RCAAP Repository
Saberes sem Fronteiras: Políticas para as migrações Pós-modernas
RESUMO Este artigo aborda o tema da produção e do acesso ao conhecimento científico no cenário mundial globalizado da contemporaneidade. Discute-se o programa governamental brasileiro de mobilidade acadêmica "Ciência sem Fronteiras" e seu programa complementar de ensino de língua estrangeira "Idiomas sem Fronteiras". O foco do trabalho problematiza as propostas e objetivos dessas ações no âmbito das políticas linguísticas brasileiras e das metas de internacionalização para a educação superior no que tange a produção de conhecimento científico no país. São apresentados dados referentes aos dois programas, bem como um estudo de caso ilustrativo da intrínseca relação entre conhecimento linguístico e desenvolvimento científico sobre a qual se assenta a concepção do programa de mobilidade. Avaliam-se, além disso, as possibilidades dessas ações resultarem em ganhos reais para participantes e gestores. Os resultados apontam para a necessidade de avaliação constante das ações empreendidas quanto à formação e a competência linguística dos participantes do programa, pensadas para promover o desenvolvimento científico do país, além do realinhamento dos objetivos e metas à realidade do ensino universitário.
2022-12-06T14:16:13Z
ARCHANJO,Renata
Um desafio na Linguística Aplicada contemporânea: a construção de saberes locais
RESUMO O objetivo deste trabalho é discutir a relação teoria e prática e a partir daí, desenvolver os conceitos de saber local e saber global. A gênese da escolha deste tema nasceu de meu envolvimento com a coordenação de um curso de Especialização para professores de Inglês da escola pública brasileira. Acreditava-se que talvez o curso não estivesse apresentando os resultados esperados justamente porque a relação teoria e prática não era claramente entendida ou talvez apresentada aos participantes. Não acontecia o entendimento de conhecimento global, apresentado no curso como teoria, em conhecimento local, necessário para atender necessidades de uma escola em particular ou até de uma classe, em um momento também particular. Neste caso, a experiência e o manejo de classe poderiam ajudar mais. Como tornar o conhecimento global, local? Aparentemente, no exemplo mencionado, estava havendo uma desconexão sobre o que se tratava do ponto de vista teórico, isto é, do ponto de vista das teorias de ensino-aprendizagem, com possíveis problemas que estivessem ocorrendo em uma sala de aula específica ou, talvez, por um aluno ou grupo de alunos, em particular. Neste caso o problema seria local e não poria em questão a teoria. Haveria, no entanto, necessidade de se adaptar a teoria para aquela situação específica, ou até de esquecer a teoria para tratar daquele caso em particular. Aí entra certamente a voz da experiência em sala de aula. O texto desenvolve os conceitos de local e global e mostra os pressupostos que os envolvem.
2022-12-06T14:16:13Z
CELANI,Maria Antonieta Alba
Experiências didáticas no ensino-aprendizagem de língua inglesa em contextos diversos
No summary/description provided
2022-12-06T14:16:13Z
ARAÚJO,Marcus de Souza MONTEIRO,Marta de Faria e Cunha
Austin's mantle, or who's (not) afraid of John L. Austin? On 50 years of speech act theory, and how Rajan saves J.L. Austin from himself and others
ABSTRACT The article places the person of Professor Kanavillil Rajagopalan within the context of his many years of research and teaching at various universities in Brazil. It is argued that his efforts to advocate a new approach to linguistics, based on the notion of 'speech acts', was not always well received by the practicing linguists of his day and age. Moreover, while researching the foundations of speech act theory from its inceptions, it became clear to Rajan that the doxa of 'Searle merely codifying and cleaning up Austin's somewhat unruly legacy' does not hold. The common opinion represented by this view does injustice, both to Searle as an independent thinker and to Austin as an original philosopher in his own right, who not just speaks through a Searlean mouthpiece. In particular, people have not paid attention to an essential element of the Austinian oeuvre: his persistent distancing himself from all iron-clad and rigid theorizing; in addition, Austin's humor played always a big role in his presentations, both orally and in writing. Rajan thus creates a more nuanced picture, both of the theory itself and of its two great protagonists, Austin and Searle.
2022-12-06T14:16:13Z
MEY,Jacob L.
