Repositório RCAAP

A terra em Gênesis 1-9: uma leitura microscópica crítica da narrativa

A relação do homem com a terra é vital em toda cultura e também o é na Bíblia Hebraica. O eixo temático Deus-terra-homem é descortinado em Gênesis 1-9 e as bases para as dinâmicas desse víncolo são estabelecidas. O presente trabalho é uma proposta de leitura microscópica da narrativa, contemplando a terra como um personagem.

Ano

2017

Creators

Edson Magalhães Nunes Junior

A mãe como testemunha e agente de transformação: emoções na política e uma brecha no conflito israelense-palestino

Diante de um conflito que se estende por muitas décadas, como é o caso do israelense-palestino, um rastro de dor marca vidas e parece não deixar muito espaço para a esperança. Ao registrar o testemunho de mães a respeito de sua história de vida e experiência emocional diante da realidade violenta em que vivem, busquei, a um só tempo, lhes escutar a voz, tantas vezes silenciada e, da humanidade de seus relatos, extrair uma centelha que fosse de possibilidade de transformação. No campo da Psicologia Política, é da intersecção entre a Teoria Feminista e o Estudo das Emoções que desenho meu olhar e na História Oral traço o caminho. Mas esta jornada teve início muito antes, e é nos registros pessoais de mulheres que busco preencher espaços vazios das narrativas históricas tradicionais. E, contrariamente à lógica do conflito que não vê lugar para mais de uma perspectiva, exploro, apesar das assimetrias, todos os pontos de vista que consigo alcançar, a fim de propor, não uma solução, pois esta não me caberia, mas um meio fértil para seu desenvolvimento.

Ano

2019

Creators

Rafaela Barkay

As crianças no gueto de Łódź : vidas e mortes no segundo maior gueto judeu da Polônia ocupada, 1941-1944

A cidade de Łódź  na Polônia abrigava a segunda maior comunidade judaica da Europa, somente superada pela capital Varsóvia. Ocupada pelas tropas alemãs em 8 de setembro de 1939, apenas uma semana após a invasão da Polônia, essa grande cidade industrial foi escolhida pelas autoridades alemãs para se tornar uma cidade digna de pertencer ao Grande Reich. Para tanto, foi feita uma reestruturação da cidade, renomeada Litzmannstadt, que incluía torná-la Judenrein, livre de judeus. A etapa inicial desse processo seria a criação de um gueto, uma medida temporária a ser empregada enquanto o futuro dos judeus de Łódź  não fosse decidido. Contudo, a escolha de Mordechai Chaim Rumkowski como Judenälteste do gueto pelos alemães e sua tática de garantir a salvação de sua comunidade através do trabalho o tornou o gueto mais longevo do Holocausto. Em um gueto voltado ao trabalho, as crianças exerceram um papel central que oscilava entre a proteção e a exclusão, ambas de responsabilidade de Rumkowski, o homem que se dizia seu protetor e que acabou por deportá-las ao campo de extermínio de Chełmno. Essa deportação de crianças colocou o gueto de Łódź  e seu líder Rumkowski no debate historiográfico, que acabou por marginalizar a história do alvo principal das deportações: as crianças. O presente trabalho tem por objetivo preencher essa lacuna historiográfica.

