Repositório RCAAP
The Obscene Madame D: um levantamento sobre a tradução de A obscena senhora D, de Hilda Hilst, nos Estados Unidos
Este trabalho tem como objetivo mapear a rede de atores envolvida na tradução do livro A\" obscena\" senhora\"D, de Hilda Hilst, para o inglês, publicada em 2012 nos Estados Unidos como The\"Obscene\"Madame\"D. O corpo do trabalho, entrevistas com cada um desses atores, é analisado à luz da teoria da patronagem de André Lefevere e da teoria atorbrede, originalmente proposta por Bruno Latour e discutida por Hélène Buzelin em relação ao trabalho de tradução e editorial. Um dos aspectos peculiares à publicação aqui estudada é a coedição, também analisada segundo teoria desenvolvida por Hélène Buzelin. Outras traduções de Hilda Hilst para o inglês serão abordadas, criando um panorama da obra da autora nos Estados Unidos. Ao fim, esta pesquisa pretende ter jogado luz no mercado editorial brasileiro e norte americano no que diz respeito a traduções da literatura brasileira para o inglês e ao trabalho de editoras independentes.
Tradução juramentada e as modalidades de tradução: o caso dos históricos escolares
Esta dissertação trata da temática da tradução juramentada, que tem sido cada vez mais objeto de pesquisa nos Estudos da Tradução, por conta de sua presença significativa, seja no âmbito acadêmico ou empresarial. A tradução juramentada, que difere das demais formas de tradução especialmente pela força imposta pela fé pública, que incide na postura e olhar adotados pelos Tradutores Públicos e Intérpretes Comerciais brasileiros, nos conduziu à hipótese de que a visibilidade do tradutor torna-se acentuada em virtude da delegação desse poder, que tem por finalidade principal a segurança jurídica das relações negociais na sociedade. A partir de um histórico escolar brasileiro do Ensino Médio, traduzido por doze tradutores públicos paulistanos para o inglês do Canadá, este trabalho tem por objetivo, com o auxílio das modalidades de tradução de Aubert (2006), mapear as estratégias de tradução e os perfis desses diferentes profissionais, oriundos de duas gerações distintas, aprovados nos dois últimos concursos realizados pela Junta Comercial do Estado de São Paulo (1978 e 1998), considerando a sua visibilidade pela fé pública. A tipologia textual documento escolar e o gênero histórico escolar foram selecionados tendo em vista sua grande frequência em tradução juramentada, motivada pelo crescente intercâmbio acadêmico-cultural entre Brasil, Canadá, Estados Unidos e demais países de língua inglesa. Para tanto, realizamos uma breve reflexão acerca dos modelos de Berman (1985), Rei (1971, 1976) e Baker (1996) e suas respectivas aplicações no tocante à tradução juramentada e, particularmente, ao estudo do objeto de pesquisa em pauta. Em seguida, descrevemos os procedimentos técnicos de tradução de Vinay e Darbelnet (1958), que serviram como base para a concepção do modelo das modalidades de tradução de Aubert (1984, 1998, 2006). Complementarmente, retratamos a evolução do modelo das modalidades de tradução, com destaque para as mudanças ocorridas e possíveis contribuições. Para tanto, adotamos no presente estudo uma metodologia com base em duas etapas. Primeiramente, realizamos o levantamento dos dados em relação às dispersões das soluções tradutórias e, em seguida, classificamos os dados em unidades lexicais para aplicação do modelo das modalidades de tradução. Por fim, descrevemos o perfil de cada tradutor e os resultados gerais por grupo, bem como o comparativo das duas gerações, com o auxílio de gráficos. A hipótese da visibilidade acentuada mostrou-se válida e necessária como garantia jurídica da boa aplicação da fé pública no cumprimento do ofício do tradutor público e intérprete comercial.
2015
Alessandra Otero Goedert
Tradução do metro de balada inglês: uma experiência com The ballad of reading gaol de Oscar Wilde
Esta dissertação apresenta uma proposta tradutória do metro de balada inglês, exemplificada pela tradução de parte do poema The Ballad of Reading Gaol, escrito por Oscar Wilde no referido metro. Para tal proposta, adota-se um procedimento formal diverso dos seguidos pelas cinco traduções do poema existentes em português. São utilizadas, para fundamentação da proposta, algumas abordagens teóricas da tradução, como o conceito de retradução segundo Antoine Berman, a teoria dos skopos segundo Katharina Reiss & Hans J. Vermeer, a ideia de temporalidade segundo John Milton e Gideon Toury e de fidelidade baseada em Friedrich E. D. Schleiermacher. Faz-se, em seguida, uma leitura crítica do poema de Wilde, para que sejam levantados os aspectos formais e os efeitos estilísticos nele observados. Também são estudadas as traduções do poema já publicadas em português, para que sejam observados os aspectos formais e efeitos estilísticos que caracterizam cada uma delas. É feita, então, a proposta própria para a tradução do metro de balada, seguida de uma discussão acerca do atingimento dos objetivos propostos.
