamação é uma constante e pode ser avaliada pelo hemograma, pois é um exame rápido, barato e com alta disponibilidade. O presente estudo tem como objetivo avaliar os biomarcadores sanguíneos em ratas submetidas à colocação de mini-implantes de silicone nanotexturizados e revestidos por espuma de poliuretano. Métodos: Foram utilizadas 60 ratas Wistar divididas em dois grupos para utilização de mini-implantes nanotexturizados e revestidos com espuma de poliuretano, subdivididos em subgrupos de acordo com a eutanásia dos animais nos 30, 60 e 90 dias. No momento da eutanásia, as amostras de sangue foram obtidas por punção cardíaca e foi analisado o hemograma. Resultados: A hemoglobina, o hematócrito, a hemoglobina corpuscular média, os leucócitos, os neutrófilos, os linfócitos e as plaquetas tiveram os resultados muito semelhantes em todos os subgrupos avaliados (30, 60 e 90 dias). Entretanto, quando os diferentes subgrupos foram comparados entre si dentro de cada grupo, obteve-se resultados estatisticamente significantes na hemoglobina corpuscular média (nanotexturizado p=0,032 e poliuretano p=0,007) e nos leucócitos (nanotexturizado p=0,038 e poliuretano p=0,034). Sobre as alterações dos biomarcadores sanguíneos no pós-operatório encontrou-se anemia hipocrômica, contagem de leucócitos normais, neutrofilia, linfopenia e trombocitopenia. Conclusão: Após a colocação de mini-implantes de silicone, as ratas de ambos os grupos evoluíram com anemia hipocrômica, contagem de leucócitos normais às custas de neutrofilia e linfopenia, e trombocitopenia.
2021
SILVA,EDUARDO NASCIMENTO PONTES,GISELA HOBSON BANDEIRA,FRANCINE MARQUES KOGA,ADRIANA YURIKO FERREIRA,LYDIA MASAKO LIPINSKI,LEANDRO CAVALCANTE
Avaliação da absorção de proteínas em ratas submetidas à colocação de mini-implantes de silicone nanotexturizados e revestidos pela espuma de poliuretano
RESUMO Introdução: O controle da absorção de proteínas é necessário para a definição das propriedades dos biomateriais e de seus usos específicos. O plasma sanguíneo contém diversas proteínas diferentes, dentre elas o fibrinogênio, que apresenta importante papel na adesão celular e nos resultados de biocompatibilidade em implantes. Os objetivos deste estudo foram avaliar laboratorialmente as ratas submetidas à colocação de mini-implantes de silicone nanotexturizados e revestidos por espuma de poliuretano a partir da aferição do fibrinogênio sérico e mensuração da proteína plasmática. Métodos: Foram utilizadas 60 ratas albinas, divididas em dois grupos de 30 animais para cada tipo de mini-implante de silicone (nanotexturizado e espuma de poliuretano) e subdivididas em 3 subgrupos, conforme o tempo de eutanásia dos animais (30, 60 e 90 dias). Os mini-implantes foram inseridos no dorso dos animais abaixo do Panniculus carnosus. No momento das eutanásias, amostras de sangue foram obtidas por punção cardíaca. Utilizou-se a técnica de precipitação térmica para determinação das proteínas plasmáticas total e sérica, e o valor do fibrinogênio foi obtido mediante a diferença entre estas duas últimas. Resultados: Quando comparados os grupos entre si, observou-se que o grupo nanotexturizado apresentou uma maior quantidade de fibrinogênio e da proteína plasmática no subgrupo de 90 dias, com significância estatística (p=0,004). Ao comparar os subgrupos entre si, em ambos os grupos, evidenciou-se uma diferença significativa (p<0,001). Conclusão: Os mini-implantes nanotexturizados mostraram uma menor absorção de proteínas em relação aos implantes revestidos pela espuma de poliuretano, no subgrupo de 90 dias.
