Repositório RCAAP
Psicologia empírica, antropologia e metafísica dos costumes em Kant
Este trabalho tem como objetivo explorar a relação entre psicologia empírica, antropologia e metafísica moral em Kant. Há lugar para a psicologia empírica e para a antropologia na filosofia moral kantiana? Se esta é fundamentada em princípios a priori, qual a validade, para além da mera curiosidade do erudito, do conhecimento das peculiaridades empíricas do ser humano? A segunda questão refere-se à relação que Kant estabelece entre psicologia empírica e antropologia e como ambas se relacionam com a filosofia moral. Vou tentar mostrar que esta relação passa por três momentos na obra kantiana: um primeiro momento, no qual Kant ensina psicologia empírica como parte da metafísica, seguindo o texto de Baumgarten, um segundo momento, cuja referência é a Fundamentação, corroborada pelas anotações de Mrongovius, onde a psicologia empírica e a antropologia são alheias à investigação do filósofo, e um terceiro, exemplificado pela Antropologia do Ponto de Vista Pragmático e pela Metafísica dos Costumes, onde uma concepção de natureza humana faz parte de uma metafísica da moral.
2015
de Lourdes Borges, Maria
A semântica transcendental de Kant, de Zeljko Loparic
O livro de Z. Loparic pode ser visto como a primeira obra de uma nova etapa da recepção das idéias kantianas no Brasil. Depois de um longo período de leituras mais ou menos diletantes de uma ou outra das obras de Kant, tornou-se habitual, na segunda metade do séc. XX, a leitura acadêmica mais concentrada, tecnicamente consistente e, em muitos casos, não só a par dos novos rumos da recepção kantiana pelo mundo afora, mas mesmo à altura dos mesmos.
2015
Beckenkamp, Joãosinho
Kant’s Impure Ethics, de Robert Louden
Para aqueles que pensam ser Kant o baluarte do formalismo na moral, o livro de Robert Louden vem abalar esta crença. Motivo de alegria para os que consideram o formalismo um vício; motivo de tristeza para aqueles que o consideram uma virtude. Visto que faço parte do primeiro grupo, saúdo o livro de Robert Louden como um grande acréscimo ao comentário contemporâneo sobre Kant, o qual preserva seu espírito, ao mesmo tempo que o defende de interpretações equivocadas. Pode-se dizer que este livro seria equivalente a uma resposta póstuma do Kant a dois séculos de acusação de formalismo, insensibilidade e vazio de seu sistema moral.
2015
de Lourdes Borges, Maria
Transcendental analytics as a constructive semantics
Already in its second edition, Zeljko Loparic’s A semântica transcendental de Kant defendis a bold and illuminating thesis, which is of great interest to all scholars interested in Kant’s transcendental idealism.
2015
Pinto, Sílvio
As duas metafísicas de Kant
Na primeira Crítica, Kant define o filósofo como “legislador em nome da razão humana” (KrV, B 867). Essa legislação – que, por ser da razão, é a priori – tem dois objetos, a natureza e a liberdade. As leis a priori da natureza concernem o que é e constituem a metafísica da natureza. As leis da liberdade dizem respeito ao que deve ser e constituem a metafísica dos costumes (estes últimos pensados como manifestações da liberdade). A filosofia da natureza ou teórica encarrega-se das primeiras, a da liberdade ou prática, das segundas.
2015
Loparic, Zeljko
Contratualismo e sumo bem político
Kant não apenas acha necessário, volta e meia, expor os raciocínios de Hume, por “terem iniciado na pista da verdade”, mas também confessa sem rodeios que deve ao “talvez mais engenhoso de todos os céticos” a primeira interrupção de seu sono dogmático, o mesmo cético, continua Kant, que imprimiu às minhas pesquisas no campo da filosofia especulativa uma direção completamente diferente”. Ainda que não haja evidências de que o direito público kantiano rastreie pegadas político-filosóficas humeanas, não é difícil transitar pela vereda cética que leva Kant a uma nova concepção de contratualismo.
2015
Nicolau Heck, José
Observações referentes a ''Sobre o órgão da alma'', de Immanuel Kant
O Honradíssimo Senhor apresenta-me, para apreciação, a sua obra recém-terminada, que versa sobre um certo princípio da força vital nos corpos animais, o qual, considerado do lado da mera capacidade de percepção, é chamado de órgão dos sentidos imediato (πρωτον αισθητηριον), mas que, considerado do lado da união de todas as percepções numa determinada parte do cérebro, é denominado lugar-comum das sensações (sensorium commune).
