Repositório RCAAP

Cuidados paliativos: perfil e percepção do cuidador principal acerca da alimentação

Caracterizar os pacientes em cuidados paliativos com risco para disfagia e de seus cuidadores e analisar a percepção do cuidador principal acerca da alimentação dos pacientes sob seus cuidados. Métodos: O trabalho foi desenvolvido em duas etapas: realização de revisão integrativa da literatura e execução de pesquisa de campo. A revisão integrativa da literatura foi realizada nas bases de dados LILACS, IBECS, Medline e SciELO. O período de publicação pesquisado foi de 2005 a 2014, nos idiomas inglês, espanhol e português, utilizando os seguintes descritores: cuidados paliativos, cuidados paliativos na terminalidade da vida, deglutição e transtornos de deglutição. Para a busca, foram utilizados os operadores boleanos AND e OR. Quanto à pesquisa de campo, foi realizado estudo do tipo observacional analítico de delineamento transversal, em dois hospitais públicos do município de Belo Horizonte, Minas Gerais. A amostra foi constituída por 30 cuidadores principais de pacientes hospitalizados em cuidados paliativos com risco para disfagia. Tal risco foi definido segundo o protocolo Northwestern Dysphagia Patient Check Sheet. As informações foram coletadas em prontuário e junto aos participantes por meio de questionário semi-estruturado, composto por questões abertas e fechadas e que apresenta quatro tópicos: informações sobre opaciente, informações sobre o cuidador, percepção dos cuidadores acerca da alimentação e expectativa dos cuidadores acerca da via de alimentação. Foi realizada análise descritiva da distribuição de frequência de todas as variáveis categóricas e análise de síntese numérica das variáveis contínuas. Para avaliar as características associadas com a via de alimentação foi utilizado o teste de QuiQuadrado. As análises foram realizadas no software STATA, versão 12.0, considerando 5% de significância. Resultados: Os resultados e a discussão foram apresentados em formato de artigos, são eles: Artigo 1 Cuidados Paliativos e Disfagia Orofaríngea: revisão integrativa da literatura; Artigo 2 Perfil de pacientes com risco para disfagia em Cuidados Paliativos hospitalizados e de seus cuidadores principais; Artigo 3 Cuidados Paliativos: percepção do cuidador principal acerca da alimentação de pacientes hospitalizados. Artigo 1: A pesquisa bibliográfica apresentou 257 resultados. Destes, após análise dos resumos, foram selecionados 10 trabalhos para leitura completa e após esta etapa foram excluídos três estudos. Deste modo, restaram sete artigos que atendiam a todos os critérios de inclusão. Constata-se que são escassos os estudos sobre deglutição orofaríngea em cuidados paliativos. Dentre os artigos recentes acerca do tema, prevalecem os estudos de caso e trabalhos que abordam pacientes com diferentes acometimentos de saúde, como demência, doença de Parkinson, Esclerose Lateral Amiotrófica e câncer. Artigo 2: Os resultados mostraram que os pacientes apresentaram distribuição entre ossexos igualitária, média de idade de 67 anos, predominaram pacientes que apresentavam acometimentos neurológicos, com maior concentração da classificação na PPS na faixa de 20% e alimentação exclusiva por via oral. Quanto aos cuidadores, a maioria era do sexo feminino, com média de idade de 52,6 anos. Prevaleceram cuidadores com baixa escolaridade, membro da família do paciente, principalmente filho/a e cônjuge. Pouquíssimos cuidadores relataram realização decapacitação em curso formal e poucos referiram sobrecarga associada à atividade de cuidar. Artigo 3: Os resultados evidenciaram que a maioria dos cuidadores não referiu dúvidas sobre as possibilidades de alimentação do paciente. Muitos cuidadores acreditam que os pacientes apresentam vontade de comer, incômodo/desconforto e dificuldades associadas à alimentação. No que se refere à via de alimentação, a conduta que o cuidador gostaria que fosse tomada se o paciente sob seus cuidados conseguisse comer apenas em pequena quantidade porvia oral foi de manter esta via de alimentação de modo exclusivo. Já no caso do paciente não conseguir alimentar por esta via, poucos optaram por manter a via oral exclusiva. A maioria não soube responder o questionamento sobre a conduta a sertomada no caso do paciente estar em uso de via enteral sem benefícios. Foram encontradas associações estatisticamente significantes entre a expectativa do cuidador quando à via de alimentação e as variáveis via de alimentação e doença do paciente. Conclusão: Acredita-se que os dados encontrados nesta pesquisa podem contribuir para a valorização da opinião do cuidador no tocante à definição da via de alimentação de pacientes em cuidados paliativos. As informações advindas deste trabalho, somadas às já existentes na literatura, permitirão refletir e, assim, viabilizar condutas mais adequadas, agregando qualidade na assistência prestada ao pacient em cuidados paliativos e ao seu cuidador.

Ano

2019

Creators

Ana Fernanda Rodrigues Cardoso

Achados audiológicos na criança respiradora oral e sua relação com as etiologias da obstrução da via aérea

A respiração nasal desempenha importante papel no crescimento e desenvolvimento craniofacial, porém, quando realizada por via oral, pode causar diversos prejuízos nas estruturas e nas funções do sistema estomatognático. Dentre várias consequências da respiração oral, merecem destaque os episódios de otite média com efusão, estando a criança sujeita à perda auditiva. Possui várias etiologias, sendo as mais comuns na infância a hiperplasia da adenoide, a hiperplasia das amígdalas e a rinite alérgica. Objetivos: verificar a relação entre os achados audiológicos nas crianças respiradoras orais e as etiologias da obstrução da via aérea superior e investigar a prevalência da perda auditiva nesta população. Métodos: foi realizado um estudo observacional, transversal, com 178 crianças com idade entre dois anos e seis meses e doze anos e onze meses, de ambos os gêneros, respiradoras orais, atendidas no Centro de Referência Multidisciplinar do Respirador Oral do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais. Todas realizaram audiometria e imitanciometria, pela pesquisadora, após a primeira consulta no Centro de Referência, sendo estes achados relacionados à causa da obstrução da via aérea superior definida pela equipe multidisciplinar e presente no prontuário das crianças. As análises estatísticas foram feitas no software SPSS, utilizando-se os testes do qui-quadrado de tendência linear, de Kruskal-Wallis e de Mann-Whitney com a correção de Bonferroni. Foram considerados como associações estatisticamente significativas os resultados que apresentaram nível de significância de 5%. Resultados: houve relação entre os achados audiológicos na criança respiradora oral e as etiologias da obstrução da via aérea superior, sendo encontrada diferença estatisticamente significativa entre o número de perda auditiva e o número de etiologia obstrutiva associada. Verificou-se perda auditiva em 21,9% da amostra. Conclusão: observou-se que é alta a prevalência de perda auditiva nas crianças respiradoras orais estudadas e quanto maior a associação de etiologias obstrutivas da via aérea superior maior é a prevalência de perda auditiva.

