RCAAP Repository
Indicações da punção liquórica nos portadores de sífilis
O crescimento recente da incidência da sífilis, principalmente nos últimos 15 anos com a emergência da AIDS, parece conduzir ao aumento dos casos atípicos observados na prática médica diária. A freqüência da co-infecção HIV/sífilis entre homossexuais masculinos em grandes centros urbanos varia entre 20 e 70%; nesses casos, com úlceras persistentes e rápida progressão para os estádios mais tardios. Dentre as complicações mais graves da doença não tratada ou mal conduzida encontra-se a neurolues, que pode produzir manifestações neurológicas e psiquiátricas variadas, por vezes incapacitantes. O diagnóstico pode ser feito pela punção liquórica, pela qual se avaliam a celularidade, as proteínas e se realizam testes treponêmicos e não-treponêmicos. O exame do LCR deveria ser realizado em todos os doentes com sorologia positiva para sífilis, ou doença neuropsiquiátrica, ou oftálmica, ou terciária, ou naqueles em que a terapia falhou e nos doentes infectados pelo HIV com sífilis latente ou de duração ignorada. Entretanto, a neurolues é improvável quando o VDRL sérico estiver negativo. Nesses casos, a punção do liquor não é recomendada. Há razoável certeza quando houver síndrome neuropsiquiátrica associada com VDRL liquórico positivo.
2006
Nadal,Luis Roberto Manzione Nadal,Sidney Roberto
Variabilidade interobservador no diagnóstico histológico dos pólipos colorretais
O manejo clínico dos pacientes com pólipos colorretais é principalmente baseado na histologia das lesões removidas. Em conseqüência, o diagnóstico histológico tem um papel muito importante na decisão terapêutica e a uniformidade de interpretação dos diferentes laudos de patologia é essencial. Apesar destas relevantes implicações, poucos estudos existem avaliando a variabilidade interobservador na elucidação dessa doença e a concordância não é considerada satisfatória. OBJETIVO: avaliar a variabilidade interobservador no diagnóstico histológico dos pólipos colorretais. METODOLOGIA: foram avaliados 230 pólipos colorretais no Serviço de Patologia do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA). Quatro patologistas examinaram todas as lâminas de forma independente e "cega", ou seja, sem conhecimento do diagnóstico elaborado pelo seu colega. As lesões colorretais foram classificadas em relação ao diagnóstico: pólipo e carcinoma invasivo e quanto ao tipo de pólipo: adenomatoso versus hiperplásico. Nos adenomas foram avaliados o tipo histológico (tubular, túbulo-viloso e viloso) e o grau de displasia (baixo e alto grau). RESULTADOS: o Kappa médio, em relação ao tipo de lesão, foi de 0,794, considerado moderado. Quanto ao tipo de pólipo, o Kappa médio foi 0,852, ou seja, uma ótima concordância. Em relação aos adenomas, no que se refere ao tipo histológico, obteve-se um Kappa médio, fraco de 0,291, e na avaliação do grau de displasia o Kappa médio foi regular com valor de 0,420. CONCLUSÃO: o índice de concordância, entre os quatro observadores foi considerado de moderado a ótimo no tipo de lesão e de pólipo, porém a variabilidade foi grande na avaliação dos adenomas, tanto no que concerne ao tipo histológico quanto ao grau de displasia com um Kappa de fraco a regular.
