Repositório RCAAP

A maior dor do mundo: o luto materno em uma perspectiva fenomenológica

O presente trabalho busca refletir sobre a vivência do luto materno na sociedade brasileira contemporânea, a partir da perspectiva fenomenológico-existencial. Foi realizada uma pesquisa qualitativa com três mães enlutadas. Utilizou-se o método fenomenológico de entrevistas, com uso de pergunta disparadora. A análise dos dados seguiu os quatro passos metodológicos de Giorgi. O relato das mães evidenciou diferentes temáticas, descritas por meio de dez elementos constituintes da vivência de luto materno, a saber: dor; perda de um modo de existir; espiritualidade; culpa; perda do sentido do mundo-da-vida; vontade de morrer; fragmentação dos laços afetivos; engajamento em projetos relacionados ao filho; perpetuação da memória do filho; estreitamento de laços com pessoas significativas para o morto. Os resultados obtidos na pesquisa indicam que, embora o luto se modifique ao longo do tempo, a perda de um filho jamais é superada, sendo este sofrimento compreendido não mais como uma condição patológica, mas como especificidades a serem compreendidas.

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2022-12-06T15:50:27Z

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Freitas,Joanneliese Lucas de Michel,Luís Henrique Fuck

Explorando o território dos afetos a partir de Lev Semenovich Vigotski

O território dos afetos, denominação genérica sob a qual abarcamos emoções, paixões e sentimentos em suas diversas nuanças, tem sido abordado sob diferentes enfoques epistemológicos ao longo do tempo. Partindo de uma perspectiva fisiológica, passou depois por enfoques metafísicos, indo até o surgimento de olhares mais atentos ao papel das interações sociais no desenvolvimento humano, que compreendem o campo dos afetos no contexto dos processos semiótico-culturais nos quais se constitui o sujeito. No presente artigo buscaremos resgatar as contribuições da abordagem histórico-cultural esboçada por Lev Semenovich Vigotski para o estudo das emoções, a qual estabeleceu marcos importantes em meio aos debates das correntes vigentes no século XX. Situaremos, em seguida, algumas abordagens contemporâneas de orientação sociocultural que se propõem a dar prosseguimento à proposta do autor russo, analisando avanços trazidos por novas pesquisas sobre o tema. Por fim, discutiremos desafios e implicações de uma perspectiva histórica e sociocultural para o estudo dos afetos que atente para a complexidade e a dinamicidade dos fenômenos psicológicos.

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2022-12-06T15:50:27Z

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Wortmeyer,Daniela Schmitz Silva,Daniele Nunes Henrique Branco,Angela Uchoa

A infância (re)contada pelo fio da memória de psicoterapeutas septuagenários

Este estudo teve por objetivo investigar os relatos de psicoterapeutas idosos sobre sua infância, buscando identificar, nas experiências de vida narradas, elementos relacionados às vivências familiares. O estudo é de caráter descritivo e exploratório, de abordagem qualitativa com a utilização do método clínico-qualitativo. Participaram cinco psicoterapeutas septuagenários, escolhidos pelo critério de prestígio desfrutado junto aos pares dentro e fora de instituições psicanalíticas. Foi utilizada entrevista aberta, audiogravada e, posteriormente, transcrita na íntegra. Os relatos foram submetidos à análise de conteúdo temática. Os dados foram interpretados com base no referencial teórico psicanalítico da transmissão psíquica. A análise resultou na construção de três categorias temáticas: (1) A família como rede simbólica que define a posição subjetiva de seus membros; (2) Entre a reverência e a rebeldia: a possibilidade de reinventar a tradição familiar; e (3) Construindo o pertencimento à cadeia geracional. Constatou-se que as narrativas dos psicoterapeutas sobre a infância se estruturaram em torno da vida familiar, pautada em hábitos e papéis familiares bem delimitados, com rígida divisão de funções entre pai, mãe e filhos. A posição ocupada pelo sujeito na fratria e a submissão a um mito fundador da linhagem são elementos que auxiliam na compreensão do engendramento de cada participante na cadeia intergeracional.

