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Educação e desenvolvimento

O tema que escolhemos para tratar nesta sessão solene de bênção e de entrega de diplomas de licenciatura intitula-se Educação e desenvolvimento. Contendo inquestionáveis potencialidades de abordagem, comporta, no entanto, o risco da vastidão. Por tal motivo, optámos por analisar três questões essenciais, entre as que seria legítimo abordar no âmbito da temática enunciada. A primeira dessas questões diz respeito às relações entre educação e mobilidade social, nomeadamente em articulação com o problema da desigualdade de oportunidades perante o ensino. O segundo ponto a abordar refere-se às relações entre economia e educação, encaradas a partir da teoria do capital humano. Por último, e tendo em conta a actualidade da temática do desenvolvimento - indissociável do investimento em educação -, analisaremos este conceito na sua perspectiva cristã.

Year

1993

Creators

Raposo, Nicolau de Almeida Vasconcelos

Considerações sobre a possibilidade da adesão da comunidade à convenção Europeia dos direitos do homem

À primeira vista pode parecer pouco compreensível que duas ordens jurídicas, resultantes da convenção Europeia dos direitos do homem (CEDH) e da Comunidade Europeia do Carvão e do Aço (CECA), que foram criadas quase simultaneamente e no mesmo contexto regional, a Europa, tenham prescindido, quando da sua implementação, da previsão de um qualquer mecanismo de coordenação entre ambas. É fácil de ver, no entanto, que a criação de um mercado comum do carvão e do aço parecia não interferir, em razão da matéria, com direitos fundamentais. Por outro lado, os Estados vinculados por cada um dos tratados não coincidiam totalmente.

Year

1993

Creators

Cunha, Luís Pedro

O pastoreio em Portugal (subsídios para o seu estudo)

O pastoreio em Portugal começa a chegar formalmente até nós, sobretudo através das referências inscritas nos forais, cartas régias, alvarás régios, códigos de posturas municipais. Também nalguns estudos históricos se inserem descrições etnográficas que fornecem dados importantes sobre o mesmo tema. No entanto os estudos sistemáticos sobre o tema foram conduzidos, entre outros, por Tude de Sousa, Amorim Girão, Jorge Dias, Orlando Ribeiro, Alberto Martinho. A nível de estudos monográficos aparecem referências várias a este tema que nós citaremos neste trabalho.

Year

1993

Creators

Martinho, Alberto

Modernos desafios à gestão do aparelho produtivo

Na primeira secção deste artigo irá analisar-se o quadro de referências no qual se enquadram presentemente as organizações industriais. Salientar-se-á, em particular, o papel que o sistema de fabrico pode ter na criação da vantagem competitiva. De seguida vai estabelecer-se o âmbito da função Gestão da Produção. Irão analisar-se as mais importantes vertentes desta função no seio da organização, de modo a poder imprimir a dinâmica necessária ao sistema de fabrico para que este desempenhe o papel estabelecido. Na última secção do artigo irá focar-se um modo de implementar a mudança na empresa industrial. De facto, a organização necessita de mudar para acompanhar ou mesmo para se antecipar à evolução do contexto, criando assim uma vantagem competitiva sobre a concorrência.

Year

1993

Creators

Silva, João Manuel Vilas-Boas da

A cultura organizacional e o(s) podere(s) da história na estruturação da identidade da empresa

O pior contributo - seja em que perspectiva for- que neste momento se pode dar ao debate sobre a vertente cultural das organizações é escamotear a sua dimensão ideológica e considerar a emergência da cultura de empresa como neutra. Será talvez útil recordar que esta não é a primeira vez, nem por certo a última, que as teorias sobre as organizações recorrem a metáforas como modelos de compreensão e explicação. Se as teorias, hoje emergentes, se socorrem da metáfora cultural - considerando, portanto, as organizações culturas -, já anteriormente o mesmo se verificou com outras teorias que viam as empresas, como refere Jorge Vala, «metaforicamente ora como máquinas (lembremos os primeiros estudos no interior do paradigma da organização científica do trabalho), ora como organismos (metáfora subjacente às teorias sistémicas sobre as organizações), ora como cérebros (teorias da decisão e do processamento da informação aplicadas às organizações), etc.» (J. Vala et al.,1988: 663).

