Repositório RCAAP
Estudo genético de pacientes brasileiros com miopatias relacionadas à selenoproteína N1
Introdução: Diferentes formas de miopatias estão relacionadas ao gene da selenoproteína N1, entre as quais a distrofia muscular congênita tipo espinha rígida (DMER), miopatia multiminicore (Mm), desmiopatia com mallory body e miopatia com desproporção congênita de fibras (MDCF). Até o momento, não há estudos nacionais sobre mutações no gene SEPN1 em pacientes brasileiros com miopatias relacionadas à selenoproteína N1. O presente estudo é uma tese de doutorado apresentada na forma de dois artigos científicos: o primeiro, uma revisão da literatura sobre o sequenciamento de nova geração no estudo de miopatias relacionadas à selenoproteína N1; e o segundo apresenta os resultados da aplicação do sequenciamento de nova geração no estudo de mutações em pacientes brasileiros portadores de miopatias relacionadas à selenoproteína N1, assim como o estudo destes pacientes para outros genes relacionados a doenças neuromusculares. Objetivo: Avaliar a presença e caracterizar as mutações no gene SEPN1 em pacientes brasileiros com miopatias relacionadas à selenoproteína N1, correlacionando tais mutações aos achados clínicos e histopatológicos, assim como realizar a verificação de possíveis mutações em outros genes relacionados a doenças neuromusculares que apresentam características fenotípicas semelhantes aos das selenopatias. Metodologia: Incluíram-se 19 pacientes portadores de miopatias relacionadas à selenoproteína N1 de 16 famílias diferentes. Desses, 14 foram classificados como portadores de DMER, quatro com Mm e um com MDCF. Foram avaliados os aspectos clínicos, histopatológicos musculares (reações histológicas e histoquímicas musculares) e moleculares. O estudo genético foi feito através de sequenciamento de Sanger afim de detectar mutações no gene SEPN1. Os demais genes foram avaliados através de sequenciamento de nova geração realizado em painel contendo 61 principais genes relacionados a doenças neuromusculares. Realizou-se estudo de segregação familiar em alguns familiares por sequenciamento de Sanger. Resultados: O estudo molecular revelou mutações em 12 famílias. Família 1: um paciente com fenótipo clássico de Mm, apresentou uma mutação nova (c.1010G>T) em heterozigose composta com uma mutação patogênica já descrita (c.1384T>G) no gene SEPN1. Famílias 2, 3, 4 e 15: quatro pacientes não aparentados, com fenótipo de DMER, apresentaram a inserção de uma base fora de fase (c.713-714insA), três deles em heterozigose composta com outras mutações patogênicas, sendo uma delas uma mutação nova (3UTR:c.53G>T) e um em homozigose (caso 18). Família 5: um paciente com Mm forma pré-natal com artrogripose e mutação com sentido trocado em heterozigose (c.583G>A), cuja alteração complementar não foi identificada. Família 16: um paciente com Mm no qual foi encontrada uma mutação patogênica (c.1406G>A) em heterozigose composta com uma mutação nova (c.1396C>T) no gene SEPN1. Família 14: um paciente com MDCF com inserção de 12 bases em fase (c.316-317ins12bp) no gene SEPN1, esta alteração foi considerada como um polimorfismo, neste paciente foram detectadas mutações em heterozigose composta (c.6469G>A/c.9457G>A) no gene RYR1. Família 12: três irmãos afetados com quadro de miopatia e rigidez cervical, nos quais foi identificada uma inserção em fase, de três pares de base, em heterozigose (c.438-439ins3bp) no gene SEPN1, esta alteração foi considerada como um polimorfismo e posteriormente foi detectada uma mutação patogênica no gene LAMA2 em heterozigose composta com uma mutação nova (c.1259delA). Na Família 10 e 11 foram detectadas mutações em heterozigose composta nos genes COL6A1 e COL6A3, sendo na família 10 ambas já descritas como patogênicas (c.6859delG/ c.6064_5G>A) e na família 11 uma mutação patogênica (c.850G>A) em heterozigose com uma mutação nova (c.2959G>A). Conclusão: As miopatias relacionadas à selenoproteína N1 apresentam ampla variabilidade fenotípica e genotípica. Foram detectadas 12 mutações patogênicas no gene SEPN1 em 7 pacientes com DMER e Mm, dentre estas 4 não haviam registros na literatura médica. Além disso, foi possível detectar 10 mutações em 7 pacientes em outros 5 genes relacionados a doenças musculares incluídos no painel de NGS, sendo 8 descritas como patogênicas e duas mutações novas. A análise molecular pôde ajudar a confirmar o diagnóstico de doenças complexas que apresentam ampla variabilidade genética e fenotípica, bem como no aconselhamento genético das famílias
2019-08-14T00:59:33Z
Eralda Luíza Castro Concentino
Triagem neonatal em Minas Gerais: análise do contexto histórico e político-institucional com enfoque nas estratégias empregadas e resultados alcançados
A triagem neonatal é um conjunto de procedimentos e processos em saúde pública, com características ainda relativamente novas para o tradicional sistema formal de saúde, estabelecida atualmente em quase todos os continentes. Seus resultados são, hoje, reconhecidos como relevantes no plano internacional. O Programa de Triagem Neonatal de Minas Gerais (PTN-MG), criado em 1993, atinge, no presente, o expressivo número de cinco milhões de crianças submetidas ao teste de triagem neonatal. O presente estudo contextualiza as ações desenvolvidas pelo PTN-MG no plano histórico e, paralelamente, no desenvolvimento de métodos e estratégias da triagem neonatal no plano internacional. O desenvolvimento do PTN-MG está intimamente associado à criação do Núcleo de Ações e Pesquisa em Apoio Diagnóstico da Faculdade de Medicina da UFMG (Nupad). O Núcleo vem cumprindo, primordialmente, a coordenação técnica do PTN-MG, cuja gestão pertence à Secretaria de Estado da Saúde de Minas Gerais (SES-MG). Além dos procedimentos de triagem, o Nupad vem-se empenhando em ações educacionais e de humanização da assistência, estendendo também seu espectro de ações para a área genômica. Como parte dos resultados são apresentados quatro artigos, selecionados para exemplificar a diversidade de metodologias empregadas em triagem neonatal e seus desafios. O artigo "Congenital toxoplasmosis in the state of Minas Gerais, Brazil: a neglected infectious disease?", publicado em 2014, ilustra a expansão dos procedimentos de triagem neonatal para outras áreas da saúde, neste caso, para a saúde da mulher. Este estudo piloto encontrou, em 2008, a incidência de 1, 3:1.000 para a toxoplasmose congênita no estado de Minas Gerais. O achado fortaleceu as iniciativas para criação do atual Programa de Controle da Toxoplasmose Congênita em Minas Gerais. O artigo "High incidence of partial biotinidase deficiency from a pilot newborn screening study in Minas Gerais, Brazil", publicado no Journal of Inherited Metabolic Disease, debate dificuldades para se estabelecer na triagem neonatal uma correlação fenótipo-genótipo adequada em doenças metabólicas herdadas. Foi encontrada elevada incidência de deficiência parcial da biotinidase (1:26.127), comparando-se com estudos em outros países. Os estudos genéticos realizados mostram a elevada incorporação tecnológica