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2022-12-06T15:50:27Z

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Santos,Manoel Antônio dos

Fenomenologia de Michel Henry e a clínica psicológica: sofrimento depressivo e modalização

A fenomenologia da vida de Michel Henry considera a afetividade como central para a constituição da pessoa. Sofrer é provar-se a si mesmo, é sentir-se afetado pela vida, que, em sua autoafecção, constitui-se como vida do corpo nele encarnada. Com sua noção sobre o sofrer e o fruir originários, Michel Henry contribui com a clínica psicológica, de modo que esta possa repensar a questão da modalização do sofrimento como um fazer clínico alinhado ao registro ontológico da vida em sua autoafecção. Diante da relevância do sofrimento para a clínica e da original contribuição da fenomenologia da vida de Michel Henry, esse trabalho tem por objetivo discutir a fenomenalidade da modalização afetiva do sofrimento na clínica psicológica. Para tanto, iremos dar atenção ao sofrimento manifesto na depressão, como fez Michel Henry em seu trabalho Souffrance et Vie, no qual propõe que a compreensão da depressão só é possível dentro do sofrer e do fruir originários, resgatando assim seu valor como vivência afetiva, constitutiva e eminentemente humana.

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2022-12-06T15:50:27Z

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Ferreira,Maristela Vendramel Antúnez,Andrés Eduardo Aguirre

Vigiar e assistir: reflexões sobre o direito à assistência da "adolescência pobre"

Neste artigo analisamos a categoria "adolescente pobre" como um conjunto populacional a ser assistido pelo Estado brasileiro, a partir da perspectiva genealógica de Michel Foucault. Desse modo, consideramos a adolescência como uma invenção e efeito de certos exercícios de saber e de poder que a coloca como objeto da assistência social. Tratamos de tecer análises acerca das consequências políticas e de assujeitamento advindas dos Códigos de Menores e do Estatuto da Criança e do Adolescente - ECA. As análises de tais documentos assinalam como sua produção incide sobre uma população específica, produzindo uma identidade que se dirá pobre, gerenciando e produzindo condutas e modos de viver e apresentando formas apropriadas de felicidade, condicionadas à legalidade. Nesse artigo, buscamos analisar a história do pensamento assistencialista acerca do "adolescente pobre" no contexto brasileiro e de como este grupo passou a ser alvo de um conjunto de práticas de Estado e de políticas públicas.

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2022-12-06T15:50:27Z

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Muniz Neto,João Silveira Lima,Aluísio Ferreira de Miranda,Luciana Lobo França,Luara da Costa

O sentimento de vergonha em crianças e adolescentes com TDAH

O presente estudo teve como objetivo compreender o julgamento do sentimento de vergonha em situações de violação às regras em crianças e adolescentes com diagnóstico de Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH). As situações de violação às regras envolviam os pais, o professor e os pares. Participaram do estudo 20 crianças e adolescentes de ambos os sexos, com idades entre 11 e 14 anos que cursavam entre o 5º e 8º anos do Ensino Fundamental II de uma escola da rede particular de ensino e de uma instituição destinada ao diagnóstico e tratamento de crianças com queixa escolar. Os participantes foram subdivididos em dois grupos: Grupo 1 (G1) constituído por 10 crianças e adolescentes com diagnóstico de TDAH, apresentação predominantemente combinada, e o Grupo 2 (G2), formado por 10 crianças e adolescentes sem queixas comportamentais. O desenvolvimento moral e a compreensão do sentimento de vergonha foram investigados por meio de histórias hipotéticas. Em relação ao nível de desenvolvimento moral, os resultados apontaram que os participantes dos dois grupos encontram-se na autonomia moral ou em transição entre a heteronomia e autonomia, sem diferença entre eles, o que impossibilita a comparação desses dados e os voltados para a avaliação do sentimento de vergonha. Os resultados obtidos evidenciaram também diferenças entre os grupos no que se refere à compreensão do sentimento de vergonha em situações de violação às regras e também em relação aos envolvidos nas histórias (pais, professor e pares).

