Repositório RCAAP

O povoado pré-histórico do Carrascal (Oeiras) e os rituais associados a grandes bovídeos

A proximidade do povoado pré‑histórico de Leceia, cuja primeira ocupação remonta exactamente ao Neolítico Final, torna admissível a hipótese de os últimos habitantes do vasto povoado aberto do Neolítico Final do Carrascal o tenham abandonado, a favor daquele local, que oferecia boas condições naturais de defesa. Esta realidade, consubstanciada pela generalizada procura de sítios altos e defensáveis no decurso do Neolítico Final, encontra‑se, aliás, também bem evidenciada a nível regional. Veremos se o estudo detalhado dos espólios do Carrascal permitem identificar algumas diferenças face aos exumados em Leceia, susceptíveis de lhes conferirem uma maior antiguidade. Foi num sector escavado em 2004 situado a nascente do local onde se concentravam os testemunhos do Neolítico Antigo, que se vieram a explorar duas fossas escavadas na rocha, as quais, pelos resultados obtidos, justificam a presente publicação.

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2022-11-18T14:17:27Z

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Cardoso, João Luís

A gestão da morte nos Perdigões (Reguengos de Monsaraz): Novos dados, novos problemas

A investigação da gestão da morte no recinto calcolítico dos Perdigões, localizado junto a Reguengos de Monsaraz, distrito de Évora, iniciou-se em 1997 com a identificação do Sepulcro 1. Desde então, os trabalhos prosseguiram, centrados na área da necrópole de sepulcros colectivos localizada na extremidade Este do recinto exterior e delimitada pelos dois fossos que o definem, que nesse ponto formam um semicírculo. Até 2006 foram integralmente escavados dois sepulcros (Sepulcros 1 e 2) e definido superficialmente um terceiro. Em 2007 e 2008, no âmbito de um projecto orientado para a identificação de contextos metalúrgicos, retomaramse as intervenções num dos recintos interiores, junto a uma das sondagens de diagnóstico realizadas em 1997. Aí, para além de troços de dois fossos que delimitam esse recinto, identificaram-se doze fossas escavadas na rocha, tendo sido intervencionadas arqueologicamente onze. Dessas, duas revelaram uma utilização funerária, onde, pela primeira vez nos Perdigões, se registaram deposições humanas primárias. Esta circunstância levanta toda uma nova série de questões relativamente à gestão da morte nos Perdigões, com naturais consequências para a interpretação global do sítio e das suas diversas espacialidades internas. Começaremos, assim, por expor resumidamente os dados actualmente existentes para a necrópole, para em seguida apresentar os contextos de enterramento em fossa e discutir as suas implicações.

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2022-11-18T14:17:27Z

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Valera, António Carlos Godinho, Ricardo

Práticas funerárias no Bronze Pleno do litoral alentejano: O Monumento II do Pessegueiro

No litoral alentejano, planície que se estende entre a linha de costa e os relevos de orientação N-S constituídos pelas serras de Grândola e do Cercal, foram, até ao presente, escavados cinco monumentos funerários pertencentes ao “Bronze do Sudoeste”, ou, mais precisamente, ao Bronze Pleno do Sudoeste: Provença, Quitéria, Pessegueiro (Monumento I e Monumento II – objecto da presente publicação) e Casas Velhas (escavações inéditas do Museu de Arqueologia e Etnografia do Distrito de Setúbal, sob a direcção dos signatários). Os quatro primeiros cemitérios situam-se no concelho de Sines e a curta distância do mar, e o último, no concelho de Grândola, freguesia de Melides, a cerca de 6 Km da linha de costa. Sobretudo com base nos resultados dessa investigação e no que concerne às práticas funerárias, foi possível isolar, resumidamente, os seguintes aspectos, na sua maior parte comuns a todo o Sudoeste Peninsular.

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2022-11-18T14:17:27Z

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Silva, Carlos Tavares da Soares, Joaquina

Anexo I – Monumento II do Pessegueiro (Sines) – Estudo antropológico

O estudo antropológico que agora se publica refere-se a dois esqueletos exumados do interior de uma cista – a sepultura 16 do monumento II de uma necrópole atribuída ao Bronze do Sudoeste e designada por Cemitério dos Mouros. Era a única sepultura com espólio osteológico. A escavação desta necrópole foi feita pe1o Grupo de Trabalhos de Arqueologia do Gabinete da. Área de Sines em parceria com o Museu de Arqueologia e Etnografia do Distrito de Setúbal, de 1975 a 1985 e esteve a cargo de C. Tavares da Silva e J. Soares que recolheram cada um dos ossos individualmente, após desenho da planta do interior da sepultura à escala 1:1 e atribuição de um número de recolha a cada osso.