Ano

2019

Creators

Adriane da Silva Assis

Expressão dos biomarcadores moleculares EpCAM e alfafetoproteína no carcinoma hepatocelular

A expressão de marcadores biomoleculares de células tronco no carcinoma hepatocelular (CHC) tem sido associada a mau prognóstico e ao comportamento biológico agressivo. Um sistema de classificação baseado na expressão de EpCAM e alfafetoproteína (AFP) foi proposto para definir diferentes fenótipos e subtipos de CHC. O objetivo dessa pesquisa foi verificar a expressão de EpCAM e AFP, por meio de imuno-histoquímica em 43 pacientes (30 homens e 13 mulheres),submetidos a ressecção de CHC. A etiologia viral foi a mais frequente, com predomínio da hepatite C (41,46%) seguida pela hepatite B (29,26%). A cirrose etanólica foi a menos frequente (12,19%) e, em sete pacientes (17,07%), o CHC incidiu em fí gado com doença de etiologia desconhecida. Os nódulos únicos (78,6%) foram predominantes em relação aos múltiplos (21,4%). A maioria dos CHCs foi operadanos estágios iniciais I e II (45,2% e 40,55%, respectivamente). A invasão angiolinfá tica esteve presente em 41,5 % dos pacientes. Houve predomínio de tumores bem e moderadamente diferenciados (46,3% e 43,9%, respectivamente). A expressão imuno-histoquímica dos biomarcadores foi positiva em 12 (29,3%) e negativa em 29 (70,7%) dos tumores estudados. O fenótipo EpCAM+AFP+ foi observado em 8(66,7%) tumores, EpCAM+AFP- em 4 (33,3%), EpCAM-AFP- em 25 (86,2%), EpCAM-AFP+ em 4 (13,8%). Houve diferença significativa na relação da proporção de expressão de EPCAM e AFP entre os diferentes fenótipos (p=0,002). A chance de ocorrer invasão angiolinfática quando AFP sérica esteve entre 100ng/mL e 400ng/mL foi de 12,4 vezes a chance de ocorrer invasão angiolinfática quando AFP sérica esteve abaixo de 100 ng/mL (OR=12,4; p=0,028). A chance de expressão deEpCAM positiva em tumores menores ou iguais a 5 cm foi significativa (OR=8,7; p=0,022). O índice de sobrevida global foi 74,9%, 69,4%, 69,4% e 53,5% aos 12, 24,36 e 48 meses, respectivamente. Concluiu-se que existe associação positiva entre a expressão de EpCAM e AFP, entre si, e com os níveis séricos de AFP. O diâ metro menor ou igual a cinco centímetros foi a variável que se associou à expressão de EpCAM e a invasão angiolinfática à expressão de AFP. Não houve associaçãoentre as variáveis estudadas e a sobrevida dos pacientes.

Ano

2019

Creators

Leonardo do Prado Lima

Empiema no hemotórax retido pós-trauma: incidência e fatores associados

Introdução: Trauma torácico por mecanismo contuso ou penetrante é causa de hemotórax que, na maioria das vezes, é tratado com drenagem pleural simples. O hemotórax retido pós-trauma tem sido associado a empiema pleural, complicação infecciosa que contribue para morbimortalidade. Há controvérsia quanto ao tratamento do hemotórax retido e sua evolução para empiema. Objetivo: Determinar a incidência do empiema no hemotórax retido pós-trauma, fatores associados para sua formação e tratamento utilizado. Método: Estudo de 61 pacientes com hemotórax retido em 574 drenagens pós-trauma entre novembro de 2009 e março de 2013, no Hospital Risoleta Tolentino Neves, em Belo Horizonte, Minas Gerais. Foram estudadas as associações entre empiema e as seguintes variáveis: idade, gênero, mecanismo de trauma, hemitórax acometido, complicações, laparotomia, lesões específicas, fratura de arcos costais, índices de trauma, tempo de diagnóstico, indicação de drenagem pleural, volume drenado incialmente, permanência do primeiro dreno e procedimento cirúrgico. Para análise estatística utilizou-se teste Qui-Quadrado de Pearson, teste exato de Fisher ou teste de Mann- Whitney. Resultados: A incidência de empiema no hemotórax retido foi de 32,8%. A maioria foi do gênero masculino, entre 20 e 29 anos, vítimas de ferimento por armade fogo. A incidência do empiema foi inferior neste mecanismo de trauma (p=0,008) e superior quando a faixa de volume drenado esteve entre 300 e 599 ml (p=0,03). Vinte pacientes tiveram empiema associado ao hemotórax retido, dez (50%) foram tratados com única drenagem e três (15%) com redrenagem. Quarenta e um pacientes tiveram hemotórax retido sem empiema e, destes, 32 (78%) for tratados com uma única drenagem. Conclusão: A incidência de empiema nohemotórax retido foi alta. O mecanismo de trauma por arma de fogo esteve associado a menor incidência de empiema, enquanto uma maior associação foi observada para a faixa de volume de sangue drenado acima de 300 ml. A abordagem com drenagem simples de tórax seguida de observação mostrou ser viável e eficaz.

Ano

2019

Creators

Mário Pastore Neto

Associação de diferentes doses de clonidina à bupivacaína no bloqueio peridural caudal para correção cirúrgica de hipospádia em crianças: estudo prospectivo, encoberto e aleatorizado

O tratamento da dor pós-operatória é de fundamental importância nos cuidados ao paciente pediátrico. As limitações impostas à abordagem da dor em crianças são muitas, destacando-se a dificuldade em se diagnosticar e mensurar a dor e a própria imaturidade dos órgãos e sistemas fisiológicos, predispondo a efeitos adversos de fármacos. A anestesia peridural caudal se destaca pelos bons resultados e favorável relação risco-benefício, sendo uma opção para esses pacientes. Muitos anestésicos locais e adjuvantes vêm sendo investigados para uso por via caudal, com resultados ainda pouco definidos, inclusive quanto à dose. Entre esses, a clonidina e a cetamina parecem ser os mais frequentemente utilizados nos dias atuais, porém, devido ao risco potencial de neurotoxicidade da cetamina, seu uso rotineiro não tem sido recomendado. O objetivo do presente estudo foi investigar a eficácia e a segurança do uso de três diferentes doses de clonidina associadas à bupivacaína por via peridural caudal em crianças submetidas à correção cirúrgica de hipospádias. Trata-se de estudo prospectivo, encoberto e aleatorizado, que incluiu 80 pacientes masculinos, com idade entre um e 10 anos. Após realização de anestesia geral inalatória, os pacientes foram distribuídos aleatoriamente em quatro grupos, nos quais foi administrado 1,0 mL/kg de quatro diferentes soluções por via peridural caudal: bupivacaína 0,166% (grupo B), bupivacaína 0,166% associada a 1 g/kg de clonidina (grupo BC1), bupivacaína 0,166% associada a 2 g/kg de clonidina (grupo BC2) e bupivacaína 0,166% associada a 3 g/kg de clonidina (grupo BC3). No transoperatório foram registrados os tempos de duração da cirurgia e da anestesia, frequência cardíaca (FC), pressão arterial média (PAM), fração expirada de sevoflurano e tempo de despertar após interrupção da administração do anestésico inalatório. No pós-operatório foram relatados: frequência cardíaca (FCPO), pressão arterial média (PAMPO), intensidade da dor, grau de sedação, número de pacientes que necessitaram de analgesia de resgate em cada grupo, consumo de morfina (g/kg/24 horas), tempo de duração da analgesia e incidência de efeitos adversos (náuseas, vômitos, tremores, boca seca). Para avaliação da dor, utilizou-se a escala comportamental Face, Legs, Activity, Cry and Consolability (FLACC) e para avaliação de sedação utilizou-se a escala de Ramsay. Os resultados mostraram que não houve diferença estatística significativa entre os grupos em relação à FC, PAM e concentração média expirada de sevoflurano no transoperatório. Entretanto, o grupo que recebeu 3 g/kg de clonidina associada à bupivacaína apresentou baixos níveis de FC nos tempos duas horas e seis horas no pós-operatório quando comparado ao grupo que recebeu bupivacaína isolada, assim como maiores escores de sedação nos tempos quatro, cinco e seis horas de pós-operatório. Não houve diferença no consumo de morfina, nas escalas de dor, no tempo de despertar, na duração do bloqueio e na incidência de efeitos adversos. Concluiu-se que a associação de 1, 2 ou 3 g/kg de clonidina à bupivacaína não melhorou a qualidade nem a duração do bloqueio caudal na população avaliada. A dose de 3 g/kg de clonidina associou-se a maior redução de FC e maiores escores de sedação no período pós-operatório.