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2022-12-06T15:50:27Z

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Fernandes,Ana Paula Amaral Dell'Agli,Betânia Alves Veiga Ciasca,Sylvia Maria

Freud e as neurociências, um diálogo contemporâneo

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2022-12-06T15:50:27Z

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Villela,Wilza Vieira

Reflexiones sobre un malentendido: producción de necesidades infantiles en políticas de protección

Desde hace mucho fueron destacadas las contribuciones de Foucault al campo de estudios de la infancia. Con todo, se propendió a ignorar una discusión potente: el establecimiento, en el centro de las políticas de protección de los derechos de los niños, de la indudabilidad de las necesidades infantiles. Sin embargo la categoría de necesidad no haya sido directamente trabajada por Foucault, su conceptualización de poder constituyendo de modo capilar conjuntos de dominios y rituales de verdad así como resistencia; su definición de prácticas discursivas productoras tanto de sujetos como de retóricas, y su concepción de tecnologías de gobierno, que reúnen formas de conocimiento y el locus familiar como el sitio privilegiado de regulación poblacional, han sido retomadas por Nancy Fraser y Nicholas Rose para problematizar el lugar del discurso de necesidades y el discurso psi en las políticas sociales en el capitalismo tardío. A partir de ello, exploraremos la potencia de dicha retórica y sus modos específicos de articulación con el discurso de los derechos de los niños.

Acerca de la judicialización de la ciudadanía biológica: biomedicina y políticas de la vida

El proceso de judicialización de la biopolítica encuentra en la Argentina contemporánea una forma singular. Las políticas de la vida, a partir del fin de la última dictadura militar (1976-1983) van a ser doblemente condicionadas por los efectos del terrorismo de Estado: por un lado, la búsqueda de la vida constituye el requisito político inicial para legitimar prácticamente todas las formas de interferencia en la vida colectiva; por otro lado, el nexo biológico entre las generaciones prueba ser el más potente soporte material y simbólico que sostiene la urgencia de nuevos movimientos sociales (MADRES, ABUELAS, FAMILIARES, HIJOS) proporcionando un formato para desenganchar/reenganchar lo biológico en unas demandas políticas específicas. En este formato, nuevos desarrollos biomédicos se acoplan en direcciones estratégicas opuestas que posibilitan o limitan las atribuciones que el Estado tiene de asumir algún aspecto de la existencia biológica de sus ciudadanos. Para posibilitar este análisis, examinamos críticamente los aspectos de la perspectiva teórica engendrada por Michel Foucault, así como los desarrollos posteriores de Nikolas Rose, que contribuyen a la conceptualización necesaria para una analítica de las políticas de la vida efectivamente en curso.

Entre a criação e a obediência: a judicialização invade a escola

O artigo pretende problematizar as relações e as práticas vinculadas à escola, as quais têm sido marcadas por uma lógica judicializante. Para isso traz exemplos de casos recentes, em que nos deparamos com discursos que demandam mais controle, mais vigilância e, nesta lógica, mais punição. Sob o pretexto de defender a educação de qualidade, os códigos de conduta e o respeito ao professor, as situações descritas exemplificam muitas práticas, na sociedade e nas escolas, que contribuem para alimentar a racionalidade que considera o poder judiciário a instância por excelência onde as dificuldades e os conflitos escolares devem ser resolvidos. O texto alerta para a necessidade de não encararmos os problemas escolares como ameaça à existência da própria escola, mas analisarmos os processos instituídos e problematizarmos as práticas que buscam prevenir condutas desviantes através de discursos moralizantes e de métodos punitivos. Neste sentido, defende a construção de alternativas para estes problemas através da participação dos sujeitos que habitam a escola, pois a potencialização de professores, alunos e demais agentes institucionais possibilitará que as escolas se transformem em espaços para a ampliação dos modos de existência.

