Repositório RCAAP

Laboratório, espetáculo, desmontagem: experimentos teatro[dia]lógicos do Carmen Group em A serpente, de Nelson Rodrigues

RESUMO Nas fronteiras entre teatrologia e dialogismo, o presente artigo propõe reflexões sobre o processo de encenação do texto A serpente, de Nelson Rodrigues, nos anos de 2017 e 2018 pelo Carmen Group - Centro de Treinamento em Corpo, Arte, Movimento e Encenação. A partir de uma perspectiva que relata e, ao mesmo tempo, analisa etapas de criação cênica, o texto dialoga com a teoria bakhtiniana, buscando compreender aspectos constitutivos de três experimentos teatro[dia]lógicos: a mostra do trabalho laboratorial do grupo, denominada Serpentes de laboratório, a montagem de A Serpente em seu formato de Espetáculo e a sessão de Desmontagem Cênica. Os resultados sinalizam, para além das especificidades teóricas, técnicas e metodológicas características de cada um dos experimentos, aspectos relacionados à autoria, recepção e significação nas diferentes situações de comunicação teatral vivenciadas.

Corpos em Bakhtin

RESUMO O pensamento de Bakhtin, dos primeiros e dos últimos textos, se concentrou nas imagens do corpo humano. Entende-se o corpo ao contemplá-lo: ver é saber. Esse “contemplar” não tem nenhuma das qualidades objetivantes do que hoje é conhecido como “olhar”. A filosofia inicial de Bakhtin é baseada em um compromisso compassivo pelo qual uma pessoa ajuda a outra a ver e a se conhecer como um todo e, além disso, como um todo amado. Por mais limitante que seja, argumentarei que sua concepção inicial de corpo ainda tem muito valor. O argumento então se volta para as imagens posteriores e muito mais familiares de Bakhtin sobre o corpo grotesco. Enquanto, inicialmente, suas ideias voltam-se para um corpo estático, agora vemos o corpo envolvido em uma interação tumultuada e interminável com seu ambiente social e natural. Seria essa uma alegoria antissoviética ou uma visão alternativa do corpo humano que remonta à pré-história? Ofereço duas ilustrações em defesa da ideia de que esta era, na verdade, uma filosofia do corpo.

A percepção sensorial do espectador na teatralidade contemporânea: diálogos com Bakhtin

RESUMO O presente texto tem como objeto a organização da sociedade atual, afetada e impactada pela tecnologia, cenário no qual o aparato sensorial é profundamente afetado por diversas modalidades de comunicação interativa. Nesse contexto, apresenta-se uma reflexão sobre as formas pelas quais o espectador interatua com as proposições cênicas e uma análise sobre a experiência enquanto espectadores de um determinado espetáculo do encenador Robert Wilson. A reflexão desenvolvida evidenciou os níveis diferenciados de percepção alcançados por estes pesquisadores/espectadores no momento da recepção. O artigo propõe, no diálogo com a teoria bakhtiniana, reflexões sobre a alteridade e a interação entre espectador e obra no campo do teatro.

Ano

2019

Creators

Rosseto,Robson Pluschkat,Patricia

Dialogismo, polifonia, cronotopo e grotesco em A última gravação de Krapp: uma leitura bakhtiniana

RESUMO Este artigo, um recorte de nossa dissertação de mestrado, tem como objetivo apresentar uma análise da peça A última gravação de Krapp, de Samuel Beckett, a partir de conceitos teóricos provenientes dos escritos do teórico da literatura russo Mikhail Bakhtin, tais como dialogismo, polifonia, cronotopo e grotesco. Com o intuito de problematizar a questão das vozes presentes na peça, de acordo com a estrutura dramatúrgica criada por Samuel Beckett, tais conceitos servirão de suporte para uma reflexão que busque compreender a questão das relações existentes entre Krapp e suas alteridades; os jogos e conflitos desenvolvidos entre as diferentes consciências dos diferentes Krapps presentes no texto a partir da materialidade de suas gravações; a questão do espaço-tempo proposto por Beckett na peça; bem como a caracterização grotesca de Krapp e sua relação com a gênese do personagem, dentro do que denominamos, em nossa pesquisa, de poética do fracasso. Este trabalho foi originalmente apresentado como parte de nossa dissertação de mestrado1.

