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Mortalidade compensada por doenças cardiovasculares no período de 1980 a 1999 - Brasil
OBJETIVO: Avaliar comparativamente a evolução das mortalidades por doenças do aparelho circulatório (DAC), doenças isquêmicas do coração (DIC) e cerebrovasculares (DCBV), no estados do Rio de Janeiro (RJ), São Paulo (SP) e Rio Grande do Sul (RS), e suas capitais, no período 1980-1999. MÉTODOS: Os dados relativos a óbitos por DAC provieram do Datasus, e os das populações, do IBGE. Calcularam-se taxas de mortalidade brutas e ajustadas, por sexo e idade, pelo método direto (população padrão: maiores de vinte anos do Estado do RJ, em 2000). Em razão do crescimento relevante da mortalidade por causas mal definidas no município e no Estado do RJ, a partir de 1990, procedeu-se à compensação dos óbitos preliminares aos ajustamentos. As tendências foram analisadas com regressões lineares. RESULTADOS: Os declínios anuais da mortalidade, compensados e ajustados, variaram de -11,3 óbitos por DAC, por cem mil habitantes, no município e no Estado do RJ, até -7,4 no município de SP. As DIC foram semelhantes no Estado e município do RJ e em Porto Alegre, sendo menores no município de SP (-2,5 óbitos por cem mil habitantes). Nas DCBV, a variação observada foi de -6,0 a -2,8 óbitos por cem mil habitantes, no Estado do RJ e em Porto Alegre, respectivamente. CONCLUSÃO: Observaram-se declínios das taxas de mortalidade compensadas e ajustadas por DAC, DIC e DCBV, no período 1980-1999, nos três estados e capitais. No RJ, Estado e município, os declínios das DIC foram nítidos a partir de 1990, enquanto as DCBV mostraram quedas em todo o período.
2005
Oliveira,Gláucia Maria Moraes Silva,Nelson Albuquerque Souza e Klein,Carlos Henrique
Avaliação clínico-cardiológica e ecocardiográfica, seqüencial, em crianças portadoras da síndrome de Marfan
OBJETIVO: Descrever a apresentação clínica cardiológica e a evolução temporal, estimar a incidência de ectasia ânulo-aórtica e de prolapso da valva mitral, e avaliar a tolerância e a efetividade dos betabloqueadores em crianças com síndrome de Marfan. MÉTODOS: Foram submetidas a exame clínico e ecocardiográfico seriado, durante um ano, 21 crianças com síndrome de Marfan. No ecocardiograma foram analisados: presença de prolapso mitral, diâmetro da raiz aórtica, refluxos das valvas mitral e aórtica, e o crescimento dos diâmetros aórticos na vigência de betabloqueadores. Em 11 pacientes foi possível obter duas medidas da raiz aórtica no intervalo de um ano. RESULTADOS: Durante o estudo as crianças não apresentaram sintomas. Prolapso mitral foi encontrado em 11 (52%) crianças. Ectasia ânulo-aórtica ocorreu em 16 (76%) pacientes, sendo de grau discreto em 42,8%, moderado em 9,5%, e importante em 23,8%. Um desses pacientes foi submetido com sucesso à cirurgia de Bentall DeBono. Com o uso de betabloqueador a freqüência cardíaca diminuiu 13,6% (de 85 para 73 bpm; p < 0,009), mas houve um crescimento da raiz aórtica de 1,4 mm/ano (p < 0,02). Uma criança não pôde receber betabloqueador em razão de asma brônquica, e não foram observados efeitos colaterais significativos nas outras crianças, incluindo uma com asma brônquica. CONCLUSÃO: Os resultados obtidos sugerem que, no período observado, as crianças permaneceram assintomáticas, o uso de betabloqueadores diminuiu significativamente a freqüência cardíaca e não se acompanhou de efeitos adversos significativos. Ao contrário da literatura, a incidência de ectasia ânulo-aórtica foi elevada e maior do que a de prolapso valvar mitral, tendo crescimento mesmo na vigência de uso eficaz de betabloqueador.