Why Austin still matters
ABSTRACT I review in this paper how J. L. Austin relativizes the question of truth to contexts of the use of sentence-tokens, especially to the specific purposes with which a given user employs them. This has the consequence that truth becomes more matter of only being 'roughly' accurate, relative to a certain uses of sentence-tokens, rather than an inherent property of sentences in their putative correspondence to the world 'out there'. Austin's unease with the way philosophers have traditionally handled the question of truth thus stands out independently of his trademark thesis of verediction taking precedence over verum, the latter only taking its strength from the authority commanded by the one behind the former. This in turns opens up several new avenues of research, a fact that goes to prove that Austin has a lot to teach future generations of researchers.
2022-12-06T14:16:13Z
RAJAGOPALAN,Kanavillil
On the native/nonnative speaker notion and World Englishes: Debating with K. Rajagopalan
ABSTRACT In a series of three articles published in the Journal of Pragmatics (1995, henceforth JP), the purpose of the papers is to question the division of English spoken in the world into, on one hand, "native" varieties (British English, American English. Australian English) and, on the other, "new/nonnative" varieties (Indian English, Singaporean English, Nigerian English). The JP articles are indeed groundbreaking for they mark one of the first interactions among scholars from the East with researchers in the West with regard to the growth and spread of the language as well as the roles English is made to play by its impressive number of users. The privileged position of prestige and power attributed to the inner circle varieties (USA, UK, Canada, Australia and New Zealand) is questioned. Rajagopalan (1997, motivated by his reading of the JP papers, adds another dimension to this questioning by pointing to the racial and discriminatory stance underlying the notions "native speaker" and "nonnative speaker" (henceforth, respectively NS and NNS). Rajagopalan has written extensively on the issue of nativity or "nativeness"; over the years, Schmitz has also written on the same topic. There appears, in some cases, to be a number of divergent views with regard to subject on hand on the part of both authors. The purpose of this article is to engage in a respectful debate to uncover misreading and possible misunderstanding on the part of Schmitz. Listening to one another and learning from each another are essential in all academic endeavors.
2022-12-06T14:16:13Z
SCHMITZ,John Robert
Rajagopalan interpretando Austin: descolonialidades na nova pragmática do hemisfério sul
RESUMO Este estudo pretende seguir alguns fluxos culturais e políticos que atravessam e constituem a produção de Kanavillil Rajagopalan sobre o filósofo John Austin, no que diz respeito à "teoria" dos atos de fala, de modo que possamos considerar tal produção sob a égide de um movimento teórico descolonizador da Pragmática, como parte das chamadas "epistemologias do sul".
2022-12-06T14:16:13Z
NOGUEIRA DE ALENCAR,Claudiana MARTINS FERREIRA,Dina Maria
Dizer e mostrar como performativos
RESUMO Este artigo pensa a distinção wittgensteiniana entre dizer e mostrar sob a atmosfera das reflexões de Austin acerca da performatividade na linguagem. A literatura secundária sobre Wittgenstein tende a favorecer a tese de que desaparece dos escritos posteriores ao Tractatus Logico-Philosophicus e à Conferência sobre ética a oposição entre aquilo que se pode dizer e aquilo que apenas se mostra. Investiga-se aqui a pertinência do pensamento austiniano para reforçar a hipótese, menos disseminada, de que essa distinção sobrevive, modificada, na filosofia madura de Wittgenstein. Defende-se, ainda, a relevância do ponto em foco para além de seu aspecto meramente exegético.
2022-12-06T14:16:13Z
MARTINS,Helena
Sobre manhãs, humor e atos de fala
RESUMO Este ensaio apresenta uma trajetória de leituras de Frege a Austin, intermediadas pela interpretação independente e ousada de Kanavillil Rajagopalan. Ao argumentar sobre uma gama de aproximações teóricas entre Frege e Austin, este ensaio narra a importância da interpretação de Rajagopalan para o debate sobre Austin no Brasil.
2022-12-06T14:16:13Z
PINTO,Joana Plaza
A performance austiniana, atos de fala evanescentes e filósofos que riem
RESUMO Ensaio aqui um modo de dialogar com algumas formas de transmissão de saberes. Em permanente debate com John Langshaw Austin e seus comentadores, Kanavillil Rajagopalan vai fazendo de seu trabalho uma performance que conta com o riso que a constitui, e que resta em escritos nos quais o seu (não) saber serve, acima de tudo, para interrogar, e para que se transforme em um saber interrogar.
