Repositório RCAAP

Condições de trabalho, emprego precário e saúde dos motoristas e cobradores do Transporte Coletivo Urbano em Minas Gerais

Evidências indicam que a exposição diferenciada às condições de trabalho explica, em parte, as iniquidades em saúde na população. Tanto a natureza e as condições laborais específicas quanto as modalidades de emprego influenciam a saúde por meio daexposição desigual aos riscos ocupacionais físicos e psicossociais. No setor de transporte coletivo por ônibus, a rotina de motoristas e cobradores é marcada pela exposição a condições de trabalho inadequadas. Essas se referem aos processos operacionais, aos modelos organizacionais e às relações de emprego, que têm sidoassociadas a hábitos de vida prejudiciais à saúde e à prevalência de morbidades entre os trabalhadores do setor. O objetivo da presente tese foi investigar as relações entre as condições de trabalho e emprego e a situação de saúde dos motoristas e dos cobradores do transporte coletivo urbano da Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH).Foram tratados os temas morbidade musculoesquelética e condições precárias de emprego. Trata-se de um estudo transversal, descritivo e analítico. Consideraram-se como elegíveis motoristas e cobradores de ônibus da RMBH, um universo de 17.470 trabalhadores à época da coleta de dados nas cidades de Belo Horizonte, Contagem e Betim. Para o cálculo amostral, foi considerada a prevalência de 50%, erro amostral de 4% e intervalo de confiança de 95%. Com base nesses critérios, obteve-se a estimativa de uma amostra de 1.126 trabalhadores. Na efetivação do inquérito, foram investigados 1.607 trabalhadores, uma amostra real 43% maior que a estimada. Um estudo piloto foi realizado (n=30) para testar a adequabilidade dos procedimentos e do instrumento. A confiabilidade das respostas foi aferida por meio da reaplicação de perguntas aos participantes. Para o desfecho dor musculoesquelética, foi considerada a resposta afirmativa à pergunta direta sobre dor no pescoço, nos ombros, nos braços e nas mãos, bem como a frequência da dor. Quanto à precariedade do emprego, adotou-se o referencial multidimensional desse construto para embasar os procedimentos metodológicos. Nove variáveis (proxys) foram elaboradas a fim de construir um escore de precariedade (de 0 a 9). O escore foi agrupado em quartis, do primeiro (menos precário) ao quarto (mais precário). Foram analisadas prevalências de autoavaliaçãonegativa de saúde, diagnóstico médico de depressão e de distúrbio do sono, transtornos mentais comuns, dor musculoesquelética e absenteísmo doença. A regressão de Poisson foi utilizada em modelos ajustados em ambas as análises (distúrbio musculoesqueléticoe precariedade do trabalho) para investigação das associações. No grupo estudado, encontrou-se maioria de homens, com idade inferior a 40 anos e com nível médio de escolaridade. Verificou-se a associação dos fatores ocupacionais com a dor cervical, relacionada ou não à dor nos outros segmentos. A prevalência encontrada foi de 16,3%para dor no pescoço. Para ombros, braços e mãos, as prevalências foram de 15,4%, 13,3% e 6,3%, respectivamente. Os fatores associados à dor musculoesquelética foram sexo feminino, incapacidade autorreferida, percepção de ameaça, vibração, ruído elevado ou insuportável e adoção de postura desconfortável. Foram evidenciadassituações sugestivas de emprego precário associadas a pior situação de saúde entre os amostrados. As prevalências dos eventos de saúde investigados, com exceção da autoavaliação negativa de saúde, foram significativamente maiores no quarto quartil de precariedade comparado ao primeiro quartil. Os resultados indicaram pistas para a elaboração de programas de promoção à saúde desses trabalhadores como meio para fortalecer os motoristas e os cobradores e melhorar a qualidade dos serviços de transporte prestados na RMBH. Futuras pesquisas são desejáveis para aprofundar aspectos metodológicos com vistas a recolher evidências para as mudanças referentes aos efeitos das características do trabalho e do emprego sobre a saúde dos indivíduos.

Ano

2019

Creators

Mariana Roberta Lopes Simoes

Desigualdades nos determinantes do envelhecimento ativo (Belo Horizonte, 2003-2010) e nos determinantes sociais da saúde (Belo Horizonte e New York, 2010), entre adultos mais velhos

Objetivos: Estre trabalho avalia as tendências em sete anos (2003-2010) das desigualdades sociais entre adultos mais velhos residentes em Belo Horizonte (BH), considerando-se indicadores do envelhecimento ativo e da condição de saúde. Também investiga as desigualdades sociais nos determinantes intermediários da saúde e indicadores da condição de saúde, comparando-se adultos mais velhos residentes em Belo Horizonte e New York, United States, no ano de 2010. Métodos: As fontes de dados utilizadas neste trabalho foram o 1º e o 2º Inquéritos de Saúde da Região Metropolitana de BH, conduzidos respectivamente em 2003 e 2010, e o Community Health Survey, conduzido em New York em 2010. A desigualdade social foi avaliada a partir dos índices absoluto e relativo de desigualdade (respectivamente, Slope Index of Inequality and Relative Index of Inequality), utilizando a escolaridade como definidora da posição socioeconômica. Resultados: Entre 2003 e 2010, Belo Horizonte apresentou melhora significativa na prevalência de 7 indicadores do envelhecimento ativo e condição de saúde, entre os 12 avaliados. Entretanto, as desigualdades sociais persistiram para 10 desses indicadores, exceto medo de cair por defeitos nos passeios/dificuldades para atravessar a rua e medo de assalto. Em comparação à New York, BH apresentou melhor performance global nos indicadores de cuidado preventivo e condição de saúde. New York, por sua vez, apresentou melhor desempenho nos indicadores de circunstâncias materiais e fatores comportamentais. As cidades também apresentaram padrões distintos de desigualdade absoluta e relativa e, via de regra, foi a cidade com melhor desempenho global dos indicadores que apresentou maior desigualdade social. Conclusão: Com poucas exceções, as desigualdades absolutas e relativas se concentraram entre aqueles com escolaridade mais baixa. É possível que a implementação de políticas públicas tenha melhorado o desempenho global dos indicadores analisados. Entretanto, a persistência das desigualdades sociais em saúde evidencia que a distribuição de recursos entre os grupos com diferentes níveis de escolaridade permanece desigual.