2021
SILVA,EDUARDO NASCIMENTO PONTES,GISELA HOBSON LUZ,BÁRBARA ZANON DA KOGA,ADRIANA YURIKO FERREIRA,LYDIA MASAKO LIPINSKI,LEANDRO CAVALCANTE
Análise comparativa das mastectomias e reconstruções de mama realizadas no sistema único de saúde do Brasil nos últimos 5 anos
RESUMO Introdução: O câncer de mama é a segunda neoplasia maligna mais comum em mulheres no Brasil. O grande desafio para os profissionais de saúde é conciliar a fila de espera tanto para as cirurgias oncológicas quanto para as reconstrutivas. O objetivo é avaliar o cenário dos últimos 5 anos das cirurgias de câncer de mama em comparação ao número de cirurgias reconstrutivas realizadas no mesmo período. Métodos: Trata-se de um estudo descritivo com abordagem transversal e retrospectiva sobre mastectomias, segmentectomias e reconstruções mamárias realizadas no SUS, entre os anos de 2015 e 2020. Os dados foram coletados no serviço de transferência de dados do SUS, segundo os procedimentos e códigos escolhidos e tabulados no software Microsoft Excel 365. Resultados: Foram realizadas 204.569 cirurgias de câncer de mama, sendo 57% segmentectomias/quadrantectomias e 43% mastectomias. No mesmo período, foram realizadas 17.927 cirurgias plásticas reconstrutivas de mama com implantes após mastectomia, sendo que apenas 20,52% das mulheres mastectomizadas foram submetidas à reconstrução imediata com implantes. Conclusão: O número de cirurgias reconstrutivas de mama no Brasil está bem abaixo do ideal, deixando a maioria das mulheres mastectomizadas com sequelas por um longo período de tempo.
2021
ALMEIDA,CAROLINE SILVA COSTA DE MORAIS,RAFAEL XIMENES BANDEIRA DE FRANÇA,IGOR RABELO DE CAVALCANTE,KYLDERY WENDELL MOURA SANTOS,ANDRÉ LUIZ BELÉM NEGROMONTE DOS MORAIS,BEATRIZ XIMENES BANDEIRA DE LUNA,IGOR CHAVES GOMES ANLICOARA,RAFAEL
Prevalência de mamoplastia redutora feminina no Brasil de 2015 a 2019
RESUMO Introdução: A mamoplastia redutora feminina visa restaurar o volume fisiológico das mamas em casos de hipertrofia mamária, de modo a manter a simetria e com um número mínimo de complicações. Embora tal procedimento seja usual, a literatura carece de dados epidemiológicos e descritivos acerca da cirurgia de redução de mama. Desse modo, esse estudo tem como objetivo descrever a prevalência da mamoplastia redutora no Brasil dos anos de 2015 a 2019; comparar a prevalência de mamoplastia redutora entre as regiões do Brasil de 2015-2018 com a do ano de 2019; e avaliar a relação entre a renda familiar regional e a prevalência da mamoplastia redutora feminina no país de 2015-2019. Métodos: Estudo ecológico de base populacional cujos dados foram coletados por meio do Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde e censos demográficos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Foram coletados dados de 2015 a 2019. Resultados: A prevalência de mamoplastia redutora no Brasil no ano de 2019 foi de 0.08%, enquanto que nos anos de 2015 a 2018, essa prevalência foi de 0.07%. Não houve diferença estatisticamente significante quando comparadas as prevalências regionais dos anos de 2015 a 2018 com a prevalência de 2019. As prevalências de mamoplastia redutora nas regiões do Brasil de 2015-2019 apresentaram correlação positiva moderada com renda domiciliar média per capita. Conclusão: A prevalência de mamoplastia redutora feminina no Brasil apresenta uma tendência de estabilidade temporal ao longo dos anos de 2015-2019 e-m âmbito nacional e regional. Sugere-se uma correlação positiva entre a renda familiar per capita regional e a prevalência desse procedimento.