2007
Cerato,Marlise Mello Cerato,Nilo Luiz Meurer,Luise Edelweissa,Maria Isabel Pütten,Antônio Carlos Golbspan,Liane
Perfil do paciente ostomizado e complicações relacionadas ao estoma
OBJETIVO: elaborar o perfil dos pacientes ostomizados e as complicações relacionadas ao estoma. MATERIAL E MÉTODO: estudo retrospectivo em que foram analisados prontuários dos pacientes cadastrados no Programa de Ostomizados do Centro de Especialidades Médicas da Prefeitura Municipal de Campo Grande-MS. RESULTADOS: foram avaliados 178 prontuários (56.7% homens e 43.3% mulheres). A média de idade entre os pacientes foi de 46.8 anos para o sexo masculino e de 54.6 anos para os do sexo feminino. Dentre as ostomias, foram encontradas 152 colostomias (85.4%), 21 ileostomias (11.8%) e 5 urostomias (2.8%). O principal motivo para confecção dos estomas foi a neoplasia maligna (46.6%), seguido do trauma abdominal (7.3%), e do desvio de trânsito intestinal devido a úlceras de pressão (6.7%). Adaptação inadequada da placa ao estoma foi encontrada em 90 pacientes (50.6%). Complicações do estoma foram encontradas em 103 pacientes (57.9%), dentre elas, dermatite peri-estomal (28.7%), estoma plano (18.6%), hérnia para-colostômica (10.7%) e retração do estoma (10.1%). CONCLUSÕES: No grupo estudado, o principal motivo para a confecção de ostomia foi a neoplasia de retossigmóide e canal anal. A complicação mais comum foi a dermatite peri-estomal.
2007
Santos,Carlos Henrique Marques dos Bezerra,Marcelo Matos Bezerra,Fernando Márcio Matos Paraguassú,Bianca Rahal
Câncer de cólon: como diagnosticá-lo? Trabalho prospectivo
OBJETIVO: Analisar o perfil clínico de portadores de câncer colorretal (CCR). MÉTODOS: Estudo prospectivo com 390 pacientes submetidos a colonoscopia. 152 assintomáticos Grupo A (G-A) e 238 sintomáticos com CCR Grupo B (G-B). Analisamos história familiar (HF), sintomas, Índice de massa Corpórea (IMC), localização do tumor e histopatologia. P<0,05 foi considerado significativo. RESULTADOS: Média de idade, 62+/-9 G-A e 61+/-13 G-B, P>0,05. HF positiva em 79 (31%) com CCR, contra 34 (32%) sem câncer, P>0,05. IMC no G-A foi 25+/-4 contra 27+/-4 no G-B P>0,05. No G-A 9 (5,9%) tiveram CCR. Câncer superficial em 1 (11%) no G-A contra 21 (8,8%) no G-B, P>0,05. Câncer em cólon esquerdo em 6 (66%) no G-A contra 168 (69%) no G-B, P>0,05. Alteração do hábito intestinal com sangue, cólon esquerdo 56 (60%) contra 13 (31%) no direito P<0,01. Emagrecimento com anemia mais freqüentes em tumor de cólon direito quando comparado com esquerdo, 30 (44%) versus 31 (17%) e 36 (46%) versus 15 (8%) p<0,01. Sintomas há mais de 6 meses em 157 (63%) Adenocarcinoma moderadamente diferenciado em 166 (67%), bem diferenciado em 63 (25%) e pouco diferenciado em 18 (7%). CONCLUSÕES: O perfil de risco para CCR precisa ser aprimorado.
2007
Silva,Edson Jurado da Freire,Daniel Souza,Yeda de Almeida,Eleodoro
Indicações e achados das colonoscopias nos doentes HIV-positivo: comparação com soronegativos
Embora as indicações da colonoscopia sejam semelhantes em doentes HIV-positivo, quando comparados aos soronegativos, os achados e as suas incidências parecem diferir, sendo alguns deles mais específicos para o grupo dos imunodeprimidos. OBJETIVO: Avaliar as indicações e os achados das colonoscopias comparando os doentes soropositivos com os soronegativos para o HIV. Realizamos 1909 exames entre 1997 e 2005, sendo 1341 HIV-negativo (771 mulheres e 570 homens com média etária de 51,2 anos) e 568 HIV-positivo (137 mulheres e 431 homens com 34,4 anos, em média). A análise estatística dos dados estudados revelou haver mais exames em homens no grupo HIV-positivo e em mulheres entre os soronegativos. O grupo mais jovem foi o dos soropositivos. Houve mais indicações devidas a enterorragia (22,1%) e dor abdominal (12,7%) nos pacientes soronegativos, e diarréia crônica (45,9%) entre os soropositivos. As colites e os tumores foram os achados mais comuns em pacientes HIV-positivo e a moléstia diverticular e os pólipos, os mais freqüentes entre os soronegativos. O tumor predominante nos soronegativos foi o adenocarcinoma, enquanto que entre os soropositivos foi o sarcoma de Kaposi. CONCLUSÃO: A comparação entre os grupos demonstrou haver diferenças com relação ao sexo, idade e algumas indicações. Os achados foram semelhantes, embora com freqüências distintas.