obtida pelo Nupad no campo de testes moleculares. O manuscrito " Neonatal screening for cystic fibrosis in Minas Gerais, Brazil: Screening results of 2.5 million newborns over a 10-year study period, discute estratégias em triagem, utilizando o marcador tripsina imunorreativa (IRT), com limitada sensibilidade e especificidade, seguido pelo teste de suor, para detecção de casos de fibrose cística. Seus resultados mostram para o protocolo de triagem uma sensibilidade de 89,6% e valor preditivo positivo de 99,0%. A taxa de falso-negativos foi de 10,6% (24 casos). A incidência encontrada foi de 1:10.657 em um universo de 2 461 685 recém-nascidos triados por 10 anos. O manuscrito "Doença Falciforme em Minas Gerais, Brasil: experiência em 16 anos de triagem neonatal (2015)" mostra consistentes dados epidemiológicos da doença no estado, com incidência de 1:1.400 em recém-nascidos. Procura discorrer sobre formas locais de organização de serviços para o monitoramento e tratamento dos casos detectados. Além dos resultados incluídos nos artigos, são discutidos resultados e análises no plano técnico e organizacional que contribuíram decisivamente para respaldar a proposição principal do estudo. Os resultados exemplificam o impacto gerado pelas ações do PTN-MG em pessoas que nasceram com agravos congênitos e hereditários, de elevada morbimortalidade caso não fossem detectados no período neonatal. As ações do PTN-MG ocorrem em todos níveis de atenção do Sistema Único de Saúde. A estrutura criada ao longo dos seus 22 anos de atividade pode servir de base para a inclusão de novos agravos deletérios para a população infantil e também para outros campos da saúde pública no estado.
Incidência da doença falciforme em um milhão de nascidos vivos em Minas Gerais (1998-2001)
Trata-se de estudo observacional, descritivo, destinado a avaliar a ocorrência e distribuição da doença falciforme na população de nascidos vivos do Estado de Minas Gerais, com base em testes de triagem neonatal realizados entre março de 1998 e dezembro de 2001, relativos a 1.060.757 crianças. A cobertura obtida pela triagem, em relação aos nascidos vivos no período estudado, foi estimada em 92,8%. A coleta da primeira amostra, busca-ativa e encaminhamento dos casos confirmados, assim como a coleta de novas amostras para os casos suspeitos, foram executados, predominantemente, por equipes de saúde das Unidades Básicas de Saúde, em todos municípios do Estado. A incidência encontrada em recém-nascidos para todos fenótipos pertencentes do grupo de doença falciforme foi de 1:1.383, sendo 1:2.581 para Hb SS e 1:3.357 para Hb SC.O traço falciforme apresentou um percentual médio de incidência de 3,3%, com variações entre 1,5% a 4,8% nas diferentes regiões do Estado. A hemoglobinopatia C (Hb CC) foi encontrada em 0,01%, e o traço Hb AC em 1,3% das crianças. O traço para a hemoglobina D (Hb AD) ocorreu em cada 2.321 nascimentos. A doença da hemoglobina H (Hb Bart´s) foi identificada com alta probabilidade de positividade em sete casos. Verificou-se uma incidência de 4,8% (n= 51.078) para todas as hemoglobinas variantes encontradas em homozigose ou heterozigose. Para elucidação de alguns fenótipos, foram associadas técnicas moleculares tipo Polymerase Chain Reaction (PCR) e estudos em familiares para confirmação diagnóstica. Os pacientes com critério clínico para tratamento foram encaminhados à Fundação Centro de Hematologia e Hemoterapia de Minas Gerais - Hemominas. As maiores taxas de incidência da doença falciforme ocorreram no norte e nordeste do Estado (Diretorias Regionais de Saúde de Unaí, Montes Claros e Teófilo Otoni). Regiões limítrofes com o Estado de São Paulo, Mato Grosso do Sul e sul de Goiás apresentaram as menores incidências. Constatou-se que a distribuição territorial dos heterozigotos e dos homozigotos para a hemoglobina C apresenta conformação diferente daquela relacionada à hemoglobina S em algumas grandes regiões, sendo recomendável a realização de estudos posteriores com desagregação dos dados. As significativas diferenças regionais encontradas na distribuição da doença falciforme devem ser consideradas no planejamento estadual de ações de saúde. Alerta-se para a necessidade de adoção imediata de uma estratégia nacional com enfoque na adaptação da rede hospitalar e, particularmente, dos serviços de urgência, para oferecer cuidados clínicos adequados ao doente falciforme, considerando a gravidade e o polimorfismo de sua condição. Ao mesmo tempo, a doença falciforme, visto sua alta prevalência, deve ser incorporada ao rol de preocupações dos crescentes programas municipais multidisciplinares de atenção primária. Ressalta-se que os programas de triagem neonatal para a doença falciforme, em franca expansão no País, devem ser submetidos a rigorosos processos de avaliação dos resultados obtidos no tratamento e acompanhamento dos casos detectados, pois o benefício do diagnóstico neonatal precoce já é uma experiência mundial consagrada.
Perfil de saúde e de violência doméstica sofrida por lactentes assistidos pela Estratégia Saúde da Família em Betim, Minas Gerais: conhecer para intervir
A disponibilidade de informações é fundamental para o planejamento e gestão de estratégias de intervenção, já que possibilita a identificação e análise dos problemas, perfis epidemiológicos e das necessidades de saúde, visando definir prioridades para as ações a serem efetivadas de forma intersetorial e por meio do trabalho em equipe. O presente estudo objetivou conhecer o perfil de saúde e de violência doméstica sofrida pelos lactentes assistidos pela Estratégia Saúde da Família, em Betim, Minas Gerais. Trata-se de um estudo transversal descritivo que avaliou todas as crianças menores de dois anos da área de abrangência da UAPS Caic. Realizaram-se análises descritivas, com distribuição de frequência e confecção de gráficos tipo boxplot. Foram ainda realizadas análise bivariada entre as variáveis de saúde e variáveis de natureza familiar, comunitária e social. Houve predomínio de crianças do sexo masculino (51,2%), de cor parda (57,4%), na faixa etária de 6 a 12 meses de idade (31,8%), com renda familiar de mais de 1 a 2 salários mínimos; 10,1% apresentaram provável atraso no desenvolvimento, 16,3% tinha algum fator de risco para o desenvolvimento, 6,2% com magreza, 13,2% com risco de sobrepeso, 3,9% com sobrepeso e 0,8% com obesidade. Quatorze por cento das crianças sofreram violência doméstica, sendo que houve predomínio de casos entre os meninos, na faixa etária de 12 a 18 meses, de cor parda. Nos casos em que o responsável era adolescente, dentre aqueles com baixa escolaridade e os que não possuíam renda houve predomínio de violência. Trinta vírgula oito por cento dos lactentes com provável atraso no desenvolvimento e 40% das crianças com sobrepeso sofreram algum tipo de violência doméstica. É fundamental que o enfermeiro e demais profissionais de saúde conheçam a realidade de vida dos usuários sob sua responsabilidade de atenção, cujas condições sociais, econômicas e culturais não podem ser dissociadas do processo saúde-doença.