Ano

2019

Creators

Thaily Viviane André

A influência da tradição na tradução e interpretação de Isaías 52.13-53.12

Esta pesquisa procura analisar a influência da tradição na tradução e interpretação da perícope de Isaías 52.13-53.12. Inicialmente esta pesquisa discute a teoria de Eugene A. Nida, que tem sido a principal teoria nas discussões de tradução da Bíblia. Juntamente com a análise da teoria de Nida analisou-se também as principais discussões sobre tradução de outras vertentes acadêmicas e o uso das mesmas pelas principais tradições religiosas: judaicas, católicas e protestantes. Por meio de estudo de casos específicos de tradução dessas diversas correntes religiosas analisou-se as influências teológicas na tradução de textos tais como Isaías 14.12 na tradição protestante, Isaías 9.5-6 na tradição judaica. A pesquisa abordou o uso da paráfrase como meio utilizado pelas tradições religiosas para defender suas doutrinas em textos sensíveis da Bíblia Hebraica, bem como o poder da tradição interpretativa como interferência na produção de traduções alinhadas às posições teológicas das respectivas tradições. A pesquisa procura delinear de forma breve, a história dos princípios de interpretação da tradição cristã e do judaísmo rabínico. As principais versões produzidas por essas tradições interpretativas: LXX, Vulgata, Targum e Peshitta foram expostas como produtos dessas tradições interpretativas e a perícope de Isaías 52.13-53.12 nessas antigas versões e no Novo Testamento, também como produtos de influência das diferentes tradições interpretativas do cristianismo e do judaísmo rabínico. Por fim, o trabalho busca mostrar como o texto da perícope de Isaías 52.13-53.12 foi tratado nas fontes antigas do judaísmo rabínico e do cristianismo e os efeitos dessas tradições interpretativas em duas versões modernas da Bíblia Hebraica. A de linha judaica, conhecida como Bíblia Hebraica da Editora e Livraria Sêfer e a de linha protestante, denominada Nova Bíblia Viva

Ano

2014

Creators

Jose Ribeiro Neto

As relações de factitividade / causatividade nas formas verbais Piel / Hifil no hebraico bíblico

Este trabalho analisa o uso dos binyānîm (derivações verbais) Piel e Hifil em seus sentidos factitivo e causativo no hebraico bíblico. Inicialmente foi analisado o estado da questão nos estudos dos binyānîm de forma geral, para se concentrar, na sequência, nos estudos sobre o Piel e Hifil nas discussões mais significativas dentro dos estudos acadêmicos. Para que se pudesse trabalhar com o corpus bíblico utilizou-se de um recorte das raízes verbais em Piel que tenham um correspondente Hifil, nesse recorte, foram encontrados 126 raízes que correspondiam a esse recorte. De posse dessa seleção, procurou-se fazer um estudo do corpus bíblico do uso dessas formas verbais de modo sincrônico, verificando a ocorrência em paralelo das duas formas (Piel:Hifil) e os sentidos factitivo/causativo, presentes ou não no uso na Bíblia Hebraica. Foram selecionadas, quando possível, ocorrências que possuíssem mesma pessoa verbal, conjugação e sintaxe. Foi analisada a tradução da versão grega (LXX) de modo a verificar a correspondência de entendimento dos sentidos factitivo/causativo do Piel/Hifil, em uma versão antiga não semítica de modo a confirmar ou não a percepção desses sentidos à época dessa versão. Com o mesmo objetivo, procurou-se verificar no Targum, tradução antiga de língua cognata semítica (aramaico), a correspondência da tradução dos sentidos factitivo/causativo nos binyānîm equivalentes do aramaico. Por fim, analisou-se, por meio de tabelas comparativas, o resultado da pesquisa do uso no corpus bíblico em hebraico, grego e aramaico de modo a verificar as conclusões possíveis sobre os sentidos factitivo/causativo dessas raízes no hebraico bíblico.

Ano

2020

Creators

José Ribeiro Neto

\'Como caíram os valentes\'. Um estudo sobre a qinah em 2 Sm 1:17-27

Este trabalho propõe uma leitura da qînh (elegia) que Davi escreveu em homenagem a Saul e Jônatas (2 Sm 1:17-27). Parte da investigação desse gênero no interior da Bíblia Hebraica, identificando os principais traços dele e comparando-o a gêneros próximos numa tentativa de compreender a sua função social nos tempos bíblicos e descobrir possíveis razões para a sua reduzida presença na Bíblia Hebraica. Também constata de que modo esse lamento torna evidentes certos traços do personagem Davi, o que enriquece o entendimento dos relatos, contidos nos livros de Samuel, que narram a sua ascensão ao trono e o seu reinado. Finalmente, apresenta uma análise do poema eleito e do espaço narrativo em que ele emerge.

