Repositório RCAAP
A Biblioteca do Instituto Francês em Lisboa
No summary/description provided
O I Encontro dos Bibliotecários e Arquivistas Portugueses - O Decreto-lei 46 350, de 22 de Maio de 1965 e outra legislação
Após a saída do último número dos Cadernos, dois acontecimentos se verificaram da maior transcendência para o futuro dos nossos bibliotecários e arquivistas. O primeiro foi a efectivação, pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, do I Encontro dos Bibliotecários e Arquivistas Portugueses, de 1 a 3 de Abril de 1965; o segundo Jacto consistiu na publicação do Decreto-lei 46 350, de 22 de Maio de 1965, que «insere disposições relativas ao funcionamento das bibliotecas e arquivos».Com a presença de cerca de zoo participantes e aderentes, o I Encontro dos Bibliotecários e Arquivistas Portugueses marcou um ponto deveras alto na linha de evolução que a profissão está a tomar entre nós. O entusiasmo de todos foi evidente, a vontade de colaborar foi também manifesta. Os temas debatidos mereceram as atenções de todos, pois sentiram - só os irresponsáveis o não teriam sentido ou se atreveriam a minimizá-las por inconsciência - que as questões em foco eram vitais para o futuro das bibliotecas e arquivos e dos seus técnicos. A realidade - e talvez tivesse havido certo retraímento ao pôr as questões com toda a sua crueza... - levou a um único ponto: é preciso trabalhar cada vez mais, é necessário melhorar as condições técnicas, é igualmente urgente que a situação económica dos bibliotecários e arquivistas seja beneficiada.Esses os pontos cruciais debatidos no Encontro que se pode considerar verdadeiramente histórico na longa vida do bibliotecário e arquivista português. Este demonstrou que existe. E mais: que é preciso reconhecê-lo como elemento válido num todo social e técnico.As conclusões do I Encontro são, por si só, todo um vasto programa de acção, pois aí se propõe:1) Estabelecimento e publicação com a maior urgência de um código das regras da catalogação portuguesas;2) Criação de uma Comissão Técnica do catálogo colectivo; publicação do roteiro das bibliotecas portuguesas, da Inspecção Superior das Bibliotecas e Arquivos, procurando-se para o efeito os fundos necessários; elaboração dum código de siglas, cuja publicação se deverá fazer no mais curto intervalo de tempo;3) Melhoria da situação económica dos bibliotecários e arquivistas, equiparando-os aos técnicos do Estado, tal como se fez recentemente para os técnicos dos serviços meteorológicos;4) Reforma, no plano nacional, das Bibliotecas e Arquivos, de molde a uma melhor articulação de todos os serviços;5) Reforma profunda do Curso de Bibliotecário-Arquivista, dando-lhe a actualização necessária, e que só se possa intitular bibliotecário-arquivista o diplomado com tal curso, defendendo-o com uma legislação adequada;6) Criação.de uma Comissão Nacional para estabelecer critérios racionais e urgentes da elaboração de métodos de trabalho nos Arquivos, com a participação também de membros do Clero, dada a origem eclesiástica de grande parte da documentação;7) Realização do II Encontro dos Bibliotecários e Arquivistas Portugueses em Lisboa, no ano de 1966;8) Voto de homenagem ao Director da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra pelo apoio dado ao I Encontro dos Bibliotecários e Arquivistas Portugueses. Pelo decreto-lei, que acima se referiu e adiante se comenta, se verifica que algumas destas conclusões estão satisfeitas ou em vias de resolução: a defesa dos diplomados com o curso de Bibliotecário-Arquivista, a criação das Regras de catalogação portuguesas, catálogos colectivos. Mas muitas questões se têm de resolver, avultando entre todas a da equiparação aos outros técnicos do Estado. E sem se resolver este problema, o País não poderá ter bibliotecários e arquivistas à altura das exigências da nossa cultura, do