2019-08-14T19:00:51Z
Raquel de Freitas Cunha de Faria
Estudo da dosagem da cistatina C urinária, como biomarcador da função renal, em fetos portadores de uropatia obstrutiva baixa
O avanço das técnicas de imagem tem melhorado a capacidade de diagnóstico e tratamento pré-natal de fetos portadores de uropatia obstrutiva baixa. O tratamento intrauterino depende da adequada seleção dos fetos com função renal ainda preservada, que se beneficiem deste procedimento. Vários biomarcadores tem sido estudados para predição pré-natal da função renal com eficácia variável. A cistatina C surge como um biomarcador urinário fetal promissor. Em condições fisiológicas, sua concentração não varia com a idade gestacional e independe de massa muscular, dieta, estado nutricional, inflamação, gênero ou etnia. Objetivo: Dosar a cistatina C na vida fetal em amostras de urina fetal e líquido amniótico para avaliar sua eficácia como biomarcador da função renal, em fetos portadores de uropatia obstrutiva baixa. Métodos: Estudo transversal e prospectivo. Entre 2013 e 2016, 45 gestantes no Centro de Medicina Fetal do Hospital das Clínicas da UFMG, 38 fetos (grupo 1) portadores de uropatia obstrutiva baixa, com indicação de punção vesical para coleta de urina e análise bioquímica, como critério de seleção para tratamento intrauterino e, 07 fetos (grupo 2) sem anomalias estruturais, com indicação para amniocentese para diagnóstico pré-natal, dos quais acompanhamos 28 casos do grupo 1 (grupo de estudo) e 6 casos do grupo 2 (grupo controle). Foram colhidas amostras para dosar cistatina C. Utilizados os métodos estatísticos de Anderson Darling, teste-t; teste de Mann Whitney, teste de Kruskal Wallis e coeficiente de Sperman. Para a sensibilidade e especificidade da cistatina C foi utilizada curva ROC. Resultados: A Cistatina C foi identificada nas 28 amostras de urina fetal (grupo 1) e 6 amostras de líquido amniótico (grupo 2), apresentando concentração significativamente diferente nos dois grupos, maior no grupo 1 em relação ao grupo 2 (p=0,021). Nos fetos do grupo 1 comparou-se a dosagem de cistina C com a osmolaridade normal e alterada, não se observando diferença significativa. Na curva ROC com ponto de corte de 1379,50, obteve-se uma sensibilidade de 50% e uma especificidade de 88,2%, com valor de área sob a curva de 0,657 considerada satisfatória. Em amostras urinárias de 6 fetos do grupo 1 realizou-se além da dosagem da cistatina C a da creatinina e da uromodulina verificando através de uma segunda curva ROC a eficácia da cistatina C na predição da gravidade da doença. Conclusão: Os níveis de cistatina C não apresentaram correlação estatisticamente significativa com a dosagem da osmolaridade na urina fetal. No entanto, mostrou-se um biomarcador eficaz de função renal no período pré-natal quando comparado os fetos com e sem uropatia (p=0,021). Todos os fetos do grupo sem uropatia (6 fetos) e os com uropatia que sobreviveram com função renal preservada (5 fetos) apresentaram valores inferiores ao ponto de corte escolhido no estudo de 1379,50, sugerindo ser satisfatória para detecção ou exclusão da falência renal. Comparando-se com outros marcadores urinários, somente a cistatina C demonstrou capacidade de identificar a função renal fetal, com valor de área sob esta segunda curva ROC de 0,750. Novos estudos são necessários, com amostras maiores, para comparar a cistatina C com outros biomarcadores e com a função renal pós-natal em longo prazo. Palavras-chave: Uropatia obstrutiva; urina fetal; líquido amniótico; cistatina C; função renal; curva ROC; amniocentese.
2019-08-12T08:58:27Z
Érica Barcala Baptista Rodrigues
Avaliação da angiotensina II, angiotensina 1-7, receptor Mas e da enzima conversora de angiotensina 2 do sistema renina-angiotensina, em fetos com diagnóstico ultrassonográfico de crescimento intrauterino restrito
Introdução/objetivos: estudos demonstram que o sistema renina-angiotensina tem função significativa na regulação do fluxo sanguíneo útero-placentário e, portanto, no desenvolvimento fetal. Métodos: foram avaliados fetos com critérios ultrassonográficos edopplerfluxométricos de restrição do crescimento intrauterino (CIUR), divididos nos grupos pequenos para a idade gestacional (PIG) e adequados para a idade gestacional (AIG) e depois subdivididos em igual ou inferior a 35 semanas ou acima de 35 semanas. No momento da cesariana, foram colhidos 10 mL de sangue do cordão umbilical e sangue materno, a partir dos quais foi feita dosagem por radioimunensaio dos peptídeos. A imunoexpressão dos mesmos foi vista na placenta e no cordão umbilical. Resultados/conclusão: verificou-se que a expressão de angiotensina II tendeu a ser maiorna placenta dos fetos com CIUR abaixo de 35 semanas, embora sem diferença estatística. A expressão de angiotensina 1-7 mostrou-se maior na placenta de fetos AIG, mas não houve diferença estatística, pelo baixo número de casos. A enzima conversora de angiotensina (ECA2), que converte angiotensina II e angiotensina 1-7, teve maior expressão na placenta de fetos AIGs. No cordão umbilical, a expressão de angiotensina II e angiotensina 1-7 esteve aumentada nos fetos com CIUR, mas sem diferença estatística. Os níveis plasmáticos de angiotensina II e angiotensina 1-7 também não demonstraramdiferença. O nível de angiotensina II materno dos fetos com CIUR em relação aos fetos AIGs não mostrou diferença estatítica. Mas o nível de angiotensina 1-7 no plasma materno encontrou-se estatisticamente mais elevado no grupo de fetos com CIUR em relação aos fetos normais abaixo de 35 semanas, indicando a possível participação desse peptídeo na regulação do fluxo sanguíneo placentário.
