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SOBRE LITERATURA E SILÊNCIO
Este artigo pretende discutir o papel da Literatura e, por extensão, das Humanidades na atualidade, tomando-se por suporte teórico os estudos da filósofa norte-americana Martha Nussbaum, em Not for profit: why democracy needs the humanities (2010), em consonância com as reflexões da cientista política Hannah Arendt em A vida do espírito: o pensar, o querer e o julgar, bem como com as da professora e crítica feminista norte-americana Rita Felski, no livro Uses of literature (2008). A partir do que Nussbaum chama de “crise silenciosa” que, segundo ela, vem se infiltrando nas escolas e na educação dos jovens, busca-se refletir sobre o hipodimensionamento da disciplina Literatura no currículo escolar, em favor daquelas voltadas a uma visão utilitária do saber, em que se privilegiam a competitividade no mercado global e a capacidade de aferir e produzir lucro, e em que se subtrai a faculdade do pensamento e da imaginação do conjunto das disciplinas de ensino.
2022-12-06T15:49:37Z
Pietrani, Anélia Montechiari
LEITURA LITERÁRIA NA ESCOLA
Este artigo procura discutir algumas questões referentes ao trabalho com textos literários na escola. Com base em Kleiman (2003), Colomer (2007), Chartier (2008), Santos (2010), dentre outros autores, tratamos das estratégias sociocognitivas acionadas na leitura e das dificuldades para motivar os alunos a ler. Além disso, sugerimos atividades para o livro A invenção de Hugo Cabret, de Brian Selznick, geralmente indicado para as séries finais do ensino fundamental. Pretendemos mostrar como a associação da leitura do livro à análise de materiais multimodais (como booktraillers, vídeos, filme etc) colabora para a formação do leitor crítico.
2022-12-06T15:49:37Z
dos Santos, Leonor Werneck
ESTRATÉGIA PARA A LEITURA DA POESIA ÉPICA
Neste artigo faz-se uma breve descrição das categorias teóricas que orientam a proposta metodológica voltada para a leitura de poemas épicos apresentada em Poemas épicos: estratégias de leitura (RAMALHO, 2013). Após dimensionar a questão da permanência do gênero épico através de reflexões sobre a teoria épica do discurso (SILVA, 1987) e sobre a importância das visões de Aristóteles, Bowra, Staiger, Pollmann e Highet sobre o épico, passa-se à explicitação das subcategorias propostas para as categorias épicas proposição, invocação, divisão em cantos, plano histórico, plano maravilhoso e heroísmo épico, de modo a oferecer, a docentes e pesquisadores interessados no tema, um viés por meio do qual contemplar o épico, promovendo maior acesso de leitores de todos os níveis de ensino à poesia épica.
2022-12-06T15:49:37Z
Ramalho, Christina
A CRÔNICA NA SALA DE AULA DA EDUCAÇÃO BÁSICA
A formação estética dos alunos constitui um grande desafio. O fortalecimento do ensino da literatura requer, contudo, maior aproximação entre as pesquisas acadêmicas e as práticas pedagógicas nas escolas. Em uma sociedade dominada por tecnologias visuais e pela cultura do entretenimento, é preciso rediscutir os objetivos de ensinar e estudar literatura, a relevância da educação literária e ainda o meio de fortalecer sujeitos sociais através da disciplina. Levando em conta atividades desenvolvidas com alunos da Educação Básica, este trabalho se propõe a discutir a importância da crônica para a tarefa desafiadora de inserir crianças e jovens no mundo da leitura. Por suas próprias características, a crônica abre um caminho mais atraente para esse mundo além de funcionar como um incentivo à produção textual dos próprios alunos.
2022-12-06T15:49:37Z
Viegas, Ana Cristina Coutinho
LEITURA DE SI, ENCONTRO COM O OUTRO: IDENTIDADE E POESIA NO ENSINO DE LITERATURA
O trabalho em questão apresenta uma proposta de leitura e ensino de poesia, dentro da Linha de pesquisa “Leitura e produção textual: diversidade social e práticas docentes”, do PROFLETRAS. A partir da experiência com a literatura na disciplina “Leitura do texto literário”, discutem-se e analisam-se as condições de produção e leitura da poesia do escritor cearense Jáder de Carvalho (1901-1985), tendo por eixo de estudo os conceitos de identidade, história e memória. A partir desses conceitos, uma metodologia de fundo comparatista incide sobre o objeto, cuja meta de análise é mostrar como a disposição temática e estilística dos poemas estudados promove no educando um processo contínuo e fértil de identificação, como também incita posturas ativas de leitura, ao transformar a recepção literária num jogo de compartilhamento de experiências.