nosso desenvolvimento científico e técnico. Lembremo-nos da expressão que é bem significativa: «Mostra-me as bibliotecas e arquivos que tens e dir-te-ei que nível científico possuem os teus professores, os teus cientistas, os teus intelectuais ...».O II Encontro, que foi decidido efectuar-se em Lisboa no ano de 1966 - e é-nos extremamente grato ver como os seus promotores já estão a trabalhar, reunindo com frequência! - virá ser aquilo que se deseja: um novo e firme passo na vida dos bibliotecários e arquivistas. Vimos, com algum deslumbramento, como o I Encontro abriu perspectivas. O II Encontro ainda será melhor, e mais horizontes se rasgarão. Persistir, persistir sempre, eis o lema dos que, como nós, querem um lugar ao sol e desejam um apuro técnico que os considere como do melhor escol de que uma Nação multisecular e plurirracial muito se deve orgulhar. Passemos agora ao decreto-lei 46 350. Este diploma caracteriza-se, como no próprio preâmbulo se afirma: por conter «algumas disposições que são pressupostos essenciais da vasta e profunda obra que urge empreender no sector das bibliotecas e arquivos». Portanto, encontramo-nos no limiar de uma época de grande renovação e de auspiciosos resultados para uma modificação das nossas bibliotecas e arquivos e de uma real melhoria material dos bibliotecários e arquivistas que tão dedicadamente as servem. Acrescenta ainda o mesmo diploma que «a primeira e imprescindível medida a tomar no sentido de pôr termo a um estado de coisas tão prejudicial aos interesses da nossa cultura e ao próprio prestígio nacional consiste em dotar o Ministério da Educação Nacional de organismos realizadores da unidade de pensamento e de acção que deve ser a característica dominante da sua política neste sector. A este pensamento obedeceu a criação da nova 3ª Secção da Junta Nacional da Educação, com a incumbência de definir as directrizes para a defesa, protecção e enriquecimento do património bibliográfico e documental da Nação, bem como a remodelação, a que no presente diploma se procede, dos serviços de inspecção das bibliotecas e arquivos». Assim, pelos decretos-leis 46 348 e 46 349, de 22 de Maio de 1965, foram respectivamente fixadas as bases geraís da organização da Junta Nacional de Educação e promulgado o seu regimento.Ora é esta 3ª Secção que irá ter a mais larga competência nos aspectos técnicos que futuramente regerão as bibliotecas e arquivos portugueses. Desta maneira, todos têm a esperança de que tal Secção seja eficiente e lúcida ao ocupar-se dos graves problemas que atormentam os que ali trabalham. A questão está posta presentemente nos termos seguintes: as nossas bibliotecas e arquivos serão o reflexo imediato do que essa Secção fizer - de bom e de mau. Mas estamos em crer - temos a segura esperança - que ela trabalhará bem ao atentarmos nas pessoas que a constituem já e nos outros que virão a ser nomeados, incluindo-se, nestes, outros diplomados com o Curso de Bibliotecário-Arquivista.O decreto-lei 46 350 começa por definir as atribuições da Direcção-Geral do Ensino Superior e das Belas Artes e delimitar a acção da Inspecção Superior das Bibliotecas e Arquivos que ficará liberta de quaisquer preocupações burocráticas, integrando-se na sua verdadeira função de fiscal da actividade técnica dos serviços. Quer dizer, a Inspecção passou a ter uma função de mera fiscalizadora no capítulo técnico, pois entendeu-se que havia uma «inútil duplicação de formalidades e a consequente demora na resolução dos assuntos». Desde a sua criação ainda no séc. XIX, que a Inspecção constituía o órgão por excelência de toda a actividade biblioteconómica e arquivística. O que é verdade é que, por esta ou aquela razão - e as razões são muitíssimas... - ela não chegou a ter a influência decisiva que se lhe requeria. E foi pena, pois um organismo como a Inspecção deveria ser a cúpula