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A beleza das roças: agrobiodiversidade Mebêngôkre-Kayapó em tempos de globalização
Na atualidade, as sociedades tradicionais da Amazônia experimentam fortes mudanças com efeitos diretos sobre os sistemas agrícolas tradicionais, como a tendência à homogeneização de espécies e técnicas juntamente com uma dependência maior do mercado. Porém, as agriculturas amazônicas continuam diversificadas e valorizando a diversidade. O artigo descreve particularidades da agricultura Mebêngôkre-Kayapó a partir de uma metodologia elaborada com ferramentas da antropologia, da geografia e da etnobotânica em aldeias indígenas do sul do Pará. O manejo atual da agrobiodiversidade é analisado por meio da organização das roças no espaço e no tempo, e a partir de levantamentos realizados com foco na diversidade em nível de espécies e variedades de cultivos. Os resultados mostram que um grande número de plantas continua sendo cultivado e confirmam a vitalidade dos conhecimentos indígenas associados à agrobiodiversidade, mesmo em tempos de forte mudança. Os princípios de repartição, conservação, reprodução e fabricação da biodiversidade Mebêngôkre estão associados ao conceito de 'beleza' (mex), que valoriza, muito além de paisagens e técnicas agrícolas, o bom estado das redes sociais de trocas dentro e fora da aldeia, assim como valores essenciais dos Mebêngôkre.
2022-12-06T13:13:44Z
Robert,Pascale de López Garcés,Claudia Laques,Anne-Elisabeth Coelho-Ferreira,Márlia
Trocas, experimentações e preferências: um estudo sobre a dinâmica da diversidade da mandioca no médio Solimões, Amazonas
Este trabalho apresenta um estudo sobre a diversidade da mandioca na região do médio Solimões, enfocando principalmente comunidades localizadas nas Reservas de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá e Amanã, no Amazonas. O estudo associa dados quantitativos e etnográficos. A análise de dados de monitoramento de 13 comunidades de várzea e de terra firme revelou o seguinte padrão de diversidade de manivas (mandioca): riqueza total de 54 variedades, com distribuição ampla de poucas variedades e ocorrência localizada da maioria; riqueza média de dez variedades por comunidade; e coleções familiares com três variedades em média. Uma análise temporal das coleções familiares mostrou a natureza dinâmica da diversidade regional. Ao longo de cinco anos, praticamente todas as 55 famílias acompanhadas alteraram a composição de variedades, mas mudaram pouco o tamanho de suas coleções. Para discutir essa dinâmica da diversidade, realizamos pesquisa qualitativa em três comunidades. Buscamos entender as condições sociais e ambientais que os agricultores enfrentam, as preferências por certas manivas e os padrões de manejo das roças. Mostramos que a diversidade de manivas é resultado de uma prática de experimentação ativa e que a dinâmica das coleções é definida por um conjunto de fatores que inclui o contexto das práticas econômicas, as condições ambientais e a relação histórica da população regional com a mandioca.
2022-12-06T13:13:44Z
Lima,Deborah Steward,Angela Richers,Bárbara Trautman
Paisagens e etnoconhecimentos na agricultura Ticuna e Cocama no alto rio Solimões, Amazonas
As unidades de paisagem na agricultura dos povos Ticuna e Cocama, no alto rio Solimões, são caracterizadas por arranjos produtivos e formas de gestão dos recursos naturais. Caracterizar essas práticas de base agroecológica, os resultados paisagísticos e as possibilidades de sua aplicabilidade regional foram os objetivos dessa pesquisa, realizada em duas localidades: Novo Paraíso, na ilha do Bom Intento, e Nova Aliança, ambas no município de Benjamin Constant, Amazonas. A organização social e econômica dos povos Ticuna e Cocama é fundada no parentesco e na apropriação comunal dos recursos naturais existentes, incluindo os espaços para o extrativismo. As unidades familiares, apesar da fraca vinculação com o mercado e suas regras, têm na lógica da reciprocidade a motivação para a produção, a transmissão e o manejo dos recursos e dos fatores de produção. As paisagens são reconstruídas por meio da produção de base agroecológica, derivada do etnoconhecimento, e correspondem aos mecanismos inerentes ao processo de manejo e conservação da flora e fauna. Esse processo permite a existência de complexa imbricação de paisagens em constante modificação, nas quais formas de produção são recriadas para a suficiência e a sustentabilidade.