2022-12-06T15:49:37Z
Ipiranga, Sarah Diva da Silva
LETRAMENTO LITERÁRIO NA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS
Este artigo pretende refletir sobre o ensino de literatura na perspectiva do letramento literário. Para tanto, partindo de um referencial teórico sobre leitura, literatura e letramento literário, analisará algumas atividades de leitura literária desenvolvidas em duas turmas de um curso de nível médio do PROEJA (Programa Nacional de Integração da Educação Profissional com a Educação Básica na Modalidade de Jovens e Adultos) de uma instituição federal de educação da Baixada Fluminense (RJ). Será destacado que, na educação de jovens e adultos, é essencial considerar as especificidades dos alunos, seus interesses e conhecimentos.
2022-12-06T15:49:37Z
Teixeira, Claudia de Souza
DO IMPRESSO AO JOGO DIGITAL: ESTRATÉGIAS DE LEITURA DA OBRA O GUARANI
Este artigo apresenta um jogo digital a ser usado como ferramenta complementar no ensino e aprendizagem de leitura para crianças de seis a oito anos de idade. A proposta está fundamentada na discussão sobre atividade de leitura, multiletramentos e jogos digitais na educação. Este jogo digital tem como base a obra O Guarani, de José de Alencar, e apresenta estratégias que auxiliam na aprendizagem da leitura. Dessa forma pode contribuir para os estudos sobre a cultura escrita, literária e midiática na alfabetização de crianças.
2022-12-06T15:49:37Z
Trescastro, Lorena Bischoff de Souza, Cássia Pinheiro
O IMAGINÁRIO DO MAL NO EMPÓRIO DA HERANÇA CLÁSSICA
Este artigo discutirá a inadequação da visão unilateral do clássico como empório da serenidade e do equilíbrio, dois atributos idealizados por uma tradição mimética e deontológica. Aby Warburg (1866-1929) demonstra que também os paroxismos, o estapafúrdio e o gestual patético (Pathosformel) constituem dispositivos imprescindíveis da estética clássica. Violência, escândalo e estupor engendram temas da literatura e da arte clássicas que determinam procedimentos artísticos e permanecem ativos. Vamos focalizar situações específicas – o diabolismo (caso “Pandora”) e a irrupção do estranho (fantasmas e autômatos) – em que o imaginário do mal se materializa com potencial crítico e estético.
2022-12-06T15:49:37Z
Nuñez, Carlinda Fragale Pate
MAGIA E EDUCAÇÃO NA NARRATIVA INFANTO-JUVENIL DE ALINA PAIM
Este trabalho traz uma reflexão sobre a literatura infantil da escritora brasileira Alina Paim ─próxima daquela de Monteiro Lobato no que diz respeito ao espaço e estrutura dos personagens ─destacando a importância da fantasia para a formação éticae sociocultural da criança. Encontra-se iluminada pelos estudos de T. Todorov, Carolina Marinho, Nelly Novaes Coelho, entre outros, por entender que eles permitem um melhor diálogo com as teorias do maravilhoso presente nos contos de fadas e contos populares na atualidade.
2022-12-06T15:49:37Z
Cardoso, Ana Leal
O SACRIFÍCIO MÍTICO NA PEÇA THE COUNTESS CATHLEEN, DE WILLIAM BUTLER YEATS
The Countess Cathleen, peça de Yeats que inaugura o Abbey Theater, na Irlanda, encena os conflitos de uma comunidade devastada pela fome. Centralizada em uma personagem heróica, a Condessa Cathleen, a ação desenvolve-se como apelo ao sacrifício nacionalista. Ao ofertar sua alma em prol dos camponeses, Cathleen evoca mitos pagãos e cristãos, numa trama que mimetiza fatos históricos e ideais políticos.