natural das Bibliotecas e Arquivos Portugueses.Criaram-se dez novos arquivos, procurando-se assim satisfazer as aspirações regionais e evitar a centralização de que o Arquivo Nacional da Torre do Tombo é a mais alta expressão. A doutrina poderá ser bastante discutível - centralizar, não centralizar -. Para lá da medida positiva, quer-nos parecer que o rendimento desses arquivos - e amanhã também bibliotecas distritais - não será capaz de ser o que todos reclamam, em consequência de haverem sido dotados com um arquivista de 3ª categoria, o que não permitirá obter os «autênticos profissionais, que hão-de desempenhar o cargo em regime integral».Esta última doutrina está certa, é boa, mas a remuneração, 2600$00, é que não atrairá os técnicos qualificados. Tal quantia mensal obtem-se hoje em qualquer colégio com muito menos esforço e sem tão longa permanência. E os bons técnicos são atraídos por outras actividades mais rendosas. Se ao menos o lugar fosse de 2º conservador, com uma remuneração de 3600$00, já a estabilidade, a permanência dos seus serventuários seria bem maior.Não devemos esquecer que esses arquivos poderão também passar a ser bibliotecas distritais, recebendo, consequentemente, o Depósito Legal relativo a todas as obras oficiais ou que recebam subsídio oficial, além das obras impressas e editadas na área do respectivo distrito. Quer dizer que haverá mais trabalho, pondo-se mesmo o problema de saber se com tal pessoal - e mesmo o que se prevê aumentar para o efeito - haverá capacidade para resolver de forma satisfatória todas as questões que uma biblioteca e arquivo põem: arrumação, catalogação e, sobretudo!, leitura. Só com uma solução técnica superior é que se resolverá em parte a questão - ficha catalográfica nacional, equipas móveis suficientes e capazes, etc.Em relação aos diplomados com o Curso de Bibliotecário-Arquivista há um aspecto válido: a partir deste diploma só poderão ser providos definitivamente nesses lugares indivíduos habilitados com o respectivo Curso. Ainda bem. Defende-se assim a profissão e a Universidade que lhe dá o diploma. De hoje em diante já não será possível haver interpretações como as do acórdão 1 280 do Supremo Tribunal Administrativo. Também assim já não será possível entrarem indivíduos para o seio dos bibliotecários e arquivistas senão por uma porta: a da legalidade, dada pelo respectivo diploma.É certo que há uma fuga na lei que urge colmatar desde já: o artigo 19º permite, sob parecer da Junta Nacional da Educação, o ingresso de indivíduos sem a respectiva habilitação. É necessário esclarecer este ponto e evitar que ele seja um alçapão por onde entre muita gente sem a habilitação legal... Não nos devemos esquecer que o Código Administrativo, por exemplo, no seu artigo 619º,fala em bibliotecários com o 2º ciclo dos liceus...Também a classificação do serviço do pessoal técnico se passa a fazer de forma diferente da tradicional. Até aqui prevalecia o critério da antiguidade. Mas em organismos vivos, como devem ser as bibliotecas e arquivos, o estatismo, que a antiguidade pode gerar, é princípio a abolir. Hoje incita-se à produção técnica dentro e fora do estabelecimento. Nada mais justo, num justo critério de valorização. A antiguidade devia corresponder, por definição, a mais saber, a mais experiência. E na maioria dos casos - aqui também encontramos as honrosas excepções! - ela não é isso. É apenas um passo mais próximo da suspirada reforma.No entanto, este novo critério tem um gravíssimo risco: é o da classificação poder ser mais subjectiva e propender para o detestável favoritismo, um dos males das nossas instituições.