2007
Manzione,Carmen Ruth Nadal,Sidney Roberto Manzione,Thiago da Silveira Fernanda Ribeiro,Ito
Fatores de risco para as complicações após apendicectomias em adultos
OBJETIVO: Definir os fatores de risco para as complicações após as apendicectomias em adultos. INTRODUÇÃO: os fatores de risco que levam as complicações após as apendicectomias são ainda pouco conhecidos. Sua definição pré-operatória é importante na diminuição da morbi-mortalidade pós-operatória. MÉTODOS: Estudo retrospectivo de 500 pacientes submetidos à apendicectomia no Hospital Regional da Asa Norte entre os anos de 2003 e 2004. Estes foram avaliados quanto à idade, sexo, duração dos sintomas até a procura por assistência médica, presença de febre, características da dor abdominal, hemograma, tempo de admissão até a operação, co-morbidades, incisões utilizadas nas operações, achados operatórios, utilização de drenos, complicações pós-operatórias e dias de internação hospitalar. Foram utilizadas análises de regressões logísticas para predizer e quantificar os fatores de risco para as complicações após as operações. RESULTADOS: As chances de complicações foram maiores no gênero feminino (OR=1,97, 95%, IC-1,19-3,13), na apendicite perfurada (OR=4,67, 95%, IC-2,43-8,94), na apendicite sem perfuração (OR=3,32, 95%, IC-1,72-6,38), naqueles pacientes submetidos à drenagem abdominal (OR=17,54, 95%,IC-4,83-63,77) ou com ASA II (OR=1,53, 95%, IC 2,52-15,89). As infecções do sítio cirúrgico e os abscessos intra-abdominais foram os principais fatores de morbidade. A mortalidade foi nula. CONCLUSÕES: A análise de regressão logística multivariável demonstrou que o gênero, a necrose apendicular, a drenagem da cavidade abdominal e a classificação de ASA contribuíram para o aumento das complicações pós-operatórias dos pacientes submetidos às apendicectomias.
2007
Silva,Silvana Marques e Almeida,Soraia Barroso de Lima,Olímpia Alves Teixeira Guimarães,Gabriel Magalhães Nunes Silva,Ana Carolina Costa da Soares,Aloísio Fernando
Avaliação da analgesia pós-operatória em pacientes submetidos à cirurgia orificial com anestesia local associada ou não à morfina
Ainda não esta comprovada a eficácia dos derivados morfínicos ao nível de receptores opióides periféricos. Estudos procuram demonstrar o poder da droga em interferir na intensidade da dor quando infiltrada em nervos periféricos. Avaliamos, então, a infiltração local de morfina associada à anestesia local em cirurgias orificiais proctológicas. Nesse estudo foram analisados 61 pacientes, independentemente do gênero, sendo divididos aleatoriamente em dois grupos: a um grupo foi associada morfina ao anestésico local enquanto ao outro houve a administração do anestésico local sem a droga morfínica. Os pacientes de ambos os grupos foram submetidos à sedação e analgesia pós-operatória padronizadas. Foram avaliados: a intensidade da dor, a analgesia pós-operatória e a morbidade. A intensidade da dor, no momento de seu surgimento, foi semelhante nos dois grupos; o tempo de analgesia pós-operatória foi maior no grupo em que a morfina foi administrada, entretanto, não se mostrou estatisticamente significativo; as complicações pós-operatórias foram irrelevantes nos dois grupos. Dessa forma, a infiltração local de morfina na região anorretal tem benefícios em relação à analgesia pós-operatória que não mostraram significância estatística e não aumenta a incidência dos efeitos colaterais tão temidos relacionados às drogas morfínicas como retenção urinária e prurido.