2022-12-06T14:16:13Z
VERAS,Viviane
Sobre adesões e críticas ao modelo de usuário racional em pragmática: o recurso à psicanálise
RESUMO Este trabalho revisita a noção de usuário em vertentes anglo-americanas e continentais da pragmática linguística. Delineamos alguns dos pressupostos da ideia de usuário racional, defendida por filósofos como Paul Grice e John Searle, bem como algumas assunções da crítica a esse modelo, realizada por pragmaticistas de tradições continentais, discursivas ou brasileiras. Historicamente, identificamos, nas primeiras décadas da pragmática linguística (1980 e 90), um recurso frequente à psicanálise na desconstrução do modelo de usuário racional - diálogo que foi se tornando rarefeito nas décadas seguintes. Aventamos que a possível natureza dessa atual recusa encontra-se numa intepretação equivocada de que a psicanálise seja uma teoria do indivíduo, ao passo que a pragmática seria uma teoria da sociedade. Apontamos, finalmente, para a premência do diálogo entre pragmática e psicanálise, sobretudo porque os campos têm compartilhado uma vigorosa crítica ao indivíduo intencional.
2022-12-06T14:16:13Z
SILVA,Daniel do Nascimento e SOUZA JR.,Paulo Sérgio de
Atos de tradução, ou quando traduzir é fazer
RESUMO Este trabalho analisa o ato de tradução à luz da Teoria dos Atos de Fala, como proposta por John Langshaw Austin em How to do things with words, argumentando que o modo como Austin constrói sua teoria, de uma forma não linear, é adequado para uma teorização sobre a tradução. O trabalho também propõe que se considere o ato de tradução como uma entidade "êmica", ou seja, irredutivelmente cultural. Essa proposta se inspira, por sua vez, na afirmação de Kanavillil Rajagopalan em relação aos atos ilocucionários. Para esse autor, os atos ilocucionários são "unidades de análise indissoluvelmente culturais, compreensíveis tão-somente enquanto fatos institucionais, específicos de cada comunidade de fala" (1992a: 120).
2022-12-06T14:16:13Z
Esteves,Lenita
Do étnico ao pan-étnico: negociando e performatizando identidades indígenas
RESUMO O objetivo deste texto é refletir, com base na teoria dos atos de fala proposta por Austin em 1962, sobre os modos como um grupo de professores indígenas da Amazônia Ocidental, mais precisamente do Estado do Acre, performatizam suas identidades em interações transculturais. Interessa-me aqui focalizar, sobretudo, os modos como esses professores constroem, discursivamente, não apenas suas identidades étnicas, mas, também, seu pertencimento a um grupo que, multiétnico, compartilha um projeto político comum.
2022-12-06T14:16:13Z
MAHER,Terezinha Machado
É sério?! O Humor no Jornalismo
RESUMO O objetivo deste artigo é falar "em" humor e não "sobre" o humor no discurso jornalístico. Especificadamente, o propósito é desconstruir a dicotomia entre a seriedade do jornalismo e a não seriedade do humor, a fim de mostrar que essa separação é apenas uma articulação ideológica sustentada por uma concepção de linguagem como representação do mundo que invoca constantemente a noção de verdade e objetividade para legitimar os fatos que descreve. O referencial teórico é a teoria dos atos de fala (Austin, 1990) e a Pragmática Linguística (Mey, 1993; Rajagopalan, 2003).
2022-12-06T14:16:13Z
OLIVEIRA,Jair Antonio de
Educação pública e escola: uma leitura austiniana
RESUMO Este trabalho tem por objetivo discutir a formação humana na escola da rede estadual de ensino e os atos de fala que circundam a educação pública. Partindo do pressuposto de que a língua é performativa, discutiu-se a conexão escola pública e atos de fala considerando a promessa de formação humana que gira em torno do discurso institucional. Para tanto, foi analisado documento de Base Curricular Comum do estado de Pernambuco. Como reflexão final, percebeu-se o problema das noções de consenso discursivo, práticas solidárias e competência presentes no documento, tanto pela institucionalização de conceitos, como a solidariedade, quanto pela promessa de "conforto" a pares que dialogam consensualmente.
