Repositório RCAAP
Mulheres na nova geração da imigração portuguesa no Brasil
<p>O presente artigo incide sobre a participação das mulheres na emigração de Portugal para o Brasil, dando destaque ao período que se inicia no ano 2000. Para tal são utilizados dados quantitativos produzidos por instituições internacionais e nacionais, procurando estabelecer o panorama do contexto internacional em que ocorrem estes movimentos. Para realçar as experiências vividas por essas mulheres, são analisados dados primários obtidos por meio de pesquisa de campo e entrevistas semidirigidas realizadas no seu âmbito a portuguesas residentes no Brasil. Identifica-se o perfil das mulheres segundo sua distribuição no território brasileiro, idade, estado civil, nível de instrução, inserção no mercado laboral, motivações para migrar e perspetivas futuras. Os resultados obtidos indicam que a família, os relacionamentos amorosos, os laços de ancestralidade, a busca por oportunidades profissionais e ascensão económica e estudos são os principais propulsores das deslocações. Predominam as mulheres casadas e as jovens solteiras com nível de instrução elevado. A inserção no mercado de trabalho, geralmente, é compatível com a respetiva formação/qualificação. Essa situação privilegiada denota a valorização da migração de origem europeia no Brasil, o que não exime as mulheres portuguesas das dificuldades e desafios numa sociedade marcada pelo sexismo e pelo patriarcalismo.</p>
2017
Aline Lima Santos
Dinâmicas Identitárias – nem "cá", nem "lá", mas "também"
<p>A mobilidade que sempre tem acompanhado a sociedade portuguesa e percorre toda a história nacional constitui fator indispensável para compreender a situação em que o país se encontra. A dispersão e fixação das gentes que dele partiram para o estrangeiro e o conjunto de relações que continua a ser mantido revela que a ligação anteriormente existente não se perdeu.<br /> O duplo sentido de pertença que se tem vindo a construir e hoje claramente existe manifesta-se através da adoção de réplicas simbólicas de imagens retiradas de qualquer dos espaços culturais e que muitas vezes se associam. Em recintos fechados, nomeadamente no âmbito de iniciativas associativas ou em zonas abertas de espaços públicos, os encontros e as celebrações que ocorrem proporcionam a intensificação das ligações entre os elementos de uma mesma origem.<br /> Localizar e conhecer as comunidades portuguesas no estrangeiro e a correspondência entre zonas de origem e de fixação constitui uma mais-valia para qualquer iniciativa de natureza cultural ou económica.</p>
2017
Maria Beatriz Fernandes
Emigrar, aguardar e empreender. (Des)apoios na Europa
<p>O empreendedorismo português na União Europeia (UE) é um assunto pouco estudado. Recorre-se ao projeto Emprendedorismo dos empresários portugueses em Andorra, Nice, Mónaco e Londres, cuja amostra é de 124 inquéritos e trinta entrevistas, que servem as metodologias quantitativa e qualitativa. Objetivos a reconhecer: i) o processo de mudança de estatuto; ii) os recursos financeiros e humanos usados na formação da empresa; iii) a clientela e os fornecedores; iv) as propostas de melhoramento de questões de maior sensibilidade. O empreendedorismo tem uma expressão mais aceitável em Londres e em Andorra do que em Nice/Mónaco.</p>
2017
José Carlos Meneses Rodrigues
Os portugueses na formação de Petrópolis, cidade imperial: marcas, expressões e memórias urbanas
<p>A cidade de Petrópolis, na região serrana do Rio de Janeiro, reconhecida como “cidade imperial”, tem como um dos protagonistas de sua gênese, os portugueses, especialmente os advindos das ilhas açorianas. Após sua fundação, em 1843, o governo provincial, com o intuito de trazer trabalhadores para as obras da Estrada da Serra da Estrela, promoveu a vinda de muitas famílias açorianas, que compuseram vilas de imigrantes. Objetivamos estudar as expressões (i)materiais que os identificam, considerando suas especificidades. A construção das diferentes atividades culturais trouxe, por meio de bens materiais e imateriais, a ressignificação de suas heranças tradicionais visualizadas nas manifestações, como a criação de espaços físicos de suas festas, de valores, hábitos e tradições, até a construção do sentido cultural, continuado por gerações. A comida, o “bar”, os “doces” – lugares de memória – e outras expressões, diluídas, em certa medida, misturaram-se às várias demonstrações, mas permaneceram transformadas e reescritas, como marcas, pelos bairros. Metodologicamente, foram efetuadas a revisão bibliográfica e a observação participante. Como considerações e direcionamentos da pesquisa encontram-se as relações entre memória, habitus, identidades, processos de imigração, religião e, na sua construção, o olhar participante.</p>