Ano

2014

Creators

Jayme Alves Moreira

Histórias da Bíblia Hebraica e as crianças: uma Análise ao Livro de Ester a partir da metodologia De Bruno Bettelheim

Este estudo propõe uma leitura analítica da história bíblica de Ester - história com estrutura bastante similar aos Contos de Fadas, de forma a perceber e destacar asseverações que podem oferecer recursos íntimos para se enfrentar os desafios que cada criança está exposta em sua realidade pessoal, familiar e em sociedade. Como fundamento, tomou-se o trabalho de Bruno Bettelheim, A Psicanálise dos Contos de Fadas, onde se faz uma radiografia das mais famosas histórias para as crianças, arrancando-lhes o seu verdadeiro significado. Apesar de valorizar as histórias bíblicas, o foco do psicanalista se restringiu aos Contos. E como sua obra mostra as razões, as motivações psicológicas, os significados emocionais, a função do divertimento, e a linguagem simbólica do inconsciente subjacentes nos contos infantis com riqueza de detalhes, pareceu possível extrair um caminho metodológico aplicável, de forma original, à História de Ester. Destacado o método de Bettelheim, notou-se que o Livro de Ester ferve em temas infantis, sendo de fácil identificação entre o inconsciente do leitor e seu mundo fantástico, o que poderia desmanchar fontes de pressão agressiva ao trazer alívio intrapsíquico e apoio condicional da formação pessoal. De forma breve, também se expôs a contribuição de Ester aos Problemas Humanos Universais, e, como sua trama caminha entre a Fantasia, a Ameaça, a Recuperação, o Escape e o Consolo - no encorajamento de seus leitores à luta por valores amadurecidos e a uma crença positiva na vida.

Ano

2021

Creators

Roberto Conti Júnior

A diáspora palestina no Brasil - a FEPAL: trajetórias, reivindicações e desdobramentos (2000 - 2012)

Este trabalho pretende investigar a diáspora palestina no Brasil, através do olhar dos integrantes\\simpatizantes da Federação Árabe Palestina do Brasil (FEPAL). A entidade, fundada em novembro de 1980, uniu e politizou a comunidade palestina do Brasil, no mesmo momento em que o Brasil acompanhava o esgotamento do regime militar. A presença de manifestações políticas pelas Diretas Já! foi a oportunidade encontrada pelos imigrantes palestinos e descendentes de difundirem a causa palestina para o público brasileiro. Mais adiante, o aumento da violência contra os refugiados palestinos no Líbano na década de 1980 foi fundamental para a formação de uma segunda entidade, a Associação Cultural Sanaúd, em 1982, criada pelos jovens da comunidade síria, libanesa e palestina a fim de se manifestarem pela causa palestina em muitos eventos promovidos em São Paulo. A efervescência política em apoio à questão da Palestina durou até meados da década de 1990, o desânimo gerado pelos Acordos de Paz de Oslo interrompeu a militância política palestina até a sua retomada em 2000, quando estourou a segunda Intifada. Foi nessa ocasião em que foram formadas novas organizações nacionalistas: o Shalom, Salam, Paz (2000), uma associação entre a comunidade judaica e palestina; o GT Árabe (2010) e o comitê Estado da Palestina Já! (2011). Foi através da observação participante nas reuniões do GT Árabe e do comitê Estado da Palestina Já! e através das entrevistas realizadas com 13 colaboradores que foi possível compreender as relações entre a FEPAL e o Hamas; o aumento da oposição às diretrizes da FEPAL em São Paulo e sobre as impressões da política externa entre o Brasil e a Palestina durante o governo Lula (2003-2010) e o início do governo Dilma Rousseff (2011-2012). O recorte para esta pesquisa começa desde o ano 2000, início da segunda Intifada e vai até a votação pelo reconhecimento do Estado da Palestina na Assembleia da ONU, em 2012. No mesmo ano que acontecia o Fórum Social Mundial Palestina Livre, na cidade de Porto Alegre-RS.