Ano

2019

Creators

Luciana de Souza Braga

Artroscopia da articulação metatarsofalângica dos dedos menores: anatomia descritiva e dissecção comparativa

Introdução: Os avanços tecnológicos das últimas décadas tornaram possível o acesso a instrumentos cirúrgicos mais delicados e eficientes, resultando em significante impulso à artroscopia das pequenas articulações das mãos e dos pés. Embora haja crescente interesse acerca desses procedimentos, até o presente momento não há publicações descrevendo a técnica cirúrgica, tampouco os detalhes da anatomia artroscópica regional Objetivo: Avaliar a precisão da artroscopia metatarsofalângica dos dedos menores para identificar as mais importantes estruturas anatômicas normais dessas articulações. Métodos: Realizou-se exame artroscópico de 18 articulações metatarsofalângicas de seis pés congelados frescos normais. A segunda, terceira e quarta articulações metatarsofalângicas foram estudadas devido à alta incidência de doenças encontradas nessas articulações. Durante a artroscopia, cada estrutura anatômica identificada foi nomeada e marcada com diferentes suturas coloridas usando agulhas de sutura retas. Após o procedimento artroscópico de identificação e marcação, cada articulação metatarsofalângica foi dissecada e todas as estruturas anatômicas foram claramente identificadas. Com esses dados, foi estabelecida a correlação entre a visualização artroscópica e a visualização direta de uma articulação metatarsofalângica normal. Resultados: Considerando as regiões articulares, verificou-se precisão de 91% para a goteira medial, de 98% para a goteira lateral, enquanto a precisão da região central atingiu 100%. A acurácia global para as articulações metatarsofalângicas dos dedos menores foi de 96%. Conclusão: A artroscopia das articulações metatarsofalângicas dos raios centrais (II, III e IV) apresenta alta precisão (96,3%) na identificação de estruturas anatômicas normais. Relevância clínica: A alta concordância entre a dissecção anatômica e a artroscopia metatarsofalângica nos permitem considerar esse recurso como uma valiosa ferramenta no diagnóstico e tratamento dessas articulações, ampliando o espectro de indicações com esse método.

Ano

2019

Creators

Daniel Soares Baumfeld

O modelo de inflamação crônica associada ao Trypanossoma cruzi no intestino de camundongos como plataforma experimental para compreender mecanismos de plasticidade do sistema nervoso entérico e musculatura lisa intestinal

Nosso grupo de pesquisa desenvolveu um modelo murino inédito de infecção de longo prazo com Trypanosoma cruzi com o intuito de elucidar a patogênese do megacólon e as alterações intestinais neuromusculares e adaptativas associadas. Nosso objetivo foi reproduzir a fase crônica da Doença de Chagas. Uma vez que o tratamento adequado e precoce pode evitar a mortalidade de 100% dos animais durante a fase aguda nós hipotetizamos que um tratamento parcial, aplicado imediatamente após o início do parasitismo tecidual, que se sabe ocorrer em paralelo com o pico de parasitemia, permitiria manter vivos os animais infectados e em vigência de parasitismo na parede muscular intestinal e, dessa forma, desenvolver a fase crônica da infecção. Um grupo de camundongos Swiss foi infectado com a cepa Y de T. cruzi. No 11º dia pós infecção, um sub-grupo foi eutanasiado (grupo de fase aguda) e outro sub-grupo foi tratado com benzonidazol e eutanasiado após 15 meses de infecção (grupo de fase crônica). Amostras de toda a extensão do cólon foram utilizadas para estudo da histopatologia do músculo liso intestinal e da plasticidade dos neurônios entéricos. Na fase aguda, todos os animais apresentaram lesões inflamatórias associadas com parasitismo intenso e difuso nas camadas submucosa e muscular própria, as quais se encontraram espessadas (espessura total do cólon) quando comparadas a seus controles. A ocorrência de alterações inflamatórias degenerativas intensas e aumento das fibras reticulares resultaram em edema e necrose induzida r idas células musculares. Na fase crônica, o parasitismo foi insignificante, entretanto, a arquitetura dos plexos de Aüerbach estava afetada nas áreas inflamadas, e uma diminuição significativa do número de neurônios e na densidade de fibras nervosas intramusculares foi detectada de forma segmentar ao longo da extensão do colón que foi total e sistematicamente examinado. Observamos ainda aumento da espessura da parede muscular do cólon, hipertrofia difusa das células musculares e aumento no depósito de colágeno. Nosso modelo de longo prazo (15 meses) poderá ser utilizado no estudo da patogênese do megacólon chagásico em camundongos, uma vez que mimetiza a doença humana, a qual opera a partir da infecção por muitos anos, modificando drasticamente a estrutura e a função visceral, e ainda não foi totalmente elucidada. Neste modelo, as alterações estruturais induzidas em longo prazo nas células musculares lisas e no sistema nervoso entérico (gânglios intramurais e fibras nervosas intramusculares) sugerem o mecanismo básico de formação do megacólon chagásico.

Ano

2019

Creators

Camila Franca Campos

Avaliação de crianças com indicadores de risco para deficiência auditiva e adesão em um serviço de referência em triagem auditiva neonatal

Introdução: a audição é extremamente importante para o desenvolvimento global da criança, e para detectar alterações auditivas oportunamente utiliza-se a Triagem Auditiva Neonatal. Quando a criança falha o reteste é realizado para se confirmar o resultado e aos seis meses o acompanhamento é realizado para monitorar o desenvolvimento auditivo de crianças com Indicadores de Risco para Deficiência Auditiva (IRDA).Objetivos: avaliar a audição de crianças com indicadores de risco para deficiência auditiva; verificar a ocorrência e os tipos de perda auditiva; verificar a correlação da perda auditiva com os indicadores de risco em crianças acompanhados por um Serviço de Referência de Triagem Auditiva Neonatal (SRTAN); verificar a taxa de adesão ao acompanhamento e suas causas. Metodologia: Trata-se de estudo longitudinal em que as crianças com indicadores de risco para deficiência auditiva (IRDA) nascidas no Hospital das Clinicas da Universidade Federal de Minas Gerais realizaram a triagem auditiva neonatal. Quando obtinham resultado falha eram encaminhadas para o reteste um mês após a primeira avaliação e quando obtinham resultado passa era encaminhada para o acompanhamento seis meses após a primeira avaliação. Na primeira etapa as crianças foram submetidas a Emissões otoacústicas transientes (EOAT), Potencial Evocado Auditivo de Tronco Encefálico Automático (PEATE A) e Reflexo Cocleopalpebral (RCP). No acompanhamento além dos procedimentos citados acima, quando necessário, foram realizadas Emissões Otoacústicas por Produto de Distorção (EOAPD) e Imitanciometria. Os responsáveis sobre as crianças que não compareceram à avaliação responderam a um questionário para se identificar os motivos da evasão. A Análise estatística foi realizada por meio do teste Qui-quadrado ou teste Exato de Fisher para avaliar a correlação das variáveis categóricas e do teste T ou Mann-Whitney para avaliar a correlação das variáveis contínuas. Resultados: Os resultados foram apresentados em forma de artigo. No período do estudo, 179 crianças realizaram a triagem e 47 crianças falharam; houve associação entre o resultado falha e o IRDA síndrome e citomegalovirose. Das 47 crianças encaminhadas para o reteste, 22 compareceram, 20 passaram, somente duas apresentaram alterações de orelha média e 25 não compareceram; houve associação do resultado falha e o IRDA baixo peso nessa etapa. Das 179 crianças avaliadas, 154 foram encaminhadas para o acompanhamento, dez apresentaram alteração de orelha média, duas não obtiveram resultado conclusivo, 69 apresentaram resultado passa e 77 não compareceram. A evasão de crianças com menor número de IRDA (1-4) foi maior quando comparado com crianças com mais IRDA (5-8). Conclusão: As crianças avaliadas apresentaram apenas alterações auditivas condutivas e avaliação que possibilite verificar tais alterações poderiam fazer parte do protocolo de triagem. Nenhuma criança foi diagnosticada com perda auditiva neurossensorial aos seis meses, o que salienta a importância do monitoramento auditivo em crianças com idades maiores na tentativa de diagnosticar oportunamente perdas auditivas progressivas ou de origem tardia nesta população. O alto índice de evasão é o maior obstáculo para a efetividade do serviço de Triagem Auditiva Neonatal e estratégias de promoção de saúde com o objetivo de diminuir este índice devem ser realizadas.