Avaliação dos efeitos do Tribulus terrestris em mulheres no menacme com distúrbio do desejo sexual hipoativo
Objetivo: estudar os efeitos do Tribulus terrestris em mulheres comdisfunção do desejo sexual hipoativo na menacme, avaliando a sua eficácia no tratamento do HSDD e sua influência nos níveis séricos da testosterona. Método: foi realizado ensaio clínico, prospectivo, randomizado, duplo-cego, placebo controlado, com 40 pacientes na menacme e portadoras de Hypoactive sexual desire disorder (HSDD), que utilizaram Tribulus terrestris ou placebo e foram avaliadas pelos questionários Female Sexual Function Index (FSFI) e QuocienteSexual versão Feminina (QS-F) e pela dosagem da testosterona, no ambulatório de sexologia ginecológica do Hospital da Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (HC-UFMG). Resultados: o uso do Tribulus terrestris em comparação ao placebo por meio do questionário FSFI mostrou significativa melhora nos domínios lubrificação e dor. Quando comparado o uso do Tribulus terrestris com o do placebo a partir do questionário QS-F, observou-se significativa melhora nos domínios desejo excitação/lubrificação, dor,orgasmo e satisfação nas mulheres que usaram Tribulus terrestris. Já em relação à testosterona, o uso do Tribulus terrestris alterou os níveis séricos de testosterona livre e biodisponível. Conclusão: o uso do Tribullus terrestris em mulheres com HSDD determina melhora dos sintomas, quando avaliados pelos instrumentos FSFI e QS-F.
2019-08-12T11:28:00Z
Fabiene Bernardes Castro Vale
Desenvolvimento e impacto de um aplicativo móvel como ferramenta educativa de apoio à contracepção
A tecnologia móvel constitui um grande potencial a ser explorado na educação de adultos, uma vez que, os dispositivos móveis tornaram-se presentes no cotidiano de várias classes sociais. A gravidez indesejada permanece como um desafio na sociedade atual e a tecnologia da informação pode oferecer novas soluções no sentido de contribuir com as políticas públicas para o planejamento familiar. O objetivo deste estudo foi desenvolver um jogo educativo para dispositivos móveis sobre métodos contraceptivos e planejamento familiar e em seguida auferir a aprendizagem dos jogadores. Métodos: Foi implementado,com técnicas de gamificação, um aplicativo utilizando-se de tecnologia open-source e com frameworks para desenvolvimento multiplataforma. O conteúdo sobre métodos contraceptivos e planejamento familiar baseou-se na literatura científica a respeito do tema e foi revisado por profissionais de saúde especialistas em saúde da mulher. Considerou-se evidência de aprendizagem a mudança positiva quanto ao número de métodos contraceptivos conhecidos após o jogo, em relação ao informado antes. Resultados: O presente estudo traz como contribuição científica a experiência do desenvolvimento de um jogo sério para ensinar conteúdos sobre saúde para adultos, focado na prevenção da gravidez não planejada ou indesejada e planejamento familiar. O jogo Saia Justa foi baixado das lojas de aplicativos 3652 vezes e estima-se que tenha sido utilizado por 3070 jogadores, sendo que aproximadamente 77% são do sexo feminino e 84% com idade entre 18 e 33 anos. Em 117 (18%) jogadores, observou-se evidência deaprendizagem através de uma diferença positiva em relação ao número de métodos informados no jogo antes e depois da partida. Conclusão: O jogo desenvolvido, com formato intuitivo e autoexplicativo, foi capaz de ampliar o acesso do cidadão à informação sobre saúde reprodutiva focada nos métodos contraceptivos, estruturado no contexto de saúde da mulher e que disseminou conhecimento acerca do planejamentofamiliar não só para o Brasil, mas para vários países de língua portuguesa através de seu sucesso na mídia.
2019-08-11T05:02:18Z
Isaias Jose Ramos de Oliveira
Avaliação da frequência de alterações hormonais, em mulheres no menacne com disfunção sexual
Introdução: A disfunção sexual feminina (DSF) é um problema subestimado com um totalde prevalência entre 20% e 50%. A DSF pode ser considerada um problema de saúdepública que afeta a qualidade de vida das mulheres. Objetivos: Avaliar as frequênciasdas alterações hormonais em mulheres no menacme com disfunção sexual, atendidas noAmbulatório de Sexologia Ginecológica do Hospital das Clínicas da UFMG. Material emétodos: Realização de um estudo transversal, avaliando a frequencia das alteraçõeshormonais ( prolactina, TSH, testosterona total, SHBG e testosterona livre calculada) em60 pacientes com DFS no menacme. Resultados: Das 60 pacientes com DSF, 43pacientes (71,7%) apresentaram o diagnóstico do Distúrbio do Desejo Sexual Hipoativo(HSDD), 9 (15%) Anorgasmia e 8 (3,3%) apresentaram Disfunção da Dor Sexual. Naavaliação hormonal, 79,1% das pacientes com HSDD, 78,4% das pacientes com Anorgasmia e 50% das pacientes com disfunção da dor sexual apresentam a síndrome de insuficiência androgênica feminina. Conclusões: As alterações hormonais são frequentes nas DSF, sendo importante as suas dosagens para uma melhor abordagem terapeutica.
2019-08-11T09:10:24Z
Fabiene Bernardes Castro Vale
Avaliação da fórmula de cálculo da hemoglobina fetal na segunda metade da gravidez
Introdução: a anemia fetal, especificamente a causada pela aloimunização materna pelo fator Rhesus (Rh), é doença prevalente no Brasil. Atualmente, o único tratamento disponível para essa condição é a transfusão sanguínea intraútero ou a antecipação do parto. O êxito das gestações acometidas está relacionado, portanto, à estimativa acurada da gravidade da anemia e do volume de sangue a ser transfundido, além do número de procedimentos invasivos realizados. No Centro de Medicina Fetal do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais (HC/UFMG), a classificação da anemia fetal baseia-se no cálculo do déficit de hemoglobina, tendo como parâmetro a curva padrão publicada por Nicolaides et al. em 1988. Porém, interroga-se se a expressão matemática publicada poderia ser extrapolada para diversas populações, já que atualmente se reconhece a influência do ambiente e da carga genética nos parâmetros biológicos individuais. Objetivo: averiguar se a curva padrão de normalidade de hemoglobina fetal mostra-se apropriada para uma amostra da população brasileira. Pacientes e métodos: entre janeiro de 2012 e dezembro de 2015, foram avaliadas as hematimetrias do sangue de cordão de 161 fetos não anêmicos acompanhados no Centro de Medicina Fetal (CEMEFE)/HC. Foram selecionadas 48 amostras de sangue fetal, cujos valores de hemoglobina foram comparados aos valores esperados pela de Nicolaides et al., ajustados pela idade gestacional. Resultados: os valores de hemoglobina encontrados nos fetos estudados foram significativamente mais dispersos do que o esperado pela curva padrão. A inclinação da reta que representa a hemoglobina dos fetos avaliados é zero, com intervalo de confiança entre -0,17 e 0,17. A constante de crescimento de 0,19 (encontrada no estudo original de Nicolaides et al.) não pertence ao intervalo obtido neste trabalho. Discussão e conclusão: na presente amostra, a curva de Nicolaides et al. para a hemoglobina fetal não se encaixa como modelo adequado de classificação do feto anêmico. Acredita-se ser imperiosa a criação de uma curva de variação da hemoglobina específica para fetos brasileiros, cujos dados serão valiosos para a melhoria da assistência obstétrica no Brasil, devendo estender-se à criação de curvas biométricas e de padrões de evolução, que resultam de complexa amálgama ambiental e genética ainda não completamente compreendida.