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2022-11-18T14:17:27Z

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Fernandes, Teresa Matos

Anexo II – Análise química não destrutiva dos artefactos metálicos provenientes do Monumento II da necrópole do Pessegueiro

A composição química dos artefactos metálicos constituintes do espólio proveniente do Monumento II da Necrópole do Pessegueiro (ver Silva & Soares, este volume) foi determinada fazendo uso da espectrometria de fluorescência de raios-X (XRF), dispersiva de energias, e, no caso da espiral fragmentada (S-CM/10003), da técnica PIXE (Proton Induced x-Ray Emission).

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2022-11-18T14:17:27Z

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Araújo, Maria de Fátima Alves, Luís Soares, António M. Monge

Práticas rituais no Bronze do Sudoeste – Alguns dados

Esta comunicação, baseada essencialmente nas intervenções arqueológicas de que temos sido responsáveis em algumas áreas da bacia do Guadiana, abarca um período cronológico balizado pelo denominado Horizonte de Ferradeira, de um lado, e pelas primeiras manifestações orientalizantes, do outro, integrável naquilo que H. Schubart (1975) denominou de Bronze do Sudoeste. Dois tipos de contextos arqueológicos foram objecto de análise tendo em vista a identificação e caracterização de práticas rituais: as sepulturas/necrópoles e as áreas de habitat.

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2022-11-18T14:17:27Z

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Soares, António M. Monge Santos, Filipe J. C. Dewulf, Joke Deus, Manuela de Antunes, Ana Sofia

Contribuição para o conhecimento do talhe da pedra na Idade do Bronze da Estremadura: O conjunto do Casal da Torre (Torres Novas)

Um dos aspectos que então notabilizou esta ocupação do Bronze Pleno foi a recolha de uma significativa indústria em pedra lascada. Dado que os trabalhos posteriores a 1994 permitiram aumentar a amostra lítica disponível para análise, é assim hoje possível desenvolver as considerações iniciais a seu respeito, o que se constitui como o objectivo do presente texto.

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2022-11-18T14:17:27Z

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Carvalho, António Faustino de

Armas, lugares e homens: Aspectos das práticas simbólicas na Primeira Idade do Bronze

According to Susana Oliveira Jorge (AAVV, 1995), the two peninsular Bronze Ages (first and second or Late Bronze Age) are distinguished, in last instance, of other stages of prehistoric Peasant Societies by the succession of different “discourses of power”. We argue here, hoping to demonstrate it, that such “powers” more then being expressed as a coercive imposition result, in a logic of “a violence without violence”, of the acceptance of successive forms of regulation and symbolic expression - the “speeches” - made visible not only through their iconographic expressions, but perceivable and identifiable through the socio-cultural analysis of the respective societies.

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2022-11-18T14:17:27Z

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Senna-Martinez, João Carlos de

Sobre rituais do corpo em finais do II milénio/inícios do I milénio a.C.: Do espaço europeu ao território português

No estudo dos rituais do corpo, a Arqueologia conta com quatro grandes categorias de testemunhos: os que podemos abordar através da óptica circunscrita da Antropologia Física, os que se encontram figurados explícita ou implicitamente na iconografia, os que integram estruturas e contextos e os que correspondem a artefactos manipulados na “arte de transformação do corpo”, com ou sem contexto. O objectivo deste texto incidirá nestes últimos, embora em articulação com os restantes e sem esquecer o papel positivo que a Etnografia poderá desempenhar nesta matéria. Partiremos de algumas considerações gerais e de uma perspectiva diacrónica para casos concretos atribuídos, globalmente, a finais da Idade do Bronze e inícios da Idade do Ferro, altura em que a expressão corporal como manifestação e afirmação do poder assumiu papel cimeiro.

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2022-11-18T14:17:27Z

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Vilaça, Raquel

Os espaços funerários e a construção das novas entidades sociais e culturais do Extremo Ocidente Europeu (1.º milénio A.N.E.)

As tipologias têm dominado o discurso ao nível dos espólios exumados nas necrópoles da Idade do Ferro do sul de Portugal, naturalmente de acordo com as funcionalidades: objectos de adorno, cerâmicas, armas. Julgo contudo que se tem perdido de vista que os materiais recolhidos em contexto funerário, mesmo no interior de sepulturas, devem ser analisados de acordo com a sua própria função no processo que culmina com o final do funeral. Os materiais não podem e não devem ser encarados em bloco, uma vez que se dividem obrigatoriamente em: equipamentos rituais usados pelos vivos durante as cerimónias fúnebres; artefactos do defunto usados pelo próprio e oferendas. Assim parece claro que os objectos de adorno, como os colares, os fechos de cinturão, os botões e as fíbulas integram o grupo dos artefactos que o próprio cadáver usaria. Mas as armas, de sua propriedade ou não, bem como os vasos cerâmicos e alguns artefactos apotropaicos (escaravelhos, terracotas) seriam certamente depositados por quem o acompanharia no momento do seu funeral e fariam parte de um outro conjunto, concretamente o do depósito que ocorria no momento de encerrar a sepultura.