Ano

2019

Creators

Ana Luiza de Freitas Rezende

Recorte de gênero, problemas de voz e faltas dos professores ao trabalho nas Escolas da Educação Básica no Brasil

Introdução: Dentre as morbidades associadas à atividade docente estão os problemas de voz que provocam limitações no desempenho do trabalho e afastam o professor das salas de aula. A literatura registra a relevância desses problemas para a categoria e diferenças na prevalência entre homens e mulheres. Objetivos: verificar a produção científica nos últimos dez anos sobre a frequência e os fatores associados às faltas ao trabalho por problemas de voz e descrever diferenças, quanto a questões de gênero, entre professores da Educação Básica no Brasil que se afastaram do trabalho por esse motivo. Métodos: Revisão bibliográfica de artigos no período de 2005 a 2015 e estudo transversal com amostra estratificada e selecionada por escolha aleatória simples de professores da Educação Básica do Brasil. A coleta de dados ocorreu em entrevistas telefônicas no período de outubro de 2015 a março de 2016. Foi realizada análise descritiva e inferencial para verificar a ausência dos professores por problema de voz, segundo o gênero, e verificar a associação com as características sociodemográficas e relacionadas ao trabalho. Resultados: Na revisão da literatura foram encontrados 15 artigos de estudos transversais e quantitativos. A frequência de faltas ao trabalho por problemas de voz entre professores variou entre 3,5% a 63%. Os fatores associados a essas faltas foram: sexo feminino queixa vocal durante a formação profissional, relatos de violência, depressão ou ansiedade, problemas respiratórios, impacto negativo e gravidade dos distúrbios da voz na vida do professor. Os resultados da pesquisa de campo mostraram que entre os professores que faltaram ao trabalho por problemas de voz (n=1029) 328 eram homens (31,9 %) e 701 mulheres (68,1%). Entre mulheres e homens predominaram, respectivamente, aqueles com idade de até 44 anos (66,4% e 75,1%). A maioria dos professores que faltaram tinham companheiros e um ou mais filhos, não havendo diferença estatisticamente significante entre homens e mulheres. Em relação ao número de filhos menores de 10 anos de idade, a proporção de homens foi maior (39,7% vs 29,6% p=0,005), tendo eles, informado, contudo, realizar tarefas domésticas com menor frequência que as mulheres (40,9% vs 72,0% p<0,001). A proporção de homens com carga horária de trabalho superior a 40 horas semanais (35,2% vs 28,7% p=0,013) foi maior que a de mulheres. Mais professores do sexo masculino relataram trabalhar em mais de uma escola (63,6% vs 55,3% p=0,016) e exercer atividade em outro setor (19,3% contra 7,8% p<0,001), além de receberem mais de três salários mínimos na escola sorteada (41,3% vs 30,1% p=0,001). Os resultados mostraram associação entre as faltas ao trabalho por problema de voz de professoras e professores com as variáveis faixa etária, frequência de realização de tarefas domésticas, número de filhos menores de 10 anos, trabalhar em outra escola, total de horas semanais de trabalho em escolas, trabalhar em outro setor e remuneração. Conclusão: Há considerável aumento de publicações científicas sobre o tema, mas ainda existem lacunas sobre a prevalência de faltas ao trabalho por problemas de voz e fatores associados. As ausências por esses problemas acometem principalmente as professoras. Houve diferença estatisticamente significativa entre professores quanto aos aspectos sociodemográficos, de trabalho e emprego. Professores homens que se afastaram de suas atividades docentes por causa da voz apresentaram características da vida pessoal e de trabalho distintas das professoras. As configurações das identidades masculina e feminina influenciam na divisão do trabalho entre professores e professoras e indicam a contribuição das questões de gênero no adoecimento e na decisão de faltar ao trabalho por problema de voz.

Ano

2019

Creators

Luciana Daniella Lages

A interferência do uso de amplificador de voz na dose vocal de professoras com disfonia

Objetivos: Realizar revisão integrativa da literatura sobre os tipos de dose vocal e a aplicabilidade de cada uma dessas medidas e testar se o uso de amplificação vocal interfere nosparâmetros da dose de uso da voz de professoras com disfonia, no ambiente profissional.Método: A revisão integrativa foi norteada pela seguinte pergunta: Quais os tipos de dose vocale qual o comportamento destas medidas em diferentes situações comunicativas?. Para seleção dos artigos, houve levantamento na literatura nacional e internacional, publicada em todos os idiomas, utilizando-se as bases de dados MEDLINE, LILACS, IBECS e ISI(Web of Science). Foram incluídos artigos publicados nos últimos vinte e um anos (1995 a 2016) e que estivessem disponíveis na íntegra.Para avaliar a interferência do uso do amplificador vocal na dose vocal de professoras com disfonia, 15 professoras do ensino infantil e fundamental da rede pública de Belo Horizonte, com média de idade de 38,6 anos, foram avaliadas. As docentes utilizaram o dosímetro vocal durante atividade de aula expositiva, em dois momentos diferentes, um sem e um com o uso do amplificador de voz, com a mesma turma e na mesma sala de aula. A média do tempo de gravação foi de 96 minutos. Os dados fonatórios foram armazenados na unidade portátil do dosímetro vocal e analisados através do software do equipamento (VoxLog).Foram analisados aintensidade(dBNPS), a frequência fundamental (FO), a porcentagem de vibração das pregas vocais no tempo de gravação(%), o tempo de fonação(em segundos) eas dosesvocais cíclica e de distância.Resultados: Na revisão integrativa, quinze estudos contemplaram os critérios propostos. A maioria dos artigos estudou professores, visto que pertencem ao grupo mais vulnerável para a ocorrência de disfonia.Os tipos de dose encontrados foram porcentagem de fonação, dose temporal, dose cíclica, dose de distância,dose de energia radiada e dose de energia dissipada.Na comparação da dose vocal de professoras disfônicas sem e com microfone, houve diferença estatisticamente significante nos parâmetros de intensidade, frequência fundamental, dose cíclica e de distância. Conclusão: O aumento da dose vocal está associado ao uso excessivo e prolongado da voz na atividade docente,ao maior nível de ruído ambiental, à grande variação prosódica na fala e à autopercepção de fadiga vocal. Fatores como repouso de voz e uso do amplificador vocal indicam a diminuição da dose da voz.A amplificação vocal, no entanto, nãoaltera a quantidade de fonação utilizada pelas professoras em atividade docente.

