Repositório RCAAP
Uma crítica semântica à interpretação de Allison para a validade objetiva na 'Crítica da razão pura'
Uma das teses mais fortes de Allison em seu livro Idealismo Transcendental: uma interpretação e defesa é a idéia de que o conceito de validade objetiva, na segunda edição da Crítica da Razão Pura, seja uma característica definidora dos juízos. No que se segue, argumento que tal interpretação não procede, uma vez que Allison não tem sucesso em explicar a aplicação do conceito a juízos metafísicos, bem como em justificar o alegado abandono, por parte de Kant, da teoria do juízo dos Prolegômenos, que exclui certos juízos empíricos da classe dos juízos objetivamente válidos.
2007
Luisa Bucchile Faggion, Andréa
Homem-Objeto: o lugar da "antropologia" no pensamento de Kant
Para entender o lugar que a “Antropologia do ponto de vista pragmático” ocupa na totalidade do pensamento kantiano, este artigo põe em jogo algumas investigações: a observação da organização da obra, a análise do seu ponto de vista pragmático e, a partir dela, a análise da moralidade, do caráter, do papel da linguagem, da liberdade e do tédio. Para tanto, essas investigações baseiam-se, em grande parte, na pesquisa feita por Foucault, em sua tese complementar de doutorado. Não se trata aqui de rever todo o percurso de Foucault, e refazer todos os seus argumentos, mas apenas de seguir algumas de suas pistas e explorá-las na sua relação com o texto de Kant. A análise da liberdade pragmática vai além das sugestões de Foucault e prolonga-se num estudo da teoria kantiana das paixões e das emoções. Finalmente, este artigo apresenta a tese de Foucault, que entende a reflexão própria à “Antropologia” não como mera recompilação de textos pré-críticos, mas como passagem, pela repetição, do campo da Crítica ao que seria o estágio último do pensamento kantiano, a filosofia transcendental.
2007
Farhi Neto, Leon
As deduções objetiva e subjetiva na primeira edição da "Crítica da razão pura"
Nesse artigo, ao discutir as relações entre as deduções objetiva e subjetiva, na primeira edição da Crítica da razão pura, argumento que a dedução subjetiva não é hipotética, secundária e não se identifica com a psicologia transcendental. Argumento também que a dedução subjetiva, que estuda o entendimento puro e as faculdades cognitivas com as quais se relaciona, é um elemento indispensável na solução do problema da objetividade das categorias.
2007
Bruno Linhares, Orlando
Kant e o pretenso direito de mentir
Depois de apresentar as posições de Kant a respeito da mentira assumidas ao longo da sua obra, em particular, na Doutrina da virtude (1797), o artigo explicita a crítica de Benjamim Constant a Kant e, em seguida, a resposta de Kant centrada na análise semântica das teses de Constant e na crítica do conceito de direito de mentir.
2007
Loparic, Zeljko
Kant semântico: interpretações de Loparic e Hanna
O presente artigo tem como objetivo apresentar e comparar as interpretações que Zeljko Loparic (2000) e Robert Hanna (2001) realizam da primeira Crítica de Kant. Ambos adotam o mesmo ponto de vista na medida em que concebem essa obra como sendo essencialmente um tratado de semântica filosófica, porém inserem a semântica de Kant em contextos filosóficos gerais parcialmente diferentes.
2007
de Freitas Meirelles, Agostinho
O problema da motivação moral em Kant
Este artigo pretende mostrar como Kant resolve o problema da motivação moral a partir da análise do sentimento moral entendido como sentimento de respeito pela lei moral. Para tanto, é necessário investigar a função e o lugar sistemático deste peculiar sentimento dentro do projeto kantiano que pretende provar o direito e a realidade de um princípio prático a priori.
2007
C. Chagas, Flávia
A interpretação de narrativas religiosas e sua relação com a semântica de conceitos da razão prática pura
Em vários momentos cruciais da filosofia crítica kantiana, pode-se constatar uma estreita imbricação entre procedimentos de interpretação (hermenêuticos) e de significação (semânticos). Aqui se investiga essa correlação no âmbito da razão prática, no qual Kant propõe a moralidade como princípio da interpretação de narrativas religiosas, indicando-se a própria interpretação como uma maneira de dar certa densidade sensível às idéias da razão pura. Sem se preocupar com uma interpretação literal das narrativas bíblicas, Kant propõe lançar mão delas no processo de simbolização das idéias da razão prática pura. Como exemplos, são abordadas aqui as narrativas da queda original da humanidade e da queda dos anjos.
