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Suporte parental: um estudo sobre crianças com queixas escolares
O objetivo deste artigo foi investigar o suporte parental recebido por crianças encaminhadas para atendimento psicológico em razão do baixo desempenho escolar, em comparação com crianças não encaminhadas. Os participantes foram 60 crianças de 7 a 11 anos e suas mães, selecionadas em uma clínica de psicologia e em uma escola, ambas públicas. O suporte foi avaliado em três domínios: acadêmico, desenvolvimental e emocional. Da criança avaliou-se o nível de inteligência, o desempenho escolar e a presença de problemas de comportamento. Em concordância com estudos anteriores, o grupo encaminhado mostrou desempenho cognitivo e acadêmico mais baixo e mais problemas de comportamento. O suporte acadêmico não diferiu entre os grupos. As mães de crianças encaminhadas relataram menos suporte desenvolvimental e emocional, com problemas nas práticas educativas e relacionamento pais-criança conflituoso. Os resultados salientam a necessidade de cuidados de saúde mental para crianças vulneráveis que vivem em ambientes pouco apoiadores.
2005
D'Avila-Bacarji,Keiko Maly Garcia Marturano,Edna Maria Elias,Luciana Carla dos Santos
Aceitação-rejeição para estudar e agressividade na escola
Foram estudadas as relações entre agressividade e aceitação-rejeição em 1281 estudantes de quatro escolas de ensino fundamental. A medida sociométrica baseou-se em três escolhas positivas e três negativas em situação de estudo. As escalas de agressividade forneceram três medidas: em situação familiar, em situação escolar e geral. Nas medidas sociométrica e de agressividade em situação familiar as diferenças entre as escolas foram atribuídas ao acaso. As escalas de agressividade escolar e geral formaram dois subgrupos, sendo duas escolas com menor e outras duas com maior agressividade. Foram encontradas correlações significativas entre as medidas sociométrica e de agressividade escolar nas quatro escolas e com agressividade geral em uma delas, indicando que quanto maior a aceitação social, menor a agressividade. Como as correlações foram baixas, estudaram-se grupos extremos em termos de aceitação-rejeição e apenas em uma escola as escalas de agressividade escolar e geral diferenciaram esses grupos.
2005
Sisto,Fermino Fernandes
O psicólogo comportamental e a utilização de técnicas e instrumentos psicológicos
Esta pesquisa teve como objetivo caracterizar as estratégias, técnicas e instrumentos psicológicos mais conhecidos e utilizados por profissionais cuja abordagem norteadora é a comportamental ou cognitiva. Participaram 35 profissionais de diversos estados brasileiros. Utilizou-se um instrumento composto de duas partes. A primeira delas versou questões que visavam à caracterização dos sujeitos quanto à formação, atuação profissional, abordagem terapêutica, atividades profissionais, estratégias e instrumentos utilizados na avaliação. A segunda consistiu em uma relação contendo 152 instrumentos de avaliação psicológica, na qual os sujeitos tinham que assinalar quais instrumentos eram conhecidos e quais eram utilizados. Os resultados evidenciaram que, em sua maior parte, os profissionais atuam em universidades, utilizam avaliação com fins de diagnóstico e intervenção e utilizam instrumentos psicológicos cuja fundamentação teórica não está em consonância com a abordagem terapêutica adotada.
2005
Oliveira,Katya Luciane de Noronha,Ana Paula Porto Dantas,Marilda Aparecida Santarem,Erica Machado
Revisão: aspectos cognitivos e psicossociais associados a Doença de Chagas
Objetiva-se a análise crítica de 15 artigos empíricos identificados nas bases de dados PsycINFO, Medline, Lilacs e SciELO, no período de 1972 a 2003, relativos à associação de doença de Chagas ao funcionamento cognitivo e psicossocial dos portadores. A análise dos delineamentos apontou para a associação de prejuízos cognitivos e psicossociais à doença de Chagas. Destacam-se como pontos críticos o pequeno número de artigos identificados sobre as variáveis psicossociais em um período de três décadas e a diversidade de variáveis estudadas Tais pontos sugerem a necessidade de pesquisas que investiguem de forma mais detalhada o impacto da doença sobre o portador, relacionando variáveis pessoais e contextuais de modo a detectar o efeito combinado de tais condições e implementar práticas educativas de saúde.