2021
SIERVI,MARIA EDUARDA BARRETO DE SILVA,THAÍLLA SOUZA DA VIEIRA,DIOGO MACIEL LOBÃO CAMPOS,HUMBERTO
Análise retrospectiva dos efeitos da radioterapia sobre as aréolas reconstruídas com enxerto de pele total
RESUMO Introdução: O câncer de mama aumentou progressivamente nos últimos anos e com isso a necessidade de diagnóstico e tratamento mais precoce também aumentaram. Atualmente, no Brasil, o câncer de mama corresponde há 29,7% dos casos de câncer nas mulheres. A reconstrução do complexo areolopapilar (CAP) tem sido foco de maior atenção devido à busca pela simetria e naturalidade, sendo a etapa final de todo esse processo. O objetivo é avaliar a manutenção do tamanho, contorno, coloração, simetria e mudança de formato do CAP reconstruído após mastectomias associadas à radioterapia. Métodos: Foi realizado um estudo retrospectivo analisando a evolução das aréolas reconstruídas, após mastectomia total associada ao tratamento adjuvante com radioterapia. Dois grupos foram selecionados: grupo 1 (reconstrução unilateral) e grupo 2 (reconstrução bilateral). Foram realizadas comparações entre aréola do CAP reconstruído, grupo 1, com a do CAP contralateral e no grupo 2, entre as duas aréolas reconstruídas. Resultados: Após inclusão de 56 paciente no estudo, foi totalizando 71 complexos areolares reconstruídos. A simetria foi classificada como boa em 77,46% de todos os casos (p=0,706). 25 reconstruções realizadas em áreas sob efeito da radioterapia e apenas 9 casos apresentaram diminuição do tamanho da aréola (p=0,050), evoluindo com uma assimetria em 8 casos, sendo 4 em região de radioterapia (p=0,706). O contorno areolar apresentou uma similaridade entre casos tratados com radioterapia e não tratados (p=0,918). Conclusão: A radioterapia adjuvante se mostrou como um fator predisponente para as alterações que possam surgir no transcorrer do pós-operatório de reconstrução do complexo areolopapilar, conforme a análise estatística.
2021
CAMMAROTA,MARCELA CAETANO DAMASIO,ANDERSON DE AZEVEDO SILVA,SUELLEN VIEIRA DA COSTA,RAFAEL SABINO CAETANO CASTRO,CAROLINA OLIVEIRA PARANAGUA AQUINO FILHO,TRISTÃO MAURÍCIO DE THEODORO,PHABIO CLAUDINO ESTRELA TERRA DAHER,JOSÉ CARLOS
Efeito do tratamento com antileucotrieno em contratura capsular: estudo experimental
RESUMO Introdução: 40% dos pacientes submetidos à radioterapia após reconstrução de mama por implante de prótese de silicone podem desenvolver encapsulamento da prótese. Diversas estratégias já foram testadas para prevenir a contratura da cápsula com resultados insatisfatórios. Este estudo analisou o efeito do antileucotrieno (AL) tópico na formação de contratura capsular em ratos com implantes de silicone associados à irradiação. Métodos: Foram implantados blocos de silicone na região dorsal em 20 ratas fêmeas, espécie Wistar com peso variando de 200-250g. Os animais foram divididos em dois grupos: controle (injeção de solução fisiológica 0,9% no tecido ao redor do implante) e grupo intervenção (injeção de 10mg de AL no tecido ao redor do implante). Imediatamente após a cirurgia os animais foram irradiados com dose única de 10Gy. Após dois meses, coletamos amostras de cápsulas para análise histológica e análise da expressão gênica dos seguintes biomarcadores: iNOS, VEGF-a e MMP-9. Resultados: A densidade vascular foi menor no grupo AL quando comparado ao grupo controle (55,4±30,0 vs. 81,8±26,7, p=0,05, respectivamente). Da mesma forma, o VEGF-a teve o mesmo comportamento (grupo controle - 0,34±0,1 vs. grupo Al - 0,02±0,001, p=0,04). Conclusão: Este estudo sugeriu que o tratamento com AL diminui a angiogênese em animais submetidos a implantes de silicone e submetidos à radioterapia