O Novo Testamento em nyengatu (1973): um capítulo na história das traduções bíblicas para línguas indígenas
A análise das traduções para o nheengatu realizadas pela New Tribes Mission fornece dados históricos sobre um dos textos mais presentes na escrita das línguas indígenas, as escrituras bíblicas. Como o Novo Testamento em Nyengatu (1973) pode ser compreendido numa história da tradução bíblica para as línguas indígenas? Quais os possíveis impactos sociais da tradução de um livro bíblico para uma língua indígena em vias de construir uma tradição escrita? Quais foram os agentes das traduções analisadas? Quais métodos se destacam neste percurso tradutório da NTM? Foram levantados os diferentes agentes envolvidos na rede de textos a que o Novo Testamento em Nyengatu e o Livro de Cânticos (s/d) estão articulados. As propostas metodológicas de Pym (1998 e 2005) e Milton (2009) foram base para a descrição destas fontes primárias e para a explicação sobre as mesmas, por meio das fontes secundárias, constituídas pelas biografias e demais textos de missionários. As questões levantadas serão desenvolvidas com vistas à compreensão das relações entre os debates racionalistas do século XVII e alguns métodos de tradução protestantes. Além disso, haja vista a complexa história social da língua geral amazônica, foram destacados aspectos de ruptura e continuidade destas traduções da NTM em comparação à documentação histórica do nheengatu, sobretudo nos séculos XIX e XX, contida na chamada Filologia Tupi, com vistas a contribuir para uma melhor compreensão sobre a transição de uma língua supra-étnica a uma língua materna.
2015
Antonio Fernandes Goes Neto
Sobre o conceito de intradutibilidade na teoria da linguagem presente no Ensaio sobre o entendimento humano, de John Locke
Esta dissertação reserva-se à analise do conceito de intradutibilidade presente na teoria da linguagem desenvolvida por John Locke, no Livro III, das palavras, de seu Ensaio sobre o entendimento humano, de 1690. Essa teoria visa rejeitar conceitos em voga no séc. XVII, especialmente o inatismo, advogando em favor do argumento de que o entendimento é adquirido por meio da experiência sensorial, sendo esta particular a cada indivíduo. Nesse sentido, a forma como as ideias são apreendidas na mente de cada indivíduo é também particular; a linguagem, portanto, é vista pelo autor como o instrumento responsável por socializar essas ideias particulares e permitir a comunicação. Entretanto, somada à crítica ao inatismo, Locke, no Livro III, questiona i. o emprego abusivo das palavras no contexto científico, ao elencar uma série de ações realizadas por debatedores para impressionar seu ouvinte muito mais do que transmitir um conhecimento e refletir sobre a Verdade e ii. a natureza imperfeita das palavras que compõem a linguagem especialmente devido ao seu comportamento arbitrário, ou seja, sua relação com as ideias que devem representar não é natural, mas imposta pelo homem. Ademais, Locke afirma, também como contraposição às discussões da época, haver duas essências: a nominal, acessível à nossa apreensão e delimitada pelas palavras, e a real, cuja totalidade é inapreensível pela experiência e, por extensão, pelas palavras. Assim, ao defender a intradutibilidade, argumenta em favor de um novo método de investigação filosófica, que leva em consideração a particularidade do falante, a arbitrariedade na relação entre as palavras e as ideias e a impossibilidade de 7 se acessar a realidade em sua totalidade. A afirmação da intradutibilidade não exclui a prática da tradução, reconhecida por John Locke no mesmo livro III, defende apenas o supracitado. Por isso, esta dissertação também apresenta uma tradução desse Livro III para uma demonstração prática da teoria predicada por esse autor e uma reflexão das escolhas realizadas no intuito de adequar-se aos argumentos levantados e analisados ao longo de toda a dissertação.