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2022-11-18T14:17:27Z

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Arruda, Ana Margarida

Los escarabeos fenicios de Portugal. Un estado de la cuestión

La Arqueología Fenicia ha logrado en los últimos años un notable avance por todo el Mediterráneo que ha permitido comprender mucho mejor el fundamental papel que los fenicios jugaron como difusores de los elementos culturales de Oriente. Este campo resulta cada vez más especializado y, gracias a los continuos avances, se comprende cada día mejor el papel de los fenicios en el extremo Occidente, finis terrae del mundo conocido en la Antigüedad. En este contexto histórico deben colocarse los escarabeos hallados en Portugal, que ofrecen el interés de ser los más alejados de Oriente al estar situados en las lejanas tierras del Atlántico, más allá de Gades y de las Columnas de Heracles. De este hecho resulta evidente la oportunidad de proceder al estudio de los escarabeos aparecidos en las tierras de la costa atlántica portuguesa y en su hinterland, que eran la zona más alejada del Mundo Antiguo, para comprender el complejo juego de contactos y relaciones entre el mundo colonial y los pueblos que habitaban en el extremo del mundo entonces conocido.

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2022-11-18T14:17:27Z

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Almagro-Gorbea, Martin Ortiz, Mariano Torres

Cetárias, Ânforas e Sal: A exploração de recursos marinhos na Lusitania

A antiga provincia romana da Lusitania possui características privilegiadas para a exploração dos recursos marinhos: uma ampla frente atlântica, rica em recursos piscícolas e um clima quente, com estiagens longas e secas, adequado à produção de sal. O litoral apresenta numerosos vestígios arqueológicos que confirmam a dimensão e relevância destas actividades. No entanto, a literatura clássica praticamente nada nos diz sobre o tema. Este silêncio dos autores greco-latinos torna a investigação da exploração destes recursos na Antiguidade um tema essencialmente arqueológico.

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2022-11-18T14:17:27Z

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Fabião, Carlos

A propósito do topónimo “Oeiras”: Algumas considerações linguísticas e históricas

Constata-se que em muitos casos a história dos lugares se confunde com a explicação linguística do topónimo, como se esta tivesse necessariamente que ver com aquela. Portanto, compreender o alcance semântico do nome de lugar equivaleria, nesta perspectiva, a captar um aspecto decisivo do seu passado, a encontrar uma explicação primordial para a sua existência. Neste aspecto o caso de Oeiras não foge à regra. Creio que constitui um interesse comum dos seus habitantes conhecer a origem e o significado do nome do lugar onde vivem, porque esse aspecto faz parte, por assim dizer, da sua identidade.

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2022-11-18T14:17:27Z

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Guerra, Amílcar

O megalitismo no discurso arqueológico português entre o Liberalismo e o Estado Novo: Uma primeira e sumária abordagem

Durante séculos, atribuiu-se a construção de estruturas funerárias megalíticas a fenómenos sobrenaturais ou a propósitos mais prosaicos, destinados a ocultar tesouros e outros bens, abrigar pastores, ao mesmo tempo que eram parcialmente cristianizados e os menires serviam para dividir propriedades. Entretanto, no século XVIII foram reinterpretadas como hipotéticos centros de observação astronómica e sepulcros, neste caso associadas, de algum modo, a práticas druídicas, avançando-se, em simultâneo, com a sua eventual funcionalidade militar, assim como a potencialidade de terem sido erguidas por fenícios aportados do Mediterrâneo oriental. Para lá das inúmeras ponderações, a verdade é que estas estruturas mereceram, desde o primeiro momento, a curiosidade de muitos e o registo gráfico por parte de alguns mais sensíveis ao assunto e portadores dos dotes necessários a esse efeito. Uma convicção que transitou para a centúria seguinte, num momento em que eram avaliadas como fracção de um ritual mais complexo de práticas sacrificiais.  

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2022-11-18T14:17:27Z

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Martins, Ana Cristina

Várias Antiguidades do Algarve. Nota introdutória e comentários de João Luís Cardoso

Obtida a autorização, em Março de 2005, do Director do Museu Nacional de Arqueologia para a publicação do espólio documental de Estácio da Veiga (1828-1891), conservado naquela Instituição, solicitada na sequência de estudo anterior entretanto publicado, cuja análise exaustiva deu origem a duas obras onde se traçou o perfil detalhado do arqueólogo e para as quais se remete o leitor, o signatário deparou, numa das caixas, com um grosso maço de folhas manuscritas, numeradas posteriormente a lápis. O título da obra, apresentado no topo da primeira página, não deixava dúvidas: tratava-se do manuscrito original (entretanto copiado, como também ali se indica, a lápis) de Estácio da Veiga, intitulado “Varias Antiguidades do Algarve”, que até agora permaneceu inédito.