2021
CAMARGO,CRISTINA PIRES CARVALHO,HELOISA ANDRADE KUBRUSLY,MARCIA SALDANHA MEDEIROS,SOFIA AMARAL BESTEIRO,JULIO MORAIS GEMPERLI,ROLF
Blefaroplastia ampliada: tratando os dois terços superiores da face
RESUMO Introdução: Os pacientes podem apresentar sinais de envelhecimento facial ainda em fases iniciais da vida, quando procedimentos cirúrgicos complexos não são procurados, especialmente se resultarem em cicatrizes maiores. Estes sinais devem ser detectados e tratados adequadamente para um rejuvenescimento eficaz. Métodos: Nos últimos 23 anos, 338 pacientes foram submetidos à blefaroplastia superior associada à elevação transpalpebral das sobrancelhas e miectomias dos corrugadores. Eles também receberam um lifting médio-facial através de uma incisão de blefaroplastia inferior, com descolamento dos ligamentos retentores orbitais e reposicionamento de um extenso retalho do músculo orbicular em direção superolateral. Cantopexia foi realizada rotineiramente. Resultados: O rejuvenescimento simultâneo dos dois terços superiores da face é realizado através de incisões simples de blefaroplastia e essa sistematização não é encontrada na literatura atual. Os pacientes ficaram satisfeitos com os resultados e a cantopexia de rotina efetivamente preveniu defeitos de posicionamento da pálpebra inferior. As complicações mais comuns foram parestesia temporária (regiões frontal e escalpo) e quemose nos aspectos lateral e inferior da conjuntiva. Em uma revisão retrospectiva de 139 procedimentos realizados entre 2010 e 2019, scleral show temporário foi observado em 15 casos (10,8%) e um leve ectrópio em 1 caso (0,72%), tratados de forma conservadora. Dois casos de quemose (1,44%) e um hematoma (0,72%) necessitaram de tratamento cirúrgico. Conclusão: A blefaroplastia ampliada é segura, permite a visão direta das estruturas periorbitais manipuladas, não requer treinamento longo ou instrumental caro. Os autores alcançam resultados estéticos que impressionam pelo rejuvenescimento dos 2/3 superiores da face e pelo efeito duradouro.
2021
CHIARI JÚNIOR,ARMANDO RODRIGUES-FILHO,SERGIO ANTONIO SALDANHA
Análise dos resultados do tratamento cirúrgico utilizando o retalho sural
RESUMO Introdução: Fraturas complexas e extensas lesões de pele estão cada vez mais comuns devido aos traumas de alta energia. Uma alternativa para o tratamento dessas lesões nos membros inferiores é a utilização do retalho sural. Métodos: Esse foi um estudo retrospectivo, analítico-descritivo de análise exploratória documental de pacientes submetidos ao retalho sural em um hospital de referência em trauma do norte de Santa Catarina, Brasil. Foram analisados a idade, sexo, lateralidade, causa, local e tamanho da lesão, uso de tunelização e enxerto de pele, complicações e seus fatores de risco, além do manejo de tais complicações. Resultados: A amostra do estudo foi composta por 16 pacientes, com média de idade de 44,4 anos, 87,5% eram do sexo masculino. A causa da lesão mais prevalente foi trauma (75,0%) e o local da lesão foi mais prevalente na tíbia distal (43,8%). Em 50,0% dos casos os fatores de risco para as complicações estavam presentes, sendo que pacientes com diabetes mellitus e tabagistas exibiram 5 vezes mais chances de apresentar tais complicações. Necrose parcial teve uma prevalência de 25,0%, sendo que em 18,8% foi realizado apenas debridamento e em 6,3% enxertia. Conclusão: O retalho sural é uma boa alternativa para a cobertura de lesões dos membros inferiores devido ao bom índice de sucesso, mas não está livre de complicações. Tais complicações são mais prevalentes em pacientes que possuem fatores de risco como o tabagismo e diabetes mellitus.