2007
Torres Neto,Juvenal da Rocha Menezes,Daniel Carvalho de Prudente,Ana Carolina Lisboa Almeida,Joara Costa Menezes,Jorge Gontran Torres de
Complicações pós-operatórias cirúrgicas da hemorroidectomia: revisão de 76 casos de complicações
Dos 34.000 pacientes coloproctológicos foi feito o diagnóstico de doença hemorroidiana, como doença coloproctológica principal em 9.289 pacientes (27,3%), dos quais 2.417 (26,0%) foram submetidos à hemorroidectomia. A finalidade deste trabalho é analisar estes 76 casos de complicações à luz da idade e sexo dos pacientes e das técnicas cirúrgicas que a elas deram origens, bem como a abordagem de cada tipo de complicação, comparando os resultados com outros similares da literatura. A grande maioria dos pacientes (2.014 casos, 83,3%) foi submetida à técnica aberta, seguindo-se a técnica fechada (232 casos, 9,6%) e a mista (171 casos, 7,1%), resultando 76 complicações (3,1%), principalmente estenose anal cirúrgica (44 casos, 1,8%), hemorragia grave (21 casos, 0,9%), seguindo-se agravamento da incontinência fecal e sepse anal grave (5 casos de cada, 0,2%) e complicações clínicas graves (0,1%), sem óbitos. A análise dos dados da série de pacientes permitiu as seguintes conclusões. A estenose anal foi mais comum na quarta década (18 casos, 2,6%), com hipertonia esfincteriana (70,0%, 21 casos), de forma anular (70,4%, 31 casos), entre 11 e 30 dias de pós-operatório (61,5%, 27 casos), 31,8% (14 casos) sendo abordada por anotomia simples e excisão de área de fibrose e anoplastia com retalho cutâneo em "V" (7 casos, 15,9%). A hemorragia grave foi mais comum na terceira década (6 casos, 1,2%), todos os pacientes foram submetidos à ligadura e transfixação de pedículo. Dos 5 casos de agravamento da incontinência fecal somente 2 pacientes (40,0%) foram submetidos à esfincteroplastia "em jaquetão"; todos os 3 casos de sepse anal grave foram submetidos à drenagem e desbridamentos; e todas as 3 complicações clínicas graves foram abordadas clinicamente.
2007
Cruz,Geraldo Magela Gomes da Santana,Sandra Kely Alves de Almeida Santana,Jorge Luiz Ferreira,Renata Magali Ribeiro Silluzio Neves,Peterson Martins Faria,Marina Neves Zerbini de
Reprodutibilidade de laudos de uma mesma manometria segundo diferentes examinadores
INTRODUÇÃO: A manometria anal é um método para estudo do esfíncter anal, incluindo os músculos esfíncter anal interno e externo responsáveis pelas pressões de repouso e contração. MÉTODO: estudo retrospectivo através da análise de exames de manometria anal de 10 pacientes com diagnóstico de constipação atendidos no ambulatório de Fisiologia Anal do Serviço de Coloproctologia da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo no período de janeiro de 2004 a julho de 2004. Todos os exames foram analisados por 3 diferentes examinadores sendo um preceptor em fisiologia anal, um médico em aprendizado recente e um médico residente em treinamento e cada um fornece um laudo para cada exame. RESULTADO: os examinadores são diferentes estatisticamente na avaliação da pressão de contração e de evacuação. Em algumas situações o examinador 1 é diferente dos outros examinadores e em uma situação o examinador 3 é diferente dos demais. Não houve diferença em relação aos laudos de presença de anismus, comprimento do canal anal, falha esfincteriana e laudo final do exame. CONCLUSÃO: diferenças estatísticas foram observadas entre os examinadores, porém, estas diferenças não modificaram o laudo final do exame. Seu resultado final não é influenciado pela reprodução do mesmo por diferentes profissionais.