2022-12-06T14:16:13Z
Melo,Sandra Helena Dias de
Ainda sobre a possibilidade de uma linguística "crítica": performatividade, política e identificação racial no Brasil
RESUMO Escrever a partir da contribuição do pensamento de Austin e Rajagopalan para a área da linguagem, ou especificamente ao campo da Linguística Crítica, também é escrever sobre como, principalmente o conceito de performatividade desloca o conceito de verdade tão apreciado pela Ciência e promove a possibilidade de se pensar uma relação entre linguagem e identidades não pautada em noções fixas e estanques. Trazer isso ao campo das relações raciais no Brasil é fundamental, pois a auto e hetero identificação linguística como negro e negra em nosso país irá se dar de forma política e contingencial. Neste sentido, nos interessa neste artigo: i) discutir a relação entre ciências, linguagem e identidades raciais no campo do fazer científico sobre linguagem; ii) Discutir o lugar da pesquisa linguística feita a partir do ponto de vista das questões negro-descendentes.
2022-12-06T14:16:13Z
MUNIZ,Kassandra
"Meninos" e "Professoras"? Pragmática social numa instituição de cuidado de deficientes
RESUMO Apoiado em teses de Kanavillil Rajagopalan, para quem toda representação é política, pois é uma escolha dentre representações possíveis, e de Howard Becker, para quem toda representação é adequada a determinadas condições sociais de fazer e uso, apresento uma reflexão sobre os usos das designações "meninos" e "professoras", observados durante as atividades de extensão realizadas numa instituição de cuidado de pessoas deficientes. Esta instituição não é um espaço escolar, mas em vez de procurar responder se essas designações correspondem ou não à "realidade", procurei entender a que realidade corresponde o uso dessas designações. Concluo que os usos das designações "meninos" e "professoras" evidenciam a posição marginal que a instituição ocupa no sistema municipal de ensino e colocam para os envolvidos, incluindo a equipe de extensão, um posicionamento quanto aos usos mais adequados ao contexto.
2022-12-06T14:16:13Z
VIEIRA,Ubiratan Garcia
O que o doente faz quando fala? A narrativa do doente sob uma perspectiva pragmático-discursiva
RESUMO O que os doentes, em interação com profissionais de saúde, fazem ao falar? Como se dá a comunicação humana em práticas complexas, como as práticas em saúde? Este artigo pretende refletir sobre essas questões, cooperando para o entendimento da comunicação humana focado na agência dos sujeitos em discurso. Pretende também cooperar para as reflexões sobre a importância da narrativa, não apenas como espaço de agenciamento na prática em pauta, mas também como nova forma de construção de saberes, inclusive científicos. A perspectiva que permeia toda a reflexão é a pragmática, que entende a linguagem como performativa (Austin, 1975) e lugar por excelência da construção identitária (Rajagopalan, 2006, 2006a, 2003, 2003a).
2022-12-06T14:16:13Z
PICCARDI,Tatiana
A posição do quantificador universal e suas implicações para o diagnóstico do movimento do verbo
RESUMO Neste trabalho, propõe-se uma análise para o fenômeno da quantificação flutuante e se problematiza a sua relevância nas discussões sobre o movimento do verbo. É feita uma revisão de duas abordagens teóricas sobre o fenômeno da quantificação flutuante, visando a compreender como cada uma trata da questão do movimento do verbo. Mostra-se que, para ambas, os quantificadores flutuantes são diagnósticos para a subida do verbo, pelo fato de ocuparem uma posição à margem esquerda da fase baixa (vP). Com base na distribuição de quantificadores flutuantes e advérbios altos em inglês, argumenta-se contra essas duas análises e se sugere que os quantificadores flutuantes, por ocuparem uma posição muito alta na hierarquia da oração, não podem ser considerados diagnósticos para o fenômeno do movimento do verbo.
2022-12-06T14:16:13Z
TESCARI NETO,Aquiles
Cruzamento vocabular: um subtipo da composição?
RESUMO Este artigo analisa aspectos que aproximam e distanciam os processos de formação de palavras por cruzamento vocabular, a exemplo de namorido e boadrasta, e por composição, abelha-rainha e lança-chamas, sob a ótica de um continuum morfológico, nos moldes de (Andrade, 2013), já que uma classificação baseada em representantes prototípicos de cada operação parece não ser a mais adequada à realidade lexical. Caracterizamos tais processos, fundamentando-nos, prioritariamente, em (Rio-Torto e Ribeiro, 2011), para a composição, e em (Andrade, 2008) e (Basilio, 2003;2005; 2010), para o cruzamento vocabular. Em virtude de suas características fonológicas, morfossintáticas e semântico-discursivas, o cruzamento vocabular deve ocupar posição de destaque, entre os processos de composição e derivação.
2022-12-06T14:16:13Z
ANDRADE,Katia Emmerick RONDININI,Roberto Botelho