2015
Loparic, Zeljko
De Kant a Freud: um roteiro
O presente comentário analisa um breve texto tardio de Kant sobre a fisiologia especulativa. Além de ilustrar muito bem os princípios metodológicos do programa de pesquisa kantiano para as ciências da natureza – segundo o qual as ficções especulativas, de valor apenas heurístico, podem ser utilizadas para observar e organizar fenômenos na procura de suas leis empíricas –, esse escrito antecipa, metodológica e epistemologicamente, os trabalhos de Freud sobre a metapsicogia fisiológica.
2015
Loparic, Zeljko
Kant e as especulações metapsicológicas em Freud
Este artigo pretende analisar a natureza e a função da teoria metapsicológica na psicanálise freudiana. Mostra-se que a teoria psicanalítica de Freud é composta por uma parte empírica – a sua psicologia dos fatos clínicos – e outra, especulativa – a metapsicologia. Esta última é considerada por ele uma superestrutura especulativa de valor apenas heurístico, passível de ser substituída por outras superestruturas do mesmo tipo. Sustenta-se, ainda, que sua metapsicologia é fruto do método especulativo, cujos fundamentos foram elaborados por filósofos e epistemólogos anteriores a Freud, entre eles Immanuel Kant e Ernst Mach. O artigo finaliza com algumas considerações sobre o futuro da teorização do tipo metapsicológica, explicitando críticas feitas à metapsicologia freudiana, tanto por filósofos quanto por psicanalistas, e apontando para a perspectiva, aberta por Donald W. Winnicott, de uma psicanálise sem metapsicologia.
2015
Fulgencio , Leopoldo
Gerechtigkeit als vereinbarung: Kant und der moderne kontraktualismus
Am Ende seiner zweiten Regierungszeit, stellte der damalige brasilianische Staatspräsident F-H. Cardoso auf eine Pressekonferenz unverblümt fest, Brasilien sei ein ungerechtes Land. Weder auf der Stelle noch in der Folgezeit regten sich Zweifel, gab es Einwände oder kamen Widersprüche gegen die ungewöhnliche Behauptung des aufgeklärten Staatsmannes auf.
2015
Nicolau Heck, José
Hobbes, Kant, a paz universal e a guerra contra o Iraque
De maneira diferente da filosofia política anterior e, igualmente diferente da filosofia política posterior a ela, a filosofia do estado dos séculos XVII e XVIII era exclusivamente uma filosofia da paz. Exeundum e statu naturali – sair do estado natural era o centro do seu interesse; a paz era sua estrela-guia, toda a sua atenção dedicou-se à investigação de sua origem e de suas causas. Mas a filosofia da paz do séc. XVII interpretou–a de maneira ainda diferente da filosofia da paz no séc. XVIII. Mesmo sendo o status naturalis a ser superado, para Hobbes, e, para Kant, um estado de guerra, a interpretação diferente conduziu os dois filósofos à diferença na compreensão da ordem de paz que superasse esse status naturalis.
2015
Kersting, Wolfgang
Kant and the purity of the ugly
Kant opens the “Analytic of the Beautiful” of the “Critique of the Aesthetic Power of Judgment” with the statement that “In order to decide whether or not something is beautiful, we do not relate the representation by means of understanding to the object for cognition, but rather relate it by means of the imagination (perhaps combined with the understanding) to the subject and its feeling of pleasure or displeasure” (CPJ, §1, 5:203). 1 Kant then argues that a pleasure in objects that is free of any admixture of pleasure in their merely sensory agreeableness or their prudential or moral goodness is the ground for an affirmative judgment of their beauty, so it seems plausible to suppose that he also means to assert that there is a distinctive displeasure, free of any displeasure in an object’s sensory disagreeableness or prudential or moral badness, on which a negative but still purely aesthetic judgment that such an object is ugly rather than beautiful must be based.
2015
Guyer, Paul
A dedução da possibilidade da posse jurídica na Doutrina do direito de Kant
Ofereço uma interpretação da dedução da posse jurídica realizada por Kant no §6 de sua Doutrina do Direito que demonstra sua completude e coerência com a introdução posterior dos conceitos de “vontade universal” e “posse comum originária” como fundamentos da posse jurídica, ainda que ausentes da referida dedução.
2015
Luisa Bucchile Faggion, Andréa
Proposições fulcrais: as observações de Wittgenstein sobre seguir regras e a semântica transcendental
O trabalho discute a natureza dos juízos sintéticos a priori, tema central de uma semântica transcendental, associando-os ao que Wittgenstein considera proposições fulcrais. Em primeiro lugar, apresenta as diversas posições da filosofia analítica sobre a existência ou não desse tipo de juízo, incluindo a da semântica transcendental tractariana. Em segundo lugar, reconstrói as principais características desses juízos em Kant, salientando a sua necessidade, e mostrando que elas estão em conflito com alguns desenvolvimentos científicos contemporâneos. Em terceiro lugar, sustenta que através da concepção de proposições fulcrais, Wittgenstein nos apresenta uma descrição mais adequada de proposições que são verdadeiras independentemente da experiência no contexto de uma epistemologia falibilista.