Ano

2019

Creators

Ana Claudia Mota Bonisson

Assistência prestada a crianças com Doença Falciforme na rede de atenção à saúde de Belo Horizonte, com ênfase nos eventos clínicos e na adesão aosprotocolos assistenciais

Introdução: A Doença Falciforme (DF) é considerada um problema de saúde pública no Brasil. Por se tratar de uma enfermidade hereditária de curso crônico é importante ser bem conhecida pelos serviços de saúde para um atendimento integral a esses pacientes. Objetivo: Conhecer a ocorrência de eventos clínicos, as demandas assistenciais, a adesão ao tratamento e a assistência prestada nas redes de atenção à saúde a pacientes com DF. Metodologia: Foram analisados os registros nos prontuários do Hemocentro de Belo Horizonte (HBH) e na rede básica de saúde do município, relativos aos atendimentos de 121 crianças com DF, nascidas entre 2007 e 2014. Resultados: Os eventos clínicos mais frequentes foram às crises álgicas (49,9%) e as infecções (37,1%) levando à internação em (42,1%) e (55,4%) dos casos, respectivamente. Houve associação entre a ocorrência de crise álgica (p<0,01), sequestro esplênico (p<0,01) e dactilite (p=0,03) e o perfil de hemoglobina, com predominância dos eventos nas crianças com hemoglobina SS. A mediana de idade de início dos eventos clínicos foi 10 meses e não houve diferença quando os perfis de hemoglobina foram comparados (p=0,51). Foram realizados 184 encaminhamentos para interconsultas, sendo (37,2%) deles para a cardiologia e (26,6%) para a oftalmologia. Os exames mais solicitados foram o Doppler Transcraniano (47,4%) e a Ultrassonografia Abdominal (34,4%). Do total de cirurgias indicadas, a esplenectomia correspondeu a (53,3%) delas e a amigdalectomia a (23,3%). Quanto à adesão ao tratamento na Atenção Primária à Saúde (APS) 37,4% dos pacientes compareceram a pelo menos 80% das consultas do calendário proposto. No HBH, 86% dos pacientes alcançaram mais de 80% de adesão aos quesitos analisados. A chance dos pacientes com sinais de gravidade estarem aderidos aos protocolos da APS e do HBH é 5,6 vezes maior do queaqueles sem sinais de gravidade (IC 1,23-22,5). Dos 2028 atendimentos registrados na APS, (47,8%) deles foram realizados pelos pediatras, seguido dos enfermeiros (32%) e médicos da família e comunidade (20,2%). O principal motivo de consulta com o pediatra foi apuericultura, enquanto com os médicos da família e enfermeiros foram as Infecções de Vias Aéreas Superiores (IVAS). Os únicos eventos relacionados diretamente à DF registrados no prontuário da APS foram às crises álgicas, correspondendo a (3,5%) dos atendimentos. Asações de vigilância à saúde representaram (5,6%) do total de atendimentos. Os registros de internações, cirurgias e inclusão em regimes terapêuticos foram subestimados nos prontuáriosda APS em relação aos do HBH. Conclusão: A assistência prestada na APS apresenta fragilidades quanto ao atendimento integral das pessoas com DF, principalmente quanto à abordagem das peculiaridades da doença e a instalação de práticas baseadas nos atributos essenciais da APS. Este fato pode estar relacionado ao processo de trabalho das equipes que não prioriza as demandas assistenciais destas pessoas.

Ano

2019

Creators

Denise Martins Van Putten Vasconcelos

Pesquisadores da área da saúde e ética nas pesquisas com crianças e adolescentes: um estudo em Minas Gerais

Ainda que pesquisas com crianças e adolescentes na área da saúde sejam necessárias ao desenvolvimento da ciência, visando à produção de novos conhecimentos, procedimentos terapêuticos e o bem-estar dos referidos sujeitos, elas demandam particularidades éticasna sua consecução. O uso de tais sujeitos em pesquisas é antigo, entretanto, os cuidados éticos com a população infanto-juvenil nem sempre foram atendidos na sua especificidade. A presente tese objetivou compreender como, no atual momento em que se consolidam os direitos da criança e do adolescente e se reforçam a dimensão daequidade no atendimento igualitário das diferenças e das diversidades culturais, os pesquisadores da área da saúde têm lidado com a ética nas pesquisas que envolvem os sujeitos acima citados. Procurou-se apreender as representações sociais sobre os aspectos éticos que os pesquisadores observam ao realizarem suas investigações científicas. Partindo-se do suposto que os dispositivos éticos podem ser reinterpretados na prática, buscaram-se captar ajustes dos preceitos éticos feitos no decorrer das investigações pelos pesquisadores. Também foi realizada uma revisão histórica da ética na pesquisa noBrasil, a qual evidenciou que, assim como em outros países, aqui ocorreram deslises éticos. A análise dos dados permitiu concluir que a preocupação destes com aspectos éticos frequentemente se restringe ao TCLE, considerado o principal aspecto ético de uma investigação científica e que a mais importante motivação para que um projeto depesquisa fosse iniciado foi a demanda pela publicação de artigos científicos e não o valor que ela poderá ter para a sociedade. A importância dos comitês de ética como órgãos que protegem os participantes da pesquisa, especialmente como sujeitos, ficou evidente, da mesma forma que a insatisfação, por parte dos pesquisadores, com os mesmos. Embora houvesse preocupação com uma comunicação adequada com os sujeitos de pesquisa e seus responsáveis, a vulnerabilidade das famílias parece não ter sido protegida e acondição de vulnerabilidade de crianças e adolescentes, enquanto sujeitos de pesquisa, não foi devidamente valorizada. Finalmente, o papel educativo do sistema CEP/Conep parece não estar sendo desempenhado a contento. Ele poderia transformar a realidadeobservada, o que é fundamental, para que se de desenvolvam as necessárias pesquisas com os sujeitos em questão, sem que princípios éticos sejam transgredidos.

Ano

2019

Creators

Nadia Veronica Halboth

Impacto de um programa de intervenção fisioterapêutica baseado em orientação postural em crianças com diagnóstico de respiração oral submetidas à adenotonsilectomia: um ensaio clínico controlado