À Direcção-Geral do Ensino Superior e das Belas Artes compete, através do seu serviço próprio, promover uma série de realizações. Sabemos - é a experiência que no-lo diz há longos anos - que em todas as reformas tais realizações vêm apontadas. Infelizmente, porém, as mesmas não têm passado da boa intenção do legislador. Mas agora há uma esperança de efectivação: reside no facto da 3ª Secção da Junta Nacional da Educação ser suficientemente dinâmica para levar à concretização desses objectivos, que são inúmeros - empréstimos nacional e internacional, actualização do Curso de Bibliotecário-Arquivista, Classificação do pessoal técnico, etc.O decreto-lei, que vimos tratando, cria indubitàvelmente certas estruturas. Contudo, estas não terão efectivação se não lhes for dada realização técnica capaz. Quer dizer: a estrutura não funciona por si, precisa de movimento. Este competirá a um organismo técnico que é, no caso presente, a referida Secção da J.N.E.Quanto ao Curso de Bibliotecário-Arquivista, fala-se na necessidade da sua urgente reforma, em que sempre se tem insistido. Tal reforma, contudo, não pode ser alheia a dois aspectos fundamentais: a) articulação em relação aos restantes cursos e licenciaturas da Faculdade; b) saída fácil e compensadora para os seus diplomados. Doutra forma, o Curso acabará por não ter frequência e as nossas bibliotecas e arquivos não poderão estar sujeitas a amadores ou a dirigentes sem a devida preparação técnica.Por outro lado, facilitou-se a questão do estágio e de forma bastante aceitável, já que o estágio remunerado não pode, de momento, ser criado. Há ainda a circuntância de se admitir indivíduos, a título provisório, para certas funções, tornando-se, porém, obrigatório que eles tirem o Curso. Esta medida pode ser uma faca de dois gumes: boa por um lado, mas má, pelo outro, se se admitir amanhã sob o pretexto de uma situação criada, pelo facto de estar há 3 anos com provimento provisório, que esse indivíduo seja provido definitivamente. Se se conceder isto, então pode ter-se a certeza de que ninguém mais tirará o Curso. É abrir-se-lhes uma porta que foi um puro expediente administrativo. Mas não nos esqueçamos da porta aberta que o artigo 19º constitui...Eis-nos no fim desta pequena análise. Procurámos focar, numa brevíssima panorâmica, alguns dos pontos que o decreto-lei em causa nos sugere.Ao cabo e ao resto, uma esperança muito forte nos anima: o problema dos bibliotecários e arquivistas, das bibliotecas e arquivos portugueses começou a ser encarado, começou a ser olhado com olhos de ver. Muita coisa se podia já ter corrigido. Mas largas esperanças nos surgem e duas medidas se impõem: na primeira oportunidade orçamental deve fazer-se o ajuste de quadros de forma a os bibliotecários e arquívistas ascenderem à situação a que têm jus - técnicos do Estado; e a segunda, é que a 3ª Secção da Junta Nacional da Educação seja eficiente e resolva, como deve, muitos dos nossos problemas. Aliás, com pouco dispêndio e boa articulação, resolvem-se a maioria das nossas questões técnicas. Neste campo o que nos tem faltado mais é colaboração e entre-ajuda perfeita do que quaisquer outros elementos...
A Documentação a Ciência e a Técnica
Para que o documentalista possa desempenhar eficientemente a missão que lhe cabe na obra colectiva de progresso, como intérprete e coordenador natural dos dois mundos, científico e técnico, são condições necessárias que tenha uma preparação adequada, e que ultrapasse a documentação passiva por uma documentação activa.
Das Bibliotecas e da Normalização
Salientando a importância da normalização no campo da produção bibliográfica, indica-se, após historiar os aspectos salientes da organização internacional e nacional, as Normas de maior interesse para os arquivos, bibliotecas e centros documentação ainda não estudadas em Portugal.
A Biblioteca da Academia Nacional de Belas Artes (ANBA)
No summary/description provided
Tenho notado ultimamente uma acentuada tendência para a utilização da ficha branca em substituição da ficha pautada. Haverá nesta algum inconveniente de ordem prática?