Efeito citotóxico do ibuprofeno e paracetamol sobre uma linhagem decélulas de câncer epitelial de ovário in vitro
O objetivo deste estudo foi investigar se o acetaminofen (paracetamol) e o ibuprofeno em baixas concentrações são capazes de inibir o crescimento de uma linhagem celular de carcinoma epitelial de ovário (CEO) in vitro e determinar a expressão gênica dos transportadores ABC nesta linhagem celular. Foi utilizada a linhagem celular TOV 21Gexposta a diferentes concentrações de paracetamol (1,5-15 g/mL) e ibuprofeno (2,0 a 20 g/mL), durante 24 e 48 horas. O crescimento celular foi avaliado utilizando um ensaio de viabilidade celular. A morfologia celular foi determinada por microscopia de fluorescência. Operfil de expressão gênica foi determinado por um painel de 42 genes da super família de transportadores ABC. Foi observado um decréscimo significativo no crescimento das células TOV 21G expostas a 15 g/mL de paracetamol durante 24 horas (p = 0.02) e 48 horas (p = 0.01) e com 20 g/mL de ibuprofeno por 48 horas (p = 0.04). Ao avaliar a morfologia das células cultivadas, não foi observada evidência de apoptose significativa. A linhagem de células estudada subexpressa os genes de ABCA1, ABCC3, ABCC4, ABCD3, ABCD4 e ABCE1 da super família de transportadores ABC. O presente estudo fornece evidências doefeito inibidor do crescimento de concentrações terapêuticas do paracetamol e do ibuprofeno na linhagem celular testada in vitro. TOV 21G subexpressa os genes dos transportadores ABCA1, ABCC3, ABCC4, ABCD3, ABCD4 e ABCE1.
Do ceticismo aos extremos: cultura intelectual brasileira nos escritos de Tristão de Athayde (1916-1928)
Esta tese aponta para um processo geral pelo qual a culturaintelectual brasileira teria passado entre as décadas de 1910 e 1930.Especialmente, ressalta-se a ascensão de perspectivas contrárias aosprincípios da Constituição republicana de 1891 que passa a ser vistacomo ultrapassada e decadente, notadamente após a Primeira GuerraMundial, a Revolução Russa e o advento do fascismo italiano. Nestesentido, a trajetória intelectual e biográfica do crítico literário Tristãode Athayde (Alceu Amoroso Lima) é bastante expressiva. Nelerevela-se tal processo geral em variadas esferas que compõem acomplexidade da cultura intelectual brasileira: os debates culturais,as avaliações acerca do noticiário internacional, as análises políticas,as reflexões críticas sobre identidade nacional e a cisão de um paísdividido entre sertão e litoral, as disputas em torno da arte modernabrasileira, as discussões sobre o papel da religião no interior dasociedade, os embates sobre os direitos e as questões de gênero, asreflexões acerca do melhor regime político para o Brasil etc. Doceticismo aos extremos revela como muitos desses tópicosdeixaram de ser tomados segundo perspectivas plurais erelativamente democráticas em função de visadas totalizantes emque o horizonte revolucionário e a utilização da violência para aconsecução dos objetivos políticos tornaram-se uma verdade quasebanal.
2019-08-14T17:17:12Z
Thiago Lenine Tito Tolentino
Análise de indicadores demográficos e assistenciais das gestantes atendidas na rede pública de saúde e seu impacto no resultado materno e perinatal
A assistência de pré-natal de qualidade e a redução dos indicadores de morbidade e mortalidade materna e perinatal no país, constitui-se meta essencial para a melhoria da saúde da mulher e da criança. Objetivo: verificar a importância de indicadores de qualidade do atendimento prénatal, associados à vulnerabilidade socioeconômica e aos padrões de deslocamento geográfico das gestantes na rede de serviços públicos de saúde, como determinantes da iniquidade daassistência obstétrica. Metodologia: analisou-se a base do Sisprenatal de Belo Horizonte, no ano de 2012, com 18.133 gestantes. Os casos de perda gestacional que não ultrapassaram 20 semanas gestacionais foram excluídos totalizando 16.710 gestantes. A distribuição espacial dos locais de residência das gestantes, a localização e a oferta dos serviços de saúde que prestam assistência obstétrica, combinados com dados agregados e individuais foram processados através de métodos estatísticos, para analisar perfis e padrões que influenciaram os resultados obstétricos. Técnicas de associação univariada e multivariada, avaliaram o impacto da idade da mulher, escolaridade, vulnerabilidade social, consultas de pré-natal, captação precoce, vacinas, exames mínimos de pré-natal, distância até a unidade básica de saúde (UBS) sobre desfechos obstétricos. Como desfecho utilizou-se a inferência sobre o bebê nascer vivo, baseada naocorrência da consulta de puerpério, a ocorrência de pelo menos seis consultas de pré-natal e a duração estimada da gestação. Através de técnicas de análise de sobrevivência, o término precoce da gravidez foi avaliado para o desfecho consulta puerperal associada aos mesmospreditores, a duração da gestação foi estimada pelo tempo entre a data da última menstruação e a consulta de pós-parto. Resultados: a análise indicou que realizar seis ou mais consultas aumentou a chance de nascer vivo (2,2 IC95%: 2,0 até 2,3), em relação a quem fez menos doque seis consultas. As gestantes com número de consultas menor que seis apresentaram maior chance de término precoce da gestação que as mulheres que realizaram seis ou mais consultas (1,22 IC95%: 1,16 até 1.28). Na análise espacial dos deslocamentos das gestantes, as mulheres que residiam a mais de 2 km da UBS da primeira consulta diminuíram a chance de realizar seis ou mais consultas (0,86 IC95%: 0,76 até 0,97) em relação as que residiam em um raio de 500m. Conclusão: a realização do pré-natal adequado, com seis ou mais consultas, exames e vacinas recomendados, dentre outros, aumenta a chance de nascer vivo e de maior duração da gravidez. A necessidade de grandes deslocamentos para atendimento de pré-natal impactanegativamente na realização do número mínimo de seis consultas. Os resultados podem subsidiar propostas de adequação dos serviços ao perfil e necessidades da população a ser atendida.