A respiração oral é uma característica adaptativa cuja etiologia é multifatorial. Há um conceito na literatura de uma entidade clínica denominada Síndrome do Respirador Oral caracterizada por predominância da via de acesso de ar oral por tempo superior a seis meses, ausência do selamento labial passivo associada àadaptações compensatórias da posição da cabeça, acarretando ajustes posturais sinérgicos, alterações na morfologia dentocraniofacial, distúrbios no sono, na fala e na mastigação. Apesar de estudos relatarem que a respiração oral pode causar desordens posturais, esta associação não é clara. O objetivo do primeiro estudo desta tese foi descrever e analisar criticamente os estudos que avaliaramdesordens posturais em crianças com diagnóstico de respiração oral (RO). Os resultados desta revisão sistemática relatam que as alterações posturais mais descritas são a postura de anteriorização de cabeça, elevação e abdução de escápula. Há falta de uniformidade na terminologia, nos referenciais angulares utilizados e ausência de descrição da reprodutibilidade e validade dos instrumentos de avaliação utilizados. O tratamento pela adenotonsilectomia e a fisioterapia são intervenções indicadas para aliviar os sintomas de crianças comdiagnóstico de RO. Os benefícios pós-adenotonsilectomia, assim como o acompanhamento fisioterápico na postura, ainda não foram descritos. O objetivo do segundo estudo foi avaliar o efeito da adenotonsilectomia na postura de cabeça, coluna cervical, torácica e da escápula em crianças com diagnóstico de RO; e comparar o efeito de um programa de reabilitação utilizando uma cartilha de educação em saúde e exercícios sem supervisão e fisioterapia ambulatorial com supervisão. Quarenta e nove crianças respiradoras orais (6,3 ± 1,8 anos), deambos os sexos, participaram do estudo. As medidas cinemáticas de cifose torácica, anteriorização da cabeça, protrusão de ombros e abdução, elevação, inclinação anterior e rotação interna de escápula foram avaliadas no pré e pósoperatório. Posteriormente as crianças foram cegamente divididas em três subgrupos: controle, cartilha com exercícios sem supervisão e intervenção fisioterapêutica com supervisão; e após 3 meses reavaliadas novamente. Os dados foram obtidos usando o sistema Qualysis ProReflex®. Os resultados dosegundo estudo confirmam que a criança com diagnóstico de RO se beneficia da intervenção cirúrgica, com melhora da posição de anteriorização de cabeça, protrusão de ombros e elevação e inclinação anterior da escápula. O tratamento fisioterápico foi efetivo na melhora da cifose torácica e o tratamento via cartilha foi efetivo na melhora da abdução escapular e protrusão de ombros. Os resultados suportam a hipótese da importância da cirurgia e do tratamento fisioterápico na melhora da postura e, consequentemente, na qualidade de vida da criança com diagnóstico de respiração oral

Ano

2019

Creators

Patrícia Dayrell Neiva

Descrição de parâmetros bioquímicos e ultrassonográficos de avaliação pré-natal de função renal em fetos portadores de uropatias obstrutivas

As malformações do trato urinário fetal representam 20% do total das anomalias estruturais diagnosticáveis durante o pré-natal. Entre elas, as uropatias obstrutivas são as mais frequentes e a principal causa de falência renal na infância e adolescência. Destas, a válvula de uretra posterior é a principal causa de obstrução do trato urinário em neonatos do sexo masculino, responsável principal pela doença renal obstrutiva em crianças. OBJETIVOS: verificar comparativamente a relaçãodos marcadores bioquímicos e ultrassonográficos de função renal pré-natal com ocorrência de óbito perinatal. METODOS: foram selecionados no período de janeiro de 2008 a janeiro de 2013 18 gestantes cujos fetos apresentavam diagnóstico ultrassonográfico de uropatia obstrutiva baixa, com critérios para avaliação da função renal e possível seleção para tratamento intrauterino. Foram estudados parâmetros ultrassonográficos (volume de líquido amniótico, aspecto do parênquima renal, hidronefrose fetal, dilatação de ureter e bexiga) e bioquímicos (creatinina urinária fetal, 2-microglobulina, uromodulina, osmolaridade e cálcio urinário fetal), comparando-os com a mortalidade e a função renal pós-natal. RESULTADOS: dos 18 casos selecionados, o óbito ocorreu em 11, sendo que os sete sobreviventes tiveram a sua função renal pós-natal avaliada segundo o protocolo do serviço de neonatologia e nefrologia pediátrico. A mediana da idade gestacional no diagnóstico das lesões obstrutivas foi de 21 semanas, sendo idadegestacional mínima de 16 semanas e a máxima de 28 semanas. Entre os sobreviventes (sete), a osmolaridade e a 2-microglobulina estavam normais em todos eles; porém, a creatinina estava alterada em seis (85,71%) e a uromodulina em quatro (57,14%). O líquido amniótico estava alterado em cinco casos (71,43%), acompanhado de megabexiga em seis episódios (85,71%). O cateter foi inseridoem quatro casos (57,14%). Entre os que evoluíram para óbito, a mediana da idade gestacional no diagnóstico foi de 20 semanas, sendo a idade gestacional mínima de 16 semanas e a idade gestacional máxima de 28 semanas. A creatinina estava alterada em 11 casos (100%), além de alterações na concentração da uromodulina em oito (72,73%) e da osmolaridade em cinco (45,45%). Em nove casos (81,82%) os rins fetais apresentavam-se hiperecogênicos, com alteração do líquido amniótico em 10 (90,91%). A hidronefrose esteve presente em 100% dos casos, sendo cinco graves (45,45%), cinco moderados (45,45%) e um leve (9,09%). Em 11 eventos (100%) registrou-se megabexiga e em 10 (90,91%) houve dilatação dos ureteres. CONCLUSÃO: nenhum dos parâmetros analisados mostrou-se capaz de predizer a função renal pós-natal e a mortalidade.

Ano

2019

Creators

Fernando Macedo Bastos

Efeitos imediatos da eletroestimulação neuromuscular na deglutição de idosos com demência do tipo Alzheimer

Introdução: a disfagia orofaríngea representa um marcador do estágio avançado das demências. Quando presente, ela predispõe os indivíduos à desidratação, desnutrição, perda de peso e à aspiração laringotraqueal. Usualmente o tratamento da disfagia em pacientes com demência do tipo Alzheimer consiste na realização de estímulos térmico-gustativos, adequação da postura ao alimentar-se e das consistências alimentares, além do uso de manobras terapêuticas. Acredita-se que a eletroestimulação neuromuscular possa oferecer nova perspectiva para o tratamento da disfagia orofaríngea dessa população. Objetivo: identificar, por meio de revisão da literatura, os principais modelos de aplicação da eletroestimulação neuromuscular para tratamento da disfagia orofaríngea e conhecer os efeitos imediatos da eletroestimulação neuromuscular na fase faríngea da deglutição em idosos com demência do tipo Alzheimer. Método: foi realizada revisão sistemática da literatura por meio das bases de dados Medline, Lilacs e Scielo e a Biblioteca Cochrane e utilizados os seguintes termos: Neuromuscular electrical stimulation and dysphagia, Neuromuscular electrical stimulation and deglutition disorders e Neuromuscular electrical stimulation and dysphagia and treatment. Os artigos passaram por análise descritiva. Para avaliação dos efeitos imediatos da eletroestimulação neuromuscular foi realizado ensaio clínico utilizando-se amostra não probabilística composta por 30 pacientes avaliados no Centro de Referência do Idoso do Hospital das Clínicas UFMG. Estes pacientes foram submetidos à avaliação clínica e em seguida à videofluoroscopia da deglutição, durante a qual se aplicou eletroestimulação neuromuscular por meio do sistema portátil não invasivo de Terapia VitalStim® de dois canais, nos níveis sensorial e motor de estímulo. Os parâmetros aplicados foram de 3 mA para o nível sensorial e de 9 mA para o nível motor. Todos os participantes receberam alimentos nas consistências sólida, pudim e líquida. Modelos marginais lineares foram utilizados para a análise de dados para a qual se adotou o nível de significância de 5%. Resultados: dentre os 18 artigos incluídos na revisão sistemática, a maioria empregou a frequência de 80 Hz e a duração do pulso de 700 s, utilizando o mesmo equipamento (VitalStim®), com predomínio do posicionamento horizontal dos eletrodos; as sessões de estimulação duraram 60 minutos e foram aplicadas cinco dias na semana. Os estudos selecionados para esta revisão indicaram a aplicação da eletroestimulação neuromuscular em nível motor para o tratamento da disfagia orofaríngea, utilizando o nível sensorial somente para determinação da mínima intensidade percebida. Na avaliação dos efeitos imediatos da eletroestimulação neuromuscular não houve impacto significativo sobre a escala de penetração e aspiração, o deslocamento hiolaríngeo e o tempo de trânsito faríngeo. Entretanto, quando as consistências alimentares foram ajustadas no modelo marginal linear verificou-se que na deglutição de 10 ml de líquido, houve uma redução no deslocamento da laringe sob estímulo no nível motor em relação à ausência de eletroestimulação. Valor muito próximo ao nível de significância foi observado para a deglutição da consistência pudim, também no deslocamento da laringe comparando-se o nível motor em relação à ausência de eletroestimulação. De acordo com a análise multivariada o valor médio do deslocamento hiolaríngeo diminuiu de forma significativa na comparação da consistência pudim entre as demais classificações; no sexo masculino, o valor médio do deslocamento aumentou quando comparado ao sexo feminino. Não houve diferença significativa nas comparações dos níveis sensorial e motor, mesmo considerando as consistências, tanto para a escala de penetração e aspiração quanto para o deslocamento hiolaríngeo e o tempo de trânsito faríngeo. Conclusão: a eletroestimulação neuromuscular tem sido empregada para tratamento da disfagia orofaríngea em indivíduos acometidos por acidente vascular cerebral, com frequência de 80 Hz e duração de pulso de 700 s durante 45 a 60 minutos, cinco vezes por semana, apesar de terem sido citados na literatura outros parâmetros e posicionamento dos eletrodos. Em idosos com demência do tipo Alzheimer, não foi verificado efeito imediato da eletroestimulação sobre a escala de penetração e aspiração, o deslocamento hiolaríngeo e o tempo de trânsito faríngeo. Entretanto, quando as consistências alimentares são consideradas verifica-se que sob efeito do estímulo motor há menor deslocamento hiolaríngeo durante a deglutição de pudim e líquido 10 ml.