Ano

2019

Creators

Joana Perpétuo Assad

Ventilação não invasiva após extubação de recém-nascidos pré-termo

A ventilação não invasiva tem sido usada em recém-nascido pré-termo com Síndrome do Desconforto Respiratório na tentativa de auxiliar a falha de extubação. Neste estudo foi investigado o sucesso de extubacão em recém nascidos com idade gestacional menor ou igual34 semanas e peso de 500g a menor ou igual a 1500 gramas. Os recém-nascidos foram randomizados para modalidades de suporte não invasivo. Foram incluídos 101 recém-nascidos, NIPPV (n=36), NCPAP selo d`água (n=33) e NCPAP respirador (n=32). Da amostra avaliadaa taxa de sucesso foi de 81,8% (n=81) e de falha foi 19,2% (n=20), a hemorragia periintraventricular foi menor no grupo NCPAP selo d`água (n=3 (9,1%) p 0,03, das configurações do respirador antes da extubação, houve significância estatística para a frequência respiratória (p 0,04), porém sem significância clínica. Cerca de 70% da amostra queapresentou falha eram do sexo masculino. Quando a amostra dos recém-nascidos que falhara foi comparada com tempo de ventilação pulmonar mecânica e displasia broncopulmonar, foi observada diferença significativa. A falha de extubação teve relação com a displasiabroncopulmonar e tempo de ventilação mecânica.O estudo evidenciou uma alta taxa de sucesso da extubação e uma importância clínica sobre as modalidades estudadas.

Ano

2019

Creators

Simone Nascimento Santos Ribeiro

Crescimento facial vertical de crianças respiradoras orais: estudo comparativo e evolutivo da avaliação cefalométrica, do comportamento mandibular rotacional e da remodelação angular

Introdução: A associação entre a respiração oral e o crescimento dentofacial tem sido descrita na literatura pelo menos desde meados do século XIX, mas no início do século XXI ainda há uma série de questionamentos sobre esse tema. Apesar do padrão facial das crianças respiradoras orais (RO) ser reconhecidamente mais longo do que o de crianças respiradoras nasais (RN), pouco se sabe sobre a variabilidade da tipologia facial quando diferentes etiologias de obstrução respiratória estão envolvidas. Pouco também foi estudado sobre o comportamento rotacional e a remodelação que acontecem na mandíbula das crianças RO antes e após normalização do padrão respiratório. Assim, o objetivo geral da presente investigação foi avaliar o padrão cefalométrico, a rotação mandibular e a remodelação angular de crianças RO com obstrução grave das vias aéreas superiores por hipertrofia de tonsilas faríngea e/ou palatinas sendo os objetivos específicos: 1) comparar o padrão cefalométrico de crianças RO com diferentes etiologias obstrutivas entre si e 2) com crianças RN; 3) comparar padrão rotacional mandibular e de remodelação angular de crianças RO e crianças RN ao longo de um ano de observação; 4) avaliar se é possível prever a rotação mandibular e a remodelação angular baseando-se no tipo facial vertical de crianças RO e RN; 5) avaliar se as crianças RO submetidas ao tratamento cirúrgico para normalização do padrão respiratório apresentam padrão rotacional mandibular e de remodelação angular semelhante ao das crianças RN e, principalmente e de forma inédita, comparar seu comportamento rotacional mandibular com o de crianças RO não tratadas também ao longo de um ano de observação. Pacientes e Métodos: Foram selecionadas crianças RO com hipertrofia de tonsila faríngea 80% e/ou com hipertrofia de tonsilas palatinas graus 3 ou 4, subdivididas de duas formas: 1) crianças RO com diferentes causas de obstrução (grupo 1 crianças com hipertrofia de tonsila faríngea, grupo 2 crianças com hipertrofia de tonsilas palatinas e grupo 3 crianças com hipertrofia de tonsilas faríngea e palatinas) e 2) crianças RO tratadas (submetidas à adeno-/tonsilectomia) e crianças RO não tratadas. Foram selecionadas também crianças RN. Foram comparadas as médias das medidas cefalométricas angulares e de proporção de forma transversal e as medidas de rotação mandibular e remodelação angular de forma longitudinal. Resultados: Todas as medidas de interesse mostraram diferença estatisticamente significativa na comparação entre crianças RO e RN (grupo controle GC) exceto o ângulo SNB. As crianças RO com diferentes causas de obstrução também, separadamente, apresentaram diferença estatisticamente significativa quando comparadas com o grupo de RN (com SNB maior no grupo 1; ANB maior nos grupos 1, 2 e 3; AFP/AFAT menor nos grupos 1, 2 e 3; SNGnGO, NSGn, AFAI/AFAT maiores nos grupos 1 e 3 vs. GC). Comparando os grupos 1, 2 e 3 entre si, as diferenças foram: SNB e AFP/AFAT maiores no grupo 2 que no grupo 1 e NSGn menor no grupo 2 que no grupo 1. Quanto à avaliação longitudinal, não foi encontrada diferença estatisticamente significativa entre as crianças RO e RN na rotação real nem na rotação aparente, mas houve diferença significativa na remodelação angular no período de um ano. Já a comparação das crianças RO tratadas com as RO não tratadas e com as crianças RN não mostrou diferenças na 14 Resumo rotação aparente, rotação real e remodelação angular, apesar de estas duas últimas medidas terem valores maiores em crianças RO tratadas que em crianças RO não tratadas. Conclusões: Há evidente diferença entre as medidas cefalométricas angulares e de proporção das crianças RN e RO, independentemente da etiologia obstrutiva. Os ângulos SNB, NSGn e a proporção AFP/AFAT são diferentes dependendo do sítio de obstrução respiratória. Nas crianças RO devido à hipertrofia de tonsilas palatinas o posicionamento da mandíbula mostrou-se mais anterior e superior do que naquelas cuja respiração oral está associada à obstrução por tonsila faríngea. As crianças RO não mostram o mesmo padrão de remodelação angular quando comparadas com crianças RN, mas não se pode afirmar que as crianças RO apresentam diferentes padrões de rotação real e rotação aparente mandibular quando comparadas com crianças RN, e, surpreendentemente, as crianças RO e RN apresentam o mesmo padrão de rotação mandibular anti-horário. Não é possível prever a rotação mandibular e a remodelação angular de crianças RO e RN baseando-se no tipo facial vertical. Não se pode afirmar que crianças RO tratadas apresentam um padrão de rotação mandibular e de remodelação angular diferente do das crianças RN e especialmente do de crianças RO não tratadas.