A tradução de marcadores culturais do filme O Auto da Compadecida nas legendas em inglês: uma proposta de análise
A tradução para legendas compreende, além de fatores culturais e linguísticos, questões técnicas específicas, as quais exercem grande influência no momento de fazer as escolhas tradutórias. É frequente a sensação, para os conhecedores da língua fonte, de que a legenda não compreende tudo o que está sendo dito na tela. Entretanto, o conhecimento das restrições técnicas, bem como a análise de fatores extratextuais envolvidos no material, permitem ao espectador discernir as possíveis intenções do legendador. Nesta pesquisa, analisamos o script do filme O auto da Compadecida, de Guel Arraes (2000), a fim de identificarmos marcadores culturais e quais os tratamentos dispensados a eles nas traduções para as legendas disponíveis no DVD oficial do filme, a partir do conceito de modalidades tradutórias de Aubert (2006). Após o levantamento dos marcadores e as análises das traduções, observamos as relações estabelecidas entre a tradução textual, as restrições técnicas da legendagem e os elementos extratextuais presentes no filme, conforme Titford (1982), e o quanto essas relações favorecem a compreensão da natureza dos marcadores por parte dos espectadores estrangeiros. Como resultado, apresentamos quatro tipologias de legendas combinadas com as modalidades, com o propósito de favorecer futuros estudos que versarão sobre a tradução de marcadores culturais e tradução para legendagem.
Do exotismo à denúncia social: sobre a recepção de Quarto de Despejo, de Carolina Maria de Jesus, na Alemanha
Esse trabalho visa examinar o potencial e o impacto da recepção, na Alemanha, do livro Quarto de Despejo, de Carolina Maria de Jesus (Sacramento, 14 de março de 1914 São Paulo, 13 de fevereiro de 1977), valendo-se para tanto de resenhas de jornais alemães publicadas sobre a obra e a autora para reunir elementos que nos possibilitem entender como e por meio de quais recursos e agentes, a tradução de Quarto de despejo alcançou sete edições naquele país. A moldura teórica para a esta pesquisa fundamenta-se nos Estudos Descritivos da Tradução - (TOURY 1995), (LÉFEVÈRE, 1992) e a teoria dos polissistemas de Even-Zohar (1979); bem como o conceito de paratexto de Genette (1987) - que marcam na década de 1970 uma mudança na maneira de estudar e entender a tradução de literatura, depositando seu foco no produto do traduzir, em seu público alvo e recepção. Também pilar dessa pesquisa é o trabalho com o corpus que tem por base a Linguística de Corpus que viabilizou a identificação de palavras-chave nos textos estudados. Estas nos permitiram mapear eixos temáticos, a partir dos quais apontamos aqui algumas condicionantes da recepção da obra, tanto em uma perspectiva sincrônica ao examinar cada texto em particular, quanto diacrônica ao estudar a evolução de conceitos no tempo. Estas condicionantes evidenciaram, a partir da repercussão de Quarto de Despejo e de Carolina de Jesus, um deslocamento do interesse na recepção da literatura brasileira traduzida na Alemanha do exotismo para a denúncia social.
2016
Raquel Alves dos Santos Nascimento
Estudo e prática da tradução da obra infantil A terra dos meninos pelados, de Graciliano Ramos, do português para o Nheengatu
O nheengatu, ou língua geral amazônica, foi veiculado nos séculos passados em vasto território, servindo como língua franca ao longo de muitos rios da Bacia Amazônica. O idio-ma da família tupi-guarani foi gradualmente superado e substituído pelo português como lín-gua de comunicação supraétnica na região, mas continua sendo falado em algumas localida-des, sobretudo na sub-bacia do Rio Negro, onde, desde 2002, tem status de idioma co-oficial no município de São Gabriel da Cachoeira, no Estado do Amazonas. O estudo aqui apresenta-do consiste na tradução do livro infantil A terra dos meninos pelados, de Graciliano Ramos, do português para o nheengatu, bem como nas pesquisas e conjecturas que fundamentaram as escolhas tradutórias. Este trabalho, que se enquadra no conceito de traduzir com o objetivo de fortalecer a língua/cultura-alvo, foi concebido como um potencial auxílio no desenvolvimento de uma literatura escrita em nheengatu, já que isso pode ser fundamental para a sobrevivência deste idioma ao longo das décadas vindouras. Por um lado, a tradução para uma língua de tradição oral, sem grafia unificada ou gramática normativa, impõe dificuldades à tarefa do tradutor e exige um concomitante estudo linguístico atencioso. Os importantes registros da língua feitos ao longo dos séculos passados, por outro lado, quando confrontados com as vari-antes atualmente veiculadas no Rio Negro, possibilitaram uma pesquisa lexical que teve papel fundamental nas escolhas tradutórias.
