Repositório RCAAP
Fatores associados à Lesão Renal Aguda em uma unidade de terapia intensiva de um hospital público em Belo Horizonte, Minas Gerais
A lesão renal aguda (LRA) é uma complicação bem reconhecida em pacientes hospitalizados e doentes críticos e está associada a um aumento significativo da morbidade, mortalidade e despesas com cuidados de saúde. No contexto das unidades de terapia intensiva (UTI), a causa da LRA é comumente associada a múltiplos fatores, dentre os quais o uso de medicamentos com potencial nefrotóxico é frequentemente ignorado. Trata-se de um estudo de coorte prospectivo avaliando a ocorrência de LRA, como desfecho primário, em pacientes internados em UTI de um hospital de ensino em Belo Horizonte- MG. Foram avaliados para potencial elegibilidade, pacientes adultos com tempo de permanência na UTI maior que 24 horas e internação hospitalar inferior ou igual a sete dias e que não apresentaram alteração da função renal, no momento da internação na UTI. Realizou-se a coleta de dados no período de outubro de 2014 a fevereiro de 2015. Foram estudados 122 pacientes, sendo a maioria proveniente da clínica cirúrgica (46,7%). Identificou-se média de 22,0±9,4 medicamentos prescritos, variando de 2 a 24 fármacos com potencial nefrotóxico, por paciente. Houve necessidade de ventilação mecânica em 67,2% dos pacientes e de pelo menos um fármaco vasoativo em 68% dos casos. Dos pacientes acompanhados, 29 (23,8%) desenvolveram LRA, dos quais 10 requereram hemodiálise, sete chegaram ao estágio 3 de LRA e sete foram encaminhados para tratamento complementar após alta da UTI. Foram a óbito 11 (9%) pacientes, dos quais sete tinham desenvolvido LRA. A análise bivariada mostrou que a idade (p = 0,006) e escore APACHE II (p = 0,001) tiveram medianas mais elevadas entre os pacientes que desenvolveram LRA em comparação com os que não desenvolveram LRA. Na regressão logística, o número de medicamentos (OR: 1,15; IC 95%: 1,05 1,27), independentemente do seu potencial nefrotóxico, demonstrou estar associado ao desenvolvimento de LRA. A compreensão dos fatores associados à ocorrência de LRA em pacientes internados em UTI é de grande relevância e, além de reforçar a importância da atuação do farmacêutico no cuidado de pacientes críticos, serve de subsídio para a identificação precoce da disfunção renal induzida por medicamentos, propiciando a prevenção e o manejo adequado desses pacientes.
2019-08-14T19:44:56Z
Danielly Botelho Soares
Eu tomo medicamentos para estudar: compreendendo a experiência com Metilfenidato entre estudantes universitários
O metilfenidato é um medicamento utilizado para o tratamento do Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) e para a narcolepsia. Seu consumo no Brasil e no mundo tem aumentado a cada ano, bem como o uso não médico para neuroaprimoramento, o que vem chamando a atenção de pesquisadores e da população em geral. Conhecer a experiência com o uso do metilfenidato e os significados que seus usuários lhe atribuem, poderia contribuir para aumentar a compreensão sobre o medicamento e sensibilizar profissionais da saúde e da educação sobre as questões que envolvem este uso. Para acessar essa experiência, escolheu-se como metodologia o fotovoz. Nesta abordagem, fotografias captadas pelos próprios participantes da pesquisa foram utilizadas como o ponto de partida para reflexão e discussão. As gravações e transcrições das entrevistas constituíram os dados, que foram analisados na perspectiva da teoria da ação dialógica de Paulo Freire com a ajuda do software NVivo 10. A análise dos dados resultou em três temas e seis subtemas. O primeiro tema foi A Entrada na Faculdade: Estude... Você não é tão bom assim, com os subtemas Eu não consigo e A busca por ajuda. O segundo foi A Entrada do Medicamento na Vida: a Experiência com o uso de Metilfenidato e seus subtemas foram A vida é linda, a felicidade é química: as expectativas; Se ele é tarja preta, ele deve ser mais forte: os medos; Os efeitos sentidos no corpo e O domínio sobre a terapia medicamentosa. O terceiro tema encontrado foi As Diferentes Percepções sobre o TDAH e o Neuroaprimoramento, em que foram abordados os sentimentos ambíguos e muitas vezes conflitantes encontrados nas entrevistas. O uso do metilfenidato ainda envolve muita polêmica e mais pesquisas devem ser desenvolvidas para ampliar o conhecimento e debate sobre o tema. Também é preciso ampliar as discussões sobre o método de ensino usado nas escolas e universidades atuais e sobre o papel da equipe multiprofissional no acompanhamento de pacientes em uso deste medicamento.
2019-08-13T07:09:52Z
Julia de Paula Penna Palhares
Perfil de utilização de medicamentos e qualidade de vida de usuários atendidos em quatro unidades básicas de saúde de Belo Horizonte
Estudos sobre a utilização de medicamentos são importantes para compreender os determinantes individuais relacionados ao seu uso. Avaliar a qualidade de vida (QV) dos indivíduos que utilizam medicamentos é necessário para compreender a influência dessa utilização na QV. Essas informações subsidiam ações que poderão direcionar políticas de promoção da saúde e o uso adequado de medicamentos. O objetivo desse estudo foi avaliar o perfil de utilização de medicamentos e a QV em usuários de quatro Unidades Básicas de Saúde (UBS), de Belo Horizonte. Este é um estudo de delineamento do tipo transversal realizado entre 2013 e 2014, por meio de entrevistas mediante a aplicação de questionário semiestruturado aos usuários cadastrados em uma das quatro UBS, e com idade igual ou superior a 18 anos. As variáveis de medida de resultado foram o número de medicamentos utilizados nos 15 dias anteriores à entrevista e a QV, que foi avaliada por meio do instrumento WHOQOL-bref. Participaram do estudo 930 indivíduos, sendo a maioria mulheres (79,9%) com média de 45 anos de idade e baixa escolaridade (64,7%). Os participantes utilizaram, em média, 2,2 medicamentos e a prevalência de uso foi de 78%. O aumento do número de doenças crônicas e consultar o médico mais de cinco vezes, anualmente, associaram-se com a maior utilização de medicamentos. O aumento da idade e o pior estado de saúde autorreferido relacionou-se com o maior uso de medicamentos tanto na população total quanto nas mulheres. Falhas nas orientações sobre a condição de saúde e o tratamento tanto na população total quanto nas mulheres se relacionaram com a diminuição do uso de medicamentos. Nos homens, não ter emprego e ter sido internado estiveram associados com o aumento do uso de medicamentos. Os medicamentos mais utilizados foram os do sistema cardiovascular (37,9%) e do sistema nervoso (29,6%). Os indivíduos que usaram medicamentos, independente da presença ou não de doenças crônicas, tiveram pior autopercepção de QV, principalmente na QV geral e no domínio físico. O aumento no número de medicamentos utilizados, independentemente da classe farmacológica, relacionou-se com menores escores de QV. Para o uso adequado dos medicamentos, sugere-se que grupos que utilizem mais medicamentos, como idosos e pessoas com doenças crônicas, recebam maiores cuidados nas UBS. O uso de medicamentos mostrou uma influência negativa na autopercepção do 7 indivíduo sobre sua QV, tanto na quantidade quanto no tipo de medicamento utilizado. A diminuição da QV em pacientes em uso de medicamentos tem aspectos multidimensionais, envolvendo os seus eventos adversos, a percepção de estar doente e a diminuição da autonomia. Fortalecer e aprimorar os serviços prestados podem promover o uso racional de medicamentos e melhorar a QV dos indivíduos.