2005
Dall'Agnol, Darlei
Aspectos fundamentais da problemática semântica na doutrina da virtude de Kant
Este artigo pretende mostrar que e como ocorrem, na Doutrina da virtude de Kant, problemas relativos ao sentido e referência dos juízos e conceitos fundamentais dessa obra, isto é, problemas semânticos. Tendo em vista esse fim, explicitaremos de forma breve o desenvolvimento dessa problemática na filosofia prática de Kant (entre o período de 1781 a 1788) e, em seguida, realizaremos a análise da Doutrina da virtude a partir do ponto de vista semântico, a fim de identificar os mencionados problemas e as soluções fornecidas por Kant para estes problemas.
2006
Hahn, Alexandre
A distinção kantiana entre aparecimento e fenômeno
Em sua Crítica da Razão Pura, Kant diferencia criteriosamente aparecimento [Erscheinug] de fenômeno [Phaenomenon]. Esta distinção está presente tanto na primeira edição quanto na segunda. Não seguir com rigor este critério, ou o fazê-lo de maneira inadequada, oculta importantes informações e pode ofuscar elementos fundamentais à compreensão da sua argumentação em etapas decisivas. O presente trabalho busca determinar o que Kant entende por cada um destes termos.
2006
Calabria Pimenta, Olavo
O lugar da psicologia empírica no sistema de Kant
Este artigo pretende mostrar que, para Kant, a psicologia empírica deve ocupar um lugar análogo ao da física empírica. Isso pode ser explicado levando-se em consideração a distinção entre uma ciência da natureza genuína (ciência a priori), que não seria possível para a psicologia, e uma ciência natural não-genuína (uma história natural que fornece apenas leis empíricas para seus objetos) a qual caracterizaria a psicologia como uma ciência empírica. Defende-se que Kant deixou um fio condutor para a construção dessa psicologia empírica, seja indicando um quadro transcendental – não no que se refere à formulação de uma psicologia racional, mas caracterizável pela aplicabilidade dos princípios do entendimento teórico a seus objetos, seja oferecendo um quadro heurístico para a pesquisa empírica dos objetos dados ao sentido interno. Ao final, demonstra-se que grande parte das propostas de uma psicologia científica pós-Kant está construída sob influência desse quadro kantiano, ainda que existam concepções de psicologia empírica elaboradas fora desse quadro.
2006
Fulgencio, Leopoldo
O método de análise em Descartes: da resolução de problemas à constituição do sistema do conhecimento, de César Augusto Battisti
Autor de vários artigos sobre Descartes e sobre o método de análise, bem como da tradução portuguesa do Monde ou Traité de la lumière (no prelo), César Augusto Battisti, em 2002, publica a sua tese de doutorado – O método de análise em Descartes: da resolução de problemas à constituição do sistema do conhecimento –, desenvolvida na Universidade de São Paulo (USP) e na Université Paris VII (Doutorado-Sanduíche). Atualmente, nosso autor é professor no Curso de Filosofia no Centro de Ciências Humanas e Sociais da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (UNIOESTE), membro do Grupo de Epistemologia e Heurística (CLE - UNICAMP) e coordenador do núcleo local da Rede Paranaense de Pesquisa em História e Filosofia da Ciência.
2005
César Scherer, Fábio
O lugar sistemático do conceito de liberdade na filosofia crítica kantiana
Tomando-se a filosofia crítica kantiana como um sistema de resolução de problemas da razão pura, o conceito de liberdade ocupa um lugar estratégico na articulação da filosofia teórica com a prática, procurando o artigo mostrar como o tratamento dado ao conceito de liberdade no domínio teórico prepara perfeitamente o lugar que ele tem de ocupar no domínio prático, caso deva poder se constituir algo assim como a moralidade.
2006
Beckenkamp, Joãosinho
Razão prática: uma questão de palavras? A controvérsia Habermas/Kant sobre moral e direito
A ética habermasiana do discurso pode ser vista como uma reformulação da razão prática de Kant. Habermas compreende sua proposta ética como transformação da ética kantiana com os recursos da razão comunicativa, com base numa ética de responsabilidade. O presente texto examina a pretensão de Habermas à luz de sua obra jurídica tardia. O trabalho procura mostrar que com introdução de procedimentos democráticos, no binômio moral/direito, Habermas substitui a ética discursiva pela soberania popular. O artigo opera com a hipótese que a postura tardia de Habermas em relação à razão prática kantiana somente se mantém na medida em que tem o amparo do idealismo alemão.
2006
Nicolau Heck, José