Ano

2019

Creators

Eliene Giovanna Ribeiro

Análise do eletrocardiograma em adultos brasileiros: estudo longitudinal de saúde do adulto (ELSA-Brasil)

INTRODUÇÃO: O eletrocardiograma (ECG) é uma ferramenta amplamente utilizada em estudos epidemiológicos, mas existem poucos estudos de base populacional na América Latina e no Brasil. O Estudo Longitudinal de Saúde do Adulto (ELSA-Brasil), que incluiu 15105 participantes (35 74 anos) de seis capitais brasileiras, permitiu a criação de base de dados eletrocardiográficos dessa população. O objetivo deste trabalho é descrever as medidas eletrocardiográficas em adultos brasileiros não portadores de doença cardiovascular e avaliar as alterações eletrocardiográficas maiores, segundo o código de Minnesota, por sexo, idade, raça e fatores de risco cardiovascular.MÉTODOS: Estudo transversal no qual foram obtidos dados de 14424 adultos (45,8% homens, idade 35-74 anos) na linha de base do ELSA-Brasil, através de entrevistas e exames clínicos e laboratoriais. Os ECG foram obtidos no aparelho BurdickAtria 6100, armazenados pelo Sistema Pyramis, codificados automáticamente conforme código de Minnesota pelo software da Universidade de Glasgow e as alterações maiores revistas manualmente. A distribuição das medidas eletrocardiográficas em pacientes livres de doença cardiovascular e que declararam a raça (n=11094, 44,5% homens) foram descritascomo mediana (intervalo interquartil).A prevalência das alterações eletrocardiográficas maiores foram descritas e estratificadas por sexo, grupo de idade, cor/raça autodeclarada e número de fatores de risco cardiovascular. Para comparação entre os grupos citados, foi utilizado o teste Quiquadrado. RESULTADOS: As medianas dos medidas eletrocardiográficas analisadas forampara homens e mulheres, respectivamente: frequência cardíaca 63vs66bpm, intervalo PR 164vs158ms, intervalo QTc 410vs421ms, duração do QRS92x86ms, duração da onda P 112vs108ms, eixo da onda P 54vs57 graus, eixo da onda R 35vs39 graus, havendo diferença para todas as variáveis analisadas (p<0,001 para todas). As medidas eletrocardiográficas foram também descritas em gráficos ao longo das idades dos participantes.A prevalência de alterações maiores foi maior em homens (11,3 vs 7,9%, p<0,001, OR=1,5[IC95% 1,33-1,66]). Tais achados foram consistentes nos diferentes grupos de idade, raça e número de fatores de risco cardiovascular. Houve aumento na prevalência de alterações eletrocardiográficas maiores com o aumento da idade e do número de fatores de risco para doença cardiovascular (p<0,001 em ambos). Entre raças, as alterações eletrocardiográficas maiores foram mais prevalentes em negros, tanto em homens (15,1% em negros, 10,4% em pardos, 11,1% em brancos, p=0,001) quanto em mulheres(10% em negras, 7,6% em pardas, 7,2% em brancas, p=0,004). CONCLUSÕES: Os valores para as medidas eletrocardiográficas descritos podem servir como referência para adultos brasileiros saudáveis sem doença cardiovascular prevalente, estratificados por sexo. Aprevalência das alterações eletrocardiográficas variou com idade, sexo, raça e número de fatores de risco cardiovascular, refletindo a maior prevalência de doenças cardiovasculares nos mais idosos, nos homens, nos indivíduos de cor/raça negra autodeclarada e naqueles com maior número de fatores de risco cardiovascular.

Ano

2019

Creators

Marcelo Martins Pinto Filho

Correlação do nível da mielomeningocele com a função motora e o nível neurológico do segmento medular

A mielomeningocele (MMC) é a malformação congênita mais grave do sistema nervoso central (SNC) por falha no fechamento no tubo neural. O que se tem como padrão geral de gravidade da MMC é que, quanto mais alto seu nível, pior o déficit motor, porém há pacientes que apresentam manifestações clínicas que contradizem tal preceito: MMC alta sem déficits motores e baixas, com importantes déficits. Objetivo: Avaliar a relação do nível macroscópico da MMC com a função motora e o nível neurológico do segmento medular acometido. Método: Foi realizado estudo transversal com população de 28 pacientes operados pelo mesmo neurocirurgião. Os pacientes foram agrupados nas faixas etárias de até três anos, de três a cinco anos, entre seis e sete anos e de oito a 11 anos. Foram avaliados o nível macroscópico da MMC, nível neurológico do segmento medular acometido e o desempenho funcional, por meio do Teste de Função Motora Grosseira (GMFM), instrumento que avalia a função motora de forma quantitativa. Conclusão: Os nossos resultados sugerem que não ocorre a correlação direta entre o nível macroscópico da mielomeningocele, a função motora e o nível neurológico do segmento medular acometido. Em 71,42% dos pacientes avaliados foi observado o oposto estabelecido na literatura: mais comprometimento neurológico nos pacientes com lesões mais baixas e melhor desempenho funcional nos pacientes com lesões mais altas. Apesar dos nossos resultados não apresentarem diferenças significativamente estatísticas, os dados obtidos fazem parte de um estudo preliminar relevante.