Carnavalização no teatro ibérico barroco

RESUMO Este artigo é oriundo da pesquisa resultante na tese de doutorado Antônio José da Silva: uma dramaturgia de convenções1. No presente texto, discute-se o princípio de carnavalização no teatro ibérico a partir de diferentes perspectivas teóricas, dentre as quais a de Mikhail Bakhtin. Nesse sentido, a partir da descrição da personagem-tipo do gracioso, o criado carnavalizado originalmente inserido no teatro pelos autores do Século de Ouro espanhol, pretende-se problematizar embates de classe e artifícios discursivos da narrativa tragicômica. Tal análise é embasada pela teoria de análise de textos barrocos ibéricos desenvolvidas em Espanha, nos estertores do século XX e no início do XXI, especialmente em Hermenegildo (1995). Desse modo, analisa-se como a personagem-tipo, seja em sua formulação tradicional masculina ou na feminina, como criada, participa das intrigas, de modo a tornar mais contundentes as questões centrais do enredo disparador. Como exemplificação da teoria trabalhada, trazemos a obra do autor português setecentista Antônio José da Silva, Precipício de Faetonte. Nela, é possível perceber a participação dessas personagens baixas entremeando a intriga principal: o que pode ser lido, em nossa perspectiva, como uma forma de carnavalização do teatro ibérico de tal período, dentro da perspectiva bakhtiniana.

Corpos dançantes na escola: diálogos entre a educação performativa e a perspectiva bakhtiniana

RESUMO O presente artigo propõe um diálogo entre a educação performativa e a perspectiva bakhtiniana, a partir de reflexões sobre o corpo dançante como potência transformadora na/da/sobre a escola. Ao se compreender a comunicação do corpo como materialidade da consciência individual que, ao dançar enuncia por cadeias dialógicas infinitas, é imprescindível conceber o movimento como texto sígnico, carregado de vozes passíveis de leitura e interpretação. Ao investigar pressupostos de base da educação performativa em relação com uma abordagem dialógica de um corpo que enuncia dançando (enunciado-dançado), este ensaio, de cunho estritamente teórico, busca apontar possíveis caminhos para (re)pensar as práticas a respeito de formas de comunicação e expressão do corpo na escola.

Ano

2019

Creators

Gonçalves,Michelle Bocchi Castilho,Thais Gabardo Junior,Jair Mario

Protagonismo teatral e protagonismo educacional: quais deslocamentos fazem surgir um a(u)tor?

RESUMO Este artigo visa promover um diálogo entre os sentidos de “protagonismo” nos campos teatral e educacional, a partir dos estudos de Bakhtin e o Círculo. Para tanto, analisa enunciados presentes em uma pesquisa documental, considerando as ocorrências da palavra “protagonismo” entre os sentidos emergentes, a fim de estabelecer possíveis pontos de contato com a categoria bakhtiniana de autoria. Para a investigação, partimos do texto da Base Nacional Comum Curricular do Ensino Médio (2017) e do Projeto Político-Pedagógico de uma universidade federal em diálogo com os sentidos de protagonismo no teatro, em perspectiva educacional. Ao resgatar as cadeias discursivas de cada esfera em particular, a análise permitiu compreender que essa apropriação pela BNCC-EM assume uma nova dimensão discursiva, descaracterizando seus enunciadores e interlocutores originais e não oferecendo subsídios para a construção do protagonismo/autoria. Além disso, evoca um sujeito estudante passivo, refém das determinações do documento que impacta as ações da escola.