O habitus dos tradutores de histórias em quadrinhos de super-heróis da Marvel e DC Comics no Brasil
Em um mercado em constante crescimento, o tradutor de histórias em quadrinhos deve aplicar as mais variadas formas de conhecimento em seu trabalho. Conhecimento do par linguístico não é a única ferramenta de que ele necessita, mas de um vasto conhecimento nas mais variadas instâncias do saber e, acima de tudo, um domínio sobre o material com o qual está trabalhando. Na presente dissertação, analisamos a teoria do habitus de Pierre Bourdieu e sua influência direta nos tradutores de histórias em quadrinhos da Marvel Comics e DC Comics no Brasil através da análise de entrevistas realizadas e sua influência na escolha do uso de gírias na tradução. Tratamos das questões relativas à tradução contextualizada e não somente da transferência automática e impensada de palavras soltas de uma língua para outra (Milton, 2010). Analisamos o potencial da Tradução Descritiva (DTS), mais especificamente a Function Oriented DTS, como maneira de enfatizar elementos essenciais à tradução e às funções que elas representam em seus receptores analisando a influência sociocultural e o contexto em que o texto foi produzido (Holmes, 2000).
2016
Ana Carolina Alves de Souza Pimentel
As Ressonâncias do Cânone Literário na Tradução de Poesia: estudo comparativo das traduções em português e chinês das Bucólicas de Virgílio
O cânone literário é o catálogo de obras ou o grupo de poetas e escritores considerados como o padrão modelar (ou ars) a partir do qual se abre uma tradição literária em que escritores da posteridade, ao produzirem textos, apropriam-se daquele cânone por imitação e emulação. A concepção sobre o ato de traduzir no âmbito ocidental têm seguido uma tradição que se origina da Roma Antiga, em que as obras literárias costumavam ser produzidas por meio de emulação de ilustres escritores gregos para um público bilíngue. Tradução como apropriação do cânone literário estabeleceu uma linha de reflexões que chega até nós. Virgílio, com suas Bucólicas , Geórgicas e Eneida , emulando e, de certa forma, \"traduzindo\" os gregos, torna-se o poeta mais celebrado na poesia de língua latina, até \"proximamente atrás de Homero\", segundo Quintiliano ( Inst . X, 1, 85). A influência de Virgílio é de tal magnitude que o próprio latim foi elevado a uma posição sublime, e as obras virgilianas transformaram-se em matérias obrigatórias na educação de letras, sendo que seus versos foram amiúde citados, parafraseados e imitados pelos escritores medievais e renascentistas europeus no processo de criar literatura na sua própria língua vernácula e desenvolver seu cânone, como Dante no italiano e Camões no português. Neste sentido, Virgílio assumiu, segundo T.S. Eliot, a posição de \"clássico universal\" do cânone literário na tradição literária das línguas românicas, em que se encontra também o português. Tal papel faz com que o tradutor, ao empreender tradução de poesia, especialmente dos gêneros com vestígios de Virgílio, se recuse a abrir mão dos traços estilísticos de linguagem do poeta mantuano e termine latinizando seu próprio vernáculo. Mas tal procedimento não deve ser aplicado de forma universal, mas, sim, dentro do âmbito da tradição literária, especialmente quando o tradutor em questão não identifica Virgílio como o cânone na sua própria tradição literária. Este estudo procura identificar, nas Bucólicas de Virgílio, traduzidas em português, em verso, por um tradutor brasileiro, as decisões tomadas em que Virgílio, um poeta canônico, refletem, em comparação com a tradução das Bucólicas em chinês, uma língua em que Virgílio não faz parte nenhuma na sua história da literatura, e explicitar, também, as ressonâncias do cânone literário na sombra do qual o tradutor chinês vivia.
Uma tradução comentada da prosa contemporânea chinesa: Eu e o Parque do Templo da Terra, de Tiesheng Shi
O presente trabalho tem por objetivo principal produzir, pela primeira vez, uma tradução comentada, do chinês simplificado para a língua portuguesa, da obra em prosa contemporânea chinesa Eu e o Parque do Templo da Terra (em chinês simplificado: 我与地坛), escrita por Tiesheng Shi (em chinês simplificado: 史铁生) em 1989. Embora seja um escritor deficiente, o autor é considerado um dos nomes mais importantes na historiografia da literatura contemporânea chinesa, por suas reflexões profundas a respeito das questões intrínsecas da vida do ser humano. O corpus escolhido para esse trabalho trata-se do magnum opus de Shi e foi, inclusive, incluído em diversos livros didáticos da disciplina de literatura chinesa tanto para os alunos de colégio quanto para os universitários. O embasamento teórico do trabalho será, sobretudo, o Modelo de Análise Textual de Christiane Nord (2005) e a obra Zhongyong, Uma Abordagem Tradutória de Liang Shiqiu (YAN, 2007) , tentando construir um \"caminho do meio\" na prática de tradução, ou seja, recorrendo, no mesmo projeto de tradução, às duas abordagens distintas: a domesticação e a estrangeirização. Assim, o trabalho, também sob a orientação de outras duas teorias complementares-as Tendências Deformadoras propostas por Antoine Berman (1985) e as Modalidades de Tradução elaboradas pelo Prof. Dr. Francis Aubert (1998) - exemplificará e justificará as hipóteses específicas escolhidas para resolver os problemas tradutórios do chinês simplificado para o português. Espera-se, assim, que o trabalho possa estimular mais pesquisas sobre o tema da tradução da literatura contemporânea chinesa, que ainda é pouco divulgado e estudado no Brasil.