No summary/description provided
Comentários e Notícias
- Legislação sobre bibliotecas e arquivos - Decreto-Lei nº 46350 e Decreto-Lei nº 46348 - Para uma «Associação Portuguesa de Bibliotecários e Arquivistas» - O Dia do Bibliotecário na Feira do Livro de Lisboa - Alberto Iria académico de número da Academia Portuguesa da História - Exposição comemorativa do 4.° Centenário da Fundação da Cidade do Rio de Janeiro - Princípios de catalogação - Notícias Várias - Movimento Bibliotecário
Livros e Publicações Periódicas
MARQUES, A. H. de Oliveira. - Guia do estudante de História medieval portuguesa. Lisboa, ed. Cosmos, 1964, 1 vol. 19,5 x 13 cm., 288 p. + 37 p. inum. TAVARES, João Fernando Cansado; RODRIGUES, Alfredo Luís da Conceição & GUIMARÃES, Manuel Pereira - Planeamento da documentação técnico-económica no Ultramar Português. Lisboa, Núcleo dé Documentação Técnica, 1964.,30 cm., [11] p. 1 quadro. Sep. «Fomento», Lisboa, 2 (3) Jul.-Set. 1964, p. 3-14. COLLEGE & RESEARCH LIBRARIES - March 1965, volume 26, nº 2. LIBRARY RESOURCES & TECNICAL SERVICES - Spring, 1965, volume 9, nº 2. Artigos publicados em jornais sobre assuntos da particular interesse para bibliotecários e arquivistas
1993
Cepeda, Isabel Vilares Costa, Mário A. Nunes Sousa, Maria Armanda Almeida
Editorial
VALORIZAÇÃO Dia a dia se radica mais a ideia: o bibliotecário, o arquivista são técnicos qualificados que têm um papel assás importante a desempenhar na vida portuguesa. Isto é sabido e tornado a saber, mas faltava o reconhecimento real. Ora isso também está a suceder. As manifestações que entre nós assim o demonstram são múltiplas e várias. É hoje um grande agregado industrial que solicita um bibliotecário para dar expressão rigorosa ao seu centro de documentação; é mais tarde uma simples repartição pública, subjugada pela massa extraordinária de publicações periódicas e de livros que lhe chegam de muitas proveniências, que lança o seu apelo para que o técnico da bibliografia vá dar expressão rigorosa, científica, àquilo que até então tinha estado entregue ao simples curioso, com mais ou menos propensão para livros e jornais; é uma exposição bibliográfica que se entrega a um técnico qualificado. Os exemplos poderiam citar-se com abundante profusão. Todos nós sabemos destes casos, destas solicitações, ocorridas em Lisboa, Porto, Coimbra, etc., e Cadernos incluem neste número uma breve referência e esses trabalhos. Para que tal aconteça, várias razões se apontam. Inegàvelmente que a primeira de todas reside na circunstância da própria necessidade que tais instituições sentem. São elas que tomam a iniciativa e fazem-no em competição com o Estado, proporcionando muito melhores condições de remuneração. Daí que se põe a questão, aliás dilema geral, a toda a administração: ou o Estado reconhece O seu valor, remunerando melhor esses técnicos, ou então eles encaminhar-se-ão decididamente para as empresas privadas que estão já hoje a pagar o dobro do que paga o Estado. A segunda razão consiste no esforço que os bibliotecários e arquivistas estão presentemente a fazer para que tenham o seu lugar ao sol e esse lhes seja reconhecido com todo o mérito. Eles estão a despertar, a fazer a afirmação da sua capacidade. À força de demonstração, de persistência, acabarão, fatalmente, por ver a sua acção coroada do melhor êxito. Multiplicando actividades, aparecendo nos momentos e nas circunstâncias adequadas, o bibliotecário-arquivista está a mostrar, de forma iniludível, o seu valor. Seguramente que o futuro se antolha muito mais promissor do que até aqui. Não será, pois, ousadia esperar mais, desde que o queiramos, mantendo bem vivo o espírito que até aqui tem animado bibliotecários e arquivistas. *** Ao tratarmos, no último número, do Decreto-Lei 46 350, de 22 de Maio de 1965, várias considerações fizemos sobre alguns aspectos desse importante diploma. Vieram elogios e vieram igualmente críticas, conforme se solicitara. Levantaram-se também dúvidas, pontos de interrogação, como que à espera que alguém de responsabilidade lhes desse a