Ano

2017

Creators

Luciana Garcia de Oliveira

Pacto da circuncisão: um estudo sobre a aliança da circuncisão entre Deus e Abraão em Gênesis 17

O objetivo deste trabalho é analisar a aliança da circuncisão (bᵉrît mūlāh) como portadora de distinção e ressignificação da identidade do patriarca Abraão em seu contexto familiar, constitutivos das promessas divinas, e seu vínculo com a divindade por meio de um rito de passagem encontrado e analisado, em forma de perícope, na narrativa bíblica de Gênesis 17. Para tal, analisamos o uso do termo circuncisão como aliança e/ou sinal da aliança através do estudo do texto literário, em questão, além dos contextos históricos e culturais, filológicos e etimológicos envolvidos. Como resultado pudemos assinalar que a aliança da circuncisão, embora seja um conceito complexo, se mostrou uma marca indelével na vida, tanto, de Abraão, quanto de seus descendentes. Entendemos que as alianças narradas na Bíblia Hebraica, em geral, e a aliança da circuncisão, em particular, teve grande pertinência na fundação do passado ancestral de Israel. E a compreensão do significado da aliança da circuncisão nos aproximou da visão de mundo do patriarca Abraão.

Ano

2018

Creators

Alexandre Bezerra Dutra

Teatro de Sami Feder: espaço poético de resistência nos tempos do holocausto (1933-1950)

Esta tese reconstitui a trajetória de Sami Feder (1906-2000), diretor de teatro judeu polonês que atuou no contexto do movimento de resistência artística e emocional sustentado por artistas, atores, diretores, autores e espectadores durante o período em que o nazifascismo dominou grande parte da Europa (1933-45). Estendemos a análise para o período imediatamente após a liberação dos campos de concentração, especialmente o de Bergen-Belsen, por ser o Campo onde Feder permaneceu dias antes e 5 anos no final da Segunda Guerra. A relevância deste estudo está em resgatar e analisar historiograficamente o percurso e a atuação de Feder, que, por meio da arte teatral, aliada à música, literatura e poesia, buscou o exercício ético do acolhimento coletivo e da cidadania. O artista desenvolveu um teatro, pouco documentado devido às circunstâncias de reclusão e proibição e, ao mesmo tempo, de denúncia, crítica e reflexão subterrâneas durante a vigência do regime nazista. Mais tarde, com o fim da guerra, institucionalizou-se este teatro, com maior registro, criando-se a Companhia Kazet Theater, no Campo de deslocados DP Camp Bergen-Belsen (1945-50), onde a reabilitação e recuperação da dignidade humana tornou-se uma urgência frente ao desenraizamento e ao trauma. Ações intervencionistas como estas se propagaram pelas cidades ocupadas, guetos e campos de concentração, enquanto reação ao processo de desumanização sustentado pelo Estado nacional-socialista e países colaboracionistas. Posteriormente, significaram também uma forma de participar da reconstrução de uma identidade, de um povo, de uma cultura.

Ano

2016

Creators

Leslie Evelyn Ruth Marko

Um olhar sobre o simbolismo mágico-religioso no livro de êxodo

A presente tese visa analisar algumas passagens bíblicas do livro de Êxodo, situadas especialmente entre os capítulos 4 a 14, a partir do referencial teórico do simbolismo mágico-religioso. Para alcançar esse propósito, dividiremos a nossa pesquisa em quatro partes. Em primeiro lugar, buscaremos compreender o significado do símbolo, bem como a sua importância para a Bíblia Hebraica como um todo e, especialmente, para o livro de Êxodo. Em segundo lugar, dissertaremos sobre o significado da magia e da religião, percorreremos as principais teorias antropológicas e sociológicas a esse respeito e, então, justificaremos o emprego do termo composto mágico-religioso em nossa pesquisa. Em terceiro lugar, discorreremos sobre o fenômeno do mágico-religioso na Bíblia Hebraica. Por fim, em quarto e último lugar, com o auxílio do instrumental simbólico mágico-religioso previamente construído, apresentaremos a nossa tradução e respectiva exegese de alguns trechos do livro de Êxodo, compreendidos entre os capítulos 4 a 14. Para isso, nos basearemos no texto hebraico massorético presente na edição crítica padrão do Tanakh, isto é, a Biblia Hebraica Stuttgartensia, editada por Karl Elliger e Wilhelm Rudolph, a qual encontrase atualmente em sua quinta edição revisada. Com esse trabalho pretendemos contribuir para os estudos concernentes à Bíblia Hebraica e, sobretudo, ao livro de Êxodo.