Ano

2019

Creators

Leticia Paiva Franco

Evolução das lesões valvares mitral e aórtica de pacientes com cardite subclínica e leve segundo avaliação dopplerecocardiográfica

Fundamentos: As cardites reumáticas leve (CRL) e subclínica (CRS) se diferenciam basicamente pela ausculta de sopro regurgitativo mitral. A evolução destas formas não está bem estabelecida na literatura. Objetivo: avaliar a evolução da CRL e CRS, considerando as valvites mitral e/ou aórtica (fase aguda) e a regressão, manutenção ou piora destas ao final do seguimento (fase crônica). Métodos: estudo retrospectivo, longitudinal, incluindo pacientes com CRS e CRL.A evolução ecocardiográfica das valvites mitral e/ou aórtica foi comparada nos dois grupos, considerando a análise ao final do seguimento. Foram utilizados o teste do qui-­quadrado e curvas de sobrevida de Kaplan-­Meier, com nível de significância p < 0,05. Resultados: Foram incluídos 125 pacientes, sendo 69 (55,2%) com CRS e 56 (44,8%) com CRL, com média de idade na fase aguda de 10,4±2,6 anos e ao final do estudo 19,9±4,6 anos. O tempo de seguimento variou de dois a 23 anos (média: 9,38±4,3 anos). Na fase aguda, a regurgitação mitral (RM) leve/moderada ou moderada foi mais frequente nos pacientes com CRL (p=0,001). A regurgitação aórtica (RAo) leve ou leve/moderada também foi mais comum no grupo de CRL (p=0,045). Na fase crônica, observou-­se que tanto RM (p<0,0001) quanto a RAo (p=0,009) foram mais frequentes nos pacientes com CRL e a sobrevida livre de valvopatia residual foi maior no grupo de CRS (p= 0,010). A RM residual foi maior no grupo de CRL p<0,0001) e a RAo residual foi semelhante nos dois grupos (p=0,099). Conclusão: A resolução da RM foi maior nos pacientes com CRS e a involução da RAo foi menos frequente e semelhante nos dois grupos.

Ano

2019

Creators

Lelia Maria de Almeida Carvalho

Influência do consumo proteico, da prática de atividade física, do controle metabólico, do estágio de maturação sexual e do IMC no percentual de gordura corporal de adolescentes fenilcetonúricos

O sobrepeso e a obesidade vêm aumentando de forma significativa na sociedade, tendência também observada nos pacientes com fenilcetonúria (PKU). Sabe-se que a ingestão alimentar e o nível de atividade física são fatores que contribuem na determinação da composição corporal. Diante disso, e considerando a importância do consumo proteico para sucesso do tratamento e da ausência de investigação científica quanto ao nível de atividade física dos fenilcetonúricos, optou-se por avaliar a influência desses aspectos no percentual de gordura desses adolescentes. O presente estudo tem como objetivo avaliar o percentual de gordura corporal de fenilcetonúricos e relacioná-lo ao consumo de proteína, ao nível de atividade física, ao índice de massa corporal (IMC), ao estágio de maturação sexual e às concentrações sanguíneas de fenilalanina (phe). Trata-se de um estudo transversal, com amostra composta por 94 adolescentes, com idades entre 10 e 20 anos incompletos, com diagnóstico precoce e em tratamento no Serviço Especial de Genética do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais. Para avaliação do estado nutricional foram realizadas bioimpedância, medidas de peso, altura e cálculo do IMC. Foram aplicados questionários para quantificar a ingestão proteica (QFA e RA) e para estabelecer o nível de atividade fisica (PAQ-C). A maturação sexual foi avaliada com base nos critérios de Tanner. A média anual de phe foi usada como parâmetro de controle da doença. A análise estatística incluiu o teste de coeficiente de correlação de Spearman, testes T-Student e de Mann-Whitney, além de análise de regressão multivariada. Os resultados da análise multivarida mostraram que o sobrepeso, a obesidade, o sexo feminino e o percentual de consumo proteico da dieta explicam 94,1% do percentual de gordura corporal desses pacientes. O percentual de gordura e o IMC tiveram correlação forte em meninas (r = 0,649, p < 0,001) e moderada em meninos (r = 0,364, p < 0,007). A prevalência de excesso de peso no grupo foi de 19,1%. Verificou-se que 96,7% dos avaliados são sedentários. O sexo feminino pratica menos atividade física (p = 0,008). Não houve distinção entre os sexos para valores de IMC, consumo proteico e controle metabólico. Pouco mais da metade dos adolescentes apresentou boa adesão ao tratamento (53,2%) e não foi verificada correlação entre essa variável e o percentual de gordura corporal (p = 0,706). Também não foi verificada relação entre a média do consumo de proteína e o controle dos níveis sanguíneos de phe (r = -0,124, p = 0,234). Diante do exposto, pode-se concluir que, assim como para a população em geral, ser do sexo feminino e apresentar altos valores de IMC também são importantes fatores associados ao percentual de gordura em adolescentes fenilcetonúricos. Em contrapartida, os desafios da quantificação de consumo alimentar e os resultados pouco consistentes não permitem concluir que o consumo proteico também interfere no incremento da gordura corporal.

Ano

2019

Creators

Giovanna Caliman Camatta

Avaliação funcional de crianças com comprometimento visual secundário àtoxoplasmose congênita utilizando os instrumentos Avaliação da Visão Funcional (AVIF-2 a 6 anos) e Inventário de Avaliação Pediátrica de Incapacidade (PEDI - versão brasileira)