2007
Beckenkamp, Joãosinho
'God' without god: Kant's postulate
Kant’s practical postulate for the existence of God is puzzling for several reasons: first, he denies that it provides any cognition of the existence or nature of God as a being in itself, second, Kant stresses the practical nature of the postulate as contributing to performance of our duties, and third, Kant even seems on occasion to indicate that our postulate of God does not correspond to any reality but is a merely a thought. In my paper I advance the argument that Kant’s postulate of God is best understood as an extensionless concept that serves to unify various other moral concepts and moral obligations but that has no referent itself. I make this argument by noting the relation of the postulate to the purpose of practical, as opposed to theoretical, philosophy, and by examination of the regulative role of reason in general, and by invoking contemporary constructivist theology. In order to show this point I first examine the nature of a postulate by comparing postulates to transcendental hypotheses (A772 / B800) and to beliefs (A827 / B855) from the Critique of Pure Reason. I second examine the use to which Kant puts the postulate of the existence of God as “immanent . . . for practical purposes” and “only in reference to the moral law and for the sake of it” (5:133) in the Critique of Practical Reason. Third, I look at the role that the postulate of God plays in Kant’s Opus Postumum and other texts from the 1790s to show that Kant came more and more to argue that the postulates have this functional rather than referential role. Throughout the paper I discuss the nature of practical philosophy – directed toward the free use of our wills – as distingushed from theoretical philosophy – directed toward knowledge of objects. I note how this solution could make Kant a metaphysical naturalist. I also touch on contemporary issues in theology related to the role of human construction of systems of concepts to help them make sense of the world they experience in the context of a greater mystery that defies conceptualization.
2007
Rauscher, Frederick
O homem como ser livre e social
Partindo das máximas do entendimento comum presentes nas três faculdades superiores do homem, tentaremos pensar a capacidade do senso comum para se expressar sobre regras universais, o que o obriga a abstrair-se de toda comoção e inclinação trazidas do mundo sensorial. Como faculdade de ajuizamento, o senso comum, ao refletir, considera “em pensamento (a priori), o modo de representação de qualquer outro como que para ater o seu juízo à inteira razão humana” (CFJ, A 157). Nosso intuito com isso é conferir que o homem em Kant é um ser político, pensa e é sujeito dos seus atos, mas sempre considera o outro.
2007
Fracalossi, Ivanilde
Natureza humana como domínio de aplicação da religião da razão
Depois de formular, de modo esquemático, o problema fundamental de religião em Kant – o de decidir se o homem é moralmente bom ou mau –, o artigo trata do conceito kantiano de religião da razão, enfatizando que Kant propõe uma doutrina da religião sem Deus, embora não sem a idéia de Deus. Na seqüência, desenvolve a concepção kantiana da natureza humana, mostrando que essa concepção delimita o domínio factual sobre o qual Kant interpreta os predicados religiosos fundamentais: moralmente bom e moralmente mau.
2007
Loparic, Zeljko
Introduction to discussion: Brazil - United States cooperation in Kant studies
Since September 2005 when the Sociedade Kant Brasileira hosted the X Congresso Kant Internacional, I have been working to increase interaction between Kant scholars in Brasil and in the United States. The papers that follow are one result of that effort. I organized a session of the North American Kant Society held at the Annual Meeting of the Central Division of the American Philosophical Association in Chicago, April 20, 2007, with the theme “Kant in Brazil.”
2007
Rauscher, Frederick
Kant and contemporary philosophy in Brazil: "problems and perspectives"
Let me start by making a remark about the title of my presentation “Kant and Contemporary Brazilian Philosophy” given by proponents of this panel. In fact, I don’t think that there is a “Brazilian Philosophy” as one could say that Pragmatism is an American Philosophy or Absolute Idealism is a German one. Despite the fact that many persons linked to the “Instituto Brasileiro de Filosofia” and the “Revista Brasileira de Filosofia” do believe in a “Brazilian Philosophy,” I do not think that we have made a substantial and original contribution to this millenary discipline yet. Thus, I dare to correct the title and I will talk about “Kant and Contemporary Philosophy in Brazil: problems and perspectives.” I am very grateful to the North American Kant Society for inviting me, especially to Professor Rauscher. Many thanks.
2007
Dall'Agnol, Darlei
Kant’s semantic turn
In the opening sections of this paper I reconstruct Kant’s project for a critique of pure theoretical reason by showing that in its initial formulation in the Critique of Pure Reason (1781) his aim is to make explicit the conditions under which problems of pure theoretical reason are solvable. The doctrine of the solvability of those problems demands an answer to the following question, which was considered by Kant the fundamental task of the critique of pure theoretical reason: how are synthetic theoretical a priori judgments possible? In other words, under which conditions can these judgments be said to be determinately true or false? This task is carried out in the form of an a priori theory of the reference and meaning of theoretical a priori concepts and of the truth of synthetic a priori judgments. I consider that this theory could and should be interpreted as an a priori or transcendental semantics.
2007
Loparic, Zeljko
Transcendental semantics extended: comments on Loparic
In “The Problems of Pure Reason and Transcendental Semantics,” Zeljko Loparic argues that we not only can but should interpret Kant’s transcendental idealism as transcendental semantics, and then he also provides some specific examples of this approach to Kantinterpretation. What I would like to do in these brief comments is, first, to sketch and motivate the very idea of a semantic interpretation of Kant’s transcendental idealism, and then second, to raise two pairs of friendly questions about the extension of the semantic interpretation to Kant’s ethics in particular, as a way of inviting Professor Loparic to elaborate some of his basic claims further.