Ano

2016

Creators

Carlos Augusto Vailatti

A atividade profética na apocalíptica judaica no período do segundo templo e a sua contribuição para a Grande Revolta Judaica entre os anos 66 e 73 E.C.

O principal objeto desta pesquisa consiste em analisar a influência exercida pela religião no contexto da sociedade judaica do período do segundo templo (516 A.E.C. 70 E.C.), mais especificamente avaliar se o ímpeto revolucionário que promovera a primeira Grande Guerra Judaica contra o domínio romano dependia de uma forma característica de profetismo, a saber, a apocalíptica. A conexão que o apocalipticismo possuía com o ambiente do primeiro século se deveu em virtude das diversas crises sociais e políticas que impuseram um ritmo dinâmico para as estruturas nacionais, porquanto concomitante às vicissitudes que emergiam ocorria certa adequação traumática de novos elementos relativos ao fenômeno religioso, cujas formas de expressão procuravam resgatar os antigos postulados, valores e promessas da Lei de Moisés e dos profetas clássicos, tornando-os válidos para situações contemporâneas. Desse modo os cativeiros e diásporas experimentados por tantos períodos passavam a favorecer o intercâmbio ideológico que perfez as peculiaridades e aspectos formadores dos movimentos apocalípticos, o que demonstrava um nível de dependência pelo qual movimentos religiosos judaicos se espelhavam em culturas vizinhas, em um diálogo paradoxal que combinava resistência cultural e assimilação de linguagem. Os resultados fornecidos nessa dissertação permitem afirmar que a hipótese que restringe toda a responsabilidade pelas ações coletivas ao fanatismo religioso de uma alegada sociedade primitiva é comprometida em sua validade, pois tal conclusão deve ser considerada reducionista por não atentar para a complexidade que acompanhou, historicamente, todo o estabelecimento da sociedade judaica daquele período. Assim, recomenda-se que haja abordagens mais críticas e que, não obstante, se coloquem no mesmo grau de dificuldade requerido pelo objeto, a partir de uma atitude que integre os indicadores sociais com o fator religioso. Portanto, é pautado nessa perspectiva englobante que a apocalíptica judaica foi estudada neste trabalho, como fator potencialmente relevante dentro do estado de insurreição da Palestina do primeiro século.

Ano

2017

Creators

Ricardo Evandro Vilela

Vítima e agente: ironia e o ofício profético na Bíblia Hebraica

Com o progresso dos estudos literários da Bíblia Hebraica, a ironia tem sido identificada como um recurso recorrente. Apesar de não ser nomeada, encontram-se diversos textos nos quais se espera que o leitor perscrute além do significado explícito e alcance uma concepção mais ampla e integral do relato. Dentre tais textos, merecem destaque aqueles nos quais profetas são personagens centrais. Reputados como personagens distintos, os profetas exibem uma percepção singular da realidade. Assim, muitas vezes em seus oráculos, a ironia irrompe como resultado de perspectivas diferentes: a comum, da audiência, e a distinta, do profeta. Contudo, esses agentes de ironia também figuram como alvos dela mesma. Em algumas situações, os profetas são ironizados por não cumprirem com as expectativas presumidas e associadas ao seu ofício. Estudar essas situações a partir do instrumental da análise literária é o foco do presente estudo.