2005
Hueb,Martha Franco Diniz Loureiro,Sonia Regina
Escala de comportamentos socialmente responsáveis do consumidor: estudo preliminar de evidência de validade
Este estudo teve como objetivo adaptar para o Brasil a Escala de Comportamentos Socialmente Responsáveis do Consumidor - ECSRC (Roberts, 1996), cujo objetivo principal é avaliar em que medida os consumidores tendentes a expressar condutas indicativas de preocupação de ordem social também as levam em consideração no momento de adquirir seus produtos. Participaram 298 estudantes universitários, com idade média de 21 anos (d.p. = 4,60), sendo a maioria do sexo feminino (72,4%). Por meio de uma análise fatorial dos eixos principais (PAF) com rotação promax foram identificados três fatores que explicam conjuntamente 41,1% da variância total. O primeiro fator agrupou cinco itens e foi denominado como preocupação ambiental (a = 0,90), o segundo, preocupação com reciclagem, ficou composto por quatro itens (a = 0,75); e, por fim, o fator denominado de preocupação social (a = 0,70) reuniu seis itens da escala. Estes resultados são coerentes com a concepção de que múltiplos fatores são necessários para avaliar o comportamento do consumidor, ademais sugerem a adequação da ECSRC ao contexto brasileiro.
2005
Queiroga,Fabiana Gouveia,Valdiney Veloso Coutinho,Maria da Penha de Lima Vasconcelos,Tatiana Cristina Jesus,Girlene Ribeiro de
É fácil tirar a criança da rua, o difícil é tirar a rua da criança
O presente estudo visa a descrever os principais objetivos de quatro instituições de atendimento a crianças em situação de rua segundo os seus coordenadores, assim como as concepções destes acerca da infância em situação de rua. Além disto, é investigada a percepção dos coordenadores sobre os objetivos dos jovens ao buscarem estas instituições e a relação que estes serviços estabelecem com a rua. Objetiva, ainda, descrever a avaliação que os coordenadores fazem do trabalho desenvolvido pelas suas instituições e pela rede especializada de serviços. Neste sentido, foram entrevistados seis coordenadores e vice-coordenadores de quatro instituições da cidade de Porto Alegre. Segundo os coordenadores, os objetivos institucionais são a reinserção social dos jovens atendidos, a defesa dos direitos dessa população, assim como o fornecimento das condições básicas de sobrevivência. Os coordenadores avaliam de forma positiva a forma de funcionamento em rede, apontando as principais dificuldades e os pontos a serem aprimorados.
2005
Santana,Juliana Prates Doninelli,Thaís Mesquita Frosi,Raquel Valente Koller,Sílvia Helena
A criança abrigada: considerações acerca do sentido da filiação
O presente artigo discute os sentidos da filiação para crianças abrigadas, vítimas de violência doméstica. O desejo dessas crianças de recuperar a filiação familiar é analisado como busca de um lugar psicossocial. As crianças abrigadas, que sofreram uma ruptura na filiação primeva e história de vida, flutuam entre vinculações efêmeras, sem referências de seu passado e sem pontos fixos e sólidos para seu assentamento no presente que lhes possam servir de guia ou de novas filiações. Tal condição de desfiliação é focalizada como tendência da sociedade contemporânea em afrouxar vinculações, movimentar os ancoradouros psicossociais e produzir desterritorializações, favorecendo uma subjetividade móvel, não identitária, desenlaçada de encaixes e conexões duradouros. Como conclusão, é apontada a continuidade histórica da vitimização da infância realizada pela condição de trânsito e passagem na qual vive, impeditiva de constituições de vínculos duradouros e sólidos que permitam uma suficiente estabilidade e segurança para a prospecção do mundo.
2005
Parreira,Stella Maris de Castro Pipinis Justo,José Sterza
Depressão na infância: um estudo exploratório
Na depressão infantil os sintomas diferem dos apresentados pelos adultos, evidenciando-se freqüentemente através de transtorno do déficit de atenção e hiperatividade, baixa auto-estima, tristeza, medos, distúrbios do sono, enurese, dores abdominais. Procurou-se estudar manifestações depressivas em crianças de 03 a 10 anos de idade, no contexto de creches e saúde pública, na cidade de Paranavaí-PR, realizando-se: a) entrevistas semi-estruturadas com 5 pediatras, 2 médicos do programa da Saúde da Família, 6 educadores e 4 coordenadores de creches; b) estudo de caso com nove crianças. Os resultados indicaram que todas as crianças da amostra apresentavam núcleos depressivos significativos, com intenso sofrimento psíquico e necessidade de encaminhamento. Concluiu-se que a depressão infantil manifesta-se de forma bastante significativa, evidenciando a necessidade de que as pessoas envolvidas diretamente com as crianças estejam alertas para os sintomas, pois a falta do diagnóstico correto e do tratamento perpetua o sofrimento da criança e de todos os envolvidos.