2021
BOSSE,PEDRO SIMÃO AYZEMBERG,HENRIQUE STANGARLIN,TIAGO SALATI BOSSE,TAMARA SIMÃO
Impacto da pandemia do vírus COVID-19 nas internações para tratamento de câncer de pele no Brasil
RESUMO Introdução: A infecção pelo vírus COVID-19 é um impacto severo à saúde no ano de 2020. A repercussão direta é facilmente mensurada através de suas taxas de morbidade e mortalidade. Sua repercussão indireta na saúde ainda é pouco mensurada e este é o objetivo deste estudo. Métodos: Determinar os números de internações para tratamentos gerais, para tratamento de neoplasias e para câncer de pele malignos no SUS, de 2008 a 2020, no departamento de informática do SUS. Resultados: O paralelismo dos dados referentes aos três grupos acima selecionados permitiu observar uma redução drástica no número de internações no SUS entre os mesmos meses de 2019 e 2020: queda de 10,60% nas internações gerais, 58,65% nas internações por neoplasia e 156% nas internações por câncer de pele maligno. A redução agravou-se gradativamente no ano de 2020 a partir do mês de janeiro. No mês de junho de 2020, os números de internações para tratamento de câncer de pele refletem valores de 12 anos atrás. Conclusão: O acompanhamento da série histórica de internações no SUS fornece um valor palpável que serve como base para se compreender o direcionamento das medidas de saúde. As implicações indiretas da COVID-19 podem ter um desfecho tão trágico quanto a sua mortalidade, pois repercutem na disponibilidade de serviços de saúde especializados. Serviços de grande especialização como o tratamento de câncer em caráter hospitalar atendem casos complexos e sua indisponibilidade pode refletir em aumento de mortalidade por estas causas - um impacto indireto da COVID-19.
2021
VILELA,ISABELLA DE FÁTIMA CARVALHO,THIAGO ROBERTO WINTER DE SILVA,LEONEL RIBEIRO TEÓFILO,LETÍCIA ALVES MARTUSCELLI,OSÍRIS JOSÉ DUTRA SILVA,DIEGO FILIPE DA RODRIGUE,DOUGLAS SILVA ANDRADE,PAMELLA COSTA
HIV, cirurgia plástica e Brasil: uma revisão narrativa
RESUMO Introdução: O Brasil apresenta um dos melhores programas de combate ao HIV do mundo e uma das características dessa abordagem é a multidisciplinaridade, onde a cirurgia plástica está envolvida. Objetivo: Realizar uma revisão não sistemática do que já foi publicado sobre HIV por cirurgiões plásticos brasileiros, analisando os principais temas estudados. Métodos: Pesquisas no PubMED, EMBASE, MEDLINE, LILACS, SciELO, Revista Brasileira de Cirurgia Plástica com os seguintes termos: “plastic surgery HIV”, “plastic surgery AIDS”, “HIV cirurgia plástica”, “AIDS cirurgia plástica”, “HIV” e “AIDS. Resultados: No total encontramos 862 artigos e após selecionar os escritos por cirurgiões plástico brasileiros, chegamos a um número final de 15, produzidos por 10 instituições de 5 estados brasileiros. O tema mais abordado foi lipodistrofia em 13 publicações. Discussão: Dos artigos selecionados, fica clara a concentração na região Sudeste. O tema mais abordado foi a lipodistrofia e os artigos sobre este foram publicados posteriores à Portaria GM/MS 2582. Áreas como neoplasia cutânea, genética e cirurgia para mudança de sexo não foram alvos de publicações, embora em outros países já haja conteúdo relacionado a HIV e cirurgia plástica produzido. Conclusão: Apesar de publicações de qualidade ainda há áreas em que a pesquisa da cirurgia plástica brasileira necessita explorar em relação ao HIV/AIDS.