2007
Cesar,Maria Auxiliadora Prolungatti Klug,Wilmar Artur Capelhuchnick,Peretz Ortiz,Jorge Alberto Mantovani,Anandréa Piva Antunes,Carlos André de Barros Souza,Ruy Charles Cardoso de Vasconcelos,Cyntia Daniela Resende de
Efeito da drenagem abdominal na cicatrização de anastomoses colônicas: estudo experimental em ratos
A deiscência de anastomose é uma complicação importante nas cirurgias do aparelho digestivo. Vários fatores podem prejudicar o processo de cicatrização, entre eles, a presença de drenos na cavidade. O objetivo deste estudo foi avaliar a interferência da drenagem abdominal na cicatrização de anastomoses colônicas, em ratos. Quarenta ratos que foram distribuídos em 4 grupos, sendo submetidos à ressecção de segmento do colón, com anastomose local. Um grupo foi controle e nos demais foram colocados drenos de Látex, PVC e Silicone, respectivamente. O sacrifício ocorreu após 1 semana, quando foram avaliados os aspectos da cavidade abdominal (peritonite, aderências, deiscências e abscessos), a histologia e bioquímica (hidroxiprolina). No total, foram analisados, individualmente, 18 critérios: 4 macroscópicos, 13 microscópicos e 1 bioquímico. O grupo látex apresentou uma discrepância negativa em relação aos outros grupos. O grupo Controle (sem dreno) apresentou cicatrização positiva em relação aos outros grupos. Com base nos resultados, concluímos que a utilização de drenos (independente do material) seria um fator negativo para a cicatrização da anastomose. Entre os drenos, os de Látex interferiram negativamente na cicatrização quando comparado com os drenos de outros materiais.
2007
Ortiz,Douglas Falleiros Lauand,Felipe Campos,Antonio Dorival Rocha,José Joaquim Ribeiro da Feres,Omar
Câncer colorretal sincrônico: relato de caso e revisão de literatura
Relatamos o caso de uma paciente com tumor maligno em cólon direito e neoplasia sincrônica de reto. Os objetivos deste estudo são discutir as vantagens da colonoscopia na detecção de tumores sincrônicos e avaliar os fatores prognósticos mais relevantes na sobrevida de doentes com câncer colorretal (CCR). Utilizamos como fonte de pesquisa, a coleta de dados em prontuário e busca em base de dados do Medline, Lilacs e Scielo. Concluímos que: 1) A colonoscopia oferece avaliação completa do cólon, com diagnóstico pré-operatório de tumores sincrônicos, o que muitas vezes interfere na conduta terapêutica e 2) Os fatores que mais interferem a sobrevida de pacientes com CCR são o estágio de Dukes, grau de diferenciação do tumor e extensão da ressecção cirúrgica.
2007
Andrade,Sérgio Murilo da Silva Pereira,Fábio Lima
Tumor de reto e cárdia sincrônicos: relato de caso e revisão da literatura
Os autores relatam um caso raro de um paciente de 77 anos, que desenvolveu dois tumores sincrônicos do trato gastrintestinal, localizados em topografia de reto e cárdia. Feito o diagnóstico de ambos simultaneamente. Foi submetido à cirurgia em dois tempos e evoluiu bem, realizando a reconstrução do trato gastrintestinal três meses após a primeira intervenção. Não encontramos na literatura nenhum outro relato desta combinação de tumores.