Conhecimento dos agentes comunitários de saúde sobre a Tuberculose, suas medidas de controle e tratamento diretamente observado
A tuberculose apresenta forte componente social e revela-se como problema de saúde pública em escala mundial. O controle dessa enfermidade permanece como um desafio atual, tendo em vista a divergência entre a taxa de casos com desfecho de cura registrada e a meta estipulada para atingir a sua eliminação. Diante do objetivo de reduzir o abandono de tratamento entre os casos da doença, uma das estratégias recomendadas pela Organização Mundial de Saúde é a realização do Tratamento Diretamente Observado (TDO). No Brasil, os Agentes Comunitários de Saúde (ACS) atuam, de maneira individual ou coletiva, em atividades de prevenção de doenças e promoção de saúde. Esses profissionais são responsáveis por aumentar o vínculo entre pacientes e comunidade com a Unidade Básica de Saúde. Portanto, os ACS foram eleitos para essa pesquisa, por estarem envolvidos diretamente em ações de controle da tuberculose, dentre as quais se inclui o TDO. Este estudo utiliza um delineamento do tipo transversal efetuado mediante a aplicação de questionário semi-estruturado, auto-aplicável e pré-testado em uma amostra aleatória e representativa de 489 agentes de Belo Horizonte, MG em 2013. As variáveis de medida de resultado foram dispostas em níveis de conhecimento sobre tuberculose, medidas de controle e TDO. Após análise o nível de conhecimento foi categorizado em abaixo ou acima da mediana para fins de comparação quanto às características explicativas. Houve predomínio de respondentes do sexo feminino, com idade entre 30 e 39 anos, com ensino médio completo e atuando há três ou mais anos no cargo. Em relação ao conhecimento, a média de itens acertados foi 74,6%, demonstrando que os ACS dominam quais devem ser suas ações no manejo dos casos de tuberculose. Entretanto, verificou-se uma lacuna no conhecimento sobre a identificação de pacientes bacilíferos, o público-alvo do TDO e qual a técnica adequada para supervisão do tratamento. Além disso, foi observada associação entre maior conhecimento e acompanhamento de casos nos 12 meses anteriores à entrevista, capacitação em tuberculose e nível de escolaridade. Esse estudo poderá subsidiar a construção de estratégias destinadas ao aprimoramento do exercício profissional dos ACS e aperfeiçoamento das atividades de controle da tuberculose.
2019-08-12T04:45:54Z
Gustavo Silva Souto Rocha
Percepções dos agentes comunitários de saúde de Belo Horizonte sobre Tuberculose e tratamento
A tuberculose é um grande desafio para a saúde pública. O Brasil está entre os 22 países que possuem a maior carga da doença. Com o intuito de aumentar a adesão dos pacientes ao tratamento da tuberculose, foi criado o tratamento diretamente observado. Por sua atuação e experiências, o agente comunitário de saúde é um dos pilares no controle da tuberculose e na supervisão do tratamento, inclusive em Belo Horizonte. Foi pretendido com esse estudo compreender as percepções desses profissionais sobre a tuberculose e o tratamento. Um questionário semiestruturado e autoaplicável, contendo questões fechadas e abertas respondido por 489 agentes comunitários de saúde de 37 centros de saúde de todas as regiões de Belo Horizonte. O período de coleta da pesquisa foi de julho a dezembro de 2013. Para o presente estudo, foram analisadas as questões abertas, que abordavam as facilidades e dificuldades durante o supervisionamento do tratamento da tuberculose e sugestões para aumentar a adesão. Foi utilizada uma abordagem qualitativa por meio de análise de conteúdo temática e interpretação dos resultados com base na Teoria das Representações Sociais. Dos 428 trabalhadores que responderam às questões abertas, mais de 90% eram mulheres, 51,5% trabalhavam como agentes comunitários de saúde há seis anos ou mais e 51,2% haviam realizado a supervisão. A partir da análise de conteúdo foram obtidas cinco categorias: fatores intrínsecos ao sistema de saúde; fatores intrínsecos aos agentes comunitários de saúde na execução do tratamento diretamente observado; aspectos e desfechos relacionados ao tratamento da tuberculose; fatores intrínsecos ao paciente e seu contexto sociocultural; e o empoderamento como um indutor de mudança. Apesar dos agentes comunitários de saúde formarem um ator social importante para a controle e tratamento da tuberculose, observou-se a presença de desafios, como a sobrecarga de trabalho, deficiências no processo de formação desses trabalhadores, a vulnerabilidade social e constrangimento para determinados pacientes. O estigma interfere no tratamento, uma vez que as visitas podem revelar o diagnóstico. Diante do complexo desafio, os trabalhadores acabam recorrendo ao uso do poder opressor do estado, como a hospitalização compulsória. Muitos consideraram, equivocadamente, que a adesão é influenciada na maior parte por fatores relacionados ao paciente. Conclui-se que uma maior liberdade na escolha do 6 responsável pela supervisão pode ser importante, de modo a aumentar a comodidade e adesão ao tratamento. Além disso, a educação popular em saúde também pode contribuir para empoderar e motivar os envolvidos. A flexibilização da rotina de trabalho dos agentes comunitários de saúde também deve ser considerada para a melhoria da assistência à saúde.