Ano

2019

Creators

Michelle Antunes Coutinho

O impacto do Mindfulness na adesão ao tratamento para perda de peso em mulheres inférteis e portadoras de síndrome dos ovários policísticos com sobrepeso ou obesidade

O objetivo desse estudo é avaliar o impacto do programa Mindfullness na adesão ao tratamento para perda de peso em mulheres inférteis ou com síndrome do ovário policístico (SOP) portadoras de sobrepeso ou obesidade. Mais especificamente, avalia os efeitos dessa intervenção sobre a adesão à dieta e aos exercícios físicos, incluindo a variação do índice de massa corporal (IMC) em mulheres com SOP e/ou inférteis e adiposidade. Avalia também o efeito do Mindfullness sobre os estresse, do bem estar geral e qualidade de vida dessas mulheres através da pontuação no questionário Psychological General Well-Being Index (PGWBI). Os voluntários envolvidos nesse estudo foram pacientes do Laboratório de Reprodução Humana Professor Aroldo Fernando Camargos do Hospital das Clinicas-UFMG. O estudo considerou 90 pacientes elegíveis. Como resultado da randomização simples (não balanceada), foram alocadas 51 voluntárias para o grupo de intervenção e 39 para o grupo controle. Houve perdas de seguimento em ambos os grupos, restando para análise final 28 mulheres do grupo intervenção e 24 do grupo controle. Houve leitura e assinatura de termo de consentimento livre e esclarecido. Alteração na composição corporal, circunferência da cintura, de quadril e abdominal foram o indicador inicial de adesão ao programa de perda de peso. A intervenção consistiu de 8 sessões semanais com duração de 2 horas cada uma. O grupo controle foi avaliado e orientado pela nutricionista em três fases, juntamente com o grupo intervenção. As sessões consistiram das técnicas de relaxamento, meditação mindfullness, visualização, biofeedback e orientações de praticas de vivência. RESULTADO: Houve redução média de 1,8 Kg no grupo intervenção (p=0,002) e redução média de 1,0 Kg no grupo controle (p=0,022, teste de Wilcoxon). A redução do IMC também foi significativa em ambos os grupos. A redução de peso e de IMC não diferiram quantitativamente entre o grupo intervenção e o grupo controle. No entanto, houve redução média de 1.5 cm de cintura (p=0,007) e 2.0 cm de quadril (p=0,002) no grupo intervenção, enquanto que no grupo controle, a redução media de cintura foi 0.8 cm (p=0.633) e a redução media de quadril foi de 0.3 cm (p=0.100). O grupo intervenção também apresentou melhora significativa na qualidade de vida (p=0.001). O mesmo não ocorreu no grupo controle (p=0.829). Esses resultados sugerem que mindfulness pode ser uma opção de intervenção no auxílio a adesão aos programas de perda de peso e melhoria em qualidade de vida.

Ano

2019

Creators

Edna Mariz Camara Sant Anna

Avaliação da dimetil arginina assimétrica plasmática e da dilatação fluxo-mediada da artéria braquial em gestantes com fatores de risco para o desenvolvimento de pré-eclâmpsia

Pré-Eclâmpsia é uma causa importante de morbimortalidade materna e fetal. Embora não tenha sua fisiopatologia esclarecida, a disfunção endotelial sistêmica é uma das características principais dessa síndrome. O objetivo do nosso estudo é avaliar alguns dos marcadores de disfunção endotelial, a dimetil arginina assimétrica e o teste da dilatação fluxo-mediada da Artéria Braquial, em um grupo de gestantescom fatores de risco para desenvolvimento desta complicação e verificar se há correlação entre os valores da dimetil arginina assimétrica com as características demográficas avaliadas. A amostra foi selecionada no Serviço de pré-natal do ambulatório Jenny Faria do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais com gestantes que se apresentaram no ambulatório e que possuiam algum fator de risco para desenvolvimento de Pré-Eclâmpsia. Para dosagem dos níveis séricos de dimetil arginina assimétrica, foi utlizado o teste ADMA-ELISA (DLDDiagnostika GMBH®). Do total de 48 pacientes avaliadas, 12 (25%) desenvolveram Pré-Eclâmpsia e 36 (75%) permaneceram normotensas. No grupo das pacientes com Pré-Eclâmpsia, a dosagem mediana da dimetil arginina assimétrica obtida foi de 0,422 e a média da dilatação foi de 25,43% ± 11,70%. Das pacientes que se mantiveram normotensas ao longo da gestação, a mediana da dimetil argininaassimétrica encontrada foi de 0,583 e a média da dilatação obtida foi de 15,91% ±8,09. Não houve diferença significativa entre os níveis séricos de dimetil arginina assimétrica entre os grupos avaliados (p valor 0,082) mas houve diferença significativa entre as medidas da dilatação fluxo-mediada (p valor 0,004). Apenas houve correlação significativa entre os níveis séricos de dimetil arginina assimétrica e a idade gestacional em que o parto ocorreu (-0,687; p 0,014). Estes achados sereferem a dosagem entre as idades gestacional de 16 a 29 semanas, provavelmente inadequadas para verificar este componente fisiopatológico da Pré-Eclâmpsia.

Ano

2019

Creators

Juliana Eugenio de Souza

Felicidade no ambiente de trabalho: realidade ou utopia?

Este estudo visa identificar e descrever a percepção de (in) felicidade no ambiente de trabalho. Trata-se de um estudo exploratório e qualitativo, realizado em uma grande empresa de energia elétrica brasileira, com trabalhadores do quadro próprio e admitidos através de concurso. Com o objetivo de avaliar profissionais que exerciam trabalhos distintos na mesma empresa, na escolha amostral intencional, mesclaram-se trabalhadores de duas grandes áreas da empresa: a área financeira e a área de geração e transmissão de energia elétrica. Apesar do número de mulheres representar apenas 14% do total de trabalhadores, a amostra ficou equilibrada paraobter a opinião de ambos os gêneros. Foram entrevistados 16 trabalhadores. Os profissionais são analistas financeiros com formações distintas (contabilidade/ administração/economia), engenheiros eletricistas, técnicos financeiroadministrativosbem como técnicos da área de operação/controle. Nas entrevistas,utilizou-se um roteiro próprio e semiestruturado. Foram realizados pré-testes e as adequações necessárias. Procurou-se dar abertura para que o profissional relatasse essencialmente suas opções em relação ao tema felicidade e infelicidade no trabalho bem como a relação subjetiva entre saúde e felicidade. A faixa etária dos trabalhadores entrevistados ficou entre 23 e 50 anos e a média de tempo de trabalhona empresa foi de 15 anos. Utilizando-se da análise qualitativa dos dados, que é a fala dos trabalhadores, foi identificado que o trabalho representa um papel de suma importância na vida destes e fator fundamental para a felicidade dos indivíduos. O mesmo proporciona segurança financeira própria e familiar, além de permitir estabelecer relações sociais de cunho profissional e pessoal que, de certa forma,sustentam e dão sentido ao próprio trabalho. Foram identificados relatos em que a saúde do trabalhador ficou comprometida pelo ambiente de trabalho que não contribuía para a felicidade na medida em que minava a criatividade e a subjetividade, gerando, assim, frustração, que afeta a saúde mental e emocional. Os trabalhadores entrevistados não só acreditam que a felicidade no ambiente de trabalho pode ser uma realidade como anseiam pela mesma. Foram citados os pontos que possibilitam um ambiente de trabalho mais feliz, pontos esses que são: a confiança, a cooperação, a comunicação clara e sincera, a interação da equipe, o desafio, a justiça, o feedback, o reconhecimento, os laços de amizade e companheirismo nos relacionamentos interpessoais bem como a gestão equilibrada. Afirmam, porém, que para que isso ocorra de fato, muitas das condições de trabalho praticadas na atualidade deverão ser modificadas