Práticas integrativas e complementares: análise de corpora e glossário bilíngue português/inglês para tradutores
A busca por saúde e bem-estar é intrínseca ao ser humano. Além da medicina convencional ou alopática, existem numerosas modalidades terapêuticas consideradas parte da Medicina Complementar e Alternativa (MCA). No Brasil, essas terapias foram chamadas Práticas Integrativas e Complementares (PIC), definidas pela Portaria nº 971, de 3 de maio de 2006 do Ministério da Saúde. Embora sejam amplamente utilizadas com apoio da Organização Mundial da Saúde, faltam materiais de suporte aos tradutores sobre esse tema. Dessa forma, procuramos desenvolver um glossário bilíngue português brasileiro/inglês britânico dessa área de especialidade, por meio da compilação de corpora comparáveis nos dois idiomas, escolhendo textos representativos sobre essa temática. Para a realização desse trabalho, utilizamos como referenciais teóricos a Linguística de Corpus e a Terminologia Bilíngue. Como ferramenta computacional usamos o WordSmith Tools. Após a compilação dos corpora, utilizando artigos acadêmicos, livros, textos de sites institucionais e legislação, examinamos a linguagem utilizada na área de PIC e extraímos os termos pertinentes à pesquisa por meio de uma análise quantitativa e qualitativa. Verificamos a ocorrência de termos simples, compostos, complexos e siglas. Em seguida, buscamos os equivalentes em língua inglesa para os termos selecionados. Nem todos os equivalentes foram encontrados no corpus em inglês, portanto, realizamos nova busca usando a web como corpus. Explicitamos a macroestrutura e a microestrutura propostas e apresentamos a primeira versão do glossário, com exemplos de contextos de uso autêntico em ambos os idiomas. Propusemo-nos também a buscar os equivalentes em inglês para uma terapia desenvolvida no Brasil cuja terminologia ainda não tivesse sido vertida para o inglês. Foi escolhida a terapia floral baseada na alquimia, da qual elaboramos um corpus, extraímos os termos mais representativos e buscamos os equivalentes em inglês por meio de pesquisas pontuais. Elaboramos um glossário ilustrado de plantas utilizadas na produção das essências florais utilizadas nessa terapia. Esperamos contribuir com um material de apoio inicial aos tradutores da área de PIC, além de incentivar o desenvolvimento de novas pesquisas sobre essa lingua de especialidade.
2017
Luana Mara Almeida Teixeira
\'O livro das feras para crianças más\' de Hilaire Belloc: tradução e comentários
Esta pesquisa apresenta a primeira tradução em língua portuguesa da obra The Bad Childs Book of Beasts (O Livro das Feras para Crianças Más), de Hilaire Belloc, ilustrado por Basil Temple Blackwood. Além disso, discutimos as dificuldades linguísticas relativas à tradução e a questões filológicas e históricas do texto. O trabalho divide-se em quatro capítulos, o primeiro cuida das especificidades do autor, sua vida, obra e das justificativas para a tradução da obra escolhida. O segundo compõe-se das abordagens teóricas que nortearam este trabalho de tradução, o conceito de literatura infantil adotado nesta pesquisa e discorre sobre questões específicas da tradução desse gênero. O terceiro apresenta a tradução do livro, com texto original e tradução lado a lado. O quarto expõe os comentários específicos sobre os desafios enfrentados no decorrer do trabalho de tradução e as soluções encontradas pelo tradutor.