2005
Lopez,Victor Manuel Oporto Perez,Ana Beatriz Alvarez Moisés,Valdir Ambrósio Gomes,Lourdes Pedreira,Patricia da Silveira Silva,Célia C. Campos Filho,Orlando Carvalho,Antônio Carlos C.
Depressão e síndromes isquêmicas miocárdicas instáveis: diferenças entre homens e mulheres
OBJETIVO: Investigar, em portadores de Síndromes Isquêmicas Miocárdicas Instáveis (SIMI) estratificados por sexo, se características sociodemográficas, diagnóstico clínico, tabagismo, consumo de álcool e ansiedade estão associados com depressão. MÉTODOS: Foram entrevistados 345 pacientes consecutivos com SIMI (206 com infarto agudo do miocárdio e 139 com angina instável). As entrevistas incluíram questões sobre características sociodemográficas, tabagismo, avaliação de depressão (Prime MD e BDI), de ansiedade traço e ansiedade estado (IDATE), e de consumo de álcool (AUDIT). RESULTADOS: O diagnóstico de depressão se correlacionou, significativamente, com sexo feminino, idade inferior a 50 anos e escores médios mais elevados de ansiedade traço e ansiedade estado. Os homens (245) com depressão eram freqüentemente mais jovens que 50 anos, fumantes, e apresentavam escore médio de ansiedade traço e ansiedade estado mais elevado que os não deprimidos. A análise multivariada aponta que, no sexo masculino, idade está negativamente associada (OR 0,9519, 95% IC 0,9261 - 0,9784) e escores mais altos de ansiedade traço estão positivamente associados (OR 1,0691 95% IC 1,0375 - 1,1017) com depressão. Na amostra feminina (100), mulheres com depressão diferenciam-se das sem depressão por apresentarem escore médio mais alto de ansiedade traço e de ansiedade estado. Na análise multivariada da amostra feminina, escore mais alto de ansiedade traço associou-se de forma independente à depressão (OR 1,1267 95% IC 1,0632-1,1940). CONCLUSÃO: Conclui-se que, em pacientes hospitalizados com SIMI, as mulheres, os homens com menos de 50 anos e os ansiosos têm mais chance de apresentarem depressão.
2005
Perez,Glória Heloise Nicolau,José Carlos Romano,Bellkiss Wilma Laranjeira,Ronaldo
Tendência da mortalidade por insuficiência cardíaca em Salvador, Bahia, Brasil
OBJETIVO: Avaliar a tendência da mortalidade por insuficiência cardíaca (IC) em Salvador - Bahia, no período de 1979-1995. MÉTODOS: A IC foi definida pelas notações da 9ª Revisão do Código Internacional de Doenças (CID9) 428.0, 428.1 e 428.9. Dados de óbitos por IC e populacionais (região metropolitana de Salvador) foram obtidos por meio da Secretaria de Saúde da Bahia e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. As taxas de mortalidade (/100.000) foram totais ou por gênero e idade, e brutas ou ajustadas por idade (padronização direta). RESULTADOS: As taxas de mortalidade por IC sofreram redução progressiva no período de tempo avaliado, para ambos os gêneros, especialmente até o ano de 1992. A partir daí e até 1995, ocorreu uma aparente estabilização das curvas. A taxa de mortalidade bruta passou de 25,0/10(5), em 1979, para 16,4/10(5) habitantes, em 1995 (queda de 34,4%). A redução foi de 34,0% (23,3/10(5), em 1979, para 15,4/10(5) habitantes, em 1995) para o sexo masculino e de 35,2% (26,7/10(5), em 1979, para 17,3/10(5) habitantes, em 1995), para o sexo feminino. A mesma tendência ocorreu nas diversas faixas etárias, inclusive para a população > 40 anos, de maior risco para IC. Após o ajuste por idade (população padrão de 1979), observa-se que as reduções relativas nas taxas foram ainda maiores. CONCLUSÃO: A mortalidade por IC, em Salvador-Bahia, declinou de 1979 a 1992, estabilizando-se a partir de então até 1995.