2019-08-13T18:24:49Z
Kennedy Crepalde Ribeiro
Acesso, qualidade e uso racional de medicamentos em unidades básicas de saúde do distrito sanitário Nordeste de Belo Horizonte
O acesso a medicamentos é um dos objetivos da Política Nacional de Assistência Farmacêutica e o conhecimento sobre as suas dimensões é importante para subsidiar ações nos serviços de saúde. O objetivo dos autores ao realizar este estudo foi avaliar a Assistência Farmacêutica na Atenção Primária à Saúde do Distrito Sanitário Nordeste de Belo Horizonte, Minas Gerais, no ano de 2014, sob os aspectos do acesso, qualidade e uso racional de medicamentos. Foi realizado um estudo epidemiológico, descritivo e transversal em 20 Unidades Básicas de Saúde (UBS) e no almoxarifado da Farmácia Distrital, utilizando 17 indicadores da Organização Mundial da Saúde. Foram entrevistados 127 prescritores, 20 profissionais das farmácias e 399 usuários. A disponibilidade de 15 medicamentos selecionados como prioritários no momento da visita nas UBS foi de 98,3±3,7% e nos últimos 12 meses foi de 42,5±13,6%. Quanto ao acesso geográfico, observou-se que 93,2% dos usuários demoraram até 30 minutos no trajeto entre sua residência e a UBS. O número médio de medicamentos por prescrição foi 3,5 e apresentou-se associado com a idade do paciente igual ou superior a 60 anos (p=0,00). A proporção de prescrições contendo antibiótico, injetável, medicamento prescrito pelo nome genérico e medicamento presente na relação de medicamentos essenciais foi 17,8%; 9,8%; 94,9%; 91,4%; respectivamente. A proporção de alcance de itens com condições adequadas de armazenamento foi de 25% para as farmácias e de 83,3% para o almoxarifado. Não foram encontrados medicamentos vencidos. Concluiu-se que no Distrito Sanitário Nordeste do município de Belo Horizonte a população tem condições adequadas de acesso geográfico às UBS e aos serviços das farmácias locais, mas torna-se necessária a melhoria da disponibilidade dos medicamentos essenciais, da estrutura física das farmácias e da qualificação dos recursos humanos envolvidos no uso racional de medicamentos. Demonstrou-se a importância da utilização dos indicadores no planejamento e monitoramento das ações da Assistência Farmacêutica
Conhecimento dos Farmacêuticos da atenção primária à saúde de Belo Horizonte sobre Tuberculose
O farmacêutico é um profissional importante quando nos referimos às informações sobre os medicamentos, e para que este profissional esteja preparado para suas funções, ele deve ser fonte de informações corretas e seguras. Dentre todas as ações do farmacêutico, esse profissional tem um papel importante no tratamento de doenças e condições clínicas frequentes na Atenção Primária a Saúde, dentre elas a Tuberculose (TB), auxiliando na adesão ao tratamento. O farmacêutico tem a responsabilidade de acompanhar constantemente o paciente com TB, avaliar a utilização de medicamento, evitar uso incorreto e, ainda, esclarecer a população e informar aos profissionais das Equipes de Saúde da Família (ESF) sobre o uso racional de medicamento por intermédio de ações que norteiam a prescrição, a dispensação e o uso de medicamento. A TB continua sendo uma doença de relevância na saúde pública e a adesão ao seu tratamento é um problema que precisa ser constantemente enfrentado. O objetivo ao realizar este trabalho foi avaliar o conhecimento em relação a diferentes aspectos da tuberculose pelos profissionais farmacêuticos que atuavam na Atenção Primária a Saúde em Belo Horizonte, Minas Gerais. É um estudo de corte transversal realizado com 53 farmacêuticos que atuavam nos NASFs vinculados aos Centros de Saúde do Município de Belo Horizonte, mediante a aplicação de questionário semi-estruturado, auto-aplicável e pré-testado. As variáveis de medida de resultados foram dispostas em porcentagem de acertos sobre TB, TDO, diagnóstico e tratamento. A maioria dos farmacêuticos era do sexo feminino, com média de idade de 33,5 anos, predominantemente formados entre 2006 e 2011 e há menos de dois anos atuando na APS da PBH. Em relação ao conhecimento, a média de acertos foi de 79,6%, sendo o domínio TDO a maior média de acertos e o domínio diagnóstico a menor média. O nível de conhecimento foi categorizado em abaixo ou acima da média para fins de comparação quanto às características dos entrevistados. Foram observadas associações estatisticamente significantes entre o domínio diagnóstico com não possuir pos-graduação, tempo de trabalho na APS da PBH e o tempo de realização de capacitação sobre TB oferecida pela PBH. Também foi encontrado associação estatisticamente siginificante entre o domínio Tratamento e a autopercepção do conhecimento adquirido sobre TB nas capacitações oferecidas pela PBH. Entendemos que os farmacêuticos que atuavam na APS de Belo Horizonte apresentaram um bom nível de conhecimento com relação à diferentes aspectos da TB, com lacunas, principalmente, no domínio de conhecimento Tratamento. Reconhecendo a importância do papel do farmacêutico no acompanhamento do paciente com TB, aponta-se a necessidade crucial de educação permanente destes profissionais.
Avaliação da assistência Farmacêutica nos centros de atencão psicossocial da região do Médio Paraopeba-MG
Os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) compõem uma das portas de entrada ao SUS, nestes serviços o uso de medicamentos constitui uma parte importante no tratamento e controle das doenças mentais, proporcionando a reintegração e convivência do indivíduo com a sociedade. O objetivo do estudo foi analisar a estrutura dos CAPS e a organização da Assistência Farmacêutica nestes serviços. Um estudo descritivo transversal foi realizado em sete municípios que compõem aRegião do Médio Paraopeba em Minas Gerais, analisando todos os 14 CAPS de diversas modalidades presentes nesta região no período de abril a junho de 2014. Baseado no modelo de avaliação de Donabedian, recomendações e legislações vigentes, foram elaborados questionários semi-estruturados, para entrevista com os gestores, observação direta dos CAPS e a análise das prescrições atendidas nestes serviços. A avaliação de estruturas identificou que grande parte dos CAPS destaregião se adéqua as normas e recomendações do Ministério da Saúde (MS) e apresenta uma equipe de profissionais superior ao mínimo recomendado, para algumas categorias profissionais. Observou-se que os processos da Assistência Farmacêutica, em geral, estão organizados para o atendimento da Saúde Mental em cada uma das etapas de seu ciclo logístico e os indicadores da qualidade dasprescrições apresentam bons resultados. A análise das prescrições apontou algumas correlações em relação a modalidade do serviço, sexo dos pacientes e uso de medicamentos. Os resultados obtidos apontam para a necessidade de implantação de melhorias na estrutura física e acessibilidade, adequação a legislação sanitária como a regulamentação das farmácias/dispensários de medicamentos, e cumprimento de critérios de rastreabilidade na dispensação demedicamentos psicotrópicos. Destaca-se ainda a necessidade de ações direcionadas ao paciente, em função da grande utilização dos medicamentos nos CAPS e diversas limitações dos pacientes acolhidos. Frente aos resultados obtidos foi proposto um esquema inicial com o perfil das prescrições atendidas que poderáser norteador de novos estudos ou mesmo direcionar a implantação de prioridades para estabelecimento de serviços farmacêuticos, protocolos, recomendações de segurança dos pacientes e uso racional de medicamentos, visto a baixa representatividade e discreta participação do farmacêutico nos serviços assistenciais desta região. Ao estabelecer um diagnóstico inicial, o estudo permite a reflexão quanto a organização em nível de estruturas e processos nos CAPS e reforça a necessidade de incentivar ações que proporcionem resultados adequados na promoção da Assistência Farmacêutica aos pacientes da Saúde Mental.