2022-12-06T15:49:37Z
Luna, Sandra Vieira, Bruno Rafael de Lima
A FUNÇÃO CONTEMPORÂNEA DA “AUTORIA” ENQUANTO MEDIAÇÃO SIMBÓLICA
A questão da autoria é abordada neste artigo como recurso, próprio dos itinerários de formação contemporâneos, de des-representação e desidentificação, recurso este que valoriza a dimensão simbólica das interpretações e propicia a busca de sentido. A autoria é compreendida, portanto, a partir de uma perspectiva ampliada de cultura e educação. Para tanto, a reflexão foi construída por meio da analogia entre design e literatura, compreendendo ambos como processos de mediação e (re)criação de narrativas que se abrem a novas interpretações numa existência socialmente partilhada – e, no contexto atual, cada vez mais espetacularizada. O referencial teórico abrange Paul Ricoeur, Deleuze, Foucault, entre outros.
2022-12-06T15:49:37Z
Beccari, Marcos de Almeida, Rogério
POETA DA CIDADE: O RECIFE NA POESIA DE CARLOS PENA FILHO
A cidade é constructo humano, e como tal é uma paisagem cultural que se contrapõe à natureza. Habitar a cidade em que nasceu é uma relação que contribui para a estabilidade emocional. As mudanças ocorridas na paisagem urbana podem criar, então, certo mal-estar nos seus habitantes. Carlos Pena Filho, em tempos de modernização do Recife, sente a necessidade de escrever sobre a cidade que ele vê e sente. Seu relato parece ver na cidade de seu tempo a de outros tempos históricos. O resultado é o poema “Guia Prático da Cidade do Recife”. Para tanto, exploramos aas relações entre Literatura, História e Geografia.
2022-12-06T15:49:37Z
Dias, Júlio César Tavares
WHITMAN, WORDSWORTH AND THE CITIES: POETRY, URBANISM AND IDENTITY
The present article intends to explore the issue of the imagined poetic city present in the poetry of Walt Whitman and William Wordsworth as a site of multiple belongings. From their poetry, we interrogate how notions of identity and belonging are illustrated by their depictions of the geographical space within their cities, respectively New York and London. Our readings take us to question the role of the (imagined) place created between the poet and the reader, and if the city is a real place or a non-place, where identities and memories are created to produce a third space.
2022-12-06T15:49:37Z
Cohen, Gustavo Vargas Veras, Adriane Ferreira
Apresentação
No summary/description provided
2022-12-06T15:49:37Z
Freitag, Raquel Meister Ko. da Silva, Leilane Ramos de Azevedo, Isabel Cristina Michelan
O USO MULTIFUNCIONAL DE ADVÉRBIOS TERMINADOS EM -MENTE: UMA ANÁLISE EM TEXTOS DE ALUNOS DO ENSINO FUNDAMENTAL E MÉDIO
O presente artigo apresenta os resultados de uma pesquisa que teve como objetivo principal investigar o uso multifuncional dos advérbios terminados em -mente em textos (narrativos e argumentativos) de alunos do 9º ano do Ensino Fundamental e do 3º ano do Ensino Médio, de duas escolas públicas baianas. Comumente, esse tipo de advérbio é categorizado, na maioria das gramáticas normativas, como sendo de modo; no entanto, comprovou-se que os advérbios em -mente exercem outras funções semânticas, determinadas pelas intenções comunicativas dos falantes. O estudo ancorou-se em discussões tecidas por Ilari et al. (1990), Castilho; Castilho (1993), Ilari (2007), Neves (2000), Castilho (2010), Kanthack (2012), entre outros.
2022-12-06T15:49:37Z
Susmickat, Ivonete de Souza Aguiar, Tiago Pereira Kanthack, Gessilene Silveira
A DIFÍCIL ARTE DE DIALOGAR COM A PALAVRA DO OUTRO PARA PRODUZIR PALAVRA PRÓPRIA
A produção escrita na universidade é um tema que, por diferentes motivos, preocupa professores de diferentes áreas de conhecimento. A denúncia de que o aluno não sabe escrever é constante e cria solidariedade entre os professores que vivenciam essas dificuldades. Dessa forma, o objetivo deste artigo será discutir: a) as especificidades da escrita na formação universitária; b) as características da produção e circulação de textos na contemporaneidade: informação, conhecimento e experiência; e c) o papel da pesquisa na constituição do sujeito que escreve. Para isso, toma como análise, produções resultantes de atividade de escrita desenvolvidas com quatro turmas de alunos de cursos de licenciaturas de duas universidades das Regiões Sudeste e Nordeste do Brasil.