Ano

2019

Creators

Alethea Deyze Mendonca

Lesões autoinfligidas das mãos contra superfícies de vidro e suas repercussões

A mão está envolvida em praticamente todas as nossas atividades cotidianas, e para o seu perfeito funcionamento é necessário que todas as suas estruturasanatômicas estejam em completa harmonia. Atualmente, há um grande número de pacientes vítimas de traumas das mãos, cujas sequelas geram incapacidade para o trabalho e para as atividades da vida diária, além de gerar implicações econômicas para a sociedade. As lesões autoinfligidas das mãos contra superfícies de vidro (LAIMCSV) são eventos relevantes no âmbito da saúde e da violência e se tratam de tema pouco abordado tanto na literatura nacional quanto internacional. Diante disso, objetivou-se, nessa pesquisa estabelecer o perfil epidemiológico e médico cirúrgico dos casos de LAIMCSV e seus impactos individuais e coletivosbem como propor medidas preventivas. Para tanto, foram envolvidos 18 indivíduos acometidos por lesões autoinfligidas das mãos, ocasionadas por soco em vidro.Os indivíduos foram classificados por sexo, idade, motivo da lesão, profissão, uso de álcool, drogas, mão dominante, estruturas lesionadas, intervalo entre trauma e cirurgia, reabilitação, sequelas e tempo de afastamento do trabalho. Após a análise descritiva dos resultados, verificou-se que a população mais atingida por lesões autoinfligidas por soco em vidro, são indivíduos do sexo masculino, jovens adultos, com média da idade de30.28 anos eativos no mercado de trabalho. A ocupação principal dos pacientes envolvidos na pesquisa foi distribuída entre postos de trabalho da área de construção civil.A causa das lesões autoinfligidas que se destacou foram brigas familiares, acometendo em grande parte a mão dominante. O consumo de álcool esteve presente em 44% dos casos. O compartimento anterior da mão e punho foi o mais atingido, com importante acometimento de tendões flexores e de nervos como o mediano e o ulnar. Apesar da maioria das lesões cursarem com sequelas leves, foram identificados casos de deficiência funcional da mão, como a perda parcial da capacidade de segurar objetos e limitações de flexo-extensão com ou sem associação a alterações de sensibilidade. O período de licença laboral e escolar que se sobressaiu foi de 31 a 120 dias. Tal afastamento gerou, além dos custos com internação, procedimentos médico-cirúrgicos e de reabilitação, gastos à empresa contratante e à previdência social. Diante do estudo conclui-se que as lesões autoinfligidas das mãos contra superfícies de vidro podem ser consideradas lesões graves, possuem perfil epidemiológico peculiar e apresentam um padrão lesional com acometimento preferencial do segmento anterior do punho.São atos de violência que influenciam indiretamente a economia do país e essencialmente a qualidade de vida do paciente. Sugere-se que sejam criados meios de conscientizar a população de que esta modalidade de trauma e violência pode alterar permanentemente a funcionalidade do membro e o bem estar dos afetados, e ainda, que sejam realizados novos estudos explorando as inúmeras faces desta importante modalidade de trauma e violência

Ano

2019

Creators

Diogo Petronio Caiado Fleury

As implicações da hanseníase nas atividades laborais de trabalhadores rurais acompanhados no Centro de Referência do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais

A hanseníase, doença infecciosa de evolução crônica, ainda se mantém como problema de saúde pública no país. Apresenta um elevado potencial de morbidade decorrente do comprometimento neural característico da doença, que pode vir a ter um poder incapacitante devastador se não diagnosticada precocemente e tratada adequadamente. Por atingir uma alta proporção de pessoas na faixa etária economicamente ativa pode ocasionar a diminuição na capacidade de trabalho e consequências deletérias na qualidade de vida dos indivíduos e das suas famílias. As ocupações que requerem grande esforço físico, como é o caso do trabalho rural, podem desencadear ou agravar essas características. Este estudo apresenta como objetivo descrever e analisar as implicações da hanseníase nas atividades laborais de trabalhadores rurais acompanhados no Serviço de Dermatologia do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais. Trata-se de estudo qualitativo com o referencial teórico da Clínica da Hanseníase na perspectiva da Saúde do Trabalhador. Para a coleta de dados utilizou-se da entrevista semiestruturada e de dados secundários obtidos da ficha do Sistema de Informação de Agravos de Notificação e do prontuário médico. O tratamento dos dados coletados foi feito com base na análise de conteúdo a partir das categorias: trabalho rural, hanseníase, incapacidade e trabalho, previdência social, enfrentamento da nova realidade. Evidenciou-se no momento do diagnóstico que a busca por tratamento foi tardia, quando os sintomas da doença já estavam comprometendo as atividades laborais. A quase totalidade dos entrevistados relatou algum comprometimento nas suas atividades laborais causados por fraqueza muscular, mal estar, tontura, dormência nas mãos e/ou nos pés; assim como a associação do conceito de cura da doença com a capacidade de retorno ao trabalho. Os efeitos adversos das medicações no tratamento dos surtos reacionais, o estigma e os efeitos nocivos do ambiente foram apontados como os determinantes para a incapacidade laboral. Foi observada na percepção dos entrevistados uma insatisfação com o atendimento médico prestado e pelo resultado obtido na perícia médica. O desconhecimento da doença se mostrou ainda presente pela população, pelos profissionais da área da saúde e da previdência social. Estes achados indicam uma lacuna a ser preenchida na assistência integral à pessoa atingida pela hanseníase - as ações da saúde do trabalhador, a serem implementadas e fortalecidas em todos os níveis de atenção do SUS.

Ano

2019

Creators

Luciana Miranda Barbosa Mello

Percurso acadêmico de alunos de graduação da área de saúde da UFMG: análise das perícias médicas realizadas entre 2009 e 2015

A evasão no ensino superior brasileiro é um problema grave e ainda pouco explorado na literatura acadêmica, que demanda esforço efetivo no sentido de compreender e explicar suas possíveis causas e consequências para intervir nelas. O estudo descreve os laudos periciais e suas repercussões sobre o percurso acadêmico, de estudantes de graduação da área de saúde na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) que foram submetidos à perícia médica pelo Departamento de Atenção à Saúde do Trabalhador da UFMG no período de agosto de 2009 a junho de 2015. A finalidade foram trancamentos totais e concessão de regime especial. Entre os 4.090 atendimentos a alunos realizados pelo setor, 917 (22,4%) correspondem à perícia médica, sendo 31% em alunos da área da saúde. Em 91 dos casos foi concedido trancamento de matrícula ou regime especial, não se observando diferença de sexo. Entre os alunos dos cursos de Farmácia e Medicina, o principal motivo de trancamento de matrícula foram sofrimento e doença mental. Entre os alunos do curso de Educação Física que solicitaram regime especial, 93% o fizeram para recuperação de problemas osteomusculares. Houve 16,4% de cancelamentos de matrícula no período estudado. Verificou-se razão de prevalência de 4,95 (IC95%=4,4;5,5), indicando que alunos que trancaram o curso pelo menos uma vez tiveram probabilidade quase cinco vezes maior de evasão do curso do que aqueles que não o fizeram. Os resultados sugerem que o sofrimento e o adoecimento mental em alunos dos cursos de graduação na área de saúde devem ser mais bem-estudados e que sejam desenvolvidas políticas estratégias de promoção da saúde e qualidade de vida que acompanhem os processos de formação, garantindo suporte aos alunos e evitando perdas de ordem pessoal e institucional decorrentes do trancamento total e da evasão escolar. Os fluxos e procedimentos no âmbito do Departamento de Atenção à Saúde do Trabalhador - Subsistema Integrado de Atenção à Saúde do Servidor (DAST-SIASS) UFMG necessitam ser redefinidos e ampliado o diálogo com os Colegiados de curso.