2005
Calderaro,Rosana Simão dos Santos Carvalho,Cristina Vilela de
Maturidade emocional e avaliação comportamental de crianças filhas de alcoolistas
Filhos de alcoolistas têm sido apontados como mais vulneráveis ao desenvolvimento de problemas emocionais e comportamentais. O presente trabalho teve como objetivo avaliar comparativamente filhos de alcoolistas e filhos de não-alcoolistas nos aspectos cognitivo e emocional, através do Teste Desenho da Figura Humana, e comportamental, segundo a percepção das mães, utilizando-se a Escala Comportamental de Rutter. Os sujeitos foram 20 filhos de alcoolistas e 20 filhos de não-alcoolistas, com idades entre 9 e 12 anos, matriculados no Ensino Fundamental. Cada grupo foi formado de 10 meninos e 10 meninas. Na análise dos resultados, filhos de alcoolistas apresentaram diferença estatisticamente significativa nos aspectos emocional e comportamental. Eles revelaram timidez, insegurança e baixa auto-estima. Segundo as mães, mostraram: impaciência, irritação, agitação, desobediência e dependência. As meninas filhas de alcoolistas apresentaram mais problemas emocionais e de comportamento que as meninas filhas de não-alcoolistas. Neste trabalho as meninas se revelaram mais vulneráveis que os meninos nos domínios emocional e comportamental.
2005
Souza,Joseane de Jeronymo,Daniela V. Zanoti Carvalho,Ana Maria Pimenta
Família, álcool e violência em uma comunidade da cidade do Recife
Esta pesquisa teve como objetivo investigar as relações entre o uso de bebidas alcoólicas e comportamentos violentos a partir da organização familiar em famílias de uma comunidade de baixa renda localizada em Recife, Pernambuco. Foram entrevistadas setenta e nove famílias, escolhidas de forma aleatória, distribuídas nas seis microáreas que compõem a comunidade. A princípio foi aplicado um questionário seguido de uma entrevista semidirigida. Os dados colhidos pelo questionário foram submetidos à análise estatística descritiva e as entrevistas semidirigidas foram contempladas a partir da análise de conteúdo. Nenhum padrão de organização familiar se mostrou imune ao uso de bebidas alcoólicas e à possibilidade de comportamentos violentos. O uso abusivo de bebidas alcoólicas nos finais de semana, associado a fortes pressões socioeconômicas, estilo educacional rígido e punitivo, ambiente sociocultural complexo e exigente, conduz essas famílias, freqüentemente, a comportamentos violentos, impulsionados e modulados por esses mesmos elementos.
2005
Melo,Zélia Maria de Caldas,Marcus Túlio Carvalho,Michelle Maria Campos Lima,Anamaria Tavares de
Risco, proteção e resiliência no desenvolvimento da criança e do adolescente
Risco, proteção e resiliência são temas presentes nas pesquisas sobre desenvolvimento mental. O conceito de fator de risco já está bem delimitado, mas fatores de proteção e resiliência ainda se misturam. Os fatores de risco se referem às variáveis ambientais que aumentam a probabilidade de que ocorra algum efeito indesejável no desenvolvimento. Por outro lado, os fatores de proteção estão associados aos recursos individuais que reduzem o efeito do risco, enquanto a resiliência é muitas vezes relacionada a fatores protetores individuais que predizem conseqüências positivas em indivíduos expostos a um contexto de risco. Este artigo apresenta como alguns estudos descrevem esses temas (risco, proteção e resiliência), mostrando fatores que podem tornar um indivíduo mais ou menos vulnerável ao risco e, mais ainda, como alguns indivíduos conseguem ser resilientes frente às adversidades, isto é, como algumas crianças e adolescentes conseguem superar todos os fatores de risco a que foram expostos e se desenvolver como esperado.