Dicionário multilíngue de termos do setor feirístico: português, inglês, francês e italiano
O Setor Feirístico tem grande relevância no cenário econômico nacional e internacional e está em constante expansão. Desse modo, a participação em feiras internacionais tornou-se o portão de entrada de produtos brasileiros no mercado externo por meio das exportações. Durante pesquisa realizada em nível de mestrado (GODOY, 2014), elaboramos um glossário bilíngue português-inglês/inglês-português dos termos fundamentais do setor feirístico. Dando continuidade a esse trabalho, o objetivo geral da pesquisa de doutorado é analisar a terminologia multilíngue português-inglês-francês-italiano desse setor, mais especificamente dos termos utilizados durante o processo de preparação, participação e pós-feira, tendo como objetivo específico a elaboração de um dicionário terminológico multilíngue para uso de profissionais, pesquisadores, estudantes das áreas de comércio exterior e relações internacionais e, especialmente, tradutores e intérpretes. A pesquisa está fundamentada nos conceitos e princípios da Terminologia, mais especificamente da Terminologia Multilíngue e Equivalência Terminológica (DUBUC, 1985, 1992), da Teoria Comunicativa da Terminologia (CABRÉ, 1993, 1999), da Socioterminologia (GAUDIN, 1993), com especial atenção para a Variação Terminológica (FAULSTICH, 1998, 2001), e da Linguística de Corpus (SINCLAIR, 1966) com apoio em BERBER SARDINHA (2004). Para desenvolver este trabalho, reunimos corpora em português, inglês, francês e italiano (livros, artigos e revistas especializados, estudo de mercado das feiras, guias e manuais do expositor, trabalhos acadêmicos, manuais de participação em feiras produzidos por órgãos públicos e privados e leis sobre feiras). Para a coleta dos termos utilizamos o software para tratamento de corpora WordSmith tools (versão 6.0), desenvolvido por Mike Scott (2012), e os armazenamos em fichas terminológicas criadas com o apoio das ferramentas computacionais Access (2010) e SDL MultiTerm (2017). Os 311 termos estudados em cada língua foram analisados em seus contextos de uso e os ganchos terminológicos levantados para a busca e o estabelecimento das equivalências nas quatro línguas. Considerando a relevância da participação em feiras nacionais e internacionais para o crescimento da economia interna e para a expansão das exportações, nosso trabalho será útil tanto para os profissionais do setor quanto para pesquisadores, estudantes, tradutores e intérpretes que produzam textos nas línguas alvo de nosso estudo.
2019
Ariane Dutra Fante Godoy
A poesia modernista \"Cobra Norato\", de Raul Bopp: tradução para o nheengatu de mitologias originadas nas selvas da Amazônia
O projeto em questão desdobra-se sobre as práticas e discursos sobre a literatura e a construção da identidade cultural brasileira, para assim entender como essa relação converge em procedimentos constituintes de tipos específicos de representação, narrativa e subjetivação. Examinar-se-ão tanto os projetos literários e políticos, linguísticos e filosóficos, quanto as práticas exercidas para resgatar o sentido científico, humano, libertador da história, formação, identidade e características culturais do Brasil. Para tanto, escolhemos uma obra emblemática de um escritor da Geração de 22, \"Cobra Norato\", de Raul Bopp. Os poemas da obra produzem efeitos de verdade sobre esse debate a respeito da nossa identidade cultural, à medida que as narrativas também produzem efeitos de representatividade e, ambas, perpassam e reconstituem as formas de vida das populações atingidas. Assim, nessa via de mão dupla, recortamos e procuramos delinear os processos da literatura que constituem essa pesquisa junto aos roteiros do escritor para incorporar lendas indígenas dentro da estética modernista como forma de trabalhar representatividade, narrativa e subjetivação. Isto é, a literatura entendida como instrumento para o diálogo efetivo com a realidade do local onde se encontram as pessoas, além, é claro e sobretudo, o trabalho de tradução dos poemas. A experiência de traduzir \"Cobra Norato\", cujo herói percorre os caminhos amazônicos, sua fauna e flora, buscou, dessa forma, dialogar com a interpretação e integrar a recepção do público-alvo do texto. Estudos que registraram a Amazônia na passagem dos séculos XIX-XX representam um significativo material documental, antropológico-linguístico - textos carregados e constituídos de uma intencional identidade brasileira - que ampliam o universo dos ideais românticos dos literatos no Brasil e, por meio dos mitos e narrativas, remetem tanto a essas diferentes esferas de verdade quanto à própria formação dessa identidade em discussão, com ressonâncias na obra \"Cobra Norato\", de Raul Bopp. Couto de Magalhães, Barbosa Rodrigues, Ermanno Stradelli, Brandão de Amorim e outros autores e autoras, por meio dos registros de mitos e narrativas, produção de dicionários e fortuna crítica literária, influenciaram a construção de uma literatura nacional e, somados a este arcabouço literário amazônico, principalmente, apresentamos informações da cultura dos povos originários e, assim, a tradução procura fazer-se presente enquanto relação com estes saberes, ou seja, a valorização da experiência sociocultural do público-alvo.
2020
Claudio Antonio da Silva
Tradução jurídica e divórcio: a elaboração de um glossário nos idiomas português, francês e inglês
Os tradutores, muitas vezes, encontram dificuldades em relação à terminologia a ser aplicada na tradução de determinados documentos, especialmente na tradução de termos marcados culturalmente, que nem sempre possuem um equivalente plenamente satisfatório. Na área jurídica, a tradução de textos não requer apenas conhecimento de idiomas e da cultura do país-alvo, mas também dos sistemas jurídicos dos países. Tendo isso em vista, o objetivo desta pesquisa foi a elaboração de uma proposta de glossário trilíngue (português inglês francês) com termos jurídicos relacionados ao divórcio.