2007
Hanna, Robert
Kant no Brasil, de Daniel Omar Perez (org.)
O livro “Kant no Brasil” organizado pelo Prof. Dr. Daniel Omar Perez, docente do programa de Pós-graduação da Pontifícia Universidade Católica do Paraná, apresenta diversas interpretações dos textos Kantianos no Brasil, mas destaca quatro em particular: o trabalho filológico de Valério Rohden, a interpretação política e sistemática de Ricardo Terra, a leitura analítica de Guido de Almeida e a reconstrução semântica de Zeljko Loparic. A importância deste quarteto reunido em uma única obra é o debate de idéias, confronto de argumentos e a heterogeneidades da interpretação dos textos Kantianos no Brasil.
2007
Vanderlei Costa da Conceição, Jorge
Estudo da natureza do homem em Kant a partir do caso do estrangeiro e o conceito de hospitalidade
Este artigo tem como tema o estudo da natureza do homem em Kant a partir do caso do estrangeiro e o conceito de hospitalidade. O direito cosmopolítico está fundado no direito à hospitalidade, mas este tem assimetrias e limites, o que contraria um tratamento igualitário previsto por Kant no âmbito da lei jurídica e da lei moral. O cosmopolitismo dá aos povos de nações ou de repúblicas distintas o mesmo direito de propriedade comum sobre a superfície da terra. O estrangeiro tem o direito de receber um tratamento hospitaleiro sem que para isso lhe seja imputado um dever ou que haja um direito de hóspede que baseie essa exigência. Por outro lado, aquele a quem é solicitada acolhida pode recusar o estrangeiro, e tem como única limitação a essa recusa o fato de ela vir a ser causa da morte do solicitante, diz Kant no Terceiro Artigo de À Paz Perpétua....
2008
Belfort, Claudia
Ciência e metafísica na "dissertação" de 1770
Argumento neste artigo que Kant, na Dissertação, de 1770, apesar de já ter elaborado a revolucionária doutrina da idealidade e subjetividade do espaço e do tempo, é um realista transcendental, pois concebe uma ontologia e uma cosmologia racional.
2008
Bruno Linhares, Orlando
On transcendental semantics beyond ''Critique of pure reason''
It is safe to say that the main line of criticism against the reading of Critical Philosophy as Transcendental Semantics is that Kant would be concerned about semantic problems only on Critique of Pure Reason so that such reading would not make sense beyond that work. In this paper, I describe Transcendental Semantics in short words and analyze at length Kant’s theory of concepts on Transcendental Analytic of Critique of Pure Reason in order to make a suggestion: every concept has to attend the demands of Transcendental Semantics to be called a concept in critical sense.
2008
Luisa Bucchile Faggion, Andréa
Da idéia de ciencia especial como "crítica da razão pura" e da idéia de um sistema da razão pura como ciência
O objetivo deste artigo é apresentar uma interpretação da idéia de uma crítica da razão pura como ciência especial. Sendo assim, importa reconstruir os argumentos e o modo como Kant chega à "idéia" de uma ciência da razão pura, e, daí, à de uma ciência especial.
2008
Yanzer Portela, Luis
Filosofia da religião e mal radical em Kant
Para Bruch (La Philosophie Religieuse de Kant), a teoria do mal não é de modo algum indispensável às tarefas da Fundamentação e da Crítica da Razão Prática, pois estas obras conteriam apenas a introdução crítica da moral de Kant, cuja tarefa seria justificar abstratamente o estatuto do julgamento moral. De acordo com Bruch, embora a teoria kantiana do mal tenha sido elaborada com conceitos da filosofia prática, ela pertence na verdade à filosofia da religião. Para o comentarista, o mal seria uma noção comandada por uma convicção de ordem religiosa. “A teoria do mal radical não é uma dedução a priori: ela se funda sobre uma convicção de essência religiosa, a uma distância igual a do otimismo racionalista e do maniqueísmo, isto é, uma convicção de essência e de origem cristã” (La Philosophie Religieuse de Kant, p. 42). Sendo assim, o mal seria necessariamente um ponto de partida que demandaria uma teoria da conversão, que por sua vez reclamaria uma teoria da graça, chegando, desse modo, “ao coração da religião revelada, e aos confins do domínio da razão” (Id, p. 43). Contra essa interpretação defenderei que o fato de o mal estar ligado, em Kant, a questões da filosofia da religião não é suficiente para afastar a possibilidade de entender o mal radical, antes de tudo, como um conceito a priori, pertencente à filosofia moral. A meu ver, uma leitura religiosa é deficiente, pois não percebe que a doutrina do mal radical está, no fundo, a responder problemas internos ao domínio crítico da filosofia moral de Kant. Apresentarei argumentos a fim de qualificar a tese de que o mal radical é, sobretudo, uma exigência da própria reflexão de Kant sobre a liberdade e não primariamente uma peça da reflexão religiosa sobre a graça e a conversão moral.
2008
Pavão, Aguinaldo