2005
Sapienza,Graziela Pedromônico,Márcia Regina Marcondes
Brincar e educação: concepções e possibilidades
O objetivo principal deste estudo foi analisar as relações existentes entre o contexto das instituições educativas e o comportamento de brincar de seus educandos. Foram participantes 40 crianças, de ambos os sexos, de idade entre 4 e 5 anos, e 10 educadores de cinco instituições educativas. Os procedimentos de coleta envolveram a filmagem das crianças em situação de recreação livre nas instituições e entrevistas com os educadores. Os principais resultados indicam que a estrutura da instituição educativa influencia o comportamento de brincar de seus educandos. Verificou-se também que existe uma dicotomia, em relação ao brincar, entre a visão e a prática dos profissionais. Esses resultados demonstram que é necessária uma articulação entre o projeto pedagógico, as práticas do currículo formal e o brincar, transformando e aprimorando a qualidade da educação nas instituições escolares.
2005
Carvalho,Alysson Massote Alves,Maria Michelle Fernandes Gomes,Priscila de Lara Domingues
Educação inclusiva: concepções de professores e diretores
O estudo investigou as concepções de 10 professores e seis diretores de escolas públicas do Ensino Fundamental de uma cidade do interior paulista, sobre a inclusão escolar. Foram feitas entrevistas e os dados transcritos foram submetidos à análise de conteúdo (e análise estatística-excluído) Docentes e diretores conceberam a educação inclusiva sob diferentes enfoques, com definições que ora se aproximavam dos princípios de integração, ora se referiam à orientação inclusiva. As principais dificuldades indicadas para a realização da inclusão referiram-se à falta de formação especializada e de apoio técnico no trabalho com alunos inseridos nas classes regulares. Como sugestões se destacaram: necessidade de orientação por equipe multidisciplinar, formação continuada, infra-estrutura e recursos pedagógicos adequados, experiência prévia junto a alunos com necessidades especiais, atitude positiva dos agentes, além de apoio da família e da comunidade. Os dados permitiram identificar vários aspectos necessários à efetivação da proposta inclusiva.
2005
Sant'Ana,Izabella Mendes
Indicadores de desenvolvimento na fase pré-escolar de crianças nascidas pré-termo
O presente estudo teve por objetivo comparar o desenvolvimento de 15 crianças, aos seis anos de idade, nascidas pré-termo (PT), com o de 15 crianças nascidas a termo (AT). O desenvolvimento foi avaliado por meio de entrevista com as mães e de testes psicológicos. Maior tempo de hospitalização, aleitamento artificial, uso de medicação pelas mães durante a gravidez, pais temerosos frente à tarefa de cuidar do bebê e atraso na aquisição dos comportamentos de sentar e andar foram significativamente mais freqüentes no PT do que o AT. Não houve diferença significativa quanto ao nível intelectual. Em ambos os grupos ocorreu alta proporção de crianças com indicação de problemas comportamentais. O grupo PT apresentou significativamente mais queixas de dor de estômago e medo de enfrentar situações novas do que AT.
2005
Martins,Iralúcia Maria Bertini Linhares,Maria Beatriz Martins Martinez,Francisco Eulógio
Mães avaliam comportamentos socialmente "desejados" e "indesejados" de pré-escolares
Comportamentos socialmente habilidosos promovem o desenvolvimento, ao passo que problemas de comportamento dificultam o acesso a novas contingências de reforçamento, facilitadoras da aquisição de repertórios de aprendizagem. Esta pesquisa investiga avaliações maternas de repertórios socialmente "desejados" e "indesejados" de crianças que, segundo o professor, apresentam problemas de comportamento. Participaram mães de 24 crianças indicadas pelo professor como tendo problemas de comportamento e mães de 24 crianças indicadas como tendo comportamentos socialmente "desejados". O Questionário de Comportamentos Socialmente Desejados e a Escala Comportamental Infantil de Rutter foram aplicados nas residências das participantes. Os resultados indicaram mais problemas de comportamento externalizante no grupo previamente indicado como tendo problemas; os grupos não diferiram quanto a comportamentos "desejados". Em ambos os grupos, as crianças obtiveram altos escores de comportamentos socialmente desejados, apontando reservas comportamentais. Também em ambos foram identificadas crianças que poderiam ser beneficiadas com programas para a promoção de interações sociais mais equilibradas, prevenindo problemas de comportamento.