Ano

2019

Creators

Cavalcante,Cláudia Garcia Santos,José Luiz de Souza

A peça Mãe de Alencar e as vozes sociais sobre a questão afro-brasileira

RESUMO Este artigo analisa a peça Mãe, de José de Alencar, que tem por cenário o Rio de Janeiro da segunda metade do séc. XIX, retratando a escravidão africana doméstica. Fundamenta-se nas ideias de Bakhtin e do Círculo, focalizando as vozes sociais sobre a escravidão presentes nas falas das personagens. A investigação leva o leitor a perceber os posicionamentos sobre a escravidão presentes no cotidiano nacional que migram para o interior do drama alencariano. Também se mobilizaram discursos historiográficos do século XX que estabelecem dialogia com a obra alencariana. As falas retratam as personagens ora submetidas ao regime escravista, ora em situação autonômica, representando a resistência ao cativeiro. A leitura da peça é importante para as gerações atuais, visto que a cultura escravocrata perdura em nossa sociedade.

Ano

2019

Creators

Fanini,Angela Maria Rubel Ventura,Maria Domingos Pereira

Iuri Lótman e a semiótica do teatro

RESUMO O semioticista Iuri Lótman escreveu contribuições decisivas no campo da semiótica da literatura. No entanto, ao longo dos anos 70 passa a ampliar seu universo de interesses para além do texto literário, trazendo contribuições para os estudos do cinema, das artes plásticas e mesmo das normas de etiqueta da nobreza russa. Neste artigo pretendo introduzir as contribuições de Lótman no campo da semiótica da cena e demonstrar como o semioticista russo realiza reflexões importantes em um campo até então pouco explorado dentro dos estudos semióticos. Ao analisar o caráter do espaço teatral, as relações entre texto e código, o papel da semiótica teatral e do ensemble cênico, Lótman retoma o caminho aberto pelo Círculo Linguístico de Praga e antecipa flancos de interesse que só recentemente seriam explorados pela semiótica teatral.

Teoria russa e semiótica da cultura: história e perspectivas

RESUMO A Escola de Tártu-Moscou aceitou, como atitude profissional, reconstruir a tradição e ligar-se com as realizações - esquecidas ou reprimidas cultural e cientificamente - das primeiras décadas do séc. XX. Uma missão de Lotman como um de seus líderes foi conhecer e mediar a herança esquecida. Na situação de censura muitos contatos entre Lotman e a teoria russa não estavam visíveis. Dessa forma, a síntese de Lotman, Tynianov, Bakhtin, Vygotsky, Eisenstein e outros, num intenso diálogo implícito, pode ser a base para a formação da próxima etapa da semiótica da cultura. Enfim, a compreensão de Tynianov acerca da dinâmica literária e cultural, a teoria semiótica lotmaniana de texto e seus pensamentos sobre um modelo de espaço como uma das linguagens primárias da cultura, e a teoria bakhtiniana do cronotopo formam um complexo teórico que pode oferecer novas possibilidades para o desenvolvimento tanto dos princípios culturais teóricos e práticos quanto da análise textual.

A linguagem da Escola Semiótica de Tártu-Moscou e as traduções de Iúri Lotman no Brasil

RESUMO O uso de linguagem codificada e esópica nos trabalhos dos semioticistas que integraram a Escola Semiótica de Tártu-Mosou foi motivado pelo desejo de serem compreendidos pelo círculo e não compreendidos por possíveis intrusos indesejáveis dos órgãos de controle soviéticos. Um dos termos centrais utilizados pela Escola - os “sistemas modelizantes secundários” - foi sugerido por Vladímir Uspiénski com o objetivo de substituir a palavra "semiótica", associada à semiótica ocidental. Ao cotejar o artigo de Iúri Lotman Sobre o problema da tipologia da cultura, de 1967, com a tradução para o português do Brasil de Lucy Seki, que integrou a coletânea Semiótica Russa, organizada por Boris Schnaiderman, objetivo verificar se as peculiaridades do texto original, que surgiram devido às condições histórico-políticos da sua criação, foram preservadas na tradução.