Utilização de medicamentos pelos usuários da atenção primária do Sistema Único de Saúde do Brasil
Introdução: O medicamento é uma das ferramentas terapêuticas mais utilizadas no cuidado em saúde e sua utilização é influenciada por diversos fatores. Os Estudos de Utilização de Medicamentos permitem conhecer o perfil de utilização em diferentes contextos, possibilitando intervenções necessárias ao uso racional de medicamentos e o aprimoramento dos serviços assistenciais. Objetivo: Descrever o perfil de utilização de medicamentos dos usuários da Atenção Primária (APS) do Sistema Único de Saúde no Brasil. Métodos: Estudo transversal, exploratório, de natureza descritiva, parte da Pesquisa Nacional Sobre Acesso, Utilização e Promoção do Uso Racional de Medicamentos (PNAUM) componente Serviços. Foram realizadas entrevistas com usuários da APS presentes nos serviços de saúde, por meiode questionários semiestruturados. Foram avaliadas as variáveis sociodemográficas, clínicas e relacionadas ao uso de medicamentos. Foi verificado o uso de medicamentos nos 30 dias anteriores à entrevista. A população foi estratificada em três faixas etárias: 18 a 44, 45 a 64 e 65 anos ou mais. As diferenças entre as faixas etárias foram verificadas por meio do teste t de Student, para variáveis contínuas e teste qui-quadrado de Pearson, para variáveis categóricas. Utilizou-se o plano de análises para amostras complexas. Os medicamentos foramclassificados conforme o Anatomical Therapeutical Chemical Classification System (ATC). Resultados: De 8.803 usuários entrevistados, 6.511 (76,2%) relataram uso de medicamentosnos 30 dias anteriores à entrevista. Em média, cada usuário utilizou 2,32 medicamentos. Dentre os usuários de medicamentos, 18,2% tinham 65 anos de idade ou mais. Em comparação com as demais faixas etárias os idosos apresentaram mais comorbidades, usaram mais medicamentos e autorrelataram pior condição de saúde. Eram ainda menos escolarizados, relataram pior situação econômica e viviam sozinhos. Os medicamentos mais utilizados, considerando-se o 3° nível da classificação ATC, foram outros analgésicos e antipiréticos e, considerando-se o 5º nível foi a losartana. Conclusão: O perfil dos usuários de medicamentos foi de pessoas com baixa escolaridade e com comorbidades. Usuários idosos apresentaram baixa escolaridade, menor acesso a bens de consumo, relataram a presença de mais comorbidade e, quando comparados aos demais grupos, apresentaram mais dificuldades no uso de medicamentos, o que os coloca em situação de maior vulnerabilidade. Os resultados deste estudo fornecem dados que permitem melhorar a compreensão do uso de medicamentos pela população, possibilitando intervenções adequadas.
2019-08-11T07:57:01Z
Clarisse Melo Franco Neves Costa
Avaliação da efetividade e segurança dos agentes Anti-TNF utilizados no tratamento de pacientes com Artrite Reumatoide em Minas Gerais
A artrite reumatoide (AR) é uma doença inflamatória, sistêmica e progressiva que leva a deformidade e destruição das articulações. Por ser uma doença crônica, a AR necessita de tratamento por tempo prolongado, acarretando custos elevados para o Sistema Único de Saúde (SUS). O tratamento medicamentoso inclui utilização de agentes biológicos, como os anti-TNF, que são indicados para pacientes que apresentaram falha terapêutica ao tratamento com Medicamentos Modificadores do Curso da Doença Sintéticos (MMCDs). O objetivo deste estudo foi avaliar a efetividade e a segurança dos agentes anti-TNF, usados no tratamento da artrite reumatoide disponibilizados pelo SUS por meio da Superintendência Regional de Saúde de Belo Horizonte, Minas Gerais. Os pacientes foram acompanhados por 18 meses, através de entrevista na primeira dispensação do medicamento e em seguida, a cada seis meses. A coorte foi constituída por 51 pacientes com AR, em sua maioria do sexo feminino e com tempo médio de duração da doença de 10,11 anos. Cerca de 65% (n= 33) dos pacientes iniciaram o estudo com o uso de adalimumabe, enquanto 19,6% (n= 10) utilizavam etanercepte, 13,7% (n= 7) golimumabe e 2,0% (n= 1) certolizumabe. O Clinical Disease Activity Index (CDAI) apresentou valor médio de 25,03, evidenciando atividade alta da doença no início do acompanhamento. Houve diferença estatisticamente significativa entre o valor médio do CDAI apresentado na primeira entrevista quando comparado ao valor da segunda, terceira e quarta entrevista. Entretanto, o mesmo resultado não foi observado ao comparar o CDAI da segunda para a terceira e da terceira para quarta entrevista. Verificou-se que apenas 52,9% (n= 27), 51,0% (n= 26) e 52,9% (n= 27), dos pacientes alcançaram a remissão ou atividade leve da AR, após seis, 12 e 18 meses de tratamento, respectivamente. Após seis meses de tratamento, 74,5% (n= 38) dos pacientes relataram algum tipo de reação adversa, 60,8% (n= 31), após 12 meses e 62,7% (n= 32) após 18 meses. Em geral, o tratamento com os anti-TNF foi bem tolerado pelos pacientes desta coorte. Os resultados deste estudo reforçam a importância de um acompanhamento contínuo dos pacientes para verificar a possibilidade de troca da terapia em situações de falha terapêutica e/ou reações adversas, tanto para garantir uma melhor qualidade de vida para os pacientes como para evitar gasto desnecessário para o SUS.