Os Blues Poems de Langston Hughes: por uma tradução musicada
Se a tradução envolve leitura e reescrita, nós poderíamos questionar o modo como se lê antes de questionar o modo como se reescreve. A tradução de poesia parece continuamente lidar com problemas de ritmo, rima, sintaxe, sentido, registro linguístico. Mas e se o tradutor, entendendo a leitura como performance, recolocar tais questões sob a perspectiva de outra mídia, que possa libertá-lo das restrições da escrita? O pesquisador Peter Low (2003) provoca os tradutores de poesia a se questionarem se desejam que seus textos sejam vocalizados (recitados, musicados etc.), e não apenas lidos silenciosamente. Haveria, então, uma alteração funcional e, consequentemente, um texto de chegada com um skopos diferente (REISS e VERMEER, 1996). Trata-se de trabalhar com a força latente da voz no texto; com uma possibilidade de performance inscrita na mídia escrita: a vocalidade, como coloca Paul Zumthor (1993). O poeta negro estadunidense Langston Hughes (1902-67) escrevia poemas semelhantes a letras de blues e recitava seus versos no ato da criação, o que pode sugerir algo a respeito de um possível modo de ler, absorver e recriar sua poesia em outra língua. Nosso objetivo, portanto, é traduzir seus poemas de blues ao cantá-los e tocá-los no violão. As canções de blues resultantes, em português, estão registradas em CD que foi inserido como apêndice da tese. Nosso método consiste em musicá-los enquanto os traduzimos, pois a simultaneidade dos processos é precisamente aquilo que interfere nas escolhas linguísticas, influenciando aspectos de ritmo, sintaxe, sentido etc. Nossa hipótese envolve, então, a questão de como os modos de dizer da canção popular, numa dada língua-cultura, determinariam o resultado da tradução. Essa experimentação deve, segundo esperamos, contribuir para os Estudos da Tradução por redimensionar alguns aspectos do texto de acordo com a dinâmica da vocalização. Esses resultados são tanto acadêmicos, em termos da discussão sobre a própria tradução, quanto artísticos, como música de blues composta para o público brasileiro, apresentando Langston Hughes, relativamente pouco conhecido e traduzido no Brasil, na forma de um gênero musical que é amplamente disseminado por aqui.
2017
Pedro Tomé de Castro Oliveira
Escola de Tradutores, de Paulo Rónai, marco zero na história dos Estudos da Tradução no Brasil - a genética de uma trajetória
Considerado por muitos como o marco zero, o pioneiro entre os livros de Estudos da Tradução publicados no Brasil, a obra Escola de Tradutores, de Paulo Rónai, foi lançada em 1952 em 1ª edição, numa série especial do Serviço de Documentação do Ministério da Educação e Saúde chamada Os Cadernos de Cultura. Até 1989, última edição em vida do autor, o livro teve mais cinco edições. Ao longo desse período e dessas edições, contudo, a obra foi passando por diversas revisões e ampliações. O que nasceu com sete capítulos, na 6ª edição havia se transformado em 21 capítulos mais um Apêndice e um Índice Remissivo. Suas 50 páginas iniciais transformaram-se em 172, evidenciando que a obra havia experimentado um processo de crescimento ao longo dos anos. Também a disciplina Estudos da Tradução se desenvolveu no Brasil, muitas obras foram lançadas a partir dos anos 1990. Contudo, até o presente momento, ninguém havia se debruçado sobre o marco zero da disciplina para avaliar as condições e as características de seu surgimento e evolução. O presente estudo tem por objetivo preencher esse lapso. Tomando emprestados conceitos de disciplinas afins como Historiografia da Tradução, Literatura Comparada e Crítica Genética, desenvolveu-se um modelo de avaliação e análise para determinar e caracterizar a trajetória pela qual a obra passou ao longo de seu processo de criação, depois de delineado o momento histórico em que ela havia sido concebida. A metodologia adotada permitiu localizar a motivação que Paulo Rónai teve para iniciar a escrever a série de artigos que depois viriam se transformar em livro. A partir daí elaborou-se a gênese do Escola de Tradutores. Uma vez estudada a evolução física da obra, passou-se à verificação e análise da evolução de seu conteúdo, buscando, principalmente, detectar e caracterizar as modificações realizadas pelo autor. À análise de cada modificação individual, segue uma análise do conjunto. Sua resultante é a tipificação da reflexão crítico-teórica de Paulo Rónai e a constatação de que o trabalho desenvolvido pelo autor do Escola de Tradutores, além de torná-lo precursor da própria disciplina dos Estudos da Tradução no Brasil, contribuiu para a formação de tradutores.