2022-12-06T13:13:44Z
Noda,Sandra do Nascimento Martins,Ayrton Luiz Urizzi Noda,Hiroshi Silva,Antonia Ivanilce Castro da Braga,Maria Dolores Souza
Conocimientos tradicionales Ticuna en la agricultura de chagra y los mecanismos innovadores para su protección
La vinculación de los pueblos indígenas al mercado global es una realidad y en ella se configuran estrategias de apropiación del conocimiento tradicional, sin que medie norma alguna que permita restituir los derechos que ostentan los poseedores de dichos conocimientos, en tanto que las poblaciones indígenas vienen solicitando un sistema sui generis para su protección y vinculación equitativa en dichos mercados. El artículo presenta los resultados de un proceso de investigación participativa desarrollada con comunidades Ticuna, en el sur de la Amazonia colombiana, territorio fronterizo que Colombia comparte con Brasil y Perú en el alto río Amazonas, y analiza cómo, a partir del conocimiento sobre los usos y manejos de las chagras indígenas, se estructura la cadena agroalimentaria de la yuca (Manihot esculenta Crantz), proceso que ha permitido adelantar la discusión sobre los derechos de propiedad intelectual con énfasis en las indicaciones geográficas y las marcas colectivas, como posibles mecanismos idóneos a ser utilizados por los productores indígenas para la protección de los conocimientos tradicionales asociados a la biodiversidad.
2022-12-06T13:13:44Z
Acosta Muñoz,Luis Eduardo Zoria Java,José
A 'farinha especial': fabricação e percepção de um produto da agricultura familiar no vale do Rio Juruá, Acre
Os pequenos agricultores do vale do alto rio Juruá, no Acre, produzem farinha de mandioca para consumo e comércio. Este artigo descreve as práticas que produzem e identificam uma farinha 'especial' do ponto de vista dos produtores locais. Esses processos são tanto técnicos como conceituais e se aplicam às raízes de mandioca, aos objetos responsáveis pelo processamento e à farinha produzida, diferindo da avaliação de negociantes e órgãos governamentais. Esse conjunto prescritivo será confrontado com a percepção dos comerciantes e também com a dos serviços públicos, a qual atua no melhoramento dessa produção por considerá-la desvalorizada e com elevada variabilidade.
2022-12-06T13:13:44Z
Velthem,Lucia Hussak van Katz,Esther
A Lei de Sementes brasileira e os seus impactos sobre a agrobiodiversidade e os sistemas agrícolas locais e tradicionais
O artigo faz uma análise crítica dos impactos da Lei de Sementes brasileira (10.711/2003) sobre a biodiversidade agrícola e sobre a agricultura tradicional e local. A referida lei atende, principalmente, aos interesses e necessidades do sistema 'formal' de sementes e desconsidera o importante papel dos sistemas de sementes locais e tradicionais (chamados frequentemente de 'informais'), nos quais as atividades de produção, intercâmbio, melhoramento e conservação de sementes são realizadas pelos próprios agricultores por meio de suas redes sociais e segundo as normas locais. Os sistemas 'formais' de sementes estão voltados, principalmente, para as espécies agrícolas de grande valor comercial e de ampla utilização em ambientes homogêneos. Assim, não são capazes de oferecer sementes adaptadas a usos e condições locais específicas e de atender às necessidades dos agricultores tradicionais e locais, que dispõem de poucos recursos e vivem em regiões heterogêneas, ambiental e culturalmente.
2022-12-06T13:13:44Z
Santilli,Juliana
Hunting practices among the Awá-Guajá: towards a long-term analysis of sustainability in an Amazonian indigenous community
Indigenous Reserves have played an indispensable role in maintaining forest areas in the Neotropics. In the Amazon there is a clear correlation between these reserves and the presence of forest cover; however, the simple presence of uninterrupted vegetation is no guarantee for the conservation of biodiversity, especially where hunting is practiced. This study describes hunting practices among the Awá-Guajá people from 1993 through 1994, also identifying sociocultural, technological, and demographic changes that have influenced their resource acquisition strategies over the last two decades. The data was obtained through ethnographic fieldwork, recording 78 days of foraging returns, with follow-up visits through 2010. This work provides useful information for an effective diachronic analysis of hunting in this community, by revealing foraging patterns of the early to mid-1990s, and describing community transformations over the last two decades in this locale.