Year

1993

Creators

Amaro, António Rafael

Marketing, estratégia e identidade de empresa ("Mercator" e "Strategor")

Jacques Lendrevie, Denis Lindon, Pedro Dionísio e Vicente Rodrigues, MERCATOR: Teoria e prática do marketing, col. «Gestão & Inovação», série «Ciências de Gestão», 1, 2.ª ed., Lisboa, Publ. Dom Quixote, 1992, 516+XLVIII p. Jean-Pierre Anastassopoulos et al., Estratégia. Estrutura. Decisão. Identidade. STRATEGOR: Política global de empresa (trad. do francês), col. «Gestão & Inovação», série «Ciências de Gestão», 2, Lisboa, Publ. Dom Quixote, 1993, 441 p.

Year

1993

Creators

Mendes, José M. Amado

Que perspectivas para a economia portuguesa no quadro da união económica e monetária?

O Mercado Único Europeu, de que fazemos parte, tem vindo a remover os obstáculos à livre circulação de mercadorias, pessoas, serviços e capitais e à liberdade de estabelecimento de empresas de outros países membros, com vista a realizar um mercado europeu integrado, como se fora o de um único país. Entretanto, a União Monetária visa chegar a uma moeda única, que reduza os custos de transacção e assegure a transparência dos preços em todo esse vasto mercado. O embarcar num tal projecto constitui uma das decisões de maior alcance e carregada de consequências que um Estado pode tomar no campo económico. Uma coisa é certa, e essa é a conclusão tanto da teoria como a lição da experiência histórica: a abertura dos mercados e o aprofundamento da integração económica é fonte de melhoria de bem estar económico e de criação de riqueza. O que não é certo, nem a teoria económica permite dilucidar, é a forma como se distribui esse acréscimo de bem estar entre países e regiões. A nossa pergunta, hoje, consiste nisto: o que vai suceder à economia portuguesa, ou o que podemos esperar que lhe suceda, ao participar nesse projecto de integração progressiva?

Year

1994

Creators

Pintado, Valentim Xavier

Desenvolvimento das actividades competitivas das empresas na área comercial

Procurarei dar, no princípio, uma ideia do que é e do que foi a evolução das actividades de Marketing em Portugal que já têm uma longa história. Deixem-me contar duas historietas: uma do mundo da banda desenhada, a outra de conteúdo mais histórico. - A primeira tem a ver com um autor de banda desenhada chamado Hergé, o autor das histórias do TinTin. Ele escreveu 20 e tal livros sobre assuntos passados em muitos países diferentes e inventou centenas de personagens. No meio daquela confusão apareceu lá um português que é o senhor Oliveira da Figueira, um comerciante das sete partidas do mundo. É uma figura simpática, que ajuda o herói dessas aventuras, mas é uma figura dedicada ao comércio. Aparentemente Hergé, que recolheu informação sobre "n" povos do mundo, ao olhar para os portugueses apanhou esta nossa faceta comercial e retratou o povo português através desta figura. Penso que, de certa forma, os Portugueses têm algum jeito inato para o comércio. - A segunda historieta é que nós somos um povo descobridor, em que a actividade comercial representou algo muito importante na nossa História. É evidente que o pico já foi há 500 anos atrás, mas ao longo da História há vários episódios que reforçam esta ideia. Direi que, nessa altura, tínhamos uma visão moderna do comércio internacional (hoje utilizamos a palavra global, que é uma palavra agora muito em moda). E não se pense que o comércio português era só entre a Metrópole e as colónias: onde quer que estivéssemos, encontrávamos oportunidades de fazer negócio, de uma forma extremamente rentável para ambos os lados.

Year

1994

Creators

Nascimento, Fernando

Breves notas sobre cultura de qualidade

Cumpre-me, em primeiro lugar, apresentar a V. Ex.a, Senhor Ministro dos Negócios Estrangeiros, as respeitosas saudações do Instituto Universitário de Desenvolvimento e Promoção Social pela sua presença nesta sessão de encerramento das IV Jornadas de Gestão. O Conselho de Direcção do I.U.D.P.S. havia já dirigido convite a V. Ex.ª para proferir uma conferência, no âmbito das actividades do seu Ministério, iniciativa que é possível concretizar hoje. Em seguida, desejaria congratular-me com a realização destas IV Jornadas de Gestão que, durante dois dias, nos reuniram para partilharmos das sessões científicas e dos debates que se lhes seguiram, os quais se revelaram extremamente fecundos. Depois do ciclo de conferências sobre temas económicos, realizado na primeira quinzena de Novembro e promovido pelo Conselho de Direcção do Instituto, as IV Jornadas de Gestão, organizadas pelo Conselho de Delegados da licenciatura em Gestão e Desenvolvimento Social, dão bem uma imagem da vitalidade e do trabalho que vimos realizando e que me apraz realçar.