Ano

2019

Creators

Maria do Rosario Santos

Projeto Para Ela, Por Elas, Por Eles, Por Nós: opiniões e atitudes de profissionais acerca da atenção à mulher em situação de violência, em 10 municípios brasileiros

O Projeto Atenção Integral à Saúde da Mulher em Situação de Violência: Para Elas, Por Elas, Por Eles, Por Nós, ou simplesmente Para Elas, como tem sido popularmente conhecido, é de âmbito nacional e está sendo executado pelo Núcleo de Promoção de Saúde e Paz do Departamento de Medicina Preventiva e Social da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), por meio do Mestrado Profissional em Promoção da Saúde e Prevenção da Violência, com apoio técnico e financeiro do Ministério da Saúde (MS). Esse grande projeto de abordagem da mulher em situação de violência tem como um de seus objetivos contribuir com as ações estratégicas da Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Mulher (PNAISM) e com o Pacto Nacional de Enfrentamento da Violência Contra a Mulher. Uma das metas do Projeto é a organização de serviços e equipes em municípios prioritários, sede de Territórios de Cidadania, distribuídos nas cinco macrorregiões brasileiras, que foram definidos, em 2011, pelo Fórum Nacional Permanente de Enfrentamento à violência Contra as Mulheres do Campo e da Floresta, representado pela Secretaria de Política para as Mulheres (SPM), pelo MS e por Movimentos Sociais de Mulheres, além de outros órgãos. Para cumprir tal meta o Projeto Para Elas realizou, além de outras atividades, oficinas locais em cada um dos Municípios, envolvendo os profissionais da rede de atenção às mulheres em situação de violência. Em virtude do meu envolvimento com o projeto, tive maior contato com temas relacionados às políticas públicas em saúde da mulher, as relações de gênero e violência contra a mulher. Desde 2013, participo de reuniões semanais, faço parte da Comissão Organizadora das Oficinas e atuo como colaboradora e pesquisadora das atividades de definição teórico-metodológica, análise de dados e pesquisa de campo. Como aluna do Mestrado Profissional em Promoção da Saúde e Prevenção da Violência, meu projeto de pesquisa surge vinculado ao Para Elas onde se buscou analisar a atuação dos profissionais envolvidos na atenção à mulher em situação de violência nos 10 municípios prioritários mencionados. A pesquisa foi realizada com todos os profissionais participantes das oficinas, por meio de entrevistas semiestruturadas, utilizando-se de questionários autoaplicáveis. Para a análise dos dados utilizaram-se estatísticas descritivas, análise bivariada e, por fim, análise de correspondência. Para a parte qualitativa, primeiramente foi feita a categorização das falas transcritas, a partir das quais foram geradas variáveis para as quais foi realizada distribuição de frequência e, de modo articulado, categorias para análise de conteúdo. Os resultados apontam que o número de profissionais que atendeu casos suspeitos é maior do que o número que atendeu casos confirmados de violência contra a mulher. No entanto, menos da metade dos profissionais que atendeu casos suspeitos adotou alguma atitude em relação a eles, havendo forte associação entre o atendimento desses casos e as atitudes de encaminhar e discutir o caso com a equipe. A adoção de alguma atitude por parte dos profissionais foi mais comum - embora também abaixo da metade para a maioria das ações - diante dos casos confirmados, havendo forte associação do seu atendimento com as atitudes de seguimento familiar, seguimento e agendamento de retorno da mulher, bem como a abordagem. A subnotificação ocorre tanto nos casos suspeitos quanto nos casos confirmados. As ações que devem ser desenvolvidas pelo setor saúde para a prevenção da violência contra a mulher, referidas com maior frequência pelos entrevistados, foram orientação/ informação, capacitação profissional e investimento em infraestrutura dos serviços, havendo pouca menção às ações que envolvem o trabalho com o agressor e com o público masculino, bem como as que visam o empoderamento das mulheres. A maioria dos entrevistados considera que é papel do setor saúde desenvolver ações de prevenção da violência contra a mulher, entretanto, apesar de todos eles estarem em posição de responsabilidade frente a atenção à mulher em situação de violência, houve uma elevada proporção de respostas deixadas em branco ou relatando falta de opinião formada sobre o assunto. Conclui-se que ainda falta muito para que a Atenção à Mulher em Situação de Violência seja devidamente ofertada pela Rede, pois os profissionais rotineiramente encaminham mais do que abordam ou identificam os casos, continuam notificando pouco, não se sentem capacitados e, às vezes, sequer se veem como responsáveis por essa atenção.

Ano

2019

Creators

Elizangela Goncalves de Souza

Influência da analgesia de parto no desfecho obstétrico: estudo em uma maternidade pública brasileira

Justificativa e objetivos: a dor do parto caracteriza-se por ser aguda, noceptiva e relatada como acentuada por mais de metade das parturientes. A analgesia regional de parto é, entre as opções, a mais eficaz, porém também pode estar associada a efeitos indesejados. Desde a década de 80, pesquisadores dedicaram-se a estudar a relação entre a analgesia regional de parto e o desfecho obstétrico, especialmente, analisando sua influência na taxa de parto operatório, seja instrumental vaginal ou cirúrgico abdominal. As revisões maisrecentes concentram-se nas variáveis técnicas da intervenção. O objetivo deste estudo foi avaliar a influência da redução das doses de anestésico local no desfecho obstétrico. Método: estudo tipo coorte prospectivo de 181 parturientes, ASA 2, independentemente da paridade e idade gestacional. Os grupos, analgesia regional e controle, eram acompanhados durante todo o parto com seguimento até o sétimo dia do nascimento. A técnica regional, analgesi peridural ou combinada, foi previamente definida. A opção técnica ocorreu de forma aleatória conforme presença do anestesiologista interventor. No grupocontrole,foram utilizados somente métodos não farmacológicos para alívio da dor. O subgrupo analgesia combinada foi analisado a fim de se definir seus atributos, especialmente curva de resposta e incidência de bradicardia fetal para a dose utilizada. Resultados: os grupos (91 analgesias regionais e 90 controles) foram homogêneos na análise das variáveis antropométricas, pré-natais e de admissão. A incidência de parto operatório foi semelhante no grupo que recebeu analgesiaregional (parto operatório: 20%; fórceps: 7,8%; cesariana: 12,2%) quando comparada ao controle (parto operatório: 29,7%; fórceps: 16,5%; cesariana: 14,3%) (p=0,132; p=0,073 e p=0,682, respectivamente). Na análise multivariada do desfecho operatório, os fatores de risco identificados foram: a fase ativa prolongada (OR 4,55), estado fetal não tranquilizador (OR 10,879) e distocia de rotação (OR 15,87). Bupivacaína 1,5 mcg associada a fentanil 10 mcg intratecais promoveu redução de cerca de 70% nos escores de dor das parturientes que estão em trabalho de parto avançado e não interferiu na capacidade dedeambulação. A incidência de bradicardia fetal foi de 6,7% após 30 minutos, sendo transitória em todos os casos. Conclusão: analgesia regional de parto em baixas doses é capaz de promover alívio satisfatório da dor sem influenciar significativamente a taxa de parto operatório. Parto e, consequentemente, dor prolongados são fatores de risco para necessidade de analgesia regional e desfecho obstétrico negativo. Considerando a população estudada, concluiu-se ser desnecessário iniciar a analgesia combinada com doses superiores a 1,5 mg na vigência de opioide lipossolúvel.

Ano

2019

Creators

Bruno Carvalho Cunha de Leao