Efetividade clínica do Análogo glargina no Diabetes Tipo 1: revisão sistemática e Coorte histórica
INTRODUÇÃO: O diabetes mellitus (DM) tem tomado proporções epidêmicas nos últimos anos, configurando-se um crescente problema de saúde pública mundial, principalmente por ocasionar prejuízos ao paciente sob os aspectos clínico, social, econômico e de qualidade devida, visto seu potencial de morbimortalidade. O tratamento do paciente com diabetes mellitus tipo 1 (DM1) consiste basicamente na reposição da insulina não produzida endogenamente. O uso dos análogos de insulina para este fim tem sido difundido, mas os reais benefícios terapêuticos ainda carecem de evidências. OBJETIVO: Avaliar a efetividade clínica do análogo glargina comparativamente à insulinaNPH no tratamento de pacientes com DM1. METODOS: A) Revisão Sistemática Foi realizada uma revisão sistemática (RS) commetanálise. Na RS foram incluídos estudos de coorte e registro, disponíveis nas bases de dados PUBMED, LILACS, CENTRAL (acessados até junho de 2015), incluindo busca manual e literatura cinzenta. A metanálise foi conduzida no software Review Manager® 5.2.Os desfechos primários avaliados foram: glicohemoglobina (HbA1c), ganho de peso e ocorrência de hipoglicemias. Para a avaliação da qualidade metodológica foi realizada utilizando a escala Newcastle. B) Coorte histórica Realizou-se um estudo de coorte histórica de pacientes com DM1, que receberam o análogo glargina por meio do componente especializado/alto custo da Secretaria Estadual de Saúde de Minas Gerais. Foi construído um banco de dados destes indivíduos, cadastrados conforme Protocolo de utilização do análogo glargina no Estado de Minas Gerais. A coorte foi composta por pacientes em uso do análogo glargina por 6 meses pelo menos e cuja inclusão no programa ocorreu entre janeiro/2011 e janeiro/2015. Estes pacientes foram comparados a si mesmos quando em uso de insulina NPHe em uso do análogo glargina. Foram avaliados os valores de HbA1c e o controle glicêmico dos pacientes. RESULTADOS: A) Revisão Sistemática De um total de 796 publicações, 11 estudosforam incluídos. A metanálise favoreceu o análogo glargina nos desfechos HbA1c (pacientes adultos) e ocorrência de hipoglicemia (p< 0,05), porém sem ser alcançado o controle glicêmico (HbA1c em torno de 7%). A qualidade metodológica dos estudos foi moderada e45% deles foram financiados pela indústria farmacêutica. B) Coorte histórica Foram incluídos no estudo 580 pacientes. As análises demonstraram redução estatisticamente significante dos valores de HbA1c de 8,80 ±1,98% quando em uso de insulina NPH, para 8,54±1,88% (valor p=0,001) após 6 meses de uso do análogo glargina. A frequência de pacientes 6 com controle glicêmico variou de 22,6% em uso de insulina NPH para 26,2% em uso do análogo glargina. A dose diária média de insulina basal variou de 35,23 ± 15 UI quando emuso de insulina NPH para 34,38 ±15 UI após 6 meses de utilização do análogo glargina (valor p = 0,018). A análise de post hoc pelo teste de Tukey demonstrou diferença estatisticamente significante na dose média do análogo glargina entre pacientes de 06 a 12 anos, que sãomenores comparadas as doses utilizadas por outras faixas etárias. Pacientes com e sem controle glicêmico não apresentam nenhuma diferença estatisticamente significante em todas as variáveis.CONCLUSÕES: A) Revisão Sistemática Tendo em vista a alta heterogeneidade dos estudos, o valor discreto apresentado pela estimativa de efeito nos desfechos de efetividade e segurança, os potenciais conflitos de interesse dos estudos incluídos e o custo de tratamento frente às alternativas terapêuticas existentes, não há suporte para a recomendação diferencial na terapia com os análogos avaliados. O papel dos análogos no tratamento na DM1 deve ser melhor determinado por meio de estudos de efetividade de boa qualidade metodológica, de modo a avaliar o perfil de segurança em longo prazo, bem como avaliações econômicas das alternativas terapêuticas. B) Coorte histórica A avaliação dos grupos de pacientes com esem controle glicêmico após seis meses de utilização do análogo glargina permitiu concluir que não existe associação entre uso do análogo glargina e características do paciente ou do tratamento. Visto que as diferenças entre elas são mínimas, podemos afirmar que a insulina NPH é tão efetiva quanto o análogo glargina, não havendo justificativas para uma diferença exorbitante de preço entre elas. Torna-se iminente e impositivo repensar a estratégia de fornecimento do medicamento nos estados brasileiros e tomar medidas de renegociação nos preços praticados.
Avaliação da efetividade dos medicamentos biológicos para o tratamento da Artrite Reumatoide
A artrite reumatoide (AR) é uma doença crônica e progressiva, caracterizada pela inflamação da membrana sinovial das articulações. O tratamento da AR consiste na educação do paciente e de sua família, terapia medicamentosa, fisioterapia, apoio psicossocial, terapia ocupacional e abordagens cirúrgicas. As terapias medicamentosas incluem uso de anti-inflamatórios não esteroides, corticoides, medicamentos modificadores do curso da doença sintéticos (MMCDs) e biológicos (MMCDb). Nesse trabalho foi avaliada a efetividade dos MMCDb, para o tratamento da AR, por meio de uma revisão sistemática com metanálise e por um estudo de coorte aberta prospectiva realizado no Sistema Único de Saúde (SUS). Na revisão sistemática foi realizada uma busca de estudos de coorte de pacientes com AR tratados com MMCDb. Os critérios de avaliação de efetividade incluídos foram a Liga Européia Contra o Reumatismo, o Escore da Atividade da Doença, o Índice Clínico da Atividade da Doença (CDAI), o Índice Simplificado da Atividade da Doença, o Colégio Americano de Reumatologia e o Questionário de Avaliação da Saúde. Esse estudo observou que, para pacientes virgens de tratamento com inibidores do fator de necrose tumoral (anti-TNF), adalimumabe e etanercepte são mais efetivos do que o infliximabe. Além disso, verificou-se que eles possuem melhor efetividade quando combinados com metotrexato do que quando em monoterapia. No entanto, em casos de falha terapêutica aos anti-TNF, rituximabe e abatacepte (não anti-TNF) e etanercepte (como segundo anti-TNF) foram mais efetivos. Entretanto, mais estudos foram encontrados para o rituximabe, o que reforça a necessidade de novos estudos de efetividade desses medicamentos. No estudo de coorte prospectiva aberta foram incluídos indivíduos com diagnóstico de AR tratados com agentes anti-TNF, adalimumabe e etanercepte, e atendidos pelo SUS, Brasil. Como medida de efetividade, CDAI basal, e após seis e 12 meses de acompanhamento foi utilizado para avaliar a efetividade dos agentes anti-TNF. Os medicamentos adalimumabe e etanercepte reduziram significantemente a atividade da doença medida pelo CDAI em um ano de acompanhamento e não apresentaram diferenças entre eles. Os pacientes que atingiram remissão ou atividade leve foram 46,7%. Em um cenário da vida real, os MMCDb têm demonstrado ser alternativas efetivas para o tratamento da doença, conforme pode ser visto na revisão sistemática e na coorte. Na revisão sistemática, os MMCDb, quando utilizados em combinação com os MMCDs, apresentaram melhores resultados do que em monoterapia. Na coorte, metade dos pacientes atingiu o alvo terapêutico (remissão ou atividade leve da doença). Os outos pacientes não atingiram remissão ou atividade leve da doença e deveriam ter trocado de medicamento, conforme indicado pelo Protocolo Clínico de Diretrizes Terapêuticas da AR. Nesse caso um acompanhamento farmacoterapêutico contínuo adotado por uma equipe multidisciplinar poderia garantir melhores resultados.