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2022-11-18T14:17:27Z

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Veiga, Sebastião Philippes Martins Estácio da

Estudos Arqueológicos de Oeiras – Vol. 18 (2010/2011)

678 páginas

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2022-11-18T14:17:27Z

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João Luís Cardoso e outros

Ocupação campaniforme de Leião (Oeiras)

No decurso da escavação do estabelecimento romano de Leião, cujas coordenadas geográficas são: 38º 43' 45" Lat N; 9º 18' 00" Long. W de Greenwich, observou-se a ocorrência, em área circunscrita, correspondente ao limite setentrional do espaço ocupado pelas estruturas romanas, daquele lado muito incompletas e derruídas, de concentração de materiais cerâmicos campaniformes, cujas características (quantidade, heterogeneidade e diversidade), a par das condições de jazida, não deixava dúvidas sobre a sua relação com uma unidade habitacional daquela época, de que constituíam os únicos testemunhos. A evidente coerência do conjunto e a ausência de rolamento dos materiais reforçavam aquela conclusão, contrariando a hipótese de provirem de outro local, ou de corresponderem a misturas de espólios de diversas épocas. Encontrava-se deste modo justificado o seu estudo, por ilustrar, conjuntamente com outras ocorrências com as mesmas características conhecidas na região da mesma época, a estratégia de ocupação do território e de exploração dos respectivos recursos na segunda metade do 3.º milénio a.C..

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2022-11-18T14:17:27Z

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Cardoso, João Luís

O casal agrícola do Bronze Final de Abrunheiro (Oeiras)

O casal agrícola do Bronze Final agora dado a conhecer foi identificado pelo Arq. Gustavo Marques, que, em 1990, nele realizou uma prolongada campanha de escavações, adiante caracterizada em pormenor. Contudo, os resultados obtidos jamais foram publicados, permanecendo inéditos até o presente.

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Cardoso, João Luís

O casal agrícola da I Idade do Ferro de Leião (Oeiras)

Quando se apresentou o estudo de síntese sobre a ocupação agrária do território oeirense no período romano, reproduziram-se alguns materiais, recolhidos à superfície, na área ocupada pelo estabelecimento romano de Leião, datável entre a segunda metade do século I a.C. e a primeira metade do século I d.C., que indicavam, pela tipologia, os finais da Idade do Ferro, compatíveis com a fase mais antiga daquele estabelecimento rural. No decurso daquela exploração, realizada em Setembro e Outubro de 2008, foram prospectados os terrenos circundantes, aproveitando a longa permanência no local, tendo-se confirmado a existência, na sequência de indicação de Guilherme Cardoso, a cerca de 160 m para WNW do estabelecimento romano (coordenadas: 38º 43' 45" Lat. N; 9º 18' 00" Long. W de Greewich), de uma concentração de materiais cerâmicos da Idade do Ferro nos terrenos então objecto de recente lavra, que muito facilitou a respectiva identificação. No entanto, tais materiais não eram acompanhados de produções romanas, de épocas posteriores, ao contrário do que se verificava na área de implantação do estabelecimento romano. Esta realidade motivou a realização de uma intervenção arqueológica na zona em apreço, tanto mais que aquela se integrava em espaço a ser urbanizado.

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2022-11-18T14:17:27Z

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Cardoso, João Luís Silva, Carlos Tavares da Martins, Filipe André, Maria da Conceição

O estabelecimento rural romano Tardo-Republicano e Alto-Imperial de Leião (Oeiras)

Desde 1998, ano em que o primeiro signatário apresentou o Projecto de Investigação “Arqueologia do Concelho de Oeiras (ARQOEIRAS)” ao Instituto Português de Arqueologia, com ulteriores revalidações em 2002 e em 2006, que fora reconhecida a importância de proceder à realização de trabalhos arqueológicos em Leião, onde se evidenciavam à superfície abundantes fragmentos de produções romanas, especialmente na época das lavras, pela primeira vez identificados em 1975. Observavam-se então abundantes materiais de construção e até pedaços de reboco ou de estuque pintados, que não deixavam dúvida quanto à atribuição à época romana da estação arqueológica.

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2022-11-18T14:17:27Z

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Cardoso, João Luís Silva, Carlos Tavares da Martins, Filipe André, Maria da Conceição