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2022-12-06T15:50:27Z

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Amado,Luiz Antonio Saléh

Michel Foucault e as lutas políticas do presente: para além do sujeito identitário de direitos

O texto discute as noções de estética da existência e de subjetivação, de Michel Foucault, buscando empregá-las a fim de esclarecer as novas formas de ação política promovidas pelos coletivos autônomos de inspiração queere anti-identitária, como o coletivo Marcha das Vadias. Argumentamos que este coletivo se distingue dos movimentos de minorias baseados na noção de identidade como suporte do sujeito de direitos, motivo em função do qual ele apresenta uma interessante proximidade com a reflexão foucaultiana, também ela situada num marco pós-jurídico, ainda que sem desprezar a importância do reconhecimento de direitos nas lutas contemporâneas. Para Foucault, como para o coletivo Marcha das Vadias, tão importante quanto a conquista de direitos é a promoção de novas formas de vida e de relação entre os agentes políticos, as quais sejam capazes de criticar as formas hegemônicas da violência e da discriminação contra minorias que não se adequam aos padrões normativos da vida em nossas sociedades contemporâneas.

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2022-12-06T15:50:27Z

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Duarte,André de Macedo César,Maria Rita de Assis

Vida e resistência: formar professores pode ser produção de subjetividade?

Este artigo discute a formação de professores relacionando-a com as noções de vida e de resistência. Propõe uma análise que faz atravessar estas três noções: formação, vida e resistência. Esta análise acontece por meio dos estudos da produção de subjetividade na perspectiva de Michel Foucault, problematizando o fato de que na fronteira da constituição da existência, na zona de indeterminação que emerge dela, é possível tratar o tema da formação como produção de subjetividade. A noção de experiência-limite de Maurice Blanchot contribui para se poder afirmar que formar professores é produzir subjetividades. Com este agenciamento entre formação, vida e resistência, a ideia é pensar possibilidades de condições de trabalhos para professores que vêm sendo judicializadas e aprisionadas em formações ditas competentes para lidar com o contemporâneo e suas facetas, que cada vez mais investem em uma vida pret-à-porter para que se mantenha a permanência de práticas pedagogizantes. Contrário a esta posição, o artigo propõe agenciamentos para formar e desformar, assumindo os riscos e afirmando modos desindividualizantes e mais coletivos e assim facultando a expressão de uma formação inventiva de professores.

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2022-12-06T15:50:27Z

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Dias,Rosimeri de Oliveira

Contribuições de Michel Foucault para analisar documentos e arquivos na judicialização/jurisdicionalização

Nesse artigo pretendemos ressaltar a produção histórica encontrada em arquivos e documentos, bem como as práticas de generalização de uma sociedade punitiva no âmbito das relações entre normas e leis, e também do poder, direito e verdade, de acordo com estudos de Michel Foucault a respeito da soberania jurídica, da disciplina, da biopolítica e da segurança como dispositivo político de governo das condutas. Na atualidade o uso dos documentos e de arquivos para criminalizar, encarcerar e segregar os desviantes sociais é uma prática cotidiana, e funciona pelo dispositivo de confissão nas adjacências do Poder Judiciário, operando as noções de risco e perigo, em termos de biopolítica. Já a escrita disciplinar aciona a constituição de casos e dossiês, por meio dos exames, das observações vigilantes e da sanção normalizadora, em uma microeconomia penal. é relevante criticar essas práticas e pensar campos de possibilidade de resistência a essas escritas de uma memória das infâmias na judicialização da vida.