2019-08-13T22:56:10Z
Jessica Barreto dos Santos
Uso de medicamentos potencialmente inadequados entre idosos no município de Viçosa - MG: um inquérito de base populacional
O objetivo do estudo foi avaliar o uso de medicamentos potencialmenteinadequados (MPI) entre idosos do município de Viçosa (MG), segundo os critérios de Beers 2012 e os critérios STOPP (Screening Tool of Older Persons Prescriptions), bem como identificar os fatores associados a este uso. Trata-se de um estudo transversal conduzido em 2009 com 621 idosos não institucionalizados, os quais foram abordados por meio de entrevista domiciliar. As variáveis explicativas foram: sexo, idade, escolaridade, percepção da saúde, restrição de atividades nos últimos 15 dias, capacidade funcional, história de internação hospitalar, número de doenças autorreferidas e polifarmácia. Realizou-se análisedescritiva e análise de regressão de Poisson univariada e multivariada. Segundo os critérios de Beers 2012, 47,9% dos idosos foram expostos a pelo menos um MPI (IC 95% = 43,7%-52,1%). Já de acordo com os critérios STOPP, a prevalência de uso de MPI foi de 48,9% (IC 95% = 44,7%-53,0%). Considerando ambos os critérios, 33,7% dos idosos utilizaram MPI. Entretanto, independentemente do critério, um total de 61,9% dos idosos utilizaram MPI. Na análise multivariada a polifarmácia se manteve independentemente associada ao uso de MPI de acordo com o critério de Beers. Já para o critério STOPP, as variáveis independentemente associadas ao uso de MPI foram o sexo feminino, a percepção de saúde regular e a polifarmácia. É importante se qualificar a polifarmácia para que a mesma não se constitua em fator de risco para o uso de MPI. A utilização dos critérios de Beers e STOPP revelou alta prevalência de uso de MPI entre os idosos e não houve diferença significativa entre eles. Nossos resultados demonstram que ambos os critérios são aplicáveis a realidade da atenção primária no Brasil. Tais critérios devem ser difundidos e incorporados a prática profissional através de protocolos clínicos destinados a atenção a saúde do idoso. Adicionalmente é necessária sua atualização periódica para que possam se adaptar às mudanças de medicamentos comercializados e às evidências científicas atuais.
Perfil de utilização e fatores associados ao uso de plantas medicinais em pessoas com diabetes Mellitus em Minas Gerais, Brasil
O Brasil apresenta elevada prevalência de diabetes e uma longa tradição no uso de plantas medicinais. Este estudo avaliou o perfil de utilização de plantas medicinais e identificou fatores associados ao seu uso, em indivíduos com diabetes mellitus. Foi realizado um inquérito epidemiológico de base domiciliar em 63 municípios do estado de Minas Gerais, em 2014. Os dados foram coletados por meio de entrevistas, utilizando questionário estruturado. Regressão logística foi utilizada para identificar fatores associados ao uso de plantas medicinais. Foram entrevistados 2.620 diabéticos. Destes, 29,30% relataram o uso de plantas medicinais nos últimos 15 dias. As plantas mais utilizadas foram erva-cidreira, hortelã, camomila, chá mate e quiabo. Três casos de hipoglicemia foram relatados com o uso do chá conhecido popularmente como insulina vegetal. Observou-se que ser do sexo feminino, ter diabetes mellitus tipo II, praticar atividade física e ter menor escolaridade estão associados significativamente ao uso de plantas medicinais. O estudo confirmou alta frequência de utilização de plantas medicinais pelos diabéticos no Brasil, sendo recomendado que profissionais de saúde considerem a utilização dessa terapia pelos seus pacientes.
Estudo de utilização de medicamentos e fatores associados à polifarmácia em pacientes portadores de Diabetes Mellitus em municípios de Minas Gerais
O Diabetes Mellitus (DM) apresenta-se como uma epidemia mundial e um grande desafio para os sistemas de saúde de todo o mundo. É uma doença crônica, de etiologia múltipla, decorrente da deficiência na produção de insulina e/ou da sua incapacidade em exercer adequadamente seus efeitos. Verifica-se que estudos recentes em diferentes populações de pacientes com DM relatam o uso de um elevado número de medicamentos, o que caracteriza a prática de polifarmácia. Entretanto, não foram identificados estudos que enfoquem a polifarmácia e seus fatores associados. Nesse contexto, o objetivo deste estudo foi avaliar o perfil de utilização de medicamentos e os fatores associados à polifarmácia em indivíduos com diabetes mellitus (DM) em Minas Gerais, Brasil. Realizou-se estudo transversal em 63 municípios mineiros em janeiro e fevereiro de 2014. Foi realizada análise descritiva das características dos entrevistados e dos medicamentos em uso pela codificação Anatômica-Terapêutica-Química. Testou-se a associação entre características sócio-demográficas e clínicas com a polifarmácia, por meio de regressão logística. Dos 2619 entrevistados com DM, a maioria tinha 60 anos ou mais e era do sexo feminino, sendo 83,7% com DM tipo 2 e 10,4% com DM tipo 1. Polifarmácia foi observada em 56,5% dos participantes. Os medicamentos para DM, os atuantes no sistema renina-angiotensina e os diuréticos foram as classes terapêuticas mais frequentes. Ter idade acima de 40 anos, autopercepção de saúde ruim ou muito ruim, presença de cinco ou mais comorbidades, tempo de diagnóstico acima de 10 anos, ter consultado ao médico quatro vezes ou mais no último ano, ausência de atividade física regular, interrupção das atividades habituais nos últimos 15 dias e ter plano de saúde particular foram os fatores associados com polifarmácia. A maioria dos participantes estava em polifarmácia, o que pode aumentar o risco de reações adversas e interações medicamentosas. Fatores como envelhecimento, presença de comorbidades e acesso aos serviços de saúde contribuíram para maior uso de medicamentos. Por isso, há necessidade de profissionais capacitados para prover o cuidado adequado, melhorar a qualidade do uso de medicamentos e minimizar as consequências negativas na saúde dessa população.
2019-08-11T06:22:31Z
Michael Ruberson Ribeiro da Silva
Adaptação transcultural e validação do instrumento oral anticoagulation knowledge (OAK) test para o Português do Brasil
A prevalência elevada da morbimortalidade relacionada ao uso dos medicamentos constitui um problema de saúde pública. A varfarina está entre os principais fármacos associados a mortes acidentais e outros eventos adversos, resultando em danos ao paciente. O conhecimento dos pacientes sobre a terapia medicamentosa da anticoagulação oral, portanto, desempenha papel fundamental na prevenção de complicações graves, visto que o risco de sangramento ou tromboembolismo aumenta com o uso incorreto da varfarina. Não há um instrumento para a avaliação do conhecimento do paciente sobre a terapia anticoagulante com varfarina válido e confiável para uso na população brasileira. Dessa forma, o objetivo deste estudo foi realizar a adaptação transcultural e validação do instrumento Oral Anticoagulation Knowledge (OAK) Test para o idioma português do Brasil. O método utilizado envolveu as etapas de tradução inicial, síntese das traduções, retrotradução, revisão pelo comitê de especialistas, pré-teste e validação por meio da avaliação das propriedades psicométricas. O processo de adaptação transcultural demonstrou que a versão brasileira e americana são conceitualmente equivalentes e que o instrumento obtido possui boas propriedades psicométricas. Obteve-se o valor do de Cronbach total igual a 0,818 e o coeficiente de correlação intraclasse igual a 0,967. A validade de constructo convergente revelou forte correlação positiva entre os valores do nível de conhecimento pelo OAK Test e do time within therapeutic range - TTR (rs=0,780). A versão em língua portuguesa do Brasil intitulada Teste de Conhecimento sobre Anticoagulação Oral é confiável e válida para a avaliação do conhecimento de pacientes brasileiros sobre a terapia anticoagulante com varfarina. Os resultados gerados com a aplicação do instrumento adaptado poderão ser incorporados à prática do cuidado em saúde pública a fim de estruturar atividades de educação em saúde que melhorem o conhecimento da terapia proposta o qual poderá favorecer o aumento da efetividade e da segurança do tratamento.