Fatores de atraso da alta hospitalar em enfermarias de clínica médica de dois hospitais públicos na cidade de Belo Horizonte, Minas Gerais
Introdução: O atraso na alta hospitalar diminui a oferta de leitos e aumenta os custos assistenciais e o número de eventos adversos relacionados à internação hospitalar, tais como infecções hospitalares, fenômenos embólicos e depressão. Identificar os motivos de atraso na alta hospitalar é a primeira etapa de um processo para diminuir este atraso, aumentando a eficiência no uso dos leitos hospitalares. Objetivos: Avaliar a adequação da permanência hospitalar e identificar os motivos de atraso da alta hospitalar em uma amostra de pacientes internados nas enfermarias de clínica médica de dois hospitais de ensino em Belo Horizonte, Minas Gerais, no período de janeiro a março de 2010. Identificar as especialidades associadas à maior taxa de atraso nas altas hospitalares e quantificar o atraso na alta hospitalar destes pacientes. Métodos: Estudo retrospectivo, que analisou 217 prontuários no hospital das Clínicas da UFMG-HC e 185 no hospital Odilon Behrens-HOB com a utilização de um instrumento já validado em vários países denominado Appropriateness Evaluation Protocol - AEP. A diferença entre a data da alta hospitalar efetivada e o momento em que a internação hospitalar foi considerada inadequada pelo AEP foi considerada o período de atraso na alta hospitalar. Nos pacientes em que foi detectado este atraso os motivos de sua ocorrência foram analisados utilizando-se o instrumento proposto por Selker et al. (1989). Resultado: No HC 60% dos pacientes tiveram atraso na alta hospitalar, o que corresponde a 23% da taxa de ocupação. A média de atraso foi de 4,4 dias. Os principais motivos de atraso foram espera para realização de exames complementares (31,6%) ou para liberação dos laudos dos exames (23,2%) e os relacionadas à responsabilidade médica (37,4%), dentre estes a dificuldade em se conseguir interconsultas, dificuldades para discussão do caso clínico e demora na tomada de decisões clínicas. Em (20%) dos pacientes o atraso na alta hospitalar decorreu de somente um motivo, 19% dos pacientes tiveram 2 motivos e em 12% foram observados de 4 a 6 motivos para atraso na alta hospitalar. No HOB 58% dos pacientes tiveram atraso na alta hospitalar, o que corresponde a 28% da taxa de ocupação. Os motivos que mais contribuíram para este atraso foram semelhantes aos observados no HC, destacando-se a dificuldade na realização de exames complementares. No HOB 17,8% dos pacientes apresentaram um motivo para atraso na alta hospitalar e em 9,8% foi observado de 4 a 5 motivos de atraso. A ortopedia foi a especialidade médica que mais contribuiu para aumentar a duração do atraso na alta hospitalar em decorrência da demora em atender às interconsultas. Conclusão: Foi constatado elevado porcentual de atraso na alta hospitalar no HC e no HOB, com impacto expressivo na média de permanência hospitalar e na taxa de ocupação. Este atraso foi motivado principalmente por dificuldades na tomada de decisão clínica e na realização e liberação de resultados de exames complementares. Mudanças do processo de trabalho nos serviços de imagem e laboratório e no fluxo de atendimento das interconsultas e tomada de decisão clínica podem levar a diminuição dos dias de atraso na alta hospitalar.
2019-08-10T16:47:02Z
Soraia Aparecida da Silva
Carboxihemoglobinemia e metahemoglobinemia em anestesia geral inalatória com sevoflurano em circuito semifechado com baixo fluxo de gases frescos
Monóxido de carbono (CO) é um gás incolor e inodoro, que possui afinidade cerca de 250 vezes maior pela hemoglobina do que o oxigênio (O2), o que possibilita disfunção da hemoglobina com prejuízo do transporte e liberação de O2 aos tecidos durante anestesia, além de consequências clínicas que variam de cefaleia a choque cardiovascular. Ocorre produção de CO quando os anestésicos inalatórios e oabsorvedor de dióxido de carbono do circuito anestésico interagem, especialmente em anestesia com baixo fluxo de gases frescos (FGF), a qual proporciona maior economia de anestésico, menor contaminação do ambiente, e preservação da umidade e calor das vias aéreas do paciente em ventilação mecânica. Metahemoglobina (MetHb) representa a forma oxidada deoxigenada da hemoglobina, isto é, a forma Fe3+Hb, a qual não consegue carrear O2. A presença de MetHb está relacionada clinicamente com uso de prilocaína, nitratos e deficiência da enzimaMetHb redutase. O presente estudo avaliou a variação da concentração da carboxihemoglobina (COHb) e da MetHb sequencialmente durante o tempo operatório em cirurgias eletivas em 100 pacientes, sob anestesia geral inalatória com sevoflurano, separados em 2 grupos: baixo FGF e alto FGF. Foram colhidas duas amostras de sangue arterial paraanálise. A primeira amostra foi colhida imediatamente após a indução anestésica e imediatamente antes do início da administração do sevoflurano. A segunda amostra foi colhida imediatamente antes da descontinuidade do agente inalatório, ainda com amanutenção do FGF pré-estabelecido. Neste estudo, houve diferença entre o valor final da COHb entre os grupos, com incremento real de 0,25% no grupo de baixo FGF e redução de 0,16% no grupo de alto FGF (p<0,0001). Observou-se correlação positiva de 0,31 com baixo FGFsignificativa estatisticamente. Não ocorreu alteração nos valores da MetHb ou dos parâmetros clínicos no per ou no pós-operatório imediato. Conclui-se que o uso de baixo FGF em anestesia com sevoflurano proporciona elevação da COHb em níveis estatisticamente significativos, porém sem repercussão clínica, corroborando o uso desta técnica.
2019-08-12T21:47:04Z
Leonardo Homem de Faria Martins
Avaliação auditiva em músicos de orquestra sinfônica
Introdução: O desenvolvimento de patologias que acometem o sistema auditivo é uma característica comum entre músicos de orquestras, uma vez que esses estão constantemente expostos a fatores que podem causar prejuízo à audição, como, por exemplo, sons de elevada intensidade, ensaios em espaços acusticamente inapropriados e extensas jornadas de trabalho. Objetivo: Comparar o perfil audiométrico de músicos da Orquestra Sinfônica de Minas Gerais ao de um grupo formado por indivíduos sem queixas auditivas e sem histórico de exposição ocupacional sonora, e estudar as possíveis relações entre queixa auditiva, hábitos e características da população em apreço. Métodos: Estudo transversal, observacional e analítico. Realização de uma entrevista por meio de um questionário auto-aplicado, e mensuração dos limiares audiométricos de 250 Hz a 20 kHz em todos os participantes. Comparação dos dados de exames e questionários dos dois grupos, considerando-se um nível de significância de p<0,05. Resultados Esperados: Definir se o perfil de audição do grupo de estudo é diferente daquele apresentado pelo grupo de referência, e demonstrar os fatores relacionados a esse achado.