2022-12-06T15:49:37Z
Barbosa, Marinalva Vieira Campos, Sulemi Fabiano
PROVA BRASIL E ENSINO DE LÍNGUA PORTUGUESA: REFLETINDO SOBRE A GLOCALIZAÇÃO DE PRÁTICAS
O presente artigo trata da Glocalização como um fenômeno presente nas práticas sociais de ensino de Leitura e Escrita; traz uma reflexão acerca das avaliações estandardizadas, em específico a Prova Brasil; e apresenta o quadro de propostas e monitoramentos de práticas da Secretaria de Estado da Educação, a fim de atingir os rankings avaliativos, que são marcas de mudança discursivas oriundas de práticas globalistas na escola. O aporte teórico para a discussão proposta neste trabalho é ratificado pelos trabalhos de Fairclough (2006), Robertson (2000), a partir dos estudos acerca dos discursos em mudança, práticas sociais e os processos reais de Globalização. A exposição apresentou o quadro de transição pelo qual passa a escola e como a orientação para o trabalho docente está caminhando para um conjunto de proposições resultantes de um processo glocal no ensino de Língua Materna da Educação Básica.
2022-12-06T15:49:37Z
Damaceno, Taysa Mércia dos Santos Souza Pedrosa, Cleide Emília Faye
PROGRESSÃO DAS ATIVIDADES DE LÍNGUA PORTUGUESA NO 1º CICLO: O CASO DA SECRETARIA MUNICIPAL DE ENSINO DE RECIFE
Esse estudo buscou analisar a progressão das atividades de leitura, compreensão e produção textuais no interior do 1º ciclo e, para isso, acompanhamos nove professoras, de três escolas da Secretaria Municipal de Ensino de Recife, em 2007. Sublinhamos a predominância de leitura de textos pelas mestras, ao compararmos com a mesma atividade realizada pelo aprendiz. No concernente ao eixo de compreensão textual, os dados indicaram uma ênfase na exploração oral do texto e uma quase ausência de compreensão escrita. Ao nos remetermos à progressão no ciclo, realçamos a não exploração dessa atividade nas turmas de primeiro ano e uma proximidade entre os segundos e terceiros anos. Por fim, verificamos uma predominância de escrita de textos, somente, nas turmas de terceiro ano.
2022-12-06T15:49:37Z
de Oliveira-Mendes, Solange Alves
A PROVA DE REDAÇÃO DO ENEM: DIVERGÊNCIAS ENTRE AS ORIENTAÇÕES PARA A PRÁTICA E AS DIRETRIZES DE AVALIAÇÃO
O cenário atual da educação básica no Brasil é modelado por uma série de políticas públicas de estado, que vem sistematicamente instituindo avaliações (seletivas e diagnósticas) de larga escala, como Provinha Brasil, Prova Brasil e ENEM. Tais políticas educacionais são pautadas em diretrizes curriculares que, em muitos casos, não dialogam com as diretrizes da academia (universidades e centros de pesquisa e de formação docente), e nem entre si, configurando uma tensa relação dissonante. Neste trabalho, mostramos que a matriz de competência para avaliação da prova redação do ENEM não está em consonância com as diretrizes dadas pelos Parâmetros Curriculares Nacionais de Língua Portuguesa e com o Programa Nacional do Livro Didático, ao cobrar norma padrão e tipificar os erros em “leves”, “médios” e “graves”, sem, no entanto, apresentar justificativas ou embasamento linguístico (seja teórico, seja empírico). Este cenário de dissonância entre academia e avaliação penaliza o estudante da escola pública, e amplia ainda mais o abismo social existente hoje no Brasil.
2022-12-06T15:49:37Z
Ko. Freitag, Raquel Meister