2005
Latado,Adriana Lopes Passos,Luiz Carlos Santana Guedes,Rodrigo Santos,Alessandra B. Andrade,Marianna Moura,Simone
Demonstração do mecanismo da terapia de ressincronização ventricular com ecocardiografia tridimensional em tempo real em paciente com insuficiência cardíaca
Relatamos caso de homem de 66 anos de idade portador de insuficiência cardíaca classe funcional (NYHA) IV que foi submetido a terapia de ressincronização cardíaca por implante de marcapasso biventricular. O paciente foi avaliado antes e 48 horas após o implante do marcapasso com o emprego da ecocardiografia tridimensional transtorácica em tempo real. A utilização da ecocardiografia tridimensional contribuiu para o entendimento do mecanismo envolvido na ressincronização cardíaca através da demonstração da melhor sincronização dos segmentos cardíacos, o que resultou em melhora clínica do paciente.
2005
Vieira,Marcelo Luiz Campos Maddukuri,Prasad V. Phang,Robert S. Pandian,Natesa G. Mathias Júnior,Wilson Ramires,José A. F.
Fístula de enxerto coronariano da artéria torácica interna esquerda para artéria pulmonar esquerda após cirurgia de revascularização miocárdica: causa rara de isquemia miocárdica
Descrevemos o caso de um paciente que, seis anos após cirurgia de revascularização do miocárdio, desenvolveu dispnéia aos pequenos esforços. Foi documentada isquemia miocárdica por método de medicina nuclear e a cineangiocoronariografia mostrou todos os enxertos patentes com grande fístula da artéria torácica interna esquerda para artéria pulmonar esquerda. O paciente foi tratado com fechamento cirúrgico da fístula, tendo ótima evolução pós-operatória.
2005
Almeida Júnior,Gustavo Luiz Gouvêa de Jorge,José Kezen Camilo Neno,Augusto César de Araújo Nogueira,Fernanda Beloni dos Santos Hellmuth,Bruno Lins,Roberto Hugo da Costa Vilella,Renato Carreira,Valdo José Thadeu,Ivo Silva,José Pedro da
Aneurisma de artéria coronária um ano e cinco meses pós-implante de stent com eluição de sirolimus
Paciente de 52 anos de idade, do sexo masculino, com diagnóstico de angina instável pós-infarto. A angiografia coronariana revelou obstrução luminal de 90% no terço médio da artéria coronária direita e de 90% no ramo marginal da artéria circunflexa. Após o uso de clopidogrel 300 mg associado ao ácido acetilsalicílico, o paciente foi submetido a implante de stent com eluição de sirolimus (CYPHER; Johnson&Johnson-Cordis) 2,5 x 18 mm, na lesão do ramo marginal esquerdo. Após um ano e cinco meses do implante do stent CYPHER, foi observada em nova angiografia a presença de aneurisma coronariano intra-stent, no ramo marginal esquerdo. O presente relato sugere que o implante de stent coronariano revestido com sirolimus pode ocasionar, tardiamente, a formação de aneurisma da artéria coronária.
2005
Abreu,Luciano Meireles,George César Ximenes Forte,Antonio Artur Sumita,Marcos Hayashi,Jorge Solano,José
Angioplastia cirúrgica de óstio e tronco coronariano: experiência de oito casos
No período de abril de 1980 a março de 1990, foram realizadas oito cirurgias de angioplastia de óstio e/ou tronco de coronária esquerda ou direita. Não houve mortalidade imediata e esses pacientes foram acompanhados por um período de 1-109 meses (43,2 meses). Houve melhora clínica e de classe funcional. Seis pacientes fizeram estudo cineangiográfico das coronárias e do ventrículo esquerdo, revelando uma anatomia de óstio e tronco adequada na área operada, e melhora da contratilidade do ventrículo esquerdo. Na evolução tardia houve dois óbitos. Um paciente morreu a 39 meses do pósoperatório, com insuficiência cardíaca congestiva e dor anginosa; o outro faleceu em acidente rodoviário, após 109 meses da cirurgia. Estes resultados permitem concluir que a angioplastia por lesões obstrutivas em óstio ou tronco coronário direito ou esquerdo, isoladas ou associadas a outros defeitos, é um procedimento cirúrgico com baixo risco imediato, com evolução favorável a longo prazo e que pode ser considerado como tratamento opcional para revascularizaçáo coronária.