2019-08-09T15:52:35Z
Natanael Alves de Souza
Intersetorialidade entre Políticas Públicas de Saúde e Educação na Promoção da saúde escolar: um estudo do Programa Saúde na Escola em Venda Nova Belo Horizonte.
A atenção à saúde do escolar é uma questão posta nas deliberações internacionais de promoção de saúde com influência imediata no Sistema Único de Saúde brasileiro. Questões como potencialidades associadas ao universo escolar, expressividade pública do grupo populacional infanto-juvenil e o aumento das vulnerabilidades relacionadas à infância e adolescência justificam o enfoque de abordagens públicas no campo. O Brasil com a finalidade de acompanhar os passos globais da organização da atenção à saúde dos estudantes propôs a construção do Programa Saúde na Escola (PSE), presente em mais de 80% das cidades brasileiras, sendo Belo Horizonte um dos municípios onde o PSE acontece desde os primeiros desígnios nacionais. Esta pesquisa teve por objetivo geral analisar o Programa Saúde na Escola em Venda Nova Belo Horizonte sob a ótica da intersetorialidade nas ações de promoção de saúde escolar, e como específicos: caracterizar o Programa Saúde na Escola em seus componentes de saúde e educação na promoção da saúde escolar no distrito de Venda Nova; identificar as ações de promoção da saúde desenvolvidas pelo Programa Saúde na Escola no Distrito de Venda Nova; identificar possíveis lacunas/ desafios nas ações de promoção de saúde propostas/ desenvolvidas pelo Programa Saúde na Escola. Trata-se de pesquisa qualitativa e exploratória baseada em estudo de caso que utilizou a análise documental como fonte de coleta de dados. Utilizaram-se informações contidas em portarias, documentos institucionais, sites e artigos publicados. Foram estabelecidos critérios/ categorias de análise que relacionam pontos como criação/implantação, funcionamento, organização, avanços e desafios. Os resultados apontaram que a proposição intersetorial do PSE é uma ação embasada em marcos e experiências internacionais, tratando-se de um plano político ainda em movimento de ampliação voltado ao campo da promoção de saúde. Seu funcionamento ocorre desde o ano de 2008 em Belo Horizonte, apresentando aspectos que apontam perspectivas relacionadas à promoção de saúde na escola como: organização dos serviços, ações de mobilização e divulgação; articulação intersetorial e parcerias. Foram identificadas dificuldades e lacunas no processo. O PSE envolve ações pontuais e abordagens desarticuladas, mas aos poucos questões restritas ao estabelecimento de comportamentos e uso unilateral do ambiente escolar dão lugar a propostas intersetoriais comprometidas com a promoção de saúde. Em Venda Nova 28 escolas municipais de ensino fundamental estão envolvidas com o PSE, contam com parcerias e incentivo em atividades ligadas à promoção da saúde. Dentre os desafios destaca-se a necessidade de monitoramento e avaliação do PSE no âmbito da promoção de saúde, a inserção ativa da comunidade dos contextos escolares e, a ampliação e fortalecimento da intersetorialidade do PSE nos territórios. Conclui-se ser o PSE uma experiência elaborada e dinâmica, que envolve diversos e diferentes atores. Trata-se de ação política importante, que, a despeito das dificuldades, tem se mostrado válida.
Impactos e impressões da qualidade vocal do professor no contexto da sala de aula
Objetivo: Identificar os impactos da qualidade vocal do professor no contexto da sala de aula e analisar e comparar as percepções de estudantes, professores e leigos para a voz preferida e não preferida de um professor de ensino fundamental. Métodos: foram utilizados dois métodos de investigação - uma revisão da literatura e um estudo observacional de delineamento transversal. A revisão de literatura teve como pergunta da investigação: Qual o impacto da voz disfônica no contexto da sala de aula e foi realizada por meio das bases de dados MEDLINE via PubMed, Lilacs e IBECS via Portal de Pesquisa da BVS, Web of Science e em referências descritas nos estudos selecionados, utilizando os seguintes termos: distúrbios da voz, disfonia, vozdisfônica, qualidade da voz, interligadas pelo operador booleano AND àspalavras testes de linguagem, compreensão, percepção da fala e cognição. O estudo transversal analisou e comparou o julgamento da voz preferida para um professor do ensino fundamental, por 104 alunos e 40 professores de uma escola pública da cidade de Belo Horizonte e por 40 leigos da mesma cidade. Os grupos de professores e leigos foram organizados de forma pareada de acordo com o sexo e idade. Como instrumento de investigação foi elaborado um banco de vozes, composto por 14 tipos de vozes e um questionário para marcação da preferência vocal e psicodinâmica das vozes. Após a aplicaçãodos questionários os dados foram analisados. Resultados: a maioria dos estudos da literatura sobre o impacto da voz na aprendizagem dos alunos é descritivo e realizado com crianças de 5 a 11 anos. Os estudos encontrados na revisão de literatura evidenciaram o impacto negativo da voz do professor com disfonia para os alunos, principalmente em ambientes ruidosos e ressaltaram a importância da velocidade de fala do professor para melhor compreensão da mensagem em sala de aula. Os resultados do estudo transversal evidenciaram que alunos, professores e leigos preferem, para um professor de ensino fundamental, vozes de qualidade neutra (95,1%), pitch grave (75%) evelocidade lenta (67,9%) e essas vozes apresentaram psicodinâmica vocal positiva em relação à agradabilidade, motivação e capacidade de despertar a atenção. As vozes menos preferidas por esta população foram as vozes de soprosidade moderada (98,4%), soprosidade intensa (97,3%), rugosidade leve (94,6%), rugosidade intensa (94,6%), rugosidade moderada (94,0%) e articulação imprecisa (94,0%), sendo que essas vozes apresentaram psicodinâmica vocal negativa em relação à agradabilidade, motivação e capacidade de despertar a atenção. Intergrupos os professores apresentaram mais preferência pela voz de pitch grave (p<0,001), enquanto leigos escolheram mais as vozes de velocidade lenta (p<0,001) e de intensidade forte (p <0,017). Os alunos formaram o grupo que menos relatou alguma preferência, por uma voz específica, em relação aos demais grupos. Conclusão: A disfonia do professor dificulta a compreensão da mensagemtransmitida para os alunos e é avaliada negativamente por eles. Os recursos prosódicos são um importante recurso didático para o professor e a velocidade de fala reduzida no docente potencializa a comunicação em sala de aula. As vozes preferidas para um professor de ensino fundamental, por alunos, professores e leigos são as vozes de qualidade neutra, velocidade lenta e pitch grave, associadas positivamente com uma psicodinâmica vocal de agradabilidade, motivação e capacidade de despertar a atenção. As vozes dequalidade vocal rugosa e soprosa ou que apresentem uma articulação imprecisa são percebidas negativamente e não despertam a atenção, motivam ou são agradáveis.