Ano

2019

Creators

Lucas Alamino Iglesias Martins

A relação entre nāḇî\' e miṯnabbê na Bíblia Hebraica

A heterogeneidade do profetismo israelita pode ser abordada de diversas maneiras. Na presente pesquisa, elegemos o binômio nāḇî\' e miṯnabbê como janela de observação para um estudo interdisciplinar dos fenômenos proféticos na Bíblia Hebraica, utilizando contribuições de diversas disciplinas. Nosso objetivo foi o de discutir uma questão que está sobre a mesa de debates dos pesquisadores, possuindo uma bibliografia que é vasta, porém inconclusiva A dificuldade dos scholars em afirmar em que medida o binômio nāḇî\'/miṯnabbê descreve ou não fenômenos distintos torna a questão complexa e instigante. Os capítulos do trabalho acompanham o recorte do estudo, que é composto por quatro narrativas: Nm 11, 1 Sm 10, Ez 13 e Mq 3. A forma participial miṯnabbê descreve o comportamento dos anciãos em face do nāḇî\' Moisés (Nm 11), a performance de Saul diante de um ḥeḇel neḇiʼim (grupo de profetas) em êxtase e ao som de música (1 Sm 10), bem como a atividade das profetisas-miṯnabb ͤ ʼōṯ, cuja racionalidade (designada pelo termo lêḇ, \"coração\") obstinada (šrr) é criticada pelo nāḇî\' Ezequiel (Ez 13). A condição profética dos anciãos e de Saul se relaciona com a vinda do ruaḥ (sopro, espírito) divino. O substantivo nāḇî\' está em questão também na crítica ao pagamento do profeta ávido por enganar (šeqer) e \"morder\" (nōšek) lucros e benefícios(Mq 3). Por meio do exame dessas passagens, levantamos discussões que resultaram em um comentário crítico sobre o profetismo israelita, que destaca a abertura de possibilidades de pesquisa suscitada pelo binômio nāḇî\'/miṯnabbê

Ano

2014

Creators

André Oswaldo Valença Ribeiro

Rastreando olhares judaicos: as obras de fotógrafos alemães em exílio no Brasil

O objetivo desta tese de doutorado é discutir se há um olhar judaico expresso em fotografias, produzidas no Brasil, por autores com ligações com o Judaísmo, e como ele se manifesta. A hipótese da pesquisa é que ele existe, mas, sem poder ser caracterizado por uma regra geral, deve ser encontrado na análise de casos singulares, considerando, por exemplo, como a estrangeridade dos autores se reflete em suas imagens. Para confirmar essa suposição, serão apresentadas a vida e interpretadas as obras de cinco fotógrafos, nascidos na Alemanha, exilados no Brasil em razão da ascensão do nazifascismo; quatro deles são judeus Alice Brill, Werner Haberkorn, Hans Gunter Flieg e Peter Scheier e uma casou-se com um judeu Hildegard Rosenthal. Todos registraram a cidade de São Paulo, sendo essas imagens o foco da análise, exceto no caso de Flieg, cujas fotos a serem estudadas serão as industriais, pois são as mais importantes de sua produção. Esses autores, de identidade híbrida, expressaram um olhar estrangeiro à realidade que retrataram, utilizando estilos modernos importados da Europa, tais como a Nova Visão, a Nova Objetividade e a Estética da Máquina, contribuindo, assim, enormemente, para inovar a fotografia brasileira.

Ano

2018

Creators

Leonardo Feder

Coletivismo e individualidade: representações na literatura israelense

Este trabalho tem por objetivo analisar o conceito de individualidade dentro das representações literárias de perspectiva ideológica sionista e os seus desdobramentos na formação social israelense tendo como referência dois textos da literatura hebraica: Efraim volta à alfafa, de S. Izehar e Uma certa paz, de Amós Oz. A partir do conceito de individualidade proposto por Adorno, analisaremos a hipótese de que o caráter particular do novo hebreu constrói-se mediante a sua subjugação a uma sociedade autoritária que o transforma em sujeito esfacelado e frustrado ao lançar sobre ele a centelha de um pensamento que o divide entre si e o mundo.

Ano

2015

Creators

Evandro José dos Santos Neto

Encenação e maldição: uma introdução às ações simbólicas dos profetas da Bíblia Hebraica

Em estudos sobre o profetismo da Bíblia Hebraica, constata-se a referência à presença de relatos de ações simbólicas. Ainda que fragmentários, os estudos que mencionam tais ações englobam diversas visões. Neste trabalho apresenta-se, em língua portuguesa, uma introdução às ações simbólicas dos profetas da Bíblia Hebraica, abordando os principais pontos de vista vigentes no cenário acadêmico. Também se expõe as principais características das ações simbólicas e a importância do panorama das maldições da aliança do Pentateuco, para uma melhor compreensão do tema.