Introdução: A toxoplasmose congênita, prevalente no Brasil, pode comprometer a retina e as funções visuais levando à baixa acuidade visual. As crianças com esse comprometimento podem ser beneficiadas pelas intervenções multidisciplinares (Habilitação Visual), que visam minimizar atrasos no desenvolvimento neuropsicomotor. A avaliação funcional complementa as informações oftalmológicas e permite planejar a intervenção. Os testes disponíveis para mensurar o desempenho funcional desse público ainda necessitam de maiores estudos, com aplicação em população com diferentes faixas etárias e doenças visuais com etiologia única, que poderiam apresentar déficits específicos. Objetivos: O presente estudo se propõe a revisar a literatura sobre instrumentos disponíveis para avaliação da funcionalidade decrianças com baixa visão e aplicar dois desses instrumentos, Avaliação da Visão funcional (AVIF-2 a 6 anos) e Inventário de Avaliação Pediátrica de Incapacidade (PEDI) para avaliar respectivamente funcionalidade visual e global (tarefas de autocuidado), em uma coorte de crianças com toxoplasmose congênita em Minas Gerais. Método: A investigação foi realizada em duas etapas, sendo a primeira uma revisão de literatura sobre instrumentos para avaliação da funcionalidade visual em crianças com baixa visão. Para isso, foi realizada pesquisa bibliográfica nas bases de dados Web of Science, Biblioteca Virtual em Saúde, Cochrane,Scielo e Pubmed, nos idiomas português, inglês e espanhol. Na segunda etapa foi realizado estudo transversal em uma coorte de 96 crianças com toxoplasmose congênita participantes da pesquisa AVALIAÇÃO DA PERCEPÇÃO DA QUALIDADE DE VIDA E VALIDAÇÃO DE UM INSTRUMENTO DE QUALIDADE DE VIDA RELACIONADO AO COMPROMETIMENTO DA FUNÇÃO OCULAR EM CRIANÇAS COM TOXOPLASMOSE CONGÊNITA. Essas crianças foram elegíveis paraparticipar desse estudo por não apresentarem comprometimento neurológico, por terem sido avaliadas por equipe de especialistas do serviço de Baixa Visão Infantil, por terem aceitado participar da pesquisa respondendo aos dois instrumentos selecionados (AVIF- 2 a 6 anos ePEDI). Para elaboração do banco de dados e análise estatística utilizou-se o Excel e o StatisticalPackage for Social Sciences (SPSS) versão 20.0. O projeto foi aprovado pelo Comitê de ética em pesquisa da UFMG. Resultados: Os instrumentos de avaliação da funcionalidade apontados na revisão bibliográfica estavam direcionados, em sua maioria, à avaliação da funcionalidade global e qualidade de vida, predominando o formato questionário. Poucos instrumentos voltados a pré-escolares. Em relação à funcionalidade visual, destacou se o teste AVIF-2 a 6 anos, em formato observacional. Dois estudos utilizaram a entrevista PEDI para avaliar funcionalidade global em crianças com baixa visão e obtiveram resultados significativos nos domínios mobilidade e autocuidado. Procedeu-se ao estudo transversal da coorte de 96 crianças com toxoplasmose congênita. A maioria das crianças apresentava cinco anos de idade (85,4%), lesão de retinocoroidite macular bilateral (58,0%) e visão normal (42,7%). Apenas 16 crianças foram classificadas com perda visual moderada/grave, de acordo com o Conselho Internacional de Oftalmologia ICO (2002). Houve diferença significativa quando realizada análise de comparação múltipla no desempenho das crianças apenas para o teste AVIF-2 a 6 anos em relação aos grupos (visão normal, perda visual leve e perda visual moderada/grave), com pior desempenho das crianças com perda visual moderada/grave (p<0,0001). O domínio do teste com maior prejuízo no resultado pela Análise de Variância foi o seguimento visual (p=0,022). Os resultados da PEDI não foram influenciados pela perda visual (grupos) e houve correlação positiva fraca (Correlação de Spearman) entre os escores dos dois instrumentos. Os resultados dos testes AVIF-2 a 6 anos e PEDI não foram influenciados pela presença da lesão de retinocoroidite ou sua localização macular e, quando analisado se idade era fator de confundimento, não houve diferença significativa. Apenas o instrumento AVIF-2 a 6 anos foi influenciado pela variável acuidade visual (p= 0,006). Conclusão: Crianças com perda visual moderada/grave secundária à toxoplasmose congênita apresentaram pior resultado no uso da visão funcional de acordo com o teste AVIF-2 a 6 anos, especialmente no domínio seguimento visual. Essa informação juntamente com os achados morfológicos possibilita melhor planejamento do processo de habilitação visual. Os resultados da entrevista PEDI não apresentaram diferenças significativas (escore contínuo e itens da parte 1-Autocuidado)em relação aos grupos por classificação da perda visual. São necessárias novas pesquisas a fim de verificar a adequação da entrevista, para avaliação funcional global das crianças com comprometimento visual.

Ano

2019

Creators

Aline de Oliveira Brandao

Angioedema hereditário: perfil clínico dos pacientes em acompanhamento no Ambulatório de Imunodeficiências Primárias do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais

INTRODUÇÃO: Angioedema Hereditário (AEH) devido à deficiência do inibidor de C1 (C1 INH) é uma doença caracterizada por edemas recorrentes de pele e mucosa, dores abdominais e comprometimento de vias aéreas. Ainda é uma doença pouco conhecida pelos médicos e muitas vezes não diagnosticada. MÉTODOS: Este estudo analisa as características clínicas de pacientes portadores de AEH emacompanhamento no ambulatório de Imunodeficiências Primárias do Hospital das Clínicas Universidade Federal de Minas Gerais.RESULTADOS: Um total de 31 pacientes com angioedema hereditário foram estudados, 18 homens e 13 mulheres, com idade entre 10 e 62. Eles pertencem a oito famílias e, na maioria dos pacientes, os sintomas iniciaram na segunda década de vida. O tempo médio entre o início dossintomas e o diagnóstico foi de 13 anos (variação: um mês - 40 anos). Na grande maioria dos pacientes, os ataques foram precipitados por trauma, pressão e/ou estresse emocional. Edema na pele foi relatado por 15 pacientes e as dores abdominais foram relatados por 12 pacientes como manifestação clínica inicial da doença. Sintomas respiratórios foram reportados por quatro pacientes, dois deles com edema de laringe. Todos os pacientes apresentaram níveis baixos deC4 e apresentavam deficiência quantitativa do inibidor de C1. O tratamento profilático com androgênios atenuados foi administrado em 28 pacientes e foi efetivo em 24, com metade deles referindo algum efeito adverso. CONCLUSÃO: As características descritas são similares àquelas reportadas na literatura e o tratamento profilático com androgênios atenuados tem sido efetivo no controle dos sintomas. Odiagnóstico é ainda tardio para a maioria dos pacientes.

Ano

2019

Creators

Gustavo Viana Fusaro

Avaliação de aspectos funcionais e de qualidade de vida em duas formas distintas de acometimento da doença de Chagas: sem cardiopatia aparente e cardiopatia chagásica crônica

A doença de Chagas (DC) é uma doença infecciosa causada peloprotozoário Trypanosoma cruzi, impondo limitações físicas, funcionais elaborais nas suas diferentes formas de acometimento. O objetivo do estudo foi avaliar aspectos funcionais e de qualidade de vida em dois grupos de indivíduos com sorologia positiva para doença de Chagas: 1) sem cardiopatia aparente; 2) cardiopatia chagásica crônica. O presente estudo apresentou relevantes achados baseado nos modernos conceitos de função, disfunção, limitação à atividade e restrição à participação, propostos pela CIF. No que tange a capacidade funcional, avaliada pelo TC6, não foram observadas diferenças estatisticamente significativas entre os dois grupos. Por outro lado, os pacientes do grupo sem cardiopatia aparente alcançaram maiores escores de desempenho funcional e qualidade de vida, indicando menor limitação funcional e melhores níveis de atividade no dia-a-dia por esse grupo de pacientes. Finalmente observou-se que os fatores relacionados ao desempenho funcional e qualidade de vida são distintos nos dois grupos avaliados.

