RCAAP Repository
O circo como templo idolátrico em Tertuliano ('Spect.', 8.4; 13.4)
This paper aims to debate the rejection of the circus space, as well as the manifestations of entertainment practiced within it, and its meaning for the Paleochristian neophyte’s life, based on the Tertullian’s scriptures – in particular ‘Of public shows’ (De Spectaculis). In order to justify his statements, the North African author metaphorically associated both venues and monuments in circus and pagan temples, which led his argumentation to identify attending chariot races as an idolatrous practice. We argue that Tertullian’s aims with such sanctions were to control the sociability of Carthage’s proto-orthodox community members, as to mark the identity of this group in contrast with the identities of pagans. In order to answer our questions, we have analyzed our primary archives through a critical textual examination of the Content Analysis, following the method proposed by Laurence Bardin.
A data da 'Regra dos quatro Padres' e o início do monastério de Lérins
O monastério de Lérins, fundado por Honorato entre 400 e 410, foi a mais importante instituição monástica do Ocidente no século V. Recentemente, Adalbert de Vogüé e Jean-Pierre Weiss engajaram-se em um complexo debate acerca da primeira regra do monastério, a chamada Regra dos quatro Padres. Neste artigo, reconsidero os argumentos de ambos os autores e investigo quando e porque a Regra dos quatro Padres foi composta. Sugiro que Honorato e seus primeiros companheiros estabeleceram-se em Lérins como eremitas e que a Regra dos quatro Padres foi escrita entre 414 e 419 com a intenção de legitimar a reunião dos lerinenses em um único monastério e a autoridade do superior.
Devoção, espaço de culto e poder: o ressoar de 'Theotokos' na basílica de Santa Maria Maggiore (século V)
O presente artigo tem como objetivo analisar a construção da basílica de Santa Maria Maggiore, com destaque para os mosaicos marianos localizados no arco triunfal, de modo a apreender os motivos pelos quais estes foram ali engendrados. Ademais, buscamos compreender como a devoção a Maria se estabeleceu no local, contribuindo para a legitimação da autoridade do bispo de Roma, que passou a representar a emanação do poder e dos desígnios divinos.
Um corte sensível: a passagem entre os séculos I a.C. e II d.C. na historiografia
Este artigo problematiza as propostas de periodização da história do judaísmo (séculos I a.C. e II d.C.), observando debates historiográficos do XIX ao XXI.
O elemento religioso na interpretação dos acontecimentos da 'Guerra pérsica'
Procópio de Cesareia, historiador bizantino, retratou o governo de Justiniano no século VI d.C. de forma muito distinta. Ao narrar as ações do imperador, o autor disponibilizou um conjunto heterogêneo de informações religiosas que ainda leva muitos historiadores a discutir o significado de suas crenças e a importância da providência divina na interpretação dos acontecimentos. O objetivo deste artigo é enfatizar o elemento religioso na Guerra pérsica, discutindo o uso de imagens cristãs, de caráter fatalista, como ferramenta de crítica ao imperador Justiniano e o papel de Deus e da sorte na explicação dos acontecimentos.
'Augustus': o primeiro imperador de Roma
Resenha de: GOLDSWORTHY, A. Augustus: first Emperor of Rome. New Haven: Yale University Press, 2014. 624 p.
A Arqueologia da Guerra na Antiguidade Tardia
Resenha de: SARANTIS, A; CHRISTIE, N. (Ed.). War and warfare in Late Antiquity: current perspectives. Leiden: Brill, 2013. 1120 p. 2 v.
Apresentação
Apresentação.
Entrevista com Maria Manuela dos Reis Martins: reflexões sobre a Arqueologia Urbana, a paisagem e o território
Entrevista com Maria Manuela dos Reis Martins.
'Domina Vrbs': quotidiano e sociabilidades na Roma de Marcial
Martial (c.40-c.103 ou 104), poète hispanique du Ier siècle a.C., a laissé son nom indélébilement lié au genre épigrammatique et, surtout, à l’épigramme satyrique. Tel un vrai reporter, il met en évidence, dans son œuvre, les attitudes, les us et coutumes, le modus uiuendi des hommes, ainsi que de la Rome de son temps. Cet article a le propos de parcourir, avec Martial, quelques principaux temps et espaces du quotidien et des sociabilités à Rome.
From community to Rome: the women in the Gnostic community and the sexual process of segregation among the protoorthodox Christians (I-IV AD)
Este artigo, primeiramente, debate as relações de gênero nos primórdios do cristianismo, partindo das comunidades paulinas – foi Paulo de Tarso quem definiu uma teologia e uma identidade cristãs – em meados do primeiro século, e depois enfoca as comunidades gnósticas, até o quarto século. Pretende-se analisar os discursos de feminilidade e masculinidade presentes tanto no corpus Paulinum, composto por escritos canônicos, quanto nos textos gnósticos de Nag Hammadi, tidos como não canônicos.