resposta adequada. Felizmente que podemos hoje anunciar que dois desses pontos, que tanto receávamos, não têm razão de ser, conforme nos foi esclarecido por fonte altamente responsável. Ainda bem. Assim, ao tratarmos do artigo 19º daquele diploma, púnhamos a questão de entrarem para as bibliotecas e arquivos indivíduos sem o respectivo Curso. Ora as disposições deste artigo são apenas referentes às pequenas bibliotecas, aquelas que não têm possibilidades materiais de manter um técnico qualificado como é um bibliotecário-arquivista. Assim, ele aplicar-se-á, por exemplo - e apenas nesses casos - a arquivos de uma misericórdia, a um núcleo bibliográfico de um corpo administrativo, etc. São apenas encarregados e nunca bibliotecários ou arquivistas. Quanto ao facto de serem admitidos em bibliotecas e arquivos, a título provisório, por 3 anos, indivíduos sem o Curso e que se obrigarão a tirá-lo durante esse período para então serem providos definitivamente, a disposição será mantida inflexivelmente, não se permitindo haja pessoas que venham a beneficiar de uma medida que é um expediente administrativo, com vista a obviar uma emergência. De resto, a medida em si até conduz à própria valorização do Curso, aumentando-lhe a frequência. Fornecendo estes dois esclarecimentos, Cadernos regosijam-se com o facto, pois assim vê-se que são bem coincidentes os pontos de vista da administração central e dos bibliotecários-arquivistas: a defesa dos indivíduos que têm a respectiva habilitação legal para o desempenho de uma profissão.
Em torno da noção de Arquivo
Refere-se, em primeiro lugar, o facto de, em diferentes épocas, se haverem incorporado em Arquivos Públicos Portugueses documentos que, pela sua natureza, deveriam ter sido recolhidos antes em Bibliotecas; e, em algumas destas, documentos que melhor lugar teriam em arquivos. Levanta-se assim a questão de saber qual deve ser, em tal domínio, o critério selectivo a adoptar. Começando-se pela tentativa de caracterizar bem o que seja material arquivístico, resume-se a crítica feita por E. Casanova, na sua «Archivistica», às várias definições de «arquivo» propostas até à data da publicação dessa obra, reproduzem-se outras definições de tratadistas mais modernos e apresenta-se, por último, a que o próprio autor do artigo já em outra ocasião tivera ensejo de formular. Na apreciação a tal definição, procura-se pôr em evidência as diferenças fundamentais existentes entre documentos de arquivo e documentos de biblioteca.
Como devem ser catalogadas obras no tipo da que abaixo indico, cuja publicação, feita em datas diversas, ainda não terminou?
No summary/description provided
Comentários e Notícias
- O I Encontro dos Bibliotecários e Arquivistas Portugueses - 1 a 3 de Abril de 1965 - Doutoramento de António Cruz, director da Biblioteca Pública Municipal do Porto - Algumas considerações a propósito do aparecimento do «Guia das bibliotecas portuguesas» - O problema da remuneração profissional dos bibliotecários-arquivistas - O livro português no Brasil - Normas para encadernação - V Congresso Internacional dos Arquivos - Curso intensivo sobre Normalização da Documentação - Notícias Várias
1965
Nogueira, Manuela Sousa, José Manuel Mota
Livros e Publicações Periódicas
BALDINI, Italo - El archivo en la empresa moderna, Tractado practico de organización y funcionamiento de sus servicios. Barcelona, Editorial Hispano Europea, 2ª ed. 1 vol., XII + 249 p., 20,5 cm. BERROA, Josefina, compil. - México bibliográfico, 1957-1960. New York, R. R. Bowker Company, 1962. 1 vol., 189 p ., 28 cm. BOLETIM INFORMATIVO DA FEBAB, 9 (1/2):S. Paulo, Janeiro /Fevereiro 1964. BULLETIN D'INFORMATION DE L'A SSOCIATION DES BIBLIOTHÉCAIRES FRANÇAIS, (44): Junho 1964. BULLETIN DE L'UNESCO À L'INTENTION DES BIBLIOTHEQUES, 18 (4): Paris, Julho / Agosto 1964. NOTÍCIAS DIVERSAS, IBBD, 2 (2): Rio de Janeiro, Fevereiro 1964. BOWKER (The) Annual of Library and Book Trade Information - Edited by Phyllis B. Steckler, sponsored by The Council of National Library Associations, New York, 1964, 370 p.