2022-12-06T13:13:44Z
Prado,Helbert Medeiros Forline,Louis Carlos Kipnis,Renato
O povo que mede forças com a morte: os ilhéus de Tuvalu, no Pacífico Sul, e a subida das águas do mar
Localizado no Pacífico Sul, a cerca de 1.100 km ao norte das Fiji, o arquipélago Tuvalu é constituído por nove ilhas de coral. Soma meros 26 km² de superfície, onde residem cerca de 11.000 ilhéus, no geral, pescadores ou agricultores de subsistência, dedicados ao cultivo das nativas pulaka e taro, assim como fruta-pão e coco. O povo pertence ao grupo étnico polinésio, sendo a sua cultura e o tipo físico bastante homogêneos de ilha para ilha. Em fevereiro de 2010, o Instituto de Investigação Científica Tropical realizou uma missão científica ao atol de Funafuti, conhecido mundialmente pela sua vulnerabilidade às mudanças climáticas, devido à subida do nível das águas do mar. Os objetivos do projeto etnogeográfico foram dois: avaliar a percepção que os ilhéus têm das mudanças climáticas e, coerentemente, avaliar a sua percepção da morte. A amostra recolhida no atol foi composta por cinquenta e oito entrevistas semiestruturadas. Os resultados demonstraram que os ilhéus, majoritariamente cristãos, não temem a subida das águas do mar, assim como não temem a morte, devido ao fato de possuírem uma confiança inapelável na Divina Providência.
2022-12-06T13:13:44Z
Madaleno,Isabel Maria
O Kapiwayá e seu lugar no universo músico-coreográfico-ritual em um clã Desana, alto rio Negro, Amazonas
O artigo apresenta a descrição de um repertório musical específico (Kapiwayá) e seu lugar no universo músico-coreográfico-ritual de um clã Desana. A pesquisa foi realizada em São Gabriel da Cachoeira (AM), por meio de entrevistas com o especialista em cantos - o bayá. O estudo aborda o aspecto da formação da humanidade e da construção da pessoa a partir das práticas musicais e rituais, tendo como ponto de partida o mito de criação do mundo e os repertórios musicais deste grupo indígena.
2022-12-06T13:13:44Z
Barros,Líliam Cristina da Silva
Possibilidades e limitações interpretativas da Hipótese Saxe/Goldstein
A Hipótese Saxe/Goldstein foi gerada no seio da arqueologia processual e, como tal, pretendia-se capaz de reconstruir as dimensões sociais das populações pretéritas a partir do estudo de suas práticas mortuárias. Em sua forma original, ela afirmava que a emergência de cemitérios formais seria resultado de um aumento na competição por recursos vitais; o que, por sua vez, levaria à formação de grupos corporativos de descendência cujo objetivo seria monopolizar o acesso a esses recursos; e esse monopólio seria legitimado invocando a descendência dos ancestrais. Posteriormente, uma nova versão foi proposta, na qual a ênfase era a relação entre a presença de cemitérios formais e os padrões de mobilidade dos grupos humanos. Neste trabalho, a elaboração dessa hipótese é revista de forma crítica, discutindo suas transformações ao longo dos últimos 40 anos e identificando contradições que, até então, haviam passado despercebidas. Por fim, os registros arqueológicos dos sambaquis brasileiros e dos abrigos da região de Lagoa Santa são usados para mostrar que a ausência de uma posição crítica em relação à Hipótese Saxe/Goldstein pode acarretar interpretações impróprias do registro arqueológico.