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2022-12-06T15:50:27Z

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Lemos,Flávia Cristina Silveira Galindo,Dolores Cristina Gomes Costa,Jorge Moraes da

Habitar as bordas e pensar o presente

Em meio à multiplicação das manifestações de rua emergentes no cenário brasileiro, a problematização do presente ganha outros contornos, em que a inauguração de um novo momento da história recente abre o horizonte de possíveis. é nesse atual que as resistências se inscrevem e é nele que as lutas sociais diante dos processos de exploração, opressão e dominação do capitalismo possuem novos territórios de combate. Esse atual reiteradamente adjetivado como novo não surge do vazio, mas dos agenciamentos feitos com as diferentes linhas que compõem a trama dos estratos de poder sedimentados na história da humanidade, de suas cidades e de seus dispositivos ordenadores. O presente artigo busca problematizar esse presente imediato por meio da remontagem na história de algumas linhas-duras que dão contornos às instituições vigentes, expondo o funcionamento e as estratégias dos variados exercícios de poder disciplinar e de controle contemporâneos. Por meio de pistas abertas por Foucault sobre novos dispositivos do ordenamento mundial e da releitura com contornos institucionalistas do conceito de borda desenvolvidos por Mezzadra e Neilson, procuramos por analisadores históricos e quentes para pintar essa cartografia.

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2022-12-06T15:50:27Z

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Aguiar,Katia Berzins,Felix

Sobre olhares e práticas psicológicas na assistência social

Em face da crescente entrada do psicólogo nos serviços de assistência social, este artigo visa analisar as práticas psicológicas no campo da infância e da juventude, buscando trazer à luz a complexidade e a historicidade de concepções correntes desse saber-fazer. O artigo constitui-se de estudo teórico que discute a atuação profissional do psicólogo, considerando os olhares e as práticas como constituídas na realidade e criadoras dessa realidade. Utilizando-se da biologia do conhecimento e da análise institucional francesa, reflete sobre as concepções de ser social, instituição, política e subjetividade. Considerando as formas de olhar como constituídas nas interações sociais e condicionadas aos contextos sociais e históricos, aponta para a reflexão sobre as práticas cotidianas a partir da problematização dos olhares sobre o mundo, e indagando sobre a inadequação das práticas psicológicas na assistência social, reporta-se ao campo das visibilidades nos serviços sociais e à diminuta aptidão da Psicologia para manejá-lo, em função de sua própria história clínica. Desse modo, conclui pontuando a análise das implicações e a intervenção nas instituições como tarefa ética do psicólogo.

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2022-12-06T15:50:27Z

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Tavares,Gilead Marchezi

Pelos caminhos da judicialização: lei, denúncia e proteção no contemporâneo

Ao se colocarem em análise os processos de judicialização serão problematizadas verdades instituídas sobre lei, denúncia, proteção, justiça, segurança e vigilância. Em particular, será contextualizada a chamada proteção à infância e à adolescência, uma vez que a denúncia é tomada como um modo de participação, de responsabilidade social e condição para a realização da justiça. A proposta é, então, pensar a denúncia como um modo de produção de verdade, e os movimentos dessa prática, que em defesa da lei faz funcionar a máquina do judiciário por seus canais institucionalizados, como por exemplo o da denúncia anônima. Desse modo, vão se organizando redes de vigilância que acionam o judiciário, apoiando as políticas de judicialização, e ao mesmo tempo criminalizam e moralizam as famílias ao colocarem sob suspeição seus modos de vida. Por esse percurso, a dinâmica da denúncia tem como objetivo fazer uso de uma legislação punitiva para regular os cotidianos familiares, colocando em funcionamento uma estreita relação entre lei, ordem e proteção.

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2022-12-06T15:50:27Z

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Nascimento,Maria Livia do

Os exercícios de resistência no contemporâneo: entre fabulações e contágios

O artigo destaca as contribuições de Michel Foucault no que tange à noção de resistência. Os exercícios de resistência desnaturalizam as evidências que compõem nossa vida cotidiana. São práticas anônimas e impessoais que provocam fissuras nos modos de existência instituídos e fazem emergir novos problemas. Objetivou-se ressaltar a positividade dos exercícios de resistência, diferenciando-os daquelas concepções que os abordam exclusivamente como oposição ou reação a um processo instituído. As resistências são imprevisíveis, esboçam outros modos de ação coletiva e desprezam os limites instituídos, imprimindo novos contornos nas formas de luta e nas práticas que se insinuam em meio aos processos de sujeição que aviltam a vida. Com base nos debates desenvolvidos por Foucault apontamos que as resistências são linhas desobedientes que problematizam os princípios de ordenação e conservação da vida. Os exercícios de resistência fazem mutações nos modos de existência, de organização e sentido da participação política, de usos da cidade, das formas de organização do trabalho, de produção do conhecimento e das redes de sociabilidade.