Estratégias familiares de investimento de remessas de emigrantes no Brasil no Noroeste português entre 1950 e 1970 – estudo de caso
<p>Como as investigações têm demonstrado, o dinheiro enviado pelos emigrantes portugueses no Brasil não foi apenas importante para a balança de pagamentos portuguesa. Foi também fundamental para suportar diversificados investimentos em equipamentos sociais, culturais, educativos e assistenciais que foram sendo feitos nas terras de origem dos emigrantes, o que contribuiu decisivamente para a modernização de todo o Noroeste português entre os séculos XIX e XX. Ora, o presente trabalho, através de um estudo de caso, vem fazer uma incursão no Estado Novo, procurando demonstrar que à imagem do século XIX, também neste período, houve uma continuidade ao nível destas práticas.</p>
Valores Pessoais, Teoria da Ação Planificada e a sua influência na Intenção Empreendedora dos estudantes universitários
<p>As iniciativas universitárias destinadas a promover o empreendedorismo têm proliferado nos últimos anos, assim como os estudos que pretendem analisar os antecedentes que afetam a intenção de empreender.</p> <p>Na situação de crise atual, o empreendedorismo é uma das soluções que nos permite gerar riqueza, emprego e, inclusive, constitui uma alternativa de grande importância para o desenvolvimento pessoal. Nesta perspetiva, as pequenas e médias empresas são de grande importância na União Europeia onde existem 21 milhões de Pequenas e Médias Empresas (PME) que empregam 33 milhões de pessoas e são essenciais para a promoção do espírito empresarial e da inovação.</p>
2019
Belkis Oliveira Ana Laguía Vasco Salazar Soares Juan Antonio Moriano
População e Sociedade n.º 24
<p>Prosseguindo a nova periodicidade adotada no presente ano, a revista População e Sociedade apresenta agora o seu segundo número semestral de 2015, mantendo a estrutura já consagrada.</p> <p>Assim, o dossier temático da presente edição, coordenado pela professora Paula Pinto, surge sob o título Homens de oração e homens de ação: a dimensão política dos mestres e freires das Ordens Militares, com três estudos em torno de outras tantas personagens: D. Jorge, mestre das Ordens Militares de Avis e de Santiago, Vasco da Gama e as implicações políticas e estratégicas da sua viagem à Índia e, por último, frei Pedro Álvares Seco, autor do Livro das Comendas da Ordem de Cristo.</p> <p>Já a secção Varia é composta de cinco artigos sobre tópicos diversos: os retábulos do Alto Minho nos séculos XVII e XVIII; a emigração portuguesa para o Pará nos ¬finais de Oitocentos; António Ferro e a promoção do turismo; diplomacia e plataformas continentais de Portugal e Espanha e ainda um estudo sobre a intenção empreendedora dos estudantes universitários.</p> <p>A direção da revista População e Sociedade aproveita para agradecer a cooperação de todos quantos participaram no presente número, designadamente autores mas também avaliadores cientí¬cos, reconhecendo a sua imprescindível colaboração.</p>
2018
Maria Cristina Pimenta Luís Adão da Fonseca Joana Lencart Paula Cardona João Cosme Carla Patrícia Silva Ribeiro Teresa Cierco Renato Miguel Tavares Belkis Oliveira Ana Laguía Vasco Salazar Soares Juan Antonio Moriano
Cândido da Cunha Sotto Mayor, emigrante, empresário e banqueiro – um ator nas relações luso-brasileiras (1900-1935)
<p>No século XX, a nova realidade económica, social, política e diplomática fez emergir novos atores nas relações internacionais. Agindo formal ou informalmente, estes atores, sejam eles empresas, organizações não governamentais ou indivíduos, contribuem ativamente para as relações transfronteiriças, retirando aos Estados o exclusivo da intervenção que, até então, lhes pertencia. É nesse quadro que, no âmbito das relações luso brasileiras, alguns estudos publicados recentemente têm realçado o papel desempenhado pelos emigrantes portugueses que viram o Brasil como a resposta às suas expectativas de vida. Foi esse o caso de Cândido Sotto Mayor, nascido em Trás-os-Montes, emigrante no Brasil, empresário e banqueiro, cujo percurso de vida procuraremos traçar no presente estudo de molde a percebermos as várias vertentes da sua intervenção financeira, económica e política, em Portugal e no Brasil, entre 1900-1935, e o contributo que, dessa forma, deu para as relações entre os dois países. Figura complexa, multifacetada e com um percurso de vida longo, vivido em dois países e sob diferentes regimes políticos e diferentes realidades económicas e financeiras, sobre Cândido Sotto Mayor persistem algumas dúvidas a que a continuidade do nosso estudo procurará responder em devido tempo.</p>