2022-12-06T13:13:44Z
Strauss,André
Joseph Leidy entre dois paradigmas da Paleontologia
Com a aceitação dos métodos e programas de pesquisa desenvolvidos por Georges Cuvier para o estudo dos fósseis, a Paleontologia teve seu primeiro paradigma kuhniano instalado. Joseph Leidy iniciou seus trabalhos sob esta orientação teórica e metodológica e praticou, no âmbito da Paleontologia, o que Thomas Kuhn denominou de ciência normal. Entretanto, com o acúmulo de dados provenientes de seus trabalhos taxonômicos, Leidy identificou algumas questões que não podiam ser respondidas sob a luz do paradigma cuvieriano. Somente o novo paradigma, o evolutivo, podia respondê-las e, desta forma, Leidy aderiu às teorias evolucionistas de Charles Darwin. Este processo de transição de um naturalista treinado sob uma orientação, e que passa a trabalhar sob uma nova, é analisado neste trabalho, levando-se em consideração as peculiaridades da aplicação da estrutura prevista por Kuhn em uma disciplina como a Paleontologia. Diferentemente do rompimento epistemológico previsto por Kuhn, na mudança de paradigma na Paleontologia, diversos paleontólogos continuaram a trabalhar orientados pelo velho paradigma, mas produzindo dados utilizáveis pelos evolucionistas. Leidy foi um deles, porém sua transição foi mais adiante, pois, a partir de 1859, gradualmente, ele começou a utilizar relações de ancestralidade e a seleção natural como explicações para as semelhanças morfológicas existentes entre as espécies que se sucederam ao longo da história da vida.
2022-12-06T13:13:44Z
Faria,Felipe
El legado de Darrell Posey: de las investigaciones etnobiológicas entre los Kayapó a la protección de los conocimientos indígenas
Darrell Posey (1947-2001) efectuó sus principales estudios etnobiológicos entre los Mebêngôkre-Kayapó, pueblo de lengua Jê que habita territorios oficialmente reconocidos por el Estado brasileño en la región del alto y medio río Xingú. Con base en el análisis de la obra de Posey sobre los Kayapó, en investigación documental en el Archivo Guilherme de La Penha, del Museo Goeldi, y en testimonios de indígenas y de investigadores que fueron sus colegas en esta institución, este artículo aborda el legado científico y político de Posey, considerando sus aportes a la etnobiología y a las actuales discusiones sobre protección de los conocimientos tradicionales.
2022-12-06T13:13:44Z
López Garcés,Claudia Leonor Robert,Pascale de
Darrell Posey: un chercheur engagé
Scientifique visionnaire (idéaliste pour certains), citoyen engagé (activiste pour d'autres), Darrell Posey (1947-2001) a marqué de son empreinte son passage en territoire indigène. Il a eu le mérite d'ouvrir un débat indispensable à la frontière entre cultures, sciences et développement en associant les indiens Kayapó à ses réflexions et ses actions, et en leur permettant de faire entendre leurs voix et de défendre leurs droits sur un plan national et international.
2022-12-06T13:13:44Z
Gély,Anne
Natureza e cultura na paisagem amazônica: uma experiência fotográfica com ressonâncias na cosmologia ameríndia e na ecologia histórica
Enquanto experiência artística, o projeto fotográfico "Arborescência - fisionomia do vegetal na paisagem amazônica" proporciona ao autor uma série de descobertas: a paisagem como entrelaçamento de Natureza e Cultura (a presença indireta do homem; o face a face com 'sujeitos vegetais'); as relações de continuidade, indiferenciação e equivalência entre o 'natural' (heterogêneo, espontâneo, nativo, rural) e o 'cultural' (homogêneo, cultivado, exótico, urbano) na experiência da paisagem vegetal; a arborescência como "imagem cósmica" (Gaston Bachelard), onde o alto (céu, luz, galhos, água celeste) e o baixo (terra, sombra, raízes, água terrestre) são pólos equivalentes e reversíveis. Tal experiência encontra ressonâncias na eco-cosmologia das sociedades da floresta amazônica. A cosmologia ameríndia é uma "ecologia simbólica" (Philippe Descola), pois elabora "uma complexa dinâmica de trocas e transformações entre sujeitos humanos e não humanos, visíveis e invisíveis" (Bruce Albert); a ecologia ameríndia é uma "cosmologia posta em prática" (Kaj Århem), na qual animais caçados e plantas cultivadas são 'parentes' que é preciso seduzir ou coagir. Tal modelo constitui uma forma de "socialização da natureza" (Descola), de "humanização da floresta" (Evaristo Eduardo de Miranda) e de "antropização indireta" dos ecossistemas amazônicos (Descola), geradora de "matas culturais" (William Balée).