2019-08-10T02:48:30Z
Ana Luiza Vilar Rodrigues
Atuação fonoaudiológica em cuidados paliativos pediátricos e seus resultados na percepção de cuidadores e profissionais da equipe de um hospital universitário
Objetivos: Identificar e apresentar os principais resultados dos artigos que descrevem a percepção de cuidadores e profissionais de equipes de assistência quanto aos cuidados paliativos prestados a pacientes pediátricos e descrever e analisar a atuação fonoaudiológica em cuidados paliativos pediátricos e seus resultados na percepção de cuidadores e profissionais da equipe de um hospital universitário. Métodos: Este estudo foi estruturado em duas etapas: Na primeira, foi realizada uma revisão integrativa da literatura, com levantamento bibliográfico no portal BIREME para acesso às bases de dados científicos LILACS e IBECS e no portal PUBMED para acesso aos periódicos indexados no MEDLINE. Os critérios de inclusão foram: ser artigo original e abranger aspectos sobre cuidados paliativos, pediatria e percepção de cuidadores e profissionais de equipes de assistência. Foi realizada análise descritiva das características dos estudos e as informações foram organizadas segundo as categorias de análise: promoção de qualidade de vida, planos de tratamento, expectativas, aspectos emocionais e espirituais, comunicação, trabalho em equipe e as principais dificuldades vivenciadas por cuidadores e profissionais. A segunda etapa constituiu-se de um estudo observacional analítico de delineamento transversal, cuja população constou de pacientes em cuidados paliativos com idades entre 1 dia de vida e 17 anos e 11 meses, internados no referido hospital e encaminhados ao serviço de fonoaudiologia, e de seus cuidadores e profissionais que os acompanhavam. Os dados foram coletados dos prontuários dos pacientes e por meio de questionários aplicados aos cuidadores e profissionais da equipe. Foi realizada análise descritiva das informações e análise de concordância entre as percepções de cuidadoras e nutricionistas. Resultados: No primeiro estudo, dentre os 541 artigos localizados para a triagem, 23 foram selecionados para leitura completa e 10 artigos foram incluídos na análise final. No segundo estudo, a estimulação sensório motora oral, a adequação da postura, a via alternativa para alimentação e a orientação para a estimulação da linguagem foram as condutas fonoaudiológicas mais utilizadas. Foi relevante o número de pacientes que apresentou diminuição do risco de aspiração de saliva e na alimentação baseado no acompanhamento fonoaudiológico, conforme a percepção das cuidadoras e da maioria das profissionais. Na comunicação, houve melhora de grande parte dos pacientes na visão das cuidadoras e, na percepção das profissionais, houve melhora em pequeno número de casos. Foi observada forte relação do serviço de fonoaudiologia com as nutricionistas, no tratamento da alimentação, e com as fisioterapeutas, para tratar a deglutição. Com as terapeutas ocupacionais foi identificado um vínculo frágil nos aspectos trabalhados. Foi relevante a percepção positiva das cuidadoras sobre a qualidade de vida dos pacientes pediátricos em cuidados paliativos a partir do acompanhamento fonoaudiológico e foi identificada concordância moderada entre as percepções das nutricionistas e cuidadoras. Conclusões: Baseado na percepção de cuidadores e profissionais foi possível perceber que existem particularidades nos cuidados paliativos aos pacientes pediátricos, sendo importante a instrumentalização de ambos para lidarem com as condições ameaçadoras da vida de crianças e adolescentes. Concluiu-se ainda que os resultados da atuação fonoaudiológica nos cuidados paliativos pediátricos são percebidos por profissionais e cuidadores como favoráveis à maioria dos pacientes nos aspectos da deglutição de saliva e alimentação, além de contribuírem para a redução do sofrimento e favorecerem sua qualidade de vida.
2019-08-10T12:39:44Z
Vanessa Giovannini Gomes Cunha
O silêncio na violência
Este trabalho se insere dentro do Projeto de Pesquisa intitulado SAUVI- Saúde e Violência: Subsídios para Formulação de Políticas Públicas de Promoção de Saúde e Prevenção da Violência, que consiste de inquérito domiciliar realizado no município de Betim/MG, em 2014 e 2015. Teve como objetivo estudar a atitude das pessoas frente à violência, especificamente, o seu silêncio, ou não, frente a ela. Aamostra foi composta por 1.129 pessoas com 20 ou mais anos de idade, residentes nos domicílios particulares e permanentes localizados em setores censitários urbanos no município de Betim. Utilizou-se amostragem estratificada por conglomerados em vários estágios. A unidade amostral primária foi o setor censitário, a secundária, o domicílio e a terciária, a pessoa que respondeu uma entrevista estruturada (questionário). A seleção das pessoas dentro dos domicílios levou em conta a homogeneidade entre sexo e idade dentro da amostra, e se baseou nas Tabelas de Kish (1965). A amostra foi calculada com margem de erro máxima em 1,9% para a proporção de violência nos municípios e grau de confiança e 95%. Foi feita análise descritiva com distribuição de frequência simples e cruzada das variáveis estudadas. Também foram construídos dois indicadores, a saber, um indicador de violência no adulto (IVA) e um indicador de silêncio no adulto (ISA). A associação entre os níveis dos indicadores foi estudada a partir de análise de correspondência, também utilizada para verificar associações entre outras variáveis. Os resultados demonstraram que a violência sofrida foi relatada por 15,1% dosentrevistados. A pesquisa demonstrou que as pessoas têm procurado ajuda após sofrerem violência, mas existe silêncio (12,3%). O silêncio identificado foi pouco maior entre os homens (12,5%) e entre os mais jovens (15,9%). Com exceção dos pós-graduados, em todos os níveis de escolaridade observou-se silêncio. Casados (13,5%), da cor/raça branca/amarela (16,7%), praticantes de religião (12,9%) e comrenda até 3 salários mínimos foram a maioria. A frequência de silêncio foi maior no domicílio (22%) e menor na rua (7,7%), mas não foi suficiente para indicar uma diferença estatística. A maioria das pessoas relatou acreditar na prevenção da violência (77,8%), porém o silêncio foi bem maior entre os que não acreditam na prevenção (27,6%). O silêncio entre os que acreditam, os que não acreditam e os que não sabem são estatisticamente diferentes (valor p=0,017). Os serviços de saúde foram pouco citados como locais de procura de ajuda entre os adultos que sofreram violência. O debate em torno do silêncio e das atitudes tomadas após ter sofrido violência deve ser amplo e envolver os diversos atores da sociedade.