2005
Bolsoni-Silva,Alessandra Turini Marturano,Edna Maria Manfrinato,Jair Wagner de Souza
Atitudes com relação à educação a distância em uma universidade
Este artigo descreve os resultados de uma pesquisa exploratória que investigou as atitudes de alunos com relação à educação a distância. A população-alvo foi de 22 alunos matriculados em uma disciplina a distância do curso Ciência da Computação de uma instituição de ensino superior do Sul do Brasil, oferecida no primeiro semestre de 2003. A pesquisa foi de natureza descritiva e aplicada, realizada sob uma perspectiva predominantemente quantitativa. Os resultados revelaram atitudes negativas dos alunos, especialmente nas categorias desempenho, flexibilidade e conveniência, preparação para a educação a distância, material didático e dinâmica de grupo na lista de discussão. Esses resultados indicam que o impacto positivo esperado da educação a distância pode não se efetivar quando a instituição desconsidera tanto a complexidade do processo educacional a distância quanto as variáveis envolvidas no processo de adoção e aceitação de inovações educacionais pelos alunos.
2005
Steil,Andrea Valéria Pillon,Ana Elisa Kern,Vinícius Medina
Democracia e violência policial: o caso da policia militar
Este estudo tem como objetivo investigar o apoio de policiais militares às ações extrajudiciais para o combate à violência. Duzentos e dois policiais militares do Estado de Goiás participaram deste estudo durante os meses de maio e junho de 2003. Os resultados indicam a preponderância da adesão aos valores democráticos para a rejeição às ações extrajudiciais. Além disso, as justificativas para essa rejeição, que ressaltam o respeito pelos diretos humanos, foram citadas com maior freqüência pelos soldados do que pelos sargentos, tenentes e capitães. Esses resultados são discutidos enfatizando a importância da inclusão do estudo sobre a democracia na formação dos policiais militares.
2005
Guimarães,Juliany Gonçalves Torres,Ana Raquel Rosas Faria,Margareth R. G. V. de
Marginalidade ou cidadania? a rede discursiva que configura o trabalho dos redutores de danos
A revisão bibliográfica mostra que os estudos relativos à redução de danos (RD) se centram, predominantemente, na discussão das implicações de diferentes modelos de tratamento para o usuário de drogas e na redução de danos aplicada a usuários de drogas injetáveis. Porém, poucos estudos são encontrados acerca do trabalhador em RD. Neste contexto, o presente artigo propõe uma reflexão a respeito do trabalho dos redutores de danos, questionando como as formações discursivas sobre aids e drogas, na sociedade contemporânea, atravessam a subjetividade e o trabalho dos redutores, bem como sobre as possibilidades de inserção e sustentabilidade das ações em redução de danos.
2005
Nardi,Henrique Caetano Rigoni,Rafaela de Quadros
Luto e identificação: a propósito de a casa de boneca, de Henrik Ibsen
Nosso estudo tomará como ponto de partida as passagens de "O ego e o id", nas quais Freud põe em relação a perda de objeto, de um lado, e a identificação, de outro. Ele tentará esclarecer certos aspectos dos processos psíquicos que são conducentes à "edificação do objeto no ego", assim como suas conseqüências : como e sob qual forma o objeto perdido sobreviverá no ego? De qual modo ele entra em jogo, daí emdiante, na economia psíquica? Este estudo tem por objeto o drama de Ibsen, "A casa de bonecas". A análise desse drama nos conduz a articular e a questionar a identificação consecutiva a uma perda em relação com as noções de narrativa, de temporalização, de idealização e de dívida.
2005
Hage,Anne
O mal, sentido e dito
O questionamento por que o mal é tão antigo quanto a linguagem e a humanidade. A definição e a identificação do mal com o outro constituem o eixo mais conhecido nas ocupações filosóficas e psicanalíticas. As inabilidades do ser humano, desde os inícios da vida, em lidar com as intensidades que se abatem sobre ele de dentro e de fora, e que resultam no que se denomina de trauma, são certamente os fatores da apreensão do mal e sua identificação com o outro. Entretanto, o trauma institui também o outro na origem do próprio desejo e como guia para a própria linguagem. O outro se engaja nesta empreitada pelo apelo imanente ao trauma e ao estado de desamparo do sujeito. Pretendemos "puxar" um dos fios deste arranjo paradoxal na obra freudiana, examinando sua atual relevância no cenário social e político, também a partir de obras pós-freudianas.
2005
Delouya,Daniel