A “Nova Atlântida” . Entre o Atlântico e a Europa – um sentido para o devir português do século XX
<p>Pátria, República e Império foi a trilogia mítica que imbuiu o pensamento republicano das últimas décadas do séc. XIX – uma cartilha para os “poetas da ação”, para os “pacificadores” e para os engenheiros que abriram os sertões africanos, depois da desilusão brasileira de Oitocentos. Estava, pois, traçado o caminho do devir português do séc. XX, que não seria a Europa por muitas décadas. Depois de três séculos errantes, os lusíadas dos finais de Oitocentos convenceram-se de que lhes estava destinada a “missão” de refazerem os “novos brasis” africanos. Reconstruiram a “ideia” quatrocentista da expansão e prepararam uma “nova largada” recolonizadora que lhes haveria de sobreviver em modalidade de “Império Ultramarino”. Por fim, quando os povos de África se preparavam para abrir as suas novas fronteiras, foram ainda republicanos os que, num derradeiro esforço, condenaram a guerra colonial e propuseram uma transição pactuada para os “novos brasis” que sempre ambicionaram.</p>
Évora, 1964: contributos para a história da institucionalização da Sociologia em Portugal
<p>Em Portugal, a Sociologia surge em Évora como curso autónomo de iniciativa privada (IESE, 1964) e só mais tarde nas universidades públicas. Porque é que tal aconteceu? O que está por detrás da fundação da sociologia pela mão de particulares, longe dos centros universitários de então? Estas são algumas das questões que nos guiam neste artigo. Especificamente, é nosso objetivo apresentar o primeiro curso de sociologia em Évora, delinear o contexto mais amplo em que foi fundado, enunciar e desenvolver as principais características que fizeram dele um curso inovador à época. Ao dar voz a um dos atores diretamente envolvidos no processo esperamos oferecer uma perspetiva abrangente sobre as atividades e realizações da sociologia portuguesa durante esse período inicial, e assim contribuir para um maior conhecimento em torno da história da institucionalização desta disciplina em Portugal.</p>
2015
Augusto da Silva Rosalina Costa
Breve panorama da imigração na Área Metropolitana de Lisboa (1980-2010)
<p>Este artigo apresenta uma breve panorâmica da imigração nos últimos trinta anos, com especial incidência na Área Metropolitana de Lisboa (AML). Tratando-se de um fenómeno que adquiriu uma expressão mais significativa nas últimas décadas, importa compreender a evolução do número de imigrantes, no total e por nacionalidades, procurando explicar as razões da atração dos vários grupos pelo país. A grande concentração geográfica no litoral e, em particular, na zona metropolitana Lisboa, é um aspeto destacado no artigo, cuja análise remete para as especificidades dos fluxos migratórios. A caracterização sociodemográfica dos grupos populacionais imigrantes e a inserção no mercado de trabalho são outros problemas focados com o objetivo de traçar um quadro geral da imigração. Neste último domínio, salientamos a polarização do mercado de trabalho e as disparidades da remuneração com base na análise dos dados dos quadros de pessoal, fornecidos pelo Ministério da Solidariedade e Segurança Social.</p>
2015
Maria Isabel João
Estudo exploratório das diferenças na Intenção empreendedora entre homens e mulheres em Portugal: o caso dos jovens universitários do Norte de Portugal