Ano

2015

Creators

Lucas Alamino Iglesias Martins

Senaqueribe em Judá: uma análise das fontes bíblicas e extrabíblicas

O presente trabalho analisa as fontes bíblicas e extrabíblicas que fazem referência à incursão militar do rei assírio Senaqueribe em Judá durante o período do reinado de Ezequias, em 701 a.E.C. Inicia-se com uma revisão bibliográfica do tema nos últimos dois séculos, seguida de uma breve contextualização histórica das relações entre os Reinos de Israel e Judá e o Império Assírio durante o séc. VIII a.E.C., com atenção especial ao reinado de Ezequias, rei de Judá. Em seguida, apresenta-se de forma sucinta as evidências arqueológicas da destruição causada pelo exército assírio no Reino de Judá durante a campanha do rei Senaqueribe em 701 a.E.C., especialmente os dados da escavação da cidade de Laquis, cuja estratigrafia e abundante presença de um tipo específico de jarro foram fundamentais para verificar a extensão da devastação assíria. Segue-se a análise das fontes assírias, a saber: o relato da terceira campanha do rei Senaqueribe, registrada nos Anais Reais Assírios; a inscrição da conquista de duas cidades do rei Ezequias durante essa campanha, documentada em dois fragmentos; e o painel do palácio sudoeste do rei Senaqueribe em Nínive, cujos relevos retratam a conquista da cidade judaíta de Laquis. Em seguida, expõe-se a história de autoria de Heródoto sobre uma expedição frustrada do rei Senaqueribe ao Egito e uma breve introdução aos livros bíblicos de Reis, Isaías e Crônicas, acompanhada da análise das narrativas da invasão de Senaqueribe nos respectivos livros (IIRs 18:13-19:37, Is 36-37; IICr 32:1-23). Por fim, apresentam-se algumas considerações finais a partir da análise e comparação das fontes.

Ano

2015

Creators

Carolina Alvino Fortes de Jesus

Hayyôm como uma linguagem da Aliança que expressa \'atemporalidade\' em Deuteronômio

O propósito deste trabalho é analisar a experiência temporal em Deuteronômio, que é bastante diferenciada. Por isso, analisamos o tempo na Bíblia Hebraica e, demos um destaque especial para o termo hayyôm (hoje) deuteronômico que não se restringe a um dia em algum momento da história, mas consegue abranger todas as gerações que revivem o momento de decisão existencial no contexto da aliança entre YHWH e seu povo. Desse modo, entendemos que o passado não deixou e nunca deixará de existir, mas é sempre exigentemente um presente em que a aliança de Horebe requer que cada geração viva em obediência aos mandamentos de YHWH. Ao fazer isso, mediante uma atualização ou presentificação contínua, incute uma percepção de atemporalidade e uma renovação perpétua da identidade especial como povo eleito de YHWH.

Lugares incertos: os andarilhos de Samuel Rawet

A escrita de Samuel Rawet é formada por peculiaridades que demandam um leitor atento e crítico quanto à forma de abordagem e interpretação do texto, de maneira que suas linhas de força (Waldman, 2004) sejam entrevistas como potencialidades de sentidos. O lugar-comum rawetiano, conceito inevitavelmente impreciso formulado a partir dos contos analisados, mostra ser uma forma de abordagem frutífera e coerente ao texto rawetiano em geral, ao privilegiar elementos textuais e se juntar a outras abordagens à obra de Rawet, trazendo questões como identidade, alteridade, literatura judaica e autoria, dentre outras. Como pontos de partida problematizantes são tomados a figura de Ahasverus em Crônica de um vagabundo, a estrutura aberta e a metalinguagem em Kelevim, o conto dentro do conto em Reinvenção de Lázaro, e o sonho em Sôbolos rios que vão. Algumas dessas questões permeiam mais de um dos contos, como a autoria (Crônica..., Sobolos..., Kelevim). A estrutura aberta de Kelevim, por sua vez, permite análises comparativas com o ensaio-crônica Diário de um candango, sobre o livro de memórias de Marques da Silva, que leva o mesmo título. Ao final, as linhas de força são seguidas ainda mais longe, e arrisca-se uma rápida aproximação com as artes plásticas que conclui este trabalho com uma abertura que atesta a riqueza e validade da obra de Rawet.

Ano

2013

Creators

Leo Agapejev de Andrade