Ano

2019

Creators

Stela Alves da Silva

Estudo fenotípico das subpopulações de linfócitosT e monócitos, estimulados ou não com antígeno solúvel de Leishmania, empacientes com Leishmaniose Visceral pré e pós-tratamento específico

A leishmaniose é uma doença parasitária que afeta 12 milhões de pessoas em todo o mundo. O espectro clínico da leishmaniose visceral (LV) varia desde as formas assintomáticas até as graves, e o controle da infecção é influenciado pela relação parasita-hospedeiro. A LV ativa apresenta complexa resposta imune, com corregulação de citocinas pró e anti-inflamatórias e aumento sérico de IFN- e IL-10. Este trabalho avaliou, por intermédio da citometria de fluxo, linfócitos T emonócitos do sangue periférico, estimulados ou não com antígeno solúvel de Leishmania (SLA), de oito pacientes, antes e após o tratamento da LV. Objetivando entender melhor o papel que podem ter as subpopulações celulares, avaliou-se a expressão de moléculas de experiência/memória, de coestimulação e de citotoxicidade e a produção de citocinas pró e anti-inflamatórias. Os resultados demonstraram que: (i) os pacientes com LV, antes do tratamento específico, aumentaram a frequência de linfócitos T CD4+ produzindo IFN- após estimulaçãocom SLA; (ii) a subpopulação de linfócitos T CD4+ apresentou diminuição da produção de citocinas pró-inflamatórias IFN- e IL-17 após o tratamento específico; (iii) o SLA induziu aumento da frequência de linfócitos T CD8+ expressando CD45RO e diminuição da frequência de linfócitos T CD8+ produtores de IFN- nos pacientes após tratamento da LV; (iv) observou-se redução na frequência de linfócitos T CD8+ expressando CD45RO, Granzima A, IFN- e TNF- quando comparados pré e pós-tratamento específico da LV; (v) observou-secorrelação positiva entre monócitos CD14+ produtores de TNF- e produtores de IL-10. Estes resultados não esclarecem todo mecanismo imune na LV, porém a caracterização inicial e a determinação das diferentes funções das subpopulações linfocitárias e de monócitos no sangue periférico podem ser importantes para novas pesquisas, terapêuticas e vacinas.

Ano

2019

Creators

Ricardo Luiz Fontes Moreira

Efeitos da otimização terapêutica da insuficiência cardíaca em chagásicos com miocardiopatia dilatada

Trata-se de estudo prospectivo para o qual se selecionou um grupo de 42 pacientes com miocardiopatia chagásica dilatada. A seleção foi feita de forma consecutiva dentre pacientes atendidos no Ambulatório de Referência em Doença de Chagas do Hospital das Clínicas da UFMG. Ao grupo selecionado aplicou-se protocolo de otimização das dosagens de maleato de enalapril (20 mg BID) e espironolactona (25mg MID), conforme orientado pelos grandes ensaios clínicos terapêuticos em insuficiência cardíaca secundária a miocardiopatias dilatadas de etiologia não-chagásica. A utilização de outros medicamentos, como furosemida, hidroclorotiazida, digoxina e amiodarona foram guiadosconforme a necessidade clínica, respeitando-se suas indicações e contra-indicações básicas. Avaliou-se o comportamento desses pacientes, sob os aspectos clínicos, de qualidade de vida, radiológico e ecocardiográfico antes e após tratamento otimizado com dosesmaximizadas e adequadas. Todos os pacientes foram submetidos à avaliação laboratorial da função hepática, renal, hematológica e iônica antes e após a otimização do tratamento. Também foram realizadas avaliações radiológicas e ecocardiográficas no início e terminode cada etapa do estudo. Utilizou-se como básico de seleção a presença de diâmetro diastólico do ventrículo esquerdo (VED) maior que 55 mm, ou 2,7 cm / m2 ou fração de ejeção (FE) menor que 55% (Simpson modificado). Foram excluídos pacientes com quaisquer co-morbidades que servissem de confusão na análise dos dados. Observou-se, por período médio de 119 dias, que a otimização terapêutica foi segura e eficaz, sendo esta caracterizada por melhora importante no exame clínico (escala de ICC p = 0,0004), naqualidade de vida, nos parâmetros radiológicos (redução no índice cardiotorácico - p = 0,002) e ecocardiográficos (melhora do índice de TEI p = 0,013) . Na análise das diferenças da FE (p = 0,249) e do VED (p = 0,335) entre as duas etapas não se observou significância estatística. No entanto, quando os pacientes foram estratificados de acordocom o grau de disfunção sistólica (FE 45%) observou-se aumento significativo (p = 0,017) entre as duas etapas, antes e após o tratamento otimizado. Concluiu-se que o esquema terapêutico com doses otimizadas de maleato de enalapril e espironolactona foi seguro e eficaz em pacientes com miocardiopatia dilatada chagásica e insuficiênciacardíaca.

Ano

2019

Creators

Fernando Antonio Botoni

Estudo comparativo da técnica de Harrington com a de Roy-Camille no tratamento da fratura da coluna do tipo explosão em T12 L1 L2,

Realizou-se um estudo retrospectivo e comparativo dos resultados obtidos em 63 pacientes, que sofreram fratura da coluna do tipo explosão, em T12,L1 e L2, atendidos no período de 1990 a 1998, na Santa Casa de Belo Horizonte, dos quais 34 foram tratados pela técnica de Harrington no início da década de 90 e 29 receberam a fixação de Roy-Camille no restante do período referido. Em 47 casos houve indicação de descompressão neurológica, sendo que 21 submeteram-se à hemicorporectomia vertebral e 26 à laminectomia para acesso à descompressão póstero-lateral. Os 15 restantes submeteram-se apenas a redução, fixação e artrodese. Foram avaliados os resultados dos dados do pré-operatório, após a redução e na última avaliação, referentes à cifose, escoliose, estenose do canal, perda de altura do corpo vertebral, perda de espaço discal, ângulo de acunhamento vertebral, índice motor, escala de Frankel, retorno ao trabalho, parecer do médico assistente, opinião do paciente e analizou-se também as complicações. Os estudos bioestatísticos, entre as duas técnicas aplicadas nas fraturas, mostraram que as opções são satisfatórias, os resultados obtidos nas correções e manutenções foram muito positivos, sem predominância significante de uma instrumentação sobre a outra.