A semiosfera colocada à prova pela enunciação antropossemiótica

RESUMO A confrontação entre o modelo da semiosfera, a teoria greimasiana e a antropologia contemporânea coloca em evidência a dificuldade de se implementar uma epistemologia da diversidade a partir da obra de Lotman. Essa dificuldade leva a questionar sistematicamente as condições necessárias para uma enunciação antropológica, convocando em particular as posições de Descola, Latour e Viveiros de Castro. Esta confrontação busca atualizar o modelo de semiosfera.

Entre tempos e espaços: poliglotismo e policronismo em Iúri Lotman

RESUMO Não obstante a teoria de Lotman tenha sido frequentemente apresentada como uma teoria semiótica baseada em categorias de espaço, as categorias temporais também se destacam em sua relevância. Se se pode pensar o poliglotismo como um dos principais mecanismos da cultura, também deveríamos considerar igualmente o policronismo. Na verdade, em cada momento da cultura encontramos muitos códigos temporais cujo diálogo interno não se baseia apenas em códigos provenientes de diferentes espaços (no sentido comum de poliglotismo), mas também em códigos de tempos distintos (no sentido de uma espécie de policronia). As reflexões de Lotman sobre tal mecanismo da cultura poderiam contribuir para entender alguns aspectos de nossa sociedade em que encontramos uma forma de presentismo, a dimensão temporal correspondente ao localismo dentro da dimensão especial, produzido pela globalização.

Iuri Lotman: a análise da cultura segundo a perspectiva da complexidade e da transdiciplinaridade

RESUMO Neste artigo, temos vários objetivos. Em primeiro lugar, estamos interessados em retomar a categoria de semiosfera em seu caráter dialético e polissêmico, mas introduzindo reflexões para analisar produções culturais de grande complexidade. Nesse mesmo sentido, a categoria de fronteira semiótica interna e externa permite introduzir os problemas de tradução cultural, intercultural e transcultural que se articulam com as mudanças dinâmicas de cada cultura. Em segundo lugar, retomamos a categoria de cultura, para articulá-la com a não-cultura, com a anticultura, o que leva a propor três tipos de semiosferas: da cultura, da não-cultura, da anticultura, que introduzem aspectos controvertidos que devem ser considerados. Em terceiro lugar, tratamos das últimas abordagens de Iuri Lotman sobre a imprevisibilidade dos processos culturais, com os quais formula premissas sobre a complexidade e transdisciplinaridade presentes em todo o seu trabalho.

Lotman e o procedimento modelizador: a formulação sobre “invariante intelectual” da cultura

RESUMO Tendo em vista a importância que o conceito de modelização, advindo da Cibernética, possui para o pensamento de Iuri Lotman, este artigo visa discutir a maneira pela qual o raciocínio inerente ao procedimento modelizador se encontra presente numa das suas principais formulações, relativa à “invariante intelectual”, que elucida a ação exercida pelo mecanismo inteligente da cultura, capaz de assegurar a sua perenidade e, ao mesmo tempo, incitar a criação de novos textos. Para proceder a essa discussão, primeiramente serão retomados os fundamentos do processo de modelização e sua relação com o fazer científico, com o intuito de indicar o que vem a ser o “modelo” e o tipo de inteligibilidade que ele é capaz de produzir. Ao explorar a centralidade que o procedimento modelizador possui nas formulações de Lotman, espera-se igualmente elucidar de que modo, para o autor, é possível construir uma compreensão semiótica muito singular acerca da linguagem e da cultura.