Os 'bracaraugustani' e os monumentos epigráficos: uma análise da presença do gênero feminino nas inscrições de 'Bracara Augusta'
Fundada em finais do século I a.C., Bracara Augusta, capital do conuentus Bracaraugustanus foi uma cidade dinâmica, com importantes funções jurídicas, religiosas e administrativas. Sua população constituída por membros dos mais diversos povoados fortificados envolventes, vivenciou uma cidade estruturada a partir dos padrões romanos e adotou alguns dos hábitos destes, como o impulso cultural para produzir inscrições. Os produtos de hábito epigráfico são aqui analisados para entendermos um pouco mais das mulheres bracaraugustanas, procurando com que frequência estavam representadas e em quais tipos de tituli, como eram referidas, se sozinhas ou associadas a homens, qual o seu estatuto jurídico, quais suas funções na comunidade e como foram lembradas por seus entes queridos quando faleceram.
Entre o público e o privado. Cenários do quotidiano na 'domus' das Carvalheiras
A domus romana provincial constitui um contexto privilegiado para analisar a adoção dos modelos arquitetónicos e construtivos clássicos, a riqueza das elites urbanas e o quotidiano familiar, que se estruturava nas múltiplas relações de sociabilidade entre os membros da família, entre o paterfamilias e os seus clientes, ou entre a família e os serviçais. A casa era também o contexto onde se definiam e afirmavam diferentes identidades, bem como a estatuto social da família. Tendo por base a domus das Carvalheiras, o único exemplar de casa romana de elite totalmente escavado em Braga, procuraremos proceder a uma análise da sua arquitetura, tendo em vista compreender os seus custos de construção e caracterizar os diversos espaços onde se desenvolviam as relações de sociabilidade do agregado familiar.
2015
Magalhães, Fernanda Ribeiro, Jorge Manuel Pinto Martins, Maria Manuela
As cidades romanas na Tripolitânia: o caso de Oea (século II d.C.)
A cidades romanas na Tripolitânia compunham um emaranhado urbano de origens diversas. Algumas delas remontavam sua fundação ao passado púnico, principalmente aquelas localizadas na costa mediterrânea, como no caso das três principais aglomerações citadinas da região, Lepcis, Sabrata e Oea. Neste artigo, analisaremos as influências da conquista romana na Tripolitânia, tomando como caso para estudo as mudanças ocorridas no sítio urbano de Oea, como consequência do processo de ascensão da cidade ao status de colônia romana.
Os espaços da justiça em Antioquia: o dicastério e o bouleutério
Antioquia de Orontes foi uma cidade importante durante a Antiguidade Tardia. O espaço urbano antioqueno e foi alvo de várias disputas simbólicas e materiais, de ressignificações e reutilizações. A representação do espaço urbano nas obras de Libânio é algo que, recentemente, tem fomentado bastante contribuições ao nosso conhecimento sobre a cidade de Antioquia. Não obstante, ainda nos parece lacunar uma compreensão acerca do espaço urbano antioqueno relacionado às práticas jurídicas. No presente artigo, nos propomos a refletir sobre os espaços de exercício de práticas jurídicas antigas segundo Libânio de Antioquia dada a importância, em particular, dos aprisionamentos em massa, como podemos observar no caso específico do Levante das Estátuas, ocorrido em 387 d.C.
Uma nota a Catulo 8 e 58: a fragmentação do 'ego' e a vulgarização de Lésbia
Um aspecto diferencial da poética de Catulo, que será seguido por outros poetas, é a utilização de seu próprio nome em sua poesia, apresentando-o um ego “plurívoco” como foi mostrado por Greene (1995), isto é, esse ego pode emergir da poesia na primeira pessoa do singular ou plural, na segunda pessoa do singular ou na terceira pessoa do singular. Esta suposta “inconsistência” gramatical não indica um uitium elocutionis contra a puritas ou a latinitas do discurso poético, ao contrário, deve ser lida como uma uirtus poética que é operada na estrutura argumentativa da coleção, ainda que possamos identificar nesse corpus um único livro, ou três. Este artigo tem o objetivo de aferir como podemos ler este fato linguístico em função de uma estrutura argumentativa que visa a sustentar o desenho da persona poética Lésbia na narrativa da coleção de Catulo.
Do cosmos antigo à cosmovisão cristã: o monstruoso entre o último período antigo e o advento da Cristandade
Almejamos tratar aqui de um problema fundamental que marcou imperativamente o período de transição que vai do último período antigo ao advento da Cristandade: a confluência de duas visões de mundo ora pautadas pelas continuidades (e no seu bojo pelos processos de apropriações, releituras, ressignificações) ora pelas rupturas. Aqui, em particular, trataremos da controversa concepção acerca da natureza dos seres marcados pela alteridade ou, se desejarmos, os seres monstruosos que, para além de uma abordagem estritamente historiográfica, nos ensejaram a discutir conceitos e percepções de profundas implicações antropológicas e filosóficas, como o belo e o feio, o bem e o mal, o semelhante e o diferente.
O período helenístico: a época dos Diádocos
Resenha de: ANSON, E. M. Alexander’s heirs: the age of successors. Oxford: Oxford University Press, 2014. 248 p.
Inventivas e panegíricos na Antiguidade Tardia: as duas faces de uma mesma moeda
Resenha de: FLOWER, R. Emperors and bishops in Late Roman Invective. Cambridge: Cambridge University Press, 2013. 294 p.