2019-08-11T23:26:50Z
Marcus Fernando da Silva Praxedes
Medicamentos novos registrados no Brasil de 2003 a 2013: Análise da segurança e do valor terapêutico
Os medicamentos devem ser analisados sob a ótica da eficácia e da segurança, pois além dos vários benefícios para a saúde na cura e prevenção de doenças e na melhoria da qualidade de vida, apresentam risco de eventos adversos. No ponto de vista da saúde pública, a importância de um medicamento novo está no valor terapêutico e no benefício que produz para o paciente e para a sociedade. O objetivo da investigação foi analisar os medicamentos novos registrados no Brasil no período de 01 de janeiro de 2003 a 31 de dezembro de 2013 sob a perspectiva da segurança de medicamentos, do Sistema Único de Saúde (SUS) e da carga global de doença do país. Estudo de coorte retrospectiva com análise documental em bases de dados, publicações técnico-científicas e documentos oficiais de agências reguladoras de medicamentos, do Ministério da Saúde e da Organização Mundial de Saúde. Coletou-se informações referentes às características do fármaco, inovação terapêutica, segurança pós-comercialização e incorporação no SUS. Os dados sobre carga de doença no Brasil foram obtidos do Global Burden of Disease Study de 2012. Para avaliar o nível de inovação terapêutica dos medicamentos novos utilizou-se o algoritmo de Motola et al.2004. Realizou-se análise estatística descritiva. Calculou-se curva de sobrevida de Kaplan Meier compreendo o período entre a data do registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e a emissão de alerta de segurança pós comercialização ou retirada do mercado até 30 de junho de 2014, data da interrupção do período de observação. A coorte do estudo constituiu-se por 159 medicamentos que possuíam registro na Anvisa no período estudado. Analisando o total de DALY (disability adjusted life of years - anos de vida perdidos ajustados por incapacidade) referente às indicações dos medicamentos, 88,7% da carga de doença é destinada a doenças não transmissíveis. Os medicamentos da coorte refletem o processo de transição epidemiológica e demográfica em curso no país, havendo, entretanto, um desequilíbrio entre carga de doença e número de medicamentos novos registrados A curva de Kaplan Meier mostrou que há associação estatisticamente significativa entre o tempo para ocorrer eventos de segurança pós-comercialização e o medicamento possuir Plano de Minimização de Risco na Food and Drug Administration, com o valor de log rank (Mantel Cox)=0,002, para os medicamentos novos aprovados pela Anvisa. Estratégias de incentivo à pesquisa e desenvolvimento, na perspectiva do sistema de saúde, devem ser priorizadas para diminuir o desequilíbrio entre a carga de doença e o número de medicamentos novos registrados. O Brasil ainda está em processo em implantação de uma farmacovigilância mais proativa.
2019-08-12T01:15:00Z
Stephanie Ferreira Botelho
Avaliação econômica dos programas Rede Farmácia de Minas e Farmácia Popular do Brasil: Estratégias para o acesso a medicamentos com financiamento do SUS
Introdução: Gastos em saúde cada vez mais elevados em um cenário de limitação orçamentária trazem a necessidade de avaliar economicamente a melhor forma de alocação dos recursos públicos. Nesta perspectiva, torna-se necessário avaliar a eficiência de custo após a privatização de serviços de assistência farmacêutica, em face da alternativa do Estado de executá-los em redes públicas próprias. Objetivos: O propósito desta dissertação foi o de realizar uma avaliação econômica entre 2 (dois) Programas de Assistência Farmacêutica disponíveis no Brasil: Programa Farmácia Popular do Brasil Aqui tem Farmácia Popular do Brasil e Rede Farmácia de Minas a partir da revisão de literatura de modelos de programas de assistência farmacêutica. Métodos: No artigo 01 foi realizada uma revisão de literatura com vistas a estabelecer o marco legal dos Programas Rede Farmácia de Minas - RFMG e Farmácia Popular do Brasil Rede Própria, bem como o levantamento de documentos que esclarecessem sobre estrutura, financiamento/custos envolvidos, medicamentos disponibilizados, localização e quantidade de farmácias instaladas. Em seguida, foi levantada a cobertura, bem como os preços dos medicamentos comuns aos dois programas. Já no artigo 02, foi realizada uma avaliação econômica do tipo custo-minimização sob a perspectiva do financiador público entre os Programas Aqui tem Farmácia Popular do Brasil e RFMG. Para tal, foi desenvolvido um modelo que consistia em um levantamento dos custos incorridos nos dois programas até a dispensação de medicamentos aos cidadãos. As incertezas do modelo foram testadas por meio de Monte Carlo. Resultados: Ao realizar a comparação entre RFMG e Unidades de Rede Própria - FPB identificou-se que em Minas Gerais, o número de unidades Rede Própria inauguradas representam apenas 5,9% dos municípios mineiros enquanto que o número de Unidades da RFMG já inauguradas representa aproximadamente 60% dos municípios mineiros. Além disso, do total de medicamentos disponibilizados pelo RFMG, 53 encontram-se também na relação da Rede Própria indicando a sobreposição de ações. Ao avaliar os resultados do artigo 02, identificou-se que se a população inicialmente estimada no RFMG fosse atendida em sua totalidade no FPB Aqui tem Farmácia Popular, haveria um custo incremental de R$139.324.050,19. Somando-se a isso, a análise de sensibilidade (Monte Carlo) mostrou-se favorável ao RFMG. Conclusões: O modelo público, coerente com os princípios e diretrizes do SUS se apresenta com condições mais adequadas para garantir assistência integral e universal de qualidade aos cidadãos. Na avaliação econômica comparativa realizada entre o PFB e RFMG, foi demonstrada maior eficiência na alternativa de aplicação dos recursos diretamente na rede pública
Gerenciamento da Terapia Medicamentosa na atenção primária do município de Belo Horizonte: Uma autoetnografia da transformação profissional