Ano

2019

Creators

Nakagawa,Regiane Miranda de Oliveira

O tonto e o louco. Notas sobre a cena cultural contemporânea

RESUMO Em seu livro Cultura e explosão, no qual analisa a dinâmica cultural, Lotman utiliza as figuras do “tonto” e do “louco” como termos paradigmáticos de atitudes humanas que encarnam as formas de mudança social. Imersos no espaço de uma semiosfera, os atos humanos ganham significado em relação à totalidade desse universo. O autor propõe considerar a estrutura ternária tonto/inteligente/louco como um continuum que permite visualizar graus de adequação individual e coletiva à norma. Neste texto, sintetizarei a múltipla descrição de Lotman a ela acrescentando meus comentários e alguns exemplos, em especial da figura do tonto e do louco em diferentes espaços representativos. Estou particularmente interessada em defender a possibilidade de encontrar certas mudanças de paradigma por meio da leitura de textos da cultura contemporânea, ou melhor, certas manifestações complexas da loucura e da estupidez, cuja tradução se torna difícil para mim, sem que seja frequentemente o resultado de um juízo de valor.

Semiótica do absurdo e do sem-sentido: uma perspectiva lotmaninana

RESUMO Absurdo e falta de sentido são geralmente estudados como categorias filosóficas e/ou lógicas. Este artigo examina o absurdo como um fenômeno semiótico e como parte dos mecanismos de geração de significado. Argumenta que o problema do absurdo e do significado como um todo é, acima de tudo, um problema textual. Esta abordagem se fundamenta no legado do semioticista e estudioso da literatura Iúri Lótman, especialmente em seus conceitos de explosão e nas noções de “não-texto” e “menos- dispositivo”. O conceito de absurdo destaca o inerente paradoxo informacional da cultura humana e de seus sistemas de comunicação, nos quais ruído, erros e contratempos não impedem a comunicação, pelo contrário, estimulam-na. Em uma escala maior, o exemplo de como as culturas humanas lidam com o “não-sentido” na comunicação tem implicações para o estudo da evolução da cultura e da linguagem humanas e também traz luz adicional ao problema metodológico da relação texto/signo.

Lótman continua a surpreender: revoluções e emoções coletivas

Resumo Entre 1988 e 1993, Iúri M. Lótman formulou algumas proposições sobre “a voz da massa anônima”: uma voz coletiva que, em certas situacões ligadas a crises de caráter cultural, é portadora de paixões violentas que podem produzir interferências profundas no curso da história. Em seus últimos trabalhos, o semioticista russo postulou, diante disso, a noção de uma semiótica das emoções como objeto de estudo para entender a dinâmica cultural, em especial de períodos tidos como revolucionários ou de transição, a saber, quando a massa anônima é capaz de manipular os eventos ou quando, revendo o passado, confere aos eventos uma interpretação distorcida. Lótman focalizou, principalmente, a relação entre as grandes fraturas históricas, os mecanismos de autopropagação do medo e a criação cultural de bodes expiatórios. O presente estudo visa abordar a reflexão de Lótman sobre perseguição, com especial atenção à figura da mulher durante o fenômeno de caça às bruxas.

Memória do futuro, explosão, pancronia: a semiótica de Lotman e os estudos da memória e do tempo nas teatralidades juvenis

RESUMO Este artigo problematiza certos conceitos e proposições da obra de Iuri Lotman que retratam concepções do autor sobre memória e tempo, tais como semiosfera, texto, pancronia e explosão. No âmbito das teatralidades juvenis, mapear tal escopo teórico tem por objetivo compreender a produção de memórias e as codificações temporais como instâncias comunicativas. Consideram-se objetos empíricos, as teatralidades steampunks, experimentadas em encontros presenciais. Esta análise se faz nos espaços urbanos da região Sudeste do Brasil; vale-se de pesquisa bibliográfica voltada a teorias da memória; utiliza pesquisa de campo, seguindo a metodologia da flânerie em eventos frequentados por esses grupos de jovens. Espera-se demonstrar o diálogo entre a semiótica desenvolvida por Lotman e as representações mnésicas e temporais presentes nestas teatralidades.