2021
SECANHO,MURILO SGARBI MENEZES NETO,BALDUINO FERREIRA DE CARVALHO,LAISA BRANDÃO DE-OLIVEIRA,ANA BEATRIZ PEDROSO MACIEL CHEQUIM,MERIMAR MARIA SILVA,ISABELLA DALSICO PALHARES,ARISTIDES AUGUSTO
Bases genômicas do carcinoma basocelular não sindrômico: revisão da literatura
RESUMO Introdução: As neoplasias cutâneas não melanoma representam o tipo mais frequente em ambos os sexos no mundo, sendo o carcinoma basocelular o mais prevalente, representando de 75 a 80% dos casos. No Brasil, o número de casos novos esperados para o triênio 2020-2022, será de 83.770 em homens e 93.160 em mulheres, correspondendo a um risco estimado de 80,12 casos novos para 100 mil homens e de 86,65 casos novos para 100 mil mulheres. Este dado demonstra a grande importância do conhecimento genômico na gênese do carcinoma basocelular esporádico. Objetivo: Descrever os principais genes e marcadores moleculares envolvidos na predisposição e na patogênese do carcinoma basocelular não sindrômico. Métodos: Revisão da literatura nas principais bases de dados NCBI-GTR, ClinVar, ClinGen, MedGen, OMIM e GeneReviews , utilizando como descritores: “BCC” e “ basal cell carcinoma ”. Critérios de inclusão: língua portuguesa ou inglesa, artigos sobre CBC esporádico. Resultados: Foram selecionados treze artigos para análise. A análise revelou uma robusta ligação da via hedgehog na gênese do carcinoma basocelular esporádico, com os principais genes envolvidos representados por PATCH1, PATCH2 e smoothened . As variantes com maior significância clínica foram SMO-M2, PTCH1 e PTCH2-∆22. A mutação mais encontrada fora a relacionada à ação do UVB, sendo representada pela substituição de C>T ou CC>TT no sítio das pirimidinas, tanto no PTCH, quanto no SMO. Conclusão: Extremamente importante aos profissionais que atuam no diagnóstico e tratamento do CBC, dentre os quais os cirurgiões plásticos, pois assim poderão melhor conduzir seus casos, com diagnósticos mais precisos e condutas de prevenção baseadas na suscetibilidade individual de cada paciente, bem como terapêuticas direcionadas e individualizadas com melhores taxas de sucesso.
2021
REAL,DANIEL SUNDFELD SPIGA
Anestesia regional guiada por ultrassom em cirurgias plásticas estéticas das mamas
RESUMO A cirurgia de aumento primário de mamas ocupa o topo do ranking dos procedimentos estéticos mais realizado entre as mulheres. Na população masculina, outra cirurgia mamária ocupa lugar de destaque: a ginecomastia. A anestesia regional para as cirurgias plásticas faz parte de uma estratégia de analgesia multimodal que pode reduzir custos, diminuir a hospitalização e a dor no período pós-operatório. O objetivo deste trabalho é revisar e comparar as técnicas de anestesia regional guiadas por ultrassom mais utilizadas para analgesia perioperatória nas cirurgias plásticas estéticas das mamas. Foi realizada a revisão de estudos clínicos que investigaram a associação dos bloqueios anestésicos regionais guiados por ultrassom com cirurgias plásticas estéticas das mamas nos últimos 5 anos na base de dados MEDLINE/PubMed. Foram selecionados 14 artigos para revisão. As técnicas de anestesia regional guiada por ultrassom mais frequentemente relatadas foram o bloqueio paravertebral (BPV), os bloqueios interfasciais (PECS 1 e PECS 2), bloqueio do plano do serrátil (BPS) e bloqueio intercostal (BI). O menor consumo de opioides e melhor controle álgico pós-operatório foi associado ao BPV, PECS 1 e PECS 2 e BPS. O BPV apresentou maior incidência de complicações e os PECS 1 e PECS 2 mostraram-se de execução mais fácil. Os bloqueios interfasciais (PECS 1 e PECS 2) se mostraram mais seguros e de fácil execução nas cirurgias plásticas estéticas das mamas do que as outras modalidades de bloqueios. Promovem diminuição do uso de opioides e seus efeitos colaterais, redução no tempo de internação e na recuperação no pós-operatório.