1990
Loures,Danton R. R Ribeiro,Edison J Almeida,Rui Sequeira de Ferreira,Maria João A Bueno,Ronaldo R. L Andrade,Paulo Mauricio P Pereira,Marcos Augusto A Rossi,Paulo Roberto F
Transposição da valva pulmonar para substituição da valva aórtica
Embora tenha havido uma importante melhora na qualidade das próteses cardíacas aórticas, existem, ainda, problemas consideráveis a longo prazo, como o uso de aticoagulantes para as próteses mecânicas e a durabilidade dos tecidos biológicos fixados e mortos. No presente trabalho, relatamos as técnicas utilizadas para se transplantar um tubo valvulado obtido pela dissecção da valva e tronco pulmonar do próprio paciente e seu implante no local da valva aórtica suturada sob os óstios das artérias coronárias direita e esquerda. Após isto, reconstruímos a via de saída de ventrículo direito (VSVD), valva e tronco pulmonar com tubo valvulado de pericárdio bovino. O paciente teve ótima evolução pós-operatória, com a neovalva aórtica perfeitamente competente e bom fluxo pulmonar. O pericárdio bovino utilizado em posição pulmonar tem uma tendência desprezível de complicações a longo prazo bem menor que em posição aórtica e a valva pulmonar homóloga viva deverá ser definitiva.
1990
Furtado,Henrique B Duran,Carlos A Mejias,Gonzalo H Bittencourt,Nilton Barros,Reginaldo A Camargo,Antônio Carlos B Germano,Antônio E
Solução cardioplégica sangüínea versus acelular: avaliação hemodinâmica através de estudo experimental em cães
Estudo experimental em 20 cães permitiu avaliar hemodinamicamente o grau de proteção miocárdica à anóxia, através do emprego de solução cardioplégica sangüínea e acelular. A Isquemia miocárdica foi obtida pelo pinçamento da aorta ascendente por 60 minutos, após instalação de circulação extracorpórea, seguida de reperfusão por 120 minutos. Os animais foram divididos em quatro grupos, sendo os dois primeiros controles, mantidos em normotermia e hipotermia moderada (28ºC). No terceiro e quarto grupo, além de hipotermia, foram realizadas infusões coronárias das duas soluções cardioplégicas. Todos os aniamis apresentaram queda do débito cardíaco (DC) aos 30 minutos de reperfusão miocárdica. Entretanto, decorridos 120 minutos, pode-se evidenciar, nos cães que receberam cardioplegia, a significativa recuperação da pressão sistólica (PS) do VE e a não elevação da pressão diastólica final (PDF) do VE, além da normalização do DC, o que não ocorreu nos grupos controle, especialmente em normotermia. No período de anóxia estudado, não foi possível demonstrar, com o método, diferenças estatisticamente significativas entre as soluções cardioplégicas.
1990
Dallan,Luís Alberto Oliveira,Sérgio Almeida de Iglézias,José Carlos R Pêgo-Fernandes,Paulo M Auler Júnior,José Otávio C Verginelli,Geraldo Jatene,Adib D
Revascularização da artéria coronária direita intra-atrial
A artéria coronária direita, em seu trajeto no sulco atrioventricular direito, pode, em raras ocasiões, penetrar na cavidade atrial direita. Esta variação anatômica poderá modificar a tática cirúrgica em operações de revascularização miocárdica. No presente trabalho, relatamos o caso em que a ponte de veia safena para a artéria coronária direita foi realizada em posição intra-atrial direita.