<p>O presente artigo pretende apresentar a importância do processo empreendedor e uma resenha do empreendedorismo em Portugal e do seu posicionamento em termos internacionais. A recolha de dados realizou-se a partir de um questionário com uma escala de tipo Likert aplicado durante o horário de aulas respeitando a participação voluntária dos inquiridos. Procedeu-se a uma caracterização genérica da amostra relativamente a experiência profissional, experiência de autoemprego e família empresária sendo também analisados os determinantes da intenção empreendedora de uma amostra de estudantes universitários do norte de Portugal a partir da teoria da ação planificada e dos valores pessoais individualistas e coletivistas. Por outro lado, nesta vertente psicossocial, foi dado enfase à questão das diferenças de género que evidencia que os homens mostram, empiricamente, maior intenção empreendedora que as mulheres e que esta intenção está associada à auto-eficácia empreendedora. Os resultados vão de encontro ao apontado pela literatura.</p>
2015
Vasco Salazar Soares Juan Antonio Moriano Belkis Oliveira
A União Europeia e a promoção da democracia nos Balcãs Ocidentais
<p>Na última década a União Europeia tem-se afirmado como ator internacional na promoção da democracia na sua vizinhança. A estratégia de alargamento e a política de condicionalidade utilizadas numa primeira fase na Europa Central e de Leste e agora nos Balcãs Ocidentais são considerados meios eficazes dessa ação. A europeização implica o cumprimento de critérios, como o respeito pelos princípios democráticos, direitos humanos e economia de mercado, e tem orientado o processo de transição para a democracia empreendido pelos Estados dos Balcãs Ocidentais desde o início deste século. Contudo, para além de ser um processo difícil e complexo, são muitos os obstáculos que se lhe colocam. Neste artigo, propomos analisar as principais dificuldades internas e externas à consolidação da democracia nesta região, destacando as limitações da ação da União Europeia.</p>
População e Sociedade n.º 20
<p>O dossiê temático do presente volume, coordenado pela professora Natália Marinho Ferreira-Alves, apresenta diversos <em>Estudos de Arte e Património</em>, da autoria de investigadores de Portugal, Brasil e Argentina, reportando-se a estes diferentes espaços geográficos e distribuídos por diversas cronologias (séculos XVI a XX), além de apresentarem distintos objetos de estudo como pintura e tratadística da arte, arquitetura religiosa e iconografia, azulejaria e escultura colonial. Quanto à secção <em>Varia</em> deste número, é constituída por cinco estudos que abarcam temporalidades bem diferenciadas (da Idade Média à Contemporaneidade), elegendo temáticas igualmente diversas modeladas pela investigação histórica e pela análise da ciência política.</p>
2012
António Mourato Eva Sofia Trindade Dias Francisco de Assis Portugal Guimarães Maria Hermínia Olivera Hernandez Maria José Goulão Patricia Fogelman Sofia Nunes Vechina Inés Calderón Medina Paula Pinto Costa Maria Cristina Pimenta Carla Patrícia Silva Ribeiro Patrícia Calca Teresa Cierco
A “obra romana” na ourivesaria portuguesa do século XVI. O Inventário da Prata do Convento de Palmela de 1555
<p>Nos inventários dos tesouros das catedrais, conventos e mosteiros portugueses redigidos ao longo do século XVI, bem como nas Visitações levadas a cabo pelas Ordens Militares de Avis, de Cristo e particularmente de Santiago às igrejas da sua alçada, as expressões “ao romano, lavrado de romano, de lavor romano” repetemse com alguma frequência, embora o seu significado não seja claro e difícil o seu entendimento. O tema tem merecido alguma reflexão, na historiografia da arte, sobretudo nos âmbitos da pintura e da arquitetura e menos no da ourivesaria. Procuraremos, neste estudo, explanar algumas ideias sobre a aplicação do termo “romano” na ourivesaria sacra ao longo dos três primeiros quartéis do século XVI, tomando como ponto de partida as informações transcritas e recolhidas no Livro da prata e ornamentos do Convento de Palmela, Ordem de Santiago, datado de 1555. As descrições dos objetos litúrgicos nele arrolados patenteiam o confronto de ideias e gostos que marcaram a ourivesaria portuguesa neste século pleno de mudanças, observando-se um encontro harmonioso entre as peças góticas e renascentistas decoradas “ao romano”.</p>
A decoração em grotteschi na obra de Rafael, como referência para o ensino artístico na Academia Imperial das Belas Artes do Rio de Janeiro