Year

1994

Creators

Raposo, Nicolau Vasconcelos

Contribuição da estratégia da produção para a estratégia do negócio

A estratégia da produção é um elo fundamental da estratégia empresarial que nem sempre tem sido objecto da atenção que merece. Este artigo pretende chamar a atenção para esta realidade, analisar algumas das lacunas existentes e promover a divulgação de uma metodologia de abordagem do tema, com cariz prático.

Year

1994

Creators

Silva, J. M. Vilas-Boas da

Algumas achegas para o estudo da indústria no distrito de Viseu (1850-1900)

Muitos são os autores que, recentemente, têm feito referências sobre a necessidade de se elaborarem trabalhos monográficos e circunscritos no espaço, sobretudo no que concerne ao estudo da indústria. Espera-se destes estudos, entre outras coisas igualmente importantes, um conhecimento mais em profundidade das reacções dos vários sectores industriais, ao verem-se confrontados, como aconteceu na segunda metade do século XIX, com uma crescente integração e necessidade de especialização - no quadro de uma cada vez maior divisão social do trabalho - dos mercados nacionais e internacionais. Não é possível, a nosso ver, encontrar respostas minimamente fundamentadas para questões como, por exemplo, o nosso relativo atraso industrial, reacção ao livre-câmbismo e proteccionismo, impacto da modernização dos transportes, inovações tecnológicas e condicionamentos à mudança dos processos produtivos, se não no quadro de espaços de análise mais restritos, ainda que em estreita relação com o todo nacional.

Year

1994

Creators

Amaro, António Rafael

A metalurgia Casal, 1964-1974 elementos para uma cultura de empresa

Sob os efeitos da internacionalização, da multinacionalização e, mais recentemente, da globalização - fenómenos conexos mas distintos -, assiste-se, ora com perplexidade, ora com euforia, à derrocada do Estado-Providência e do mundo criado sobre os seus fundamentos políticos, económicos, sociais e culturais. Na sua desintegração, o Megaestado arrasta consigo, também, a teoria clássica internacional. De facto, «não é exagero dizer-se que se está hoje perante um quase vazio teórico das relações económicas internacionais. A teoria assentou, desde Adam Smith a David e Ricardo ou, mesmo, a Samuelson e, praticamente até aos nossos dias, no pressuposto da imobilidade dos factores produtivos - terra, trabalho, capital e tecnologia».

Year

1994

Creators

Rodrigues, Manuel Ferreira

O actual comportamento dos consumidores como uma oportunidade para as PME's portuguesas. um exemplo no sector do vestuário «sportswear»

É um dado adquirido, da economia em geral e dos seus agentes em particular, que os principais aspectos de que carecem as pequenas e médias empresas (PME), nomeadamente as que constituem a grande maioria do tecido industrial português, são· os que resultam do desenvolvimento da função de Marketing numa empresa. Podemos então afirmar, como tem sido referido pelos mais diversos especialistas, que a principal desvantagem competitiva das PME' s nacionais é a abordagem do seu negócio numa prespectiva puramente industrial, deixando esquecidas funções tão importantes como as Comerciais e de Marketing.

Year

1994

Creators

Cruz, Carlos Pedro Bailio da

Actividades tradicionais e emprego feminino no Montemuro: notas de reflexão sobre o desenvolvimento local

Este texto é uma reflexão sobre o desenvolvimento local em meio rural, baseada no nosso contacto com micro-empresas de produção e comercialização de artesanato, situadas na Serra de Montemuro (Marques, Portela e Cristóvão, 1993). Trata-se duma "área rural profunda", segundo a classificação da Comissão de Coordenação da Região Centro (CCRC), onde 90% da população vive em lugares com menos de 500 habitantes e 50% em lugares com menos de 200 habitantes. Isto apesar dos movimentos migratórios, com saldo negativo de 12% entre 1981 e 1991, terem afectado as localidades mais pequenas. Naquela área do interior do país, o envelhecimento populacional manifesta-se duplamente no aumento dos idosos e diminuição dos jovens, mas é precisamente na base da pirâmide que mais se faz sentir: entre 1981 e 1991 houve um decréscimo de 30% na população até aos 14 anos e de 20% entre os 15 e os 24 anos.

Year

1994

Creators

Marques, Carlos Peixeira Portela, José F. G.