1990
Lourenção Júnior,Artur Dallan,Luís Alberto Oliveira,Sérgio Almeida de Jatene,Adib D
Revascularização do miocárdio no paciente octogenário
No Instituto do Coração, de janeiro de 1978 a julho de 1990, foram tratados cirurgicamente 503 pacientes com idade igual ou superior a 80 anos. Destes, 15 foram submetidos a revascularização do miocárdio. Com o objetivo de caracterizar essa população de octogenários submetidos a revascularização do miocárdio, fizemos um levantamento de dados retrospectivamente. Neste estudo, foram analisados fatores clínicos, radiológicos, hemodinâmicos, operatórios e de pós-operatório. Não houve análise estatística do material. A mortalidade hospitalar foi de 2/15 (13,33%) e, num segmento médio de 24,7 meses (5-50), cinco pacientes foram a óbito devido a: acidente vascular cerebral hemorrágico, infecção do trato urinário, trombose mesentérica, infecção pulmonar e descompensação diabética secundária a infecção do trato urinário. Dos sobreviventes, todos apresentavam melhora da sintomatologia, relacionada a angina e a insuficiência cardíaca. Baseando-nos, nos dados coletados, concluímos: 1) não houve óbito operatório; 2) a mortalidade hospitalar esteve relacionada aos processos infecciosos; 3) no seguimento tardio, a grande maioria dos pacientes referia melhora na sintomatologia e, portanto, na qualidade de vida; 4) a idade, isoladamente, não representou fator de risco proibitivo para o tratamento cirúrgico.
1990
Iglézias,José Carlos R Dallan,Luís Alberto Oliveira,Sérgio Ferreira Ramires,José Antônio Oliveira,Sérgio Almeida de Verginelli,Geraldo Pileggi,Fúlvio Jatene,Adib D
Cirurgia valvar em crianças e jovens: resultados de 131 casos
No período de janeiro de 1983 a dezembro de 1988, 131 pacientes, com idade igual ou inferior a 15 anos, foram submetidos a cirurgia valvar, 74 (56%) de etiologia adquirida e 57 (44%) de etiologia congênita. Em 100 (76,3%) pacientes somente uma valva foi tratada. Foram realizadas 63 trocas valvares (retroca em seis), 103 procedimentos conservadores e três exéreses valvares. Das 63 próteses utilizadas, 59 (93,6%) eram biológicas e 4 (6,3%) mecânicas. Vinte e um (16%) casos eram reoperações, sendo 17 (81%) por disfunção de prótese. O tempo médio de calcificação das biopróteses foi de 40 meses (3,3 anos). A mortalidade hospitalar foi de 7,5% e a tardia foi de 2,2%. No seguimento tardio de 787 meses/paciente, todos encontram-se em classe funcional I e II (NYHA).
1990
Gerola,Luís Roberto Pomerantzeff,Pablo M. A Pêgo-Fernandes,Paulo M Stolf,Noedir A. G Barbero-Marcial,Miguel Ebaid,Munir Snitcowsky,Rachel Grinberg,Max Verginelli,Geraldo Jatene,Adib D
Traços psicológicos dos pacientes submetidos a angioplastia transluminal coronária
Este trabalho teve por objetivo a identificação de traços psicológicos e características emocionais comuns aos pacientes que foram, pela primeira vez, submetidos a angioplastia transluminal coronária (ATC), no Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia. Foram analisados 84 pacientes, de ambros os sexos, com idade média de 55 anos. Foram realizadas, pela equipe de psicólogos, duas entrevistas semidirigidas, durante cada uma das quais foram aplicados o Inventário de Ansiedade Traço - Estado (IDATE) e a Escala de Hamilton. Essas entrevistas foram realizadas imediatamente anterior à ATC e um dia após o procedimento, na alta dos pacientes. Os resultados permitiram-nos concluir que a grande maioria apresentou padrão comportamental tipo A, próprio do coronariano, alto estresse constitucional e ambiental e ansiedade - traço acima da média. Obtiveram alta porcentagem, também, as variáveis tensão, depressão, grau de competitividade e labilidade de humor.