2007
Jara,Robson Luis Silveira Santos,Carlos Henrique Marques dos Alves,Leonardo Pereira Miiji,Luciana Nakao Odashiro
Histiocitose de células de Langerhans em margem anal: relato de caso e revisão da literatura
Um caso incomum de histiocitose de células de Langerhans comprometendo margem anal em adulto de cor branca com 34 anos de idade é descrito. Durante dezenove meses o paciente apresentou ulceração extensa em margem anal, dolorosa, com sangramento, evoluindo para incontinência fecal. A hipótese diagnóstica inicial ficou entre doença de Crohn, sífilis, tuberculose, pioderma gangrenoso e donovanose. O diagnóstico histopatológico, após a terceira biópsia, foi sugestivo de histiocitose X, diagnóstico esse confirmado pelo estudo imunoistoquímico positivo para CD1a e proteína S100. O paciente foi tratado com seis sessões de injeção intralesional de triancinolona e talidomida por via oral, durante três meses, evoluindo com remissão completa da lesão anal e recuperação da continência esfincteriana.
2007
Magno,Jaime Coelho Carlos D'Almeida,Dianice Gallo Magalhães,José Pinheiro Pires,Vilmar José Araújo,Mônica Leite de Miranda,Cláudia Barreto de Nagel,Janaina
Doença de Crohn metastática para axila
Relata-se um caso de doença de Crohn com manifestação cutânea axilar extremamente rara, bem como suas peculiaridades em relação ao diagnóstico e tratamento.
2007
Balsamo,Flávia Fraga,João Baptista de Paula Moreno,Wladimyr Dias Formiga,Galdino José Sitonio
Tumores perianais provocados pelo herpes simples
O Herpes simplex (HSV) é um DNA vírus que provoca afecções perianais, sendo considerada a causa mais comum das úlceras na região. Apesar da forma ulcerativa ser a mais conhecida, a literatura relata o aparecimento de lesões tumorais, nodulares ou hipertróficas relacionadas ao vírus. O exame proctológico mostra tumores dolorosos, achatados, com superfície recoberta por ulceração rasa e com bordas bem delimitadas, elevadas e lobuladas, localizados na margem anal e/ou no sulco interglúteo, algumas vezes imitando condilomas virais ou carcinoma. A anamnese revela instalação insidiosa com crescimento lento e progressivo, além da história de tratamentos anteriores para úlceras herpéticas. O diagnóstico diferencial com carcinoma impõe a realização de biópsia para confirmação histológica. Esse exame revela hiperplasia epitelial moderada e denso processo inflamatório com linfócitos e plasmócitos. Células gigantes e multinucleadas são observadas na epiderme. Os testes imunohistoquímicos sugerem o HSV. A opção terapêutica inicial deve ser o tratamento medicamentoso. Importante definir o diagnóstico etiológico para aliviar o desconforto e evitar operação radical desnecessária, e introduzir medicação anti-retroviral nos portadores do HIV para melhora da imunidade.
2007
Nadal,Sidney Roberto Nadal,Luis Roberto Manzione
Instrumentação anal erótica: um problema médico-cirúrgico
A inclusão do ânus na esfera sexual e a utilização de objetos fálicos para prática auto-erótica, descrito na literatura médica desde o século 16, é freqüente na sociedade moderna. O problema social traz consigo, além do aspecto curioso, o risco de lesões ano-retais traumáticas de graves repercussões. Nesse artigo destacamos esses aspectos, reunindo 20 pacientes do sexo masculino, dos quais 6 (30%) foram atendidos com o objeto retido no reto, e 14 (70%) com lesão ano-retal ocorrida durante a prática erótica e provocada pelo corpo fálico. Dentre os pacientes com lesão ano-retal, 10 (71,4%) estavam com o reto perfurado. As lesões ano-retais foram tratadas cirurgicamente, e 7 desses pacientes (50%) evoluíram com complicações que incluem 2 óbitos (20% entre os que tinham perfuração do reto), o que representa para o grupo todo o índice de 10,5% de mortalidade. A prática do erotismo anal com emprego de objetos fálicos, pelo alto índice de morbi-mortalidade, constitui-se em grave problema médico cirúrgico.