2022-12-06T13:13:44Z
Pardini,Patrick
Batida de pé, différenciations et mélanges musico-chorégraphiques
No summary/description provided
2022-12-06T13:13:44Z
Beaudet,Jean-Michel
Os Fulni-ô: múltiplos olhares em uma contribuição para o reconhecimento da sociodiversidade indígena no Brasil
No summary/description provided
2022-12-06T13:13:44Z
Silva,Edson
A descoberta do ambiente biológico
No summary/description provided
2022-12-06T13:13:44Z
Waizbort,Ricardo
Retratos da nação: os 'tipos antropológicos' do Brasil nos estudos de Edgard Roquette-Pinto, 1910-1920
O artigo analisa os estudos desenvolvidos pelo antropólogo Edgard Roquette-Pinto (1884-1954) acerca da classificação dos 'tipos antropológicos' do Brasil. Como cientista ligado ao Museu Nacional, o antropólogo realizou, nas primeiras décadas do século XX, um extenso levantamento de dados sobre a constituição anatômica, fisiológica e psicológica da população brasileira, estabelecendo uma classificação racial, que refletia o diálogo com a tradição científica e intelectual brasileira, mas também com a antropologia física produzida em países como Alemanha e Estados Unidos. Conforme o artigo destaca, o interesse de Roquette-Pinto consistia na elaboração de um amplo retrato antropológico do país, por meio do qual procurou revelar as características raciais formadoras do Brasil e, ao mesmo tempo, avaliar a viabilidade biológica da população, especialmente dos 'tipos mestiços'.
2022-12-06T13:13:44Z
Souza,Vanderlei Sebastião de
Entre o laboratório de antropometria e a escola: a antropologia física de José Bastos de Ávila nas décadas de 1920 e 1930
O médico e antropólogo José Bastos de Ávila teve uma destacada atuação no campo da antropologia física no Brasil nas décadas de 1920 e 1930. Trabalhou no Museu Nacional e, a seguir, no Instituto de Pesquisas Educacionais, ambos no Rio de Janeiro. Neste texto, analisamos a trajetória das pesquisas em antropologia física de Ávila, que se concentraram em questões acerca da raça e mestiçagem, com particular destaque nas características antropométricas de crianças. A partir de pesquisas em escolas públicas, Ávila concluiu que os estudantes poderiam atingir melhores níveis de crescimento, se não fossem as péssimas condições sanitárias dos bairros cariocas. Ávila enfatizou que os principais problemas do país residiam nas más condições de saúde, higiene e educação da população, e não devido à dimensão racial. Ávila também participou de expedições científicas, envolveu-se em debates sobre o patrimônio arqueológico, conduziu pesquisas sobre indígenas e escreveu um romance premiado pela Academia Brasileira de Letras em 1932. Argumentamos que a perspectiva de Ávila, marcada por uma crítica ao determinismo racial, fez parte de uma vertente que predominou na antropologia física praticada no Museu Nacional nas primeiras décadas do século XX, que, por sua vez, esteve associada a dinâmicas sociopolíticas mais amplas em curso no Brasil.
2022-12-06T13:13:44Z
Gonçalves,Assis da Silva Maio,Marcos Chor Santos,Ricardo Ventura
Entre antropologia e medicina: uma análise dos estudos antropológicos de Álvaro Fróes da Fonseca nas décadas de 1920 e 1930
O médico e antropólogo Álvaro Fróes da Fonseca percorreu várias cidades do Brasil durante sua trajetória profissional, na primeira metade do século XX. Atuou no magistério na cadeira de Anatomia Médico-Cirúrgica, nas Faculdades de Medicina de Porto Alegre, da Bahia e do Rio de Janeiro. Como antropólogo, exerceu atividades no Museu Nacional do Rio de Janeiro e, já nos anos 1960, no Instituto de Antropologia Tropical da Faculdade de Medicina do Recife. Pretendo, neste artigo, resgatar a contribuição do estudioso no campo antropológico, analisando algumas de suas pesquisas desenvolvidas no Laboratório de Antropologia do Museu Nacional e outras publicadas no periódico dessa instituição entre os anos 1920 e 1930. Neste período, ele congregou cientistas, desenvolveu e orientou vários trabalhos no âmbito da antropologia física e dos 'tipos antropológicos', voltando-se para o desenvolvimento de métodos e índices de classificação racial, ou seja, para a produção de conceitos e técnicas que orientavam a prática antropológica. Refutou o racismo científico do período, motivo pelo qual as investigações desenvolvidas por Fróes da Fonseca refletiram sobre o 'problema da raça' e a questão da mestiçagem em prol do futuro do Brasil.
2022-12-06T13:13:44Z
Keuller,Adriana Tavares do Amaral Martins