1990
Campos,Lourdes Helena de Nascimento,Gláucia Faé
Endomiocardiofibrose: resultados do tratamento cirúrgico com conservação das valvas atrioventriculares
Entre abril de 1988 e janeiro de 1991, foram operados 25 pacientes consecutivos, para correção de endomiocardiofibrose, com técnica conservadora das valvas atrioventriculares. Dezenove pacientes eram do sexo feminino e seis do masculino. As idades variaram de 11 a 59 anos, com média de 40,6 anos. Dezesete pacientes apresentavam acometimento biventricular, seis com comprometimento do ventrículo esquerdo e apenas dois pacientes com lesão isolada do ventrículo direito. Todos estavam em grupos avançados de insuficiência cardíaca, sendo 19 em grupo IV da NYHA e seis no grupo III. No pré-operatório, 24 apresentavam insuficiência da valva tricúspide e 22 apresentavam insuficiência da valva mitral. Todos os pacientes foram operados com o auxílio de circulação extracorpórea e hipotermia sistêmica de 28ºC e pinçamento aórtico intermitente, para melhor exposição das cavidades ventriculares. A fibrose ventricular direita foi sempre ressecada através da valva tricúspide, enquanto que a fibrose do ventrículo esquerdo foi removida através de pequena ventriculotomia esquerda apical. Em todos os pacientes com insuficiência tricúspide, foi feita plástica anular do tipo DeVega. Dos pacientes com insuficiência mitral, sete tiveram correção espontânea após a ressecção da fibrose, e os outros 15 receberam anuloplastia. Houve apenas um (4%) óbito no pós-operatório imediato e nenhum óbito tardio. A recuperação funcional foi boa, estando atualmente 16 pacientes em grupo funcional I e 8 em grupo II.
1991
Oliveira,Sérgio Almeida de Dallan,Luís Alberto Pereira-Barreto,Antônio Carlos Mady,Charles Pileggi,Fúlvio Jatene,Adib D
Correção de doenças da aorta torácica com utilização de hipotermia profunda e parada circulatória
São apresentados 14 casos de aneurismas e/ou dissecções da aorta torácica submetidos a correção cirúrgica com o emprego de hipotermia profunda e parada circulatória. Entre os 14 pacientes, seis eram portadores de aneurismas da aorta (um de aorta ascendente, três do arco aórtico, um de aorta ascendente + arco aórtico, um de aorta descendente) e oito eram portadores de dissecção aórtica. A hipotermia foi induzida gradualmente até atingir 18ºC de temperatura nasofaríngea. O período médio de parada circulatória foi de 35 minutos. Houve quatro óbitos hospitalares, sendo um por problemas hemorrágicos, um por arritmia ventricular pós IAM, um por insuficiência renal aguda já existente no pré-operatório e um por AVC e infecção pulmonar secundária. Dos 10 pacientes, dois apresentaram insuficiência respiratória com assistência ventilatória prolongada e quatro apresentaram distúrbios neurológicos transitórios, com recuperação total. A técnica de hipotermia profunda e parada circulatória mostrou-se como boa alternativa na abordagem cirúrgica de lesões graves da aorta torácica.
1991
Gontijo Filho,Bayard Fantini,Fernando Antônio Barbosa,Juscelino Teixeira Silva,João Alfredo de Paula e Castro,Marcelo Frederique de Peredo,Eduardo O. A Pedrosa,Adelso A Gonçalves,Flávio Donizete Vrandecic,Mário Osvaldo
Tratamento cirúrgico dos aneurismas toracoabdominais da aorta
Foram operados, em nosso Serviço, 161 aneurismas da aorta, sendo 99 por dissecção e 62 por outras causas. Em cinco pacientes, os aneurismas eram de localização toracoabdominal, sendo três por degeneração aterosclerótica e dois por dissecção; três pacientes eram do sexo feminino e a idade variou de 31 a 71 anos. Dois pacientes submeteram-se a aneurismectomia previamente (um da aorta ascendente e outro da porção proximal da aorta torácica). Revascularização miocárdica foi feita em um paciente, 40 dias antes da aneurismectomia. A indicação em todos os pacientes foi dor, causada por compressão do aneurisma, sendo que, em dois, havia insuficiência respiratória associada. Todos os pacientes foram operados através de incisão toracoabdominal e abertura do diafragma. A aorta foi substituída por tubo de Dacron, desde sua porção proximal até sua bifurcação, e as artérias viscerais foram implantadas no tubo. Quatro pacientes foram operados com pinçamento da aorta; um paciente necessitou emprego de circulação extracorpórea e parada circulatória, por impossibilidade de pinçamento da aorta junto à artéria subclávia. Todos os pacientes sobreviveram ao ato cirúrgico, ocorrendo dois óbitos no pós-operatório, um subitamente no 12º dia e outro por coma neurológico secundário a parada cardíaca causada por hipoxia.