Ano

2019

Creators

Enguer Beraldo Garcia

Estudo da relação das espécies reativas de oxigênio, glutamato e medicação antioxidante com situações de dor crônica, dor aguda ou ausência de dor em seres humanos

Introdução: Estudos recentes convergem para a participação das espécies reativas de oxigênio (EROs) e do glutamato (GLU) na modulação da dor. O presente estudo tem como objetivo avaliar os níveis de EROs em células mononucleares do sangue e líquor nas situações de dor crônica, aguda ou ausência de dor. Desejou-se ainda estudar variações dos níveis liquóricos de GLU nas três situações. Por fim, estudou-se a resposta clínica à medicação antioxidante na dor crônica e sua influência na produção de EROs por células mononucleares do sangue. As hipóteses a serem testadas são de que existe um aumento das espécies reativas de oxigênio em pacientes com dor crônica, aumento do glutamato liquórico em pacientes comdor aguda e resposta analgésica em pacientes tratados com medicação antioxidante. Métodos: Quarenta pacientes com doença articular e candidatos ao tratamento cirurgico foram alocados em três grupos: dor crônica (n=15), dor aguda (n=12) e ausência de dor (n=13). A dor foi avaliada pela escala visual analógica (EVA) e índice WOMAC (WesternOntario and McMaster Universities Index of Osteoarthritis). Para determinação das EROs foi utilizado o indicador DCHF-DA. Os níveis de glutamato foram estimados pelo ensaio enzimático em que o glutamato presente no líquor sofre oxidação pela enzima glutamato desidrogenase (GDH). Para análise estatística foi utilizado o software Prism 5 for Windows. Em outro protocolo, a medicação antioxidante (ArtroTabs®) foi oferecida a 14 pacientes portadores de gonartrose por 3 meses. Foram avaliados: EVA, WOMAC e produção de EROs por células mononucleares do sangue antes e após o tratamento. Resultados: Não houve diferença na fluorescência máxima e coeficiente de inclinação da curva obtida pelo DCHF-DA para as amostras de sangue e líquor nos grupos dor crônica, dor aguda e ausência de dor. A comparação da média dos níveis de glutamato liquórico revelou diferença estatisticamente significante entre o grupo de dor aguda e os demais. Os pacientes que receberam a medicação antioxidante por três meses apresentaram melhora da EVA e do índice WOMAC, todavia não houve alteração correspondente nos níveis de EROs. Conclusões: Os níveis liquoricos de GLU são mais elevados em pacientes com dor aguda. Amedicação ArtroTabs® possivelmente reduz a dor em pacientes com dor crônica.

Ano

2019

Creators

Tulio Vinicius de Oliveira Campos

Análise dos polimorfismos no gene HLA DRB1 em pacientes com hepatite autoimune e suas complicações

A Hepatite Autoimune é uma doença crônica hepática rara, caracterizada por perda da tolerância imunológica aos antígenos próprios hepáticos. Normalmente esta doença ocorre entre 10 e 30 anos de idade, sendo considerada rara em crianças. A associação da Hepatite Autoimune com a colangite autoimune é uma forma de complicação da doença. A susceptibilidade a HAI é parcialmente determinada pela presença de genes relacionados ao complexo principal de histocompatibilidade II ( MHC II) e mais especificamente ao antígeno leucocitário humano ( HLA), em particular variações alélicas do DRB1. Poucos estudos têm demonstrado o papel preditivo dos polimorfismos no gene HLA- DRB1 em crianças com HAI e suas implicações. O objetivo deste estudo foi descrever as frequências dos polimorfismos no gene HLA-DRB1 relacionados com a autoimunidade em crianças e adolescentes com HAI associada ou não com a CAI, comparando- as com o grupo controle saudável. Tratou-se de um estudo prospectivo transversal, incluindo 43 indivíduos, destes 25 com diagnóstico de HAI e 18 com diagnóstico da CAI. Os loci HLA-DRB1 foram identificados através da técnica de PCR-SSP. Os polimorfismos investigados foram HLA-DRB1*03, HLA-DRB1*04, HLA-DRB1*07 e HLA-DRB1*13. A média de idade no momento da avaliação para os participantes do grupo controle foi 13.92 ± 4.55 anos e do grupo caso foi 15,86 ± 6,34. Nossos resultados demonstraram que indivíduos portadores dos polimorfismos HLA-DRB1*13 e HLA-DRB1*03 apresentaram um risco aumentado de desenvolver HAI. Pacientes que apresentavam a HAI e o polimorfismo HLA-DRB1*13 demonstraram um risco significativamente aumentado de desenvolver a CAI (OR = 3.96, p = 0.04). Os polimorfismos HLA-DRB1*04 e HLA-DRB1*07 não apresentaram associação com a HAI e CAI. Este estudo contribuiu para a investigação dos principais polimorfismos no gene HLA-DRB1 associados com a HAI e CAI na população pediátrica brasileira.

Ano

2019

Creators

Monique Ellen Gervásio Nunes

Correlação entre incidentes não infecciosos e tempo de internação em terapia intensiva

A ocorrência de incidentes é comum nos pacientes internados na terapia intensiva e contribui para aumento no tempo de internação, aumento no uso de recursos da unidade e óbito. No entanto, estudos sobre a ocorrência de Incidentes Não Infecciosos (INI) foi pouco explorada na literatura, especificamente no que diz respeito à sua relação com o tempo de internação. O objetivo deste estudo foi determinar a correlação entre a ocorrência de INI e tempo de internação em terapia intensiva. Foi desenvolvido em estudo de coorte prospectivo realizado através de observação direta e acompanhamento dos INIocorridos na unidade de terapia intensiva no período de julho a outubro de 2015. A amostra foi composta por 60 pacientes, sendo 26 (43,3%) no grupo com INI e 34 (56,7%) no grupo sem INI. Os grupos com INI e sem INI foram semelhantes quanto ao gênero (p = 0,821), idade (p = 0,413), gravidade segundo SAPS III (p = 0,081), disfunção orgânica estimada pelo SOFA (p = 0,787), infecções relacionadas à assistência em saúde (p = 0,241) e dias de ventilação mecânica (p = 0,335). O INI mais frequente foi relacionado a linhas (drenos e cateteres) (69,5%). A mediana da variável dependente tempo de internação foi duas vezes maior no grupo com INI (11; 6,75-19,5) se comparada ao gruposem INI (5,5; 4-15,5) (p = 0,035). A correlação entre a ocorrência de INI e tempo de internação foi positiva (p = 0,042) e fraca (r² = 0,263). Verificou-se tendência linear positiva significativa de aumento no tempo de internação com o número de ocorrências de INI (p = 0,045). Concluiu-se que e ocorrência de INI está correlacionada a um aumentosignificativo no tempo de internação. Um controle adequado dos INI poderá contribuir para uma maior rotatividade dos leitos e sua oferta a pacientes elegíveis para internação em terapia intensiva.

Ano

2019

Creators

Thais Oliveira Gomes