A atenção primária à saúde (APS) é o ponto central no SUS para a construção de Redes de Atenção à Saúde, cujo foco é multiprofissional, com o objetivo de atender um paciente com um caráter cada vez mais crônico. O Núcleo de Apoio à Saúde da Família (Nasf) constitui-se em retaguarda especializada para estratégia saúde da família (eSF), atuando no lócus da própria APS. A falta de clareza do papel do farmacêutico tradicional no cuidado ao paciente dificulta a responsabilização e compreensão da sua contribuição como profissional de saúde, tornando-o vulnerável dentro da proposta de atuação do Nasf. Neste sentido, é necessário que haja uma sistematização da prática clínica do farmacêutico inserido no Nasf, visando aumentar os benefícios e a segurança para o paciente relacionados ao uso dos medicamentos e promover a inserção desse profissional na equipe multidisciplinar. O serviço de gerenciamento da terapia medicamentosa (GTM) utiliza o arcabouço teórico da atenção farmacêutica, orientando atitudes e valores para que o farmacêutico assuma a responsabilidade pelas necessidades faramcoterapêuticas do paciente, prevenindo, identificando e resolvendo problemas relacionados ao uso de medicamento, constituindo uma solução possível para a sistematização dessa prática clínica. O estudo autoetnográfico foi utilizado para a compreensão da experiência de ser provedora do serviço de GTM na APS no município de Belo Horizonte. Foram utilizadas técnicas de observação participante e reflexões em diário de campo para descrever e analisar sistematicamente as experiências da pesquisadora com objetivo de compreender uma experiência cultural como farmacêutica do Nasf. Entrevistas semiestruturadas foram realizadas com outros farmacêuticos que vivenciam experiências semelhantes na APS. A análise dessas narrativas e das entrevistas levou a descobertas sobre a atuação clínica do farmacêutico na APS que foram dividas em dois artigos. O primeiro trata da descrição da experiência da transformação do farmacêutico tradicional para o farmacéutico do cuidado. A prática reflexiva promove uma alteração profunda na forma como a farmacêutica se identifica com o cuidado e o paciente, principais temas trabalhados. O segundo artigo trata da identificação dos elementos que guiam a sistematização da prática de GTM na rotina da pesquisadora. Ao longo dos resultados, a Proposta de integração de um serviço de GTM nos fluxos das unidades de saúde foi discutida, sendo os temas Construção de uma nova identidade profissional na equipe multidisciplinar e Incorporação de novas atividades na rotina de trabalho identificados como os elementos mais importantes para a sistematização da prática clínica no contexto apresentado. A autoetnografia permitiu uma reflexão sobre a prática do profissional farmacêutico, trazendo à tona alguns meios para a construção da autonomia profissional através do processo de cuidar. A metodologia proporcionou um olhar crítico para a prática atual desse profissional, instigando-o a compreender o espaço do cuidado do qual pode fazer parte. Forneceu ainda elementos adequados para promover a mudança de atitude profissional e iluminou reflexões acerca das modificações necessárias no cotidiano e no quadro coletivo para a integração desse serviço na comunidade através da atenção primária. Além disso, esclareceu que a transformação da prática só é possível através da mudança de postura aliada a um ambiente que favoreça o cuidar.
2019-08-10T01:20:37Z
Daniela Álvares Machado Silva
Perfil de utilização do análogo glargina da insulina para o tratamento do Diabetes Mellitus Tipo I no Estado de Minas Gerais, Brasil
Introdução: O diabetes mellitus é uma doença de grande impacto social e econômico que apresenta indicadores relevantes de morbimortalidade. Controlá-lo exige uma complexa interação entre diversos fatores, como adesão ao tratamento, alimentação, prática de atividade física e controle do peso corporal. Os análogos de insulina foram desenvolvidos para aumentar a comodidade e a segurança do tratamento. O primeiro deles a ser comercializado foi a glargina que, devido à demanda judicial crescente, foi incorporada à relação demedicamentos do estado de Minas Gerais, para o tratamento do diabetes mellitus tipo 1 (DM1). São cerca de 2700 pessoas recebendo o medicamento e os gastos do tesouro atingiram cerca de R$ 10 milhões em 2011. Por outro lado, estudos recentes não respaldam asuperioridade desse análogo em relação à insulina padrão. Objetivo: Analisar a eficácia e o perfil de utilização do análogo glargina da insulina para o tratamento do DM1 no Estado de Minas Gerais, com vistas a subsidiar o gestor na tomada de decisão. Métodos: Foi realizadaRevisão Sistemática de Ensaios Clínicos Randomizados enfocando a eficácia do análogo glargina utilizado para o tratamento de pacientes diabéticos do tipo 1, em artigos publicados nas bases de dados MEDLINE (Pubmed), Literatura Latino-Americana e do Caribe emCiências da Saúde (LILACS), Cochrane Controlled Trials Databases e NHS Centre for Reviews and Dissemination, para identificar estudos relevantes publicados no período de janeiro de 1970 a julho de 2009. Para a descrição do perfil de utilização da glargina foi construída coorte histórica dos pacientes adstritos à Superintendência Regional de Saúde/BH, com diagnóstico de DM1, que recebiam o medicamento no período de junho de 2009 a janeiro 2011. Foram coletados dados dos processos administrativos que chegaram à Secretaria de Estado da Saúde/MG para análise do médico parecerista. Variáveis sócio demográficas, clínicas, laboratorial, relacionadas aos medicamentos e aos processos foram selecionadas para análise. A variável controle glicêmico foi construída, considerando-se controle adequado ovalor de hemoglobina glicada 7,0% para pacientes a partir de 20 anos, 7,5% para pacientes entre 13 e 19 anos e 8% para pacientes até 12 anos. A estatística descritiva dos dados foi realizada por medidas de tendência central e de dispersão para as variáveis contínuas e distribuição de frequências para as variáveis categóricas. Foi utilizado o teste não paramétrico de Mann Whitney para comparação das medianas e os tetes Qui-quadrado de Pearson ou Teste Exato de Fisher para a comparação das variáveis categóricas. Para todas as análises estatísticas foi adotado o nível de significância de 5%. Resultados: Em termos de eficácia, a glargina não demonstrou superioridade sobre as demais insulinas estudadas quando controle glicêmico e redução da incidência de episódios de hipoglicemia foram analisados conjuntamente. A maioria dos estudos incluídos na revisão sistemática apresentou qualidade metodológica ruim. Dentre os pacientes mineiros que utilizam o medicamento foi observado elevado índice de pacientes em descompensação glicêmica com interferência da idade e daassociação com análogos de ação rápida no controle glicêmico. Observou-se ainda a utilização do medicamento duas vezes ao dia em um quinto da população. Conclusão: O estudo alcançou o seu objetivo principal e os resultados não encontraram maior eficácia nemcomprovaram plenamente maior comodidade e efetividade no uso da glargina. Sugere-se ao gestor do SUS o desinvestimento ou a renegociação dos preços junto ao fabricante. Estudos adicionais em busca de melhores evidências devem ser realizados, inclusive em relação a programas de autocuidado do diabetes.
2019-08-11T20:09:46Z
Ana Luisa Caires de Souza