1965
Cunha, Rosalina Silva Portocarrero, António Pereira, Joaquim Tomaz Miguel Dias, Rosa Mouta Lima, Alda Sousa, Maria Armanda Almeida
A Biblioteca Municipal de Coimbra como elemento de alfabetização
Com base em estatísticas, analisa-se a evolução do número e tipos de leitores da biblioteca, concluindo-se que aquelas assinalam uma constante curva ascendente, motivada sobretudo pelo serviço de empréstimo. Demonstra-se finalmente a necessidade urgente de transferir os serviços para edifício próprio e mais amplo.
O Instituto Jurídico da Faculdade de Direito de Coimbra
No summary/description provided
Antologia
No summary/description provided
Como deverá ser feita a entrada principal de obras do tipo da seguinte:
Como deverá ser feita a entrada principal de obras do tipo da seguinte: «Archives de l'État à Liege. Inventaire des archives du prieuré & de la seigneurie d'Aywaille, par Étienne Hélin, archiviste-paléographe. - Bruxelles, 1956» que são resultado da actividade do autor na sua qualidade de funcionário dependente de uma instituição, a qual toma a responsabilidade da publicação da obra?
Comentários e Notícias
- O II Encontro dos Bibliotecários e Arquivistas Portugueses - Os bibliotecários-arquivistas na organização das bibliotecas portuguesas - Simpósio sobre a utilização da informação científico-técnica - Luanda, 19 a 24 de Julho de 1965 - Exposição de livros latino-americanos - Normas portuguesas - Congresso da FID - Actividades de «Cadernos» - Notícias Várias
Livros e Publicações Periódicas
BOUTEMY, André - Évolution de la paléographie latine, in «Phoibos, Bulletin du Cercle de Philologie Classique et Orientale de I 'Université Libre de Bruxelles., 10-12 (1): 1962, p. 25-43. GUTENMAKHER, L. I. - Tratamiento . electrónico de la información. Madrid, Paraninfo, 1964, 1 vol., 179 p., 22 X 16, 150 pesetas. Encontro (Primeiro) de Escritores Portugueses. Programa e catálogo da exposição bibliográfica. Porto, Circulo de Almeida Garrett, 1965. 1 vol., 302 p., 22 cm. BIBLIOTECONOMIA, 21 (59-60): Barcelona, Janeiro-Dezembro, 1964. COLLEGE & RESEARCH LIBRARIES - July 1965, Volume 26, nº 4. BULLETIN DES BIBLIOTHEQUES DE FRANCE, Paris, 10(3) Março 1965: 67-106, *143-*225: (1). BULLETIN DE L'UNESCO À L'INTENTION DES BIBLIOTHEQUES, 19(2): Paris, Março/Abril 1965. DOCUMENTAÇÃO CIENTÍFICA
2003
Cunha, Rosalina Silva Peixoto, Jorge Portocarrero, António Sousa, José Manuel Mota Sousa, Maria Armanda Almeida Mendes, Maria Teresa Pinto Pereira, Joaquim Tomaz Miguel
Editorial
A partir de agora a edição de Cadernos passa a ser da responsabilidade da Associação. Gostaríamos que a única revista de carácter técnico existente neste domínio entre nós mantivesse a qualidade e o prestígio adquiridos noutras épocas, quando a BAD não passava de latente aspiração de um grupo profissional que se mobilizava em torno de Cadernos. Porque consideramos que será desejável acentuar o seu carácter formativo, aqui deixamos a proposta directa a um colectivo que é o seu público potencial - do qual a revista, mais do que qualquer outra, é simultaneamente propriedade e reflexo – para que nela colabore activamente enviando-nos artigos originais de ordem técnica ou que transmitem experiências relevantes ou ainda recensões de obras importantes. Para veicular informações de interesse mais imediato e efémero manter-se-á o Notícia BAD, ao qual está reservado um importante papel como ponte de contacto entre os associados, em especial entre os que, fora dos grandes centros, tentam romper o isolamento profissional, além de elemento de interacção com as Delegações Centro e - esperamos que num futuro breve – do Norte e dos Açores. A actividade da BAD desdobra-se em múltiplos aspectos de que nem sempre é fácil proporcionar a