2007
Santos Jr,Júlio César Monteiro dos
Análise retrospectiva das neoplasias de ânus em pacientes atendidos no HC-FMRP-USP de 1979 a 2004 e revisão da literatura
Foram analisados, retrospectivamente, 49 casos de pacientes com neoplasia de ânus, sendo 23 de 1979-1996 e 26 de 1997-2004, 49% masculinos e 51% femininos. Em 81,6% dos pacientes o tratamento foi adjuvante, com radioterapia e esquema de NIGRO, 12,2% metástases à distância e 36,7% perderam o seguimento. Óbitos ocorreram em 20,4%. Notou-se diminuição da necessidade da cirurgia de Miles (30,8% vs 43,3%). A perda de seguimento foi menor (19,5% vs 56,5%), mas a mortalidade foi discretamente maior (23,1% vs 17,4%). O tratamento neo-adjuvante com radio e quimioterapia em 96% dos pacientes com neoplasia anal foi capaz de promover remissão da lesão na maioria dos casos (57,5%), confirmados pela biópsia da cicatriz residual, evitando-se amputação cirúrgica do reto. Dados mais recentes mostram que 45% dos pacientes permanecem sem recidiva (seguimento médio 3,5 anos). A alta taxa de mortalidade e o diagnóstico de lesões avançadas podem decorrer da procura tardia do serviço médico.
2007
Parra,Rogério Serafim Brito,Andreza Regina de Rocha,José Joaquim Ribeiro da Féres,Omar
Qualidade de vida de pacientes com câncer colorretal em uso de suplementação dietética com fungos Agaricus sylvaticus após seis meses de segmento: ensaio clínico aleatorizado e placebo-controlado
INTRODUÇÃO: O câncer gastrointestinal compromete a qualidade de vida devido às alterações fisiológicas, metabólicas e psicológicas. Fungos medicinais podem melhorar a qualidade de vida de pacientes com câncer. OBJETIVO: Avaliar os efeitos da suplementação dietética com fungos Agaricus sylvaticus na qualidade de vida de pacientes com câncer colorretal em fase pós-operatória. METODOLOGIA: Ensaio clínico randomizado, duplo-cego, placebo-controlado, realizado no Hospital de Base do Distrito Federal. Amostra constituída por 56 pacientes (24 homens e 32 mulheres), estádios I, II e III, separados em grupos placebo e Agaricus sylvaticus (30mg/kg/dia), e acompanhados por um período de seis meses. Para avaliar os indicadores da qualidade de vida foram utilizados um formulário-padrão e uma anamnese dirigida-padrão. Os resultados foram analisados de forma qualitativa e descritiva, utilizando os programas Microsoft Excel 2003 e Epi Info 2004. RESULTADOS: Após seis meses de tratamento, observou-se, no grupo Agaricus sylvaticus, aumento da adesão à prática de atividade física, melhora da disposição e do humor, redução das queixas de dores e das alterações do sono como insônia e noites mal dormidas comparado com o grupo placebo. CONCLUSÃO: Os resultados sugerem que a suplementação dietética com Agaricus sylvaticus pode melhorar a qualidade de vida de pacientes no pós-operatório de câncer colorretal.