2021
Faustino,Leandro Dário Oliveira,Laís Martins Lucas
Desconforto mamário após mamoplastia de aumento: relato de caso
RESUMO A mamoplastia com próteses é uma das cirurgias plásticas mais realizadas no mundo. O processo cicatricial ao redor do implante e a presença de um biofilme pode acarretar o desenvolvimento de patologias como contratura capsular e seroma. Essas patologias parecem estar relacionadas fisiopatologicamente com o desenvolvimento do linfoma associado aos implantes mamários (BIA-ALCL), sendo este também um diagnóstico diferencial. A proposta deste trabalho é relatar o caso de uma paciente com desconforto mamário, que após 2 cirurgias prévias para drenagem de seroma e troca de próteses, apresentava desconforto mamário e alteração em exames de imagens da mama esquerda. Sendo submetida a uma capsulectomia em bloco da mama esquerda e completa à direita, tendo suas próteses substituídas. Os exames para investigação de BIA-ALCL foram negativos e os achados patológicos foram sugestivos de contratura capsular à esquerda e formação de dupla cápsula à direita. O trabalho enfatiza a importância do diagnóstico diferencial em patologias mamárias, o acompanhamento a longo prazo e medidas de profilaxia na formação do biofilme.
2021
RECHIA,GIANCARLO CERVO AITA,VERÔNICA HAMANN
Tratamento exitoso de pioderma gangrenoso após mamoplastia redutora: relato de caso
RESUMO Introdução: O pioderma gangrenoso é uma doença inflamatória rara caracterizada pela presença de lesões ulceradas. A etiologia é desconhecida, mas aparentemente relaciona-se com fatores imunológicos. Os autores relatam um caso de pioderma gangrenoso no pós-operatório de uma mamoplastia redutora, o tratamento e a importância do diagnóstico precoce para obtenção de um bom resultado estético. Métodos: Trata-se de uma paciente de 18 anos que desenvolveu pioderma gangrenoso após uma mamoplastia redutora. Os sintomas iniciais foram a formação de bolhas de coloração violácea e lesões ulceradas em ambas mamas. Suspeitou-se a doença e a paciente foi tratada prontamente com prednisolona. Foram realizadas culturas, biópsias e exames sanguíneos. Realizou-se terapia hiperbárica e suporte nutricional. Foram realizados curativos diários com fator de crescimento epidérmico. Após 60 dias de acompanhamento foi possível conseguir uma cicatrização adequada da feridas e bons resultados estéticos. Resultados: O diagnóstico precoce associado a uma terapia sistêmica imunossupressora e cuidados locais rigorosos foram fundamentais para a estabilização da doença. A associação com terapia hiperbárica e o suporte nutricional contribuíram para a epitelização das lesões e o controle do quadro clínico. A aproximação das bordas da ferida com sutura subdérmica e posterior sutura intradérmica foram possíveis devido à recuperação da derme e estabilização da doença. Conclusão: O diagnóstico precoce de pioderma gangrenoso é fundamental para conseguir a estabilização da doença. É possível atingir bons resultados estéticos baseados em 4 elementos: corticoide sistêmico precoce, curativos locais diários com fator de crescimento epidérmico, suporte nutricional e terapia hiperbárica.
2021
PONTES,GISELA HOBSON MENDES-CARNEIRO-FILHO,FERNANDO SERGIO GUERRERO,LUIS ALEJANDRO VARGAS