<p>Este trabalho estuda as gravuras sobre a decoração do Palácio do Vaticano, realizadas por Rafael no início do século XVI. Analisa o papel das academias, a importância da arte ornamental no século XVI e, posteriormente, a partir do advento do Neoclassicismo e do Romantismo. Considera que a decoração em grotteschi pode ser entendida como um fenômeno de longa duração. Criada no século XVI, empregada largamente em meados do século XVIII, avança pelo século XIX de forma mais calma e ajustada ao estilo Neoclássico, e é plenamente empregada pelo Romantismo, que o elegeu como um instrumento legítimo, entendendo que a arte deve representar tanto a clareza quanto a complexidade, tanto a beleza em sua plenitude, ou o seu oposto, a deformação ou mesmo a feiúra. Refere-se à coleção de trinta e duas gravuras pertencentes ao acervo do Museu D. João VI da Escola de Belas Artes/UFRJ, sobre a obra de Rafael e seus auxiliares, referencial para os ideais acadêmicos que se desenvolveram no século XIX.</p>
Albarradas setecentistas da produção azulejar coimbrã e a influência da obra De Florum Cultura de Giovanni Battista Ferrari (1633)
<p>Para além de gravuras ornamentais avulsas também séries gravadas, tratados ou livros ilustrados dedicados à temática floral serviram de matriz gráfica para as composições de vasos floridos que surgem como tema autónomo na azulejaria portuguesa em meados de Seiscentos, prolongando-se até à primeira metade de Setecentos. A par da produção de Lisboa, também as olarias de Coimbra elegeram as albarradas para as suas composições ornamentais setecentistas conhecendo-se um conjunto variado de tipologias para o mesmo motivo, facto que atesta a capacidade inventiva dos artífices da azulejaria coimbrã na criação de composições versáteis e eficazes no revestimento de superfícies murárias. Analisando as amostras do azulejo coimbrão, uma gravura incluída no tratado italiano seiscentista De Florum Cultura saído da pena do jesuíta Giovanni Battista Ferrari, vem completar o quadro de referências formais auxiliadoras no entendimento do motivo do vaso florido enquanto tipologia autónoma no azulejo.</p>
D. Diogo Gelmires e as terras sob a jurisdição do Arcebispo de Santiago de Compostela a sul do rio Minho
<p>O objecto do presente estudo são os aspectos materiais da política de engrandecimento da Catedral de Santiago, onde supostamente foram recolhidas as relíquias do apóstolo, iniciada no século IX e assumida por D. Diogo Gelmires, logo após a sua consagração como Bispo de Compostela. Quando estava ainda longe a restauração das dioceses de Braga, Porto e Coimbra, a Sé compostelana foi beneficiada com generosas doações em território português. As mais importantes parcelas que integravam esse domínio, designadamente uma boa parte da cidade de Braga e a Vila Corneliana, serviriam de cenário a uma singular “visita pastoral”, cujo objectivo principal foi a transferência para a Galiza das relíquias mais veneradas na diocese bracarense. A questão das relíquias está relacionada com várias outras – designadamente a das metrópoles diocesanas – que durante longos anos assombrarão as relações entre os Bispos de Braga e Compostela.</p>
A questão argelina no discurso político da Assembleia Nacional (1953-1965)
<p>Este trabalho procura analisar a forma como os deputados eleitos à Assembleia Nacional, entre 1953 e 1965, ‘leram’ e veicularam no seu discurso político a guerra entre a Argélia e a potência colonizadora, a França, que conduziria, em 1962, à sua independência. Sabendo que a ideologia colonial e a dimensão ultramarina no discurso político da época assumiam uma inegável centralidade, partimos da hipótese segundo a qual a guerra franco-argelina e a independência da Argélia, enquanto elementos perturbadores da matriz político-constitucional vigente, devem ter provocado uma necessária adequação discursiva que, contra a corrente factual e doutrinária internacional, exigisse, por parte dos deputados eleitos, a necessária justificação da sobrevivência do caso português.</p>
Portugal e o Mediterrâneo, entre Castela e Marrocos. A formação da fronteira marítima nos séculos XIV-XV e a noção de espaço político descontínuo
<p>Através da dialéctica dos espaços marítimos com relevância na história medieval portuguesa (Atlântico e Mediterrâneo), chama-se a atenção para a sua importância no conjunto das relações tanto com Castela como com Marrocos. Analisam-se a seguir as quatro dimensões desta fronteira marítima: afirmação do poder naval, limite do espaço da Cristandade, articulação diplomática com Castela e retaguarda. Termina-se com uma reflexão sobre a génese da noção de espaço político descontínuo.</p>