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2022-12-06T15:50:27Z

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Heckert,Ana Lucia Coelho

A indústria da insegurança e a venda da segurança

Nos chamados tempos modernos a lei é um elemento fundamental à organização social, articulada pela produção do homem livre, do cidadão, governado por dispositivos de disciplina e segurança. Para fazê-los funcionar, liberdade e controle são noções centrais, fundamentos da segurança, cuja existência apenas é possível se produzida a insegurança. Uma relação segundo a qual a insegurança convoca a segurança e esta a justiça com os aparelhos que lhe subsidiam. A partir das análises propostas por Michel Foucault constata-se que a judicialização é uma perspectiva que incentiva a insegurança para vender segurança como condição para o controle no mundo do capital: alimenta-se uma indústria de insegurança e um espaço de lucro. Relações cotidianas permitem pensar a produção da insegurança como estratégia financeira e de controle biopolítico, acionada por um amplo exército composto inclusive pela universidade, e um mercado de venda de segurança, que vai do incentivo ao medo às vias de fato das armas.

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2022-12-06T15:50:27Z

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Scheinvar,Estela

Encontros e confrontos entre a vida e o direito

Nosso objetivo é discutir os processos de objetivação, desqualificação e criminalização de uma comunidade tradicional de pescadores situada na orla urbana de Maceió, que trava uma luta contra a prefeitura municipal pelo direito à permanência e por investimentos nesse território. Com base nas pesquisas de Michel Foucault, propomos uma problematização dessas formas de objetivação, subjetivação e governo, analisando práticas e saberes que incidem sobre essa comunidade. Usamos registros produzidos em quatro anos de trabalho com essa comunidade, bem como documentos e materiais midiáticos que abordam o conflito. Discutimos a judicialização da vida em torno de dois aspectos: a) discursos que operam como condições de possibilidade para sustentar a proposta de remoção dessa comunidade de seu território; b) estratégias de resistência que afirmam a especificidade da vida nesse lugar. Trazemos esta situação para o debate sobre a judicialização da vida buscando não apenas problematizar as circunstâncias em que se passa a demandar mais intervenção jurídica no governo da vida, mas também afirmar que o que está em jogo nessa situação não é a mera aplicação e cumprimento da lei, e sim, os modos de vida dessa comunidade que confrontam a lógica de investimento e desenvolvimento urbano da cidade.

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2022-12-06T15:50:27Z

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Hüning,Simone Maria

Medidas socioeducativas: cartas ao reinado do saber

O estudo problematiza a experiência desenvolvida na defensoria interdisciplinar de adolescentes em conflito com a lei num programa de extensão acadêmica da Univewrsidade Federal do Rio Grande do Sul, no contexto de políticas públicas brasileiras. A metodologia do estudo consiste em analisar as narrativas sobre o trabalho da equipe de defensoria interdisciplinar discutindo as experiências ali vivenciadas com um olhar crítico sobre as práticas desenvolvidas no atendimento de adolescentes que cumprem medida socioeducativa por terem cometido ato infracional. A análise conceitual é orientada pelo diálogo com o filósofo Michel Foucault, especial em seu texto " La vie des hommes infâmes”, mapeando as relações de poder e saber que regulam as práticas institucionais e visam ao controle social dos indivíduos. A análise possibilita uma reflexão sobre as ligações que são estabelecidas entre os saberes do direito, da psicologia e da pedagogia, produzindo práticas que tendem a regular e prescrever a vida de adolescentes no contexto de atendimento socioeducativo, numa perspectiva de judicialização da vida contemporânea.

Ano

2022-12-06T15:50:27Z

Creators

Lazzarotto,Gislei Domingas Romanzini