Tradução comentada de mitos e lendas amazônicas do Nheengatu para o russo
Atualmente, pelo mundo inteiro vemos ações com o objetivo de revitalizar, manter e popularizar as línguas indígenas e suas tradições culturais, tais como a criação de escolas para o treinamento de professores de tais línguas, o desenvolvimento de projetos com o intuito de coleta e elaboração de materiais para o ensino, aprendizagem e reaprendizagem das línguas pelos próprios indígenas, pesquisas científicas no âmbito de várias disciplinas visando à documentação, ao estudo e à popularização de línguas e culturas minoritárias. Para a população da Rússia, da qual a maior parte não domina outros idiomas além do próprio russo, os conhecimentos sobre as culturas e as línguas dos povos minoritários de locais distantes do planeta, via de regra, são inacessíveis e, por vezes, até mesmo quando transmitidos em inglês, são muito difíceis de serem obtidos. No entanto, levando-se em consideração a crescente tomada de consciência mundial sobre a importância e a atualidade de tais conhecimentos, a tendência a sua popularização vem aumentando a cada ano, inclusive em iniciativas na área de Estudos da Tradução. O nheengatu, ou língua geral amazônica, o idioma indígena escolhido para o presente estudo uma língua do tronco tupi e da família tupi-guarani, originou-se do tupi antigo, o qual era predominante na costa atlântica no momento da chegada dos colonizadores portugueses à América do Sul. Este último e, posterioramente, a língua geral amazônica tiveram um papel relevante na história brasileira, com forte presença em sua toponímia, tendo deixado marcas profundas na língua e na cultura da população do Brasil contemporâneo. Hoje o nheengatu é ainda falado por cerca de 8 mil pessoas, principalmente na bacia do Rio Negro, na fronteira do Brasil com a Venezuela e com a Colômbia. Este trabalho compõe-se da tradução de dez lendas amazônicas do nheengatu para o russo e visa a contribuir para a promoção e a divulgação dos conhecimentos sobre as culturas das populações indígenas da Amazônia na Rússia, facilitando o acesso à literatura sobre tais culturas na língua russa, propiciando, dessa maneira, tanto materiais valiosos para diferentes esferas do conhecimento na Rússia, quanto suporte considerável para as políticas atuais em relação aos povos nativos no Brasil. Além disso a presente dissertação oferece reflexões teóricas preliminares, relacionadas à tradução de mitologia em geral e comentários que acompanham a tradução em questão, como contrubuição modesta para área dos Estudos da Tradução.
Aspectos da modalidade de educação à distância em curso de iniciação à tradução jurídica
A pesquisa para desenvolvimento da presente dissertação teve como objetivo demonstrar o uso de recursos de tecnologia de informação e comunicação na modalidade de Educação à Distância (EAD) para a viabilização de um curso de tradução na área de especialidade jurídica no par de idiomas Inglês-Português. A proposta surgiu com base na necessidade e interesse de tradutores em formação, atuantes no mercado e estudiosos da tradução em se aperfeiçoarem nessa área cada vez mais exigente e competitiva. A dificuldade de locomoção de interessados, que estejam localizados em regiões que não contemplem a possibilidade de cursos em suas proximidades ou ainda a não compatibilidade de tempo em horários pré-estabelecidos por cursos presenciais propiciam a busca por alternativas que venham a satisfazer tal demanda. A pesquisa objetivou descrever e verificar a implantação e o desenvolvimento de um curso no que concerne a aspectos didático-pedagógicos para capacitação, aprimoramento, aperfeiçoamento e desenvolvimento de tradutores. Sua fundamentação teórica teve por base, entre outros, estudos de Knowles (1984) e Mendes (2012) no que tange aos princípios de Andragogia e ensino-aprendizagem de adultos, Presas (2000), Hurtado Albir (1999) e Pym (2006 a 2012) com relação à formação e treinamento de tradutores, Aubert (1998), Chaffey (1997) e Reichmann (2102), Sarcevic (1997) sobre tradução jurídica e Morán (2009), Mendes (2012) e Simão Neto (2002) sobre Educação à Distância. As ferramentas utilizadas na aplicação do curso à distância na fase piloto, assim como nas duas edições seguintes, foram as dos serviços Grupos do Google e Google Drive. Dentre os inscritos no EAD contamos com um total de 35 participantes e com 12 no curso presencial ofertado como grupo de controle para comparação. A descrição dos resultados revelará como se deu a interação e alguns aspectos sobre o desempenho dos participantes, assim como o nível de satisfação e de aproveitamento de acordo com a pesquisa de opinião realizada ao final do curso.
2018
Alessandra Cani Gonzalez Harmel