todos o devido acompanhamento e participação em tempo útil. Assim, e apesar das dificuldades estruturais que vão dos problemas de ordem financeira aos de instalações, investimos muito esforço no sector editorial, porque julgamos que, depois das acções de formação, ele é um domínio a privilegiar face não só às necessidades prementes de informação e actualização técnica, mas também como fermento de um futuro que tem que começar a construir-se hoje, na corresponsabilização e na solidariedade. Foi finalmente criado o Curso de Especialização em Ciências Documentais, no qual a BAD se empenhou acima de tudo e que se obriga a continuar a apoiar. Temos em curso o Inventário das Fontes de Informação em Portugal, que esperamos nos possa proporcionar, em breve, o diagnóstico da real situação do país e servir de base aos planos de desenvolvimento que tanto têm tardado. Nesta ordem de ideias, para além de uma cada vez mais activa participação em tudo quanto signifique valorização das nossas instituições e dignificação dos que nelas trabalham - e, apesar de todo o caminho já percorrido, estamos muito longe de nos considerar satisfeitos - é forçoso que as nossas publicações se façam eco do que constitue o quotidiano da BAD e estimulem uma vida associativa mais assumida e militante. Há lugar para todos e para cada um aprofundar os seus interesses e alargar o horizonte profissional. A primeira e mais activa das nossas Comissões, a de Formação, multiplica-se em realizações de mérito e utilidade incontestáveis, arcando permanentemente com algumas responsabilidades que ao Estado deveriam caber. As acções que promove, ao proporcionarem um enriquecedor contacto com especialistas estrangeiros e nacionais, deverão encontrar, na presente publicação, um meio ideal de alargarem o debate a um muito maior número de profissionais. A Comissão das Bibliotecas Universitárias, em que se agrupa grande número de colegas de todas as regiões do país, está empenhada num combate difícil de reforma de estruturas e dos objectivos a prosseguir. O Grupo de Utilizadores de Sistemas de Informação em Linha, que conta com a colaboração de colegas de organismos estatais e empresariais, está vocacionado para melhor tirar partido das modernas tecnologias postas ao serviço da nossa profissão. O estudo das respectivas aplicações práticas é a finalidade do Grupo de Automatização, um dos de mais recente criação. Aberto como todos os outros a sócios e não sócios, acaba de se constituir o Grupo das Bibliotecas Públicas, de que esperamos um contributo decisivo para o questionamento da problemática da leitura pública em Portugal e um decidido empenho na procura de soluções correctas. Não nos iludamos porém. Como agora nos veio dizer Jean Tabet, o bibliotecário da leitura pública não pode ser encarado como um mágico, cujo voluntarismo permite escamotear a importância fundamental de se conquistarem os indispensáveis recursos financeiros para aquisições bibliográficas, instalações e pessoal, de modo a necessidades. Pessoalmente pensamos que, na era da «sociedade da informação», o nosso atraso não é uma fatalidade inelutável e o livro continuará a ser um dos meios mais eficazes para permitir ao homem não só informar-se e comunicar, cultivar-se e distrair-se, mas sobretudo tomar consciência de si próprio e do seu semelhante, logo, um dos mais relevantes factores de mudança e de uma verdadeira participação democrática e responsável na vida social. O bibliotecário deve assim assumir-se como um dos protagonistas da revolução do livro entre nós, em ruptura com um passado conservador e elitista, pois que o acesso efectivo aos meios de informação e de cultura é condição necessária para o pleno exercício da liberdade, individual e colectiva.