1991
Souza,Januário M Berlinck,Marcos F Rojas,Salomon O Senra,Dante F Oliveira,Paulo A. F Martins,José Renato M Mazzieri,Ricardo Oliveira,Sérgio Almeida de
Dez anos de cirurgia dos aneurismas e dissecções crônicas da aorta ascendente no Instituto do Coração - FMUSP
Entre janeiro de 1980 e dezembro de 1990, 109 pacientes com idade entre 12 e 70 anos, 86 do sexo masculino e 23 do sexo feminino, foram operados para tratamento de aneurismas e dissecções da aorta ascendente, associados ou não a insuficiência aórtica. Trinta e quatro pacientes estavam em classe funcional (CF) IV (NYHA), 51 em CF III, 18 em CF II e seis em CF I. Cinqüenta e dois pacientes tinham dissecção crônica da aorta, 29 tinham ectasia ânulo-aórtica, dez aneurisma sacular com insuficiência aórtica e os demais, diagnósticos associados. A mortalidade imediata foi de 12,8% (14 óbitos). Vinte e sete (24,7%) pacientes não foram acompanhados tardiamente. A mortalidade tardia foi de 13,4% (11/82). Dos 72 pacientes acompanhados clinicamente até 120 meses de evolução (três a 120 meses), 65 (90,5%) mantêm-se em CF I e II. Concluiu-se que: a operação de Bentall - De Bono, demonstra ter melhor resultado em relação às interposições de tubo (p < 0,01), com estimativa de função de sobrevida de 70% em 120 meses, com excelente evolução clínica tardia.
1991
Fontes,Ronaldo Ducceschi Stolf,Noedir A. G Lourenço Filho,Domingos D Tranchesi,Ricardo Mady,Charles Pereira-Barreto,Antônio Carlos Pileggi,Fúlvio Jatene,Adib D
Tratamento cirúrgico da ectopia cordis: relato de três casos e revisão da literatura
Entre 1985 e 1990, três neonatos portadores de ectopia cordis (EC) foram admitidos no InCor - FMUSP; dois com defeito do tipo tóraco-abdominal e um do tipo torácico. Todas as crianças tinham anomalias cardíacas associadas: atresia tricúspide tipo I-A, ausência de artérias pulmonares centrais e colaterais sistêmico-pulmonares (um paciente); comunicação interventricular (CIV) e comunicação interatrial (CIA) (um paciente); CIA (um paciente). Uma criança não foi operada, devido a infecção e laceração da artéria pulmonar, indo a óbito por sangramento. As duas outras foram operadas, na tentativa de se recobrir o coração com pele; uma foi a óbito no 1º dia de pós-operatório, por baixo débito (BD); a outra teve evolução mais longa, indo a óbito no 141º dia de pós-operatório, causado por insuficiência respiratória. A longa evolução desse último paciente deveu-se a um defeito cardíaco de pouca repercussão hemodinâmica (CIA) e à colaboração de um cirurgião plástico na equipe cirúrgica. Este trabalho relata esses três casos e faz uma suscinta revisão da literatura.
1991
Riso,Arlindo A Barbaro-Marcial,Miguel Ludovici,Orlando Machado,Deipara M. A Ebaid,Munir Auler Júnior,José Otávio C Verginelli,Geraldo Jatene,Adib D