2007
Fortes,Renata Costa Recôva,Viviane La corte Melo,Andresa Lima Novaes,Maria Rita Carvalho Garbi
Câncer colônico - epidemiologia, diagnóstico, estadiamento e gradação tumoral de 490 pacientes
O objetivo deste trabalho é estudar 490 pacientes portadores de câncer colônico, analisando incidência absoluta e topográfica do câncer nos cólons; distribuição por décadas etárias e sexos dos pacientes; sintomatologia; gradação e estadiamento por exame proctológico, exames de imagens, achados cirúrgicos e exame histopatológicos de biópsias e peças cirúrgicas; distribuição por topografias e gradação tumoral; concomitância e contemporaneidade de pólipos; modalidades de pólipos e poliposes colorretais concomitantes e contemporâneos; irressecabilidade de 29 tumores e inoperabilidade de 10 pacientes por topografias colônicas e incidência topográfica de complicações dos cânceres nos cólons. Dentre as várias conclusões inferidas pelo estudo, pelo menos as seguintes foram de valor: Os tumores foram mais comuns nos cólons (53,1%) que no reto (41,2%) e no ânus e canal anal (5,7%). Os tumores foram mais comuns no hemicólon esquerdo (77,8%) que no cólon direito (22,2%), sendo o sigmóide e a junção retossigmoideana as topografias mais comuns (61,6%). A idade média foi de 60,6 anos, com 86,7% dos pacientes entre 40 e 80 anos, mais comuns entre homens (52,2%) que entre mulheres (47,8%). os sintomas mais comuns foram a alteração do hábito intestinal (70,6%), a cólica abdominal (59,6%), o sangue nas fezes (58,6%) e a alteração da matéria fecal (55,5%). A doença localizada (grupos A e B de Dukes) foi mais comum (69,4%) que a disseminada (30,6%). Quanto mais distais menos disseminados foram os tumores, sendo a doença localizada mais comum no hemicólon esquerdo (73,2%) que no hemicólon direito (55,9%). A incidência de pólipos colorretais concomitantes e contemporâneos ao câncer colônico foi de 16,3%, sendo mais comuns durante os 5 anos de acompanhamento pós-operatório (8,3%) que antes da cirurgia (1,4%) e por ocasião da cirurgia (6,6%). Pólipos isolados (até 3 pólipos) foram mais comuns (76,3%) que pólipos múltiplos (23,7%). A operabilidade dos pacientes foi de 98,0% e a ressecabilidade dos tumores foi de 94,1%, independente da localização dos mesmos. Os tumores do hemicólon esquerdo complicaram muito mais (14,4%) que os tumores do hemicólon direito (4,6%), tendo sido a obstrução intestinal a complicação mais comum.
2007
Cruz,Geraldo Magela Gomes da Santana,Jorge Luiz Santana,Sandra Kely Alves de Almeida Constantino,José Roberto Monteiro Chamone,Bruno Cunha Ferreira,Renata Magali Ribeiro Silluzio Neves,Peterson Martins Faria,Marina Neves Zerbini de
Prontuário médico e suas implicações médico-legais na rotina do colo-proctologista
As normas do Conselho Federal de Medicina preceituam que o médico não poderá deixar de preencher corretamente o prontuário médico. Essa observância é fundamental, pois sendo o atendimento prestado ao paciente uma ação multidisciplinar, todos os envolvidos ficarão informados sobre as condições clínicas, evolução, resultados de exames e procedimentos realizados nos pacientes. Sob o ponto de vista legal é um precioso instrumento, talvez o mais importante, em demandas judiciais, pois é a partir de sua análise que os peritos e julgadores colhem subsídios para a decisão judicial. Sob o ponto de vista de saúde pública, são nos prontuários médicos que residem os dados, permitindo os dados de prevalências e de incidências de determinadas doenças, permitindo assim, ações de prevenção e medidas de tratamento mais eficazes. Este trabalho tem como objetivo enfatizar a importância do cumprimento das normas e do correto preenchimento do prontuário médico, ressaltando suas implicações médico-legais, principalmente na prática da cirurgia colo-retal. Tais práticas não só representam a qualidade do trabalho profissional, mas permitem aos médicos dispor de um importante instrumento de defesa nas ações judiciais.
2007
Prestes Jr.,Luiz Carlos L. Rangel,Mary